Genética inova tratamento de saúde
11:03 @ 29/06/2008
Frutas enriquecidas com vitaminas e exames para detectar doenças em embriões são possibilidades da biotecnologia
Tisa Moraes
Alguns acontecimentos típicos dos filmes de ficção científica estão se tornando uma possibilidade cada vez mais palpável no dia-a-dia das pessoas que vivem no mundo real. Ainda que no Brasil a revolução biotecnológica esteja atrasada em relação a outros países, aqui também já é possível usufruir de algumas novidades que prometem proporcionar maior segurança, saúde e longevidade à humanidade.
Há até bem pouco tempo uma condição inimaginável, atualmente o brasileiro tem à disposição frutas e vegetais enriquecidos com vitaminas e que permanecem com sua qualidade inalterada por muito mais tempo. Há também medicamentos e alimentos industrializados desenvolvidos especificamente para atender grupos de pessoas com características genéticas específicas, além de um sem número de possibilidades de exames para detectar doenças em seres adultos e até em embriões.
Imagine que um casal que pretenda ter filhos já pode, através da fertilização in vitro, saber quais embriões são portadores de genes que predispõem o bebê a desenvolver distúrbios incuráveis, como a distrofia muscular e Síndrome de Down. “Fazemos a análise de uma das células do pré-embrião com apenas dois dias de vida. Se detectada alguma doença, ele é descartado e só implantamos no útero da mulher os que estiverem sadios”, explica o ginecologista Eduardo Crivelari Baisch, especialista em reprodução humana.
Em seu consultório, ele é capaz de detectar oito síndromes genéticas diferentes que afetam os embriões. Essa é apenas uma amostra do que a ciência promete realizar nos próximos anos. Isso porque, desde o advento da decodificação do genoma humano, em 2001, um gigantesco leque de possibilidades se abriu para as aplicações tecnológicas dentro da genética. E não há previsão para que o estoque de novas técnicas se esgote.
É o que afirma o geneticista Esiquiel de Miranda. Ele explica que o sexo do bebê também pode ser descoberto na fase pré-embrionária, mas, por uma questão ética, a escolha não é permitida ao casal. “Antes, descartávamos os embriões masculinos em caso de histórico familiar de uma doença como a hemofilia, por exemplo, que afeta só os homens. Hoje isso não é mais necessário, porque já conseguimos identificar se o embrião é portador ou não do gene para a hemofilia, sejam eles homens ou mulheres”, explica.
Os casais que tiverem pressa em descobrir o sexo da criança também não precisarão mais esperar as tradicionais 20 semanas para matar a curiosidade. Quem tiver condições financeiras, agora pode começar a preparar o enxoval azul ou rosa já na nona semana. “Nós coletamos o sangue da mãe e fazemos a determinação do sexo fetal com 99,9% de acerto”, frisa Miranda.
Banco de DNA
O pesquisador revela que, há pouco tempo, criou em seu laboratório um banco de DNA para armazenar genes de adultos portadores de doenças ainda não mapeadas, para futuros estudos assim que houver tecnologia disponível. Por enquanto, o banco já é utilizado para verificar a probabilidade de descendentes do doador desenvolverem disfunções cujos genes responsáveis já foram descobertos, como mal de Alzheimer e Parkinson, além de câncer de mama, entre outros males.
No entanto, apesar dos enormes avanços, essa variada gama de diagnósticos está disponível apenas para quem tem condições de pagar por ela. “A tecnologia de ponta é muito ingrata para a população como um todo”, afirma o geneticista.
Dependendo da doença que se queira diagnosticar no embrião, o custo do exame varia entre R$ 14 mil e R$ 30 mil. Para diagnóstico de disfunções em pessoas adultas, o preço vai de R$ 2 mil a R$ 3 mil.
Mas Miranda se mostra otimista, afirmando que, com o passar dos anos, os preços começarão a baratear, assim como ocorreu com os testes tradicionais de investigação de paternidade, surgidos há 20 anos e que custavam mais de R$ 4 mil. “Hoje, o mesmo teste já pode ser realizado por R$ 1,3 mil. Também fazemos o exame de DNA ainda com o bebê dentro da barriga da mãe, mas essa tecnologia ainda é cara, aproximadamente R$ 4 mil”, salienta.
Num futuro não muito distante, o geneticista acredita que a biotecnologia será trivial na vida das pessoas. “O mapeamento genético será parte integrante das consultas médicas, associado à história narrada pelo paciente”, observa.
Graças a essa tecnologia avançada, ele estima que, nos próximos 10 anos, a grande maioria da população passe a adotar uma postura preventiva em relação às doenças. “Conforme essas terapias forem se sedimentando, haverá uma mudança brutal quanto ao que ocorre hoje, em que só se busca ajuda quando a enfermidade já está instalada”, diz.
Estatísticas atuais mostram que 80% dos recursos movimentados na área de saúde têm como destino o tratamento de doenças, entre internações hospitalares, cirurgias, terapias e medicamentos, enquanto apenas 20% são destinados à prevenção.
Mais informações sobre o trabalho do geneticista Esiquiel de Miranda podem ser solicitadas pelo e-mail dna@dnapaternidade.com.br.
Estudo do genoma pela Internet
Hoje, através da Internet, qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo pode obter um mapeamento amplo do seu DNA. Por US$ 1 mil a US$ 2,5 mil, duas empresas americanas, a 23andMe e a Navigenics, oferecem a análise de alguns fragmentos do código genético do cliente em cerca de um mês.
Elaborada com a saliva dos consumidores, que recebem o kit em casa e devem enviar a amostra pelo correio, os testes rastreiam indicadores ligados a até 18 doenças. Os resultados podem ser consultados no site da empresa e indicam, em termos percentuais, se o cliente tem predisposição para desenvolver disfunções como diabetes, obesidade e alguns tipos de câncer, entre outros.
No caso da 23andMe, também é possível saber a origem geográfica e as características étnicas dos antepassados mais remotos. A companhia também mantém ainda um serviço na Internet pelo qual os clientes que fizeram os testes podem compartilhar suas características genéticas com amigos, como se estivessem em um site de relacionamento.
Tisa Moraes
Alguns acontecimentos típicos dos filmes de ficção científica estão se tornando uma possibilidade cada vez mais palpável no dia-a-dia das pessoas que vivem no mundo real. Ainda que no Brasil a revolução biotecnológica esteja atrasada em relação a outros países, aqui também já é possível usufruir de algumas novidades que prometem proporcionar maior segurança, saúde e longevidade à humanidade.
Há até bem pouco tempo uma condição inimaginável, atualmente o brasileiro tem à disposição frutas e vegetais enriquecidos com vitaminas e que permanecem com sua qualidade inalterada por muito mais tempo. Há também medicamentos e alimentos industrializados desenvolvidos especificamente para atender grupos de pessoas com características genéticas específicas, além de um sem número de possibilidades de exames para detectar doenças em seres adultos e até em embriões.
Imagine que um casal que pretenda ter filhos já pode, através da fertilização in vitro, saber quais embriões são portadores de genes que predispõem o bebê a desenvolver distúrbios incuráveis, como a distrofia muscular e Síndrome de Down. “Fazemos a análise de uma das células do pré-embrião com apenas dois dias de vida. Se detectada alguma doença, ele é descartado e só implantamos no útero da mulher os que estiverem sadios”, explica o ginecologista Eduardo Crivelari Baisch, especialista em reprodução humana.
Em seu consultório, ele é capaz de detectar oito síndromes genéticas diferentes que afetam os embriões. Essa é apenas uma amostra do que a ciência promete realizar nos próximos anos. Isso porque, desde o advento da decodificação do genoma humano, em 2001, um gigantesco leque de possibilidades se abriu para as aplicações tecnológicas dentro da genética. E não há previsão para que o estoque de novas técnicas se esgote.
É o que afirma o geneticista Esiquiel de Miranda. Ele explica que o sexo do bebê também pode ser descoberto na fase pré-embrionária, mas, por uma questão ética, a escolha não é permitida ao casal. “Antes, descartávamos os embriões masculinos em caso de histórico familiar de uma doença como a hemofilia, por exemplo, que afeta só os homens. Hoje isso não é mais necessário, porque já conseguimos identificar se o embrião é portador ou não do gene para a hemofilia, sejam eles homens ou mulheres”, explica.
Os casais que tiverem pressa em descobrir o sexo da criança também não precisarão mais esperar as tradicionais 20 semanas para matar a curiosidade. Quem tiver condições financeiras, agora pode começar a preparar o enxoval azul ou rosa já na nona semana. “Nós coletamos o sangue da mãe e fazemos a determinação do sexo fetal com 99,9% de acerto”, frisa Miranda.
Banco de DNA
O pesquisador revela que, há pouco tempo, criou em seu laboratório um banco de DNA para armazenar genes de adultos portadores de doenças ainda não mapeadas, para futuros estudos assim que houver tecnologia disponível. Por enquanto, o banco já é utilizado para verificar a probabilidade de descendentes do doador desenvolverem disfunções cujos genes responsáveis já foram descobertos, como mal de Alzheimer e Parkinson, além de câncer de mama, entre outros males.
No entanto, apesar dos enormes avanços, essa variada gama de diagnósticos está disponível apenas para quem tem condições de pagar por ela. “A tecnologia de ponta é muito ingrata para a população como um todo”, afirma o geneticista.
Dependendo da doença que se queira diagnosticar no embrião, o custo do exame varia entre R$ 14 mil e R$ 30 mil. Para diagnóstico de disfunções em pessoas adultas, o preço vai de R$ 2 mil a R$ 3 mil.
Mas Miranda se mostra otimista, afirmando que, com o passar dos anos, os preços começarão a baratear, assim como ocorreu com os testes tradicionais de investigação de paternidade, surgidos há 20 anos e que custavam mais de R$ 4 mil. “Hoje, o mesmo teste já pode ser realizado por R$ 1,3 mil. Também fazemos o exame de DNA ainda com o bebê dentro da barriga da mãe, mas essa tecnologia ainda é cara, aproximadamente R$ 4 mil”, salienta.
Num futuro não muito distante, o geneticista acredita que a biotecnologia será trivial na vida das pessoas. “O mapeamento genético será parte integrante das consultas médicas, associado à história narrada pelo paciente”, observa.
Graças a essa tecnologia avançada, ele estima que, nos próximos 10 anos, a grande maioria da população passe a adotar uma postura preventiva em relação às doenças. “Conforme essas terapias forem se sedimentando, haverá uma mudança brutal quanto ao que ocorre hoje, em que só se busca ajuda quando a enfermidade já está instalada”, diz.
Estatísticas atuais mostram que 80% dos recursos movimentados na área de saúde têm como destino o tratamento de doenças, entre internações hospitalares, cirurgias, terapias e medicamentos, enquanto apenas 20% são destinados à prevenção.
Mais informações sobre o trabalho do geneticista Esiquiel de Miranda podem ser solicitadas pelo e-mail dna@dnapaternidade.com.br.
Estudo do genoma pela Internet
Hoje, através da Internet, qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo pode obter um mapeamento amplo do seu DNA. Por US$ 1 mil a US$ 2,5 mil, duas empresas americanas, a 23andMe e a Navigenics, oferecem a análise de alguns fragmentos do código genético do cliente em cerca de um mês.
Elaborada com a saliva dos consumidores, que recebem o kit em casa e devem enviar a amostra pelo correio, os testes rastreiam indicadores ligados a até 18 doenças. Os resultados podem ser consultados no site da empresa e indicam, em termos percentuais, se o cliente tem predisposição para desenvolver disfunções como diabetes, obesidade e alguns tipos de câncer, entre outros.
No caso da 23andMe, também é possível saber a origem geográfica e as características étnicas dos antepassados mais remotos. A companhia também mantém ainda um serviço na Internet pelo qual os clientes que fizeram os testes podem compartilhar suas características genéticas com amigos, como se estivessem em um site de relacionamento.
Lucia
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