Grupos

O Aikido e a Espada Japonesa

15:14 @ 04/10/2011

 

ARTIGOS ESCRITOS PELO SENSEI WAGNER BULL

O Aikido e a Espada Japonesa
Wagner Bull Shihan

Em minhas aulas de Aikido no Instituto Takemussu, sempre repito a importância em se praticar as técnicas com os braços curvados da mesma forma que a espada japonesa, o "kataná" é construído. Afinal, quando a Natureza trabalha no plano horizontal ela sempre faz curvas. A razão disto é que devido à ação da gravidade, para minimizar esforços ela procura sempre se livrar de flexões, e curva tudo o que é horizontal para através do "efeito de arco", verticalizar os esforços. Por esta mesma razão a espada japonesa é curvada. Evidentemente que para os esgrimistas japoneses, a espada ganha vida, tem espírito, e não se pode analisar a mesma apenas sob o ponto de vista meramente analítico e material e são capazes de dilacerar o que tenham à frente, ou secionaram o que seja seu alvo. Há muita coisa para ser conhecida sobre a montagem das espadas e sobre os artífices que fizeram de seus componentes verdadeiras obras de arte. Assim como no Aikido e nas artes marciais a mãos nuas, se usa a mão e os pés para perfurar (tsuki), e golpear a espada tem poder de perfuração e de corte. O poder de perfuração que tem a espada japonesa, é uma herança direta da espada chinesa; aliás, quase tudo no Japão antigo recebia influência da China: as vestimentas da moda, a filosofia de Confúcio e, como não podia deixar de ser, a espada Naquela época, as espadas eram chamadas karatachi, (espada chinesa).

As espadas mais usadas na China eram dao, de lâmina curva e aumentando de largura na ponta, sendo usada principalmente nas guerras; e o gim, de uso palaciano, com lâmina de corte duplo. O nome gim deu origem ao nome ken das espadas japonesas. A luta com a espada gim se caracterizava por golpes feitos somente com a ponta da lâmina ou a parte adjacente à mesma. Essa luta visava estocadas ou o corte de músculos, assim como incisões em tendões localizados e escolhidos com precisão. Fazia-se isso com movimentos de pouca amplitude e muita rapidez. Quando foram usadas no Japão, aí então importadas da Coréia e chamadas de korai tsurugi, essas lâminas tinham o formato da espada gim, isto é, com corte duplo e com seus dois fios se unindo na ponta. Os japoneses, mais familiarizados com o esgrima de menos estocadas e de movimentos mais amplos, sem as sinuosas evoluções dos chineses, dispensaram o corte duplo dotando suas lâminas com corte de apenas um lado e com uma ponta chanfrada e menor. Dessa forma, a ponta da lâmina foi convertida em uma peça menos para estocadas e de mais valia como finalização de cortes feitos com a parte mais larga da arma. Isso foi ficando assim até a invasão mongólica do solo nipônico.

Naquela ocasião, frente a guerreiros que usavam armadura de couro com placas de metal, os japoneses viram que as diminutas pontas de suas espadas não tinham condição de penetrar na proteção usada pelos invasores. Aí então, passaram a fazer espadas que além de mais resistentes, tinham pontas bem maiores, às quais davam o nome de okissaki; com elas conseguiam mais sucesso frente ao inimigo. A espada japonesa é a única no mundo que dispõe de lâminas em três variações de curvatura, ou seja, a curvatura feita perto do punho da arma, depois, no meio da lâmina, e por ultimo na parte mais próxima da ponta. Através da Física se pode demonstrar a vantagem das espadas com lâminas curvas sobre as retilíneas. A lâmina reta, quando encontra um ponto de resistência, só utiliza uma única área de toda a sua extensão. Ao contrário disso, uma espada curva, pelo seu movimento resvalante e em virtude da sua forma, multiplica a área de corte da lâmina; tudo isso com muito menor esforço que no caso das espadas retas. Com a curva mais para a extremidade, a arma se torna ideal para combate a pé, ou seja, com sua parte reta na parte do meio da espada a arma pode bloquear golpes recebidos, sem perigo de que a lâmina adversária resvale atingindo o defensor.

Por outro lado, sendo essa espada dotada de uma curvatura na porção do meio para a ponta, ela dá ao espadachim a economia de esforço para cortes, vantagem já mencionada com relação às lâminas curvas. O modo de manejar a espada no Japão é muito diferente da maneira ocidental de faze-lo. Na maioria das vezes segura-se a arma com as duas mãos, ficando a direita bem junto à copa e a esquerda na beira do punho. No ocidente, durante a idade média as espadas eram brandidas segurando-se também com ambas as mãos, porém isso era devido ao fato de naquela época elas serem muito pesadas. No oriente o motivo é outro, sendo mais por uma questão que se pode chamar de mecânica. Para o espachim japonês a espada funciona como uma espécie de alavanca. A mão direita segurando a arma perto do seu centro fica sendo o "ponto de apoio"; a beirada do punho da espada passa a ser a parte dessa alavanca onde a mão esquerda exerce a "força de potência", ficando dessa maneira a ponta da lâmina convertida em "força de resistência".

O Aikido, o Karate, o Judo, e o Kendo, por serem Budo tradicionais japoneses têm em suas técnicas sempre a espada japonesa como referencia básica para suas técnicas e daí ser importante para o praticante de um Budo, conhecer um pouco do manejo das mesmas para se poder entender melhor as bases da arte que pratica como quem estuda Latin para entender o Português. No Aikido as mãos são usadas como espada, sendo o a parte de baixa usada como a lâmina (tegatana), que em movimentos cortantes, empurra ou puxa o adversário transmitindo energias centrífugas e centrípetas. Na parte de estocada se usa a ponta dos dedos, dos pés, o punho fechado, ou outras extremidades, quando se executam "atemis" (golpes traumáticos), em regiões vitais. Assim com na esgrima, no Aikido o corpo deve ficar totalmente relaxado, e centrado no "Hara", (centro de gravidade), de onde deve sair toda a energia que é expandida para as demais partes do corpo.

Quem gosta de artes marciais japonesas não devem deixar de estudar e praticar com as espadas, pois são poderosas ferramentas para se desenvolver centralização, velocidade, e domínio da linha central e uso da força global do corpo concentrada em um ponto ou trajetória. Por isto esta prática é obrigatória para os praticantes avançados no Instituto Takemussu.

 

 

Tivemos nos dias 22 e 23 outubro o III Encontro Tecnico do Aikidojo Curitiba com o Shidoin Luiz Amorim.
O Shidoin Luiz Amorim contagiou a todos no dojo com sua energia, técnica e experiências pessoais, explicando como o AIKIDO pode e deve ser usado para várias situações do nosso dia-a-dia, deixando a todos os participantes a certeza de que o AIKIDO é um caminho de autoconhecimento e de unificação com o Universo.
Durante o evento tivemos uma revisão e uma “nova visão” por assim dizer das técnicas do exigidas nos exames de amarela (no sábado pelo manhã) e de azul (sábado a tarde), frisando, entre outras coisas, a parte marcial das técnicas e a importância do musubi e da movimentação. No domingo pela manhã o evento completou-se com outra excelente aula e exames de kyu. Dessas aulas é impressionante ver, como dojos espalhados pelos 4 cantos do país mantem a mesma qualidade do Dojo Central demonstrando o grande trabalho que o nosso Shihan Wagner Bull tem feito à frente da Confederação.
De fato, o Shidoin Luiz Amorim deixou bem claro a todos os participantes que somos uma grande família trabalhando em sinergia, primeiro na escala do nosso dojo e depois num nível maior na família do BRAZIL AIKIKAI, tendo o Sensei Wagner como mentor e condutor dessa família.
Nesse evento tivemos a participação de um total de 15 alunos do AIKIDOJO Curitiba, incluindo o Yudansha Washigton Watanabe, sendo que 5 alunos fizeram exames, sendo 3 para faixa amarela e 2 para a faixa azul, sendo que todos foram aprovados.
Agora é por em prática os ensinamentos passados!!!

site: http://www.aikidocwb.com.br/