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Iniciamos hoje, a publicação de entrevistas efectuadas, a importantes figuras do Aikido Nacional e Mundial.Foi em maio de 2011 que tive o prazer de conhecer pessoalmente o Sensei Wagner Bull.
Professor de renome Mundial traz consigo na bagagem, uma enorme experiencia adquirida em mais de 40 anos de prática.
As suas qualidades como pessoa são demasiado evidentes para não serem notadas.
Sua simpatia é deliciosamente contagiante e sua paixão por Aikido é evidente.
Grande comunicador, tem um modo de ensinar Aikido que torna fácil o que parece difícil.
Sensei Wagner nasceu em Londrina, Paraná, e praticou desde cedo várias Artes Marciais.
Iniciou sua prática no Aikido em 1969.
DSC01834Foi fundador do Instituto Takemussu, Instituto esse, também existente no nosso País.
 Em 1999 foi graduado a 6º Dan pelo shihan aluno directo do fundador Yoshimitsu Yamada.
Em 2002 sua organização foi reconhecida pelo Aikikai Hombu Dojo do Japão.
Em 2009, o Sensei. Wagner Bull recebeu o titulo do Hombu Dojo, de  Shihan (Mestre máximo de Aikido) sendo a primeira pessoa nascida na América Latina a conseguir este titulo em toda a história do Aikido.
Sensei Wagner Bull,é engenheiro civil, empresário, casado   tem 2 filhos, Alexandre e Edgar, ambos praticantes de Aikido. Alexandre é médico como a mãe e Edgar é engenheiro como o pai.
Autor do livro ” Aikido o Caminho da Sabedoria”. Sendo esta obra o livro sobre Artes Marciais mais vendido em todo o Brasil.

O meu grande agradecimento a Sensei Wagner, pela sua amabilidade.

A nível pessoal espero cruzar-me novamente com o Sensei, e assim poder melhorar o meu caminho nesta tão bela arte que é o Aikido.

 Site aikido Portugal- O Sensei iniciou a prática de artes marciais Japonesas desde muito cedo. Poder-nos-ia relatar concretamente esse facto?

Sensei Wagner Bull -Eu praticava Judo, e Karate quando estava na Universidade, um dia um amigo me disse que havia aberto um dojo de uma arte diferente, que permitia a uma pessoa pequena conseguir imobilizar uma pessoa grande e forte, usando chaves e que se chamava Aikido. Fui lá visitar e me matriculei no dia seguinte. Isto foi em março de 1969, ha quase 43 anos atrás.


SAP-O que viu de diferente no Aikido que o tenha apaixonado?

WB—O Aikido me pareceu ser algo onde a técnica predominava sobre a força. Na minha juventude eu queria ser capaz de lutar com pessoas mais fortes e sobrepujá-las, eu senti que isto seria possível treinando esta arte.

 SAP- O Sensei é conhecido por ter um Aikido muito eficaz a nível de defesa pessoal. Concorda com esta afirmação?

 WB—Sim, pois sempre busquei este caminho. No entanto meu conceito sobre defesa pessoal de hoje é bem diverso quando comecei. Hoje entendo que o que é importante é se ser capaz de enfrentar qualquer tipo de ataque, seja um soco, uma faca, uma depressão emocional ou financeira, uma perda de ente querido, uma doença, ou o pior de todos os inimigos que é a ignorância. Hoje sei que nos tornamos realmente bons em defesa pessoal integral quando conseguimos abrir nossa consciência aumentando nossa percepção, nossa sensibilidade. Depois de muitos anos descobri que o grande segredo do Aikido é nunca fazer força com os braços, com as pernas, com a parte externa do corpo, ao contrário, é preciso relaxar totalmente, e se se conseguir adaptar ao ataque seja ele qual for, e então somente então usar nossa hara para conduzir a agressão através das linhas de não resistencia. Este conceito serve não somente para os ataques físicos, mas para de qualquer tipo como mencionado acima. Isto é o que significa o ideograma “Ai” de Aikido. Os traços simbolizarm uma tampa e uma panela, sendo um nague e o outro uke, o agressor e o agredido, e quem quer usar o aikido deve se adaptar perfeitamente como a tampa o faz com a panela encaixando bem e não deixando nenhum espaço para o ar sair. Esta metáfora expressa em o que é “aiki”. Conceituar é até fácil embora demora muito tempo para se compreender isto se não se tem um bom professor, mas executar é ainda muito mais dificil. A maioria das pessoas inconscientemente cria resistÊncia ao ser atacado, e ao fazer isto impossibilita que o a técnica seja feita com “aiki”, ai a técnica exige força para ser executada e perde sua beleza e eficiência.

SAP- Podia-nos falar um pouco sobre Ueno Sensei e no seu convívio com ele?

 WB—Eu nunca conheci ninguem como Ueno Sensei, ele parecia que não era deste mundo, era uma pessoa muito diferente em todos os sentidos. Quando a gente se aproximava dele ficava muito feliz, uenoà vontade, assim como quando estamos com amigos , comendo , bebendo e conversando e não queremos sair de perto. Por outro lado quando eu o atacava em cima do tatame e ele iniciava uma técnica, eu sentia medo quase terror, a sensação era que eu seria tragado por uma força muito maior do que a minha , ficaria indefeso e poderia ser esmagado ou arrebentado se ele quizesse. Outra coisa curiosa, é que ele era um monge xintoista, e quando realizava as cerimonias ele ficava tão concentrado que parecia que saia fumaça da cabeça dele ou estava possuido por algum espírito, como se ve nas cerimonias de seitas africanas muito comum aqui no Brasil. Uma vez eu discuti este assunto com um famoso mestre japones que foi aluno do Morihei Ueshiba e ele disse-me que este tipo de coisa acontece com monges xintoistas e que ele já havia visto tambem similarmente. Kato Sensei que é meu amigo, e foi Uke de O Sensei muitas vezes e começou treinar em 1952 disse-me também uma vez sentiu isto no Fundador, e que passou muito medo. Disse que até hoje tem pesadelos sobre um incidente que lhe ficou na memória. O Sensei lhe jogava tão alto e forte que os pés quase batiam no teto da casa. Eu perguntei se isto não se devia ao fato de naquela época ele ser ainda jovem no Aikido e ele disse-me que não, e que ele se lembra bem da sensação e a ação não lhe parecia algo “humano” .


SAP- Após a fundação do Instituto Takemussu, Foi complicado obter o reconhecimento do Concelho Nacional de Desportos do Brasil?

WB--Foi muito dificil sim, alem de eu ter tido concomitantemente bastante sorte. Na época eu conhecia deputados federais e senadores porque era diretor de uma grande empresa e então usei meu relacionamento com eles para me ajudar. Creio que tive muita sorte, o Universo conspirou para que tudo desse certo como deu ou não teria conseguido mudar a legislação do pais como consegui para permitir a aprovação.

SAP- No ano de 2002 a sua organização é reconhecida pela Aikikai Hombu Dojo. O que significou para si nessa altura?

WB- - Mudou tudo em termos institucionais, as outras organizaçoes oficiais do Aikikai em todo mundo passaram a respeitar nosso grupo como iguais e o contato com o Hombu Dojo passou a ser direto criando muitas facilidades de toda sorte pois passamos a partir daí a não mais depender de intermediários, que nem sempre pensavam primeiro em nossas necessidades e acabam colocando obstáculos em nosso progresso natural.

diploma de shihanSAP- Em 2009 . recebeu o titulo do Hombu Dojo de Shihan . Foi também a primeira pessoa nascida na América Latina a ter este título. Esse feito teve o devido reconhecimento no Brasil?

WB—Sem dúvida, se o reconhecimento organizacional em 2002 resolveu todos os problemas institucionais, o título de shihan concedido pelo Aikikai em 2009, me colocou em uma situação muito privilegiada em nível pessoal, elevando minha reputação. Foi como quando em uma universidade, um professor assistente recebe o titulo de professor catedrático. O titulo de shihan é realmente uma grande honra, eu sou muito agradecido ao Doshu Moriteru Ueshiba por ter reconhecido meus esforços, e com este título premiou não somente a minha condição de instrutor de Aikido, mas tambem a todos meus alunos, e instrutores, que dentre tantos orientadores existentes no Brasil e na America Latina disponiveis, continuar fieis e leais a mim e ao Instituto Takemussu permitindo formar uma grande organização que hoje é o Brazil Aikikai. È claro que este titulo eu recebi não somente devido a minha condição técnica e de conhecimentos sobre o Aikido mas também pelo trabalho organizacional e geral em prol do desenvolvimento do Aikido no Brasil. Há muita gente muito boa pelo mundo ensinado em condições técnicas iguais e até melhores do que a minha que ainda não são shihan exatamente pela carencia em comprovarem serviços em prol da arte. O titulo de Shihan envolve várias coisas . Novamente tive muita sorte de estar no lugar certo , na hora certa, e é claro estar sempre “apaixonado” pelo aikido. Bem no fundo eu não me sinto um “shihan” , ou seja, um “mestre modelo” visto que esta é a tradução do Japones para o termo. A cada dia eu descubro algo novo, e percebo que estava fazendo algo errado ontem que deveria hoje corrigir. Ou seja, no fundo eu ainda não sei Aikido plenamente, estou estudando dia a dia. A coisa vai pelo erro , correção nova tentativa o tempo todo. Se talvez eu seja um modelo este é que sou um estudante de Aikido teimoso que não desiste em tentar aprender um dia todos os segredos, e que se contenta em progredir pelo menos um pouco sempre e não ficar parado.

doshukamizagoodDoshu Moriteru Ueshiba (direita) de visita ao Instituto Takemussu


SAP- Ficou então provado que não é preciso nascer no Japão para se chegar a um alto nível em aikido…

WB—Na verdade a coisa é mais embaixo se voce quer buscar as origens . Através de meus estudos descobri que os principios do Aikido bem no fundo vieram da China, que vieram da India, e que vieram sei lá de onde pois a história é incerta. Os japoneses são muito bons seminario-shihan-wagner-bull-03para receberem coisas no exterior, e aproveitarem para si estes conhecimento, assim como fizeram com a cultura chinesa e o “niponizaram “. O mesmo ocorreu com o Aikido. O conceito de “aiki”, se encontra claramente nas artes chinesas internas. No fundo, tudo começou com a percepção do “Ki” por algum iluminado que criou exercicios para a saúde que na China se chama “Chi Kung” a mais de 2000 anos antes de Cristo. Da saúde estes exercicios começaram a ser praticados para se buscar a iluminação, virando prática religiosa. Posteriormente lá pelo ano 300 DC, os artistas marciais começaram a usar a prática do Chi Kung em técnicas de Combate. Na China a historia diz que foi Boddidharma, ou “Daruma” que era um principe da india que veio ensinar budismo para o imperador da China, se desentendeu com ele e se mudou para o templo Shaolin e lá começou a ensinar estas praticas para melhorar a saúde dos monges, atingir a iluminação espiritual e lhes ensinar a se defender. Este conhecimento acabou chegando mais tarde ao Japão, e os grandes mestres ainda estão lá evidentemente com seus segredos. Felizmente aos poucos nós ocidentais vamos “roubando” os mesmos como dizem os japoneses. Há muita gente competente ensinando atualmente no ocidente,assim como muita gente ruim, mas muita coisa ainda pode ser aprendida no Japão e na China para quem conseguir encontrar a pessoa certa ainda atualmente. Eu tive a sorte de tem contato com alguns, por isto afirmo com segurança que o w1nivel do Aikido do Ocidente está de alto sim, mas ainda não atingimos os grandes segredos . Somos todos ocidentais estudantes ainda e todos ainda podemos aprender bastante com a pessoa certa quando a encontramos e esteja disponivel.

O problema é que nem todos que realmente sabem a essencia e são poucos no mundo, estão disponiveis para nos ensinar seus segredos.Quem os conhece os guarda para si e os leva ao túmulo e apenas excepcionalment legando-os para alguns poucos iniciados bem próximos. O Aikido que se pratica na maioria dos dojos do mundo, é algo ainda muito aquem ainda do que fazia O Sensei ha meu ver. Há muito ainda que evoluir e se buscar. Porém eu acho que mesmo sem um mestre de altissimo nivel, se o praticante se esforçar ele consegue descobrir muitas coisas por si. Nosso corpo se observado com atenção pode ser um grande professor. Se prestarmos atenção como andamos ou como levantamos um copo ao beber, muitos segredos podem ser descobertos para quem estiver atento nestas experiencias aparentemente simples mas de grande profundidade real. Há muita informação disponivel atualmente , a internet ajuda muito para quem estiver realmente interessado em onde buscar ensinamento de alta qualidade.

 SAP- Ao longo destes seus mais de 40 anos de Aikido, muita coisa mudou. A tecnologia hoje existente, permite-nos ter um Mundo mais pequeno. A Internet tornou-nos a todos mais próximos. Os seus vídeos são visualizados por milhões de praticantes em todo o Mundo. Em sua opinião a Internet é uma ferramenta útil para levar o Aikido a todos? Que vantagens ou desvantagens a mesma pode ter?

 WB- -O problema da internet é pessoa ver um filme e achar que viu a realidade. O filme é uma ilusão, nada substitui o contato pele com pele. A internet ajuda a se descobrir onde pode estar as pessoas que realmente tem um conhecimento superior e é portanto um bom “catálogo”. Mas não se pode aceitar que alguem assista um filme sobre Lisboa e venha a dizer que conhece Portugal por ter visto a pelicula. Ele poder ter muitas informações sobre a cidade, mas não viveu a experiencia real. Para se sentir realmente uma técnica de Aikido e perceber como ela é feita, temos que pedir que alguem que saiba fazer a mesma aplique em nós e percebamos pela experiencia da realidade. Os filmes tem seu lado bom, mas são tambem algo muito ruim quando a pessoa confunde a experiencia virtual com a real. Eu tive a sorte de sentir a técnica de mais de 35 alunos diretos do Fundador, e de outros grandes mestres de artes marciais, por isto sei que sou um iniciante ainda. Infelizmente o mundo está a cada dia trocando a experiência real pela virtual e considerando-a similar ou igual. Isto é um grande erro do presente momento que a humanidade está cometendo. No aprendizado do Aikido é igual a meu ver.

 

 SAP- A escrita é uma paixão sua muito antiga. Como surgiu a ideia de escrever sobre Aikido?

WB- -Eu precisava fazer isto, é algo natural em mim, gosto de registrar o que sinto e o que aprendo e passar para as pessoas. Creio que ser escritor e professor é um tipo de dom natural que tenho. Nunca estudei para fazer isto academicamente como fiz com administração e engenharia. Assim ainda erro aqui e acolá na ortografia e na gramática. Por outro lado percebi que havia muito pouco material sobre Aikido em português. Assim escrevi varios livros e traduzi outras dezenas. A maioria foram editados pela Editora Pensamento que tem site na internet e quem quizer comprar hoje é muito fácil ai em Portugal , eles enviam pelo correio. Traduzi e ajudei a publicar todos os livros escritos por O Sensei, os mais famosos de seu filho Kishomaru e todos os do atual doshu Moriteru entre outros assuntos correlatos. Traduzi Funakoshi e Jigoro Kano. Tudo está em portugues para quem quizer ler acho que este é um precioso legado que deixo para nossos irmãos portugueses e brasileiros.

    Aikido  O caminho da sabedoria - A Tecnica - Wagner Bull.gAikido  O Caminho da Sabedoria - A Teoria - Wagner Bull.mAikido  O caminho da sabedoria - Dobun - Wagner Bull.g

                                          aikido Aikido Takemussu aiki - Wagner Bull.g

 SAP- Pode-se afirmar que o Sensei é um apaixonado pela língua de Camões?

 WB—Eu não sou um escritor de obras literárias em portugues. Eu escrevi sobre Aikido, apenas. Uso a lingua para transmitir o que aprendi sobre o Aikido. Embora eu goste de poesia e prosa, não costumo ler somente pelo prazer da linguagem, mas muito mais pelo conteúdo. A linguagem é para mim muito mais uma ferramenta do que um fim em si. Se tivesse nascido em outro pais, provavelmente faria o mesmo naquela língua. Acho que todas as linguas são lindas para quem nela foi criado , isto tem muito ver com Kotodama, que é assunto de Aikido também, mas este fica para outra vez para eu falar sobre.

doshu-no-dojo-central-2                                Doshu visitando a grade biblioteca de AIkido do prof. Wagner Bull e autografando os seus livros de seu pai e de seu avô

 SAP- O Instituto Takemussu também existe em Portugal.E o Sensei já se deslocou ao nosso País várias vezes. Que ideia o Sensei tem do Aikido Português?

 WB—Meu aluno principal ai em Portugal é o Paulo Farinha que tem dojo no Estoril . Ele tem o nivel técnico internacional compativel com sua graduação. Eu gostaria que eu pudesse ir mais vezes a Portugal ou que ele pudesse vir com maior frequencia ao Brasil para poder lhe ajudar a crescer mais rapidamente. Mas infelizmente ele não é rico e precisa trabalhar para viver , então ele ,tem se esforçado muito muito para acompanhar a evolução minha como fazem os que me tem por perto aqui no Brasil. O Aikido portugues até onde pude ver , está em situação similar do que acontece em todo mundo. Há gente muito boa e gente ainda principiante ensinando , aliás como em acontece inclusive no Japão atualmente. Não é verdade que todo professor de Aikido do Japão é bom. A meu juízo  todos que estão ensinado tem valor, e o importante que sigam em seu trabalho , e treinando com determinação e disciplina que com o tempo e dedicação todos acabam progredindo e melhorando. O professor de Aikido que se contenta em satizfazer seu ego, pelo respeito que recebe dos estudantes está perdido. É preciso se ser estudante sempre , como se diz o japones manter o espirito de “Hibi Shoshin”.

SAP- Alexandre e Edgar, seus dois filhos são aikidocas. Sendo seus filhos é natural que tenham começado em tenra idade a prática. A partir de que idade o Sensei recomenda que as crianças comecem o Aikido?

WB- -Depende dos pais. Se os pais acompanharem os filhos, podem iniciar bem cedo. O Alexandre começou com menos de 4 anos. Mas eu acho que 7 anos é uma boa idade em geral para se começar embora que nunca ha idade maxima. Eu tenho excelentes alunos que começaram com mais de 50 anos.

SAP- Considera fácil a relação Pai/Sensei? Ou seja, acha fácil ser professor de um filho?

 WB—Não é somente fácil, é muito prazeiroso, é a melhor coisa que um professor de Aikido pode fazer para educar bem seus filhos. A pratica comum desenvolve um comprometimento, uma cumplicidade que dificilmente existiria de outra forma entre pais e filhos, quebra-se uma barreira natural e a comunicação acaba ficando realmente muito grande e autêntica.

SAP- O Brasil é sem a menor dúvida um País de grandes tradições marciais. Também a nível de desportos de combate o Brasil está entre os melhores do mundo. No meio de todos estes factos, o seu livro “Aikido o Caminho da Sabedoria”, é o livro de Artes marciais mais vendido no Brasil. Isto poderá nos levar a pensar, que o Aikido terá cada vez mais, um maior número de praticantes?doshumedal

 WB—O problema é que o brasileiro é muito competitivo e tem a neurose de querer vencer os outros. Isto torna muito dificil a pessoa se dedicar ao Aikido e é certamente a grande barreira. É muito mais fácil se ensinar a competir do que a “harmonizar” para nossa cultura que adora futebol. Eu acho que para alguem gostar de Aikido sem conhecê-lo bem é necessario que seja uma pessoa já amadurecida. Infelizmente portanto, não são todos que já estão preparados para treinar Aikido e permanecer. No entanto o Aikido brasileiro vem crescendo sim, mas de forma lenta.

 

Prof. Wagner Bull e o Doshu na cerimonia de entrega da Medalha Anchieta pela Câmara Municipal de São Paulo

SAP- Para finalizar Sensei, qual o seu maior desejo para o Aikido mundial? 1891

 WB—Meu desejo é que os professores e mestres, não se acomodem em aprender apenas o que está sendo oferecido, e que se aprofundem mais, que busquem sempre a essência, que foquem mais no estudo do “ki” do que apenas se satisfazer com movimentação sem relacionar com as forças da natureza, “Kannagara” como dizem os japoneses. Meu desejo é que o Aikido seja mais buscado como Caminho de Iluminação e saude através da prática marcial, mais Budo, menos dança. Temo que se isto não acontecer a arte vai mudar e perder suas origens e deixar se atender o propósito do Fundador ao criá-la. Meu desejo é que se leia e se estude mais o que O Sensei escreveu e principalmente os professores se esforcem para compreende-lo e se possivel ir além , pois sua obra está inacabada. O Aikido ainda está se formando é uma arte muito jovem embora com raizes muito antigas com falei. Agradeço a oportunidade de me expressar , e fico feliz em saber que estou servindo tambem como “tradutor” da lingua portuguesa no que tange aos ensinamentos dos mestres orientais, não somente para os brasileiros mas aos portugueses cuja cultura foi a base de minha formação.

O nosso muito obrigado pela sua enorme gentileza em nos conceder esta entrevista. O Sensei tem muitos seguidores no País de camões. E esta entrevista contribuirá com certeza para que a família aikidoca Portuguesa se sinta mais perto de si.

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