A SÍNDROME DA RESPIRAÇÃO BUCAL (SRB)
21:40 @ 12/07/2008
A avaliação e tratamento de pacientes com problemas nas vias aéreas superiores e suas conseqüentes manifestações no desenvolvimento físico, postural, dentofacial e de linguagem não são assuntos recentes. Quanto mais cedo o problema for diagnosticado e tratado, menor a possibilidade de que uma criança venha a desenvolver as várias características faciais ocasionadas pela respiração bucal. Não se justifica o "observar e esperar", quando se está diante de uma criança com obstrução nasal. Não só as características faciais podem ser prevenidas. Há uma necessidade de integração entre as várias profissões envolvidas com o respirador bucal para que um trabalho interdisciplinar possa gerar soluções criativas, eficazes e econômicas.
Atualmente, a respiração bucal é um assunto que permanece controvertido, pois estabelecer uma relação de causa - efeito não é uma tarefa simples devido à quantidade de fatores envolvidos. A inter-relação entre Síndrome do Respirador Bucal e aspectos fonoaudiológicos como fala e linguagem, motricidade oral e qualidade vocal e as interfaces com a otorrinolaringologia, a ortodontia e a fisioterapia reforçam a urgente necessidade de ações preventivas, de políticas estaduais de saúde.
Investigou-se a SRB em mais de 600 crianças de primeira a quarta séries do ensino fundamental, de uma escola que atende uma população de crianças consideradas de classe sócioeconômica de média a alta (escola A) e outra de crianças consideradas de famílias de classe sócio econômica baixa (escola B). Observou-se que os sinais e sintomas da respiração bucal estão presentes em 64,42% do total das crianças, 58,51% na escola A e 79,11% nas crianças da escola B. Verificou-se que não há diferenças significativas entre sexos mas há entre as crianças das duas escolas como um todo, independentemente do nível sócio-econômico-cultural. Na escola B os indicadores são mais fortes, o que nos levou a acreditar que há falta de esclarecimento entre pais e professores sobre o problema e suas conseqüências, como também há dificuldade de acesso a atendimento especializado.
Parece urgente o estabelecimento de parcerias entre profissionais, escolas, pais, professores, instituições governamentais e não-governamentais, tendo em vista a interdisciplinaridade que estas crianças possam necessitar. Dessa forma, o equilíbrio miofuncional, uma vida com mais qualidade, mais saúde e melhor desempenho escolar poderão ser conquistados a partir da detecção precoce do problema.

