Grupos

A avaliação e tratamento de pacientes com problemas nas vias aéreas superiores e suas conseqüentes manifestações no desenvolvimento físico, postural, dentofacial e de linguagem não são assuntos recentes. Quanto mais cedo o problema for diagnosticado e tratado, menor a possibilidade de que uma criança venha a desenvolver as várias características faciais ocasionadas pela respiração bucal. Não se justifica o "observar e esperar", quando se está diante de uma criança com obstrução nasal. Não só as características faciais podem ser prevenidas. Há uma necessidade de integração entre as várias profissões envolvidas com o respirador bucal para que um trabalho interdisciplinar possa gerar soluções criativas, eficazes e econômicas.

Atualmente, a respiração bucal é  um assunto que permanece controvertido, pois estabelecer uma relação de causa - efeito não é uma tarefa simples devido à quantidade de fatores envolvidos. A inter-relação entre Síndrome do Respirador Bucal e  aspectos fonoaudiológicos como fala e linguagem, motricidade oral e qualidade vocal e as interfaces com a otorrinolaringologia, a ortodontia e a fisioterapia reforçam a urgente necessidade de ações preventivas, de políticas estaduais de saúde.

Investigou-se a SRB em mais de 600 crianças de primeira a quarta séries  do ensino fundamental, de uma escola que atende uma população de crianças consideradas de classe sócioeconômica de média a alta (escola A) e outra de crianças consideradas de famílias de classe sócio econômica  baixa (escola B). Observou-se que os sinais e sintomas da respiração bucal estão presentes em 64,42%  do total das crianças, 58,51% na escola A e 79,11% nas crianças da escola B. Verificou-se que não há diferenças significativas entre sexos  mas há entre as crianças das duas escolas como um todo, independentemente do nível sócio-econômico-cultural. Na escola B os indicadores são mais fortes, o que nos levou a acreditar que há falta de esclarecimento entre pais e professores sobre o problema e suas conseqüências, como também há dificuldade de acesso a atendimento especializado.            

            Parece urgente o estabelecimento de parcerias entre profissionais, escolas, pais, professores, instituições governamentais e não-governamentais, tendo em vista a interdisciplinaridade que estas crianças possam necessitar.  Dessa forma, o equilíbrio miofuncional, uma vida com mais qualidade, mais saúde e melhor desempenho escolar poderão ser conquistados a partir da detecção precoce do problema.

   

Desatenção
Impulsividade
Hiperatividade
Dificuldades emocionais
Dificuldades de relacionamento
Baixo desempenho escolar...

Profissionais da área da Fonoaudiologia deparam-se, freqüentemente, em seu ambiente de trabalho, com crianças, normalmente encaminhadas pelas escolas, com queixas de serem hipercinéticas, impulsivas, desatentas, de terem dificuldades para o desempenho escolar. Essas crianças, geralmente, chegam diagnosticadas e até medicadas como portadoras do TDAH. À medida que as avaliamos, percebemos que, na realidade, são Respiradores Bucais mais uma vez confundidos com portadores de TDAH.

Parece-nos oportuno fornecer dados elucidativos que possibilitem uma observação mais detalhada destes pacientes, com objetivo de orientar pais e professores para que possam fazer um correto encaminhamento e, desta forma, diminuir as possibilidades de crianças serem mal diagnosticadas.

A Síndrome da Respiração Bucal – SRB é um conjunto de sinais e sintomas que ocorrem  quando a respiração nasal não consegue ser mantida.  As causas poderão ser orgânicas (doenças do trato respiratório, malformações craniofaciais, desvio de septo nasal, entre outros) ou funcionais (hábitos nocivos) alteram funções importantes no organismo (sucção, deglutição, mastigação, respiração e fala).

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH é um conjunto de sinais e sintomas causados por uma imaturidade neurológica, na formação Reticular (no momento da velocidade ideal  que ocorre por volta de um ano de idade), localizada no tronco cerebral. Recebeu diversas denominações, ao longo do tempo: Lesão Cerebral Mínima, Disfunção Cerebral Mínima, Síndrome de Criança Hiperativa, Distúrbio Primário de Atenção e Distúrbio do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade (DDA/H).

As crianças acometidas por essas duas síndromes podem apresentar dificuldades em algumas áreas da vida como na aprendizagem, nos relacionamentos interpessoais, terem baixa auto-estima, problemas de comportamento, entre outras. Geralmente o problema é percebido quando a criança inicia atividades de aprendizado na escola, pelos professores das primeiras séries, quando o acompanhamento escolar se mostra comprometido.

 Crianças que respiram pela boca (RB) durante o sono tendem a ter problemas de ordem comportamental semelhantes àqueles observados em crianças com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

E por quê???

Em função da noite mal dormida e da má oxigenação, o respirador bucal poderá apresentar alterações comportamentais e de integração social, além de dificuldades específicas como na aquisição da linguagem oral e escrita. Alguns especialistas em SRB citam que respirar predominantemente pela boca torna a criança inquieta, demonstrando irritação constante, podendo levá-la a uma inaptidão para atividades físicas e de aprendizagem em virtude de seu desequilíbrio orgânico-postural e muscular.

Nesse contexto, a escola tem um papel importante na identificação dos portadores da SRB. Saber identificar os principais sintomas da respiração bucal é fundamental para o adequado encaminhamento aos profissionais corretos (como otorrinolaringologista, fonoaudiólogo e odontopediatra) e, assim, evitar futuros danos ao desenvolvimento da criança, a fim de que estas sejam tratadas adequadamente.


Respirar com dificuldade é viver no limite, agitado, irritado, ansioso!

 

Janete França Barbosa – CRFa 0163

janetefbarbosa@terra.com.br/fonosul@terra.com.br