Grupos

(Este texto também está na revista teórica do SINDIVÁRIOS-SP-FOSP/COB-ACAT/AIT. Faz parte de uma discussão teórica dentro da AIT-IWA. Foi escrito por um militante do KRAS/IWA-AIT, o Vadim. Ele procura colocar a questão da prática revolucionária vinculada com a organização revolucionária, dentro dos princípios, da prática e da óptica do sindicalismo revolucionário. Coloca uma série de questões acerca da luta revolucionária e sobre as infiltrações oportunistas dentro do movimento operário e socialista - a questão dos partidos, mas principalmente com a prática dos paralelistas que querem destruir a AIT com sua prática refornistas. Boa leitura!)

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Organização Revolucionária

e Revolução Social *

 

Comunismo anarquista

 

Somos “comunistas”. Mas não no sentido vulgarizado e caricatural que aparece a todo o momento nas páginas dos livros de história e nos media (“regime comunista”, “Estado comunista”, “partido comunista”, etc.). O verdadeiro comunismo é de essência anarquista: anti-estatista (afirma a desaparição do Estado) e anti-autoritário. Significa a comuna livre e a associação dos indivíduos. Quando os oprimidos e os explorados decidem conjuntamente, nas assembléias gerais, como querem viver e o que fazer para se apoiarem mutuamente. Quando utilizam e põem em comum através da coletivização e da socialização todos os bens e produtos da terra. Segundo as palavras do poeta anarquista do século XVIII, Sylvain Maréchal: «Utiliza-se a luz do Sol que brilha para todos». Desafortunadamente, em 1917, o sentido deste termo foi distorcido e desnaturado pelos bolcheviques, tornando-se em seguida motivo de chacota do resto do mundo.

        

Mikail Bakunin atuou ativamente no processo revolucionário lançado pela Comuna de Paris, participou da Comuna de Lion, por não conseguir entrar em Paris.

 

Assembléias gerais, pedra angular da sociedade livre

 

Nós somos «comunistas» nas nossas idéias, no fim pelo qual trabalhamos; nós o somos igualmente na nossa própria luta. Estamos convencidos de que, por si mesmas, as assembléias gerais das fábricas, dos serviços e dos moradores dos bairros ou das localidades devem decidir como organizar as greves (ou as revoltas), as manifestações e as reuniões; como resistir face à repressão das forças coercivas do sistema. Elas devem decidir, por si mesmas, sem auto-proclamados representantes dos partidos, dos sindicatos, dos deputados ou dos juízes. Ou seja, rejeitar toda a forma de burocracia. Tais assembléias gerais soberanas são não só uma aposta de sucesso na luta atual, mas também um protótipo, de fato uma pedra angular da sociedade livre.

 

Mas se vós, anarquistas, sois pelas assembléias gerais, porquanto as considerais uma pedra angular da sociedade livre, porquê julgais necessária a criação da «organização anarquista de trabalhadores»? O leitor pode então questionar-se sobre para que servem tais assembléias.

 

 A reação de Thiers e da burguesia internacional se abatem e destroem Paris para calar a Comuna de 1871.

 

Comecemos pela simples constatação de que as assembléias gerais são muito raras na Rússia contemporânea. A luta é gerida e conduzida, aqui, na maior parte das vezes, pelos políticos dos partidos e pelos burocratas sindicais. O seu comitê sindical decide todos os aspectos da greve. Os trabalhadores não se reúnem senão para confirmar as decisões já tomadas por este comitê sindical. Segundo eles, a massa, “incompetente”, não é capaz de se organizar por si própria – infelizmente, a sua opinião tornou-se irrelevante. Quebremos esta triste tradição a todo o custo! É por isso que é de uma importância vital unir os oprimidos e os explorados que defendem o princípio da soberania das assembléias gerais.

 

No entanto, atualmente, as assembléias gerais não são suficientes por si sós, tanto mais quanto elas só se reúnem quando rebenta uma greve importante. O poder manifesta-se muito rapidamente através dos representantes dos partidos e dos sindicatos. Estes chegam ao ponto de tomar todas as decisões que dizem respeito à condução da luta. São eles que falam, deliberam e negociam com os patrões e as autoridades para concluir alianças sobre o dorso dos trabalhadores... Os oprimidos e explorados não passam então de figurantes, como acontece todos os dias sob o capitalismo. Outro fenômeno do mesmo gênero: as massas “abdicam”, por vezes, mesmo da sua soberania, confiando a responsabilidade de pensar e de decidir aos pequenos chefes improvisados e aos burocratas sindicais.

 

Porque acontecem as coisas desta forma?

 

As assembléias gerais são habitualmente o lugar onde se tomam as decisões, mas elas não são um fim em si. Podem tomar-se decisões muito diferentes, neste espaço público, que são contraditórias, de facto incompatíveis, com os interesses dos explorados e dos oprimidos em luta. A forma é fundamental, o conteúdo também, assim como a sua harmonia. Porque o conteúdo das decisões é determinado por aqueles que aí participam, pelas suas necessidades, pelos seus desejos, pelas suas idéias e pelas suas convicções. Tudo isto depende deles. Certamente, o ser humano é um ser social (é a sua especificidade biológica, se quisermos). O seu comportamento é evidentemente estruturado por múltiplas relações que podem impulsionar um profundo apoio mútuo e a solidariedade. Mas os milênios de autoridade, de dominação e de propriedade afetaram gravemente a sua personalidade. Graças a vetores ideológicos (concorrência até ao limite, procura de favores pessoais, egoísmo bestial, conformismo e consumismo perverso), o capitalismo contribuiu grandemente para a tomada desta direção. E mais, presentemente, uma fração significativa dos explorados e oprimidos presta-se a trocar a sua liberdade por conforto, a contentar-se com migalhas obtidas através de esforços mínimos e, tanto quanto possível, sem recorrer à luta. E não pretende em caso algum romper com o capitalismo.

 

 Os trabalhadores defendem Paris e a Comuna de 1871.

 

Consequentemente, se queremos que as assembleias gerais permaneçam um lugar livre e independente, para que os explorados e os oprimidos sejam donos da sua luta e do seu destino, todos os partidários desta opção devem unir-se resolutamente a fim de a defender. Para levar a cabo esta ambição, necessitamos de uma organização revolucionária que una nas suas fileiras os oprimidos e explorados que querem lutar conscientemente pelo triunfo da liberdade, da solidariedade e da acracia. Se, desde já, poucas pessoas integram esta organização revolucionária, estamos convencidos de que as nossas ideias convencerão mais cedo ou mais tarde, num primeiro momento, uma fracção significativa dos oprimidos e dos explorados.

 

Nem partido nem grupo ideológico específico

 

Significa isto que os partidários do “comunismo livre” devem criar um partido político para lutar contra o capitalismo sob todas as suas formas?

 

A palavra partido contém em si mesma aquilo que nós recusamos. Significa, nem mais nem menos, que uma “parte” da população age para defender os seus próprios interesses de classe. Um partido é formado por aqueles que pretendem atingir o posto de chefes com o fim de serem representantes instituídos. Estes querem que os explorados e oprimidos lhes confiem o papel de conduzirem a luta. Os membros dum partido agem sempre segundo as instruções vindas de cima, mesmo quando, por exemplo, trabalham na base no seio do meio popular. – “Confiem-nos a representação dos vossos interesses. Nós faremos então...” dizem eles aos oprimidos e aos explorados.

 

A AIT-IWA,  Seção de Paris, esteve a frente da Comuna de Paris em 1871, mas foi traída pelo Secretariado, dominado pelos autoritários marxistas.

 

Pouco importa qual o partido em causa, parlamentar, vanguardista ou uma coisa e outra. No primeiro caso, os dirigentes tentam representar os interesses das diferentes classes da sociedade prometendo tudo e mais alguma coisa, mas satisfazendo exclusivamente os detentores da riqueza e do poder. No segundo caso, os dirigentes autoproclamam-se como uma minoria iluminada proveniente do povo, uma elite natural que não é compreendida e estimada pelos poderosos do momento. No entanto, os objectivos e as tarefas destes partidos são sempre as mesmas: tomar o poder, instalar um governo e abandonar continuadamente os interesses dos oprimidos e dos explorados.

 

6 Apoio Mútuo #1 �� Maio 2009

 

Não temos a intenção de construir um partido político. Também não queremos permanecer um grupo ideológico de propaganda que se limite à difusão simples das nossas ideias, ainda que por vezes sejamos forçados a começar desta forma. Para nós, é deveras insuficiente frequentar as massas lá onde elas se encontram e falar-lhes. Para nós é insuficiente ir a reuniões e a assembleias gerais de grevistas ou de moradores. Não queremos, de certeza, ser um grupo ideológico que produz análises, sintetiza a experiência da luta e dá lições aos irmãos de classe – guiados e dirigidos, com maior ou menor arrogância, a partir das suas alturas científicas ou culturais.

 

A teoria morre sem a prática. A conceptualização pura dentro duma torre de marfim é impotente sem uma real confrontação no campo social, de onde emana a lição da experiência. As ideias (a fortiori as nossas, as do “comunismo anarquista”) não podem avançar no mundo senão quando elas próprias são capazes de gerar uma força social. Isto subentende, logicamente, que o movimento social recupere para si muitas das nossas ideias como a acracia e a acção directa, juntamente com o ideal de liberdade. Nós aspiramos a que o movimento social destrua este sistema para o substituir por um novo.

 

A luta contra o mundo actual da autoridade, da dominação, da exploração e da injustiça começa com a resistência contra cada ataque à nossa vida e à nossa liberdade: as greves pelo aumento de salários e pela diminuição do tempo de trabalho que levarão à redução da nossa exploração e ao aumento do tempo livre para o nosso autodesenvolvimento; as reuniões contra a construção de condomínios para os ricos e contra a replanificação comercial dos bairros onde habitamos; a oposição à construção e instalação de indústrias que produzem energias nefastas para a nossa saúde e para a natureza. Dito de outra forma, a luta começa por acções no centro das quais os oprimidos e os explorados defendem os seus direitos e os seus interesses de classe, até que se possa transformar o sistema social.

 

Bakunin fala durante o Congresso da AIT em 1868.

 

Isto diz respeito, antes de mais, à esfera do trabalho, que nos escraviza a cada instante. Ou seja, no lugar que ocupamos ao nível do processo de fabrico, de produção e de reprodução do capital (o lugar onde vivemos e onde estudamos)... A nossa ausência de direitos encontra-se lá onde reside o fundamento dabnossa escravidão quotidiana: a extracção danmais-valia colocada no centro do imenso mecanismo totalitário da nossa humilhação e da nossa servidão. Passamos a maior parte da nossa vida no trabalho, vendendo os nossos corpos e o nosso cérebro em troca de um magro salário.

 

Despendemos, a seguir, o resto do tempo para recuperar um pouco de fôlego, descansar, dormir bem, colocarmo-nos em “relativa ordem” e recomeçar, a fim de sermos mais produtivos e rentáveis. Somos reduzidos ao papel de uma máquina que não passa de apêndice de outras máquinas de metal e de plástico. É precisamente lá, onde nós criamos a maior parte dos bens indispensáveis para a vida, que nós dependemos totalmente de qualquer capricho dos nossos amos (patrão e chefe), que usurpam os bens sociais por nós produzidos unicamente para seu lucro... É por isto que tentamos colocar a esfera do trabalho (a empresa ou o serviço onde trabalhamos, a escola ou a universidade onde estudamos) no centro da nossa resistência contra o capital e o Estado que nos oprimem, sem negar todos os outros aspectos da dominação: o consumismo, a atomização, a religião, a família, etc.

 

Nem sindicato sem ideologia

 

Qualquer pessoa poderá sugerir-nos que entremos activamente num sindicato ou que criemos um novo? Nós devemos responder «não»! Os sindicatos surgiram no século XIX para substituir as usuais associações de produtores (corporações de ofícios), dissolvidas e destruídas pelo capitalismo. Unindo-se nos sindicatos de acordo com as suas profissões, os trabalhadores tentaram entreajudar-se no trabalho e na vida. Boa parte destas associações agiram precisamente como sociedades de resistência lutando por aumentos dos salários, pelo melhoramento das condições de trabalho e pela diminuição do tempo de trabalho. Estes trabalhadores agiram também frequentemente de forma revolucionária, levando a cabo greves de agitação ou greves gerais. Também favoreceram a emergência de uma cultura operária que se opunha ao capitalismo, porque proclamava clara e abertamente uma finalidade revolucionária. 

 

Apoio Mútuo #1 �� Maio 2009 7

 

No entanto, todas as organizações sindicais, e mesmo as mais revolucionárias, tiveram sempre uma fraqueza. Foram concebidas partindo das condições materiais dos trabalhadores no seio da sociedade existente. De facto, elas estavam ligadas ao contexto de horrível miséria dos dois séculos precedentes. O capitalismo não queria

satisfazer nenhuma necessidade dos trabalhadores, até ter sido colocado entre a espada e a parede, ou seja, perante a possibilidade de ser destruído. Apesar de tudo, esta prova foi perdida pelos trabalhadores.

 

Constatou-se que o capitalismo, na sua variante industrial, se reestruturou pelo advento do fordismo e do taylorismo. Este último caracterizou-se por “uma produção impessoal massiva”, baseada na decomposição e cronometragem das tarefas (parcelização), no aparecimento das cadeias ou linhas de montagem, etc. Ultrapassando um certo “saber-fazer técnico” dos operários, os capitalistas puderam então reduzir os custos da produção. Os produtos estandardizados começaram a invadir o mercado, estimulando o jogo da oferta e da procura. A burguesia humanista e progressista (por via do Estado) pôde aceitar um certo número de reivindicações imediatas dos operários e atingir plenamente os seus objectivos: intensificou a exploração da força de trabalho apesar da diminuição do horário de trabalho, através do aumento da taxa de produtividade, e continuou a obter lucros cada vez maiores, embora a massa salarial tenha aumentado. A melhoria do bemestar

dos trabalhadores não engendrou forçosamente a destruição do sistema.

 

Não saindo do quadro existente, em lugar de lutar por outra sociedade, os sindicatos abriram-se igualmente a pessoas com convicções muito diferentes, que não pretendiam necessariamente arriscar uma ruptura com o capitalismo e o Estado, preferindo mesmo procurar mestres mais conciliadores, tais como os líderes

partidários socialistas, e depois os bolcheviques.

 

Depositando a luta pelos seus interesses nas mãos destes aventureiros ávidos de poder, os membros dos sindicatos limitaram-se voluntariamente à defesa do nível de vida: o poder de compra (se se preferir). Emergiu assim uma dualidade: a luta política para os partidos e a luta económica para os sindicatos. Estes últimos foram-se reorganizando pouco a pouco segundo o mesmo esquema da representação parlamentar. Uma burocracia cresceu e tornou-se omnipotente no interior das organizações sindicais. Os seus membros foram reduzidos a simples figurantes: pagantes de quotizações e executantes de decisões tomadas pela burocracia. Finalmente, os sindicatos são hoje em dia aparelhos ideológicos de Estado, mesmo que o neguem, aparentemente, por meio do neutralismo ideológico (mesmo o sindicalismo revolucionário).

 

Nós não queremos este sindicalismo reivindicativo que negocia unicamente uma melhor taxa de valor da força de trabalho. Recusamos contentarmo-nos com o simples melhoramento da nossa situação de escravo moderno. Não aceitamos que se parcelize, fragmente e compartimente a luta contra o sistema. O ideológico, o político, o económico, o cultural... são interdependentes, consubstanciais e, de facto, dialecticamente e transversalmente ligados. Desejamos viver não apenas melhor, mas também de outra forma. O que queremos é ser livres!

 

União de trabalhadores com a finalidade comunista anarquista

 

 

A organização revolucionária que nós queremos construir não é um partido nem um sindicato. Ela é, quanto ao seu modo de organização, uma união (ou associação) de trabalhadores, reunindo os trabalhadores que resistem contra a exploração e a opressão quotidianas, no quadro das reivindicações imediatas (enumeradas anteriormente), que não constituem um fim em si mesmas. Estas uniões de trabalhadores – ou antes, “sociedades operárias de resistência” – não se baseiam senão em si próprias. Elas são unicamente um meio para que os trabalhadores tomem consciência da sua subjectividade (uma classe em si e para si), quando fazem prova de solidariedade e de Apoio

 

Apoio Mútuo #1 �� Maio 2009

 

Mútuo durante a luta, quando põem em causa a autoridade, a opressão, a propriedade, a desigualdade, etc. Defendendo de frente todos os seus direitos, os trabalhadores poderão por si ultrapassar o egoísmo, adquirir a dignidade humana, despertando da letargia secular e tomando também consciência de que é preciso acabarninteiramente com o sistema capitalista. É por isto que as nossas sociedades operárias de resistência (profissionais e interprofissionais) são simultaneamente organizações ideológicas cuja finalidade é o “comunismo anarquista”.

 

Nós somos então pela união operária que reagrupe os trabalhadores plenamente conscientes dos princípios do “comunismo anarquista”. Ou seja, estão livres de qualquer espécie de burocracia, de politiquice e de arrivismo. Todas as suas decisões são tomadas nas assembleias gerais ou, a nível federativo local, pelos seus mandatários. Estes últimos são unicamente a “voz” daqueles que os designaram. Estas uniões operárias têm por vocação realizar um trabalho ideológico de propaganda e cultural para difundir os princípios e a finalidade do “comunismo anarquista”, em palavras e em actos. Estas uniões operárias devem ter a capacidade de preparar e levar a cabo greves e outras acções contra o jugo do capital e do Estado.

 

O nosso objectivo é que os trabalhadores se impregnem das posições do “comunismo anarquista”, que comecem a pensar e agir como tal, independentemente das nossas uniões operárias. Então, as assembleias gerais por eles criadas – hoje tão raras e instáveis – poderão transformar-se, no futuro, em estruturas regulares, constantes e permanentes nascidas da auto-organização e da autogestão sobre a base do comunismo livre. Chamaremos a estas os conselhos, os sovietes ou as assembleias populares (conforme os usos e os costumes de cada um). Então, inspirando-nos nas ideias e nos princípios do “comunismo anarquista”, nós, os explorados e os oprimidos, iremos, um belo dia, ao assalto derradeiro dos bastiões deste velho mundo.

 

     

 

* Vadim Grayevski, militante da KRAS, Secção russa da AIT

(traduzido por José Guedes a partir da versão francesa disponível no site da CNT-AIT de Caen, França -

http://cnt.ait.caen.free.)

 

 

O AVANÇO DA DISCUSSÃO NO MOVIMENTO ANARQUISTA BRASILEIRO

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Escrito por FOSP-COB   

Vale a pena ler de novo, artigo publicado em 11 de agosto de 2001, já denunciando os avanços dos proto-partidários (denominados "especifistas" e "plataformistas", ou ainda de "anarquismo organizado"), de lá para cá muitas e infrutiferas vezes tentaram capitanear o Movimento Libertário e imprimir sua "organicidade", seu "especifismo", causando muitas confusões, brigas e dividindo o MLB. Cabe perguntarmos:  Dividir e dominar é uma prática anarquista?

 

  

O AVANÇO DA DISCUSSÃO NO MOVIMENTO ANARQUISTA BRASILEIRO

Quando, há quase um ano atrás, abrimos uma série de discussões acerca da questão tático/estatégica do movimento anarquista no Brasil nossa iniciativa não foi bem recebida por parte de alguns setores - que preferiram nos atacar pessoalmente, ou passar a difamação (comum na escola estalinista).

 

Com o desenvolvimento da discussão observamos que as questões que levantavamos, ao nível do movimento regional, na verdade se refletiam em escala planetária. Dessa forma acompanhamos a realização do XXI Congresso da AIT (dezembro de 2000, em Granada, Espanha), as manifestações anticapitalistas em Davos paralelamente ao Fórum Social Mundial em Porto Alegre e a reunião de fins de março de 2001 em Madrid, sob os auspícios das organizações excluídas da AIT - devido a sua prática colaboracionista com partidos políticos, especialmente os bolcheviques (como a CGT-Reus, a CNT-Vignoles, a SAC-Suiça, a FAU-Uruguaia e a FAG/CUT-Brasil).

 

Quando surgiu na própria lista da <ainfos@...> em início de junho uma convocatória (assinada pelo "Movimento Libertário Socialista") para que os libertários participassem da, assim chamada "Marcha dos 100.000 - Contra a Corrupção e o Apagão", convocada pelos partidos de oposição em Brasília, nos apressamos em questionar a tática de "bucha de canhão" que o movimento anarquista se colocava para atender interesses eleitoreiros dos partidos. Num primeiro momento as respostas foram destrutivas, mas os fatos posteriores mostraram a correção de nossa posição.

 

Vemos, hoje, com alegria a mensagem de dissolução do "Movimento Socialista Libertário", por parte dos integrantes do conselho editorial da Revista Ruptura - editado recentemente na <ainfos...>. Finalmente se esclarece a questão de "se era ou não anarquista" essa organização. E, por parte dos seus próprios integrantes a declaração de que NÃO!, não se tratava de uma organização anarquista e sim de uma organização de origem marxiana - como denunciavamos nós do movimento sindical-revolucionário tupiniquim, envolvidos na labuta de retomada das Federações Locais e da COB/AIT.

 

Nossa alegria decorre do fato de que, com a sinceridade estabelecida pela mensagem do coletivo editorial da revista "Ruptura", possamos continuar os debates políticos do movimento sem os ataques pessoais aos quais fomos submetidos até aqui. Pois para nós interessa o fortalecimento do movimento anarquista, que para nós passa pela retomada do anarcosindicalismo enquanto tática central, fortalecimento da AIT ao nível mundial e enfrentamento do capitalismo e das estruturas de Estado.

 

Resta deixar claro a relação histórica entre o MSL, ora formalmente dissolvido, a OSL - que tenta tomar a FORA-Argentina-, a "Resitência Popular"(RP) - oriunda do extinto OSL-brasileiro e as falsas "Federações Anarquistas..." (tipo FAG/CUT), fundadas em "Congressos Anarquistas" convocados pela RP – que excluiam anarquistas. Pois na verdade foram a porta de entrada de um cem número de infiltrações troskas no movimento anarquista brasileiro (originadas no final da década de 80, com a infiltração do traidor Leonardo Morelli no anterior movimento de reconstrução da COB, ao qual eles sabotaram). Isso assumido pelo próprio ex-MSL em sua mensagem, ao denunciar o MLS como uma fração do Partido Socialista Unificado dos Trabalhadores (PSTU) - um dos motivos pelos quais eles teriam dissolvido o MSL.

 

Por fim é preciso também esclarecer a relação da RP com o CELIP no Rio de Janeiro, que se tornou centro de difusão para o movimento anarquista da Revista "RUPTURA" e do jornal "A Batalha " de Portugal.

 

Isso tudo para que possamos discutir com clareza nossa tática e estratégia sem ferir melindres, buscando avançar e aprofundar o movimento libertário e o processo revolucionário.

 

Paciência camaradas, pois o pior já passou e agora a discussão pode fluir mais franca e calorosa.

Ansiosos pelo avanço da discussão encerramos aqui essa emissão.

 

Núcleo Pró-FOSP/COB-AIT

SP 11/08/2001

SAÚDE E ANARCONSIDICALISMO!

 

DALIDA - BAMBINO (1956) - Hino do primeiro de Maio
 
DALIDA - BAMBINO (1956)


http://www.youtube.com/watch?v=V0kjqQC75is&feature=related
 
Il primo grande successo e il primo disco d'oro di Dalida che da allora in poi venne chiamata "mademoiselle juke-box".
Per ascoltare in HQ aggiungere all'URL del video il codice &fmt=18

Bambino, Bambino... ne pleure pas Bambino"
Les yeux battus, la mine triste et les joues blêmes
Tu ne dors plus, tu n'es que l'ombre de toi même
Seul dans la rue, tu rôdes comme une âme en peine
Et tous les soirs sous sa fenêtre, on peut te voir

Je sais bien que tu l'adores et qu'elle a de jolis yeux
Mais tu es trop jeune encore... Pour jouer les amoureux
Et gratte, gratte sur ta mandoline
Mon petit Bambino
Ta musique est plus jolie
Que tout le ciel d'Italie
Et canta, canta de ta voix câline
Mon petit Bambino
Tu peux chanter tant que tu veux
Elle ne te prend pas au sérieux

Avec tes cheveux si blonds... Tu as l'air d'un chérubin
Va plutôt jouer au ballon... Comme font tous les bambins

Tu peux fumer comme un monsieur des cigarettes
Te déhancher sur le trottoir quand tu la guettes
Tu peux pencher sur ton oreille ta casquette
Ce n'est pas ça qui dans son cÅ“ur te vieillira
L'amour et la jalousie... Ne sont pas des jeux d'enfants
Et tu as toute la vie... Pour souffrir comme les grands

Et gratte, gratte sur ta mandoline
Mon petit Bambino
Ta musique est plus jolie, que tout le ciel d'Italie
Et canta, canta de ta voix câline
Mon petit Bambino
Tu peux chanter tant que tu veux
Elle ne te prend pas au sérieux

Si tu as trop de tourments... Ne les garde pas pour toi
Vas le dire à ta maman... Les mamans c'est fait pour ça
Et là blotti dans l'ombre douce de ses bras
Pleure un bon coup
Et ton chagrin s'envolera
 
Tradução sumária:


Grande "il primo" successo  é a primeira canção de  sucesso de Dalida da Allora vem sendo chamada  'miss jukebox'. Escute ainda hoje por HQ na URL do vídeo:


Bambino , Bambino  (criança, criança.. Não chore com olhos de Bambino derrotado,
rosto triste e pálido rosto Você não pode dormir,
você é uma sombra de si mesmo sozinho na rua, você rodes como uma alma perdida
E todas as noites sob a sua janela podemos vê-lo.
 
Eu sei que você adora, e ela tem olhos bonitos
Mas você ainda está muito jovem ...
Para reproduzir o amante
e arranhões, arrisccados no seu bandolim
Meu pequeno Bambino
sua música é pouco  bonita
Deixe o italiano céu inteiro
E canta, canta a tua voz rouca
meu pequeno Bambino
Você pouco pode cantar
tudo o que você quiser Não faz mostrar  você .
 
grave com o seu cabelo tão loiro ...
Você parece um querubim Vá jogar bola ...
 
Como muitas crianças você pode fumar cigarros como um velho cavalheiro  na calçada quando você considera os vigilantes
Você pode capturar o som sobre sua orelha
isto não é o que você envelhecer no seu coração,
amor e ciúme .. . Não é brincadeira de criança
E você a vida inteira ... A sofrer como adulto.
 
E arranhões, arrriscados no seu bandolim
Meu pequeno Bambino pouca
sua pouca música é mais bonita mas todos os italianos sob o céu e cantam,
canta com a tua voz para persuadir
meu pequeno Bambino.
Você pouco pode cantar tudo o que você quiser.
 
Isso não leva a sério, se você tem problemas demais ...
Não guarde para você Vai dizer a sua mãe ...  Mães e é por isso que está aninhado
na sombra do seu braço suavemente
chora um bom golpe e sua tristeza vai voar.

Inno del primo maggio - Pietro Gori - 1892 - sull'aria del Nabucco di Verdi
Hino do 1º de Maio:

 
http://www.youtube.com/watch?v=WZt_2DgB8YU&feature=player_embedded#!



1 de maio de 2009 — Pietro Gori, advocado toscano é o autor l'autore del notissimo Addio Lugano Bella, ma in carcere a san Vittore nel 1892 compose questo inno al primo maggio. Il nascente movimento anarchico italiano si stava separando dal partito socialista in fase di fondazione. Gori faceva pratica da avvocato nello studio di Filippo Turati ."

Addio Lugano bella", G Gaber, E Jannacci, L Toffolo, O Profazio, SPisu
http://www.youtube.com/watch?v=k84G4ODpBsE&feature=related

"Addio Lugano bella" - Giorgio Gaber, Enzo Jannacci, Lino Toffolo, Otello Profazio e Silverio Pisu, Lugano foi no século XIX e iníco do XX uma cidade predominante libertária
"Addio Lugano bella" - Autore: P. Gori Anno 1894

Tradução sumária:

 

“Addio, Lugano bella”, /oh doce terra pura,/ cidade sem culpa/ em que os anarkistas sua via/ e o partono cantando/ com a esperança na cor


E é por vois desrutada/ por vois trabalhadores,/ que  somos amanenttados/ a par dos malfeitores;/  apesar da nossa idéia/ não ser senão a ideia do amor.


Anonimos compaheiros,/ amigos que restaram,/ a verdade social de forte  propagou-se:/ é qesta a vingança/ que nós vimos demonstrando.


Mas tu que se  a descartou/ como uma vil peçonha,/ repubblica burgesa,/ um dia não irá mais se  envergonhar/ e hoje te acusão/ por ser a fonte do porvir.


Bandidos sem  tregua,/ andaram de terra na terra/ a divulgar a paz/ e os bandidos a guerra: a paz da opressão,/ guerra contra o opressor.


Elvezia, e teu governo/ escravos de outra si rene,/ dieun povo galhardo/ que  atradição ofende/ e insulta la legenda de teu Guilherme Tell.


Adeus, caros compaheiros,/ amigos luganesis,/ adeus, o branco da neve/ montanha ticinesi,/ e os cavaleiros errantes/ são trazidos para o norte.