Grupos

O Tédio - Poesia

00:18 @ 20/06/2009

O Tédio - Henrique Hine, adaptação Mendes de Oliveira

Paciente: Venho doutor, fazer-lhe uma consulta.
A doença que me punge e esteriliza a mocidade e o espírito,
Resulta de uma chaga que nunca cicatriza.
Muito embora comum a toda gente, a de que sofro, atroz hipocondria,
Tanto me torna pensativo e doente, que já não sei o que é paz nem alegria..
Sendo o mais sábio clínico do mundo, sois também um filósofo notável, do
Peito humano auscultador profundo, curareis este mal inexorável.
Que me destrói o organismo fibra-a-fibra
Que me enevoa o cérebro e o condensa.
Eu tenho um coração que já não vibra
Suporto uma cabeça que não pensa.
Este tédio mortal, tédio agoureiro,
Que me envenena, que me escurece os dias,
É como os beijos dado á dinheiro, numa noite de orgias.

Doutor: O amigo tem razão, padece realmente
Contudo a infermidade, o morbus que o devora,
É um produto fatal do século de agora.
Uma emoção vibrante, um abalo violento, pode cura-lo
Creio. Apenas num momento. O tédio é uma sombria, uma
Fatal loucura. É a treva interior, a grande noite escura.
Onde se esquece tudo. A sorte, a vida amada. O nosso
Próprio ser e só se lembra o nada.
---diga-me. Alguma vez amou ?
Nunca em seu peito estrugiu das paixões o temporal desfeito ?
Como as vagas de um mar que se agita e encapela, ao soturno rumor do vento
E da procela ?

Paciente: Nunca.

Doutor: Pois meu caro. Procure a agitação constante.
Um prazer esquisito, um gozo triunfante.
Já visitou a Grécia, o Oriente a terra santa ?
Os sítios onde tudo hoje evoca e decanta, as glorias uma idade imorredoura
E eterna, que amesquinha e deslumbra a geração moderna ?

Paciente: Em híbridos festins passei a mocidade. Percorri viajando, o mundo
E a humanidade, como Judas da lenda.
E entre as mulheres todas, cujos lábios beijei
Em bacanais e bodas,
Mulher nenhuma eu vi sobre a terra tamanha
Que para mim não fosse uma visão estranha.
Como parti voltei. Sem achar lenitivo para este mal doutor.
Que assim me trás cativo.

Doutor: Frequente o circo, amigo. A figura brejeira do famoso Arlequim,
Que a esta cidade inteira palmas e aclamações constantemente arranca.
Talvez lhe restitua a gargalhada franca.

Paciente: Vejo doutor, que o meu caso é perdido.
O truão de que falas, o palhaço querido
Que anda no Coliseu assim tão aclamado, tem um riso
De morte, um riso mascarado, que encobre a dor sem fim
Do tédio e do cansaço... sou eu este Palhaço.



Documentários sobre a Mídia, Poder,  Corporações e Militarismo, etc:

"Brasil, muito além do Cidadão Kane" de Simon Hartog

O filme que conta a história da Rede Globo de Televisão e de seu fundador ( o defunto Roberto Marinho), revelando o sutil poder de manipular a sociadade através das imagens. Mostra como a Globo cresceu e se fortaleceu, hoje tendo mais poder que um partido político e que o próprio povo, já que este depende da Globo para formar seu comportamento, idéias e opiniões, levando-nos á passividade e á acomodação ás injustiças do Brasil. O filme foi proibido no Brasil desde seu lançamento em 1993 graças á uma ação judicial movida por Roberto Marinho. Atualmente existem poucas cópias em circulação no país, quase todas "ilegais". O filme foi produzido pelo canal inglês Channel Four e conta com a participação de alguns artistas, políticos e especialistas, como Luis Inácio Lula da Silva, Chico Buarque, Leonel Brizola, Washington Olivetto, Armando Falcão, Antônio Carlos Magalhães, Walter Clark, Armando Nogueira, Gabriel Priolli e Maria Rita Kehl. Jamais esteve no circuito dos cinemas brasileiros, e a exibição que ocorreria no Musei de Arte Moderna - MAM, do Rio de Janeiro, foi proibida pelo, na época, presidente da República Itamar Franco .
O nome do documentário faz referência ao filme "Cidadão Kane" de Orson Welles, no qual é retrtada a vida e o poder de um magnata das comunicações nos EUA. O documentarista faz a pergunta á vários entrevistados: "Roberto Marinho é o Cidadão Kane?". A resposta só assistindo "Muito além do Cidadão Kane".

"A Corporação" de Mark Achbar, Jeniffer Abbott e Joel Bakan

Documentário Americano, com 40 entrevistas, incluindo presidentes de diversas corporações, espiões corporativos e críticos como Noam Chomsky, Michael Moore, Naomi Klein, Milton Friedman e Vandana Shiva, mostrando como as corporações se tornaram a instituição dominante e o que está sendo feito para reverter esta situação.

"Surplus" de Erik Gandini

Um documentário diferente sobre o consumo exagerado. 1/5 da população mundial consome 4/5 dos recursos do planeta terra e produz 86% de todo desperdício. Nesta bonita e curta jornada do mundo, os diretores de cinema exploram o assunto através de muita música, cinemas e de um jeito alegre. O famoso presidente Bush "no discurso encorajando as compras" e uma garota de Cuba que sonha com um Big Mac: "Excesso" literalmente penetra e visualiza  o consumo exagerado.

"Estrada para Guantánamo" de Michael Winterbottom e
Mat Whitecross


A estarrecedora história real de três cidadãos britânicos que ficaram presos por dois anos sem acusações formais na prisão militar americana de Guantánamo, em Cuba. Conhecidos como “Trio de Tipton” (em referência à cidade natal dos três), acabaram sendo liberados e retornaram ao Reino Unido. O filme já gerou uma controvérsia significativa devido á sua crítica contundente ao governo americano e britânico. Parte documentário, parte dramatização, a seqüência de eventos do filme vai desde Tipton (no interior da Inglaterra) á um casamento no Paquistão, á travessia da fronteira com o Afeganistão (justamente quando os EUA começaram sua invasão), a captura dos três pela Aliança do Norte e seu posterior confinamento no Campo X-Ray e mais tarde no Delta Camp em Guantánamo. O filme é um retrato verdadeiro dos horrores que os EUA e o Reino Unido realizam com perseguições justificadas pela "guerra ao terrorismo".

"Sicko" de Michael Moore

O novo filme do cineasta Michael Moore. Após o sucesso de "Tiros em Columbine" e "Fahrenheit 11 de Setembro" o divertido documentarista ataca a indústria farmacêutica norte-americana, denunciando a máfia por trás da saúde das pessoas em "Sicko". O filme já gerou polêmica antes de ser lançado, já que Moore e sua equipe de filmagem viajaram á Cuba para retratar o sistema de saúde da ilha, e por isso estão sendo processados pelo governo (os americanos só podem viajar á Cuba com permissões especiais das autoridades) . Alguns críticos já declararam que este é o melhor filme de Moore.

"Fahrenheit 9/11" de Michael Moore

Os bastidores do 11 de setembro, revelando as escusas relações entre as famílias Bush e Bin Laden. Revela a nova faceta do capitalismo, em que o estado e os interesses financeiros de um homem se confundem.

"9/11 Loose Change (2º edição)" do grupo Louder Than Words

Versão reeditada da (2ª Edição) de Loose Change, filme proibido nos EUA. Essa versão contém correções de erros factuais e novas cenas. Documentário fantástico, mostrando evidências de que os eventos de 11 de Setembro nos EUA, podem ter sido uma obra interna do próprio governo. Uma grande investigação a respeito dos acontecidos naquele fatídico dia. Apesar de muitas evidências poderem ser refutadas, ao final desde documentário você perceberá que algo não está correto na história oficial. Pesquisem por si mesmos e verão que há muito mais a se questionar.

Mundo Cola” - de Irene Angelico

A história por trás da bebida nº 1 do mundo, mais consumida até que a água. O poder de influenciar comportamentos inserindo o estilo de vida estadunidense, a relação com a política (com guerras ou com a paz a empresa sempre se aproveitou das situações), e a influência em fatos históricos do séc. XX fazem a Coca-Cola ser muito mais do que uma empresa de bebidas. Como um líquido 99% composto por água com açúcar pode transformar culturas e influenciar a vida de bilhões de pessoas? Em Mundo-Cola,descubra como um elixir medicinal, inventado por um farmacêutico dependente de morfina, transformou- se na bebida mais adorada em todo o planeta. Conheça as espertíssimas estratégias de marketing (desde a invenção do Papai Noel ás gigantescas campanhas internacionais) que fazem a Coca-Cola ser consumida mais de 900 milhões de vezes por dia, e saiba como você pode ter sido influenciado por ela, sem nem ter se dado conta.

Crise é o Nosso Negócio” de Rachel Boynton

Crise é o nosso negócio narra uma dramática aliança entre política e marketing. Em seu primeiro filme, Rachel Boynton obtém uma visão impressionante da campanha de Gonzalo Sánchez de Lozada, o "Goni", à presidência da Bolívia em 2002, a partir do trabalho da empresa americana de consultoria de James Carville, famosa por conduzir Bill Clinton ao primeiro mandato na Casa Branca. Contratada para elaborar as estratégias eleitorais de Sánchez de Lozada, a empresa põe em prática técnicas agressivas de manipulação de opinião; o objetivo é reformar a imagem de Goni e virar o jogo na reta final das eleições. Bem-sucedidos, os estrategistas descobrirão, tarde demais, que seu êxito teve um preço alto. 
Crise é o nosso negócio estuda os riscos da simbiose entre ideologia e marketing para a consolidação da democracia numa nação à beira do colapso.

"Control Room" de Jehane Noujiam

"Control Room", documentário da egípcia Jehane Noujiam, leva o espectador para os bastidores da TV árabe Al jazeera nos primeiros dias da guerra no Iraque. O filme revela as distintas coberturas da mídia norte-americana e da TV árabe, as tentativas de manipulação da imprensa por parte dos militares, a perseguição e morte de profissionais da TV árabe pelo exército norte-americano e os constantes ataques dos EUA contra a Al jazeera pela sua cobertura da invasão e guerra no Iraque. O documentário é imperdível e demonstra com propriedade a máxima de que a primeira vítima da guerra é sempre a verdade.

"Memórias do Saque" de Fernando Sollanas

Um registro da histórica revolta dos argentinos em 2001. O filme faz a genealogia da pior crise da história argentina e aponta os principais responsáveis por essa situação dramática. Em dezembro de 2001, os argentinos saíram às ruas para protestar contra o governo de Fernando de la Rúa, já que a maior parte da população se encontrava em situação de penúria. Nas manifestações, que foram reprimidas pelas forças policiais, 34 pessoas morreram e o presidente De la Rúa acabou renunciando. As altas dívidas, o ultraliberalismo, a corrupção e as privatizações foram resultado de uma política de terra arrasada empregada pelo presidente, com a ajuda de empresas multinacionais e a cumplicidade de organizações internacionais, como o Banco Mundial e o FMI.

"Noam Chomsky: Moralidade Distorcida"

Aula do professor e ativista estadunidense, revelando como os USA usam argumentos diferentes para atacar e invadir países do que os que usam quando se sentem atacados. Denuncia o discurso da mídia americana querendo cooptar a opinião pública.

"Noam Chomsky: O Consenso Fabricado"

Outro documentário do Chomsky, um dos principais lingüistas e dissidentes políticos de América. Desta vez ele analisa a mídia e seu discurso e revela os mecanismos de manipulação por trás da grande imprensa. Ilustra como o governo e os grandes negócios dos meios de comunicação cooperam para produzir uma máquina eficaz de propaganda, a fim manipular as opiniões das pessoas. O exemplo chave para esta análise é a cobertura maciça da mídia das atrocidades do regime comunista do Khmer Vermelho (do Cambodja) e ao mesmo tempo da supressão das notícia da invasão do Timor Leste pela Indonésia, que era apoiada pelo
governo americano.

Falcão, Os Meninos do tráfico” de MV Bill

Documentário do cantor MV Bill sobre o tráfico nas favelas do Rio de Janeiro, e o terrível envolvimento de crianças e jovens com o mundo das armas, drogas e mortes. Além de uma visão dentro do “mundo do crime”, o filme é um alerta para a degradação da vida de milhares de pessoas que estão matando e morrendo diariamente nas mãos de um sistema inumano, o que gera para a parte “boa” da sociedade contra-efeitos explosivos.

A Morte de um Presidente” de Gabriel Range

Ficção/ documentário sobre um possível assassinato ao presidente George W. Bush e suas possíveis conseqüências. Causou muita polêmica nos EUA. Examina os movimentos anti-Bush nos EUA, a perseguição aos muçulmanos, a repulsa dos cidadãos americanos pelas políticas guerreiras e militaristas do governo americano e no final traz uma maior compreensão do que é o império americanos desde o ponto de vista dos próprios americanos e, também de todos que são afetados por suas desgraças...o filme, ao contrário do que parece, não incentiva atos de violência, mas mostra como ela (a violência) não importando a justificação para utilizá-la, só gera mais violência e destruição, e que além disso, um sistema opressor não depende apenas da vontade um homem.

Linha de Montagemde Renato Tapajós

Documentário sobre as greves em São Bernardo do Campo, em São Paulo, de 1979 á 1981, momento onde foi revelado o o líder sindicalista Luís Inácio “Lula” da Silva, que mais tarde se tornaria o presidente do Brasil. Também foi o momento em que o PT se transformou numa força política relevante para o Brasil.

"O Espetáculo Democrático" de Guilherme César

Documentário que mostra as relações entre a Política e a Mídia. Contém entrevistas com figurinistas, maquiadores, assesores de campanha e ex-presidentes e candidatos. O filme desmascara o "espetáculo" criado para forjar a democracia no Brasil, demonstrando claramente as intenções e atitudes dos que compões o jogo da política. Contém depoimentos raros de figuras como Maluf, Lula, Collor, Arbex, Pedro Stédile e outros.
Espetacular para debates, principalmente em épocas de eleições.

"Porque  lutamos" de Eugene Jarecki

A política internacional  americana é dominada pela idéia da supremacia militar? As forças armadas tem se tornado demasiadamente importantes na vida americana? Este polêmico e inteligente filme pretende dar uma resposta afirmativa a cada uma destas perguntas. Que forças  dão forma e impulsionam o militarismo americano? Este filme fornece um olhar no interior da anatomia da máquina de guerra americana.

"A revolução não será televisionada" de K. Bartley e D. O Briain

Documentário produzido pela BBC de Londres que mostra por dentro o golpe contra Hugo Chavez na Venezuela. Os documentaristas estavam na hora dos incidentes e registraram todas as etapas: desde a imensa mobilização popular constitucionalista á favor do presidente eleito (Chávez), aos acontecimentos dentro do palácio presidencial de Miraflores no momento do golpe e na posterior retomada do poder. Espetacular para escolas. Atualísssimo para compreender o caso da RCTV.

"Enron: os caras mais espertos da classe" de Alex Gibney

A história por trás do famoso escândalo da multinacional americana Enron.
O filme examina o escândalo da contabilidade da Enron e revela a psicologia da ganância e da corrupção corporativa que facilitou a ascensão da companhia no poder, (e também sua queda). Quando a Enron faliu em 2001, seus diretores principais ficaram  milionários, mas depois enfrentaram julgamentos e sentenças de prisão. Por outro lado, muitos funcionários e investidores ficaram com nada, nem mesmo suas aposentadorias. Mostrando a cara da  nova economia dos anos 90 (quando os livros de auto-ajuda mostravam como ficar rico), o filme revela como não apenas a Enron sozinha, mas uma rede de banqueiros, comerciantes, e contabilistas fecharam os olhos para os números claramente suspeitos da companhia. O CEO Ken Lay e os chefões Jeff Skilling e Andy Fastow do alto escalão da empresa dão  entrevistas cândidas que ilustram sua habilidade em rebater perguntas críticas e com egoísmo defendem o sucesso da companhia. Um documentário notável que revela uma história de corrupção e falência fraudulenta, onde os capitalistas mostram em que são “mais espertos”.

Sociedade do Espetáculo” de Guy Debord

Lançado na França em 1967, “A Sociedade do Espetáculo” tornou-se inicialmente livro de culto da ala mais extremista do Maio de 68, em Paris; hoje é um clássico em muitos países. Mais tarde o próprio Guy Debord realizou este filme transpondo seus conceitos ao cinema, esboçados inicialmente no livro. O “espetáculo” de que fala Debord vai muito além da onipresença dos meios de comunicação de massa, que representam somente o seu aspecto mais visível e mais superficial. Segundo Debord o “espetáculo” é uma forma de sociedade em que a vida real é pobre e fragmentária, e os indivíduos são obrigados a contemplar e a consumir passivamente as imagens de tudo o que lhes falta em sua existência real. Enquanto a primeira fase do domínio da economia sobre a vida caracterizava- se pela notória degradação do ser em ter, no espetáculo chegou-se ao reinado soberano do aparecer. As relações entre os homens já não são mediadas apenas pelas coisas, mas diretamente pelas imagens e superficialidade.

Ônibus 174” de José Padilha

Um documentário baseado em fatos reais, do drama acontecido no Rio de Janeiro com a linha 174 HUMAITA.  No dia 12 de junho de 2000, um ônibus cheio de passageiros é seqüestrado no Rio de Janeiro, em plena luz do dia. O seqüestrador, Sandro do Nascimento, aterroriza suas vítimas durante 4 horas e meia enquanto todo o país assiste ao drama levado ao vivo pela TV brasileira. Baseado numa extensa pesquisa sobre a cobertura do crime, com entrevistas e documentos oficiais,
ÔNIBUS 174 é uma investigação cuidadosa do seqüestro - focalizando Sandro do Nascimento, sua infância, e como ele inevitavelmente estava destinado a se tornar um bandido.

"Corações e Mentes" de Peter Davis

Corações & Mentes mostra friamente o confronto dos Estados Unidos na Ásia, envolvendo o Vietnã. Usando uma gama de fontes como: entrevistas para jornais nos Estados Unidos, filmagens jornalísticas no teatro da guerra e conflitos gerados em outros países. Davis constrói com detalhes um poderoso retrato dos efeitos desastrosos de uma guerra. Corações & Mentes é uma experiência emocional chocante com tão violentas, que desaconselhamos a pessoas com problemas cardíacos. Obra controversa, vencedora do Oscar de Melhor Documentário em 1974. Como a história está se repetindo na guerra dos Estados Unidos contra o Iraque, este filme nunca esteve tão atual. Um dos mais poderosos filmes anti-guerra de todos os tempos.

"A Batalha do Chile" de Patrício Guzmán - DVD quádruplo

Considerado um dos melhores e mais completos documentários latino-americanos, A Batalha do Chile é o resultado de seis anos de trabalho. Dividido em três partes (A insurreição da burguesia, O golpe militar e O poder popular), o filme cobre um dos períodos mais turbulentos da história do Chile, a partir dos esforços do presidente Salvador Allende em implantar um regime socialista (valendo-se da estrutura democrática) até as brutais conseqüências do golpe de estado que, em 1974, instaurou a ditadura do general Augusto Pinochet.

"Sob a Névoa da Guerra"de Errol Morris

Robert S. McNamara, Secretário de Defesa dos governos dos Presidentes Kennedy e Johnson, foi um dos mais controversos e influentes políticos do século XX. Agora, pela primeira vez, ele conversa cara-a-cara com o diretor vencedor do OSCAR Errol Morris (Na Linha da Morte) para oferecer uma franca e íntima jornada por alguns dos eventos mais decisivos da história contemporânea americana. Como líder da mais poderosa força militar do mundo durante um dos períodos recentes mais conturbados desta nação, McNamara apresenta novos e curiosos fatos sobre o bombardeio de Tóquio, a crise cubana de mísseis e ainda os efeitos da Guerra do Vietnã. Apresentando conversas gravadas no Salão Oval recém lançadas com os Presidentes John F. Kennedy e Lyndon B. Johnson, Sob a Névoa da Guerra foi aclamado pelo relato íntimo da perspectiva pessoal do informante.

"Notícias de uma Guerra Particular " de João Moreira Salles, Kátia Lund - DVD Duplo

Eleito um dos melhores filmes brasileiros contemporâneos pela Revista de Cinema e vencedor da competição nacional de documentários do festival É Tudo Verdade, Notícias de uma guerra particular é um amplo e contundente retrato da violência no Rio de Janeiro. Flagrantes do cotidiano das favelas dominadas pelo tráfico de drogas alternam-se a entrevistas com todos os envolvidos no conflito entre traficantes e policiais - incluindo moradores que vivem no meio do fogo cruzado e especialistas em segurança pública. A realidade da violência é apresentada sem meio-tons e da forma mais abrangente possível, tornando patente o absurdo de uma guerra sem fim e sem vencedores possíveis.

"A Revolução dos Cocos" - Documentário do NATIONAL GEOGRAPHIC

"A Revolução dos Cocos" relata a luta do povo de Bougainville (ilha do pacífico anteriormente pertencente a Papua Nova Guiné) contra a mineradora inglesa multinacional Rio Tinto Zinc, e depois por sua independência. Os moradores da ilha expulsaram, pelo uso da sabotagem, a mineradora, depois expulsaram o exército de Papua, e depois o exército da Austrália, depois mercenários contratados. Sofreram um cerco de 7 anos (a população é de aprox 150 mil) e inventaram meios alternativos p/ sobreviverem (energia elétrica, combústivel, comida, remédios...) tudo a partir de cocos.

"Super Size Me - A Dieta do Palhaço" de Morgan Spurlock

Vencedor de inúmeros prêmios, Super Size Me é um filme sério e divertido, trágico e cômico. Afinal, a saúde é alvo de grande preocupação do homem moderno. Morgan Spurlock se propôs a comer por 30 dias apenas itens do cardápio do Mc Donalds para provar os efeitos nocivos desse tipo de comida no corpo humano. Sem perder o humor, conseguiu atrair a atenção de uma das redes de fast food mais famosas do mundo, que inclusive vem alterando seu cardápio com itens mais saudáveis depois do sucesso mundial do alerta do Super Size Me. Sucesso no mundo inteiro, vai fazer você rir muito... e pensar também.

"O Futuro da Comida" de Deborah Koons Garcia

Filmado nos Estados Unidos, no Canadá e no México, "O Futuro da Comida" mostra como a política e as multinacionais ocidentais estão controlando o sistema de comida no mundo, fazendo que mudemos o que comemos.
Interessante a afirmação de que além de irmos perdendo diversidade genética, também estamos perdendo diversidade intelectual. O documentário apresenta, entre outros, o trabalho de David Quist e Ignacio Chapela, biólogos da Universidade de Berkeley (na Califórnia), que publicaram um artigo na revista
Nature, que revela a presença de material transgênico em milho nativo nas comunidades de Oaxaca, com implicações graves, porque o México é o centro de origem e diversidade genética do grão.

"Roger & Eu" de Michael Moore

Em 1989, Michael Moore - Vencedor do Oscar® 2003 de Melhor Documentário e do prêmio especial do Júri em Cannes por Tiros em Columbine em 2002 -, debutou com louvor nas telas com Roger e Eu, uma pérola do cinema independente. Moore, como um incansável e inabalável rolo compressor, tentou o que todo trabalhador sempre sonhou em fazer: falar com quem manda. A cidade de Flint, no estado de Michigan, EUA, sempre girou em torno do parque industrial da General Motors, lá instalado. Por isso, a decisão de empresa de remover a fábrica de lá, em meados da década de 80, trouxe desemprego e pobreza a região. A jornada de Moore, cidadão de Flint, para encontrar o presidente de GM, Roger Smith e convencê-lo a visitar a cidede criou um filme bem humorado, ácido e devastador, Roger e Eu ironiza e América corporativa de maneira aguda e "cotovelar', Com um ritmo ágil e alcance vasto, o cinema de Moore é uma verdadeira metralhadora. Simplesmente hilário.

"Tiros em Columbine" de Michael Moore

O premiado diretor Michael Moore, revela neste filme o fascínio dos americanos por armas de fogo, que desencadeiam em crimes horríveis como o de 1999 em uma escola pública em Columbine, onde dois jovens entraram armados na biblioteca e mataram 12 colegas e 1 professor se suicidando em seguida. Michael Moore na verdade, trás à tona a grande polêmica sobre o porte de arma indiscriminado, perante uma nação que tira a vida de seu semelhante por motivos medíocres e irrelevantes. Um filme premiadíssimo, para você entrar nesta discussão que, cada vez mais, fica próxima da nossa realidade.


"Timor Leste - O Massacre que o Mundo não Viu" de Lucélia Santos e Pedro Neschling

Três meses após deixar de ser uma colônia portuguesa em 1975, Timor Leste foi invadido pela vizinha Indonésia e seu povo sofreu durante 25 anos um dos massacres mais cruéis do século XIX. O povo timorense resistiu bravamente às atrocidades cometidas pelo governo indonésio e ignoradas pela opinião pública internacional. Um terço da população foi assassinado durante sua luta pela independência. O filme conta toda essa história, mostra a realidade de Timor Leste e a esperança de seu povo de um futuro melhor.

"Uma Verdade Inconveniente" de Davis Guggenheim

O ex-vice-presidente americano e candidato derrotado por Bush, Al Gore, apresenta sua advertência e visão do futuro de nosso planeta de nossa civilização,  um alerta sobre o perigo do superaquecimento global.
Uma Verdade Inconveniente é um filme para ser assistido com um olhar crítico, já que se trata se um filme protagonizado por um político americano que perdeu as eleições. Apesar dos interesses de Al Gore e do seu partido (Democrata) o filme apresenta um importante e detalhado  acervo de imagens e informações sobre o aquecimento global (o que por si só já ajuda á compreender a situação).

"Opus Dei - uma cruzada silenciosa" de Marcela Said Cares e Jean de Certau

Opus Dei é um documentário que entra no coração da organização mais influente e secreta da Igreja Católica. Uma viagem inédita ao mundo do fundamentalismo cristão onde os os sonhos de por "a cruz em meio mundo" se tornam reais. A Opus Dei trabalha pela construção da "verdadeira" sociedade cristã. Desde pequenas escolas de hotelaria ás grandes escolas de comércio da Europa, o filme não só revela um mecanismo eficaz de luta e conquista do poder, mas se pergunta pelas verdadeiras aspirações políticas e ideológicas desta organização.


Sem legendas em Português - Áudio em espanhol

Ernesto Varela - o repórter” de Marcelo Tas e Fernando Meirelles

Na época da ditadura brasileira a censura era pesada e os repórteres tinham pouca liberdade para fazer perguntas. Ernesto Varela (personagem criado por Marcelo Tas), como era ‘ficção’, tinha certa ‘imunidade parlamentar’. Utilizava-a para fazer perguntas inusitadas, muitas vezes absurdas, que obrigavam o entrevistado a dar respostas pouco convencionais, como quando perguntou para Maluf: “É verdade que o senhor é um ladrão?”. O lançamento deste DVD marcou os 20 anos da criação de Ernesto varela, “o repórter que não amarela”. O personagem é um anti-repórter trapalhão e falsamente boboca,interpretado pelo apresentador Marcelo Tas. Entre as reportagens presentes no DVD há entrevistas com Lula e FHC (durante os comícios pelas Diretas, em 1984), uma cobertura da eleição de Tancredo e um documentário rodado em Cuba.

Costa Rica S.A.” de Pablo Ortega

Dirigido pelo professor universitário costarriquenho Pablo Ortega, este documentário expõe e questiona um dos temas mais intrincados e polarizados da vida nacional da Costa Rica: o Tratado de Livre Comércio entre a República Dominicana, América Central e os Estados Unidos, mais conhecido como TLC. Com imagens de arquivo (tanto audiovisuais como gráficas), entrevistas, um pouco de humor e rigor informativo, o documentário exibe uma estrutura de cinco partes que explora as áreas mais comprometidas em relação ao tratado: “El TLC y la industria militar”, ¿Qué es el TLC?”, “¿Qué ganamos?”, “¿Qué perdemos?” e “¿Quién negoció el TLC?”. Gerou polêmica ao ser transmitido pela TV e quase foi proibido na Costa Rica.

Sem legendas em Português - Áudio em espanhol

TLC - Oro por Cuentas de Vidrio”

A reprodução não comercial deste documentário é livre e necessária". Com esta frase se finaliza o documentário "Oro por cuentas de vidrio". Um profundo trabalho de investigação que, mediante uma linguagem accessível para qualquer pessoa, permite conhecer as conseqüências que traria o Tratado de Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos no caso de ser aprovado. Ao longo dos quase 60 minutos de duração, o filme rompe com muitos mitos que surgiram sobre o TLC e apresenta testemunhos de costarriquenses de carne e osso, ao tempo que desnuda os vínculos comerciais que existem entre os políticos que impulsionam o TLC e os negócios que se desenvolvem ou podem se desenvolver na sombra deste tipo de acordos comerciais.

Sem legendas em Português - Áudio em espanhol

Milton Santos: O Mundo Global visto de cá” de Silvio Tendler

Neto de escravos, Milton Santos nasceu em 1926 e foi alfabetizado em casa. Anos de estudo depois, acabaria por se tornar um dos mais importantes e influentes intelectuais brasileiros. O geógrafo, que faleceu em 2001, era formado em direito, havia trabalhado como jornalista e se tornou doutor em geografia após um curso na França, na década de 50. O filme trata do processo de globalização com base no pensamento do geógrafo Milton Santos, que, por suas idéias e práticas, inspira o debate sobre a sociedade brasileira e a construção de um novo mundo.

A vida em Cana” de Jorge Wolney Atalla

Há séculos que a cana-de-açúcar exerce um papel fundamental nas vidas de milhões de pessoas no Brasil. Hoje, mais de 1.3 milhões de pessoas estão envolvidas diretamente nesta agroindústria, das quais 800 mil são cortadores de cana. Os protagonistas são cortadores de cana-de-açúcar, "brava gente de bem" com caráter, com determinação, com sua esperança, sua fé e seus sonhos, exemplos preciosos de nossos trabalhadores rurais. Uma vida sofrida mais rica em valores humanos. Em média, cada trabalhador corta cana suficiente para a produção de 22 toneladas de açúcar por dia. Desse total, menos do que o valor equivalente a cinco quilos ficará em seu bolso, depois de uma estafante jornada, iniciada com o primeiro canto do galo.

A Farsa do aquecimento Global” do Channel Four

O Canal 4 britânico produziu esse devastador documentário intitulado "A Grande Farsa do Aquecimento Global". Ele não foi, ao que parece, exibido por nenhuma das redes de televisão nos EUA. A crítica do filme se baseia na opinião de vários cientistas e especialistas em climatologia, geografia e física, demostrando que por trás do mito do aquecimento global estão obscuros interesses econômicos da “indústria limpa” (Al Gore por exemplo é acionista de várias empresas de energias alternativas) . E também de grandes potências (EUA, Rússia, França, e outras), que ultimamente têm recomendado aos países emergentes que não se industrializarem para não poluírem. Sendo verdade, ou em parte verdade, ou uma completa farsa, o aquecimento global tem sido usado como escusa para outros fins que nada tem a ver com o bem estar na Terra.

McLibel – Two People who Refused to Say Sorry ”

Em 2005, na Inglaterra, dois ativistas distribuíram folhetos na porta de um McDonalds intitulados: "O que há de errado com o McDonald's?" (What's Wrong With McDonald's?) acusando a multinacional de vários fatos pouco simpáticos (como a exploração e maus tratos aos funcionários, devastação da Amazônia, vender comida não saudável mesmo sabendo disso mas negando em suas propagandas. ..entre outras). A corporação norte-americana decidiu agir com seu exército de advogados processando os ativistas por difamação (libel em inglês significa difamação) iniciando uma saga jurídica de 314 dias ( a mais longa ação civil ou criminal na história legal da Inglaterra). A dupla foi condenada a pagar 40 mil libras esterlinas em danos por difamação. Mas ao invés de pagarem, eles foram à Corte de Direitos Humanos de Estrasburgo, acusando as leis britânicas sobre difamação de operarem pesadamente em favor de empresas como o McDonald's. Os juízes de Direitos Humanos fundamentaram a seu favor, dizendo que o julgamento não havia sido justo, como é garantido pela Convenção de Direitos Humanos, da qual o Reino Unido é signatário. O caso ficou na imprensa, prejudicando a imagem do McDonalds por todo o tempo do processo, ganhando no final os dois “zé ninguéns”. Estima-se que o caso tenha custado à gigante do "fast food" um total de 10 milhões de libras, e foi descrito como "o pior desastre de Relações Públicas de uma corporação na história".

Filmes de Mobilizações e Movimentos Sociais:

"O que é não violência ativa" produzido pelo Movimento Humanista

Excelente documentário que apresenta as diversas filosofias de não-violência na história e mostra como esta é a única saída viável para o atual estado de coisas.

"The Miami Model"  Indymedia (CMI) de Miami

Documentário do CMI de Miami sobre as manifestações contra  uma reunião que marcou o início da Alca, em Miami, em 2002. Pela repressão policial e pela  descarada manipulação da mídia, Miami ficou conhecida como modelo de cidade "anti-manifestantes " (o modelo de Miami). Mostra cenas de ação direta violenta e não-violenta, gera uma reflexão para a ação social e política frente á monstruosidade das corporações.

"Atenco: Romper o Cerco"  do Indymedia (CMI) de Chiapas

Esse vídeo analiza os acontecimentos ocorridos em San Salvador Atenco durante os primeiros dias de Maio de 2006, e denuncia as violações dos Direitos Humanos da população civil por parte das forças policiais do Estado do México e Federais. O documentário desmonta também o modo de operar dos meios de comunicação de massa, responsáveis por criar um ambiente de medo e de construir um cerco informativo em torno dos acontecimentos de S. Salvador Atenco, no marco de uma situaão especialmente delicada: o processo de sucessão presidencial  no México em 2006.

"Quarta Guerra Mundial" de Rick Rowley e Jacqueline Soohen

Filme sobre milhares de pessoas e movimentos sociais que se manifestam em todo o mundo, mostrando uma nova página  da história composta pelos atos da resistência ao neoliberalismo. Das linhas de frente nos conflitos sociais no México,  Argentina,  África do Sul,  Palestina e Coréia; "no norte" de Seattle a Gênova; na "guerra ao Terror" em Nova Iorque, no Afeganistão e no Iraque, o filme traz as imagens e as vozes de uma guerra não noticiada: a resistência  radical ao capitalismo global, com cenas de manifestações populares inéditas na grande mídia.  A filmagem foi feita nos cinco continentes, durante mais de dois anos. Com trilha sonora de Manu Chao, Asian Dub Foundation, Múm, Moosaka, Cypher AD e DJ C.

"Bolívia: A Guerra do Gás"  de Carlos Pronzato

Em outubro de 2003, em meio á crise social, política e econômica, a Bolívia viveu um fato histórico de profundo significado: a eclosão da Guerra do Gás, que deixou cerca de 80 mortos e 400 feridos.
A decisão do governo de exportar gás para os EUA, por um porto chileno, provocou uma revolta popular contra o Estado, que acabou ocasionando a renúncia do então presiadente Losada (Goni), a derrota militar do exército e dos acessores da embaixada  americana. Esse documentário é um relato vivo dos que protagonizaram aquele momento  histórico, e remete á situação do atual governo Evo Morales.

"O Panelaço – A Rebelião Argentina"  de Carlos Pronzato

O Panelaço” narra as jornadas de luta do povo argentino que resultaram na queda do presidente Fernando De La Rúa, em dezembro de 2001. Entre flashes de manifestações, comícios, assembléias populares e choques entre militantes e policiais, a câmera de Pronzato focaliza o gesto revolucionário, as faixas e bandeiras desfraldadas, as prisões, os feridos e mortos pela repressão. No registro da luta contra o governo neoliberal que promoveu o desemprego, confiscou a poupança do povo argentino e deixou milhões na miséria, não faltam também os depoimentos de populares, personalidades e lideranças comunitárias e políticas. Entre estas, as Mães da Praça de Maio, o prêmio Nobel da Paz Adolfo Perez Esquivel e o dramaturgo brasileiro Augusto Boal, Fundador do teatro do Oprimido.

"Gênova: a Zona Vermelha"  do CMI de Londres

A Zona Vermelha, uma área no centro de Gênova isolada por um muro formado de conteiners navais, cercas metálicas de cinco metros de altura, tropas de choque, tanques de água e carros blindados, delineia o futuro campo de batalha que se tornaram os protestos por ocasião da reunião do Grupo dos 8 países mais ricos do mundo. Enquanto as autoridades se escondem atrás de suas cercas e tropas, um exército de manifestantes se organizava em diversas frentes com a finalidade de demonstrar seu descontentamento com a política orquestrada pelo G8 e sua globalização neoliberal. Manifestantes organizados das mais diversas formas, com os mais diversos fins. Eram eles grupos de Black Block, hordas de Tutti Bianchi, trabalhadores autônomos, ravers politizados, punks, estudantes, anarquistas, socialistas, ecologistas, imigrantes ilegais e feministas, somando mais de 250.000 manifestantes. Todos com o objetivo de impedir que os 8 homens mais poderosos e influentes do mundo se reunissem impunes.

"Da Terra ao Sonho de Rose"  de Tetê Moraes – DVD Duplo

Terra para Rose: A partir da história de Rose, agricultora sem terra que, com outras 1.500 famílias, participou da primeira grande ocupação de uma terra improdutiva, a fazenda Annoni, no Rio Grande do Sul, o filme aborda a sensível questão da reforma agrária no Brasil, no período de transição pós-regime militar. Retrata o início do MST. Rose deu a luz ao primeiro bebê que nasceu no acampamento e foi morta em um estranho acidente.

O Sonho de Rose: Relato emocionado e emocionante do reencontro, dez anos depois, da diretora Tetê Moraes com os personagens de seu premiado filme TERRA PARA ROSE (1987). O SONHO DE ROSE acompanha a trajetória de 1.500 famílias de agricultores sem terra, que, depois da ocupação de um latifúndio improdutivo, em 1985, conseguiram transformar seus sonhos em realidade. O filme narra os resultados surpreendentes dos assentamentos. E o que terá acontecido com o sonho de Rose?

"Essa é a cara da Democracia" por 100 ativistas

Documentário que marca a fundação do Centro de Mídia Independente, feito por 100 ativistas durante os protestos contra a OMC em Seattle, e como os grupos se organizaram com base à democracia direta. Mais de 100 mil pessoas se manifestavam diariamente, com passeatas, comícios e bloqueios, resistindo á repressão da polícia e ás calúnias da mídia. Nesse movimento os ativistas dão seus depoimentos do que fizeram, pensaram e sentiram ao mostrar com otimismo a possibilidade real de uma nova organização social baseada na ação direta e na participação popular. Um momento histórico para os movimentos sociais anticapitalistas, qua através da juventude se levantaram contra o poder econômico do capital e de suas conseqüências. Com narração de Susan Sarandon e trilha de Rage Against Machine.

"A Tornallom" de Enric Penris e Videohackers

A TORNALLOM (mutirão, em valenciano) conta a história de resistência de uma comunidade rural nos arredores de uma grande cidade da Espanha, Valência. Na luta contra a especulação imobiliária, que quer expulsá-los da terra cultivada há séculos por seus antepassados, os moradores de La Punta buscam a solidariedade do “movimento okupa”. Vários jovens da cidade se mudam para a comunidade e aprendem com os mais velhos como arar a terra, fazer pão em fornos artesanais, trabalhar em mutirão. Surgem os “agropunks”, que levam para La Punta as formas de luta da desobediência civil e ação direta contra a violência da polícia e das retroescavadeiras.

"Seleção de Curtas: Que Porra é Essa?"

Compilação especial de curtas-metragens e documentários de crítica social, ecologia, direitos humanos, movimentos sociais, movimento estudantil, mídia, comportamento e política. Apresentam qualidade reduzida.

A Alma do Negócio – 8min; À Margem da Imagem - 15 min; A mídia que vos fala - 11 min; A vida não vive - 11 min; AIDS na Àfrica - 01 min; Amanhã vai ser maior – 27min; Canoa veloz - 13 min; Césio 137: o brilho da morte - 02 min; Choque - 20 min; Conheça sua carne - 12 min; Desformação - 04 min; Direitos Esquecidos: Moradia na periferia (MTST) - 16 min; Em Construção - 38 min; Espetáculo Democrático – 39; Ilha das Flores - 13 min; Manguezais e carcinicultura: o verde violado - 13 min; Meow - 07 min; Midiatrix Revelations - 05 min; Nada a declarar - 09 min; Negro carvão - 19 min; Nós Éramos Humanos - 02 min; O Cordel dos Atingidos - 21 min; O Fim do Homem Cordial - 02 min; O Lobisomen e o Coronel - 09 min; O que é Passe-Livre? - 07 min; Pedra nua - 07 min; Por longos dias - 13 min; Que Porra é essa? - 18 min; Relatos - 10 min; Revolução - 02 min; Store Wars - 05 min; Tevelição - 07 min; The Meatrix – 03 min.


"Seleção Eco-Social"

Sociedade do Automóvel – 39 min
Mudanças no Clima, Mudanças na Vida – 51 min
Cruzando o Deserto Verde - 55 min

"Seleção Movimentos Sociais 01"

Direitos Esquecidos: Moradia na Periferia - 16 min
Chico Mendes: Dignidade que não se rende - 32 min
Armas Não atiram Rosas - 15 min

"Seleção Movimentos Sociais 02"

Contra a Alca - 35 min
As Sementes são patrimônio da Humanidade - 34 min
Rompendo o Silêncio - 16 min

A Kankoon y O Km” - do CMI-Cancún

Em setembro de 2003 realiza-se a V reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Cancún, no México. Mas os ministros e delegados da OMC, responsáveis diretos pelas políticas neoliberais em seus países e no planeta (e pelas conseqüências catastróficas de concentração de poder político e econômico nas mãos das corporações e multinacionais dos países ricos que se beneficiam com os tratados de livre comércio) não esperavam que milhares de ativistas vindos do mundo todo (dos Estados Unidos até a Coréia do Sul) estivessem lá para “estragar sua festa”: muitas manifestações, bloqueios, boicotes e intervenções ocorrem, mesmo com um forte dispositivo militar e policial (até algumas praias da cidade foram cercadas com grades de ferro para impedir manifestações). Os ativistas organizam suas ações com criatividade, alegria e rebeldia, sendo a juventude e populações pobres protagonistas. Os documentários retratam todos os instantes dos protestos e a atitude dos ativistas, com seus depoimentos, reuniões, festas e idéias mostradas no filme. É inspirador para quem acredita em mudar o mundo e põe em prática seus ideais.

Sem legendas em Português - Áudio em espanhol

The Take” - de Naomi Klein e Avi Lewis

Em um subúrbio de em Buenos Aires, Argentina, trinta trabalhadores desempregados de uma fábrica de auto-peças penetram na sua ociosa e falida fábrica, colocam esteiras para dormir e recusam-se á sair. Tudo que eles querem é ligar as máquinas paradas e trabalharem. Mas este simples ato - a “tomada” - questiona a atual globalização, desde o ponto de vista de quem fica excluído dela. Armados com estilingues e com fé na democracia direta e de base, os trabalhadores enfrentam os patrões, banqueiros e um sistema todo que vê sua amada fábrica como nada mais do que sucata para venda. Com “The Take”, o diretor Avi Lewis (um jornalista canadense) e Naomi Klein (autora do livro No Logo) colocam um radical programa econômico para o século 21, onde a autogestão é, acima de tudo, uma questão de dignidade humana: os trabalhadores sentem a necessidade de fugir à exploração capitalista, e de viver de um modo digno garantindo mínimas condições materiais de existência e desenvolvimento pessoal e coletivo.


Sem legendas em Português - Áudio em inglês

Filmes históricos, políticos e de personalidades:

"A Guerra do Fogo" de Jean Jacques Annaud

Um mergulho no tempo em busca da maior conquista da humanidade: o domínio do fogo. Este documentário-ficção recria o mundo exatamente como era há 80.000 anos atrás: o homem pré-histórico enfrentando tribos inimigas e feras dentro de um ambiente hostil, até o surgimento de seus primeiros sentimentos.
A Guerra do Fogo é um filme aclamado no mundo inteiro como o mais fiel e emocionante registro dos primeiros passos da civilização. Um filme para todos que se interessam pela história da humanidade e seu processo evolutivo atá os dias de hoje. Não saiu em cartaz, e só existem raríssimas cópias em VHS no Brasil.

"Ghandi" de Richard Attenborough

A fascinante biografia sobre o homem que subiu de simples advogado a símbolo mundial de paz e tolerância. Uma obra-prima imprescindível, Gandhi é uma história intrigante sobre ativismo, política, tolerância religiosa e liberdade. Mas no centro de tudo isso, está um homem extraordinário que lutou por uma existência pacífica e libertou uma nação.

Contém vários extras, incluindo filmes e entrevistas do Ghandi em pessoa.


"Palestina" de Simone Bitton

Este é um documentário montado á partir de imagens de arquivos históricos raros divididos em dois períodos: 1ª parte (1880-1950) e 2ª parte (1950-1991). Mostra fatos desconhecidos da opressão aos movimentos de resistência palestina contra o sionismo de Israel, como greves massivas de trabalhadores. Além de revelar o que está por trás da antiga e árdua luta entre palestinos e israelitas. Excelente par se formar um ponto de vista á respeito e conhecer as raízes dos enfrentamentos atuais. 

"Ato de Fé " de Tatiana Polastri

Este documentário relata através de vários depoimentos inéditos e imagens da época, a perseguição da ditadura militar aos freis Dominicanos que colaboraram com a ALN.
Os Dominicanos relatam todo o processo que resultou no bárbaro assassinato de Carlos Mariguella, expõem a colaboração da cúpula  reacionária da Igreja com os generais e descrevem a sua resitência ao fechamento do regime.

Vlado - 30 Anos Depois”de João Batista de Andrade

No dia 25 de outubro de 1975 o jornalista Vladimir Herzog acorda de manhã e se despede da mulher Clarice: ele deve se apresentar ao DOI-CODI, órgão da repressão polí

From: Maria Lucia

Utilidade

Fermento em pó vencido...
repasso

O que vc faz com o fermento em pó com validade vencida????
Da próxima vez que vc pensar em jogar fora experimente na limpeza de azulejos e inox.
Misture 5 colheres de sopa de fermento em pó vencido com 1 litro de água.
Ensope uma bucha e esfregue o local. agitando a mistura sempre que for
ensopar a bucha, o seu banheiro e cozinha vão agradecer, a pia do banheiro
fica limpinha e todo o material de inox que vc tiver no banheiro tbm.
Experimente! !!
Nunca mais vc vai jogar fermento vencido no lixo.
Eu faço a minha parte, e você?
Reciclagem e reaproveitamento de materiais
Separe o lixo, economize as reservas naturais, o mundo não está aqui apenas para servir você...
Recicle, Reaproveite, Reutilize.

*Começou*

*A SEMANA DE ARTE MODERNA DA PERIFERIA*

<http://www.artenape riferia.blogspot .com>

" O Cinema na Semana de Arte Moderna terá lugar na quinta-feira (8/11). E a
programação é de perder o fôlego. São cerca de 15 produções, todas de
cineastas periféricos. Começa as 16h com o belíssimo "Dança das Cabaças: Exu
no Brasil", de Kiko Dinucci (média metragem), e termina com outro
documentário, absolutamente fundamental para se entender a cultura
suburbana: "Panorama: Arte na Periferia", de Peu Pereira, David Vidad,
Anabela Gonçalves e Daniela Embóm. Mas não deixe de ver o filme "Vaguei nos
Livros e me Sujei com a M... Toda", de Akins Kinte, Mateus Subverso e Allan
da Rosa. Esse documentário fala de literatura e negritude, com depoimentos
de escritores e escritoras que encontraram nas letras a afirmação de sua
identidade de raça, de classe e de gênero. O CEU Casablanca será o endereço
do cinema periférico."
Matéria do Jornal Le Monde - http://diplo. uol.com.br/ 2007-11,a2005 - Por
Eleison Leite.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA

E AS NOVIDADES DA SEMANA

NO BLOG

www.artenaperiferia .blogspot. com

<http://www.artenape riferia.blogspot .com>

Um ano de Lei Maria da Penha

16:28 @ 25/09/2007

Um ano de Lei Maria da Penha: vitória das mulheres, diz advogada Imprimir E-mail
ImageClique aqui para ouvir(1'36'' / 377 Kb) - Sancionada no dia 21 de setembro de 2006, a Lei Maria da Penha, que trouxe mais rigor aos casos de violência contra mulher, completou um ano na última sexta-feira (21). Para a advogada e assessora do Centro de Estudos Feministas e Assessoria (Cfemea) Milena Calazans, a data é importante para ressaltar os avanços trazidos pela lei.

De acordo com Calazans, a aprovação da lei fez com que a violência contra a mulher fosse reconhecida como um problema muito sério, dentro de uma sociedade que “até pouco tempo achava normal a agressão”.

Além da mudança cultural, Calazans também aponta avanços dentro do Judiciário.

“A lei vem trazer uma dimensão de gênero para a concepção do direito, que exige desde a criação de uma estrutura específica e aí vai necessitar de capacitação destes profissionais. Então, é também visível uma mobilização do poder judiciário em articulação com o movimento social”.

Outro avanço foi a resolução aprovada pelo Conselho Nacional de Justiça recomendando a criação de juizados especiais de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher em todos os Tribunais de Justiça estaduais.

Após a aprovação da lei Maria da Penha, o número de denúncias registradas por conta de agressão às mulheres caiu cerca de 50% no Distrito Federal. Fato que levou algumas entidades a suspeitar da eficácia da nova lei.

Porém, em Pernambuco, as ocorrências aumentaram mais de 3000%. Para Calazans, qualquer conclusão agora é prematura, já que os dados ainda estão sendo fechados pela Secretaria Especial de Políticas para Mulheres.

De São Paulo, da Radioagência NP, Vinicius Mansur.

21/09/07

Óleos Liza e Soya terão alerta "contém soja transgênica" Imprimir E-mail
ImageClique aqui para ouvir(1´40´´ / 395 Kb) - A Promotoria de Justiça do Consumidor da Capital (SP) decidiu que os óleos de soja das marcas "Liza" e "Soya" devem colocar em seus rótulos os alertas "contém soja transgênica" ou "produto produzido a partir de soja transgênica". Os produtos pertencem às empresas Cargill e Bunge Alimentos, respectivamente.

A decisão só foi tomada após a Organização Não Governamental (ONG) Greenpeace ter feito uma pesquisa de campo que denunciou a utilização de soja geneticamente modificada por parte da Cargill e da Bunge para a produção de óleo, fato que não estava sendo divulgado pelas empresas.

O advogado do Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC), Paulo Pacini, adverte que a Cargill e a Bunge não são as únicas empresas que deviam ser notificadas.

“Não se tem notícias de nenhum produto no mercado brasileiro que tenha contenha essa informação e paralelamente a isso sabemos que o consumidor aqui no Brasil tem ingerido produtos com conteúdo transgênico”.

Paulo Pacini afirma que a não divulgação de informações a respeito de seus produtos mostra uma falta de ética por parte destas empresas.

“A obrigação das empresas de informar aos seus consumidores se determinado produto é transgênico ou não é uma questão ética. As empresas devem informar a qualquer consumidor sobre todas as características de seu produto. Não bastasse isso, nós temos o Código de Defesa do Consumidor que assegura a todos os consumidores estas mesmas informações”.

De São Paulo, da Radioagência NP, Juliano Domingues.

21/09/07

"O mundo do lado de cá"
Cineasta critica a globalização, diz que o Brasil está permissivo demais e aposta em uma reação que venha das periferias

Por FRANCISCO ALVES FILHO


Sílvio Tendler é um cineasta com curiosa mistura de outsider e campeão de bilheterias. No único intervalo em sua filmografia política, Tendler fez O mundo mágico dos Trapalhões e levou 1,8 milhão de espectadores aos cinemas. É o recorde para um documentário no Brasil. Os segundo e terceiro lugares também são dele, Jango e Os anos JK, respectivamente. Hoje, as bilheterias andam minguadas, mas ele resiste. "Não se pode ter a monotonia do entretenimento, como se no cinema não houvesse espaço para a reflexão", defende. Formado em história, ele discorre nessa entrevista sobre a desorganização social e política do País, a esperança numa renovação vinda das periferias e em novas formas de manifestação dos estudantes, que também lhe serviram de tema para um documentário sobre a UNE. Agora, chega às telas o documentário Encontro com Milton Santos ou O mundo global visto do lado de cá, em que o intelectual expõe seu conceito de globalitarismo, a opressão patrocinada pelo atual modelo de globalização.

"A grande batalha de hoje é pela opinião pública e eu acho que a gente tem de colocar pontos de vista diferentes, alternativos", enuncia Tendler.
Reconhecido por intelectuais de todo o mundo, o geógrafo Milton Santos recebeu o cineasta carioca para expor suas idéias numa tarde de 2001. Durante a conversa, documentada por uma câmera, Santos expôs suas críticas ao modelo de globalização que torna escassos os recursos naturais e empobrece ainda mais os miseráveis. Quase ao fim da conversa, Tendler questionou: "Professor, o que lhe dá a certeza de que suas idéias vão ter algum tipo de conseqüência?" Com os olhos brilhantes e o sorriso simpático, o geógrafo respondeu: "Você". Foi sua última entrevista - ele morreria cinco meses depois, de câncer - e, desde então, Tendler sentiu-se comprometido em multiplicar a mensagem do único acadêmico do Hemisfério Sul a receber o prêmio Vautrin Lud, espécie de Nobel da Geografia. Diabético, cardíaco e hipertenso, o cineasta mantém o bom humor e o espírito provocativo.

ISTOÉ - O que é globaritarismo, conceito criado por Milton Santos?

Sílvio Tendler - Ele formulou essa idéia em 2001, no livro Por uma outra globalização, pouco antes de morrer. É o fundamentalismo que faz do consumo a grande característica da nossa sociedade. A economia se ancora nisso. O mundo está produzindo muito mais do que a sociedade tem capacidade de consumir. Esse processo está levando à destruição do planeta e à desigualdade social. Isso é o globaritarismo: a imposição de padrões consumistas, inclusive a quem não tem condições de consumir. Milton Santos comparou esse fenômeno ao nazismo e ao fascismo.

ISTOÉ - Qual o modelo viável para substituir esse globaritarismo?
Tendler - Milton Santos não foi contra a globalização. Ele diz no filme, inclusive, que nunca houve civilização, agora é que estamos fazendo os primeiros ensaios do que será a humanidade. É contra a perversidade de nossos dias. Temos que construir um futuro melhor. E eu acredito nisso. Outro dia um jornalista me perguntou se eu não achava que a globalização era inevitável. Eu respondi que não só inevitável como necessária, desejada. Não sou contra a globalização. Mas contra esse modelo que permite a circulação de mercadorias e não permite a circulação de humanos.

ISTOÉ - Vivemos em desorganização política e social. Como implantar um modelo mais justo?
Tendler - Isso não é necessariamente ruim, já que evita o aparelhamento político que vivemos em outros tempos através de correntes políticas hegemônicas que pregavam idéias quase de forma totalitária. Temos uma grande diversidade política cultural em que várias minorias expressam seus pensamentos: os homossexuais, os sem-teto e por aí vai.

"Há uma cultura emergindo da periferia. Meninos da Baixada Fluminense com uma câmera de R$ 200 fazem cinema"

ISTOÉ - De onde viria essa renovação?
Tendler - Há uma cultura que está emergindo da periferia. Há os rappers que revelam a realidade das favelas. Temos meninos da Baixada Fluminense com uma câmera de R$ 200 fazendo cinema. Dou aula em uma universidade na qual o pessoal só quer filmar com câmeras caras. Ninguém acredita que com uma camerazinha de R$ 200 se pode fazer um filme de verdade. Tem o índio na floresta que usa a câmera para denunciar a derrubada de árvores. O outro índio, graças à internet e à parabólica, cria a rede de povos da floresta. Hoje há vários movimentos culturais autônomos na periferia. Não há como explicar o fenômeno dos Racionais MCs, por exemplo, que não aparecem na tevê. Tem o YouTube como uma vertente de renovação cultural, com trabalhos que fugiram do controle da grande mídia.

ISTOÉ - Um de seus trabalhos recentes é sobre a história do movimento estudantil. O sr. acha que os estudantes ainda podem mudar o País?
Tendler - Entrevistei do primeiro presidente da UNE ao que estava em exercício quando fiz o filme, o Gustavo Petta. Os dois dizem que a força do movimento jovem se deslocou para a periferia. A juventude está engajada, mas de outras formas. Hoje lidam com hiphop, lutam pelos direitos das minorias. Mudaram as formas de luta. Cabe aos líderes adequar as práticas da UNE à demanda do movimento estudantil


ISTOÉ - É possível comparar os estudantes de hoje com aqueles que faziam grandes passeatas na década de 60?
Tendler - O País e o mundo eram muito diferentes. O Brasil tinha 160 mil universitários, hoje tem dois milhões. O crescimento das universidades foi maior que o crescimento demográfico. Além disso, a maioria dos estudantes estava em instituições públicas, estavam preocupados com as grandes questões nacionais, com a qualidade do ensino e outros temas. Hoje, a maioria vem de universidades privadas, buscam principalmente um lugar no mercado de trabalho.

ISTOÉ - Como essa crise afeta o seu trabalho?
Tendler - Quando lancei JK e Jango fiquei seis semanas no Rio e em São Paulo e repercutiu muito. Hoje, não tenho mais o mesmo espaço. A lógica de mercado obriga você a dar graças a Deus por achar uma vaga.

ISTOÉ - Vale a pena fazer filmes de conteúdo político e social?
Tendler - Acho que está na hora de a sociedade brasileira se rediscutir. A gente tem que usar o cinema e outros meios de comunicação para colar os caquinhos do nosso arcabouço social. O que talvez explique as baixas bilheterias é que temos a liberdade de chegar à sala, mas não temos os meios de chegar ao público, você não consegue se comunicar com o espectador. Eu acabo virando uma exceção. Lancei o filme em cinco cinemas, com sessões alternativas, contra 500 cinemas com horário integral dos Simpsons. A batalha desigual é essa. Os caras vêm com uma tremenda mídia do Exterior, com grana, mídia nacional, são heróis da tevê, a garotada vê, curte... Mas não é por isso que eu vou deixar de fazer cinema. Eu acredito nisso. Trabalho de formiguinha. Melhor falar para três mil pessoas que para nenhuma.

ISTOÉ - Quais as conseqüências dessa concentração de poder midiático?
Tendler - Acabou a idade da inocência. Milton Santos dizia que quatro ou cinco grupos dominam a mídia no mundo. Não estava falando apenas do jornalismo, mas também do entretenimento. Como a indústria dos games, por exemplo. As pessoas dizem que eu sou didático. Na minha interpretação, didático é o cinema americano, que ensina a matar. A gente fica assistindo a essa violência no cotidiano com uma passividade... A gente não quer falar a verdade: o rei está nu, essa é a indústria de massas. As crianças desde pequenas se habituam com o conceito de serial killers a partir dos games. Elas vêem filmes desse tipo. Com as novas tecnologias é possível misturar personagens reais e animação. Toda essa violência que a sociedade está vivendo é formada pela cultura de massas e ninguém discute. Isso serve de controle social, prega o egoísmo, a individualidade, as pessoas deixam de ter solidariedade.

ISTOÉ - A classificação indicativa poderia ajudar?
Tendler - O grande problema da classificação indicativa seria o despreparo das pessoas que fazem essa indicação. Vou te dar um exemplo surrealista: meu filme foi indicado para 12 anos por ter "palavras de baixo calão" e "cenas de violência". Quem vê, constata que os palavrões não são gratuitos e a violência é de fundo social. Em plena ditadura fiz JK e Jango, que foram censura livre. Os dois filmes têm cenas de violência também, tem gente sendo assassinada nas manifestações de rua de 68.

ISTOÉ - Qual seria a solução?
Tendler - Não sei, mas sou contra a excessiva permissividade que vivemos hoje. Em um dos episódios da série Malu mulher, dos anos 80, um dos personagens tenta o suicídio. Quando a série passou na Suécia, esse episódio não foi ao ar. A sociedade sueca se deu ao direito de dizer: "Isso não passa na nossa televisão." Acho que a gente tem que ter uma preocupação com nossos jovens. Não sou careta, mas acho que vivemos numa sociedade excessivamente permissiva e de muita liberalidade. Estamos acostumados a ver drogas e sexo, tudo circulando com naturalidade. Acho que devíamos ter uma organização maior da sociedade para tratar disso. O que eu não acredito é na capacidade de esses organismos estatais fazerem essa regulação por nós. São um bando de burocratas, completamente despreparados.

ISTOÉ - O meio ambiente é um tema que o sr. pensa em levar para as telas?
Tendler - Sou contra esse terrorismo internacionalista do tal desenvolvimento sustentável. O Al Gore vem com esse filme falando de meio ambiente (Uma verdade inconveniente), mas o cara já foi vice-presidente dos Estados Unidos. Já poderia ter feito pelo menos um terço daquilo que ele prega no filme. Ele só passa a ter preocupação ecológica quando vira cineasta? Como vice-presidente não? Quero discutir o que é esse tal desenvolvimento sustentável, quero saber o que vai ser essa terra daqui a 40 anos dentro de um ponto de vista menos catastrófico, menos terrorista.

ISTOÉ - O sr. acredita que o brasileiro pode recuperar a fé na política?
Tendler - Como disse Milton Santos, a gente precisa encher de conteúdo a palavra democracia, já que quando falamos sobre democracia hoje não sabemos exatamente sobre o que estamos falando. Ficamos apenas com a forma. A gente elege uma pessoa e não sabemos para quê. Não sabemos qual o seu programa político, o que ele vai fazer com nosso voto. Todo dia você ouve falar, por exemplo, em reformas. Reforma tributária, reforma política... O que são essas reformas? Qual o conteúdo? Você sabe o que os políticos estão discutindo em Brasília? Cada dia está pior a convivência entre o cidadão e a política, está cada vez mais difícil o cidadão se ver efetivamente representado pelo Congresso Nacional. Mas sem a política a gente não avança
.

Edição 461

Debaixo da lona

por Editoria de Cultura

Descendente da tradição do circo, Erminia Silva retorna ao passado nômade de suas raízes e lança livro sobre o picadeiro e a arte

A família circense Wassilnovich migrou para o Brasil na segunda metade do século XIX, e aqui abrasileirou o sobrenome para Silva. Dos anos 1960 em diante, os integrantes da quarta geração da família passaram a ser mandados ao convívio de parentes com residência fixa, quando chegavam à idade escolar, em busca de um futuro “melhor”.

Erminia Silva, hoje uma historiadora de 53 anos, foi uma das enviadas à vida universitária. A ruptura com o passado nômade e circense durou até que ela direcionasse a pesquisa acadêmica ao reencontro com as próprias origens, num trabalho que agora deságua no livro Circo-Teatro – Benjamim de Oliveira e a Teatralidade Circense no Brasil (editora Altana, 434 págs., R$ 50).

Benjamim de Oliveira nasceu alforriado em Minas Gerais, em 1870, e ainda menino fugiu com o circo. No correr das décadas seguintes, tornou-se ator, palhaço, cantor, compositor, violonista, dramaturgo, encenador, diretor, um faz-tudo do circo, enfim.

Mais que o protagonista da história, ele é utilizado no livro como pretexto e exemplo para que Erminia Silva reflita sobre as confluências entre o circo e o teatro, num primeiro plano, e, de modo mais geral, entre o circo e todos os ramos da então nascente indústria cultural brasileira.

A discussão de fundo, para a historiadora, diz respeito à participação dos profissionais egressos do circo na edificação das indústrias de cinema e música (e, futuramente, de televisão e rádio). Na aurora do cinema nacional, Benjamim protagonizou uma versão filmada da pantomima Os Guaranis, que ele liderava no Circo Spinelli sob inspiração da obra quase homônima de José de Alencar.

Assim como o samba Pelo Telefone, de Donga, foi gravado pela primeira vez pelo músico Baiano, o circense Benjamim também gravou discos e foi parceiro musical de nomes pioneiros como Catulo da Paixão Cearense e Eduardo das Neves. No circo, Benjamim, Baiano e Eduardo atuaram juntos numa versão da opereta A Viúva Alegre.

Quem, como Benjamim, levou o teatro para dentro do circo (e não o contrário) teve a memória mais dissipada pelo tempo que os pares de teatro (e música, e cinema), e eis aí outro argumento crucial de Erminia. O que se depreende do livro é que a memória construída a partir do ponto de vista das elites culturais enobreceu o teatro e as novas formas em detrimento da origem circense de artesãos cada vez mais marginalizados.

A tarefa cumprida neste momento pela historiadora que veio do circo é a de interromper os ciclos de silêncio que há décadas excluem do mapa cultural alguns de seus agentes fundadores. – POR PEDRO ALEXANDRE SANCHES

Car@s,
Vejam a truculência de ruralistas e políticos de Juina/MT, que vitimaram
equipe da Opan, Greenpeace e jornalistas franceses na semana passada.

Estes
fazendeiros se acham inatingíveis pela lei, os donos de tudo e acima de
tudo, inclusive se consideram donos dos índios.

É uma terra sem lei, onde a
democracia segue os interesses destes migrantes...

Vejam o vídeo http://www.youtube. com/watch? v=q9esNX7bzHY

A média certa

 

O 3º Congresso do PT deixou muito claro em que termos aprovou, praticamente por unanimidade, o apoio ao Plebiscito da Vale. A saber: o PT apóia a realização do plebiscito, mas não se manifestou sobre o mérito da questão.

 

A questão em tela está na cédula do Plebiscito, dividida em duas partes. A primeira é uma explicação: “em 1997, a Companhia Vale do Rio Doce, patrimônio construído pelo povo brasileiro, foi fraudulentamente privatizada, ação que o governo e o poder judiciário podem anular”. A segunda é a pergunta: “a Vale deve continuar nas mãos do capital privado?”

 

Dentro do PT, ninguém parece ter dúvidas acerca do caráter fraudulento da privatização. Mesmo assim, há quem considere, como o governador Jaques Wagner, que se trata de um “processo concluso”. Concluso efetivamente está, mas pode ser reaberto por fatos novos, por exemplo um pronunciamento da Justiça acerca do caráter fraudulento da privatização.

 

Caso a Justiça chegue a esta conclusão, a reversão da privatização entrará em pauta. Mas isso é considerado um risco por companheiros como o prefeito Fernando Pimentel, para quem “uma reestatização seria uma quebra de contrato e, portanto, muito ruim para a economia do país”. Pimentel acredita, também, que “a Vale é uma empresa estratégica para o país”.

 

Exatamente por ser estratégica para o país, a situação da Vale do Rio Doce merece ser analisada com atenção redobrada, sem preconceitos. Os neoliberais, por exemplo, não consideraram o monopólio estatal como um fato consumado. A esquerda tampouco deve considerar o monopólio privado como cláusula pétrea.

 

Ademais e paradoxalmente, a Vale não é propriamente uma empresa privada. Seu controle é privado, mas os recursos que a sustentam são em grande medida públicos. É também por isso que, em grandes setores da sociedade brasileira, considera-se natural que uma empresa estratégica para o país, construída com recursos públicos, privatizada de maneira fraudulenta, pode voltar a ser totalmente controlada por interesses públicos.

 

Nem toda quebra de contrato é ruim para a economia do país. Se, por hipótese, o governo FHC tivesse conseguido privatizar a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, como procederíamos? Daríamos a situação por “conclusa” ou buscaríamos os meios jurídicos, institucionais e políticos necessários para uma reversão?

 

No caso da Vale, se a própria Justiça considerar que a privatização foi fraudulenta, tornar-se-á obrigatório reverter um ato criminoso, denunciando um contrato ruim.

 

Nestas condições, o raciocínio segundo o qual a reestatização causaria danos para a economia do país equivale a dizer que o crime compensa. De mais a mais, há várias maneiras de recuperar o controle público, sem que isto implique em prejuízos para os investimentos feitos.

 

O que preocupa alguns investidores não são exatamente os prejuízos resultantes de uma retomada do controle público, mas sim os lucros futuros. É por isto, aliás, que a Vale está investindo pesadamente em publicidade, nestas semanas que antecedem ao Plebiscito. É por isto, também, que a Vale investiu nas campanhas eleitorais, inclusive de candidatos do PT. É por isto, finalmente, que a direção da Vale busca manter boas relações com vários governos, a começar do governo federal. Isto para não falar nas gestões da empresa junto à Igreja Católica.

 

Do ponto de vista da Vale, o plebiscito certamente não ajuda. Mas do ponto de vista da educação política e da mobilização popular, o plebiscito contribui e muito. Por um lado, coloca em debate um tema de interesse nacional. Por outro lado, consolida uma opinião acerca dos prejuízos causados pelas privatizações. Finalmente, constitui um meio legítimo de pressão, um contrapeso contra a eficiente pressão que a Vale e os privatistas fazem sobre a Justiça e sobre outras instituições brasileiras.

 

As críticas contra o Plebiscito mostram que muita gente fala de democracia, participação, mobilização popular, modernidade e republicanismo, mas só da boca para fora. Ou melhor: da porta da empresa para fora. Basta utilizar a democracia e a participação para questionar os interesses do Capital, que o discurso muda e começam os ataques contra os “anacrônicos” e “irresponsáveis” que ousam promover consultas sobre assuntos tão “delicados”.

 

Há até mesmo os que acham que, apoiando o Plebiscito, o PT estaria apenas “fazendo média” com os movimentos sociais. Mesmo que isto fosse verdade, convenhamos: melhor fazer média com os amigos do que com os inimigos.

 

Valter Pomar

Secretário de relações internacionais do PT

LETRAVIVA – UM CHAMADO AO POVO BRASILEIRO

Estimado amigo e amiga do MST,

Esta semana diversos movimentos sociais e entidades estão realizando um Plebiscito Popular para questionar o leilão, que em 1997, vendeu a Companhia Vale do Rio Doce. A venda foi realizada durante do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e foi marcada por irregularidades que vão desde o subfaturamento da Companhia, vendida por 3,3 bilhões de reais, quando seu patrimônio à época estava avaliado em 40 bilhões de dólares, até o favorecimento ilícito de grupos. Hoje a Vale está sendo avaliada em cerca de 100 bilhões de dólares.

A privatização da Vale significou a privatização do patrimônio do povo brasileiro. Junto com a Companhia também foram vendidos os patrimônios materiais sobre os quais ela tinha concessão. A Vale tinha concessões públicas sobre a maior parte das reservas minerais do país, concessão de amplas extensões do nosso território. Somente ao redor da reserva mineral de Carajás havia uma concessão de 700 mil hectares de Floresta Amazônica. A Companhia também tinha concessão das três maiores ferrovias do país, a que liga Carajás a São Luiz, Belo Horizonte a Vitória e uma outra que liga o interior de Sergipe ao porto de Sergipe; além de ser concessionária de três grandes portos.

Todas essas obras não eram de propriedades da empresa. Foram construídas com dinheiro público, ou seja, de orçamento da União nos ministérios, portanto não cabia serem privatizadas. A Vale não se constituía em uma empresa comercial de propriedade do Estado, era na verdade uma empresa pública pertencente ao patrimônio de todo o povo brasileiro. Por essa razão é que jamais o governo FHC teria o direito de vender uma coisa que não era dele, mas sim do povo.

Ao longo dos últimos dez anos, vem se travando uma intensa batalha na Justiça pela nulidade do leilão da Vale do Rio Doce. As irregularidades acerca da venda da Companhia motivaram mais de cem ações populares na Justiça, 69 delas ainda estão em andamento. Mesmo antes da realização do leilão muitos juristas tentaram cancelar a venda. Mas na época tanto o Superior Tribunal de Justiça (STJ), como o Supremo Tribunal Federal (STF), eram totalmente coniventes com os interesses do governo FHC e o leilão somente pode se dar sob a condição de liminares dadas na calada da noite.

Os movimentos sociais, as entidades e as pastorais sociais, articulados na Assembléia Popular no final do ano de 2006, perceberam que, além da luta institucional, é preciso travar uma batalha cotidiana com a participação efetiva do povo. Afinal, o povo não foi consultado sobre a venda de seu próprio patrimônio, nem sequer o Congresso Nacional aprovou a venda da Companhia. Não se respeitou um princípio básico da nossa Constituição de 1988, que garante ao povo brasileiro o poder de tomar as decisões relativas à vida e ao futuro do país.

Além da questão sobre a Vale o plebiscito também aborda outros três temas: se o governo deve continuar priorizando o pagamento dos juros da dívida externa e interna; se a energia elétrica deve continuar sendo explorada pelo capital privado e se você concorda com uma reforma da previdência que retire direitos dos trabalhadores. A idéia é fazer do Plebiscito Popular uma ação cívica para o exercício da cidadania do povo brasileiro.

O Plebiscito faz parte da Campanha Nacional pela Nulidade do Leilão da Vale do Rio Doce. Campanha que está sendo organizada por mais de 60 entidades e movimentos sociais. A votação já começou. Em todo o país, estarão espalhadas urnas para coleta dos votos entre os dias 1° e 7 de setembro, Semana da Pátria. A data foi escolhida por ocasião do Grito dos Excluídos, que esse ano tem como tema “A Vale É Nossa – Queremos Participação no Destino da Nação”.

Nosso objetivo é pressionar pela nulidade do leilão que privatizou a Vale. Não podemos permitir que nossas riquezas naturais, como solo, minerais, água e ar sejam privatizadas. Não podemos permitir a entrega de nosso patrimônio material. Não podemos concordar com a premissa neoliberal de que o alto valor atribuído à Companhia hoje, seja fruto de sua privatização. Ao contrário temos provas concretas de que é possível uma empresa pública dar certo, como acontece com a Petrobras. Além disso, estamos certos de que uma empresa estatal não tem como primeiro objetivo dar lucro. O objetivo dela é o bem-estar da população.

Por tudo isso, queremos consultar o povo e convocamos cada amigo e cada amiga do MST a encampar também essa luta. Vote a favor do Brasil, a Vale é nossa, é do POVO BRASILEIRO!

Boa luta para todos e todas!

Saudações!
Direção Nacional do MST

PARA SABER COMO PARTICIPAR


>> Para saber como participar e ver locais de votação acesse a página:
http://www.avaleenossa.org.br/

>> Baixe aqui os áudios da Campanha

>> Veja aqui como organizar o Plebiscito

>> Assista aos vídeos da Campanha: Vídeo Parte 01 - Vídeo Parte 02 - Vídeo Parte 03

 
Indique o MST Informa para um amigo ou uma amiga
Indique pelo menos, mais um correio eletrônico e envie para semterra@mst.org.br com assunto "cadastro letraviva", para continuarmos a difundir e colocar para a sociedade as análises e posições do MST.
MST Informa é uma publicação quinzenal do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, enviada por correio eletrônico.
Sugestões de temas, artigos, formato: semterra@mst.org.br. Incluir ou remover correios eletrônicos no cadastro do MST Informa.
O MST não modera ou coordena nenhuma comunidade no Orkut e ninguém está autorizado a fazê-lo em seu nome.

Folha de S.Paulo – Tendências e Debates – 2 de setembro de 2007 - Domingo

 
Um atentado contra o patrimônio nacional
FÁBIO KONDER COMPARATO

Na alienação da Vale, a parte lesada foi o povo brasileiro, e os responsáveis pela lesão foram os agentes públicos federais


AO ABANDONAR em 1997 o controle da Companhia Vale do Rio Doce ao capital privado por um preço quase 30 vezes abaixo do valor patrimonial da empresa e sem apresentar nenhuma justificativa de interesse público, o governo federal cometeu uma grossa ilegalidade e um clamoroso desmando político.


Em direito privado, são anuláveis por lesão os contratos em que uma das partes, sob premente necessidade ou por inexperiência, obriga-se a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta (Código Civil, art. 157). A hipótese pode até configurar o crime de usura real, quando essa desproporção de valores dá a um dos contratantes lucro patrimonial "que exceda o quinto do valor corrente ou justo da prestação feita ou prometida" (lei nº 1.521, de 1951, art. 4º, b). A lei penal acrescenta que são co-autores do crime "os procuradores, mandatários ou mediadores que intervieram na operação".

É importante lembrar tais preceitos porque, no caso da alienação da Vale, a parte diretamente lesada foi o povo brasileiro, e os responsáveis pela lesão foram os agentes públicos federais que atuaram em nome da União federal, como se esta fosse a proprietária do bem público alienado.

Ora, em direito público os órgãos do Estado jamais podem ser equiparados a um proprietário privado. Este, segundo a mais longeva tradição, tem o direito de usar, fruir e dispor dos bens que lhe pertencem, sem ser obrigado a prestar contas de seus atos a ninguém. O Estado, ao contrário, é mero gestor dos bens públicos, em nome do povo.

No regime democrático, os órgãos estatais atuam como delegados do povo soberano, cujos bens e interesses devem gerir e preservar. O art. 23, I, de nossa Constituição declara que é da competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios "conservar o patrimônio público".

Aliás, a lei nº 8.666, de 1993, que regula as licitações públicas, dispõe que a alienação de bens da administração pública é sempre "subordinada à existência de interesse público devidamente justificado" (art. 17), isto é, claramente exposto e motivado.

Ora, em descarada afronta a esses preceitos fundamentais, o edital de alienação do controle da Companhia Vale do Rio Doce se limitou a declarar que a desestatização da empresa "enquadra-se nos objetivos do PND (Plano Nacional de Desestatização)". Nem uma palavra a mais.

Fora do edital, o governo federal adiantou duas justificativas: a necessidade de reduzir o endividamento público e a carência de recursos financeiros estatais para investimento na companhia.

Ambas as explicações revelaram-se falsas. O endividamento do Estado, que no começo do governo Fernando Henrique era de R$ 60 bilhões, havia decuplicado ao término do segundo mandato presidencial. Por sua vez, o BNDES, dispondo de recursos públicos, financiou a desestatização da companhia e continua até hoje a lhe fazer vultosos empréstimos.

Mas a entrega de mão beijada da Vale ao capital privado foi também um desmando político colossal nesta era de globalização. O Estado desfez-se da maior exportadora mundial de minério de ferro exatamente no momento em que a China iniciava seu avanço espetacular na produção de aço. Hoje, a China absorve da Vale, isto é, de uma companhia privada, e não do Estado brasileiro, quase 30% da produção desse minério.

Além disso, a companhia, que possuía o mais completo mapa geológico do nosso território, já era, ao ser alienada, concessionária da exploração de quase 1 bilhão de toneladas de cobre, de 678 milhões de toneladas de bauxita, além da lavra de dois minérios de alto valor estratégico: o nióbio e o tungstênio. Esse trunfo político considerável foi literalmente jogado fora.

Para prevenir a repetição de atos gravosos dessa natureza, a Ordem dos Advogados do Brasil ofereceu ao Congresso Nacional dois projetos de lei, um na Câmara dos Deputados, outro no Senado, prevendo a submissão a plebiscito de todos os atos de alienação do controle de empresas estatais.

Mas o povo brasileiro não vai aguardar, passivamente, que os seus mal intitulados representantes se decidam a cumprir o dever de legislar em benefício do país ou que o Judiciário julgue, com dez anos de atraso, as 103 ações populares intentadas contra o fraudulento negócio.

Nesta Semana da Pátria realiza-se, em todo o território nacional, por iniciativa dos movimentos populares, um plebiscito para que o povo possa, enfim, dizer não a esse crime de lesa-pátria.

 

FÁBIO KONDER COMPARATO , 70, professor titular aposentado da Faculdade de Direito da USP, é presidente da Comissão de Defesa da República e da Democracia do Conselho Federal da OAB. É autor, entre outras obras, de "Ética - Direito, Moral e Religião no Mundo Moderno".

O vendedor de palavras
Fábio Reynol

Ouviu dizer que o Brasil sofria de uma grave falta de palavras. Em um programa de TV, viu uma escritora lamentando que não se liam livros nesta terra, por isso as palavras estavam em falta na praça. O mal tinha até nome de batismo, como qualquer doença grande, "indigência lexical". Comerciante de tino que era, não perdeu tempo em ter uma idéia fantástica. Pegou dicionário, mesa e cartolina e saiu ao mercado cavar espaço entre os camelôs.

Entre uma banca de relógios e outra de lingerie instalou a sua: uma mesa, o dicionário e a cartolina na qual se lia: "Histriônico — apenas R$ 0,50!".

Demorou quase quatro horas para que o primeiro de mais de cinqüenta curiosos parasse e perguntasse.

— O que o senhor está vendendo?

— Palavras, meu senhor. A promoção do dia é histriônico a cinqüenta centavos como diz a placa.

— O senhor não pode vender palavras. Elas não são suas. Palavras são de todos.

— O senhor sabe o significado de histriônico?

— Não.

— Então o senhor não a tem. Não vendo algo que as pessoas já têm ou coisas de que elas não precisem.

— Mas eu posso pegar essa palavra de graça no dicionário.

— O senhor tem dicionário em casa?

— Não. Mas eu poderia muito bem ir à biblioteca pública e consultar um.

— O senhor estava indo à biblioteca?

— Não. Na verdade, eu estou a caminho do supermercado.

— Então veio ao lugar certo. O senhor está para comprar o feijão e a alface, pode muito bem levar para casa uma palavra por apenas cinqüenta centavos de real!

— Eu não vou usar essa palavra. Vou pagar para depois esquecê-la?

— Se o senhor não comer a alface ela acaba apodrecendo na geladeira e terá de jogá-la fora e o feijão caruncha.

— O que pretende com isso? Vai ficar rico vendendo palavras?

— O senhor conhece Nélida Piñon?

— Não.

— É uma escritora. Esta manhã, ela disse na televisão que o País sofre com a falta de palavras, pois os livros são muito pouco lidos por aqui.

— E por que o senhor não vende livros?

— Justamente por isso. As pessoas não compram as palavras no atacado, portanto eu as vendo no varejo.

— E o que as pessoas vão fazer com as palavras? Palavras são palavras, não enchem barriga.

— A escritora também disse que cada palavra corresponde a um pensamento. Se temos poucas palavras, pensamos pouco. Se eu vender uma palavra por dia, trabalhando duzentos dias por ano, serão duzentos novos pensamentos cem por cento brasileiros. Isso sem contar os que furtam o meu produto. São como trombadinhas que saem correndo com os relógios do meu colega aqui do lado. Olhe aquela senhora com o carrinho de feira dobrando a esquina. Com aquela carinha de dona-de-casa ela nunca me enganou. Passou por aqui sorrateira. Olhou minha placa e deu um sorrisinho maroto se mordendo de curiosidade. Mas nem parou para perguntar. Eu tenho certeza de que ela tem um dicionário em casa. Assim que chegar lá, vai abri-lo e me roubar a carga. Suponho que para cada pessoa que se dispõe a comprar uma palavra, pelo menos cinco a roubarão. Então eu provocarei mil pensamentos novos em um ano de trabalho.

— O senhor não acha muita pretensão? Pegar um...

— Jactância.

— Pegar um livro velho...

— Alfarrábio.

— O senhor me interrompe!

— Profaço.

— Está me enrolando, não é?

— Tergiversando.

— Quanta lenga-lenga...

— Ambages.

— Ambages?

— Pode ser também evasivas.

— Eu sou mesmo um banana para dar trela para gente como você!

— Pusilânime.

— O senhor é engraçadinho, não?

— Finalmente chegamos: histriônico!

— Adeus.

— Ei! Vai embora sem pagar?

— Tome seus cinqüenta centavos.

— São três reais e cinqüenta.

— Como é?

— Pelas minhas contas, são oito palavras novas que eu acabei de entregar para o senhor. Só histriônico estava na promoção, mas como o senhor se mostrou interessado, faço todas pelo mesmo preço.

— Mas oito palavras seriam quatro reais, certo?

— É que quem leva ambages ganha uma evasiva, entende?

— Tem troco para cinco?

Amora do Pé

 

Em defesa da estética mambembe

 

Argumento com relação à estética do espetáculo do circo mambembe porque eu mesma já a reneguei _ acreditando que era preciso mudanças radicais, elitisar, tornar a estrutura dos nossos espetáculos mais apolínea; me enganei. A origem mambembe é dionisíaca e indominável; é aquele momento em que pai e filho encaram o público se apresentando, também ali, o discípulo e seu mestre. Na origem é que está a magia dos nossos espetáculos.

 Permitir que essa estética se iluda  com os recursos disponíveis atualmente ao nível de tecnologia e padrões de "profissionalismo" que nos estão sendo impostos... por essa nova espécie de stabilishment que está se formando para a produção cultural no Brasil; lembrando que, de certa forma, ainda engatinhando e beneficiando mais os que podem agregar-se e reivindicar que as regras se adequem às suas credenciais e seus padrões artísticos ruminados pela academia ou, senão por vivências artísticas - não menores, nem maiores - no entanto, totalmente diferentes e até contrárias ao fazer artístico do circo mambembe.

 Permitir que a estética do espetáculo mambembe se sujeite a isso é permitir que ela morra _ ou que se torne um ser humano em estado vegetativo mantido por aparelhos _ ou seja, uma espécie de vida artificial.

As coisas só evoluem a partir do que elas são na sua origem. Não há progresso saudável apenas com o que é recebido de fora. Dessa maneira a casa perde seus alicerces.

Assistir a um espetáculo mambembe é como desfrutar da amora fresca do pé que foi plantado no quintal da sua casa - sem lavar! Nada é mais saboroso.

 

 

Isiely Ayres, 28 anos, artista de circo mambembe e atriz.

 

27/08/2007

OI/TELEMAR: FUJA DO MICO!

O MONOPÓLIO E O ABUSO DA TELEFONIA FIXA

Carta aberta de um cidadão indignado contra o monopólio da telefonia fixa, o bloqueio da internet, os colecionadores de inúmeros processos penais e os caçadores da paciência alheia.(...) Era uma vez um Juizado de Pequenas Causas que tinha dois stands diferentes: um era utilizado para reclamações e processos contra uma empresa chamada TELEMAR, o outro para as demais finalidades. ..Isso não é conto da carochinha, caros senhores! Sei de pelo menos três cidades metropolitanas (Rio, São Gonçalo e Niterói) onde o Juizado funcionava assim mesmo - e, pasmem, as vezes em que tive que me apresentarem alguns destes locais, era bem difícil saber em qual stand havia mais gente para reclamar! Você sabe um dos motivos por que começou a história da cobrança por minuto? De norte a sul do país (principalmente no sudeste) tramitaram milhares de processos contra diversas operadoras que cobravam os denominados "pulsos excedentes", aquelas ligações que vão além do que a tal "taxa de serviço" permite. Pois bem, os tais pulsos excedentes NÃO DISCRIMINAVAM OS TELEFONESCOM OS QUAIS OS PULSOS ERAM UTILIZADOS, e as operadoras foram obrigadas a

DEIXAR DE COBRAR OS PULSOS EXCEDENTES A QUEM ENTROU COM O PROCESSO,

somente cobrando as ligações que vinham discriminadas - normalmente, DDDs, DDIs, celulares e ligações a cobrar para o seu telefone. Pois bem: o sistema de cobrança por minuto agora permite essa identificação. .. Em tese, quem não aproveitou a onda, não aproveita mais. Esse foi apenas um dos motivos que pichou o nome TELEMAR - fora as confusões de entrega de linha, demora no serviço, desligamento indevido, cobrança indevida nas contas, entre outros tantos problemas que acabaram por criar indiretamente o "ESPAÇO TELEMAR" nos Juizados Especiais. Como todas as outras empresas que declaram falência por negligência e abremnovo CNPJ, o grupo TELEMAR, com nome pichado de norte a sul do país, muda o seu nome para OI. Uma pena que a marca de uma boa operadora de telefonia celular (longe de ser "a melhor", no meu entender, pois EU MESMO JÁ NÃO TIVE BOAS EXPERIÊNCIAS COM UM CELULAR OI E ABANDONEI A OPERADORA) seja hoje utilizada para acobertar um péssimo exemplo de como fidelizar seus clientes. Começou quando a Telemar assumiu todos os telefones de antigas operadoras estatais e passou a ter mais de 70% dos assinantes de telefone fixo do país. Porém, se agravou quando esta se tornou a única operadora de telefonia fixa de diversas cidades, inclusive da minha: de repente, o bum! na conta de telefone de milhares de brasileiros. Pensei comigo mesmo: "que saudades da Vésper!", pois antes a simples ameaça de existir uma concorrência não deixava isso acontecer - ISSO É MONOPÓLIO!Depois, na necessidade de se fazer um DDD: diante da possibilidade de utilizar outras operadores e pagar outras contas, a Telemar limitou o número de DDDs que poderia ser feito por fora - ISSO É MONOPÓLIO!Além disso, diante da não-resposta de muitos clientes pela escolha do plano por minuto meio à troca do sistema: ADIANTARAM A COBRANÇA POR MINUTO EM DOIS MESES (pelo menos no meu caso), muito mais cara por sinal, sem prévio consentimento ou mesmo CONHECIMENTO DE CAUSA do assinante, sob automática AMEAÇA deste mesmo ter seu nome incluído na lista de devedores do SERASA/SPC diante das cobranças abusivas: a meu ver, ISSO É EXTORSÃO! Ainda, diante da falha no reconhecimento do serviço de provimento de internet no que tange ao prefixo 1500 depois da MIGRAÇÃO FORÇADA para a cobrança por minuto: decidiram BLOQUEAR o acesso ao 1500, impedindo o acesso a vários serviços de provimento de concorrentes como a IG, o IBest ou o Yahoo! e solicitando a mudança para o prefixo 1700 aos usuários da OI INTERNET - ISSO TAMBÉM É MONOPÓLIO! Continuando a lista, diante da cobrança mensal de assinatura pelo "serviço",impondo em cada conta o pagamento equivalente a 447 minutos/mês para ter uma mísera linha de telefone fixo em tempos de celulares e fixos por satélite, sendo que muitos assinantes não chegam a utilizar UMA HORA de ligação pelo mesmo período de um mês - a meu ver, ISSO É ESTELIONATO! Quase no fim, diante da cobrança de exatos R$ 0,10/minuto para ligações de fixo para fixo - ISSO É UM ASSALTO! Por último, diante da impossibilidade de utilizar os serviços de outras operadoras na ligação pelos telefones públicos ("orelhões"): ISSO É MONOPÓLIO! Diante de tanto monopólio, a mesma empresa aproveita para "tirar subliminarmente as algemas" de seus fiéis clientes na campanha sobre os chips que, no que tange a telefonia fixa, estamos avançando:"VOCÊ É NOSSO CLIENTE, NÃO É NOSSO REFÉM!" Fazendo juz a este lema é que, depois de pesquisar contra o monopólio da telefonia fixa na minha cidade, decidi definitivamente por migrar para um plano diferente... e quer saber,

é o LIVRE da EMBRATEL!

Confira outro plano de operadoras você também, se não quiser continuar a ser mais um otário nas mãos do monopólio!Chega de deixar de dar dica por ética, pois falta de ética é guardar a ira que há em você e permitir a continuidade da impunidade e da censura financeira contra nós!

PS.: Isso não é propaganda da EMBRATEL.

PS2. : Está muito mais barato acessar a internet pela Lan-house do que conectar pela Oi Internet!

"A chegada de ACM no Inferno"

01:03 @ 28/07/2007

"A chegada de ACM no Inferno"
Por Tonho da Jumenta

O Diabo ficou louco quando ACM morreu,
O Inferno era pouco diante do poder que ACM perdeu.
Já sabia o Diabo que pra cá ele viria
E que ía querer governar e no Inferno mandar.

Pensou então o Diabo no que deveria fazer,
Reuniu o Conselho de velhos diabos de grande saber,
Depois de muita confabulação, resolveu o Conselho,
Para evitar confusão, pedir aos Céus que desse
A ACM todo o perdão.

Dessa forma ACM no céu ficaria,
Evitando assim a disputa de poder,
Que por certo aconteceria entre o Grande Diabo
E o que ACM poderia querer.

As maldades que ele fez aqui na Terra,
Deram a ele o apelido de Toninho Malvadeza,
O que lhe daria no Inferno um certo grau de nobreza,
Ameaçando o poder do Diabo com toda certeza.

ACM muito esperto já sabia que no céu não mandaria
Porque já estava Nosso Senhor que lá vivia,
A quem todos do Céu tinham grande simpatia,
ACM concluiu que ali não tinha vez,
Então do Céu fugiu e foi isso que ele fez.

Quando chegou no Inferno o porteiro não quis receber,
Pois tinha do Diabo essa clara instrução,
ACM reclamou disse que assim não poderia ser,
Uma vez que tinha morrido e merecia consideração.

O porteiro ligou pro Diabo e explicou a situação,
O Diabo deixou entrar porque era sua obrigação,
Mesmo sabendo que ACM iria provocar confusão,
Pois quando era vivo comandava um perigoso pelotão.

ACM foi entrando e foi logo mandando:
"Mande fazer uma licitação de uma grande obra,
Vai ganhar o meu genro que tem conhecimento de sobra,
Com a vantagem de ter na minha mulher a sua sogra.

Quanto a Comunicação, passe logo tudo pra mim,
Para que eu faça a distribuição de rádio e televisão,
Vão todas para os amigos para não haver discussão,
Pois tem muito esquerdista nesta grande nação.

Quero também deixar claro a minha intenção,
Quero tudo pra mim, seja lá qual for o tostão,
Pobre tem que continuar pobre para que a política tenha precisão,
Pois se esse povo se soltar vai ter muita aperreação".

O Diabo preocupado com medo de ficar de lado,
Tramou logo uma conspiração, mas ACM convocou o neto
E fizeram uma reparação, colocaram microfone no teto
De todo e qualquer cristão.

Com o grampo descobriram logo a armação,
ACM fez uma pasta com a sujeira de cada um,
Mostrou a eles a ameaça de uma detenção,
E para evitar o zum-zum-zum,
Os capetas deixaram o diabo na mão.

Agora, o Diabão vive isolado, com pensão de aposentado,
Enquanto ACM manda em tudo, com o nome de Malvadeza II,
Todo posudo, Rei do mundo da escuridão, nem está preocupado
Com a sua expiação, pois como queria, continua com o poder na sua mão.

Tonho da Jumenta é um cordelista de Poço Redondo (SE).

Viva a catástrofe! Os bons tempos voltaram

Sempre que há uma catástrofe nacional, irrompe uma euforia de cabeça para baixo. É como se a opinião pública dissesse: "Eu não avisei? Bem que eu falei, não adianta tentar que sempre dá tudo errado...".

Há um grande amor brasileiro pelo fracasso. Quando ele acontece, é um alívio. O fracasso é bom porque nos tira a ansiedade da luta. Já perdemos, para que lutar? O avião explodindo nos dá uma sensação de realidade. Parece o Brasil indo a pique -o grande desejo oculto da sociedade alijada dos podres poderes políticos, que giram sozinhos como parafusos espanados.

Não é uma ameaça de CPI, não é um perigo de crash da Bolsa. É morte, gás e fogo. E nossa vida fica mais real e podemos, então, aliviados, botar a culpa em alguém.

Chovem cartas de leitores nos jornais. Todas exultam de indignação moral, todas denotam incompreensão com o programa do governo de reformar o sistema, programa muito "macro", mal explicado, "muito cabeça" para a população.

Nada como um desastre ou escândalo para acalmar a platéia. E a oposição, aliada à oligarquia, usa bem isso. Danem-se as questões importantes, dane-se a crise externa, dane-se tudo. Bom é fofoca e denúncia. A finalidade da política é impedir o país de fazer política. Nada acontece, dando a impressão de que muito está acontecendo.

Há uma tradição colonial de que nossa vida é um conto-do-vigário em que caímos. Somos sempre vítimas de alguém. Nunca somos nós mesmos. Ninguém se sente vigarista.

O fracasso nos enobrece. O culto português à impossibilidade é famoso. Numa sociedade patrimonialista como Portugal do séc. 16, em que só o Estado-Rei valia, a sociedade era uma massa sem vida própria. Suas derrotas eram vistas com bons olhos, pois legitimavam a dependência ao rei. Fomos educados para o fracasso. Até hoje somos assim. Só nos resta xingar e desejar o mal do país.

Quem tem coragem de ir à TV e dizer: "O Brasil está melhorando!", mesmo que esteja? Ninguém diz. É feio. Falar mal do país é uma forma de se limpar. Sentimo-nos fora do poder, logo é normal sabotar. O avião da TAM derreteu feito bala de açúcar na boca dos golpistas.

O fracasso é uma vitória para muitos. Não fui eu que fracassei, foi o governo, o “populismo”. O maior inimigo da democracia é a aliança entre o ideologismo regressista e a oligarquia vingativa. Nossos heróis todos fracassaram. Enforcados, esquartejados, revoltas abortadas, revoluções perdidas. Peguem um herói norte-americano: Paul Revere, por exemplo. Cavalgou 24 horas e conseguiu salvar tropas americanas na Guerra da Independência. Foi o herói da eficiência. Aqui, só os fracassados verão Deus.

O que moveu Pedro Simon e Arthur Virgilio foi a esperança do caos. Pedro Simon se acha o missionário da catástrofe. Ele é o ideólogo da explosão de furúnculos. Ele acredita no pus revelador. Virgilio quer levar em seu declínio o país todo com ele, cair destruindo, numa espécie de triunfo ao avesso. Ele é o último bastião do patrimonialismo tradicional, resistindo ao capitalismo impessoal.

Espalhou-se a teoria de que o problema do Brasil é "moral". Este "bonde" funk de neo-udenismo psicótico, este lacerdismo tardio, este trenzinho de "janismo" com "collorismo" visam impedir a modernização do país, sob a capa do "amor". São a favor da moralidade, mas contra a lei de Responsabilidade Fiscal.

Esta onda de moralismo delirante busca impedir a reforma das instituições, que estimulam a imoralidade. Tasso , tocando trombone sob um telhado de vidro, é o grande exemplo. Arthur Virgilio, com boquinha de ânus e vozinha de padre, outro.

Nossos intelectuais se deliciam numa teoria barroca da "zona" geral. O Brasil é visto como um grande "bode" sem solução, o paraíso dos militantes imaginários. Quem quiser positividade é traidor. A miséria tem de ser mantida "in vitro" para justificar teorias e absolver inações. A academia cultiva o "insolúvel" como uma flor. Quanto mais improvável um objetivo, mais "nobre" continuar tentando. O masoquista se obstina com fé no impossível.

Há um negativismo crônico no pensamento brasileiro. Paulo Prado contra Gilberto Freyre. Para eles, a esperança é sórdida, a desconfiança é sábia: "Aí tem dente de coelho, "alguma" ele fez...".

Jamais perdoarão Lula por ter abandonado a utopia tradicional e aderido à "realpolitik". Quase nenhum "progressista" tentou ajudá-lo nessa estratégia. Quem tentou foi queimado como áulico ou traidor, pela plêiade dos canalhas e ignorantes. Talvez tenha sido um dos maiores erros da chamada "social-democracia", talvez a maior perda de oportunidade da história. Agora, os corruptos com que Lula se aliou para poder governar querem afogá-lo na lama.

A "realpolitik" virou "shit politics".

Assim como o atraso sempre foi uma escolha consciente no século 19, o abismo para nós é um desejo secreto. Há a esperança de que, no fundo do caos, surja uma solução divina. "Qual a solução para o Brasil?", perguntam. Mas a própria idéia de "solução" é um culto ao fracasso. Não lhes ocorre que a vida seja um processo, vicioso ou virtuoso, e que só a morte é solução.

Vejam como o Brasil se animou com a crise atual. Ôba! É o velho Brasil descendo a ladeira! Viva! Os bons tempos voltaram!

Enviado por: Paulo

Sei que a maioria dos anti-Lula e anti-PT adoram a suposta contundência de Arnaldo Jabor. Leiam só o artigo dele na Folha sobre a tragédia da plataforma P-36, durante o governo FHC.

Trocas efetuadas no texto

Onde se lê: O avião explodindo
Leia-se: plataforma afundando

Onde se lê: populismo
Leia-se: neoliberalismo

Onde se lê: O avião da TAM
Leia-se: A plataforma da Petrobrás afundando

Onde se lê: Pedro Simon
Leia-se: Luiz Francisco

Onde se lê: Arthur Virgilio
Leia-se: ACM

Onde se lê: Lula
Leia-se: FHC

Onde se lê: social democracia
Leia-se: esquerda

PS – Perdão, Jabor, mas essa foi irresistível.

Atenção, para quem não reparou: esse texto, brilhante, é do Arnaldo Jabor. Apenas os nomes e circunstâncias foram trocados, para montar a pegadinha.

enviada por Luis Nassif