Grupos

Amora do Pé

 

Em defesa da estética mambembe

 

Argumento com relação à estética do espetáculo do circo mambembe porque eu mesma já a reneguei _ acreditando que era preciso mudanças radicais, elitisar, tornar a estrutura dos nossos espetáculos mais apolínea; me enganei. A origem mambembe é dionisíaca e indominável; é aquele momento em que pai e filho encaram o público se apresentando, também ali, o discípulo e seu mestre. Na origem é que está a magia dos nossos espetáculos.

 Permitir que essa estética se iluda  com os recursos disponíveis atualmente ao nível de tecnologia e padrões de "profissionalismo" que nos estão sendo impostos... por essa nova espécie de stabilishment que está se formando para a produção cultural no Brasil; lembrando que, de certa forma, ainda engatinhando e beneficiando mais os que podem agregar-se e reivindicar que as regras se adequem às suas credenciais e seus padrões artísticos ruminados pela academia ou, senão por vivências artísticas - não menores, nem maiores - no entanto, totalmente diferentes e até contrárias ao fazer artístico do circo mambembe.

 Permitir que a estética do espetáculo mambembe se sujeite a isso é permitir que ela morra _ ou que se torne um ser humano em estado vegetativo mantido por aparelhos _ ou seja, uma espécie de vida artificial.

As coisas só evoluem a partir do que elas são na sua origem. Não há progresso saudável apenas com o que é recebido de fora. Dessa maneira a casa perde seus alicerces.

Assistir a um espetáculo mambembe é como desfrutar da amora fresca do pé que foi plantado no quintal da sua casa - sem lavar! Nada é mais saboroso.

 

 

Isiely Ayres, 28 anos, artista de circo mambembe e atriz.

 

27/08/2007

O vendedor de palavras
Fábio Reynol

Ouviu dizer que o Brasil sofria de uma grave falta de palavras. Em um programa de TV, viu uma escritora lamentando que não se liam livros nesta terra, por isso as palavras estavam em falta na praça. O mal tinha até nome de batismo, como qualquer doença grande, "indigência lexical". Comerciante de tino que era, não perdeu tempo em ter uma idéia fantástica. Pegou dicionário, mesa e cartolina e saiu ao mercado cavar espaço entre os camelôs.

Entre uma banca de relógios e outra de lingerie instalou a sua: uma mesa, o dicionário e a cartolina na qual se lia: "Histriônico — apenas R$ 0,50!".

Demorou quase quatro horas para que o primeiro de mais de cinqüenta curiosos parasse e perguntasse.

— O que o senhor está vendendo?

— Palavras, meu senhor. A promoção do dia é histriônico a cinqüenta centavos como diz a placa.

— O senhor não pode vender palavras. Elas não são suas. Palavras são de todos.

— O senhor sabe o significado de histriônico?

— Não.

— Então o senhor não a tem. Não vendo algo que as pessoas já têm ou coisas de que elas não precisem.

— Mas eu posso pegar essa palavra de graça no dicionário.

— O senhor tem dicionário em casa?

— Não. Mas eu poderia muito bem ir à biblioteca pública e consultar um.

— O senhor estava indo à biblioteca?

— Não. Na verdade, eu estou a caminho do supermercado.

— Então veio ao lugar certo. O senhor está para comprar o feijão e a alface, pode muito bem levar para casa uma palavra por apenas cinqüenta centavos de real!

— Eu não vou usar essa palavra. Vou pagar para depois esquecê-la?

— Se o senhor não comer a alface ela acaba apodrecendo na geladeira e terá de jogá-la fora e o feijão caruncha.

— O que pretende com isso? Vai ficar rico vendendo palavras?

— O senhor conhece Nélida Piñon?

— Não.

— É uma escritora. Esta manhã, ela disse na televisão que o País sofre com a falta de palavras, pois os livros são muito pouco lidos por aqui.

— E por que o senhor não vende livros?

— Justamente por isso. As pessoas não compram as palavras no atacado, portanto eu as vendo no varejo.

— E o que as pessoas vão fazer com as palavras? Palavras são palavras, não enchem barriga.

— A escritora também disse que cada palavra corresponde a um pensamento. Se temos poucas palavras, pensamos pouco. Se eu vender uma palavra por dia, trabalhando duzentos dias por ano, serão duzentos novos pensamentos cem por cento brasileiros. Isso sem contar os que furtam o meu produto. São como trombadinhas que saem correndo com os relógios do meu colega aqui do lado. Olhe aquela senhora com o carrinho de feira dobrando a esquina. Com aquela carinha de dona-de-casa ela nunca me enganou. Passou por aqui sorrateira. Olhou minha placa e deu um sorrisinho maroto se mordendo de curiosidade. Mas nem parou para perguntar. Eu tenho certeza de que ela tem um dicionário em casa. Assim que chegar lá, vai abri-lo e me roubar a carga. Suponho que para cada pessoa que se dispõe a comprar uma palavra, pelo menos cinco a roubarão. Então eu provocarei mil pensamentos novos em um ano de trabalho.

— O senhor não acha muita pretensão? Pegar um...

— Jactância.

— Pegar um livro velho...

— Alfarrábio.

— O senhor me interrompe!

— Profaço.

— Está me enrolando, não é?

— Tergiversando.

— Quanta lenga-lenga...

— Ambages.

— Ambages?

— Pode ser também evasivas.

— Eu sou mesmo um banana para dar trela para gente como você!

— Pusilânime.

— O senhor é engraçadinho, não?

— Finalmente chegamos: histriônico!

— Adeus.

— Ei! Vai embora sem pagar?

— Tome seus cinqüenta centavos.

— São três reais e cinqüenta.

— Como é?

— Pelas minhas contas, são oito palavras novas que eu acabei de entregar para o senhor. Só histriônico estava na promoção, mas como o senhor se mostrou interessado, faço todas pelo mesmo preço.

— Mas oito palavras seriam quatro reais, certo?

— É que quem leva ambages ganha uma evasiva, entende?

— Tem troco para cinco?

Folha de S.Paulo – Tendências e Debates – 2 de setembro de 2007 - Domingo

 
Um atentado contra o patrimônio nacional
FÁBIO KONDER COMPARATO

Na alienação da Vale, a parte lesada foi o povo brasileiro, e os responsáveis pela lesão foram os agentes públicos federais


AO ABANDONAR em 1997 o controle da Companhia Vale do Rio Doce ao capital privado por um preço quase 30 vezes abaixo do valor patrimonial da empresa e sem apresentar nenhuma justificativa de interesse público, o governo federal cometeu uma grossa ilegalidade e um clamoroso desmando político.


Em direito privado, são anuláveis por lesão os contratos em que uma das partes, sob premente necessidade ou por inexperiência, obriga-se a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta (Código Civil, art. 157). A hipótese pode até configurar o crime de usura real, quando essa desproporção de valores dá a um dos contratantes lucro patrimonial "que exceda o quinto do valor corrente ou justo da prestação feita ou prometida" (lei nº 1.521, de 1951, art. 4º, b). A lei penal acrescenta que são co-autores do crime "os procuradores, mandatários ou mediadores que intervieram na operação".

É importante lembrar tais preceitos porque, no caso da alienação da Vale, a parte diretamente lesada foi o povo brasileiro, e os responsáveis pela lesão foram os agentes públicos federais que atuaram em nome da União federal, como se esta fosse a proprietária do bem público alienado.

Ora, em direito público os órgãos do Estado jamais podem ser equiparados a um proprietário privado. Este, segundo a mais longeva tradição, tem o direito de usar, fruir e dispor dos bens que lhe pertencem, sem ser obrigado a prestar contas de seus atos a ninguém. O Estado, ao contrário, é mero gestor dos bens públicos, em nome do povo.

No regime democrático, os órgãos estatais atuam como delegados do povo soberano, cujos bens e interesses devem gerir e preservar. O art. 23, I, de nossa Constituição declara que é da competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios "conservar o patrimônio público".

Aliás, a lei nº 8.666, de 1993, que regula as licitações públicas, dispõe que a alienação de bens da administração pública é sempre "subordinada à existência de interesse público devidamente justificado" (art. 17), isto é, claramente exposto e motivado.

Ora, em descarada afronta a esses preceitos fundamentais, o edital de alienação do controle da Companhia Vale do Rio Doce se limitou a declarar que a desestatização da empresa "enquadra-se nos objetivos do PND (Plano Nacional de Desestatização)". Nem uma palavra a mais.

Fora do edital, o governo federal adiantou duas justificativas: a necessidade de reduzir o endividamento público e a carência de recursos financeiros estatais para investimento na companhia.

Ambas as explicações revelaram-se falsas. O endividamento do Estado, que no começo do governo Fernando Henrique era de R$ 60 bilhões, havia decuplicado ao término do segundo mandato presidencial. Por sua vez, o BNDES, dispondo de recursos públicos, financiou a desestatização da companhia e continua até hoje a lhe fazer vultosos empréstimos.

Mas a entrega de mão beijada da Vale ao capital privado foi também um desmando político colossal nesta era de globalização. O Estado desfez-se da maior exportadora mundial de minério de ferro exatamente no momento em que a China iniciava seu avanço espetacular na produção de aço. Hoje, a China absorve da Vale, isto é, de uma companhia privada, e não do Estado brasileiro, quase 30% da produção desse minério.

Além disso, a companhia, que possuía o mais completo mapa geológico do nosso território, já era, ao ser alienada, concessionária da exploração de quase 1 bilhão de toneladas de cobre, de 678 milhões de toneladas de bauxita, além da lavra de dois minérios de alto valor estratégico: o nióbio e o tungstênio. Esse trunfo político considerável foi literalmente jogado fora.

Para prevenir a repetição de atos gravosos dessa natureza, a Ordem dos Advogados do Brasil ofereceu ao Congresso Nacional dois projetos de lei, um na Câmara dos Deputados, outro no Senado, prevendo a submissão a plebiscito de todos os atos de alienação do controle de empresas estatais.

Mas o povo brasileiro não vai aguardar, passivamente, que os seus mal intitulados representantes se decidam a cumprir o dever de legislar em benefício do país ou que o Judiciário julgue, com dez anos de atraso, as 103 ações populares intentadas contra o fraudulento negócio.

Nesta Semana da Pátria realiza-se, em todo o território nacional, por iniciativa dos movimentos populares, um plebiscito para que o povo possa, enfim, dizer não a esse crime de lesa-pátria.

 

FÁBIO KONDER COMPARATO , 70, professor titular aposentado da Faculdade de Direito da USP, é presidente da Comissão de Defesa da República e da Democracia do Conselho Federal da OAB. É autor, entre outras obras, de "Ética - Direito, Moral e Religião no Mundo Moderno".

LETRAVIVA – UM CHAMADO AO POVO BRASILEIRO

Estimado amigo e amiga do MST,

Esta semana diversos movimentos sociais e entidades estão realizando um Plebiscito Popular para questionar o leilão, que em 1997, vendeu a Companhia Vale do Rio Doce. A venda foi realizada durante do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e foi marcada por irregularidades que vão desde o subfaturamento da Companhia, vendida por 3,3 bilhões de reais, quando seu patrimônio à época estava avaliado em 40 bilhões de dólares, até o favorecimento ilícito de grupos. Hoje a Vale está sendo avaliada em cerca de 100 bilhões de dólares.

A privatização da Vale significou a privatização do patrimônio do povo brasileiro. Junto com a Companhia também foram vendidos os patrimônios materiais sobre os quais ela tinha concessão. A Vale tinha concessões públicas sobre a maior parte das reservas minerais do país, concessão de amplas extensões do nosso território. Somente ao redor da reserva mineral de Carajás havia uma concessão de 700 mil hectares de Floresta Amazônica. A Companhia também tinha concessão das três maiores ferrovias do país, a que liga Carajás a São Luiz, Belo Horizonte a Vitória e uma outra que liga o interior de Sergipe ao porto de Sergipe; além de ser concessionária de três grandes portos.

Todas essas obras não eram de propriedades da empresa. Foram construídas com dinheiro público, ou seja, de orçamento da União nos ministérios, portanto não cabia serem privatizadas. A Vale não se constituía em uma empresa comercial de propriedade do Estado, era na verdade uma empresa pública pertencente ao patrimônio de todo o povo brasileiro. Por essa razão é que jamais o governo FHC teria o direito de vender uma coisa que não era dele, mas sim do povo.

Ao longo dos últimos dez anos, vem se travando uma intensa batalha na Justiça pela nulidade do leilão da Vale do Rio Doce. As irregularidades acerca da venda da Companhia motivaram mais de cem ações populares na Justiça, 69 delas ainda estão em andamento. Mesmo antes da realização do leilão muitos juristas tentaram cancelar a venda. Mas na época tanto o Superior Tribunal de Justiça (STJ), como o Supremo Tribunal Federal (STF), eram totalmente coniventes com os interesses do governo FHC e o leilão somente pode se dar sob a condição de liminares dadas na calada da noite.

Os movimentos sociais, as entidades e as pastorais sociais, articulados na Assembléia Popular no final do ano de 2006, perceberam que, além da luta institucional, é preciso travar uma batalha cotidiana com a participação efetiva do povo. Afinal, o povo não foi consultado sobre a venda de seu próprio patrimônio, nem sequer o Congresso Nacional aprovou a venda da Companhia. Não se respeitou um princípio básico da nossa Constituição de 1988, que garante ao povo brasileiro o poder de tomar as decisões relativas à vida e ao futuro do país.

Além da questão sobre a Vale o plebiscito também aborda outros três temas: se o governo deve continuar priorizando o pagamento dos juros da dívida externa e interna; se a energia elétrica deve continuar sendo explorada pelo capital privado e se você concorda com uma reforma da previdência que retire direitos dos trabalhadores. A idéia é fazer do Plebiscito Popular uma ação cívica para o exercício da cidadania do povo brasileiro.

O Plebiscito faz parte da Campanha Nacional pela Nulidade do Leilão da Vale do Rio Doce. Campanha que está sendo organizada por mais de 60 entidades e movimentos sociais. A votação já começou. Em todo o país, estarão espalhadas urnas para coleta dos votos entre os dias 1° e 7 de setembro, Semana da Pátria. A data foi escolhida por ocasião do Grito dos Excluídos, que esse ano tem como tema “A Vale É Nossa – Queremos Participação no Destino da Nação”.

Nosso objetivo é pressionar pela nulidade do leilão que privatizou a Vale. Não podemos permitir que nossas riquezas naturais, como solo, minerais, água e ar sejam privatizadas. Não podemos permitir a entrega de nosso patrimônio material. Não podemos concordar com a premissa neoliberal de que o alto valor atribuído à Companhia hoje, seja fruto de sua privatização. Ao contrário temos provas concretas de que é possível uma empresa pública dar certo, como acontece com a Petrobras. Além disso, estamos certos de que uma empresa estatal não tem como primeiro objetivo dar lucro. O objetivo dela é o bem-estar da população.

Por tudo isso, queremos consultar o povo e convocamos cada amigo e cada amiga do MST a encampar também essa luta. Vote a favor do Brasil, a Vale é nossa, é do POVO BRASILEIRO!

Boa luta para todos e todas!

Saudações!
Direção Nacional do MST

PARA SABER COMO PARTICIPAR


>> Para saber como participar e ver locais de votação acesse a página:
http://www.avaleenossa.org.br/

>> Baixe aqui os áudios da Campanha

>> Veja aqui como organizar o Plebiscito

>> Assista aos vídeos da Campanha: Vídeo Parte 01 - Vídeo Parte 02 - Vídeo Parte 03

 
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A média certa

 

O 3º Congresso do PT deixou muito claro em que termos aprovou, praticamente por unanimidade, o apoio ao Plebiscito da Vale. A saber: o PT apóia a realização do plebiscito, mas não se manifestou sobre o mérito da questão.

 

A questão em tela está na cédula do Plebiscito, dividida em duas partes. A primeira é uma explicação: “em 1997, a Companhia Vale do Rio Doce, patrimônio construído pelo povo brasileiro, foi fraudulentamente privatizada, ação que o governo e o poder judiciário podem anular”. A segunda é a pergunta: “a Vale deve continuar nas mãos do capital privado?”

 

Dentro do PT, ninguém parece ter dúvidas acerca do caráter fraudulento da privatização. Mesmo assim, há quem considere, como o governador Jaques Wagner, que se trata de um “processo concluso”. Concluso efetivamente está, mas pode ser reaberto por fatos novos, por exemplo um pronunciamento da Justiça acerca do caráter fraudulento da privatização.

 

Caso a Justiça chegue a esta conclusão, a reversão da privatização entrará em pauta. Mas isso é considerado um risco por companheiros como o prefeito Fernando Pimentel, para quem “uma reestatização seria uma quebra de contrato e, portanto, muito ruim para a economia do país”. Pimentel acredita, também, que “a Vale é uma empresa estratégica para o país”.

 

Exatamente por ser estratégica para o país, a situação da Vale do Rio Doce merece ser analisada com atenção redobrada, sem preconceitos. Os neoliberais, por exemplo, não consideraram o monopólio estatal como um fato consumado. A esquerda tampouco deve considerar o monopólio privado como cláusula pétrea.

 

Ademais e paradoxalmente, a Vale não é propriamente uma empresa privada. Seu controle é privado, mas os recursos que a sustentam são em grande medida públicos. É também por isso que, em grandes setores da sociedade brasileira, considera-se natural que uma empresa estratégica para o país, construída com recursos públicos, privatizada de maneira fraudulenta, pode voltar a ser totalmente controlada por interesses públicos.

 

Nem toda quebra de contrato é ruim para a economia do país. Se, por hipótese, o governo FHC tivesse conseguido privatizar a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, como procederíamos? Daríamos a situação por “conclusa” ou buscaríamos os meios jurídicos, institucionais e políticos necessários para uma reversão?

 

No caso da Vale, se a própria Justiça considerar que a privatização foi fraudulenta, tornar-se-á obrigatório reverter um ato criminoso, denunciando um contrato ruim.

 

Nestas condições, o raciocínio segundo o qual a reestatização causaria danos para a economia do país equivale a dizer que o crime compensa. De mais a mais, há várias maneiras de recuperar o controle público, sem que isto implique em prejuízos para os investimentos feitos.

 

O que preocupa alguns investidores não são exatamente os prejuízos resultantes de uma retomada do controle público, mas sim os lucros futuros. É por isto, aliás, que a Vale está investindo pesadamente em publicidade, nestas semanas que antecedem ao Plebiscito. É por isto, também, que a Vale investiu nas campanhas eleitorais, inclusive de candidatos do PT. É por isto, finalmente, que a direção da Vale busca manter boas relações com vários governos, a começar do governo federal. Isto para não falar nas gestões da empresa junto à Igreja Católica.

 

Do ponto de vista da Vale, o plebiscito certamente não ajuda. Mas do ponto de vista da educação política e da mobilização popular, o plebiscito contribui e muito. Por um lado, coloca em debate um tema de interesse nacional. Por outro lado, consolida uma opinião acerca dos prejuízos causados pelas privatizações. Finalmente, constitui um meio legítimo de pressão, um contrapeso contra a eficiente pressão que a Vale e os privatistas fazem sobre a Justiça e sobre outras instituições brasileiras.

 

As críticas contra o Plebiscito mostram que muita gente fala de democracia, participação, mobilização popular, modernidade e republicanismo, mas só da boca para fora. Ou melhor: da porta da empresa para fora. Basta utilizar a democracia e a participação para questionar os interesses do Capital, que o discurso muda e começam os ataques contra os “anacrônicos” e “irresponsáveis” que ousam promover consultas sobre assuntos tão “delicados”.

 

Há até mesmo os que acham que, apoiando o Plebiscito, o PT estaria apenas “fazendo média” com os movimentos sociais. Mesmo que isto fosse verdade, convenhamos: melhor fazer média com os amigos do que com os inimigos.

 

Valter Pomar

Secretário de relações internacionais do PT

Car@s,
Vejam a truculência de ruralistas e políticos de Juina/MT, que vitimaram
equipe da Opan, Greenpeace e jornalistas franceses na semana passada.

Estes
fazendeiros se acham inatingíveis pela lei, os donos de tudo e acima de
tudo, inclusive se consideram donos dos índios.

É uma terra sem lei, onde a
democracia segue os interesses destes migrantes...

Vejam o vídeo http://www.youtube. com/watch? v=q9esNX7bzHY

Edição 461

Debaixo da lona

por Editoria de Cultura

Descendente da tradição do circo, Erminia Silva retorna ao passado nômade de suas raízes e lança livro sobre o picadeiro e a arte

A família circense Wassilnovich migrou para o Brasil na segunda metade do século XIX, e aqui abrasileirou o sobrenome para Silva. Dos anos 1960 em diante, os integrantes da quarta geração da família passaram a ser mandados ao convívio de parentes com residência fixa, quando chegavam à idade escolar, em busca de um futuro “melhor”.

Erminia Silva, hoje uma historiadora de 53 anos, foi uma das enviadas à vida universitária. A ruptura com o passado nômade e circense durou até que ela direcionasse a pesquisa acadêmica ao reencontro com as próprias origens, num trabalho que agora deságua no livro Circo-Teatro – Benjamim de Oliveira e a Teatralidade Circense no Brasil (editora Altana, 434 págs., R$ 50).

Benjamim de Oliveira nasceu alforriado em Minas Gerais, em 1870, e ainda menino fugiu com o circo. No correr das décadas seguintes, tornou-se ator, palhaço, cantor, compositor, violonista, dramaturgo, encenador, diretor, um faz-tudo do circo, enfim.

Mais que o protagonista da história, ele é utilizado no livro como pretexto e exemplo para que Erminia Silva reflita sobre as confluências entre o circo e o teatro, num primeiro plano, e, de modo mais geral, entre o circo e todos os ramos da então nascente indústria cultural brasileira.

A discussão de fundo, para a historiadora, diz respeito à participação dos profissionais egressos do circo na edificação das indústrias de cinema e música (e, futuramente, de televisão e rádio). Na aurora do cinema nacional, Benjamim protagonizou uma versão filmada da pantomima Os Guaranis, que ele liderava no Circo Spinelli sob inspiração da obra quase homônima de José de Alencar.

Assim como o samba Pelo Telefone, de Donga, foi gravado pela primeira vez pelo músico Baiano, o circense Benjamim também gravou discos e foi parceiro musical de nomes pioneiros como Catulo da Paixão Cearense e Eduardo das Neves. No circo, Benjamim, Baiano e Eduardo atuaram juntos numa versão da opereta A Viúva Alegre.

Quem, como Benjamim, levou o teatro para dentro do circo (e não o contrário) teve a memória mais dissipada pelo tempo que os pares de teatro (e música, e cinema), e eis aí outro argumento crucial de Erminia. O que se depreende do livro é que a memória construída a partir do ponto de vista das elites culturais enobreceu o teatro e as novas formas em detrimento da origem circense de artesãos cada vez mais marginalizados.

A tarefa cumprida neste momento pela historiadora que veio do circo é a de interromper os ciclos de silêncio que há décadas excluem do mapa cultural alguns de seus agentes fundadores. – POR PEDRO ALEXANDRE SANCHES

"O mundo do lado de cá"
Cineasta critica a globalização, diz que o Brasil está permissivo demais e aposta em uma reação que venha das periferias

Por FRANCISCO ALVES FILHO


Sílvio Tendler é um cineasta com curiosa mistura de outsider e campeão de bilheterias. No único intervalo em sua filmografia política, Tendler fez O mundo mágico dos Trapalhões e levou 1,8 milhão de espectadores aos cinemas. É o recorde para um documentário no Brasil. Os segundo e terceiro lugares também são dele, Jango e Os anos JK, respectivamente. Hoje, as bilheterias andam minguadas, mas ele resiste. "Não se pode ter a monotonia do entretenimento, como se no cinema não houvesse espaço para a reflexão", defende. Formado em história, ele discorre nessa entrevista sobre a desorganização social e política do País, a esperança numa renovação vinda das periferias e em novas formas de manifestação dos estudantes, que também lhe serviram de tema para um documentário sobre a UNE. Agora, chega às telas o documentário Encontro com Milton Santos ou O mundo global visto do lado de cá, em que o intelectual expõe seu conceito de globalitarismo, a opressão patrocinada pelo atual modelo de globalização.

"A grande batalha de hoje é pela opinião pública e eu acho que a gente tem de colocar pontos de vista diferentes, alternativos", enuncia Tendler.
Reconhecido por intelectuais de todo o mundo, o geógrafo Milton Santos recebeu o cineasta carioca para expor suas idéias numa tarde de 2001. Durante a conversa, documentada por uma câmera, Santos expôs suas críticas ao modelo de globalização que torna escassos os recursos naturais e empobrece ainda mais os miseráveis. Quase ao fim da conversa, Tendler questionou: "Professor, o que lhe dá a certeza de que suas idéias vão ter algum tipo de conseqüência?" Com os olhos brilhantes e o sorriso simpático, o geógrafo respondeu: "Você". Foi sua última entrevista - ele morreria cinco meses depois, de câncer - e, desde então, Tendler sentiu-se comprometido em multiplicar a mensagem do único acadêmico do Hemisfério Sul a receber o prêmio Vautrin Lud, espécie de Nobel da Geografia. Diabético, cardíaco e hipertenso, o cineasta mantém o bom humor e o espírito provocativo.

ISTOÉ - O que é globaritarismo, conceito criado por Milton Santos?

Sílvio Tendler - Ele formulou essa idéia em 2001, no livro Por uma outra globalização, pouco antes de morrer. É o fundamentalismo que faz do consumo a grande característica da nossa sociedade. A economia se ancora nisso. O mundo está produzindo muito mais do que a sociedade tem capacidade de consumir. Esse processo está levando à destruição do planeta e à desigualdade social. Isso é o globaritarismo: a imposição de padrões consumistas, inclusive a quem não tem condições de consumir. Milton Santos comparou esse fenômeno ao nazismo e ao fascismo.

ISTOÉ - Qual o modelo viável para substituir esse globaritarismo?
Tendler - Milton Santos não foi contra a globalização. Ele diz no filme, inclusive, que nunca houve civilização, agora é que estamos fazendo os primeiros ensaios do que será a humanidade. É contra a perversidade de nossos dias. Temos que construir um futuro melhor. E eu acredito nisso. Outro dia um jornalista me perguntou se eu não achava que a globalização era inevitável. Eu respondi que não só inevitável como necessária, desejada. Não sou contra a globalização. Mas contra esse modelo que permite a circulação de mercadorias e não permite a circulação de humanos.

ISTOÉ - Vivemos em desorganização política e social. Como implantar um modelo mais justo?
Tendler - Isso não é necessariamente ruim, já que evita o aparelhamento político que vivemos em outros tempos através de correntes políticas hegemônicas que pregavam idéias quase de forma totalitária. Temos uma grande diversidade política cultural em que várias minorias expressam seus pensamentos: os homossexuais, os sem-teto e por aí vai.

"Há uma cultura emergindo da periferia. Meninos da Baixada Fluminense com uma câmera de R$ 200 fazem cinema"

ISTOÉ - De onde viria essa renovação?
Tendler - Há uma cultura que está emergindo da periferia. Há os rappers que revelam a realidade das favelas. Temos meninos da Baixada Fluminense com uma câmera de R$ 200 fazendo cinema. Dou aula em uma universidade na qual o pessoal só quer filmar com câmeras caras. Ninguém acredita que com uma camerazinha de R$ 200 se pode fazer um filme de verdade. Tem o índio na floresta que usa a câmera para denunciar a derrubada de árvores. O outro índio, graças à internet e à parabólica, cria a rede de povos da floresta. Hoje há vários movimentos culturais autônomos na periferia. Não há como explicar o fenômeno dos Racionais MCs, por exemplo, que não aparecem na tevê. Tem o YouTube como uma vertente de renovação cultural, com trabalhos que fugiram do controle da grande mídia.

ISTOÉ - Um de seus trabalhos recentes é sobre a história do movimento estudantil. O sr. acha que os estudantes ainda podem mudar o País?
Tendler - Entrevistei do primeiro presidente da UNE ao que estava em exercício quando fiz o filme, o Gustavo Petta. Os dois dizem que a força do movimento jovem se deslocou para a periferia. A juventude está engajada, mas de outras formas. Hoje lidam com hiphop, lutam pelos direitos das minorias. Mudaram as formas de luta. Cabe aos líderes adequar as práticas da UNE à demanda do movimento estudantil


ISTOÉ - É possível comparar os estudantes de hoje com aqueles que faziam grandes passeatas na década de 60?
Tendler - O País e o mundo eram muito diferentes. O Brasil tinha 160 mil universitários, hoje tem dois milhões. O crescimento das universidades foi maior que o crescimento demográfico. Além disso, a maioria dos estudantes estava em instituições públicas, estavam preocupados com as grandes questões nacionais, com a qualidade do ensino e outros temas. Hoje, a maioria vem de universidades privadas, buscam principalmente um lugar no mercado de trabalho.

ISTOÉ - Como essa crise afeta o seu trabalho?
Tendler - Quando lancei JK e Jango fiquei seis semanas no Rio e em São Paulo e repercutiu muito. Hoje, não tenho mais o mesmo espaço. A lógica de mercado obriga você a dar graças a Deus por achar uma vaga.

ISTOÉ - Vale a pena fazer filmes de conteúdo político e social?
Tendler - Acho que está na hora de a sociedade brasileira se rediscutir. A gente tem que usar o cinema e outros meios de comunicação para colar os caquinhos do nosso arcabouço social. O que talvez explique as baixas bilheterias é que temos a liberdade de chegar à sala, mas não temos os meios de chegar ao público, você não consegue se comunicar com o espectador. Eu acabo virando uma exceção. Lancei o filme em cinco cinemas, com sessões alternativas, contra 500 cinemas com horário integral dos Simpsons. A batalha desigual é essa. Os caras vêm com uma tremenda mídia do Exterior, com grana, mídia nacional, são heróis da tevê, a garotada vê, curte... Mas não é por isso que eu vou deixar de fazer cinema. Eu acredito nisso. Trabalho de formiguinha. Melhor falar para três mil pessoas que para nenhuma.

ISTOÉ - Quais as conseqüências dessa concentração de poder midiático?
Tendler - Acabou a idade da inocência. Milton Santos dizia que quatro ou cinco grupos dominam a mídia no mundo. Não estava falando apenas do jornalismo, mas também do entretenimento. Como a indústria dos games, por exemplo. As pessoas dizem que eu sou didático. Na minha interpretação, didático é o cinema americano, que ensina a matar. A gente fica assistindo a essa violência no cotidiano com uma passividade... A gente não quer falar a verdade: o rei está nu, essa é a indústria de massas. As crianças desde pequenas se habituam com o conceito de serial killers a partir dos games. Elas vêem filmes desse tipo. Com as novas tecnologias é possível misturar personagens reais e animação. Toda essa violência que a sociedade está vivendo é formada pela cultura de massas e ninguém discute. Isso serve de controle social, prega o egoísmo, a individualidade, as pessoas deixam de ter solidariedade.

ISTOÉ - A classificação indicativa poderia ajudar?
Tendler - O grande problema da classificação indicativa seria o despreparo das pessoas que fazem essa indicação. Vou te dar um exemplo surrealista: meu filme foi indicado para 12 anos por ter "palavras de baixo calão" e "cenas de violência". Quem vê, constata que os palavrões não são gratuitos e a violência é de fundo social. Em plena ditadura fiz JK e Jango, que foram censura livre. Os dois filmes têm cenas de violência também, tem gente sendo assassinada nas manifestações de rua de 68.

ISTOÉ - Qual seria a solução?
Tendler - Não sei, mas sou contra a excessiva permissividade que vivemos hoje. Em um dos episódios da série Malu mulher, dos anos 80, um dos personagens tenta o suicídio. Quando a série passou na Suécia, esse episódio não foi ao ar. A sociedade sueca se deu ao direito de dizer: "Isso não passa na nossa televisão." Acho que a gente tem que ter uma preocupação com nossos jovens. Não sou careta, mas acho que vivemos numa sociedade excessivamente permissiva e de muita liberalidade. Estamos acostumados a ver drogas e sexo, tudo circulando com naturalidade. Acho que devíamos ter uma organização maior da sociedade para tratar disso. O que eu não acredito é na capacidade de esses organismos estatais fazerem essa regulação por nós. São um bando de burocratas, completamente despreparados.

ISTOÉ - O meio ambiente é um tema que o sr. pensa em levar para as telas?
Tendler - Sou contra esse terrorismo internacionalista do tal desenvolvimento sustentável. O Al Gore vem com esse filme falando de meio ambiente (Uma verdade inconveniente), mas o cara já foi vice-presidente dos Estados Unidos. Já poderia ter feito pelo menos um terço daquilo que ele prega no filme. Ele só passa a ter preocupação ecológica quando vira cineasta? Como vice-presidente não? Quero discutir o que é esse tal desenvolvimento sustentável, quero saber o que vai ser essa terra daqui a 40 anos dentro de um ponto de vista menos catastrófico, menos terrorista.

ISTOÉ - O sr. acredita que o brasileiro pode recuperar a fé na política?
Tendler - Como disse Milton Santos, a gente precisa encher de conteúdo a palavra democracia, já que quando falamos sobre democracia hoje não sabemos exatamente sobre o que estamos falando. Ficamos apenas com a forma. A gente elege uma pessoa e não sabemos para quê. Não sabemos qual o seu programa político, o que ele vai fazer com nosso voto. Todo dia você ouve falar, por exemplo, em reformas. Reforma tributária, reforma política... O que são essas reformas? Qual o conteúdo? Você sabe o que os políticos estão discutindo em Brasília? Cada dia está pior a convivência entre o cidadão e a política, está cada vez mais difícil o cidadão se ver efetivamente representado pelo Congresso Nacional. Mas sem a política a gente não avança
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Óleos Liza e Soya terão alerta "contém soja transgênica" Imprimir E-mail
ImageClique aqui para ouvir(1´40´´ / 395 Kb) - A Promotoria de Justiça do Consumidor da Capital (SP) decidiu que os óleos de soja das marcas "Liza" e "Soya" devem colocar em seus rótulos os alertas "contém soja transgênica" ou "produto produzido a partir de soja transgênica". Os produtos pertencem às empresas Cargill e Bunge Alimentos, respectivamente.

A decisão só foi tomada após a Organização Não Governamental (ONG) Greenpeace ter feito uma pesquisa de campo que denunciou a utilização de soja geneticamente modificada por parte da Cargill e da Bunge para a produção de óleo, fato que não estava sendo divulgado pelas empresas.

O advogado do Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC), Paulo Pacini, adverte que a Cargill e a Bunge não são as únicas empresas que deviam ser notificadas.

“Não se tem notícias de nenhum produto no mercado brasileiro que tenha contenha essa informação e paralelamente a isso sabemos que o consumidor aqui no Brasil tem ingerido produtos com conteúdo transgênico”.

Paulo Pacini afirma que a não divulgação de informações a respeito de seus produtos mostra uma falta de ética por parte destas empresas.

“A obrigação das empresas de informar aos seus consumidores se determinado produto é transgênico ou não é uma questão ética. As empresas devem informar a qualquer consumidor sobre todas as características de seu produto. Não bastasse isso, nós temos o Código de Defesa do Consumidor que assegura a todos os consumidores estas mesmas informações”.

De São Paulo, da Radioagência NP, Juliano Domingues.

21/09/07

Um ano de Lei Maria da Penha

16:28 @ 25/09/2007

Um ano de Lei Maria da Penha: vitória das mulheres, diz advogada Imprimir E-mail
ImageClique aqui para ouvir(1'36'' / 377 Kb) - Sancionada no dia 21 de setembro de 2006, a Lei Maria da Penha, que trouxe mais rigor aos casos de violência contra mulher, completou um ano na última sexta-feira (21). Para a advogada e assessora do Centro de Estudos Feministas e Assessoria (Cfemea) Milena Calazans, a data é importante para ressaltar os avanços trazidos pela lei.

De acordo com Calazans, a aprovação da lei fez com que a violência contra a mulher fosse reconhecida como um problema muito sério, dentro de uma sociedade que “até pouco tempo achava normal a agressão”.

Além da mudança cultural, Calazans também aponta avanços dentro do Judiciário.

“A lei vem trazer uma dimensão de gênero para a concepção do direito, que exige desde a criação de uma estrutura específica e aí vai necessitar de capacitação destes profissionais. Então, é também visível uma mobilização do poder judiciário em articulação com o movimento social”.

Outro avanço foi a resolução aprovada pelo Conselho Nacional de Justiça recomendando a criação de juizados especiais de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher em todos os Tribunais de Justiça estaduais.

Após a aprovação da lei Maria da Penha, o número de denúncias registradas por conta de agressão às mulheres caiu cerca de 50% no Distrito Federal. Fato que levou algumas entidades a suspeitar da eficácia da nova lei.

Porém, em Pernambuco, as ocorrências aumentaram mais de 3000%. Para Calazans, qualquer conclusão agora é prematura, já que os dados ainda estão sendo fechados pela Secretaria Especial de Políticas para Mulheres.

De São Paulo, da Radioagência NP, Vinicius Mansur.

21/09/07