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Vestibular dificulta acesso à Universidade

O vestibular é uma forma de resolver o problema gerado com o baixo número de vagas nas universidades para a grande quantidade de candidatos. A avaliação é da professora Conceição Paludo.

Porto Alegre - O vestibular é uma forma de resolver o problema gerado com o baixo número de vagas nas universidades para a grande quantidade de candidatos. A avaliação é da professora Conceição Paludo, que coordena os programas de convênio com movimentos sociais na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs).

O vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que terminou nesta quarta-feira, teve 37.845 inscritos, mas apenas 4.212 conseguirão entrar na UFRGS. A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) divulgou a lista de classificados nesta quinta-feira. Apenas 1.543 dos 11 mil candidatos terão direito a entrar na instituição. Já a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que conclui seu vestibular nesta sexta, teve 20.747 candidatos disputando apenas 2.834 vagas.

Para Conceição Paludo, o ideal seria que todos os jovens tivessem a oportunidade de acessar a Universidade. “Na verdade, deveria se proporcionar a todos os jovens a oportunidade de cursar a Universidade. O vestibular é uma forma de contenção de uma demanda que existe. Deste ponto de vista, deveria se rever os meios. Todas as pessoas que concluíssem o segundo grau e desejassem  cursar a Universidade, deveriam poder fazer. Isso é o mais democrático possível. Efetivamente, seria o ideal. Agora, entre o ideal e o real, há uma diferença bastante substantiva, porque o vestibular contém a demanda.”

A educadora explica que o vestibular acaba sendo uma maneira de conter a grande demanda por vagas na Universidade, criando a idéia de que só os melhores candidatos têm direito a ingressar no ensino superior. “Conclui o segundo grau uma porção de jovens que querem ir para a Universidade. A universidade privada é demasiadamente cara e eles não podem pagar. A universidade pública não oferece vagas para todos. Qual é a força de conter essa demanda? É fazendo o vestibular. Porque há uma demanda reprimida. E aí, os negros resolvem fazendo a discussão das cotas. Algumas universidades já reservam vagas específicas para as pessoas que possuem menos condições econômicas. Os movimentos sociais força, na medida em que eles discutem as vagas nas universidades e realizam convênios. Então, há diferentes formas de os empobrecidos desse País buscarem resolver essa questão de eles poderem acessar a universidade”, afirma.

Conceição Paludo acredita que as cotas na universidade e convênios com os movimentos sociais são algumas das alternativas, que já vêm sendo implementadas. “Eu penso que iniciativas como a das cotas, de reserva de vagas para quem não tem condições de pagar sua universidade, convênio com movimentos sociais, são tudo formas alternativas para garantir um direto que, na prática, a sociedade não consegue viabilizar a todos”, afirma.

Um dado divulgado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) mostra o perfil dos estudantes que buscam a universidade pública. De acordo com a UFSM, mais de 14 mil candidatos do vestibular 2007, ou seja, 68% do total, são estudantes que não trabalham e são mantidos pela família.

http://www.agenciachasque.com.br

PROJETO PEDAGÓGICO

01:19 @ 13/07/2008

Projeto Pedagógico

 

Também denominado PROPOSTA PEDAGÓGICA, é a síntese dos princípios, diretrizes e prioridades estabelecidas pela equipe escolar a partir dos objetivos educacionais e da definição dos resultados a serem atingidos, sempre voltados para a melhoria da aprendizagem dos alunos e do desempenho da escola.


A proposta pedagógica deve ser elaborada a partir das informações obtidas junto à comunidade (variáveis exógenas, ou seja, exteriores à escola) e junto à própria escola (variáveis endógenas, ou seja, informações internas, a serem fornecidas por todos os que trabalham e convivem no ambiente escolar (alunos, professores, direção, pais e todos os funcionários).

Os objetivos e metas do PROJETO PEDAGÓGICO devem ser elaboradas a partir das necessidades, limitações, expectativas e potencialidades da comunidade, dos alunos, da equipe escolar, levando em conta os recursos pedagógicos e materiais existentes na escola.

Deve conter, no mínimo, as seguintes informações:

- as competências e habilidades que os alunos precisam desenvolver
- os conceitos integradores e os conceitos significativos
- os contextos significativos
- as informações e conhecimentos anteriores que possuem, tanto os alunos quanto os professores
- os materiais e procedimentos a serem utilizados
- a organização do espaço e as relações na sala de aula
- as relações interpessoais
- a organização do tempo
- os projetos a serem desenvolvidos.

No Ensino Fundamental, o PROJETO PEDAGÓGICO deve ter como objetivo a formação do cidadão, fornecendo ao aluno, ainda, subsídios necessários à sua melhor inclusão social.

Para o Ensino Médio, além do reforço da consciência cidadã, deve-se preparar o aluno para as incertezas e a provisoriedade da vida social atual e especificamente a vida profissional, além de trabalharmos, junto a eles, a formação de atitudes para o trabalho.

 

 

Complexidade da Organização Escolar

 

A(s) escola(s) é(são) múltipla(s), conjuntos, sistemas - o que requer competências administrativas para traduzir essa complexidade dos sistemas em benefício ao atendimento da finalidade que a Escola tem. Contudo, a Escola em si é complexa. A finalidade que busca não é simples de ser conseguida.

Precisa da contribuição de vários profissionais especializados professores/equipepedagógica/direção/coordenação/orientação/equipe de apoio.

A organização da Escola é competência de todos - dentro e fora da sala de aula.

A sala de aula é determinada pelo que a circunda para além de suas paredes - e, em certa medida, interfere para além de suas paredes. Como é durante a aula que se dá a essência

da Educação Escolar, é para ela que devem convergir as várias competências dos profissionais da Escola - o que não significa que todos atuarão na sala de aula!; o que não

significa, também, que nela só atuam os professores!; o que não significa, também, que os professores só atuam ali!; nem que as equipes pedagógicas e de apoio só atuam fora dali!; nem que aí só elas atuam.

Enfim, a organização da Escola é coletiva - requer o concurso de especialistas que atuem coletivamente.

 

http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_16_p078-083_c.pdf

 

 

 

Qual é a principal função do coordenador pedagógico?


O coordenador pedagógico exerce funções como: executar e acompanhar avaliando as ações previstas no projeto pedagógico da escola, auxiliando a direção e integrando a equipe escolar no desenvolvimento dessas ações, nos ensinos fundamental e médio, articulando o trabalho entre a escola e a equipe de supervisão e oficina pedagógica da D.E. Sua principal função é subsidiar os professores no desenvolvimento de suas atividades, garantindo o trabalho pedagógico em sala de aula organizando e participando ativamente dos trabalhos coletivo em HTPCs, trazendo informações e trocando idéias com todos os professores colocando em discussão a troca de experiências bem sucedidas.Também auxilia a direção na relação escola e comunidade.

http://www.aproesp.com.br/areas/artigos/delamare1.htm

 

 

O Coordenador pedagógico e o universo escolar

17/11/2004 - ISABEL CRISTINA MIZIARA

 


No imenso e diversificado universo escolar, dentre os muitos atores que nele atuam, encontramos o Professor Coordenador Pedagógico (PCP) que, em algumas regiões do país, é chamado de supervisor ou orientador. Esta figura tem sido cada vez mais necessária nas instituições escolares para que esta construa uma identidade própria, a partir das muitas relações estabelecidas em seu interior, atendendo a sociedade na qual se insere de forma apropriada, face às "[...] transformações que vêm ocorrendo no mundo contemporâneo, em conseqüência dos processos de globalização, afetando a sociedade mundial e o nosso país". (FERREIRA, 1998) Para atender tal demanda, o PCP precisa manter-se constantemente atualizado, realizando leituras específicas da sua área de atuação, bem como a respeito de assuntos da contemporaneidade social.

Este profissional da educação exerce muitas funções nas instituições escolares, sejam elas públicas ou privadas. Aqui estarão elencadas somente algumas delas, por acreditar que, dentre todas, estas são atividades indissociáveis ao Coordenador Pedagógico.

Propiciar momentos de estudos para e com os educadores com os quais trabalha, num processo de educação continuada dentro do ambiente escolar, é atividade primordial do Coordenador Pedagógico. Ele deve incumbir-se de garantir, orientar e auxiliar esta formação, a fim de que os professores desenvolvam e aperfeiçoem suas habilidades, renovando conhecimentos, repensando a práxis educativas, buscando novas metodologias de trabalho, aliando teoria e prática, uma vez que não existe a possibilidade de dicotomia entre uma e outra, pois toda ação humana é intencional, tenha-se consciência disto ou não. Esta atitude traz como conseqüência a obrigatoriedade de se realizar periódicas avaliações acerca do desempenho dos professores bem como da própria ingerência neste campo, sendo um feedback fundamental para a melhoria da qualidade do ensino oferecida pela escola.
A valorização e conseqüente motivação dos professores, também é incumbência crucial do Coordenador, como em Lück (2002),

A motivação é o empurrão ou a alavanca que estimula as pessoas a agirem e a se superarem. A motivação é a chave que abre a porta para o desempenho com qualidade em qualquer situação, tanto no trabalho, como em atividades de lazer, e também em atividades pessoais e sociais.

Entretanto, esta valorização é uma tarefa que demanda percepção, observação e comunicação, para conseguir enxergar no outro sua essência enquanto ser humano, não se balizando somente nas competências ou deficiências que o professor apresente. É necessário vê-lo como um todo, como uma pessoa completa, com qualidades e defeitos, conforme observamos em Fullan e Hargreaves, 2000. Além disso, expressar aquilo que se valoriza é altamente eficaz no sentido de estimular o educador a progredir e envolver-se, constantemente, com as questões educacionais.

No extremo oposto tem-se o aluno, que precisa de acompanhamento incessante para formar-se integralmente enquanto cidadão do mundo. Mais uma vez entra em cena a figura do Coordenador Pedagógico, fazendo as intervenções necessárias junto aos alunos, professores e pais. Ao atuar como catalisador e mediador das relações pais/professores/alunos, evitando o desgaste entre estes pólos da escola, agindo com equilíbrio e ponderação, orientando cada qual em busca da melhor solução para os problemas e otimizando as relações interpessoais da comunidade escolar, determina-se, como desejo último, o bem-estar e o progresso escolar dos educandos dentro do processo de ensino-aprendizagem.

Outra função inerente a este cargo é a elaboração do Projeto Político Pedagógico da unidade escolar em parceria com a direção e o corpo docente, dentro de uma visão democrática de gestão escolar. Esta elaboração conjunta permite que o PCP ouça os anseios de seus pares em busca de melhores caminhos, auxiliando no processo de estabelecimento de metas e objetivos a serem alcançados por todos, oportunizando uma relação de co-responsabilidade por parte dos professores, tanto para os acertos quanto para as dificuldades ou falhas que possam advir. Esta iniciativa remete ao desenvolvimento de uma cultura escolar de cooperação, agregando imensos benefícios à escola e ao processo de ensino-aprendizagem, haja vista que a causa passa a ser comum a todos, num clima de reciprocidade e confiança. Outrossim, sugerir à Direção da escola a implantação de projetos que viabilizem atitudes e posturas inovadoras no processo de formação e aquisição de conhecimentos, com vistas ao desenvolvimento global da unidade escolar, é outra iniciativa desejável.

Assim, constata-se que, a despeito de ser uma presença recente no meio escolar, o Professor Coordenador Pedagógico tornou-se indispensável, uma vez mantendo-se numa postura equânime, consegue articular todos os integrantes do processo ensino-aprendizagem.


REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Laurinda R.; BRUNO, Eliane B. G.; CHRISTOV, Luiza Helena da S. (Org.) O Coordenador pedagógico e a formação docente. São Paulo: Loyola, 1999. 93p.
FERREIRA, Naura S. Carapeto (Org.). Gestão democrática da educação: atuais tendências e desafios. São Paulo, 1998. 55p.
FULLAN, Michael. HARGREAVES, Andy. A escola como organização aprendente. Buscando uma educação de qualidade. Porto Alegre: Artmed, 2000. 136 p.
GUIMARÃES, Ana Archangelo et al. O Coordenador pedagógico e a educação continuada. São Paulo, Loyola. 7. ed.,2004. 55 p.
LÜCK, Heloísa et al. A escola participativa o trabalho do gestor escolar.Rio de
Janeiro, DP&A. 6. ed., 2002. 166 p.



Sobre ISABEL CRISTINA MIZIARA:
Formação:
Pedagoga, formada pela Universidade do Sagrado Coração -Bauru/SP

Histórico:
Coordenadora Pedagógica do Ensino Fundamental I, do Colégio Fênix de Bauru/SP



http://www.gestaouniversitaria.com.br/scripts/print_materia.php?id=507&print=y



A EMERGÊNCIA DO CYBERSPACE E AS MUTAÇÕES CULTURAIS

 

Pierre Lévy

 O que seria o espaço cibernético?

O espaço cibernético é um terreno onde está funcionando a humanidade, hoje. É um novo espaço de interação humana que já tem uma importância enorme sobretudo no plano econômico e científico e, certamente, essa importância vai ampliar-se e vai estender-se a vários outros campos, como por exemplo na Pedagogia, Estética, Arte e Política.

O espaço cibernético é a instauração de uma rede de todas as memórias informatizadas e de todos os computadores. Atualmente, temos cada vez mais conservados, sob forma numérica e registrados na memória do computador, textos, imagens e músicas produzidos por computador. Então, a esfera da comunicação e da informação está se transformando numa esfera informatizada. O interesse é pensar qual o significado cultural disso. Com o espaço cibernético temos uma ferramenta de comunicação muito diferente da mídia clássica, porque é nesse espaço que todas as mensagens se tornam interativas, ganham uma plasticidade e têm uma possibilidade de metamorfose imediata. E aí, a partir do momento que se tem o acesso a isso, cada pessoa pode se tornar uma emissora, o que obviamente não é o caso de uma mídia como a imprensa ou a televisão. Então, daria para a gente fazer uma tipologia rápida dos dispositivos de comunicação onde há um tipo em que não há interatividade porque tem um centro emissor e uma multiplicidade de receptores. Esse primeiro dispositivo chama-se Um e Todo.

Uma outra versão é o tipo Um e Um, que não tem uma emergência do coletivo da comunicação, como é o caso do telefone. O espaço cibernético introduz o terceiro tipo, com um novo tipo de interação que a gente poderia chamar de Todos e Todos, que é a emergência de uma inteligência coletiva.

Do interior do espaço cibernético encontramos uma variedade de ferramentas, de dispositivos, de tecnologias intelectuais. Por exemplo, um aspecto que se desenvolve cada vez mais, nesse momento, é a inteligência artificial. Há também os hipertextos, os multimídia interativos, simulações, mundos virtuais, dispositivos de tele-presença. É preciso não esquecer, por outro lado, que a própria mídia hoje está numa hibridação com o espaço cibernético, onde ela se vê obrigada a se abrir para isto...

Mas, o que há de comum entre todas essas tecnologias, entre todas essas formas de mensagens?

O que implica uma mensagem numerada e os outros tipos de mensagens?

 Uma mensagem numeralizada se caracteriza pelo fato de que se pode controlar essa estrutura de perto e de maneira muito fina. Então, os bits da informática são como gens na genética, isto é, a microestrutura. Fazem parte de um conjunto de tecnologia e vão em direção a um controle molecular de seu objeto, o que dá uma fluidez a todas essas mensagens e lhes dá também a possibilidade de uma circulação muito rápida.

O que há em comum em todas as bases nos bancos de dados do espaço cibernético?

Não são as mensagens fixas, mas um potencial de mensagens e que, dependendo de quem vai utilizá-los, vai para uma direção ou outra. O que acontece é que, com isso, se recupera a possibilidade de ligação com um contexto que tinha desaparecido com a escrita e com todos os suportes estáticos de formação. É possível através disso reencontrar uma comunicação viva da oralidade, só que, evidentemente, de uma maneira infinitamente mais ampliada e complexificada. Por exemplo, é isto que observamos com o que acontece, hoje, com o hipertexto ou multimídia interativa. O importante é que a informação esteja sob forma de rede e não tanto a mensagem porque esta já existia numa enciclopédia ou dicionário.   

Portanto, a verdadeira mutação se passa noutros aspectos. Em primeiro lugar, não é mais o leitor que vai se deslocar diante do texto, mas é o texto que, como um caleidoscópio, vai se dobrar e se desdobrar diferentemente diante de cada leitor. O segundo ponto é que tanto a escrita como a leitura vão mudar o seu papel, porque o próprio leitor vai participar da mensagem na medida em que ele não vai estar apenas ligado a um aspecto. O leitor passa a participar da própria redação do texto à medida que ele não está mais na posição passiva diante de um texto estático, uma vez que ele tem diante de si não uma mensagem estática, mas um potencial de mensagem.

Então, o espaço cibernético introduz a idéia de que toda leitura é uma escrita em potencial. O terceiro ponto que, sem dúvida, é o mais importante, é que estamos assistindo uma desterritorialização dos textos, das mensagens, enfim, de tudo o que é documento: tanto o texto como mensagem se tornam uma matéria.     

Assim como se diz “tem areia”, “tem água” se diz “tem textos”, “tem mensagens” pois eles se tornam matérias como se fossem fluxos justamente porque o suporte deles não é fixo, porque no seio do espaço cibernético qualquer elemento tem a possibilidade de interação com qualquer outro elemento presente. Então, isso não é uma utopia daqueles que experimentaram, conhecem e participam da Internet. É como se todos os textos fizessem parte de um texto, só que é o hipertexto, um autor coletivo e que está em transformação permanente. É como se todas as músicas passassem a fazer parte de uma mesma polifonia virtual e potencial, como se todas as músicas fizessem parte de uma só música, também ela virtual e potencial. Acredito que o texto não vai absolutamente desaparecer com a informatização. O que vai desaparecer é a noção de página, porque na etimologia a página se refere a um campo e um campo com proprietário, com fronteiras delimitadas . Esta página com o campo circunscrito está desaparecendo uma vez que os elementos que a compõem navegam nos fluxos.     

O espaço cibernético envolve, portanto, dois fenômenos que estão acontecendo ao mesmo tempo: a numerizaqção que implica essa plasticidade de potencial de todas as mensagens seria o primeiro aspecto e o fato de que as mensagens potenciais são postas em rede e fluxo é o segundo fenômeno.     

Desta forma, o espaço cibernético está se tornando um lugar essencial, um futuro próximo de comunicação humana e de pensamento humano. O que isso vai se tornar em termos culturais e políticos permanece completamente em aberto, mas, com certeza, dá para ver que isso vai ter implicações muito importantes no campo da educação, do trabalho, da vida política, das questões dos direitos, como por exemplo, no direito de propriedade. Hoje não se pode ter um projeto técnico se você não tiver uma visão cultural organizadora desse projeto, assim como não se pode ter um projeto cultural sem incluir a técnica.

Por isto, é difícil estar distinguindo essas dimensões sociais, culturais e técnicas.     

 

 POSTADO POR MARTA BORGES


A TV Digital Interativa no Espaço Educacional 

Autores: Prof. Dr. Sergio Ferreira do Amaral  -  Professor na Faculdade de Educação da Unicamp   e Engº  Daniel Moutinho Pacata - CPqD 

    A sociedade da informação e do conhecimento, é um território de preocupação constante. Constitui sem dúvida, um dos campos decisivos de transformação da cultura e da educação de nossos dias.  

     As mudanças no sistema escolar, em função da chegada das novas tecnologias do conhecimento, nos remetem a necessidade de estudar a relação entre comunicação e educação de modo interdisciplinar baseado nas reflexões teóricas dessas duas áreas procurando resgatar a unidade intrínseca destes tratados que nem sempre se encontraram unidos.    

     Esta inter-relação comunicação e educação não é um processo relativamente novo, mas se nutre de fontes bem consolidadas. Vem configurada por um saber teórico que procede das ciências da comunicação aplicadas aos meios. Complementa-se , com as fontes da pedagogia e da didática, que são capazes de explicar e compreender os processos de ensino e aprendizagem que acontecem tanto nos ambientes formais como nos informais. 

     O final do século XX colocou nas instituições escolares um novo cenário tecnológico: repleto de satélites de comunicação, de fibra óptica, de informação digitalizada, de computadores, de realidade virtual, em resumo no meio de uma grande explosão de comunicação audiovisual. Toda essa explosão tecnológica, no entanto, trouxe também um novo cenário social: globalização, desenvolvimento do comércio internacional, mudança na produção industrial, transformação de valores culturais. 

      As instituições  escolares vem enfrentando todas essas mudanças com crises e contradições: reformas, recursos insuficientes, desmotivação de estudantes e professores, desorientação e incertezas. A tecnologia, de uma perspectiva global, influiu nesta situação mais pelos efeitos que foram gerados do que pela incidência no seu interior. O fato é que, a incorporação  tecnológica na educação é pobre e lenta principalmente em países como o nosso, isto explica a pressão e a necessidade das mudanças. 

      O consumo das novas tecnologias de comunicação, em especial da Internet e da Televisão são uma realidade inquietante, não só pela quantidade de tempo que diariamente são dedicados a estes meios, pelos diversos setores da sociedade, mas também, pelos valores das mensagens transmitidas. Hoje em dia, praticamente tudo é visto pela tela da televisão ou pela tela do computador. Assim,  é necessário que a instituição escolar esteja preparada para educar com os meios. A educação terá que capacitar pessoas que irão enfrentar um mundo digital de uma forma reflexiva e crítica.  

     A integração do sistema clássico da TV com o mundo das telecomunicações da informática onde  a internet possibilita a interação e navegação, fez surgir a nova televisão, a TV Digital Interativa. 

     A educação para o uso da TV Digital Interativa encontra sua máxima expressão quando professores e alunos têm a oportunidade de criar e desenvolver através dos meios suas próprias mensagens. A expressão através da TV Interativa, como estratégia motivadora e desmitificadora, requer , portanto, não apenas decifrar a linguagem da comunicação, mas sim servir-se dela.  

   Incorporando esta experiência, alunos e professores podem perceber significativamente a construção da realidade  que todo conteúdo mediático comporta. Esta faceta expressiva é fundamental para conseguir o objetivo de uma educação com os meios.  

  A TV Digital abre as portas, de uma maneira muito especial, para a alfabetização audiovisual  permanente, possibilitando e fomentando nos espectadores a capacidade de produzir e analisar suas próprias mensagens. Utilizando a TV desta forma, estaremos propiciando uma educação que promova uma intervenção social e coletiva crítica imprescindível para uma formação de cidadania. 

   A televisão, na sociedade capitalista segundo os teóricos críticos da escola de Frankfurt é  vista como um agente socializador e formador de opinião. O homem, no modelo tradicional de comunicação (emissor-mensagem-receptor), torna-se objeto e a sua finalidade última é o consumo. A introdução da interatividade na TV, coloca em crise este modelo, já que o receptor não será mais um receptor passivo e, sim um receptor ativo. 

      Admitir tal realidade encaminha-nos para o futuro do uso didático da TV na escola. A interatividade, característica dos novos meios, adquire um sentido pleno no terreno educativo.  

      Educar através da nova televisão, portanto, vai exigir que educadores e comunicadores afrontem três grandes tarefas: a compreensão intelectual do meio, a leitura crítica de suas mensagens e a capacitação para a utilização livre e criativa. 

Os caminhos entre a nova TV que será interativa não são contrários aos caminhos da escola. Estes caminhos se cruzam e se revelam na procura de novas aprendizagens, do entendimento e da vida. 

     O CPqD e a Faculdade de Educação da Unicamp, antecipando-se à esperada difusão da TV Digital, estão desenvolvendo tecnologias de serviços para esta plataforma de comunicação. Em função da sua importância, a teleducação  e a inclusão digital foram escolhidas como temas principais. As tecnologias desenvolvidas não se limitam, no entanto, a somente essas aplicações, elas poderão e deverão ser aplicadas no desenvolvimento de novos serviços que abordem outros temas, tais como, telemedicina, entretenimento, mensagem, comunicação, transação e informação. Os dados na forma de vídeo, áudio, gráfico e texto poderão utilizar a futura plataforma de TV Digital para serem acessados, baixados, armazenados e vistos mais tarde, de forma que a TV possa ser um meio tão rico de acesso à informação propiciando uma inclusão digital para as camada mais carentes da nossa sociedade, tendo em vista que 89% dos lares brasileiros tem uma TV

     O serviço apresentado neste artigo faz parte do Projeto de TV Digital Interativa que está sendo desenvolvido no CPqD com recursos do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel). Este projeto é subdividido em três sub-projetos:

  1. o primeiro projeto visa a implantação de uma Estação de Serviços Experimentais, sendo a primeira estação de transmissão aberta em TV Digital Interativa no Brasil, a ser instalada em Barão Geraldo - Campinas - SP;
  2. o segundo projeto é o de desenvolvimento de serviços interativos para a TV Digital centrado em serviços para a teleducação que tem como eixo uma pedagogia comunicacional de apoio ao professor em sala de aula, apoio ao estudante em casa e a interação pais - escola tomando como campo experimental 03 escolas de ensino fundamental localizada em Barão Geraldo - Campinas - SP.
  3. e o terceiro projeto de desenvolvimento de serviços para a convergência da rede de radiodifusão com a rede de computadores (Internet).

 

     O perspectiva da implantação destes serviços na comunidade envolvida é o desenvolvimento de um papel ativo, ao invés da passividade tradicional dos meios propiciando a elaboração de propostas que possibilitem a relação da TV Digital e o telespectador ativo, participativo e crítico dos meios, na escola e fora dela. 

     Assim, estaremos oferecendo uma seqüência de atividades sistematizadas sobre o uso da TV Digital na comunidade escolar, de maneira que a educação audiovisual deixe de ser uma exceção no decorrer do ano letivo e se converta em um dos objetivos educativos. 

    Finalmente,  estaremos buscando uma proposta inovadora de interação dos meios com a escola e sua comunidade que trate a educação audiovisual de maneira interdisciplinar, na    tentativa de integrar experiências  anteriores e abrindo caminho para o futuro do qual seguramente  fazem parte as novas tecnologias.   

 Postado por Marta em 12/07/2008