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Substância de veneno de aranha pode salvar neurônios, diz pesquisa

Batizada de parawixina1, molécula retira excesso de mensageiro químico das células.
Processo impede morte neuronal e tem potencial para ajudar pessoas com Alzheimer.
 
Reinaldo José Lopes Do G1, em São Paulo

 

Ao investigar o veneno de uma aranha do cerrado, pesquisadores da USP de Ribeirão Preto encontraram uma molécula capaz de agir como salva-vidas dos neurônios. A substância, afirmam eles, poderia ser útil para enfrentar problemas hoje sem solução, como o mal de Alzheimer, a esclerose lateral amiotrófica e outras doenças do sistema nervoso.

 

Foto: Divulgação
A aranha Parawixia bistriata, fonte da parawixina1 (Foto: Divulgação)

 

 

A pequena molécula foi batizada de parawixina1, em homenagem à espécie de aranha da qual é derivada, a Parawixia bistriata. "Não se sabia nada a respeito da peçonha desse animal. O que se tinha eram alguns trabalhos incompletos sobre a sua biologia", conta Wagner Ferreira dos Santos, professor da USP de Ribeirão Preto. Santos e seu colega Joaquim Coutinho-Netto orientaram conjuntamente o trabalho de doutorado de Andréia Fontana, que comprovou as propriedades neuroprotetoras da substância em experimentos com ratos.

 

A chave para entender a ação potencialmente salvadora da molécula é um dos principais neurotransmissores (mensageiros químicos do sistema nervoso), o glutamato. Viajando de neurônio para neurônio, o glutamato é essencial para todo tipo de ação. Mas, como em tudo na vida, o exagero nunca é bom. Por isso, em condições normais, a atividade do glutamato é contrabalançada por outro neurotransmissor, o ácido gama-aminobutírico, ou Gaba.  

 

 Perigos do excesso

Se, por algum motivo, passa a ver uma sobra de glutamato, o risco para a própria sobrevivência dos neurônios é considerável, diz Santos. "O excesso de glutamato permite a entrada, por exemplo, de íons de cálcio [átomos eletricamente carregados de cálcio] nos neurônios. Juntamente com outros fatores, isso leva à morte dessas células. Isso acontece no mal de Alzheimer, na ELA [esclerose lateral amiotrófica] e em outras doenças agudas e crônicas do sistema nervoso", afirma o pesquisador da USP.

 

Foi com base nesse dado que os pesquisadores começaram a ligar os pontos do trajeto que os levou à parawixina1. "A aranha paralisa insetos para se alimentar. E essa paralisia é decorrente de um bloqueio da ação do glutamato", afirma Santos. E se fosse possível usar justamente essa propriedade do veneno do bicho para reverter os efeitos deletérios do glutamato sobrando? Uma vantagem, pelo menos, havia no caso da Parawixia bistriata, conta o pesquisador: o bicho forma grandes ninhos de tempos em tempos, o que permite a coleta de muitas aranhas -- e portanto, muita matéria-prima de uma vez só.

 

Foto: Divulgação
Formação de ninhos da espécie favore sua coleta (Foto: Divulgação)

 

 Pelo que a equipe viu até agora, a idéia foi um acerto na mosca. Eles observaram que a parawixina1 é capaz de arrancar o glutamato excessivo do interior dos neurônios. No experimento com ratos, a substância impediu a morte das células nervosas da retina dos bichos. Nenhum dos medicamentos disponíveis hoje é capaz de façanha parecida.

 

Agora, os pesquisadores querem finalizar a análise da estrutura molecular da substância, um passo importante para entender exatamente como ela age. Segundo Santos, o próximo passo seria sintetizar a molécula em laboratório, para viabilizar novos testes e, em última instância, produzi-la em larga escala. Para isso, no entanto, ele diz que a equipe dependerá de uma parceria com a iniciativa privada. Essa é a grande dificuldade, na opinião do pesquisador. "Todos querem o remédio já pronto para vender", afirma ele.

 

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL638848-5603,00-SUBSTANCIA+DE+VENENO+DE+ARANHA+PODE+SALVAR+NEURONIOS+DIZ+PESQUISA.html

 

Enviada por:
Carlos Ramos.
 
Publicado por:
Normando Oliveira. 
 
Membro Fundador da Comunidade ELA / ALS_Brasil.

 

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