Grupos

Reunião da AbrELA

13:07 @ 03/02/2007

A AbrELA – Associação  Brasileira de  Esclerose  Lateral  Amiotrófica,  convida V.S.ª, para a Reunião de  Cuidadores,  Familiares e  Pacientes  de  ELA, que se realizará em 10.02.2007, das 9h às 12h30, no Espaço Cultural, Rua Borges Lagoa, 770, Vila Clementino – São Paulo

TEMA: Esclerose Lateral Amiotrófica – Doença X Saúde – Perspectivas do Curar

9h às 9h15 – Abertura: Sr. Abrahão Augusto J. Quadros – Presidente da  AbrELA

9h15 às 10h45 – “Perspectivas do Curar”: Lígia Masagão Vitali – Psicóloga

10h45 às 11h – “Espiritualidade e Cuidados”: Pastor  Nino – Capelania do Hospital São Paulo

11h às 11h15 – “Espiritualidade e Cuidados”: Dr. Roger Soares – Faculdade de Teologia Umbandista

11h15 às 11h30 – “Os olhos falam”: Vania de Castro Moreira – Psicóloga

11h30 às 12h – Dr. Acary Souza Bulle Oliveira

12h às 12h20 – Coral da Guarda Civil Metropolitana (a confirmar)

12h20 às 12h30 – Encerramento: Roberto Dias B. Pereira – Vice-Presidente da AbrELA

Transmissão via Paltalk – Instruções no site http://www.tudosobreela.com.br/

 

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ESCLEROSE LATERAL AMIOTRÓFICA

 

Rua Pedro de Toledo, 377 - Vila Clementino 

 São Paulo - SP - CEP 04039-000

Tel/Fax: (011) 5579.2668 E-mail: abrela99@hotmail.com   

 Site: http://www.tudosobreela.com.br/

 

Doações: Banco Real - Ag. 0919 - Conta Corrente 6003216-5

CGC. 02.998.423/0001-78 - Utilidade Pública Municipal :

Decreto 43.282 de 29.05.03

 

Fala sério ! isso que é PAC (Plano de Aceleração e Crescimento).

Normando Oliveira.
http://www.normando.xpg.com.br/

 

NOVAS DROGAS ESTÃO SURGINDO COMO SOLUÇÃO PARA DOENÇAS GENÉTICAS

PAC e PPP, PPP e PAC

Por Rogério Tuma

Dois exemplos de como o governo e os investidores podem ajudar a saúde, ainda pensando no dinheiro


*Uma nova leva* de drogas está surgindo como solução para doenças genéticas e para o câncer. São medicamentos que revertem o erro genético que provoca a doença, reativando um gene que está presente, mas que, por algum motivo, não exerce seu papel. Duas linhas de pesquisa são extremamente promissoras e merecem a atenção de todos, e especificamente de investidores.

Uma delas culminou com a publicação de dois artigos independentes – isto é, dois laboratórios chegaram a resultados iguais e em tempos iguais. Ambos mostraram a possibilidade de despertar um gene que, adormecido, permite o desenvolvimento de vários tipos de tumores malignos. O gene é o p53 e os dois pesquisadores são Tyler Jacks, do Massachusetts Institute of Technology, e Scott Lowe, do Cold Spring Harbor Laboratory. Os artigos foram publicados pela revista *Nature* em 24 de janeiro. Belo empate!

Na verdade, os dois grupos* colaboraram entre si. Usando técnicas diferentes, criaram um modelo para desligar o gene, permitindo o aparecimento de tumores em ratos, e depois conseguiram religá-lo. Com isso os tumores foram dizimados, sem prejuízo para a célula normal. Agora, os pesquisadores preparam estudos para acionar o gene em humanos que já tenham tumores por falha no p53. O dinheiro das pesquisas vem do governo e de fundações privadas, como a Howard Hughes. Isso é Parceria Público-Privada (PPP).

Recentemente, foi anunciada a liberação de verba privada para testar uma nova droga que estimula a produção de um gene ausente na Ataxia deFriedreich – doença que provoca a morte prematura de neurônios, acarretavárias disfunções e impede os enfermos de andar. Esse medicamento recebeu da agência controladora americana a titulação de "droga órfã", que permite testes precoces em humanos. Isso porque o tratamento é altamente promissor contra uma doença para a qual não há terapia comparável. O laboratório Edson recebeu o aval para testar a droga em abril de 2006. A empresa é especializada em desenvolver drogas para doenças da mitocôndria, que é a fábrica de energia de todas as nossas células. Doenças da mitocôndria foram recentemente descritas e somam mais de cem variedades , afetando mais de 100 mil pessoas no mundo. Mas a manipulação do metabolismoda mitocôndria poderá significar também a "cura" para o envelhecimento, isto é, o Santo Graal.

A empresa,* fundada por professores universitários, vai de vento em popa. Quando foi fundada, em 2005, recebeu mais de 8 milhões de dólares de ajudado governo e um aporte de outro laboratório. No fim de 2006, recebeu dinheiro para pesquisar outras doenças. Em dezembro, firmou um acordo com instituições médicas para aplicar sua droga mais promissora, a EPI-A0001, em humanos no início deste ano. Resultados virão em três a cinco anos, mas se até o governo aposta nas emergentes, a empresa tem tudo para dar certo. Imagine a economia para o país ao tirar mais de 100 mil pessoas da cama e da cadeira de rodas e torná-las produtivas por mais 40 anos. Isso é que é Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)!

FONTE: Carta Capital - 30 de Janeiro de 2007 - Ano XIII - Número 429. Saúde PAC e PPP, PPP e PAC - link:
 
http://www.cartacapital.com.br/edicoes/2007/01/429/pac-e-ppp-ppp-e-pac 

 

12/2/2007 11:33:00

Privação de sono afeta os neurônios

Pesquisa mostra que, sem descanso, cérebro pára de produzir células

EUA - A privação de sono pode levar o cérebro a parar de produzir novas células, sugere estudo realizado na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. Experiências em ratos de laboratório indicaram que a falta de sono afeta o hipocampo — uma região do cérebro envolvida na formação da memória.

Foram feitos exames comparando animais impedidos de dormir por 72 horas a outros, que repousaram, e constatou-se que o primeiro grupo apresentava níveis mais altos do hormônio do estresse, corticosterona.

Ele também produziu um número significativamente menor de células no cérebro, neurônios, na região do hipocampo. Quando os níveis de corticosterona foram mantidos em níveis constantes, a redução não ocorreu.

O padrão de sono foi restaurado em uma semana, mas os níveis de produção de células nervosas só foram restaurados em duas semanas. Os pesquisadores disseram que embora o papel da produção de neurônios em adultos continue desconhecido, a inibição da produção pode explicar deficiências de aprendizado associadas à privação longa de sono.

 

Fonte: O Dia Online.

 

Por: Normando Oliveira.

O que é Auto-hemoterapia?

15:08 @ 16/02/2007

 

AUTO-HEMOTERAPIA    Dr. Luiz Moura 

 

É um recurso terapêutico de baixo custo, simples que se resume em retirar sangue de uma veia e aplicar no músculo, estimulando assim o Sistema Retículo-Endotelial, quadruplicando os macrófagos em todo organismo.

sumário

A técnica é simples: retira-se o sangue de uma veia comumente da prega do cotovelo e aplica-se no músculo, braço ou nádega, sem nada acrescentar ao sangue. O volume retirado varia de 5ml à 20ml, dependendo da gravidade da doença a ser tratada. O sangue, tecido orgânico, em contato com o músculo, tecido extra-vascular, desencadeia uma reação de rejeição do mesmo, estimulando assim o S.R.E. A medula óssea produz mais monócitos que vão colonizar os tecidos orgânicos e recebem então a denominação de macrófagos. Antes da aplicação do sangue, em média a contagem dos macrófagos gira em torno de 5%. Após a aplicação a taxa sobe e ao fim de 8h chega a 22%. Durante 5 dias permanece entre 20 e 22% para voltar aos 5% ao fim de 7 dias a partir a aplicação da auto-hemoterapia. A volta aos 5% ocorre quando não há sangue no músculo.

As doenças infecciosas, alérgicas, auto-imunes, os corpos estranhos como os cistos ovarianos, miomas, as obstruções de vasos sangüíneos são combatidas pelos macrófagos, que quadruplicados conseguem assim vencer estes estados patológicos ou pelo menos, abrandá-los. No caso particular das doenças auto-imunes a autoagressão decorrente da perversão do Sistema Imunológico é desviada para o sangue aplicado no músculo, melhorando assim o paciente.


1. HISTÓRICO

Em 1911, F. Ravaut registra: modo de tratamento auto (uno mismo, haima – sangra) empregado em diversas enfermidades infecciosas, em particular na febre tifóide e em diversas dermatoses. Ravaut usa a auto-hemoterapia em certos casos de asma, urticária e estados anafiláticos (dicionário enciclopédico de medicina, T.1 de L. Braier).

Em 1941 o Dr. Leopoldo Cea, no Dicionário de Términos Y Expressiones Hematológica, pg 37, cita: auto-hemoterapia, método de tratamento que consiste em injetar a um indivíduo cierta cantidad de sangre total (suero Y glóbules) tomada de este mismo indivíduo.

H. DOUSSET – AUTO-HEMOTERAPIA – Técnicas indispensáveis. É útil em certos casos para dessensibilizações – 1941.

Stedman – Dicionário Médico – 25ª edição – 1976 – pág 129 – Auto-hemotherapy – auto-hemoterapia – tratamento da doença pela retirada e reinjeção do sangue do próprio paciente.

1977 – Index Clínico – Alain Blacove Belair – auto-hemoterapia – terapêutica de dessensibilização não específica.

Entretanto foi o professor Jesse Teixeira que provou que o S.R.E era ativado pela auto-hemoterapia em seu trabalho publicado e premiado em 1940 na Revista Brasil – Cirúrgico, no mês de Março. Jesse Teixeira provocou a formação de uma bolha na coxa de pacientes, com cantárida, substancia irritante. Fez a contagem dos macrófagos antes da auto-hemoterapia, a cifra foi de 5%. Após a auto-hemoterapia a cifra subiu a partir da 1ª hora chegando após 8 horas a 22%. Manteve-se em 22% durante 5 dias e finalmente declinou para 5% no 7º dia após a aplicação.

 

2. A AÇÃO TERAPÊUTICA DA AUTO-HEMOTERAPIA

Entre 1943 e 1947, quando cursava a Faculdade Nacional de Medicina apliquei a auto-hemoterapia cumprindo ordem de meu pai, Professor Pedro Moura, nos pacientes que ele operava na Casa de Saúde S. José no Rio de Janeiro. A primeira aplicação era feita na residência do paciente e a 2ª, 5 dias depois na Casa de Saúde no quarto do paciente e era sempre de 10ml.

A finalidade da aplicação era evitar infecção ou outra complicação infecciosa pulmonar, já que a anestesia na época era em geral com éter que irritava bastante os pulmões. O cirurgião geral, Dr. Pedro Moura adotou este método face ao sucesso do Professor Jesse Teixeira que registrou em 150 cirurgias as mais variadas, 0% de complicações infecciosas post-operatórias em 1940.

Depois de formado continuei a aplicar a auto-hemoterapia apenas em casos de acne juvenil e algumas dermatoses de fundo alérgico.

Entretanto, devo ao Dr. Floramante Garófalo, em 1976, quando este tinha então 71 anos, o conhecimento que resultou em mais abrangência da ação terapêutica da auto-hemoterapia. Em março de 1976 o Dr. Garófalo queixou-se de fortes câimbras em sua perna direita quando caminhava mais de 100 metros.

Sugeri ao colega que procurasse o angiologista, Dr. Antonio Vieira de Melo. Este decidiu fazer arteriografia da femural direita sendo constatada obstrução de cerca de 10cm ao nível do terço médio da coxa direita. O angiologista disse ao Dr. Garófalo que resolveria o problema com uma prótese que substituiria o segmento da artéria femural obstruída.

O Dr. Garófalo disse ao angiologista que “não quero me tornar um homem biônico, amanhã terei outra artéria obstruída e terei que colocar novas próteses”. Vou resolver o problema com a auto-hemoterapia.

Eu então me ofereci para fazer as aplicações. Durante 4 meses, de 7 em 7 dias aplicava 10ml de sangue no Dr. Garófalo que então decidiu se submeter à nova arteriografia de femural direita, já que podia caminhar normalmente, porém o Dr. Antonio Vieira de Melo acreditava que era impossível que a artéria estivesse livre da obstrução atribuindo a melhora à sugestão. Repetida a arteriografia, não havia mais nenhuma obstrução na femural direita. Foi então que o Dr. Garófalo me presenteou com os trabalhos de Jesse Teixeira, de 1940 e de Ricardo Veronesi, de 1976. O estímulo do S.R.E comprovado por Jesse Teixeira e as ações deste bem explicados no trabalho de Ricardo Veronesi explicavam a desobstrução da artéria femural de Garófalo e abriam um enorme campo no tratamento das doenças auto-imunes.

Em setembro de 1976 internou-se na Clínica Médica do Hospital Cardoso Fontes uma paciente cujo diagnóstico foi esclarecido pela consultora dermatológica da Clínica, Dra. Ryssia Alvares Florião. Feitas as biópsias nas mamas, abdômen e coxa de A.S.O. (F) – 52 anos, encaminhadas estas à patologista do Hospital, Dra. Glória de Morais Patello, o diagnóstico foi: esclerodermia, fase final.

A Dra. Ryssia que tinha sido residente em Clínica Dermatológica nos Estados Unidos da América, em Nova York para onde convergiam os pacientes com E.S.P., disse que pouco podia fazer pela paciente, pois aquela Clínica era nada mais que um depósito de esclerodérmicos"”

Iniciei o tratamento da paciente com E.S.P., no dia 10/09/1976. Para provocar o desvio imunológico e assim aliviar a paciente apliquei 5ml de sangue em cada deltóide e 5ml em cada glúteo, de 5 em 5 dias. A paciente já não caminhava há 8 meses e não deglutia sólidos, só líquidos, devido a estenose do esôfago. Dia 10/10/1976 a paciente saía andando do Hospital, com alta melhorada assinada pela Dra. Ryssia.

A paciente continuou o tratamento com a dose reduzida para 10ml de sangue por semana. Em maio de 1977 a paciente A.S.O. foi reinternada para avaliação, sendo constatada grande melhora em relação ao dia 10/10/1976 quando teve alta no ano anterior.

Surgiu na ocasião um concurso patrocinado pelo Laboratório Roche – Hospital Central da Aeronáutica. Redigimos então um trabalho minuciosamente documentado tanto com exames complementares como também com fotografias em slides da paciente em setembro de 1976 e maio de 1977. O concurso cujo tema era originalidade não publicou o trabalho.

A partir deste caso em que a auto-hemoterapia comprovou ser poderosa arma terapêutica em doenças auto-imunes passei a aplicá-la também em doenças alérgicas com excelente resultado. Apresentarei resumidamente alguns casos que merecem destaque: 

1980 - M. das G.S. – 28 anos, funcionária da Petrobrás. Diagnóstico esclerodermia sistêmica progressiva – Decisão da chefia médica da Petrobrás – aposentar a paciente. Há 22 anos vem se tratando com a auto-hemoterapia. Está assintomática e deverá se aposentar em 2005 por tempo de serviço.

1980 - G.S.C (F) 55 anos – Diagnóstico – MIASTENIA GRAVIS pelo Instituto de Neurologia – Av. Pasteur – RJ. A paciente atualmente, embora com a doença, vive normalmente, toma ônibus. É a única paciente que sobrevive entre aquelas diagnosticadas em 1980 como miastenia gravis, no Instituto de Neurologia.

1982 - J da SR (M) 30 anos – diagnóstico – Doença de CROHN – Tratou-se com a auto-hemoterapia de 10ml semanais durante 1 ano. Até a data atual nenhum sintoma teve da moléstia que o acometeu em 1982.

1990 - M. da RS (M) 22 anos – Doença de CROHN – Curiosamente a moléstia começou após o paciente ser assaltado, quando na ocasião fazia o vestibular para Odontologia. Prescrevi a auto-hemoterapia que foi aplicada pelo próprio pai do paciente. Até hoje assintomático.

1997 - RS (F) 35 anos – Diagnóstico – L.E.S – A auto-hemoterapia permitiu à paciente ter vida normal, viajando para o exterior com crianças de rua que ela ensina a bailar.

Em 1978, minha filha que vive na Espanha tinha ovários policísticos, não ovulava, era estéril. Solicitei ao Dr. Pedro – ginecologista e obstetra – que fizesse a auto-hemoterapia de 10ml semanais.

Após 6 meses ela engravidou, e repetido o exame com insuflação tubária, já não haviam mais cistos. O Dr Pedro fez o parto de meus netos, um casal hoje com 20 e 21 anos respectivamente e prosseguiu aplicando DIU ao longo de 20 anos a fim de evitar gravidez indesejada.

1990 - M.D.C. – 24 anos (F) – A paciente começou a apresentar petequias e epistaxis freqüentes. Quando apresentou otorragia foi encaminhada a um hematologista que diagnosticou como púrpura trombocitopênica. Durante 6 meses foi tratada com corticoesteróides em altas doses, até que estes não mais surtiram efeito e as plaquetas baixaram para 10.000mm 3 de sangue. O hematologista decidiu usar quimioterápico conseguindo a elevação das plaquetas para níveis quase normais durante 2 meses. Os quimioterápicos não surtiram mais efeito e a paciente foi encaminhada para um cirurgião para se submeter à esplenectomia. A paciente se recusou quando o cirurgião não garantiu que o fígado assumiria a função do baço.

A paciente me procurou e eu mandei aplicar a auto-hemoterapia. As plaquetas se normalizaram, a paciente depois teve mais 2 filhos, e vive vida normal com o seu baço.

1982 - M – (F) – A paciente aluga cavalos para turistas em Visconde de Mauá. Foi picada por uma aranha armadeira em sua perna direita, que gangrenou, ficando exposta a tíbia. Foi internada na Sta. Casa de Rezende onde foi decidida a amputação. Já na mesa de cirurgia a paciente decidiu que não aceitava a amputação da perna, como preconizava o Instituto Butantã para estes casos. Assinou termo de responsabilidade e foi liberada. Procurou-me e eu instituí a auto-hemoterapia e a lavagem da ferida com solução de cloreto de magnésio como fazia Pierre Delbet, cirurgião na guerra de 1914 a 1918. Em 20 dias a paciente estava curada, trabalhando com sua perna até hoje. 

Esperamos que a Medicina Complementar através de sua Revista divulgue uma técnica terapêutica que muito pode fazer para pelo menos aliviar o sofrimento do ser humano.

   

25.4.06

Fonte: Medicina Integrativa.          

 

AUTO-HEMOTERAPIA    Dra. Sandra Regina  

 http://www.medicinaintegrativa.net/sandra.htm

 

Embora quase não se escute falar desta técnica, ela é bastante antiga. Em 1911 F. Ravaut descreve seu emprego em diversas doenças infecciosas, especialmente na febre tifóide e dermatoses. Era usada também em certos casos de asma, urticária e estados anafiláticos. 

A mesma técnica é citada pelo Dr. Leopoldo Cea na página 37 do “Dicionário de Términos Y Expressiones Hematológica” em 1941. E no mesmo ano H. DOUSSET afirma ser  útil em certos casos para dessensibilizações.

Podemos encontrar referências (Auto-hemotherapy) na 25ª edição - 1976 - pág 129 do Dicionário Médico Stedman. E em 1977 no Index Clínico de Alain Blacove Belair.

O professor Jesse Teixeira provou que o S.R.E (sistema reticulo endotelial)  é ativado pela auto-hemoterapia em um trabalho publicado e premiado no mês de Março de 1940 na Revista Brasil - Cirúrgico. O experimento foi realizado com a utilização de cantárida na coxa do paciente e feita a contagem dos macrófagos antes e após a auto-hemoterapia. A taxa de 5% aumentava para 22% após 8 horas, mantendo-se assim por 5 dias e declinando para 5% após 7 dias.

É um recurso terapêutico de baixo custo, pois consiste em retirar  o sangue da veia do paciente e aplicar no músculo. A quantidade varia de 5ml à 20ml, dependendo da gravidade da doença a ser tratada.

O sangue (tecido orgânico) em contato com o músculo (tecido extra-vascular), desencadeia uma rejeição, e isso estimula o sistema reticulo endotelial. A medula óssea produz monócitos que se dirigem as tecidos orgânicos onde recebem o nome de macrófagos. Estes se quadruplicam em todo o organismo.

 

Está indicado nas doenças infecciosas, alérgicas, auto-imunes,  e os corpos estranhos como os cistos ovarianos, miomas, as obstruções de vasos sangüíneos.

 

Fonte: Medicina integrativa. 

 


Autohemotransfusão
Complicações pulmonares pós-operatório
Dr. Jessé Teixeira

(Publicado na revista científica BRASIL-CIRÚRGICO, Órgão oficial da Sociedade Médico-Cirúrgica do Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, vol. II, março de 1.940, número 3, páginas 213 – 230)

 

Com o intuito de contribuir para o estudo das complicações pulmonares pós-operatórias, principalmente no que se refere à sua profilaxia, apresentamos aqui o relato de nossas conclusões, baseadas em 150 casos, dos quais cerca de 60 % observados no hospital de pronto-socorro.
A circunstância de ser o hospital de pronto-socorro estritamente um hospital de urgência, confere ao método preventivo que empregamos segura garantia de eficácia e utilidade. Sabem todos que os imperativos da cirurgia de urgência afastam qualquer cuidado pré-operatório, ficando assim os doentes desamparados ante a ameaça da complicação pulmonar pós-operatória, uma vez que a tão decantada vacina anti-broncopneumonia é de uma facilidade comprovada.
Há extrema falta de unidade entre os autores que se ocupam do assunto, resultando daí a notável disparidade que existe entre os diversos resultados publicados.
Tomemos um exemplo : as estatísticas sobre a freqüência das complicações pulmonares pós-operatórias; dentre as estrangeiras - e deixamos de citar as nacionais, porque delas não encontramos publicações - a de PROTOPOW dá uma incidência de 7,6% a de MANDIL 14,5%, a de ORATOR STRAATEN 2,9 % ...
Esses resultados dispares têm, a nosso ver, sua fonte numa questão puramente doutrinária, pela falta de unidade no conceito de complicação e de suas formas anatomo-clínicas e isto acontece não só porque toda indicação numérica depende de condições subjetivas e pessoais, mas também, e sobretudo, porque "são extremamente elásticos os limites da verdadeira normalidade no pós-operatório".
Em virtude dessas considerações, resolvemos tecer as nossas conclusões sobre as bases científicas de um conceito e de uma classificação, a cuja concepção fomos conduzidos pelo estudo e pela meditação sobre os casos, que nos foi dado observar,
Assim, antes de relatar a profilaxia e a nossa casuística, faremos uma breve exposição do conceito e classificação das complicações pulmonares pós-operatórias, segundo o nosso ponto de vista, seguida de uma rápida explanação sintética sobre o diagnóstico e a etio-patogenia das referidas complicações.

I - Conceito

Segundo Alejandro Ceballos, "são consideradas complicações pulmonares pós-operatórias todas as pneumonias agudas que sobrevenham em conseqüência da operação, em operados que tinham, até então, o aparelho respiratório normal". Ora, é sabido que indivíduos portadores de tuberculose em latência, ou velhos sofredores de bronquite crônica, podem apresentar, em conseqüência da operação, manifestações agudas dessas doenças, as quais, sem dúvida, devem ser consideradas como complicações pulmonares pós-operatórias.
Desse modo, à definição de CEBALLOS, permitimo-nos acrescentar : ... em operados que tinham, até então, o aparelho respiratório normal - ou ser de processos patológicos, em fase de cronicidade ou latência.

II- Classificação

Estabelecemos uma classificação esquemática, que procura individualizar em quatro tipos principais, de acordo com sua etiologia, anatomia patológica e evolução clínica, as mais importantes complicações pulmonares pós-operatórias:

1 - Complicações devidas ao choque operatório: Pseudo-bronquites do pós-operatório e atelectasia pulmonar pós-operatória.
2 - Complicações infecciosas: Bronquites (elemento de ligação entre primeiro e o segundo grupo), corticopleurites (as complicações infecciosas mais freqüentes), pneumonias, broncopneumonias, que podem conduzir a largas supurações, como o abscesso e a gangrena pulmonares,
3 - Complicações devida à embolia pulmonar: Desde o tipo banal da poeira de embolia (discutido e negado por muitos), passando pelo tipo médio de enfarto hemoptóico de LAENNC, até o tipo fulminante sincopal ou asfixio da embolia da artéria pulmonar.
4 - Complicações Especiais :
a) surto agudo de tuberculose;
b) complicações próprias à cirurgia torácica.

A presente classificação terá os fundamentos de sua justificação no item seguinte, que trata da etio-patogenia das complicações pulmonares pós-operatórias.

III - Etio-patogenia

Na etio-patogenia, são descritas numerosas causas predisponentes das complicações pulmonares: o estado geral do operado, a idade, o sexo, o estado pré-operatório do pulmão e vias aéreas superiores, garganta, boca e nariz (que, quando sede de inflamações predispõem a infeção pulmonar por via broncógena), assim como do aparelho cardiovascular (por isso que a sua insuficiência determina estase na pequena circulação, capaz de favorecer a evolução de um processo pulmonar), a técnica cirúrgica e o tempo da operação (as manobras suaves, a hemostasia bem cuidada, aliadas a um tempo curto, dão menor número de complicações), a região abdominais altas), a hipótese, pelo decúbito prolongado na lei (é fator que só se evidência nos indivíduos muito idosos, caquéticos e com lesões do aparelho cardiovascular) e a estação do ano (o inverno fornece maior contingente de complicações).
No particular do sexo, o masculino paga maior tributo: em 40 complicações, pulmonares, 33 são de indivíduos masculinos. O fenômeno se explica pela diferença entre os tipos respiratórios do homem e da mulher. O homem tem uma respiração costo-diafragmática ou abdominal e a mulher uma respiração costal superior, e como em conseqüência da operação há uma paresia diafragmática, a amplitude respiratória do homem diminui consideravelmente, predispondo, pela hipoventililação pulmonar, toda sorte de complicações, o que não sucede com a mulher, que continua com uma amplitude satisfatória.
Por uma razão semelhante, se explica o maior número de complicações pulmonares que todas as estatísticas conferem às operações gastroduodenais sobre as intervenções nas vias biliares extra-hepáticas : é que as afeções gastroduodenais são mais freqüentes no homem, ao passo que as das vias biliares atingem mais o sexo feminino.
Uma estatística, só de mulheres operadas de estômago e vesícula, demostrou que a cirurgia biliar dava 8 % de complicações, ao passo que a cirurgia gástrica determinava apenas 6%.
Estudaremos agora a etio-patogenia de cada um dos quatro tipos de nossa classificação.

Primeira - Complicações devidas ao choque operatório: - Estas complicações são explicadas, segundo a concepção das manifestações segmentárias do choque de Carlos Stajano, por inibição do setor neurovegetativo, que preside à inervação das fibras lisas traqueo-bronco-pulmonares, dando como conseqüência uma traqueo-broncoplegia (ruído de glú-glú traqueal, pela impossibilidade de expectorar) e assim se constituem e se diagnosticam as "falsas bronquites passageiras do pós-operatório, atribuídas durante muitos anos ao éter ou ao resfriamento das salas de operações e que desaparecem, como fantasmas, de um dia para outro, apesar da medicação mais ou menos penosa para o doente, como envoltórios, ventosas "...
Esta modificação de tipo paretico na fibra lisa traqueo-broncopulmonar , tem a mesma explicação que a paresia intestinal psicológica do pós-operatório (Stajano), que desaparece, normalmente, ao fim de 48 horas e que nada mais representa que o choque segmentar da fibra lisa intestinal.
Os pulmões têm pouca atividade independente e, quando retirados do tórax e separados, são apenas massas inertes (Henderson).
A depressão funcional pós-operatória manifesta-se também na baixa do tônus muscular geral, sob a influência da inibição nervosa. As alças intestinais, sede de paralisia, deixam-se distender pelos gazes, o indivíduo não consegue tossir e, nos seus esforços para expectorar, só consegue deglutir saliva misturada a gotículas de ar, pelo que se constitui uma aero-gastria e assim intestinos e estômago distendidos elevam o diafragma hipotônico, a amplitude respiratória e a capacidade vital decrescem consideravelmente ( dispnéia, com respiração rápida e superficial), as secreções brônquicas, que não podem ser expelidas, agem como rolha mucosa nas vias respiratórias, o ar alveolar, por fenômeno puramente físico, é absorvido e surge o quadro da atelectasia pulmonar (o atelectasio é um asfixico, mas não é um infectado).
Estas manifestações de choque, pós-operatório imediato, podem perdurar e, como todo órgão em retenção está em condições propícias para infectar-se, se o meio é séptico, não se livram da ameaça de, sobre elas, se enxertar uma complicação infeciosa. Assim, as complicações do segundo tipo podem iniciar-se como meras manifestações de choque e através do elemento de ligação - bronquites pós-operatórias - evidenciar-se com todas as características clínicas de uma cortico-pleurite , pneumonia, broncopneumonia, abscesso ou gangrena pulmonares.

Segunda - Complicações Infeciosas: - Na gênese das complicações infeciosas tem sido invocados numerosos fatores através dos tempos.
Passemo-los em revista:

a) Anestesias por inalação: - Foi o éter principalmente responsabilizado, porque "irrita a árvore brônquica, exagera as secreções e diminui a ação bactericida das mesmas, além de provocar resfriamento". Contudo, as complicações surgem, indiferentemente, com todos os tipos de anestesia, inclusive a local e a rachidiana foi incriminada de despertar complicações pulmonares por diminuição da amplitude respiratória conseqüente a anestesias altas e mais ou menos prolongadas. Quanto à anestesia local, é ela que fornece maior cifra de complicações pulmonares nas estatísticas o que facilmente se explica, porque é empregada em maior cópia, como também porque é a anestesia de escolha para numerosos indivíduos tarados (bronquiticos, cardíacos, etc.), como diz Quênu.
Em suma, a anestesia por inalação tem a sua parte no aparecimento de complicações em indivíduos com aparelho respiratório lesado e, sobretudo, nas chamadas pneumonias por aspiração, em que o conteúdo gástrico, durante um esforço de vômito, passa para as vias aéreas superiores, desencadeando uma pneumonia gravíssima, com elevada cifra de mortalidade (infeção brônquica).
Diga-se, de passagem que as anestesias locais, feitas com o
reforço de uma injeção de morfina, podem, pelos mesmos motivos, conduzir à pneumonia aspirativa.

b) Embolias do pós-operatório, sem que existam pleurites : Foram durante largo tempo imputadas, como causa de complicações pulmonares, as micro-embolias que se originariam da sede do trauma cirúrgico, instalando-se então "um quadro inflamatório pulmonar caracterizado por zona de maciez, silêncio respiratório e febre alta ".
Pierre Duval nega qualquer fundamento de veracidade a esta opinião e afirma que "só por comodidade o cirurgião invoca a embolia ", uma vez que a anatomia patológica que ela não tem existência real.

c) Infeção por via linfóide, hematóide ou bronquial: A via linfogena tem sido invocada, nas operações sépticas do andar supra-mesocolico, em que a infeção, pelos linfáticos, atravessaria o diafragma e chegaria ao pulmão; a essa afirmação se têm oposto argumento irrespondíveis. Apenas, a infeção bronquial pôde ser aceita, como elemento de valor, nas pneumonias aspirativas e nos epidêmicos de gripe.

d) Intoxicação pelos polipeptídios: - Segundo Pierre Duval, de acordo aliás, com a escola francesa, as complicações infeciosas se explicam através do fértil conceito da chamada "maladie post-opératoire", recebendo então os polipeptídios, originados pelo trauma cirúrgico, uma transcendente importância.
Experimentalmente, Pierre Duval e Léon Binet sensibilizaram cães a albuminas musculares e, semanas após, injetando o mesmo material pela safena, conseguiram reproduzir, sistematicamente, lesões pulmonares, em tudo semelhantes as do pós-operatório humano. Estas lesões produziram-se sempre que se atuava sobre animais previamente sensibilizados, e, no homem essas complicações são mais freqüentes nos indivíduos com intra-dermo-reação positiva para os polipeptídios. Portanto, é necessário um estado de sensibilização.
Conclusão: - Todas as teorias encerram sua parte de verdade, mas pecam todas unilaterais. A principal explicação reside no próprio ato operatório, criador da "maladie post-operatoire", que é um desequilíbrio biológico súbito, capaz de trazer, entre outras, as complicações pulmonares.

Terceira - Complicações devidas à embolia pulmonar: - A embolia pulmonar, nas suas duas formas, geralmente aceitas, o enfarto hemotóico de Laennec e a embolia de artéria pulmonar, origina-se, via de regra, de uma trombobliebite pélvica ou dos membros inferiores, para cuja patogenia se inscrevem os três fatores seguintes:

a) lesões do revestimento endotelial vascular;
b) alterações qualitativas do sangue (hiperinose);
c) estagnação sangüínea

O processo trombótico vai progredindo até uma encruzilhada venosa, onde um fragmento, batido pela corrente sangüínea, se desprende e, ao atingir a pequena circulação, desperta o quadro de enfarto pulmonar, de que fazem parte os escarros homópticos e a dor torácica. Este enfarto pôde infectar-se e teremos constituída uma pneumonia tardia pós-enfarto. Outras vezes, continuam a desprender-se êmbolo, até que um, de maiores proporções, determine o quadro fulminante da embolia da artéria pulmonar.
Nas nossas observações contam-se dois casos de embolia pulmonar : o primeiro, após um quadro de enfarto hemóptico, faleceu subitamente de embolia da artéria pulmonar, revelando a autopsia dois grossos êmbolos que obstruíam os ramos de bifurcação da artéria. O segundo teve um enfarto hemóptico, também originado de flebite da safena interna, que se transformou numa pneumonia pós-enfarto, mas teve alta curado.

Quarta - Complicações Especiais:

a) Surto agudo de tuberculose - toda intervenção cirúrgica cria um estado de alergia, favorável ao aparecimento de surtos evolutivos agudos de tuberculose pulmonar;
b) Complicações próprias à cirurgia torácica - como o esvaziamento, na árvore brônquica, do conteúdo de uma caverna, após uma toracoplastia, ou as complicações de uma lobectomia (hemotórax supurado, desvio do mediastino, etc.)

Sobre este tipo de complicações, não nos alongaremos, pois pertencem a uma especialidade que não cultivamos.

IV - Diagnóstico

O cirurgião deve pensar em complicação pulmonar pós-operatória quando, no seu operado, se manifestam tosse, febre, dispnéia, dor torácica ou escarros hemópticos. O exame físico revelará: estertores, roncos, sibilos, sopros, diminuição da sonoridade pulmonar e, por vezes, mesmo, massicez. Há repercussão principalmente sobre o aparelho circulatório, que, muitas vezes, comanda o prognóstico.
Será desnecessário encarecer as vantagens do exame radiológico, para o estabelecimento do diagnóstico.

V - Profilaxia

Fora do âmbito da cirurgia de urgência, são numerosos os meios profiláticos das complicações pulmonares pós-operatórias (eleição do doente e da anestesia, cura de catarros das vias respiratórias, saneamento da boca, prevenção de resfriamentos, exercícios respiratórios, inalações de carbogenio, etc.). Todos aliás, muito precários.
Para a profilaxia destas complicações há, contudo, um recurso, que, segundo as observações do seu autor e as nossas próprias, ao que parece únicas em nosso meio, é da mais alta valia, podendo ser vantajosamente empregado, quer na cirurgia de urgência, quer nos casos em que o doente pode ser preparado.
Trata-se da
autohemotransfusão de 20 cc logo após a operação; estando o doente ainda na mesa de operação, retiram-se 20 cc de sangue de uma veia da prega do cotovelo, que são imediatamente injetados na nádega.
Baseamo-nos em 150 observações (1) das quais, a maioria, pertencentes à cirurgia de urgência, através dos casos passados pelo Serviço "Daniel de Almeida" a cargo do Dr.Jorge Doria, no Hospital de Pronto Socorro.
Deixamos de publicar aqui grande número de observações também favoráveis à utilidade do método, que foram feitas por colegas nossos nos seguintes serviços: décima terceira - Enfermaria da Santa Casa (Serviços do Dr. Darcy Monteiro) pelo doutorado Carlos Teixeira, serviço do Dr. G. Romano (Hospital da Gamboa) pelo doutorado Oscar de Figueiredo Barreto e Serviço Chapôt-Prevost (Hospital de Pronto Socorro) a cargo do Dr. Darcy Monteiro, pelo doutorando Monteiro de Figueiredo.
Foi-nos sugerida a atenção para o assunto em fins de 1937, pelo jovem e brilhante docente Dr. Sylvio D Ávila, que chefiava a décima segunda enfermaria da Santa Casa, de que éramos internos, sendo as primeiras 60 observações ali colhidas.
A sugestão do nosso chefe de então se prendeu a um artigo publicado no "The American Journal of Surgery" (May, 1936 - pág.321), intitulado "Autohemotransfusion in Preventing Postoperative Lung Complications" e assinado por Michael W. Mettenletter (cirurgião do Pós-Graduate Hospital, de Nova York).
Mettenleiter, considerando os excelentes resultados do processo, como método curativo das pneumonias pós-operatórias declaradas, onde foi aconselhado por Vorschutz, resolveu empregá-lo, como profilático, em 300 casos de sua clínica particular e não teve uma só complicação pulmonar, a não ser pequena área trombótica em um pulmão, cinco dias após a operação.
Antigamente, o emprego da
autohemotransfusão se submetia às influências fecundas, mas anti-científicas do empirismo. Hoje, porém, temos uma explicação razoavelmente clara e perfeitamente aceitável de sua ação. Quando o sangue empregado fora de sua situação normal, no aparelho circulatório, ele se torna uma substância completamente diferente para o organismo.
O sangue extraído por punção venosa é um sangue asfixico que, por curto lapso, se põe em contato com um corpo estranho (seringa), o que é suficiente para provocar modificações na sua físico-química e, por isso, injetado no organismo, atua como si fora uma proteína estranha. De todos é conhecido o efeito estimulante das proteínas parentais sobre o sistema simpático e o parassimpático, pelo que ocorrem reações vasomotoras e teciduais em todo o organismo.
Widal observou acentuada diminuição dos leucócitos em todo o sistema vascular periférico. Porém, mais tarde, Müller e Petersen demostraram que essa diminuição periférica corresponde a um aumento destas células nos órgãos abdominais, e consequentemente, a um incremento nas funções orgânicas, particularmente do fígado, acelerando-se a secreção biliar e os processos de desintoxicação. Nenhum efeito sobre o sistema vasomotor, sangue ou tecidos se observa nos órgãos cuja inervação autônoma foi suprimida antes da infeção.
O sistema retículo-endotelial de Aschoff-Landau também é poderosamente estimulado pela autohemotransfusão.

As seguintes experiências provam essa afirmação:

a) Um emplastro de cantáridas, colocado sobre a pele da coxa, determina a formação de pequena vesícula. Pois bem, se aspiramos o conteúdo dessa vesícula num tubo em U e o centrifugarmos, depois de seco e corado, a contagem diferencial nos revelará uma incidência de monócitos por volta de 5% (os monócitos são os representantes no sangue circulante do S. R. E. ). Após a autohemotransfusão, a cifra de monócitos, no conteúdo da vesícula, se eleva em oito horas para 22% e, após 72 horas, ainda há 20% caindo a curva gradualmente para voltar ao normal, no fim de sete dias;
b) pela prova do Vermelho Congo se evidência a capacidade de armazenar corantes do S. R. E. - essa capacidade acentua-se consideravelmente após a injeção de sangue;
c) outro teste utiliza a determinação do índice bactericida dos tumores, segundo o método de Wright. Após a injeção, o índice mostra um acréscimo, que, dentro de oito horas, chega a um máximo de 15 a 20 valores normais. Como a elevação dos monócitos, a elevação do índice bactericida dos tumores prova a estimulação dos poderes defensivos do organismo do S. R. E. ou melhor, para ceder aos impulsos de um são nacionalismo, sem desatender às exigências da boa ciência, através do sistema angio-histio-lacunar de Póvoa-Berardinelli (o alvéolo pulmonar é parte integrante do sistema lacunar).

Para os que aceitam as idéias de Pierre Duval, podemos concluir que a autohemotransfusão atua como elemento desensibilizante, contra a agressão dos polipeptídios, que só agem em indivíduos sensibilizados.
Finalmente, estamos inclinados a aceitar a eficácia da autohemotransfusão nas complicações da tuberculose, visto como ela parece remediar a fase de inferioridade ou alergia, que a intervenção cirúrgica desperta nos tuberculosos.
A propósito da desprezível quantidade de sangue, que se acumula na ferida operatória, sugeriu-se que a observação deste sangue poderia tornar uma adicional autotransfusão desnecessária.
São de Mettenletter as seguintes palavras: "as alterações físico-químicas, na totalidade do sangue e do soro, são tão delicadas e ocorrem tão rapidamente, que nenhuma comparação pode ser feita entre o sangue retirado de uma veia e reinjetando intramuscularmente e o sangue acumulado numa ferida para ser absorvida; estes dois processos são inteiramente diferentes".
O sangue tem sobre os outros agentes protéico-terápicos, além das vantagens de comodidade e economia, a de que a sua absorção se faz mais prontamente.
Para terminar, em vista dos nossos excelentes resultados, que confirmam amplamente as verificações de Mettenletter, podemos fazer nossas as suas palavras: "as complicações pulmonares podem surgir, com qualquer espécie ou método de anestesia, mas a ausência de acometimentos pulmonares, em nossa série, prova que a autohemotransfusão e não o tipo de anestesia, responde pelos bons resultados".

Casuística - 150 casos.

1) - Intervenções :

· Safenectomia 1
· Arteriotomia 1
· Coecopexia 1
· Castração 1
· Simpatectomia periarterial 1
· Cistotomia 1
· Cholecistomia 1
· Drenagem da fosse ilíaca direita 1
· Esplenectomia 1

· Apendicectomias 56
· C.R.hérnia inguinal 29
· Laparotomias exploradoras 11
· C.R.hérnia inguinal estrangulada 7
· Gastrectomias 5
· Fístulotomias 5
· Hemorroidectomias 5
· Inversões da vaginal 5
· Sepultamento de úlceras gastroduodenais perfuradas 4
· Operação de Ivanissevitch 3
· Operação de Ombredanne (ectopia testicular) 3
· Emasculações totais 3
· Anus ilíacos 3
· C. R. hérnias crurais estranguladas 2
· Recessão intestinais 2
· Exérese de quisto dermóide 2
· Salpingectomia 2
· Exérese de quisto torcidos do ovário 2
· C. R. de hérnia umbilical estrangulada 2
· Amputações de membros 2
· Cholecistectomia 1
· Gangliectomia Lombar 1
· Gastroenterostomia 1
· Cerclagem da rótula 1
· Operação de Albee (enxerto vertebral) 1
· Nephrectomia 1
· Nephrostomia e retirada de cálculo 1
· Trepanação da tíbia 1
· Prostatectomia 1
· C. R. hernial crural 1

2) - Anestesias :

· Local 62
· Balsoformio 50
· Rachidiana 20
· Éter 10
· Peridural segmentária 5
· Eunarcon 3
TOTAL 150

3) - Diagnósticos :

· Apendicites 51
· Hérnias inguinais 24
· Hérnias inguinais estranguladas 7
· Fistulas anais 6
· Feridas penetrantes do abdômen 5
· Hidroceles da vaginal 5

· Ectopias testiculares 4
· Úlceras duodenais 4
· Úlceras gastroduodenais perfuradas 4

· Varioceles 3
· Epiteliomas do pênis 3
· Canceres do reto 3
· Hérnias umbilicais estranguladas 3
· Peritonites agudas generalizadas 3
· Canceres do estômago 2
· Quistos dermóides 2
· Roturas de prenhez ectópica 2
· Quistos torcidos de ovário 2
· Esmagamentos de membros 2

· Cholecistite 1
· Gangrena do pé 1
· Fratura de rótula 1
· Mal de Pott 1
· Fistula estercoral 1
· Tuberculose renal 1
· Litiase renal 1
· Osteomielite aguda 1
· Adenoma prostático 1
· Hérnia crural 1
· Varizes da perna 1
· Artrite supurada do joelho 1
· Úlcera de perna 1
· Oclusão intestinal 1
· Câncer de bexiga 1
· Rotura traumática de baço 1
· Varicocele pelvice 1
· Ferida penetrante do tórax 1
· Pancreatite edematosa, com peritonite biliar sem perfuração 1
· Abscesso apendicular 1
· Vólvulo da sigmóide 1

VI - Resultados e conclusões

Primeiro - As complicações devidas ao choque : - Só cedem, evidentemente, ao tratamento do choque (sol, chloretadas hipertônicas e, eventualmente, infusão maciça de café em clister). Contudo, a autohemotransfusão contribui, seguramente, para que sobre elas deixem de enxertar-se as complicações do segundo tipo ou infeciosas.

Segundo - As complicações infeciosas - não surgiram em nossos 150 casos. Em vários dos numerosos casos em que deixamos de fazer a autohemotransfusão, a título de contraprova, as complicações infeciosas apareceram, sendo tratadas pela autohemotransfusão curativa em altas doses ( 40 a 80 cc.) pelo soro chloretado hipertônico, álcool, digital, vitamina C, etc.
Comentemos alguns casos interessantes : numerosos doentes se submeteram à operação com bronquites crônicas ou subagudas. Pois bem, após a operação, fez-se a autohemotransfusão e essas bronquites ou continuaram na mesma, sem se agravar ou, então, desapareceram.
De dois doentes que sofreram esplenectomia por ruptura traumática do baço, em um foi feita a injeção de sangue - alta, curada, em oito dias. Em outro não se fez a autohemotransfusão e manifestou-se-lhe um foco de condenação na base direita.
Um velho prostático sofreu uma falha hipogástrica, como tempo prévio à prostatectomia. Dada a benignidade da intervenção, não lhe fizemos a autohemotransfusão e se constitui uma cortico-pleurite.
Curou-se e, operado de prostatectomia, foi-lhe feita a injeção de sangue, tendo um pós-operatório respiratório normal.
Outro doente, que padecia de mal de Pott, submeteu-se à operação de ALBEE (enxerto vertebral). Era portador de catarro crônico das vias aéreas superiores; foi operado sob anestesia geral pelo balsoformio e ficou três meses no leito gessado sem apresentar a mínima complicação pulmonar, tendo-lhe sido feita a autohemotransfusão após a operação.

Terceiro - Complicações devidas à embolia pulmonar. - Não podemos tirar conclusões seguras a respeito deste ponto, em primeiro lugar, porque tivemos apenas dois casos e, em segundo, porque só em um foi feita a autohemotransfusão, aliás no que não morreu. Contudo, parece-nos que a autohemotransfusão não pôde impedir a formação de uma tromboflebite, nem que desta se desprendam êmbolos.

Quarto - Quanto às complicações pulmonares pós-operatórias nos indivíduos tuberculosos, parece-nos que a autohemotransfusão age beneficamente no sentido de corrigir a fase de inferioridade orgânica que o ato cirúrgico desperta nesta classe de pacientes.
Tivemos quatro casos de intervenções, em indivíduos tuberculosos comprovados, sem complicação pulmonar pós-operatória: duas apendicectomias, uma nefrectomias por tuberculose renal e uma nefrotomia com retirada de cálculo coraliforme, em indivíduo que se havia submetido a pneumotórax terapêutico.
Só num caso se desenvolveu uma pneumonia tuberculosa, mas o indivíduo era portador de tuberculose evolutiva e, operado de apendicite aguda, foi-lhe feita somente injeção de 10 cc de sangue, portanto dose insuficiente, metade da que aconselha o autor do método.
Esses casos não nos permitem ainda uma conclusão segura, do mesmo modo que os de embolia pulmonar.
Não resta dúvida que as complicações infeciosas, segundo o critério por nós estabelecido, são prevenidas seguramente pela prática da autohemotransfusão.

 Fonte: http://www.espasaude.com.br/textos_1.htm

23/02/2007

Dois novos compostos combatem a morte celular

A empresa de biotecnologia francesa Trophos, localizada na cidade de
Marselha, divulgou recentemente seus planos de iniciar a fase 2-3 do
estudo de sua droga experimental TRO19622, para a esclerose lateral
amiotrófica (ELA), em 10 centros de pesquisa na Europa. Eles aguardam
apenas a aprovação dos órgãos reguladores.

TRO19622 é uma droga oral, e acredita-se que interfira em algum ponto
inicial da "cascata de morte celular".

O composto, assemelhado ao colesterol, aparentemente impede que os
poros microscópicos existentes nas mitocôndrias das células nervosas se
abram. As mitocôndrias, que lembra uma célula em miniatura, estão
presentes em grande número dentro das células nervosas e musculares,
onde produzem a energia de que as células necessitam, mas podem
também iniciar seu processo de auto-destruição.

Em um teste fase-1 envolvendo 36 pessoas com ELA, a TRO19622
mostrou-se segura e bem tolerada. O teste fase 2-3 determinará se a droga
afeta a sobrevivência ou mesmo a funções do corpo.

Também em dezembro, a Maas Biolab, de Albuquerque, N.M., USA,
divulgou que iniciaria testes de segurança em animais, de seu composto
experimental Mitogard, com o objetivo de levar a um teste clínico em
pacientes com ELA.

Assim como a TRO19622, a Mitogard parece interferir com a abertura dos
'poros' das mitocôndrias. A Mitogard baseia-se em uma outra droga muito
mais antiga, a ciclosporina, utilizada para suprimir o sistema imunológico, e
deve ser ministrada diretamente no fluido espinhal de forma a alcançar o
sistema nervoso.

http://www.als-mda.org/research/news/070223als_two_compounds.html

Abraços,