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Plurilinguismo no Brasil

12:52 @ 13/11/2008

Plurulinguismo no Brasil

1
Por Gilvan Müller de Oliveira


A concepção que se tem do país é a de que aqui se fala uma única língua, a
língua portuguesa. Ser brasileiro e falar o português (do Brasil) são, nessa concepção,
sinônimos. Trata-se de preconceito, de desconhecimento da realidade ou antes de um
projeto político - intencional , portanto - de construir um país monolíngüe?

Em algum nível todos esses fatos andam juntos. Não é por casualidade que se
conhecem algumas coisas e se desconhecem outras: conhecimento e desconhecimento
são produzidos ativamente, a partir de ópticas ideológicas determinadas, construídas
historicamente. No nosso caso, produziu-se o “conhecimento” de que no Brasil se fala o
português, e o “‘desconhecimento”’ de que muitas outras línguas foram e são
igualmente faladas. O fato de que as pessoas aceitem, sem discutir, como se fosse um
‘fato natural’, que o ‘português é a língua do Brasil’ foi e é fundamental, para obter
consenso das maiorias para as políticas de repressão às outras línguas, hoje minoritárias.

...


1- Lingüista da Universidade Federal de Santa Catarina (NEP/UFSC) e pesquisador-associado do Instituto
de Investigação e Desenvolvimento em Política Lingüística (IPOL). E-mail: <gimioliz@gmail.com>.


Fragmento retirado de texto omônimo (2008), que eu postei no Disco Virtual do Grupo hoje (13/11/08).

Beijos queridos

Ramene

A fenomenologia originou-se das pesquisas de Edmund Husserl, para quem os fenômenos psíquicos distinguiam-se dos físicos pela sua intencionalidade, por visarem a um objeto, por serem percebidos e pelo modo de percepção que deles se têm constituir o seu conhecimento fundamental. Intenção é a característica da consciência de se orientar para um determinado objeto, o que permite seu conhecimento. A consciência é sempre consciência de alguma coisa, sempre se dirige a um objeto, não haveria objeto sem sujeito.

    As experiências, as vivências, não devem constituir simples momentos na vida de um sujeito: precisam ser por ele apreendidas, adquirir uma significação, ter seu sentido revelado. Tal revelação se alcança pela aplicação do método fenomenológico, que consiste em ir às coisas mesmas, aos fenômenos, ao que aparece à consciência, que se manifesta em si mesmo, que se dá como objeto intencional. A fenomenologia não efetua um investigar com problemas e hipóteses, definição de variáveis, teorias explicativas, manipulações e medidas, tratamento estatístico, em uma desconexão do método científico positivista. O método fenomenológico questiona o conhecimento, coloca entre parênteses crenças e proposições sobre o mundo natural, operação conhecida como epoché. A redução fenomenológica ou epoché suspende,coloca fora de ação todas as afirmações espontâneas nas quais a pessoa vive, para compreendê-las. O ato mental se descreve livre de teorias e pressuposições. Pela redução, o fenômeno se apresenta puro, livre dos elementos pessoais e culturais, chega-se ao nível de sua essência, o conteúdo ideal e inteligível dos fenômenos. Todo objeto percebido tem a sua essência, que é o ser da coisa, isto é, um puro possível, um objeto ideal.
    A percepção é o ponto de partida para se alcançar uma essência. Esta não varia com as alterações de um objeto ou com seu desaparecimento, esclarece os fatos conhecidos ao ser confrontada com eles e identifica um fenômeno, em qualquer circunstância de sua realização e da experiência sensorial efetiva, por ser sempre idêntica a si própria. Os fenômenos se dão a nós por intermédio dos sentidos,eles se dão sempre como dotados de uma essência.
    Atingir essências universais e válidas para todos os sujeitos permite à fenomenologia estabelecer um conhecimento intersubjetivo e ao mesmo tempo verdadeiramente objetivo, válido para todos, pela redução fenomenológica, pela qual se distingue o eu que vivencia, a sua vivência e o mundo que influencia o eu e a vivência. A redução permite chegar à essência do fenômeno como um dado, essência que é universal. Portanto, a fenomenologia estuda o universal, o que é válido para todos os sujeitos. O que uma pessoa vivencia, o que conhece, é vivência para todos, por sua redução a uma pureza íntima, a uma realidade absoluta.
    A fenomenologia revela o mundo, ao descrever e interpretar fenômenos apresentados à percepção, examinar a relação entre o ser e a sua consciência, e capacitar a esta última de conhecimento para referir-se a objetos situados fora de si mesma. Ao exaltar a interpretação do mundo que surge de forma intencional à consciência, a fenomenologia enfatiza o ator, a experiência pura do sujeito, e desmistifica o conhecimento como coisa, como objeto de si mesmo, no nível da consciência, por sua subjetividade e intersubjetividade.

A PERCEPÇÃO AMBIENTAL COM BASE NA FENOMENOLOGIA DE MAURICE MERLEAU-PONTY (1908-1961)

    Merleau-Ponty baseou seus estudos sobre a percepção na Fenomenologia de Husserl e na Psicologia da Gestalt(escola que centra suas pesquisas nas percepções: as imagens são percebidas em sua totalidade, não como mera soma de suas partes constitutivas. Segundo os psicólogos da Gestalt, a percepção é influenciada pelo contexto e a configuração dos elementos percebidos).
    Para Merleau-Ponty, a percepção funda, inaugura o conhecimento, e deve-se considerar o organismo humano como um todo ao perceber fenômenos. O corpo não é somente um objeto como vários outros, ele é um agente sensível a todos os objetos.
    Através da percepção elabora-se o meio ambiente: ela se apresenta a cada momento como recriação ou reconstituição do mundo. Este, por sua vez, não é o que a pessoa pensa, mas o que ela vive; a pessoa está aberta ao mundo,comunica-se com ele, contudo não o possui, por ele ser inesgotável. O mundo e o sujeito são inseparáveis. Ou seja, existe uma natureza, mas não a das ciências, e sim a mostrada pela percepção.
    É essencial à coisa e ao mundo apresentarem-se como abertos; o mundo natural garante às experiências de uma pessoa uma unidade dada e não desejada, com base nas funções sensoriais. O sentir é uma comunicação vital com o mundo que o torna presente a cada pessoa como o lugar familiar de sua vida. As relações entre as coisas ou entre os aspectos das coisas são sempre mediadas pelo corpo; há uma espécie de diálogo, uma troca incessante entre o corpo (a pessoa) e o mundo. O indivíduo é aberto ao mundo, é um ser-ao-mundo.
    A interação entre as pessoas torna-as mais humanas. E cada uma, através de seu particular ponto de vista, introduz-se no mundo inteiro. A relação com o mundo se inclui na relação do próprio corpo consigo mesmo.
    Na obra Fenomenologia da Percepção, Merleau-Ponty afirma que, para a fenomenologia, todos os problemas resumem-se em definir essências: a essência da percepção, a essência da consciência, por exemplo. A fenomenologia é uma filosofia que coloca em suspenso, para compreendê-las, as afirmações da atitude natural; ela se esforça em reencontrar um contato ingênuo com o mundo, para dar-lhe enfim um estatuto filosófico. É uma filosofia que almeja ser ciência exata e também um relato do espaço, do tempo, do mundo vividos; é a tentativa de uma descrição direta de nossa experiência tal como ela é, sem nenhuma deferência às explicações causais que o cientista dela possa fornecer; é uma volta às coisas mesmas, ao mundo anterior à reflexão. O mundo da vida, a coisa mesma, retorna à posição de berço do sentido. O fenômeno do comportamento é o ponto de partida, a percepção o primeiro contato do corpo com o mundo. Este torna-se o campo dos pensamentos e das percepções do sujeito. A relação do corpo com o mundo, pré-objetiva, pré-consciente, dialógica, não causal, estende-se à ação e ao conhecimento. O mundo material existe, não é mera construção do intelecto. As coisas são descritas, não analisadas ou explicadas como uma realidade em si. Rejeita-se o dualismo cartesiano mente/matéria, o empiricismo e o idealismo. Pela redução fenomenológica, chega-se a um sujeito encarnado, situado no mundo que antecede a reflexão, não a um ego puro, como em Husserl. A redução não retira o sujeito do mundo e o leva a uma consciência pura; não é idealista, é existencial, pois o mundo pré-existe à reflexão. Colocar o mundo entre parênteses desvela-o, ele se manifesta e se mostra como é através da redução. A consciência não se fecha sobre si mesma, abre-se ao mundo e a si mesma. A intencionalidade, propriedade da consciência isolada para Husserl, torna-se a abertura ao mundo de um sujeito com percepções corporais, carnais; este ser consciente assume o caráter de consciência encarnada. A intencionalidade, no papel de relação dialógica entre o sujeito e o mundo, brota como fonte de todos os sentidos e significados. A interseção das experiências de um sujeito com o Outro, das diversas subjetividades, leva à intersubjetividade, através da qual se conhece o mundo.
    A fenomenologia de Merleau-Ponty, ao enfatizar o papel do corpo e da intercorporeidade para conhecer o mundo, mostra-se como um caminho para se trabalhar, em educação ambiental, a percepção em diversos tipos de ambientes, tal como foi realizado na oficina "Uma vivência fenomenológica de percepção ambiental pelos cinco sentidos", ministrada durante o III Fórum Ambiental da Alta Paulista (2007).

FENOMENOLOGIA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL

    Uma didática fenomenológica considera o mundo em sua concretude e as experiências aí vivenciadas. Trabalha com a percepção, explorando os modos pelos quais o fenômeno se mostra a cada aluno, ao professor e aos demais presentes à situação de ensino e de aprendizagem. Considera os modos pelos quais cada um sente, de acordo com as nuanças do seu sentir e como cada um vê o mundo, a partir de seu corpo.
    Ao encarar a educação como fenômeno, a fenomenologia procura atingir sua essência, para investigar e interpretar o processo educativo, buscar seu sentido, atribuir-lhe significados e intervir na prática pedagógica, na sala de aula e fora da escola. Na educação ambiental,procura descrever os significados de experiências de vida, explorar a estrutura da consciência humana, buscar a essência dos fenômenos, utilizar elementos baseados na memória, imagens, significações e vivências (subjetividade) para reconstituir o mundo, e rompe com a dicotomia entre sujeito e objeto, com os modelos da ciência positivista.
    Uma possibilidade é trabalhar com a percepção ambiental, resposta dos sentidos aos estímulos externos e atitude proposital de registrar certos fenômenos enquanto outros retrocedem para a sombra ou são bloqueados. As percepções e os valores, respostas dos seres humanos a seu meio ambiente físico, permitem-lhes compreender a si mesmos. Uma longa série de percepções, de experiências, leva à formação de posturas culturais, de atitudes. Estas, conceitualizadas, estruturadas, levam a uma visão de mundo (YI-FU TUAN).
    A prática da educação ambiental em ambientes ricos em estímulos sensoriais, como trilhas ou museus, cria a oportunidade para os participantes do processo educativo utilizarem seu corpo para perceberem seu meio ambiente, elaborarem-no e recriarem-no, pelo encadeamento das experiências perceptivas, interagirem e dialogarem com ele, numa relação de troca entre a natureza e os sujeitos abertos e dados ao mundo, além de permitir uma interação entre as pessoas que as torna mais humanas, que permite reconhecer e a valorizar o Outro e elaborar a essência do mundo através da intersubjetividade (MÁRCIO QUARANTA).

SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS

  • BICUDO, M. A. V. A contribuição da fenomenologia à educação. In: BICUDO, M. A. V.; CAPPELLETTI, I. F. (org). Fenomenologia: uma visão abrangente da educação. São Paulo: Olho d’ Água, 1999. p. 11-51.
  • DARTIGUES, A. O que é a fenomenologia? Rio de Janeiro: Eldorado, 1973.
  • MERLEAU-PONTY, M. A natureza: notas: cursos no Collège de France. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
  • ______. Ciências do homem e fenomenologia. São Paulo: Saraiva, 1973.
  • ______. Fenomenologia da percepção. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
  • QUARANTA-GONÇALVES, M. L. 2005. Educação ambiental e fenomenologia: a importância da excursão para as percepções de meio ambiente em estudantes de ensino médio. Dissertação de Mestrado. Sorocaba, SP: Universidade de Sorocaba, Sorocaba, 232 p.
  • QUARANTA-GONÇALVES, M. L.; SOARES, M. L. de A. Uma interface entre a educação ambiental e a fenomenologia da percepção. In: ENCONTRO DE PESQUISADORES E DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UNIVERSIDADE DE SOROCABA, 7., 2004, Sorocaba, SP. Resumos... Sorocaba, SP: Uniso, 2004. p. 107-108.
  • TUAN, Y. Espaço e lugar: a perspectiva da experiência. São Paulo: DIFEL, 1983.
  • ______. Topofilia: um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente. São Paulo: Difel, 1980.
  • VON ZUBEN, N. A. Fenomenologia e existência: uma leitura de Merleau-Ponty. In: MARTINS, J.; DICHTCHEKENIAN, M. F. S. F. B. Temas fundamentais de fenomenologia. São Paulo: Moraes, 1984. p. 55-68.
    
* Publicado originalmente no site da ANAP, por Márcio Luiz Quaranta Gonçalves em 19/11/07.

à união

01:21 @ 25/05/2007

Tem saudade boa...

17:35 @ 14/05/2007

Tem saudade boa...
Não tenha medo ou raiva da saudade e ela lhe trará coisas boas...
Saudade de coisa boa...

Saudade faz você saber que o tempo passa e que as coisas mudam...
Saudade faz você perceber o quanto foram bem ou mal aproveitados aqueles momentos...
Saudade interioriza os pensamentos
Enraíza as dores e torna presente os tempos de alegria
Saudade torna cada momento uma lembrança
E pode até borrar algumas memórias
Mas faz você ter a plena certeza do que quer para uma próxima vez
E, em sendo assim, faz você evoluir;
Pelo simples fato de lhe por a pensar, refletir...

Por isso, quando sentir saudades, pare!
Deixe a saudade vir, que ela tem um papel a cumprir...
Amadurecer o ser ou, simplesmente, fazê-lo sorrir.
E somente depende de nós, e do que fazemos a cada pensamento,
Se poderemos ter o privilégio de obter as duas coisas, ao mesmo tempo !

A saudade pulsa e tem vida própria
A saudade nasce, gritando...
Ela então vive no nosso peito, crescendo, devagar, sem machucar tanto
Quando vai perdendo força ou ganhando tamanho, é hora de avalia-la, fazer um check-up
A grande diferença é que saudade não morre!
Saudade é substituída ou diluída...
Às vezes trocada por outros sentimentos.
Se eles são ruins, confundimos com uma saudade ruim
Se são bons, gostamos de sentir saudades
Talvez as duas coisas estejam erradas...
Saudades: devemos apenas sentir
Porque ela vem de dentro e dentro deve ficar!

By MBF – em 31/01/01 e 09/05/02

Da arte como transição

12:46 @ 13/04/2007

Sim, a arte não é força criadora, atividade criativa, dependente da criatividade do artista.
Arte não pode ser só talento-dom, posto que também é dedicação e exclusividade de atenção.

Mas, de onde vem - e como se mantém - essa paixão avassaladora que arrasta e subsiste por detrás de todo artista - e até um economista pode o ser, mas duvido que um burocrata o seja - para que ele persista atrelado ao abismo de experiências que são necessárias para a arte, enquanto ofício e vida?

Um artista precisa experiênciar, tomar contato com o mais variado espectro de "motivações" - e um matemático inclusive pode fazer isso - para que surja, de dentro dele, vindo de fora dele (e então as noções de fora-dentro do sujeito se tornam irrelevantes), a potência criadora que subjuga, dessa maneira, o virtuosismo, a capacidade de repetição e representação do mesmo. Aliás, ele é artista - e não um burocrata, um técnico ou um virtuouse - porque algo nele é novidade, ainda que do mesmo. É o mesmo quadro, é a mesma língua, é o mesmo gesto que ele repete incessantemente, mas sempre apresentado-se novidade, com sentido, um modo de apresentação, um pensamento diferente, singular-plural.

E, com isso, talvez a "força criadora", o "dom divino", tome de assalto aquela meticulosa dedicação laboriosa a que o artista se entregue - livre e descompromissadamente - para "criar".

Assim, talvez por isso mesmo a arte seja, e não a filosofia, a melhor transição entre a teologia-religião e a ciência-conhecimento. Na sua re-invenção de valores novos, contemporâneos ao seu tempo, mas pré-existente e exatos, a arte pode abolir - e até destruir - nossa necessidade de ídolos e de metafísicas. Ela se prende ao mundo, porque liberta esse mesmo mundo e o mantém mundo-mutante-mutável.

A arte, enfim, é técnica e labor. Mas, por importante que é a "criatividade" do artista, torna-se inoportuno ceder espaço demais, ainda que ocupe mais espaço, ao treino e à repetição. A criação é o mílimetro de dignidade da arte.

E a arte é arte justamente por não ser mais-do-mesmo e não precisar se auto-justificar sendo tão diferente - e promovendo a solidão do artista-louco.

Mas, mesmo assim, não precisa ser bela. E, em sendo bela, não deixa, claro, de ser arte.

Afinal, a beleza é o estranhamento que somos capazes de suportar. Ou, como nos versos de Rilke: "a beleza é o início do Terror, devido à sua rara intensidade e, portanto, à crueldade que nos espera"

Artigo para reflexão!

18:40 @ 25/02/2007

Consumo, logo existo

Frei Betto *

Adital - Ao visitar em agosto a admirável obra social de Carlinhos Brown, no Candeal, em Salvador, ouvi-o contar que na infância, vivida ali na pobreza, ele não conheceu a fome. Havia sempre um pouco de farinha, feijão, frutas e hortaliças. "Quem trouxe a fome foi a geladeira", disse. O eletrodoméstico impôs à família a necessidade do supérfluo: refrigerantes, sorvetes etc.A economia de mercado, centrada no lucro e não nos direitos da população, nos submete ao consumo de símbolos. O valor simbólico da mercadoria figura acima de sua utilidade. Assim, a fome a que se refere Carlinhos Brown é inelutavelmente insaciável.

É próprio do humano - e nisso também nos diferenciamos dos animais - manipular o alimento que ingere. A refeição exige preparo, criatividade, e a cozinha é laboratório culinário, como a mesa é missa, no sentido litúrgico.

A ingestão de alimentos por um gato ou cachorro é um atavismo desprovido de arte. Entre humanos, comer exige um mínimo de cerimônia: sentar à mesa coberta pela toalha, usar talheres, apresentar os pratos com esmero e, sobretudo, desfrutar da companhia de outros comensais. Trata-se de um ritual que possui rubricas indeléveis. Parece-me desumano comer de pé ou sozinho, retirando o alimento diretamente da panela.

Marx já havia se dado conta do peso da geladeira. Nos "Manuscritos econômicos e filosóficos" (1844), ele constata que "o valor que cada um possui aos olhos do outro é o valor de seus respectivos bens. Portanto, em si o homem não tem valor para nós." O capitalismo de tal modo desumaniza que já não somos apenas consumidores, somos também consumidos. As mercadorias que me revestem e os bens simbólicos que me cercam é que determinam meu valor social. Desprovido ou despojado deles, perco o valor, condenado ao mundo ignaro da pobreza e à cultura da exclusão.

Para o povo maori da Nova Zelândia cada coisa, e não apenas as pessoas, tem alma. Em comunidades tradicionais de África também se encontra essa interação matéria-espírito. Ora, se dizem a nós que um aborígene cultua uma árvore ou pedra, um totem ou ave, com certeza faremos um olhar de desdém. Mas quantos de nós não cultuam o próprio carro, um determinado vinho guardado na adega, uma jóia?

Assim como um objeto se associa a seu dono nas comunidades tribais, na sociedade de consumo o mesmo ocorre sob a sofisticada égide da grife. Não se compra um vestido, compra-se um Gaultier; não se adquire um carro, e sim uma Ferrari; não se bebe um vinho, mas um Château Margaux. A roupa pode ser a mais horrorosa possível, porém se traz a assinatura de um famoso estilista a gata borralheira transforma-se em cinderela.

Somos
consumidos pelas mercadorias na medida em que essa cultura neoliberal nos faz acreditar que delas emana uma energia que nos cobre como uma bendita unção, a de que pertencemos ao mundo dos eleitos, dos ricos, do poder. Pois a avassaladora indústria do consumismo imprime aos objetos uma aura, um espírito, que nos transfigura quando neles tocamos. E se somos privados desse privilégio, o sentimento de exclusão causa frustração, depressão, infelicidade.


Não importa que a pessoa seja imbecil. Revestida de objetos cobiçados, é alçada ao altar dos incensados pela inveja alheia. Ela se torna também objeto, confundida com seus apetrechos e tudo mais que carrega nela, mas não é ela: bens, cifrões, cargos etc.

Comércio deriva de "com mercê", com troca. Hoje as relações de consumo são desprovidas de troca, impessoais, não mais mediatizadas pelas pessoas. Outrora, a quitanda, o boteco, a mercearia, criavam vínculos entre o vendedor e o comprador, e também constituíam o espaço das relações de vizinhança, como ainda ocorre na feira.

Agora o supermercado suprime a presença humana. Lá está a gôndola abarrotada de produtos sedutoramente embalados. Ali, a frustração da falta de convívio é compensada pelo consumo supérfluo. "Nada poderia ser maior que a sedução" - diz Jean Baudrillard - "nem mesmo a ordem que a destrói." E a sedução ganha seu supremo canal na compra pela internet. Sem sair da cadeira o consumidor faz chegar à sua casa todos os produtos que deseja.

Vou com freqüência a livrarias de shoppings. Ao passar diante das lojas e contemplar os veneráveis objetos de consumo, vendedores se acercam indagando se necessito algo. "Não, obrigado. Estou apenas fazendo um passeio socrático", respondo. Olham-me intrigados. Então explico: Sócrates era um filósofo grego que viveu séculos antes de Cristo. Também gostava de passear pelas ruas comerciais de Atenas. E, assediado por vendedores como vocês, respondia: "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz".

* Frei dominicano. Escritor.

Presentinho de Guimarães Rosa!

14:23 @ 18/12/2006

Abri o grande livro do mestre Guimarães Rosa e li assim:

“Se não tem Deus, a gente não tem licença de coisa nenhuma.” 

Dia desses li um livro que comparava a vida a uma viagem de trem. Uma comparação muito interessante quando bem interpretada. Interessante porque a nossa vida é verdadeiramente como uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, de pequenos acidentes pelo caminho, de surpresas agradáveis com alguns embarques e de tristezas com os desembarques.

Quando nascemos, ao embarcar neste trem encontramos duas pessoas que acreditamos farão conosco a viagem até o fim: nossos pais. Não é verdade. Infelizmente, em alguma estação eles desembarcam, deixando-nos órfãos de seus carinhos, proteção, amor e afeto. Mas isso não impede que, durante a viagem, embarquem pessoas interessantes que serão especiais para nós: nossos irmãos, amigos   e amores.

Muitas pessoas tomam esse trem a passeio, outras fazem a viagem experimentando somente tristezas. E no trem há também outras pessoas que passam de vagão a vagão, prontas para ajudarem quem precisa. Muitas pessoas deixam saudades eternas. Outras tantas viajam no trem de tal forma que quando desocupam seus assentos, ninguém percebe.

Curioso é considerar que alguns passageiros que nos são tão caros acomodam-se em vagões diferentes do nosso. Isso nos obriga a fazer a viagem  separados deles. Mas isso não nos impede de, com alguma dificuldade, atravessarmos nosso vagão e chegarmos até eles. O difícil é aceitar que não podemos nos assentar ao seu lado, pois outra pessoa ocupa esse lugar.

Essa viagem é assim: cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, embarques e desembarques. Sabemos que esse trem jamais volta. Façamos essa viagem da melhor maneira que pudermos, tentando manter um bom relacionamento com todos, procurando em cada um o que ele tem de melhor, lembrando sempre que, em algum momento do trajeto poderão fraquejar e, provavelmente, precisamos entender isso. Nós mesmos fraquejamos muitas vezes, e certamente alguém nos entenderá.

O grande mistério é que não sabemos em que estação ou parada desceremos.       E fico pensando: quando chegar a hora da nossa descida, sentirei saudades? Sim, muitas certamente. Deixar meus filhos viajando sozinhos será para mim muito dolorido e triste. Separar-me dos amigos que nele fiz, do amor da minha vida, será para mim terrivelmente dolorido. Mas me agarro na esperança de que, em algum lugar e momento, estarei na estação principal e terei a emoção de vê-los chegando com suas bagagens que não tinham quando embarcaram. E o que é melhor e me deixará mais feliz será saber que, de alguma forma, eu colaborei para que essa bagagem tenha crescido e se tornado mais valiosa.

Agora, neste momento, o trem diminui sua velocidade para que embarquem e desembarquem pessoas. Minha expectativa aumenta à medida que o trem vai diminuindo sua velocidade... Quem entrará? Quem descerá? Eu gostaria que você pensasse no desembarque do trem, não só como a representação da morte, mas também como o término de uma história, de uma viagem, de algo que duas ou mais pessoas construíram juntas e que por um motivo ínfimo deixamos desmoronar.

Fico feliz em perceber que certas pessoas como nós, têm a capacidade de reconstruir para recomeçar. Isso é sinal de garra, luta e apego às suas crenças e valores éticos e morais. É saber viver.  É saber tirar o melhor de “todos os passageiros”.

Agradeço muito por vocês terem feito parte da minha viagem e, por mais que nossos assentos não estivessem lado a lado, com certeza o vagão foi o mesmo.

 

UM FELIZ NATAL E UM 2007 RECHEADO DE MUITA SAÚDE, SUCESSO, CRESCIMENTO, PAIXÃO E MUITO AMOR NO CORAÇÃO de tod@s os Eapicidian@s e família!

 

Pensamento para o dia

13:27 @ 06/12/2006

Parabéns ao querido Leo e sua turma da Kanindé!

É uma honra conhecê-lo e ter a oportunidade de trabalhar com vc, meu irmão! Obrigado pela sua sabedoria! E parabéns pelo merecido prêmio!

Vejam:

Divulgados vencedores do Prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente 2006 Os vencedores do Prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente 2006 foram anunciados nesta terça-feira (29) pela ministra Marina Silva, na abertura da última reunião do ano do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Os primeiros lugares de cada categoria receberão diploma honorífico e premiação individual de R$ 20 mil, somando R$ 120 mil em prêmios, em solenidade a ser realizada no dia 13 de dezembro próximo.

Dos 85 trabalhos inscritos, 26 pertencem à categoria Liderança Individual, seis (Associação comunitária), 14 (ONGs), dez (Negócios Sustentáveis), dez (Ciência e Tecnologia) e 19 (Arte e Cultura).

O prêmio foi lançado em 2002 com o objetivo de valorizar trabalhos realizados em benefício da conservação da Amazônia. Para a secretária de Coordenação da Amazônia do MMA, Muriel Saragoussi, é uma forma de valorizar trabalhos individuais, de entidades não governamentais, de todos que contribuem para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Muriel informou que o número de inscritos vem aumentando a cada ano, o que coloca em evidência o trabalho sério, competente e corajoso desenvolvido na região.

A comissão julgadora teve uma tarefa difícil, em função da qualidade dos inscritos e da diversidade das histórias de vida e de luta que cada uma destas pessoas e instituições representam para a Amazônia. Muriel destacou que o prêmio teve participação de instituições reconhecidas pelo conjunto de obras, como o Museu Paraense Emílio Goeldi, e de instituições e pessoas anônimas. "São iniciativas que até passam desapercebidas, mas fazem diferença nas comunidades em que vivem". Conheça o perfil dos vencedores.

Lista dos vencedores

Organização Não-governamental
1º lugar - Operação Amazônia Nativa  OPAN, MT
2º lugar - Associação de Defesa Etnoambiental  Kanindé, RO,
e Instituto Internacional de Educação do Brasil  IEB, DF
3º lugar - Associação Vaga Lume, SP

 "A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho. "

"Mas nem sempre é necessário tornar-se forte. Temos que respeitar a nossa fraqueza. Então, são lágrimas suaves, de uma tristeza legítima a qual temos direito. Elas correm devagar e quando passam pelos lábios sente-se aquele gosto salgado, límpido, produto de nossa dor mais profunda."

(in "A Descoberta do Mundo", Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1999).

Viver Não Dói

 

  Carlos Drummond de Andrade

 

Definitivo, como tudo o que
é simples. Nossa dor não 
    advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram

sonhadas  e não se cumpriram.

 

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não
sofrer, apenas agradecer por

termos conhecido uma pessoa
tão bacana, que gerou em

nós um sentimento intenso e
que nos fez companhia por

um tempo razoável, um tempo feliz. 
    Sofremos por quê?

Porque automaticamente
esquecemos o que foi desfrutado

e passamos a sofrer pelas
nossas projeções     irrealizadas,

por todas as cidades

que gostaríamos de

ter conhecido ao lado do
nosso amor e não conhecemos,

por todos os filhos que

gostaríamos de ter tido junto e

não tivemos, por todos os
shows e livros e silêncios

que gostaríamos de ter
compartilhado, e não

compartilhamos. Por todos
os beijos cancelados, pela

eternidade.

 

Sofremos não porque nosso trabalho é  desgastante

 e paga pouco, mas por todas as horas livres

que deixamos de ter para ir
ao cinema, para conversar

com   um amigo, para nadar,
para namorar.

 

Sofremos não porque nossa
mãe é impaciente conosco,

mas por todos os   

momentos   

em que poderíamos
estar confidenciando a ela

nossas  mais profundas
angústias se ela estivesse

interessada em nos
compreender.

 

Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

 

Sofremos não porque
envelhecemos, mas porque o futuro está sendo     

confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras

nos aconteçam, todas
aquelas com as quais sonhamos e

nunca chegamos a
experimentar.

 

Como aliviar a dor do que
não foi vivido?

A resposta é simples como
um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo, mais
me convenço de que o

desperdício da vida está no
amor que não damos, nas

forças que não usamos, na
prudência egoísta que nada

arrisca, e que,  esquivando-se do sofrimento,

perdemos    

 também a felicidade.

 

 

A dor é inevitável.

 

O sofrimento é opcional.

Portal MAP

23:53 @ 03/11/2006

 

Olá Turma, apresento a vocês a página do MAP . Um portal para informações atuais sobre a regiãocompreendida pelo departamento perusno de Madre de Dios, o estado brasileiro do Acre e o Departamento boliviano de Pando.

Para quem quiser saber mais sobre a Amazônia que não passa na TV!!!!!

 

Para acessar clique na imagem da janela do site.

 

Ramene

Música distribuida por Roseli

18:44 @ 02/11/2006

AME

13:03 @ 31/10/2006

 

Deixe o amor tomar conta da sua vida! Deixe, vai! Esse é o caminho mais natural e normal, viu? Não tem como escapar do amor porque você foi feito para amar. Alguém programou você para amar e disso não tem jeito de fugir. Culpa dele! Qualquer desvio e você sente no seu íntimo que algo incomoda, certo? É o apito!
 
    O amor está na cara! O amor está bem aí na sua frente, está no ar que respira e na água que sacia a sua sede! O amor está nas pessoas, nos acontecimentos, na natureza.... O amor agride pra chamar a sua atenção! O amor vive, progride e sobrevive em você, apesar de tudo!
 
    É interessante e engraçado mas quanto antes você liberar esse tremendo potencial de amor contido no seu coração e permitir que ele flua livremente, melhor viu? Mais depressa vai entender a vida, as pessoas. Mais depressa vai conquistar a paz a harmonia com você mesmo, com o mundo, com Deus! Pare de nadar contra a correnteza, pô!
 
    Permita que o amor tome conta de sua vida! Permita que este sentimento sagrado, infinito e impossível de trancar seja colocado pra fora! ele quer derramar e varrer todo mal, toda negatividade, todo pessimismo, todo desânimo, toda desarmonia, sabia? Por que impedir algo que você sente que é incapaz de conter?
 
    E o segredo está nos detalhes, viu? Na simplicidade e não nas grandes obras, acredite! Exatamente aí onde você está é que ele quer se manifestar! O amor precisa de você porque ele é esperto e inteligente e te descobriu e te  tocou!
 
    Ame sempre! Ame a tudo e a todos! Ame especialmente os que menos merecem porque são eles, geralmente, os que mais necessitam, tá?
 
    Bom Dia! Bom Divertimento! 
 
"Ame apesar de tudo: do medo, da ansiedade, da angústia, da incerteza, do passado, do futuro e do presente. Ame apesar dos outros e de você mesmo!"

O PODER DE DIZER NÃO

18:43 @ 30/10/2006

A não ser que você se dê conta de que tem o poder de dizer não, você nunca poderá realmente dizer sim. A seus relacionamentos, a seu trabalho, a sua vida, a qualquer coisa.

Você não precisa esperar para fazer mudanças positivas de impacto.

Você não precisa ir à escola, você não precisa ir ao trabalho, você não precisa ir à guerra, você não precisa ser casado ou ter filhos... ao agir de forma que outras pessoas esperam ou querem.

Apenas reconhecer que cada ação ou não ação tem conseqüências e que sua disposição para aceitar esta conseqüência lhe dá o poder e a liberdade para escolher quem você é, onde você está e o que você vai fazer.

É neste momento que a vida muda de uma obrigação para uma oportunidade abençoada. É neste momento que o milagre acontece.

(Dan Millman)