Presentinho de Guimarães Rosa!
14:23 @ 18/12/2006
Abri o grande livro do mestre Guimarães Rosa e li assim:
“Se não tem Deus, a gente não tem licença de coisa nenhuma.”
Dia desses li um livro que comparava a vida a uma viagem de trem. Uma comparação muito interessante quando bem interpretada. Interessante porque a nossa vida é verdadeiramente como uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, de pequenos acidentes pelo caminho, de surpresas agradáveis com alguns embarques e de tristezas com os desembarques.
Quando nascemos, ao embarcar neste trem encontramos duas pessoas que acreditamos farão conosco a viagem até o fim: nossos pais. Não é verdade. Infelizmente, em alguma estação eles desembarcam, deixando-nos órfãos de seus carinhos, proteção, amor e afeto. Mas isso não impede que, durante a viagem, embarquem pessoas interessantes que serão especiais para nós: nossos irmãos, amigos e amores.
Muitas pessoas tomam esse trem a passeio, outras fazem a viagem experimentando somente tristezas. E no trem há também outras pessoas que passam de vagão a vagão, prontas para ajudarem quem precisa. Muitas pessoas deixam saudades eternas. Outras tantas viajam no trem de tal forma que quando desocupam seus assentos, ninguém percebe.
Curioso é considerar que alguns passageiros que nos são tão caros acomodam-se em vagões diferentes do nosso. Isso nos obriga a fazer a viagem separados deles. Mas isso não nos impede de, com alguma dificuldade, atravessarmos nosso vagão e chegarmos até eles. O difícil é aceitar que não podemos nos assentar ao seu lado, pois outra pessoa ocupa esse lugar.
Essa viagem é assim: cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, embarques e desembarques. Sabemos que esse trem jamais volta. Façamos essa viagem da melhor maneira que pudermos, tentando manter um bom relacionamento com todos, procurando em cada um o que ele tem de melhor, lembrando sempre que, em algum momento do trajeto poderão fraquejar e, provavelmente, precisamos entender isso. Nós mesmos fraquejamos muitas vezes, e certamente alguém nos entenderá.
O grande mistério é que não sabemos em que estação ou parada desceremos. E fico pensando: quando chegar a hora da nossa descida, sentirei saudades? Sim, muitas certamente. Deixar meus filhos viajando sozinhos será para mim muito dolorido e triste. Separar-me dos amigos que nele fiz, do amor da minha vida, será para mim terrivelmente dolorido. Mas me agarro na esperança de que, em algum lugar e momento, estarei na estação principal e terei a emoção de vê-los chegando com suas bagagens que não tinham quando embarcaram. E o que é melhor e me deixará mais feliz será saber que, de alguma forma, eu colaborei para que essa bagagem tenha crescido e se tornado mais valiosa.
Agora, neste momento, o trem diminui sua velocidade para que embarquem e desembarquem pessoas. Minha expectativa aumenta à medida que o trem vai diminuindo sua velocidade... Quem entrará? Quem descerá? Eu gostaria que você pensasse no desembarque do trem, não só como a representação da morte, mas também como o término de uma história, de uma viagem, de algo que duas ou mais pessoas construíram juntas e que por um motivo ínfimo deixamos desmoronar.
Fico feliz em perceber que certas pessoas como nós, têm a capacidade de reconstruir para recomeçar. Isso é sinal de garra, luta e apego às suas crenças e valores éticos e morais. É saber viver. É saber tirar o melhor de “todos os passageiros”.
Agradeço muito por vocês terem feito parte da minha viagem e, por mais que nossos assentos não estivessem lado a lado, com certeza o vagão foi o mesmo.
UM FELIZ NATAL E UM 2007 RECHEADO DE MUITA SAÚDE, SUCESSO, CRESCIMENTO, PAIXÃO E MUITO AMOR NO CORAÇÃO de tod@s os Eapicidian@s e família!
Comentários
(00:39 @ 02/03/2010) Clovão disse:
A autora desta linda mensagem é Silvana Duboc - O Trem da Vida