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O NORDESTE HOJE

 

Marcondes Rosa de Sousa

Professor da UFC e da UECe

O Povo – 10.11.2008

 

 

                Foi num misto de emoção e surpresa que, em 31 de outubro, recebi de Rosa Furtado, Presidente Cultural do Centro Internacional Celso Furtado, e de Robert Smith, Presidente do BNB, convite para o Seminário “O Pensamento de Celso Furtado e o Nordeste Hoje”.

            Cedo, lá cheguei, reencontrando rostos muitos, a evocar lutas e sonhos, desde Celso entre nós, no Auditório Castelo Branco (UFC), a nos pautar, nos anos 80, a redemocratização e o desenvolvimento.  Ali, falara-nos das potencialidades e limites da região. De caminhada a ter, passo primeiro, o repensar da nação, no contexto global/regional. Caminhos, a reforma agrária, num clima de resistência às estiagens.  A indústria e o mercado regional, as vias mais rápidas para a inclusão social.  E o horizonte a atingir-nos: ”O que caracteriza o desenvolvimento é o projeto so­cial subjacente. O crescimento econômico, tal qual o conhecemos, funda-se na preservação dos privilégios das elites, que satisfazem seu afã de modernização. Quando o projeto social dá prioridade à efetiva me­lhoria das condições de vida da maioria da população, o crescimento se metamorfoseia em desenvolvi­mento”.

            No seminário, queixas explícitas muitas: um Brasil esmaecido em seu papel de “foedus” (aliança), a “região” reclamando-se “ente federativo”.  “Inclusão social”, a transpor a caricata dimensão das “bolsas” a se esgotar na esmola a viciar os cidadãos, sob a luz do  “sem arte e ofício, não somos filhos de Deus” (Dom Aureliano a Ariosto Holanda)...

            Na voz e no rosto de muitos, o sentimento de novo ciclo, no País e no Mundo.  “Um longo amanhecer”, depoimento otimista deixado por Celso Furtado onde a CNBB  “não vê atitude de desesperanças”, mas “a metáfora de um país que ainda não encontrou o caminho de um desenvolvimento sustentado”.

         No País e no globo, a esperança!

         E-mail: marcondesrosa@gmail.com