Grupos

 

A mãe do Presidente

 

Nilze Costa e Silva

 O Povo – 09.01.2010  

 

Assisti ao filme “Lula, o filho do Brasil“ quase sempre com lágrimas nos olhos. O filme, na realidade, tem o mérito de homenagear uma mulher valente e voluntariosa. Uma mulher guerreira, modelo de superação da extrema pobreza, da fome, do exílio forçado, do abandono e da violência doméstica.

 

Dona Lidu era uma mulher teimosa. Saiu de Garanhuns, agreste de Pernambuco, região castigada pela seca, carregando oito filhos em busca de uma vida melhor em São Paulo. Lá morava o marido, que a largou com um filho na barriga. Entrou com seus rebentos em um caminhão pau-de-arara e garantiu a todos eles que a vida iria melhorar. “É só teimar“, dizia ela. Enfrentando poeira, calor e fome, trazia no colo um menino que se tornaria presidente do maior país da América Latina.

 

Em Santos, Lidu teve que lutar, enfrentar enchentes e brigar para defender seus filhos do pai violento e alcoólatra. Os filhos pequenos tornam-se vítimas do trabalho infantil e começam a trabalhar como ambulantes, engraxates e empregados domésticos para ajudar no sustento da família. Mas Dona Lidu teimava em manter a família unida e honesta. Lidu era dessas pessoas otimistas, confiante no futuro. Foi ela quem, pessoalmente, matriculou o futuro presidente no curso de torneiro mecânico e estava lá aplaudindo quando ele recebeu o certificado.

 

Tinha sempre um abraço e um afago, na alegria e na tristeza, inclusive quando ele perdeu um dedo da mão em um acidente de trabalho. Quando Lula enfrentou a dor de ver mortos sua primeira esposa e o filho, ao mesmo tempo, ela estava lá, consolando-o. Lula entrou no movimento sindical contra a sua vontade. Durante a ditadura, a mãe chorava com a possibilidade de sua prisão. O filme nos enche de esperança. É um grande exemplo para os brasileiros, a provar que com honestidade, trabalho e inteligência um menino pobre e nordestino pode se tornar um líder operário e até chegar à presidência da República.

 

Nilze Costa e Silva – Escritora
nilzecosta@terra.com.br

 

 

Muitos são os silêncios
poucos serão ouvidos

O silêncio de Buda

O cristianismo nasceu
das palavras de Cristo

o Zen nasceu de um silêncio de Buda

um dia o iluminado
em lugar do sermão
apresentou aos discípulos
uma flor
sem dizer palavra
um único discípulo entendeu
mahakasyapa
primeiro patriarca do zen
a doutrina da meditação silenciosa
da concentração descontraída
da dança não dançada
da voz sem voz
da iluminação súbita
da luz interior
da superação dialética dos contrários
da vida diária...

 

***

As vezes, em razão de nossa incapacidade de ouvir, acabamos achando que Deus, nossa imagem e semelhança, também é surdo. Dai saímos gritando, gritando... Deveríamos trocar o Amém pelo amem!

Abraços silenciosos.
Sebastião

magalhaesanta@uol.com.br

 

Poema de Vilemar F. Costa

19:54 @ 19/02/2010

 

Flanar pela rua
Vaguear caminhos e o pensamento
A deriva da própria vida a flutuar
Na existência e suas inconstâncias

Sob leve brisa vadiar
Na hora que o sol foge,
Prender a tarde na sola dos pés
Cruzar tempo, espaço e vento

Paredes baldias, vitrines, portas de aço, casas
A paisagem de concreto, espessa textura
Que reverbera calada, seus neons incandescentes
E a canícula sofrida.

Vozes atravessam a calçada,
Bêbados mendigos crianças, limitam
O ir e vir dos burgueses apressados
Espantados e enojados dos invisíveis citadinos

Ônibus escorrem, tomados de modorra
Carroças puxadas a homens
Motocicletas e peruas,
Algumas em movimento

Numa praça flanelinhas inebriados
Aguardam o final do litúrgico oficio
Para ganhar o real

Sombreada nas torres da igreja
A banca de velhas revistas e jornais
Guarda o tuberculoso esquálido a praguejar

O poeta ébrio beija a boca da noite
Sorve estrelas, enlouquecido
Impreca contra passantes que teimam instigá-lo

Enquanto homogays heteroguys safistas
Feito bibelôs coloridos
Fazem algazarras e riem-se,


Prostitutas alegres velhos assanhados
Trocam olhares lúbricos mútuos
À sombra do centro de cultura

No meio-fio, lauto banquete de carcaças podres
sobras de alimentos servidas em sacos de lixo,
nutrem a fome de crianças verminosas
velhos decrépitos mendigos loucos e bêbados

Praças poetas bêbados flanelinhas
velhos homos lesbios putas e loucos
Crianças verminadas e michês,
Estão invisíveis na cidade cega

Não refresca a alma
Não há espairecer
Observar o lado invisível da cidade
Nem há como

Falsear o céu no chão a vadiar
Ir por outros ares a imaginar
Verdes prados caminhos retos fontes refrescantes
Borboletas plantas pássaros insetos

Impossível no passeio divagar
flanar e não enxergar, a invisível dor
Mesmo que a tentação obrigue,
dispor os pés descalços no chão

À beira da noite que vem baixando,
Ousar-se livre como um pássaro
É apenas crônica delusão
No campo de morangos

Onde nada é real, para a elite do andar de cima
Presa entre condomínios e shoppings
Viver de olhos fechados é mais fácil**

Vilemar F. Costa
* Free as a bird : Lennon – McCartney - Ringo

** Strawberry fields forever : Lennon - McCartney

PoEma de Vilemar F. Costa

 

Celso Furtado na Rádio Universitária (1984)

 

Nordestinidade

 

Marcondes Rosa de Sousa
O Povo - 01 Fev 2010

 

Na Assembleia Legislativa do Ceará, ouço de deputado federal a observação de que aqui somos, entre os da região, o estado que mais tem o sentimento de nordestinidade. 

Por instantes, isso me leva aos anos 80 quando para cá trouxemos Celso Furtado então retornado da Europa para que nos falasse sobre as perspectivas que tínhamos para a região (www.grupos.com.br/blog/ethos-paideia/permalink/9489.html). 

O auditório Castelo Branco tornou-se pequeno para tanta ocorrência, aos gritos ``concha-concha-concha`` de ávida busca de vias contra o arbítrio. Celso aceitaria antes passar pelo Centro Industrial do Ceará, para breves palavras no vácuo de palestrante não vindo. Depois, voltaria para estar com ``os então jovens empresários``, e discorrer sobre ``Dos ideais do CIC a uma prática de governo.`` 

Novo ciclo. Tal ideário esgota-se: ``Eu considero que são 15 anos. O ciclo de Vargas fora 15 anos (...) O próprio ciclo da República, da Constituição de 1946, durou de 1946 até 1964: 18 anos``. Ouço de Gonzagão e Zé Dantas (médico) as admoestações após seca dos anos 50: ``Mas doutor uma esmola para um homem que é são ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão``. Ou, na versão, da CNBB: o ``clientelismo governamental`` distorcendo a ``bolsa família` na busca da droga, da violência e do crime. 

Algum tempo atrás, participo, a convite de Rosa Furtado, presidente Cultural do Centro Internacional Celso Furtado, e de Robert Smith (BNB). Em novo ciclo, a Região hoje busca um novo Nordeste. Persiste-lhe, porém, recobrado, o mesmo norte: ``Quando o projeto social dá prioridade à efetiva melhoria das condições de vida da maioria da população, o crescimento se metamorfoseia em desenvolvimento``. Norte que nos seduzirá aos muitos que agora perseguimos a metamorfose feito estrela na Região e no País.

 Assim seja! 


MARCONDES ROSA DE SOUSA 

Professor da UFC e da UECe  

 

 

 

 

 

 

QUE HORROR!!!

 

From: Sandra Paulino

To: agnus@powermail.com.br

Sent: Wednesday, February 17, 2010 10:50 AM

Subject: Fw: Diga não à Pena de Morte para Gays da Uganda

 

QUE HORROR!

***

 

Amigos,

 

           Aqueles que receberam a msg sobre Uganda e o assassinato institucional dos "diferentes" e aderiram à "petition on line", meu sincero agradecimento. Aos que me responderam dizendo que "isso não vai adiantar nada!", ofereço o vídeo espetacular a seguir. Aos que dizem que aquilo deve ser feito não tenho nada a dizer.

 

sandra paulino

 

***

 

Sandra, já estou em contato há algumas semanas com um amigo de Uganda. Ele não é cristão, mas conhece um pastor em cuja igreja há grande número de ex-homossexuais, e ele está ajudando esse pastor e várias igrejas cristãs a se organizarem na luta contra essa aberração de lei que prende homossexuais e os condena à pena de morte...

 

 Mas esse meu amigo disse que a população tem pedido uma outra lei, que seja humana, tolerante e ética, mas que ponha algum limite especificamente no avanço desenfreado e violento da militância ativista GLBT de lá, que, segundo eles, é financiada por George Soros (um dos grandes promotores do movimento pró-pedofilia no mundo) e está doutrinando crianças ugandenses à prática homoerótica, causando muitos estragos psicológicos nos pequenos. Parece que há diversas ONGs preocupadas com esse lado da questão, ao mesmo tempo em que estão defendendo os homossexuais contra essa lei odienta.

 

            Se eu tiver mais informações, envio para a lista.

           

            Abraço!

Ricardo.

 

De: vilemarfc@gmail.com


Enviada em: quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010 17:15
ethos-paideia@grupos.com.br

Ricardo, nessa você superou...

Dê-nos fontes seguras e precisas que sustentem ser o financista George Soros um dos promotores de movimento pró-pedofilia...

Dê-nos fontes de que realmente existem EX-gays...

Doutrinar crianças à prática Homo-erótica em Uganda, um país extremamente violento, com práticas atávicas de lutas sangrentas intestinas, de práticas selvagens de sacrificios humanos via religião/cultos/seitas, um país em que falta comida e agua mas sonbra armas nas mãos de crianças e adolescentes... Sei não, acho que esse seu amigo se enganou de fato e de direito... HHUUMMMM...!!!!!

Ah. talvez seja a tal "via religiosa doutrinária" dele.

 

***

 

 

 

From: ricardobmarques@uol.com.br

 

Vilemar,  sem cinismo, homem, por favor...

 

Como deve ter lido em minha mensagem, não afirmei a história do George Soros, deixei claro ter sido uma menção feita pela pessoa a que me referi. Mas esse dado não é novidade, só que nunca precisei confirmá-lo, pois nunca me envolvi com esse assunto. Quando eu tiver informação segura e factual, a trarei à lista como FATO, como costumo fazer. Se não trouxe assim, é porque mantenho minha coerência.

 

Fontes seguras sobre existência de ex-gays existem aos montes, quem tem real interesse basta fazer uma simples pesquisa, como eu costumo fazer ao transitar nos opsotos lados das questões sobre as quais quero aprender. Mesmo assim, em muitas mensagens minhas durante minha longa estada no Ethos-Paidéia, nos últimos anos, as PROVAS foram fartamente entregues a você e aos demais colegas.

 

Pode resgatar as mensagens sobre o tema e as encontrará, inclusive com diversas citações de trabalhos científicos de psiquiatras e psicólogos, testemunhos pessoais, livros, reportagens etc. Ah, claro: meus depoimentos pessoais também pois, como deve lembrar-se, revelei o quanto amo os homossexuais, quantos amigos GLBT tenho e descrevi em detalhes o trabalho que tenho com eles, inclusive as menções necessárias aos muitos EX-homossexuais masculinos e femininos com quem convivo semanalmente na comunidade de que participo. Ops, desculpe – esqueci que esses tipos de fatos e provas não contam, não... Eles são estranhamente esquecidos e ignorados, pois ferem certas convicções dogmáticas e absolutistas, né? (rsrsrsrs).

 

Se você estivesse melhor informado, descobriria que o doutrinamento de crianças a práticas homoeróticas é um fenômeno mundial e está ocorrendo em quase em todo tipo de sociedade. Só a desconheço, ao menor por enquanto, em certa tribos indígenas, pois não existe homossexualismo entre eles, exceto nas culturas corrompidas pelo homem branco – e mesmo assim, nestas, ocorre a horrenda prática de eles matarem os que se envolvem em práticas homossexuais assim que percebem qualquer tendência nesse sentido.

 

Quanto a esse meu amigo, se prestar atenção à minha mensagem, verá que ele não é religioso. Apenas está ajudando um pastor e algumas igrejas no combate à lei que pune homossexuais em Uganda, mas ele não tem qualquer “via religiosa doutrinária”, seja lá o que isso significa. O cara é um antropólogo ateu.

 

Por fim, queria alertar você, mais uma vez, amigo, a respeito de sua postura preconceituosa que o faz seletivo a respeito de minhas mensagens: observe que preferiu me criticar na menção que fiz à pedofilia em Uganda, que foi ponto periférico na mensagem, em vez de aplaudir o foco da mensagem, que foi a movimentação que se está fazendo em Uganda contra a lei que pune homossexuais. Viu como, intencionalmente ou não, é fácil para você distorcer as coisas e me “discriminar”, produzir “intolerância e preconceito” e, quem sabe, até “incitação ao ódio”? (São acusações ridículas que ativistas costumam fazer a pessoas comuns que possuem opiniões que os incomodam, mas contra as quais não têm argumentos, restando-lhes apenas denegrir, censurar, ridicularizar e perseguir quem eles quiserem, até se livrarem do incômodo).

 

Perdoe-me dizer-lhe, velho amigo, mas foi você quem se superou nessa. Ponha a mão na consciência, é só um pretensioso pedido de quem gosta muito de você.

 

Ricardo.

 

 

 

 

 

 

Paulo Elpídio e familiar

 

Revolução semântica 

 

Paulo Elpídio de Menezes Neto 
 

      “Toda vez que o homem quis trazer o céu para a terra, fez reinar o inferno”,

Karl Popper 
 

            Em artigo recente, Roberto Damatta compara Lula a Prometeu: o personagem mítico roubou aos deuses o fogo da sabedoria, o metalúrgico-sindicalista, sagrado presidente, deitou a mão sobre as glórias do Plano Real e apossou-se dos ganhos do governo satanizado dos social-democratas.  O resto da estória é conhecido, é engenho político sem precedentes que a muitos surpreendeu e a tantos encheu de justificadas dúvidas e incertezas.

 

Assistimos, nestes poucos anos, ao nascimento de um governo midiático, avalista de um Estado-espetáculo e auto-referencial, cenário de uma revolução que se renova e se fortalece no domínio da construção de imagens cativantes. Convivemos com uma obra primorosa de engenharia léxica, da qual se extraiu uma revolução semântica e com ela foram redesenhados conceitos, premissas, convencimentos, ideários, hábitos e preconceitos. O esvaziamento do conteúdo das palavras e do significado recorrente que lhes deu cara e figura tem alcance considerável na fixação do objeto ou da idéia que designam ou pretendem excluir, simplesmente.

 

            É como se houvesse operado uma profilaxia saneadora no seu sentido original, com a retirada do registro inconveniente de significados indesejáveis para substituí-los por outros mais operacionais e socialmente mais convincentes. De uns tempos para cá, passamos a empregar, com freqüência inusitada, o adjetivo “republicano”, depois de termos exaurido o uso da palavra “cidadania”, do emprego das ações “inclusivas” e de terem sido denunciadas intoleráveis situações “excludentes”, pelos quais hão de ser responsabilizadas, naturalmente, as elites que nos colonizaram ao longo destes quinhentos anos de governos liberais e neoliberais, durante os quais foi “inventado” o Brasil.

 

Agora, felizmente, em boa hora, preparamo-nos para a sua “reinvenção”, não só a do Brasil, mas a do mundo, mediante modelos e técnicas sutis, entre elas a de “reaparelhamento” do Estado, como viemos saber na semana passada, ao som de abundantes manifestações patrióticas de um bem sucedido e ruidoso inventário partidário realizado em Brasília.

 

            A ambigüidade das intenções manifestas e das dissimuladas pela conveniência dos significados fez das palavras em uso no mundo político instrumento de múltiplas aplicações, chave-mestra de muitas entradas, “links” reveladores de dissimuladas intenções. No mais das vezes, o maniqueísmo secretado por essa ambigüidade aparentemente ingênua promove a catalogação de posições e dos indivíduos, atribuindo-lhes classificação condenatória ou absolvendo os pecadores, conforme as conveniências da ocasião, a uma simples troca de sinal do seu significado original. 

 

            Da geografia da Convenção herdamos a designação de esquerda, direita e centro, classificação genérica na qual se enquadram – assim imaginamos -- as tendências, os antagonismos e as cumplicidades políticas e ideológicas que alimentam o poder dos homens e as forças do governo. Nesta quadra dos grandes prodígios da “Pátria-grande” a que assistimos afortunadamente, embora sem os merecimentos de outros cidadãos mais aplicados, foram associados ou diluídos, por obra piedosa da semântica, conceitos e acepções discrepantes, cuja serventia está na confusão que produz em quem pretende entendê-los.

 

A “direita”, historicamente representada pelos “girondinos”, agentes pressurosos da consolidação das conquistas burguesas e empenhados em evitar os agravos revolucionários, passou a sinônimo de “liberal” e “neoliberal” e de todo o cinismo de que os homens são capazes de armazenar e carregar durante a sua passagem vacilante por este vale de lágrimas, servidos pelo livre arbítrio, condição que os torna, ainda, mais perigosos para os homens de bem e os cidadãos insuspeitados, as famílias numerosas da esquerda e os eventuais “companheiros de viagem” admitidos em comodato durante o breve percurso do assédio e tomada do poder. 

 

O que mais incrimina e condena, neste jogo de palavras vãs, sortilégio de dúvidas e cumplicidades dissimuladas? A suspeita de ser “liberal” (ou “neoliberal”, pecado em dupla porção) ou a falha de caráter de quem é apontado como “de direita”? Do “centro”, guardamos a má fama de oportunismo que exala, ainda assim útil a todas as intenções, sobretudo as dos “jacobinos”, transformado em esteio da esquerda secular, massa de todas as manobras de “governabilidade”, eufemismo cínico que, no Brasil, explica todas as proezas das alianças e as suas generosas conquistas.

 

            Do que estamos a falar, afinal? Sobre questões imponderáveis, hão de pensar os justiceiros, que tremem de ódio santo ao menor sinal de dúvida sobre os mandamentos e dogmas da verdade eleita. Não são poucos os indícios de um auto-de-fé que se foi armando em torno dos homens desprevenidos, dos que fogem ao engajamento instantâneo, empurrando-os para o canto das definições impositivas. Vale lembrar, a propósito da exacerbação maniqueísta a que nos vimos expostos, as doutas palavras de um eminente assessor presidencial,  para quem existe, no Brasil, um “retraimento do pensamento crítico” fragilidade que favorece a ascensão real de uma “subintelectualidade de direita”.  

 

            Em um país construído e movido por interesses transeuntes, sem identidade política ou fisionomia partidária, como o Brasil antes, durante e pós-Lula, não parece tarefa fácil distinguir com razoável precisão o que diferencia a “direita” da “esquerda” e entender como se mantêm as alianças construídas na base do escambo político, da troca da estipêndios e de provisórias intenções. Discordar, da mesma forma como exercer a oposição, são tarefas ingratas – e perigosas, a História o comprova, segundo os registros sobre a intolerância da fé e das ideologias dos homens.

 

             Diante dessa dúvida “hamleteana”, a “ascensão de uma subintelectualidade de direita” parece menos arriscada para a democracia em construção nos laboratórios do PT, do que o “retraimento” do pensamento critico, cujas evidências se acumulam por força das obras improvisadas da “reinvenção” anunciada do Brasil.