Indústrias sem chaminés (Marcondes Rosa de Sousa)
12:25 @ 16/03/2010
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Roseane Medeiros
INDÚSTRIAS SEM CHAMINÉS
Fui dos primeiros a chegar, a convite de Robinson de Castro e Silva, à Casa da Indústria, para a transmissão do cargo de presidente do Centro Industrial do Ceará à primeira mulher, Roseane Medeiros. Driblei fotógrafos e jornalistas. Discreto, sentei-me distante das cadeiras reservadas aos que iriam empossar-se.
Em flashback, surgiam-me, ali, três momentos marcantes na história do CIC. O de seu início, desde sua criação até os anos 80, a agregar as ditas “indústrias de chaminés”. Sua evolução, nos primórdios dos anos 80, quando, para aqui trazíamos, a convite da UFC e do Jornal O Povo (mediado por mim então pró-reitor de extensão), Celso Furtado, recém retornado de longo exílio, para nos falar das perspectivas que teríamos com vistas ao desenvolvimento da região nordestina, que, a convite dos “jovens empresários do CIC”, ao Ceará retornaria depois.
Um conjunto musical, integrado por filho da presidente a empossar-se, evocou-nos os Beatles com intentado sotaque de nordestinidade, em tributo à Roseane. Observo os ali presentes: os mundos empresarial, social e político do Ceará a transpor o arcaico conceito das “indústrias de chaminés”. E isso me faz recordar gesto de Jorge Parente, ali cedendo seu lugar à nossa prefeita, em atraso, e, na Fiec, anos atrás, eu então presidente do Conselho de Educação do Ceará, ao dar posse, às nossas universidades, formadoras do capital humano.
Hoje, o CIC já navega tais águas. A gestão de Robinson Castro e Silva, com seu Observatório Social em Educação, vai nesse rumo. Justo quando a consciência ecológica que, hoje temos, sedimenta-se em toda a educação, da infantil à de todo cidadão, seguindo as sendas abertas por Jorge Parente: mesa de negociação do caleidoscópio da sociedade de agora.
Educação, da infantil à permanente, agora vê-se capital social e humano.
e-mail: marcondesrosa@gmail.com
Em tempo:
O presente artigo, escrevi-o para publicação no Jornal O Povo, na segunda-feira que, por coincidência, era o dedicado às mulheres. Num gesto simbólico, o editoria da página “Opinião, convidou articulistas do sexo feminino, lá a falar de temáticas femininas a personagem principal deste meu artigo.
.Marcondes Rosa de Sousa
Professor da UFC e da UECe

