Grupos

Roseane Medeiros

 

INDÚSTRIAS SEM CHAMINÉS

 

 

Fui dos primeiros a chegar, a convite de Robinson de Castro e Silva, à Casa da Indústria, para a transmissão do cargo de presidente do Centro Industrial do Ceará à primeira mulher, Roseane Medeiros. Driblei fotógrafos e jornalistas.  Discreto, sentei-me distante das cadeiras reservadas aos que iriam empossar-se.

Em flashback, surgiam-me, ali, três momentos marcantes na história do CIC. O de seu início, desde sua criação até os anos 80, a agregar as ditas “indústrias de chaminés”.  Sua evolução, nos primórdios dos anos 80, quando, para aqui trazíamos, a convite da UFC e do Jornal O Povo (mediado por mim então pró-reitor de extensão), Celso Furtado, recém retornado de longo exílio, para nos falar das perspectivas que teríamos com vistas ao desenvolvimento da região nordestina, que, a convite dos “jovens empresários do CIC”, ao Ceará retornaria depois.

Um conjunto musical, integrado por filho da presidente a empossar-se, evocou-nos os Beatles com intentado sotaque de nordestinidade, em tributo à Roseane.  Observo os ali presentes: os mundos empresarial, social e político do Ceará a transpor o arcaico conceito das “indústrias de chaminés”.  E isso me faz recordar gesto de Jorge Parente, ali cedendo seu lugar à nossa prefeita, em atraso, e, na Fiec, anos atrás, eu então presidente do Conselho de Educação do Ceará, ao dar posse, às nossas universidades, formadoras do capital humano.

Hoje, o CIC já navega tais águas.  A gestão de Robinson Castro e Silva, com seu Observatório Social em Educação, vai nesse rumo.  Justo quando a consciência ecológica que, hoje temos, sedimenta-se em toda a educação, da infantil à de todo cidadão, seguindo as sendas abertas por Jorge Parente: mesa de negociação do caleidoscópio da sociedade de agora.

Educação, da infantil à permanente, agora vê-se capital social e humano.

e-mail: marcondesrosa@gmail.com

 

Em tempo:

O presente artigo, escrevi-o para publicação no Jornal O Povo, na segunda-feira que, por coincidência, era o dedicado às mulheres.  Num gesto simbólico, o editoria da página “Opinião, convidou articulistas do sexo feminino, lá a falar de temáticas femininas a personagem principal deste meu artigo. 

 

.Marcondes Rosa de Sousa

Professor da UFC e da UECe

 

 

Espelho, espelho meu...

 

Marcondes Rosa de Sousa

Professor da UFC e da UECe

O Povo - 22 Mar 2010

 

Às portas do Banco do Brasil, no espaço da reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC), dou com colegas professores. No papo, a distância crescente da administração superior dessa instituição para com a sociedade, não mais vista ``pólo cultural do Benfica``. No papo, queixa a se estender à Universidade Estadual do Ceará (Uece), da qual sou professor. Falo-lhes sobre carta recente de Paulo Elpídio, ex-reitor da UFC nos anos 80, a se queixar de dois eventos onde lamentava a ausência da UFC - numa feira editorial no Rio, a ausência das ``Edições UFC`` e, em Paris, o mesmo a envolver editoras brasileiras, sem a UFC. Falo-lhes da recente posse da professora Roseane Medeiros, da Unifor (da qual fui professor), a primeira mulher à frente do Centro Industrial do Ceará (CIC) onde não vi representação alguma de nossas universidades.

            Ali, voltei aos tempos de pró-reitor de Extensão da UFC, quando para aqui, em convênio com O POVO, trouxemos Celso Furtado para, nos ``Encontros culturais``, nos falar das perspectivas para o Nordeste. Dali, Celso, depois, voltaria, a convite do CIC, traçando com os então jovens
empresários as sendas do ``movimento das mudanças``.

            Na posse de Roseane, não senti a presença da UFC a liderar a caudal de seus festivais (nacionais e internacionais) de cinema, encontros a indagar o ``Para onde vai a universidade brasileira``... Ali no CIC vi, porém,
diretores de instituições privadas de ensino superior, a quem, um dia, Jorge Parente, ao presidir a Federação das Indústrias do Estado do Ceará, nesta nos daria posse, num futurista insight, como ``indústrias sem chaminés``. Passo pela Unifor. Um painel evoca-me a história de Branca de Neve. Nela, a indagação ``espelho, espelho meu``, na narcísea sugestão da estrada por ela buscada: ``Unifor, a incomparável, em ensino, pesquisa e extensão``.

 

     Que as demais a sigam!



           

 

 

 

UFC presente na construção do CE

 

Henry de Holanda Campos
O Povo - 25 Mar 2010

               

                Mais de 1.500 notícias foram inseridas no portal da Universidade Federal do Ceará (UFC) desde 23 de outubro de 2008, início da atual gestão. Elas descrevem realizações, eventos, obras diversas e conquistas dessa instituição que, aos 55 anos, se inclui entre as maiores e melhores universidades brasileiras, sejam quais forem os indicadores utilizados. Concebida sob o lema do ``Universal pelo regional``, a UFC materializa, através do trabalho continuado pelos sucessores do inesquecível Martins Filho, o exemplo de uma instituição cuja história é continuamente escrita.


                Essa afirmativa é referenciada por dados irrefutáveis, como a instalação de três campi no Interior, com 20 cursos de graduação. Uma centena de cursos são ofertados a 28 mil alunos, representando crescimento de 29,7 % no período 2007-2009, aí incluidos os semipresenciais, em 28 municípios. Na pós-graduação, com oito novos cursos de doutorado e 17 de mestrado, o incremento foi de 38,5% no mesmo período.


                O fortalecimento da pesquisa traduz-se no seu orçamento, atualmente de mais de R$ 50 milhões, e na representação de 78,5% dos grupos de excelência em pesquisa no Ceará, onde a UFC chega a ser responsável, em algumas áreas, por mais de 90% do conhecimento produzido. Só em 2009, mais de R$ 22 milhões foram investidos em obras e mais de R$ 16 milhões em equipamentos.


                A interlocução com a sociedade intensifica-se através de 700 ações extensionistas, que chegam a todo o Estado e a mais de meio milhão de cearenses. Criam-se e revitalizam-se espaços para as artes e a cultura. Uma forte parceria com o projeto de desenvolvimento do Ceará baliza o crescimento institucional. A renovação de quase um terço do quadro docente acompanha-se de novas práticas de gestão. A UFC se apresenta à sociedade como um livro aberto, desde as primeiras páginas, enredado na história do Ceará e indissociável de seu desenvolvimento, o que a torna um dos nossos maiores patrimônios.


                Henry de Holanda Campos é Vice-reitor da UFC

 

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Governo, academia e iniciativa privada voltados para o bem-estar social

             (De Roseana Medeiros de Oliveira a Marcondes Rosa de Sousa)

 

 

Prezado Professor Marcondes Rosa,

 

Acreditamos que todo país que busca o desenvolvimento sustentável precisa, entre outras ações, converter conhecimento científico em inovação. No entanto, isso não pode ser feito de forma isolada. É importante que governo, academia e empresas enxerguem o mesmo fim. A inovação é um processo agregador.

 

 

      Reconhecemos que esse é também um processo de mão dupla. A parceria entre empresas e universidades, por exemplo, não deve se dar apenas do conhecimento vindo do setor acadêmico e se tornando realidade pelas mãos da indústria. Se partirmos do princípio que muitas pesquisas nascem das necessidades das empresas, é possível imaginar que o desenvolvimento de inovações possa partir de demandas do setor produtivo, e não somente de projetos de pesquisadores, muitas vezes, sem nenhuma familiaridade com o mercado. Que ambas abram suas portas às necessidades comuns e ao crescimento do país.

 

 

     Em nossa gestão, estamos priorizando, seja através do Observatório Social em Educação ou de outras ações, a conexão com a academia e órgãos governamentais, visando um Ceará inovador com bases sólidas.

 

 

     Para a solenidade de posse da nova gestão, o CIC convidou representantes das universidades locais, inclusive para a mesa de honra, o digníssimo reitor da UFC, Jesualdo Pereira Farias, que justificou a sua ausência por motivos de viagem.

 

 

    Na certeza de que os seus artigos sempre serão enriquecedores, nos despedimos cordialmente.

 

Roseane Medeiros de Oliveira

Presidente

 

 

CIC - CENTRO INDUSTRIAL DO CEARÁ
Av. Barão de Studart, 1980 5º andar. Aldeota
Fortaleza -Ceará -Brasil - CEP.: 60.120-901
Fone/Fax: 85.3261.9612/3421.5412
www.cic.com.br
  cic@cic.com.br




 

 

 

 

            

                         

 

 

 

            Meu Caro Marcondes,

 

            Os "posts" alinhados poderiam constituir, em princípio, um temário básico e provisório sobre a "entente" "governo, academia e iniciativa privada". Se servir ao bem-estar social, muito bem. Desconfio, entretanto, que este não seja o objetivo central do "contrato" que se quer ver celebrado entre estas instâncias. 

 

            Padecemos de excesso de governo, de iniciativas privadas que não sobrevivem sem o público e de uma academia corporativa e "corporativista" que não consegue enxergar as resistências internas às mudanças e à inovação.

 

            Governo e academia foram tomados de assalto por velhas ideologias, renascidas das cinzas, em nome de uma forma  de nacionalismo e populismo que imaginávamos enterrados. A iniciativa privada adotou, como bandeira e inspiração, os dogmas do governo, o viés de um, sucesso momentâneo, e até contribui em seu favor, animada pelos elevados índices de aceitação do governo e do seu chefe. Excessos à parte, o empresariado se mostra  como "companheiro de viagem" ideal para essa travessia cheia de riscos previsíveis.

 

            Não, não sou de direita. Assim como Hugo Chávez e Lula não são de esquerda. De minha parte por convicção ou por ignorância geográfica; o que nada tem a ver com a percepção dos dois grandes líderes, os maiores que pisaram neste solo gentil herdado de Cortés, Pissaro e Cabral. O "bolivarianista" Chávez e o nosso "redentorista", a quem falta, apenas, um título consagrador: por que não lhe conferimos, por justa causa, o de  benfeitor perpétuo do mundo?

 

            Vamos por em pé um temário em torno do qual possamos discutir, a sério, esta questão?

 

            Por exemplo, como cruzariam iniciativa privada e academia, na perspectiva de produção de conhecimento e de qualificação profissional? E o governo, além de financiar ou deixar de financiar, que propósitos alimenta em relação à educação superior?

 

            Em que medida poderíamos extrair da Academia uma avaliação dos seus esforços e do governo as ideia que alimentam as suas políticas públicas? E da iniciativa privada, onde se colocam os objetivos reais da sua ação, além dos pressupostos "racionais" do lucro?

 

            Vamos conversar sobre isso? Disponho-me a ajudá-lo na elaboração deste cardápio.

 

            Paulo Elpidio