Grupos

 

 

CARTA A MARCONDES ROSA

 

Estimado amigo Professor Marcondes Rosa:

 

Mais uma vez o Amigo me distingue e desejo agradecer. Em concreto, recolhi, durante o tempo do exílio vivido, algumas cousas que são aquelas aprendidas na  chamada "Escola do Dia-a-Dia".

 

Fiz comigo mesmo compromisso de silêncio... também em homenagem aos que não se foram e construíram os sofridos caminhos de volta à Democracia e, em termos outros, o regresso dos que "partiram no rabo do foguete incendiado" em Paris 68.

 

Vocês, os que ficaram, merecem gratidão e respeito. Em conversa com o nosso querido Paulo Freire, na distante Estocolmo, me aconselhou, " Olha Chico, quando você chegar de volta algum dia, "não fica calado, abre a boca e fala... para que outros possam, pelo menos, escutar, concordar ou discordar...".

 

O caso é que regressei e decidi a busca do meu "elo perdido" ou do meu "eu perdido"; ficar quieto na minha", como se diz por aí. Hoje, com 15 anos de Brasil, comecei a "botar a boca no Mundo" e contar minhas histórias ou estórias como sugerem os mais eruditos.

 

Assim, por temor à tribo de que fiz parte, passei a mandar meu eco para latitudes latino-americanas onde os meus companheiros sabem entender melhor o que envio em  meus escritos. Alguns chegam até a relacionar o meu "talento" com meus ancentrais literatos de Primeira Grandeza. Outros, com tendências militares que certamente são óbvias e graduadas.

 

Por último com o José Alencar o nosso intrépido Vice-Presidente, por sua resistência nos Hospitais e Centros Cirúrgicos. Nada de inserir-me na tão almejada "cultura proletária" sobre a qual dissertaram os grandes teóricos do Século passado

 

Concluindo, quando o Amigo reunir com outros que,  "en una mesa de café", que aceitem ouvir  "mis lamentos", chego aí.

 

Sabe-se  lá o que é, durante  20 anos,  passar ouvindo "God Save the King" e, chegar a Fortaleza e sentir o Coral da Universidade Sem Fronteiras cantando e solfejando o "Luar do Sertão"? Segurei a lágrima para não emocionar os demais.

 

Fraternalmente, mais uma vez agradece,

Francisco de Alencar

 

 

 

PANEM ET CIRCENSES...

 

Recebi e repasso a notícia mais adiante.

 

Absolutamente vergonhoso. Só idiotas não se dão conta de que os programas de “bolsas” do nosso querido – porém irreconhecível – Lula não passam de genial e óbvia estratégia assistencialista para controlar o voto de uma maioria de brasileiros. Ou seja, o velho “voto de cabresto”, o que caracteriza Lula como o maior “coronel” de todos os tempos.

 

Isso sem falar que ele jogou na lama qualquer boa imagem que lhe restava, ao se mancomunar com corruptos como Collor e Sarney, sem falar em sua associação direta com ex-terroristas praticantes de crimes tão hediondos quanto os da ditadura militar que eles próprios criticam, e que hoje se refestelam com o presidente na corte brasileira, como parasitas de um povo afeito a ser explorado e ludibriado. Somos mesmo um país de estranhas anomalias politiqueiras.

 

Eu já havia dito aqui na Lista, coisa que foi confirmada por outros e que é visível a quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir: não se trabalha mais em muitos recantos do Brasil. Não se encontra mais pessoas dispostas a arar, plantar, colher, vender, assentar tijolos, instalar cercas ou qualquer outro serviço cujo ganho se aproxime dos valores das “bolsas” do painho Lula. Nas cidades do interior do Ceará, o problema é generalizado – os botecos e os forrós se proliferam, adultos e adolescentes se embriagando desde a manhã até a noite, pois o dinheiro da cachaça, pelo qual antes tinham que trabalhar alguns dias para receber e depois caírem na farra para torrar tudo no final de semana, agora vem fácil, sem trabalho; então, eles se enfiam na cachaça de segunda a segunda, achando que não precisam de trabalho. E aí tudo parou. Parou mesmo.

 

O velho “pão e circo” da antiga Roma. Nada mudou.

 

Nunca, antes, na história desse país tivemos um “coronel” com tamanha dimensão de poder e controle do voto. Só não considero que joguei meu voto fora porque imagino que, ruim por ruim, não tínhamos nem temos candidato melhor que ele... E agora, meu Deus?

 

Ricardo.

 

 

 

Assunto: Curso para 500 mulheres

Alguem tinha alguma dúvida de que isso iria acontecer?   
 

Como o setor têxtil é de vital importância para a economia do Ceará, a demanda por mão de obra na indústria têxtil é imensa e precisa ser constantemente formada e preparada. Diante disso, o Sinditêxtil fechou um acordo com o governo para coordenar um curso de formação de
costureiras. O governo exigiu que o curso deveria atender a um grupo de 500 mulheres que recebem o Bolsa Família. De novo: só para aquelas que recebem o Bolsa Família.


O importante acordo foi fechado dentro das seguintes atribuições: o  governo entrou com o recurso; o Senai com a formação das costureiras, através de um curso de 120 horas/aula; e, o Sinditêxtil com o compromisso de enviar o cadastro das formandas às inúmeras indústrias do setor, que dariam emprego às novas costureiras. Pela carência de mão obra, a idéia não poderia ser melhor.

 

Pois é.  Pois bem. O curso foi concluído recentemente e com isto os cadastros das costureiras formadas foram enviados para as empresas, que se prontificaram em fazer as contratações. E foi nessa hora que a porca torceu o rabo, gente. Anotem aí: o número de contratações foi ZERO.


Entenderam bem? ZERO, gente. Enquanto ouvia o relato, até imaginei que o número poderia ser baixo, mas o fato é que não houve uma contratação sequer. ZERO. Sem qualquer exagero. O motivo? Simples, embora triste e muito lamentável, como afirma com dó, o diretor do Sinditêxtil.


Todas as costureiras, por estarem incluídas no Bolsa Família, se negaram a trabalhar com carteira assinada. Para todas as 500 costureiras que fizeram o curso, o Bolsa Família é um beneficio que não pode ser perdido. É para sempre. Nenhuma admite perder o subsidio.


SEM NEGÓCIO- Repito: de forma uníssona, a condição imposta pelas 500 formandas é de que não se negocia a perda do Bolsa Família. Para trabalhar como costureira, só recebendo por fora, na informalidade. Como as empresas se negaram, nenhuma costureira foi aproveitada.

A RAZÃO DE LULA - O que sobrou nisso tudo? Muita coisa. O custo alto para formar as costureiras foi desperdiçado. E pelo que foi dito no ambiente da FIEC, casos idênticos do mesmo horror estão se multiplicando em vários setores. Considerando que a região nordeste do país contempla o maior número de beneficiados com o Bolsa Família, aí está a razão para sermos todos imbecis e idiotas. Lula tem razão. Toda razão.

VIVA O LULA!!!   VIVA A BOLSA FAMÍLIA!!
                 VIVA O PAÍS DO BANANÃO!!

 

 

Celso Furtado

  90 anos do CIC

Marcondes Rosa de Sousa

Professor da UFC e da UECe

O Povo - 17 Ago 2009

Crescer, aos nordestinos, é imperativo e desafio – adverte-nos Sérgio Machado,  presidente da Transpetro, nos anos 80  do Movimento Pró-Mudanças, e da geração dos  jovens empresários. Chave para o crescer, a  unidade das lideranças. .

Há pouco, o CIC (Centro Industrial do Ceará), ao qual se integravam, nos anos 80, os “jovens empresários, celebrou seus 90 anos. E, Robinson Passos de Castro e Silva presidente, lançou-nos o Observatório da Educação, a envolver todos os agentes de tal processo, em ampla reflexão, aos  educadores.  O lançamento de tal programa contou com as principais lideranças de nossa sociedade, os debates intermediados por Cláudio de Moura Castro, na FIEC.

O Ceará, assim, integra o rol das 14 cidades brasileiras onde o Observatório Social se ensaia. É a tentativa de reatar-nos o fluxo das cheias a sepultar cacimbas e leito seco dos rios, numa cíclica (re)união pelo Ceará, dos tempos de Virgílio Távora, do Pró-Mudanças de Tasso Jereissati e os de agora.

Anos atrás, entre intelectuais e lideranças produtivas, havíamos superado o tempo  das “indústrias de chaminés”.  E, sensível a isso é que Jorge Parente dera assento na FIEC aos de educação. Presidente do  Conselho de Educação do Ceará, dou testemunho de Wânia Dummar a coordenar programa de responsabilidade social.a nossas instituições de educação superior.  Um ensaio, sem dúvida, simbólico, intróito porém dos novos tempos. Tempos previstos por Celso Furtado: "O que caracteriza o desenvolvimento é o projeto social subjacente. O crescimento econômico, tal qual o conhecemos, funda-se na preservação dos privilégios das elites, que satisfazem seu afã de modernização. Quando o projeto social dá prioridade à efetiva melhoria das condições de vida da maioria da população, o crescimento se metamorfoseia em desenvolvimento".

E-mail: marcondesrosa@gmail.com


.

 

A nocividade da concordata com o Vaticano

e o ensino religioso no Brasil

 

Este extrato da atual postura do Vaticano, em diálogo e união com os povos, é, com certeza, um sinal de não imposição aos diversos povos e culturas do Planeta, uma religião oficial.

Cordialmente,

Prof. Marcondes Rosa de Sousa

Coord. do Grupo Ethos-paidéia

***

Documento intercristão constata que missão e ecumenismo não se opõem

 

Materiais para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2010

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 21 de agosto de 2009
(ZENIT.org).- (Clicar sobre)

 

 Expoentes cristãos das diferentes confissões publicaram um documento no qual superam a dialética que no passado opunha o anúncio do Evangelho (a missão) ao diálogo ecumênico.

Trata-se dos materiais redigidos pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos e pela Comissão Fé e Constituição, do Conselho Mundial de Igrejas, por ocasião da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos e para todo o ano de 2010.

O documento, recém-publicado, está dedicado ao tema “missão e unidade”, inspirando-se na frase do Evangelho de São Lucas (24, 48): “Vós sois testemunhas disso”.

Como explica a Introdução, “nem todos associam a proposta missionária e a preocupação da unidade dos cristãos”.

De fato, em algumas regiões do planeta, um dos problemas mais sérios que o diálogo ecumênico sofreu nas últimas décadas deveu-se precisamente à chegada de missionários de diferentes confissões cristãs, vistos em ocasiões como uma “concorrência”.

O documento, no entanto, pergunta: “Não estão unidos o compromisso missionário da Igreja e seu compromisso ecumênico?”.

“Pelo nosso batismo, já formamos um único corpo e estamos chamados a viver em comunhão. Deus nos fez irmãos e irmãs em Jesus Cristo. Não é este o testemunho fundamental que devemos apresentar?”, continua interrogando o texto.

“Sem negar as rivalidades entre missionários enviados por diferentes igrejas”, o documento reconhece que “os que estiveram na avançada da missão foram talvez os primeiros a tomar consciência da tragédia que representava a divisão dos cristãos”.

Por este motivo, o documento reconhece que frequentemente os missionários no passado foram autênticos mestres de ecumenismo.

“Se na Europa eram habituais as separações eclesiais, o escândalo da desunião aparecia de maneira óbvia aos missionários encarregados de anunciar o Evangelho em populações que não conheciam nada de Cristo”, esclarece.

“Certas rupturas eclesiais que tinham indicado a história do cristianismo não estavam sem fundamento teológico – reconhece. Mas também se caracterizavam pelo contexto (histórico, político, intelectual) que as haviam feito nascer. Portanto, podia permitir-se exportar estas divisões aos povos que desconhecem Cristo?”

“No frescor dos começos, as novas igrejas locais não podiam ser tachadas pela defasagem entre a mensagem de amor que queriam viver e a separação efetiva dos discípulos de Cristo. Como fazer compreender a reconciliação oferecida em Jesus Cristo se os próprios batizados podiam ignorar-se ou combater-se?”, perguntam-se os redatores do documento.

“Como os grupos cristãos que vivem na hostilidade mútua podem – de forma confiável – pregar um só Senhor, uma só fé, um só batismo?”, insiste.

Portanto, a melhor maneira de promover a unidade dos cristãos, conclui o texto, consiste em anunciar Cristo.

“O Evangelho não é um luxo em nossa humanidade ferida pelas divisões; o Evangelho não pode ser anunciado por vozes discordantes”, afirma o documento.

Nesta ocasião, os promotores da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, da Comissão Fé e Constituição do Conselho Ecumênico das Igrejas e do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos confiaram a preparação destes textos a expoentes das igrejas cristãs da Escócia.

A decisão pretende recordar o centenário da Conferência Missionária de Edimburgo, em 1910, que no verão deste ano reuniu os delegados oficiais das sociedades missionárias protestantes e do anglicanismo, às quais se uniu um convidado ortodoxo.

Em junho de 2010, celebrar-se-á em Edimburgo o centenário da Conferência Missionária (www.edinburgh2010.org), como ocasião para intercambiar práticas missionárias entre os membros de diversas tradições eclesiais.

O projeto inicial do documento foi preparado por um grupo ecumênico da Escócia constituído pela associação Action of Churches Together en Scotland (ACTS), a partir do convite da Conferência dos Bispos católicos.

Pe. Breandan McDonald

 

Ensino religioso

Brendan Coleman MC Donald
O Povo - 08 Ago 2009 - 01h16min

 

         O jornalista Valdemar Menezes, na sua coluna no O POVO, no dia 12 de julho, próximo passado, escreveu: “Está causando alvoroço em certos meios a notícia de que o Congresso está prestes a votar a Concordata entre o Brasil e o Vaticano para regulamentar a relação entre o Estado brasileiro e a Igreja Católica Romana. O alarido decorre, sobretudo, da falta de conhecimento e também do preconceito em relação à religião, sob a justificativa de defesa da laicidade do Estado”. Concordo com o ilustre jornalista e afirmo que o Acordo quer garantir a liberdade religiosa e não privilegiar um determinado credo em detrimento de outro.

         O texto do Acordo, no artigo 11 estabelece: “A República Federativa do Brasil, em observância ao direito de liberdade religiosa, da diversidade cultural e da pluralidade confessional do País, respeita a importância do ensino religioso em vista da formação integral da pessoa”. Í bom recordar aqui que nossa Constituição (1988) determina como tarefa da educação, visar “o pleno desenvolvimento da pessoa” (art.205). O parágrafo 1º. do mesmo artigo do Acordo afirma: “O ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurando o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, em conformidade com a Constituição e as outras leis vigentes, sem, sem qualquer forma de discriminação” (cf. O Acordo, inciso 1º do art. 11).

O ensino religioso previsto no Acordo não é imposto aos estudantes, mas é de matrícula facultativa. O ensino religioso previsto no Acordo não é só católico nem discriminatório, mas plural e respeitoso da diversidade cultural e religioso do Brasil. O Acordo não introduz qualquer novidade na legislação brasileira, mas retrata aquilo que já está na lei. Repete-se i psis litteris o que se lê no art. 210 da Constituição, e também reproduz aquilo estabelecido na Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), assim como alterado pela Lei n. 9.475/97. O Acordo esclarece que a matrícula na disciplina ensino religiosa, não é imposta a todos, mas aberta aos interessados, que serão os pais ou os responsáveis do aluno quando menor de 16 anos. O Acordo não poderia ser mais ajustado ao modelo de Estado laico adotado pela Constituição brasileira.

O Estado deve assegurar aos alunos o direito de receber a formação religiosa desejada, mas não escolher qual religião deve ser ensinado, nem escolher o conteúdo da disciplina e obviamente não deve ministrar o ensino religioso. Tudo isso seria contrário à laicidade do Estado brasileiro e à liberdade religiosa. O ensino religioso compete às diversas religiões que queriam promovê-lo. Obviamente algo assim exigirá uma regulamentação prÍ pria, como existe no Rio de Janeiro (cf. Lei No. 3459/ 2000. O ensino religioso não deve ser confundido com a sociologia da religião, a antropologia religiosa, a história das religiões ou um estudo comparando temas religiosos etc. Hoje, em muitas escolas, há uma forma de religião genérica, indefinida e não confessional. É algo que não existe na prática, e que nega o princípio da pluralidade e liberdade religiosa do aluno que quer receber uma educação religiosa em sua fé confessional. O Acordo sugere que cada grupo religioso ofereça a própria proposta de ensino religioso para seus membros. No Brasil, cada pessoa tem o direito constitucional de receber, se quiser, a educação religiosa conforme a sua fé, nos termos fixados pela Lei e no respeito da liberdade religiosa e de consciência.

BRENDAN COLEMAN MC DONALD é Redentorista e professor titular PHD, aposentado da UFC

brendan@matrix.com.br

 

 

 

 

Carta do Dr. Dino Arí Fernandes ao Prof. Marcondes Rosa

 

Nobre MARCONDES ROSA

 

Tomo a liberdade de responder ao e-mail, porém como o hotmail não permite fazê-lo a mais de 50, vou com você os endereços, mandando a meus contatos e confiando que vc encaminhará esta resposta ao seu mail-list e assim peço-lhe que mande a TODOS OS ENDEREÇOS ORIGINAIS - para que nenhum fique sem ter minha manifestação - e autorizo a quem quiser mandá-las a quem bem quiser.

 

         É lamentável a postura dotada pelo ilustre articulista, que tenta, em leitura superficial e desprovida de uma análise isenta, inclusive documental, mostrar-nos que a CONCORDATA proposta (e assinada pelo Presidente Lula e Bento XVI, sem que antes fossem respeitadas as posturas adotadas pelo nosso Estado Laico desde 1890, e por razões inconcebíveis tentando ocultar o fato da imprensa e da opinião pública), agora manejado nos bastidores do Congresso Nacional numa campanha em pressão por todos os lados: junto a deputados, senadores e lideranças partidárias buscando a aprovação, visando que as conquistas de Rui Barbosa e da Nação Brasileira por mais de um século sejam lançados ao monturo.

 

        ISENTO ele não foi – pois ao final declinou sua postura religiosa e como tal foi defensor de sua fé – desconsiderando a LAICIDADE DO ESTADO BRASILEIRO.

 

        A consulta promovida pelos interessados no ACORDO feita ao Ministério da Educação - lamentavelmente não veio à tona - pois a posição desconexa do Ministro da Educação é diferente do que em seu ministério foi levantado (no oposto do que o articulista procura nos passar, e que já está em posse de alguns deputados e senadores para melhor fundamentar seus argumentos no Congresso), haja visto que o próprio FREI BETO – que no primeiro mandato apoiou o Presidente Lula vem manifestando-se contra a questão do ensino religioso nas escolas públicas (veja a isso os jornais do CFP deste ano), e manifestações dos professores catarinenses e de outros educadores de respeitada e ilibada conduta, a exemplo da professora do Programa de Pós-Graduação da Universidade de São Paulo, Roseli Fischmann, do Ver. Guilhermino Cunha, da Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro, do Bispo João Carlos Lopes – Presidente do Colégio Episcopal da Igreja Metodista, da liderança da Convenção Batista do Estado de São Paulo e do Paraná, do Dr. Roberto Arriada Lorea – Juiz do Tribunal de Justiça do RS, Daniel Sotto Maior – presidente da ONG ATEA, do jornalista Alberto Dines – do Observatório da Imprensa, da ONG Mulheres Católicas pelo Direito de Decidir, de Aldir Guedes Soriano e Dino Ari Fernandes também pela ABLIRC – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA LIBERDADE RELIGIOSA (Dino Ari Fernandes é um dos autores da Ação Popular que tramita pela Justiça Federal de Guarulhos contra o Ato do Presidente Lula e Bento XVI na assinatura do acordo).

 

        É de notar-se a bem disposta manifestação sob o tema: A educação na concordata Brasil-Vaticano, de Luiz Antônio Cunha - Doutor em Educação e professor titular do Núcleo de Estudos em Políticas Públicas de Direitos Humanos, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Home page: www.luizantonio.cunha.nom.br, in: http://www.scielo.br/scielo.php? – “ípsis verbis”:

Em defesa da concordata, uma argumentação matreira poderia se contrapor e sugerir que a LDB emendada diz, no artigo 33, que o ensino religioso foi reconhecido como parte integrante da formação do cidadão. No entanto, "parte integrante da formação do cidadão" não é equivalente a "formação integral da pessoa". Tornar as expressões equivalentes por causa do termo integral, que está nas duas, é de um primarismo que não pode ser endossado pelo Congresso Nacional. Como pôde o Ministério da Educação, que opinou sobre os termos da concordata, ter consentido com tal formulação? Ou não consentiu, mas perdeu? Ou será que a sedução vaticana foi irresistível?

Aliás, as discussões sobre esse artigo devem ter sido mesmo fortes e talvez tenham durado até o último momento. Isso explicaria porque o artigo 11 tem um parágrafo primeiro, não um parágrafo único, como seria de esperar. Difícil imaginar que isso se deva a um mero erro de revisão. Um erro tão elementar não poderia ter escapado dos diplomatas do Itamaraty e do Vaticano. Como as negociações foram feitas em segredo, e só se conhecem fragmentos das versões anteriores, é lícito supor que houvesse um artigo segundo, ainda mais agressivo do que o primeiro, no entanto suprimido no último minuto, pelo lado brasileiro.

Tudo somado, não há como aceitar que a concordata apenas repete o que diz a legislação brasileira, como declararam, em uníssono, diplomatas e prelados, brasileiros e vaticanos. No que concerne à educação, os artigos 9º e 10 são, de fato, reiterativos. Contudo, esse não é o caso do artigo 11, que está em total desacordo com o conjunto da LDB e da própria Constituição, além de tomar partido nas disputas que hoje dividem o campo religioso, com o que o Estado brasileiro nada tem a ver.

Refazendo, agora, a pergunta a respeito dos artigos 9º e 10: para que tentar garantir o que é líquido e certo, algo que ninguém discute? A resposta bem pode ser a seguinte: para dissimular o artigo 11, que é totalmente inconstitucional.

A tentativa da ICAR (Igreja Católica Apostólica Romana) em voltar a ser IGREJA OFICIAL atingindo-nos como sociedade brasileira em vários flancos é notória, pois se TODOS SÃO IGUAIS PERANTE A LEI - não se deve esquecer que ateus, agnósticos, espiritas, umbandistas, budistas, evangélicos, testemunhas de Jeová, Mórmons, budistas, judeus, muçulmanos, católicos e outros SÃO IGUAIS (como cidadãos e cidadãs brasileiros) - pois TODOS PAGAMOS IMPOSTOS, temos uma tradição nacional de convivência pacífica e harmoniosa em respeito religioso, e a melhor e são postura que deveria ter sido adotada seria a de "DEIXAR AS COISAS COMO ESTÃO" - e não tentar enfiar-nos goela abaixo um famigerado acordo, que reabre feridas cicatrizadas ao longo de décadas.

 

        O que DE FATO está por trás deste “ACORDO” ?

 

        Os que estão na faixa dos 50-70 anos de idade, estudaram em escolas públicas e tem religião NÃO CATÓLICA (ou não a tem) diferente da proposta indiretamente pelo referido ACORDO (que por ter sido assinado com o Vaticano recebe o nome de CONCORDATA) sabem o que significa a discriminação religiosa.

 

        ESCLAREÇO QUE TENHO CENTENAS DE AMIGOS CATÓLICOS COM QUEM SEMPRE ME DEI MUITO BEM, FREQUENTAM MINHA CASA, PARTILHAMOS EXPERIÊNCIAS RELIGIOSAS INCLUSIVE, COMPARTILHAMOS LITERATURAS, INCLUSIVE COM SACERDOTES, BEM COMO COM ESPÍRITAS, UMBANDISTAS, ATEUS e pessoas de outros credos - pois SOU EVANGÉLICO - membro da Igreja Metodista - e nenhum preconceito tenho às demais religiões, pois as estudo, respeito, amo cada um dos meus amigos, colegas, conhecidos, inclusive dos que declaram-se não serem meus amigos (que não podem impedir-me de amá-los e respeitá-los, apesar de nem sempre ter deles a recíproca, mas isso à mim não importa).

 

        A DISCRIMINAÇÃO RELIGIOSA NAS ESCOLAS PÚBLICAS, NOS HOSPITAIS e REPARTIÇÕES sempre foi constante até por volta da década de 80, e eu poderia citar inumeros momentos onde, de que forma e por quem isso ocorreu (inclusive no Poder Judiciário, onde atuo como advogado).

 

        Vejam um pouco da história do Brasil - pesquisem e entendam porque manter tudo como está é melhor...

 

Judeus, Muçulmanos, Protestantes, Umbandistas e Ateus - principalmente, tiveram inumeros mártires desde à época do descobrimento (que deve ser melhor entendido como INVASÃO PORTUGUESA - pois quando aqui aportaram, isso não era "terra de ninguém" - mas tinha donos que foram desapossados, perseguidos, dizimados, escravizados, etc)

 

        Há uma história interessante de JACQUES LE BALLEUR - que todos deveriam conhecer... o primeiro mártir protestante - e vejam quem foi o seu "executor".... Vejam no portal da Universidade Mackenzie parte de sua história...

 

        Se fizermos consultas aos anais históricos e documentais das Assembléias de Deus, da Congregação Cristã no Brasil e outros ramos pentecostais - histórias de discriminação religiosa não faltará a encher volumes de livros - de arquivos e porque não dizer: tumulos em cemitérios...

 

        Quem não professava a fé católica nem mesmo direito a ser enterrado em cemitérios públicos tinham.... Daí terem surgido “cemitérios protestantes” – que aceitavam judeus, muçulmanos, umbandistas, espíritas e de outras religiões, inclusive ateus e agnósticos... 

 

        Quem permitiu que os judeus tivessem a primeira sinagoga no Brasil (em Recife) - não foram os portugueses, muito menos a ICAR.... (é só consultar no Google superficialmente).

 

        Que tal consultar um pouco da história dos "cristãos novos" (judeus que para fugirem da inquisição espanhola tiveram que adotar nomes comuns em Portugal - inclusive a mulher de Pedro Álvares Cabral)?

 

        Quem sufocou o islamismo entre os primeiros escravos negros que professavam essa fé, quando vieram ao Brasil ? (consulte a história não contada nos nossos livros, pois houve muita censura, mas o Arquivo Nacional tem alguns documentos interessantes).

 

        Porque os umbandistas não tiveram no Brasil Colônia oportunidades de cultuar, mas tiveram que promover um "sincretismo religioso" para manter suas crenças e tradições, evitar perseguições, torturas e morte?

 

        Até mesmo para aplacar o sentimento dos escravos, deram-lhes alguns "santos negros" - a exemplo de Santa Efigênia e São Benedito... e com isso "desviar a prática do umbandismo"...

 

        É só visitar algumas cidades históricas brasileiras e ver que os escravos tinham que construir igrejas para seus senhores culturar, e igualmente, do lado de fora um poste para serem amarrados ou acorrentados enquanto “seus senhores” nelas participavam das missas e cerimônias....

 

        Foi por isso que criaram em algumas cidades as capelas denominadas: “IGREJA DO ROSÁRIO DOS HOMENS PRETOS” – a exemplo de Guarulhos – que não podiam ter ostentação por serem

dos “escravos”...

 

Qual será o REAL interesse deste acordo mesmo ?

 

E no caso dos ateus e agnósticos ? - Vejam como foram tratados ao longo da história...

 

         E os índios, então ? – Como foram “abençoados” – pois não conheciam as “doenças” dos brancos – mas foram “catequizados” para serem escravos, mortos “com as bênçãos religiosas” por não obedecerem aos invasores – que foram nos dito serem: OS DESCOBRIDORES – e que trouxeram uma religião que tinha que ser adotada, senão...., e receberam de prêmio “com algumas bênçãos” através de roupas e materiais contaminados com enfermidades para serem (como foram de fato) dizimados.... QUE BENÇÃO ESTRANHA !!!

 

            Que tal pensar em devolver-lhes o que lhes foi espoliado ?

 

AINDA NÃO ESTOU FALANDO DOS DEMAIS CREDOS....

 

         Por favor - analisem, pois da forma como está em respeito ao ESTADO LAICO - cada um tem o direito de professar a fé que quiser - educar seus filhos e filhas como entender mais correto - e prepará-los para uma postura de "não discriminação" - o que implica em RESPEITO RELIGIOSO - de ter ou não religião, de mudar ou não desta...

 

        Em 1890 os protestantes representavam menos de 0,02% da população e hoje beira os 24%...

 

As demais crenças também cresceram....

 

        QUAL O REAL INTENTO DA CONCORDATA MESMO ?

 

Por que provocar um XIITISMO RELIGIOSO (absolutamente desnecessário), com a abertura de feridas cicatrizadas - e que ao que tudo indica, nenhuma religião das que foram perseguidas quer?

 

         O art. 19, inc. I e III da Constituição Federal proíbe ao Estado Brasileiro o favorecimento de qualquer religião...

 

        Pela CONCORDATA só a ICAR term a LEGITIMIDADE para atuar como RELIGIÃO oficialmente reconhecida pelo Estado Brasileiro.

 

        O Bispo Católico passa a ter reconhecido sua condição diplomatica - qual a nenhum outro de outra religião....

 

TOTAL DISCRIMINAÇÃO RELIGIOSA.... 

 

OUTRO DETALHE:

 

O Código Civil de 1916 e o atual (2002) orientam e dispõe que os "espaços públicos" nas praças, jardins e espaços são de uso comum do povo - e se públicos, não podem ser destinados a qualquer religião - e se cedidos, poderão sê-lo para fins sociais em regime de COMODATO - mas o que consta na CONCORDATA é que deverão ser garantidos na destinação a fins religiosos...

 

         ORA - se a concordata procura reconhecer a PERSONALIDADE JURIDICA DA ICAR - e somente dela, pois é a única que confunde-se com o VATICANO - onde tem-se um ESTADO TEOCRÁTICO (aliás, os únicos Estados teocráticos no mundo atual são o VATICANO e o IRÃ), ao que as CONSTITUIÇÕES (mais de uma) e o CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO são os mesmos diplomas legais - o que implica também em violação à nossa SOBERANIA NACIONAL - evidentemnte que somente à ICAR serão destinados os "espaços públicos" para construção (INDEVIDA) de catedrais, igrejas, capelas e afins....

 

        Ou seja: A CONCORDATA vem institucionalizar o que vem sendo na prática feito ao longo de éculos - de forma INDEVIDA e ILEGAL - pois se o Estado é LAICO - tais espaços somente poderiam serem ocupados para OBRAS SOCIAIS EM BENFÍCIO DA POPULAÇÃO - mas foram e está sendo ocupados em  DESVIO DE FINALIDADE, inclusive para comercio e exploração de serviços sem a CONTRAPRESTAÇÃO FISCAL legal....

 

         Ainda não estou falando da FILANTROPIA – nas instituições de ensino confessionais – muitas delas beneficiadas – mas se houver um sério levantamento pelo Ministério Público, é possível identificar que algumas estejam convivendo com a PILANTROPIA...

 

            Ou seja: O ESPAÇO PÚBLICO (que deveria ser de todos os brasileiros e brasileiras e TERRITÓRIO NACIONAL) - ocupado pelo prédio da ICAR e por ela administrato passa a ser TERRITÓRIO DO VATICANO - ofendendo assim nossa SOBERANIA NACIONAL....

 

         TERRITÓRIO ESTRANGEIRO dentro do NOSSO - arrecadando dinheiro para suas finalidades sem contraprestação de impostos, fazendo suas campanhas de arrecadação financeira com benefícios fiscais em questões de edições literárias, produção de material litúrgico, com benefícios de IPTU  (pois os templos tem imunidade tributária), fazendo campanhas políticas e manifestações intervencionistas em nossos assuntos internos....cativando políticos, personalidades de expressão e influência social – dentre outras – direta ou indiretamente implica em OFENSA À NOSSA SOBERANIA NACIONAL... 

 

Bem... você pode estar imaginando: VOCÊ DESVIOU DO ASSUNTO....

        

         Não DESVIEI NÃO !!!

 

         TUDO também está ligado ao Ensino Religioso... e às pretensões obscuras da CONCORDATA...

 

         VEJAM TAMBÉM...

 

         Se o Estado Brasileiro é LAICO - porque ter-se um dia como FERIADO NACIONAL destinado à PADROEIRA DO BRASIL?

 

        Com todo o respeito - NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO APARECIDA é padroeira dos católicos - e se todos são iguais perante a lei (art. 5º da CF/88) - deveria ser concedido também como FERIADO NACIONAL o DIA DA REFORMA PROTESTANTE, O IOM KIPPUR, RAMADÃ, DIA DA EXPERIÊNCIA DE JOHN WESLEY, DE CALVINO, DIA DE IEMANJA, DE ELLEN WHITE, DE JOSEPH SMITH - e dos demais.... PORQUE NÃO?

 

        E quanto às CAPELANIAS NAS FORÇAS ARMADAS?

 

        Se o Estado Brasileiro é LAICO – um capelão, para ingressar terá que sê-lo por concurso público, e provas de títulos, e ao ingressar já adquire o TÍTLO DE OFICIAL – podendo aposentar-se pelas FORÇAS ARMADAS (inclusive nas Polícias Militares) às custas do ERÁRIO PÚBLICO – não implica em OFENSA AO LAICISMO ESTATAL?

 

 

ÓRA... se para tal ingresso é necessário ter formação universitária em teologia – e as religiões que não tem tal obrigatoriedade para com seus clérigos ?

 

 

A postura é tão contraditória e a falta de ISENÇÃO JORNALISTICA - por parte do articulista e dos que defendem a postura do Ensino Religioso nas Escolas - que esquecem de avaliar os próprios textos legais que invocam - pois só PARA SER PROFESSOR DE ENSINO RELIGIOSO o professor terá que ter "formação superior" - e aí é que a "coisa pega" !!!

 

            O texto do articulista é de TAMANHA SANHA indesculpável, pois busca levar o leitor à visão simplista de um ponto preto dentro de uma enorme folha branca, para que ele enxergue só o ponto preto, ignorando o restante do campo branco.... e com isso vender a idéia que a CONCORDATA COMO UM TODO não é má – pelo contrário: É MUITO BOA PARA O BRASIL...

 

         Boa para a nação brasileira ou para o VATICANO?

 

         As Igrejas Evangélicas tradicionais em sua maioria exigem HOJE que seus clérigos sejam BACHARÉIS EM TEOLOGIA - passem por programas de aperfeiçoamentos, por comissões e sistemas de aprovação - mas muitas pentecostais e neo-pentecostais não tem tal exigência, o mesmo ocorrendo com várias outras religiões...

 

        Os umbandistas só recentemente oficializaram sua Faculdade de Teologia....(em São Paulo)

 

        E se para determinada religião não há como requisito para ser clérigo o BACHAREL EM TEOLOGIA - ou mesmo a LICENCIATURA ?

 

        AMO TODOS OS CATÓLICOS E DEMAIS RELIGIOSOS e NÃO RELIGIOSOS - e não tenho com eles preconceito algum - mas CAIR NO SIMPLICISMO DO ARTICULISTA é cair na ignóbil armadilha legal e permitir uma TRAIÇÃO às conquistas da laicidade estatal que nos é tão salutar...

 

         O articulista deveria consultar melhor a HISTÓRIA DO BRASIL - documentos do ARQUIVO NACIONAL - documentos das demais religiões e ser ISENTO em suas colocações... 

 

         Eu poderia falar muito mais das INCONSTITUCIONALIDADES do ACORDO - CONCORDATA, como a interferência nas questões ambientais, nas telecomunicações, na exploração comercial do VATICANO usando como a fachada a ICAR  - mas acho melhor ficar por aqui...

 

Não posso deixar de observar que o INTERESSE ECONÔMICO no acordo é enorme - e tem no RELIGIOSO apenas a FACHADA...

 

‘O VATICANO é uma das grandes potências econômicas em nosso mundo...

 

Não podemos e não devemos cair nesse ENGÔDO...

 

O INTERESSE RELIGIOSO do Acordo - não é INTERESSE PÚBLICO...

 

O INTERESSE PÚBLICO é o que DEVE ser defendido - tem que ter de nossa parte a PRIMAZIA...

 

Fico por aqui

 

Dr. Dino Arí Fernandes: dinoarifernandes@hotmail.com

  

 

 

Assunto da Semana (O Povo)

22:56 @ 30/08/2009

Assunto da semana

É positivo incluir religião como disciplina facultativa no ensino fundamental público?


O Povo - 29 Ago 2009 - 20h10min


O acordo firmado entre o Brasil e a Santa Sé, em 2008 (e que será votado no Congresso, nos próximos dias), inclui o ensino religioso (de qualquer religião) como disciplina facultativa no currículo escolar das escolas públicas do Fundamental. Caberá aos alunos, ou aos pais (quando os filhos ainda não tiverem discernimento), a iniciativa de escolher a religião de sua preferência. Pelo acordo, ateus e agnósticos também terão respeitadas suas opções, sem discriminação.


VALORES
“O ensino religioso no Ensino Fundamental público é positivo, sim, porque proporciona a disseminação de valores, como a ética, a fraternidade, a solidariedade e a espiritualidade, fundamentais para o desenvolvimento da formação humana e do bom convívio social. Por isso, é importante que seja facultativo, para que o conteúdo seja discutido e assimilado voluntariamente. É fundamental ainda que a metodologia seja de caráter não confessional, sem direcionamentos para doutrinas específicas – como prevê o artigo 33 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9475/97) – respeitando-se a diversidade cultural e religiosa do Brasil, onde 90% da população declaram seguir alguma religião”.


ARTUR BRUNO

Dep. estadual/PT. Presidente da Comissão de Educação, Cultura e Desporto da AL

ÉTICA
“Sou favorável à inclusão do ensino religioso nas escolas por acreditar na relevância da religião para a formação ética dos adolescentes, funcionando como um resgate de valores morais tão enfraquecidos nos dias de hoje. É importante dar aos nossos jovens instrumentos para agirem eticamente, tendo em vista a grande demanda social pela valorização da ética e que, nesse sentido, o ensino religioso poderia ocupar um espaço importante na formação do aluno. Dentro de uma ação ecumênica, onde todas as confissões religiosas possam atuar conjuntamente, ressaltando os valores humanos que estão contidos em todas as manifestações religiosas e a importância de se cultivar esses mesmos valores na formação de jovens”.


JOSÉ TEODORO SOARES


Deputado estadual/PSDB


LOTEAMENTO
“A LDB, em seu artigo 33, inclui o Ensino Religioso como conteúdo obrigatório para as escolas públicas, porém opcional para os alunos e os professores remunerados pelo Estado. A discussão agora é o acordo entre o Vaticano e Brasil. O que há de novo? A volta ao passado, onde o Ensino Religioso era realizado apenas por uma religião. Agora, como não é mais possível manter a hegemonia, abre para as demais confissões religiosas. Entendo que o Ensino Religioso não deve ser de uma ou de várias religiões. É impossível conceber, na sociedade pós-moderna o loteamento espiritual da escola pública. O ensino deve ser plural, fomentando em nossos filhos a ligação com o Divino, abrindo o horizonte do acolhimento e tentando diminuir o preconceito. Catequese e discipulado, porém, devem ser realizados na igreja.”


MUNGUBA JR.
Pastor Batista. Pres. do Conselho de Orientação do Ensino Religioso do Estado do Ceará – Conoerce


ESPIRITUALIZAR
“Uma citação do psicólogo Roberto Crema resume a opinião que tenho sobre o assunto: “O investimento maciço na alma é a única estratégia que poderá viabilizar a perpetuação, com qualidade e dignidade, da nossa espécie”. Assim, sendo a escola, hoje, o instrumento mais acessível para a formação intelectual, cívica e espiritual da juventude, é indispensável que ela adquira conhecimento e técnicas pedagógicas para cumprir bem sua missão. Ensinar dogmas e rituais religiosos é tarefa para as famílias e as igrejas. Espiritualizar os seres humanos, educadores e educandos, de uma forma real, sadia e generosa, é obrigação de uma escola que procura descobrir o sentido profundo da sua existência”.


LUIZA DE TEODORO

Educadora

ESCOLHA
“Desde a Constituição de 88, o ensino religioso integra os currículos escolares sem se tornar o ensino obrigatório e a família pode escolher a religião que desejar. Na pratica, isto é de difícil execução por uma razão muito simples: a fórmula brasileira ainda não assinalou a ideia de que ela deve se integrar com as escolas acompanhando o desenvolvimento de todos os aspectos dos currículos. Os educadores temem a presença dos pais por razões óbvias. Este é o maior problema das escolas brasileiras, na medida em que ela perde o acompanhamento sistemático das pessoas mais interessadas no acompanhamento da educação: os pais. Finalmente, a pobreza da presença da Igreja na escola afrouxa a formação ética e religiosa, componentes essenciais para cidadania”

EDGAR LINHARES
Presidente do Conselho Estadual de Educação.



DINHEIRO
“Intentava escrever sobre a transcendência como traço constitutivo da estrutura humana e, a partir daí, sobre sua possível contribuição para definições de princípios éticos que poderiam balizar a construção de sociedades mais livres e igualitárias; no entanto, ao me deparar com o grau e o naipe da convergência parlamentar, além da surpreendente celeridade com que foi encaminhado, votado e aprovado o PL 5598, tenho que concordar com a síntese emblemática atribuída ao deputado carioca, Chico Alencar, afinal, parece que “templo é dinheiro”. Considerando futuras decorrências, acredito que a sua promulgação deva preocupar, mais do que alegrar, aquelas religiões com lastro histórico, densidade cultural e consistente corpo doutrinário”.


IDEVALDO DA SILVA BODIÃO

Faculdade de Educação da UFC

 

 

A PROFESSORINHA DANÇANDO O “TODO ENFIADO”.

 

 

A professorinha foi demitida de uma escola particular na Bahia,   por aparecer em um vídeo da Internet, dançando o “TODO ENFIADO…”


A dança, obscena como o próprio nome sugere. A professora com o trazeiro virado para as câmeras, de mãos nos joelhos. O cantor lhe levanta a minúscula saia e abaixa sua calcinha também minúscula enquanto ela rebola provocativamente. Professora ou não é uma exposição exagerada, uma situação onde deixa as partes íntimas de uma mulher de modo a envergonhar. Uma banalização vulgar e triste do corpo feminino.
O Datena debochava e até apresentou uma rápida enquete, onde os telespectadores podiam votar se aquela situação era motivo para demitir uma professora.


Sem entrarmos no mérito da questão… Não gostaríamos de ver esse tipo de coisa em horário impróprio, que hora do jantar, faça-me o favor. Fosse a profissão que fosse, mas sendo professora, incomoda mais, que uma professora é um modelo. Mesmo os mais moderninhos e que votaram pela sua permanência na escola. Queremos de saber se eles gostariam de ver sua filha, sua irmã ou esposa nessa situação, num local público, num clube noturno, mas lotado. Depois essa mesma situação em uma internet? Se acham normal para uma professora…


Desse fato lamentável que, com certeza, envergonhou as professoras e mulheres de bem, ficaram duas situações bem definidas, pelo menos para isso o programa de ontem do Datena serviu: Primeiro, rimeiro, professora não é santa. Ela erra e, desta vez,  errou grandão. Segundo, quem filmou e divulgou o vídeo pela internet era, com certeza, inimigo da professora. Cai então por terra pela segunda vez que professora é santa, além de se comportar de modo lamentável me público,   ela ainda, de quebra, tem um inimigo mortal. Seria um ex aluno ??? Depois disso, o TODO ENFIADO, acho que muita gente vai antes de escrever que professora é santa e que não precisa nunca ser fiscalizada. Pode é ficar com o ROSTO TODO ENFIADO NA TERRA,  como avestruz, para não dizer com a cara no chão…

 

COMENTÁRIOS DE ISOLDA CASTELO BRANCO

 

Concordo e lamento o mau exemplo dado por esta professora, até porque os modelos que temos para nossas crianças e jovens estão paupérrimos (vide programação da TV).

 

Mas seria interessante também que descobríssemos todos os GRANDES GESTOS     que milhares de professorinhas têm, enfrentando as condições mais adversas para continuarem acreditando em sua profissão, na Educação, expondo diariamente suas vidas (porque conheço escolas aqui na periferia de Fortaleza que estão nesta situação) às gangues, e à morte e mesmo assim continuam como verdadeiras heroínas demonstrando, mil vezes mais do que nós, que estamos tranquilamente protegidos em nossas residências, a CORAGEM de ainda acreditarem que um OUTRO MUNDO É POSSÍVEL através da EDUCAÇÃO.

 

                                      ***

 

 

Cremilda, minha quase querida colega. Também acho triste o quadro de degradação a que se expõem muitas mulheres.

 

            Eu moro ao lado do parque Barigui aqui em Curitiba. Faço caminhadas matinais aos domingos e, invariavelmente, deparo-me com jovens ao lado de carros com o som ligado no mais alto volume. As músicas que tocam, aos meus ouvidos, são extremamente desagradáveis. Na frente dos rapazes, algumas garotas rebolam incansavelmente, insinuando as mais loucas posições sexuais.

 

Com seus corpos rebolantes, essas jovens parecem desafiar os ricos e conservadores moradores da região, os quais, incomodados dentro de suas mansões, reclamam a presença da polícia. Minha consciência burguesa também repulsa a cena.

 

Em um primeiro momento, sinto aversão a esses jovens. Entretanto, à medida que caminho, respiro e medito, acabo sentindo pena daqueles meninos e daquelas meninas: esteriótipos de uma cultura de massa que objetiva e imobiliza seus corpos. Imagine, Crem ilda, a merda que não deve ser a vida de uma pessoa cujo objeto de apreciação estética seja o "rock da cachorra"!

 

A professorinha, como você pejorativamente chama a moça que leciona e dançou a dança que te incomoda, Cremilda, também é vítima. Vítima tanto da perversidade da cultura de massa quanto de seus olhos maldosos. Somos muitos severinos na vida, Cremilda! Iguais na vida, iguais na sina. Condenemos o pecado, jamais o pecador.

 

Grande abraço.

Sebastião.