Grupos

 

Olimpíada e escola

Marcondes Rosa de Sousa

O Povo - 01/09/2008 

 

Olimpíadas de Pequim! Meclada a elas, despercebida notícia do Brasil em outra olimpíada: a 40a. Olimpíada Internacional de Química, em Budapeste, onde os 4 representantes do Brasil (todos cearenses) deixaram para trás as delegações dos Estados Unidos, França, Japão e países ibero-americanos. E irônico! Justo de alunos arrancados de uma escola (a nacional e, nela, a cearense) entre a dos 62 piores países do mundo.

 

Desde os anos 80, pró-reitor de extensão na UFC e a presidir após o Conselho de Educação do Ceará, apostei, na contramão de muitos, na produtiva metonímia entre a escola e a solidariedade esportiva. Nisso, tive de enfrentar as dominantes e falsas posturas igualitaristas, na crença de que a produção humana, para além da clássica trilogia "natureza, trabalho e capital", há que conjugar as inteligências múltiplas, a emoção e o ético a cimentá-la. O saber, num mundo de fome, a multiplicar os pães, apartando águas num Mar Vermelho, rumo à prometida terra, onde corram dignidade e justiça social.

 

Não vi, nas escolas, com tais olimpíadas, receados individualismos, mas, ao invés, o resgate de sua alma perdida e da já débil sedução do saber entre os alunos. Daí, a paixão pelo estudo e o senso da agregação. A olímpica paixão esportiva a suplantar a aridez do dever, dando sentido à escola.

 

O Ceará vive a euforia de suas potencialidades (refinaria, pré-sal, siderúrgica, minas de Itataia). Sem o saber, capital humano, investindo nas solitárias "bolsas-família", teremos de importar capital (humano e físico) de fora. E, mais uma vez, qual o alencarino Moacir, o filho da dor, de nos tornar aves de arribação. Seria a predestinação de uma raça?

 

Por isso, razão aos batalhadores como Sérgio Melo, hoje nacional coordenador da Olimpíada de Química. A esses, tributo e parabéns nossos!

 

Marcondes Rosa de Sousa

Professor da UFC e da UECe

E-mail: marcondesrosa@gmail.com

 

 

 

 

FORA A POLÍTICA.  É POSSIVEL?

 

 

Marcondes Rosa de Sousa

 

 

·        As vendedoras de sonhos

 

Veja: http://www.grupos.com.br/blog/ethos-paideia/Index.html?action=view&post=19937

 

      Rosa da Fonseca, uma das "vendedoras de sonhos", a integrar a dupla Maria Luísa Luíza Fontenele (primeira mulher prefeita de Fortaleza, colega  minha, professora na UFC) me telefona.  Quer conversar comigo sobre os sonhos do grupo agora, depois que Maria e outros retornaram das comemorações, na França, dos internacionais movimentos a refletirem sobre o movimento ali de 68, a se espraiar pelo globo.  Lá, o Grupo esteve presente, considerado, no mundo, um dos mais organizados, atuantes e maduros, de lá emitindo programas e cobertura, via Web, e por radiodifusão sonora, em emissora de Fortaleza.

     

      E isso, justo quando me envolvia eu com a cata de títulos e documentos de minha história-de-vida, para ação de "danos morais" contra inexistente empresa a contra mim praticar sucessivos estelionatos, temática do artigo "Notícia de Jornal", que escrevi e aqui divulguei, e, ainda, para depor com vista a entrevista a compor programa na hoje "TV Ceará", ex-Televisão Educativa do Estado do Ceará (TVE), da qual fui presidente no primeiro governo de Tasso Jereissati, de onde, Violeta Arraes me levou para dirigir o então criado Departamento de Audiovisual da Secretaria de Cultura, Turismo e Desportos do Estado. 



·        Preocupação com o futuro

 

Brincando comigo, Rosa instiga-me: "Deixe o passado para depois.  Nossa preocupação e conversa é sobre o futuro" (rsrs).  Felizmente, a visita/entrevista, em minha residência, pela equipe de produção da TV Ceará, seria transferida para outro dia.  E, logo após almoço, recebi Rosa, chegada no carro de Maria Luíza, estacionado, a esperá-la, frente à minha residência.

 

Rosa e Maria queriam estratégias para levar o movimento à frente.  Na verdade, desde a crônica "As vendedoras de sonhos", que lancei, anos atrás, na Rádio Universitária, muita gente externou seu sentimento a se identificar com o que chamei "meu lado adolescente", ao qual devotava tributo. A crônica, em realidade despertou, em muitos, até no meio judiciário e no campo político enfim, reações positivas, muita gente a se identificar com o sufocado "lado adolescente" nela insinuado...

 

Um dia, no aeroporto, em viagem de delegação do Ceará a uma partidária convenção nacional -  era eu então membro do mais alto conselho do PSDB no País, quando, no aeroporto, me cai, do bolso, um recibo de contribuição minha ao grupo de Rosa e Maria. Um assessor de Tasso, na frente de todos, em voz alta, tentou me "queimar" no partido...  Para sua desilusão, porém, ouviu de Tasso (que a mim recorria ao diálogo com a esquerda, em suas mais diferentes facções, em seu governo) o seguinte comentário, entre risos: "Mas eu também contribuo!".

 

 

·        Falência do mercado

 

De Rosa, recebo, de Robert Kurz, em português, traduzido do alemão, o artigo "Por água abaixo – A conjuntura mundial começa a desmoronar-se  HTTP://obeco.planetaclix.pt/ HTTP://www.exit-online.org/ , que se conclui com o tópico a seguir, sobre a falência do mercado:
 
(... Com tudo isto, não se trata de um clássico movimento cíclico. Há quase 30 anos que a conjuntura da economia real perdeu a sua sustentabilidade própria.  O sobe-e-desce da economia mundial tem sido cada vez mais comandado pelos mercados financeiros autonomizados.  A causa não foi a "avidez" dos especuladores, mas a incapacidade de o capital mobilizar trabalho humano, como substância da criação de valor real, à escala necessária, sob as condições da 3ª. Revolução Industrial.  De fato, a "revolução neoliberal" não pôde suplantar a fraqueza estrutural do crescimento que veio à luz do dia nos anos 70.  Em vez disso, o mercado mundial, incluindo o volante da exportação asiática, tem sido suportado por orgias de endividamento e bolhas financeiras.  O reverso foi desemprego em massa, sub-emprego e baixos salários.  Agora, chega ao fim a onda longa do crescimento financeiramente induzido".

 

 

·        Movimento sob o lema “Fora a política!”


       
É, nesse contexto, que o grupo liderado pelas "vendedoras de sonhos" decidiu não mais pertencer a um partido político nem pleitear candidaturas. E assumir sua postura, faz já alguns anos, do "voto nulo".  E, pasmem vocês, com a radical postura agora do "fora a política".  Vale dizer, do "banir a política" da vida dos cidadãos.  Tal postura, de pronto, assustou-me, por não se tratar apenas de um protesto ou clamor contra o comportamento de nossos políticos.  Em verdade, temos ouvido, de forma crescente, verdadeira onda geral, em nossa sociedade, contra nossa política – e, sobretudo, contra  o comportamento de nossos políticos, em particular.  Até mesmo entre os próprios políticos, cada qual a condenar os colegas...

 

Dias atrás, em palestra e discussão sobre a reforma tributária, tendo como conferencista o Senador Tasso Jereissati, relator da matéria no Senado, após o elogio ali de todos os no auditório principal da Federação das Indústrias do Estado do Ceará, vi-o desabafar: "Não acredito que tal reforma saia.  Em nossa política, vivemos, lamentavelmente, um interesseiro e generalizado clima do toma-lá-dá-cá"..." 

 

Dias depois, na Assembléia Legislativa do Estado do Ceará, conversava eu com deputado estadual, um dos dois únicos ali  a fazer oposição ao atual governo de Cid Gomes.  O mesmo que fez a denúncia da sogra de Cid a acompanhá-lo, no carnaval, em périplo por diversos países, num jatinho fretado. Na conversa, ele, pessimista a respeito da defesa dos professores universitários do sistema estadual de ensino – o assunto do qual tratávamos - virou-se para mim e desabafou: "E você ainda acredita em político?" Eu, então, a ele indaguei: "Você não acredita nem mesmo em você, que é político?". E ele, talvez sem pensar, respondeu-me "não, nem em mim"... 

 

 

·        Tempos em que o PDT cabia em uma Kombi


        Foi aí que lhe lembrei cena, nos anos 80, quando aqui vinham, para o meio acadêmico, personalidades como Celso Furtado e Darcy Ribeiro. E lhe disse que  Darcy Ribeiro, intelectual e político do partido de tal deputado, recebi-o, pró-reitor, na UFC.  Ele, numa camionete, acompanhado do Prof. Flávio Torres da Araújo, também da UFC, hoje suplente da senadora Patrícia Sabóia pelo PDT (ele sogro de minha filha, os dois, ele e eu, esperando agora a única netinha) e a ex-deputada federal Moema Santiago.  Um PDT, que, à época, cabia, com folga, numa Kombi.  Aí, concluí: "E, no entanto, Darcy Ribeiro superlotou, com  as mais de 5.000 pessoas, a Concha Acústica...

 

O mesmo, em 86 aconteceria com Celso Furtado, aqui, no Auditório Castelo Branco, a unir, em torno do que se converteria depois no Movimento "Pró  Mudança", a partir do Ceará, onde, com certeza, ele próprio, o deputado ora a não acreditar nem nele mesmo, teria estado, por certo, nos dois eventos...

 

 

·        Enterrar a política faz-se preciso

 

 Voltemos ao choque que o "Fora Política" me provocou.  O folheto diz: "Já foi anunciada a morte da política. Mas ainda não seu sepultamento" E nos assegura: "Enterrar a política, pois, é preciso". Tudo, para que afinal possamos "compreender bem o que é a política, sua fantástica trajetória e sua crise final".  E, por fim, o convite para o  "Ato-show Fora Política! Não vote! Alternativa Já", em 12 de setembro, na Praça do Ferreira, em Fortaleza.

 

Rosa me pede apoio para tal movimento a crescer.  A ela, confesso estranhar a luta "contra a instituição política" e não contra o comportamento dos políticos.  Certo que se teçam críticas de nossa sociedade aos políticos – a sociedade a não enxergar, nos políticos, espelho dela própria, ambos em crise no que toca a fins e valores.

 

Por instantes, na conversa, reconheço que, mais do que nunca, o mundo se converte numa "... seara de Caim" – título de livro que, ao concluir o hoje extinto Seminário da Imaculada, em Campinas (SP), recebi como prêmio por meus estudos.  E tal lembrança me levou aos iniciais momentos quando o Criador, no Éden, do "barro do chão", criou, à sua própria imagem e semelhança, nossos pais, Adão e Eva.  A partir daí, com o "crescei e multiplicai-vos" faria do casal, sua imagem. Em outros termos, Adão e Eva assumindo seu caráter sociopolítico, inato no ser humano.

 

 

·        Engasga-me o sepultar da política

 

Rosa me pede ajuda, no projeto do grupo por um sepultar da ... política, para que nos seja possível abrirem-se outras perspectivas: as de um mundo sem política.  Mas o sepultar da política confesso que me intriga, engasgando-me até...  Prefiro fazer a política voltar ao projeto divino e humano. Em outros termos, vendo, na sã política, retornada a seu inicial berço, instrumentos pelo qual o Criador  acompanharia sua "imagem e semelhança", salvando-a dos dilúvios e enviando seu próprio  filho, para levar à frente tal projeto sobre a terra...

 

Num flashback, retorno ao Gênesis, a  Moisés e as tábuas da lei, quebradas por este e por outros, em alguns momentos e ciclos da história humana. E, num rápido survey repasso, em minha imaginação, o Livro Sagrado, em seus capítulos até o Apocalipse. E, a transversalizar a longa jornada da humanidade, ali diviso a política, no cajado de profetas, reis, governantes enfim, a tanger os caminhos do homem sobre a terra.

 

Em tal curso, vejo a humanidade, herdeira ora de Caim, ora de Abel.  E a ciência política, sob esse dialético diapasão, ora o ser humano visto "lobo do homem" (Hobbes), ora sob o manto do mito do "bom selvagem" (Rousseau), num dialético jogo marcado pela dualidade da imagem e semelhança de Deus, na ambigüidade entre o maculado e o abençoado após o "pecado original", a provarem Adão e Eva, dos frutos da "árvore do bem e do mal"...

 

Nesse jogo, o dos pontos e contrapontos, percorro, por instantes, nossa ciência política: das tábuas da lei de Moisés a ... Zé Dirceu, com reflexivas paradas em Maquiavel, Sun Tsu e outros muitos, em nossa ciência política, num alternar-se, em nossa história, do jogo entre vilezas e construtivas grandezas.

 

 

·        O lado ‘práxis” das vendedoras de sonhos

 

 

Na conversa com Rosa, ouço o lado "práxis" do Instituto Práxis de Filosofia, do grupo liderado a que este pertence, cuja constituição acompanho desde os tempos da crônica "As vendedoras de sonho", e depois, em sua constituição, quando escrevi, desta feita no Jornal "O Povo", em 22.01.2003, artigo com o mesmo título, de onde destaco o trecho:

 

"Hoje, o sonho delas é um espaço para a troca de idéias com vistas a uma 'sociedade humanamente diversa, socialmente igual, criativa, prazerosa no ócio produtivo, e completamente livre' (...)  "Daí, o tributo às Rosas (como a da Fonseca) e às Maria Luízas (como a Fontenele), que, com sua feliz idéia do Instituto Filosofia da Práxis, aguardam, de nós, solidária ajuda.  Porque sonhar é preciso.  Para que possamos gozar da saúde: a pessoal e a da própria democracia!"

 

 

 

·        Descrédito dos políticos, confiança e fé nas igrejas

 

 

Mas, agora, conta-me Rosa, já empenhado o prédio, em razão dos gastos com ação do Instituto mais ampla, estão tendo dificuldades para o envolvimento maior da população na "ajuda", já que as seitas religiosas estão fazendo o mesmo, com a vantagem para estas, em razão do número crescente de seus fiéis, sendo possível baratear o custo das cautelas, em seus sorteios...

 

Por instantes, paro em minhas reflexões teóricas, a refletir sobre novo fenômeno a observar, crescente, em nossa sociedade.  As pessoas, descrentes de tudo, vão à procura da resolução de seus problemas, não mais recorrendo aos políticos, mas a Deus nas igrejas.  E justo em tempos em que as inteligências se operam "múltiplas", sintetizadas pela de estatura mais alta e complexa: a transcendente (religiosa). 

 

A Rosa conto que, na UFC, já não vi as antigas "lojas de departamentos", estas não mais existentes nem mesmo ... na Mesbla.  O próprio pensamento, não o vi mais retalhado, positivista, em epistemológicas fatias, a expressar a "complexidade crescente e generalidade decrescente".  E quando, entre marxistas, pouco tempo atrás, no mundo acadêmico, falei em "ateísmo", o que ouvi, dos mais extremados, foi justo o contrário: a expressão por Marx atribuída à religião, "ópio do povo", no contexto em que foi expressa, diria (explicam hoje os ex-materialistas antes ateus) algo sobre a forma emocional pela qual os oprimidos expressam sua revolta contra as injustiças...  O 'embriagar-se', aí, metáfora do inconsciente eclodir do sentimento de revolta a levá-los à reação...

 

 

·        A tríade “fé, esperança e... caridade”

 

Esse momento de pensamento e complexidade a sintetizar fé, esperança e caridade, lembra-nos Bento XVI, com suas já lançadas e as prometidas encíclicas e reflexões, ao nos chamar a atenção não apenas para o abraço entre "fé e razão", como para o necessário equilibro do  trinômio "fé, esperança e ... caridade". Mas conclui: a cáritas não confundida com a esmola, nos termos da inicial postura de Francisco Assis e hoje, na feliz expressão de Zé Dantas (médico, parceiro de Luiz Gonzaga), com o refrão:

 

"Mas, doutor, uma esmola,

Para um homem que é são,

Ou lhe mata de vergonha,

Ou vicia o cidadão."

 

Em seus pronunciamentos, nossa ciência (expressão da razão) se desenvolveu, mas, em certos momentos de nossa história, perdeu a noção de seus fins, no que tange ao desenvolvimento humano.  A política, a mirar o horizonte da tríade da revolução francesa "liberdade, igualdade e fraternidade", atropelou-se quer com o marxismo, quer com as experiências de cunho social-democrático... morrendo na praia.   E, sob essa ótica, aí estão as versões várias de nossa social-democracia, do comunismo e da lógica do mercado...  Todas, a perder de vista seu "para onde" ou mesmo "para quê"...

 

 

·                   Não acabar com a política, mas recobrar     função inerente do projeto humano

 

Acabar com os tropeços da humanidade, em seus tortuosos e distorcidos caminhos, não implica em acabar com a política, inerente ao próprio homem, desde o princípio, por natureza, um "animal político".

 

 Voltemos ao Gênesis e à criação do mundo.  No centro do Éden, o Criador plantara a intocada "árvore do bem e do mal".  E, ao olhar  feminino da serpente e de Eva, provocou a curiosidade e toque final,  o que faria o casal "conhecedor do bem e do mal".  Arguta, Eva, de intuitivo olhar, se veria imagem e semelhança de Deus. E o mesmo, em Adão, fonte de sua clônica costela,  desperta  do masculinho sono adâmico, passando a enxergar positivo (o bem) e o negativo ângulo (o mal) do saber... 

 

A expulsão do Éden seria, pois, o início do projeto humano, num contínuo "crescei e multiplicai-vos".  O "comerás o pão com o suor do teu rosto" não o castigo, mas o despertar do homem para, qual o Criador, empenhar-se ele em construir a vida e o mundo, onde haveria de correr leite e mel, na esteira da multiplicação e a repartição dos pães...

 

Um anjo, a guardar as portas do Éden.  Sem retorno de Adão e Eva aos tempos da homeostásis com a natureza, a construir o projeto humano.  Jeová, porém, a acompanhar tal caminhada: separando brigas entre Caim e Abel; no dilúvio.  A arca de Noé, salvando a vida e os seus. Iluminando os profetas, os reis, os políticos enfim.  Por fim, Cristo, o filho de Jeová, com seu Evangelho, e as lições da multiplicação e do repartir dos pães e do vinho, na terra, núncios da que viria a ser a revolução industrial...

 

 

·        A visão cíclica de nossa política, a nós deixada por Celso Furtado (anos 80)

 

A meus olhos, na Bíblia - do Gênesis (a criação do mundo sob a configuração de dias) aos diversos apocalipses até seu último livro - está permeada de uma visão cíclica da vida.  E foi essa a visão que, mutatis mutandis, nos deixaria Celso Furtado, ao ultimar sua palestra e longo debate, no Auditório Castelo Branco, na reitoria da Universidade Federal do Ceará, em 1986, que tenho gravada em CD, sobre tal visão, que, na terminologia lingüístico-semiológica, chamaríamos de sincronias a se alternarem em diacronias em busca crescente de uma pancronia:

 

"(...) Eu considero que são quinze anos.  O ciclo de Vargas foram quinze anos.  E outros ciclos.  O próprio ciclo da república, da Constituição de 46, durou de 46 até 64, dezoito anos.   O ciclo político brasileiro existe dessa forma. E se esgota. Porque, como todo sistema, tende a se usar, no Brasil. 

 

O Brasil tem tantos problemas que a classe política não está preparada para enfrentá-los.  A classe política reflete o passado: no Brasil e aqui no Nordeste.  Reflete a tendência para conservar o que existe.  Então, se instala um ciclo político e esse sistema, que aí está defendendo-se, vai se usando, se usando, se usando...

 

 E   "(...) a nova geração vai ter um trabalho importante de reconstrução a realizar e um espaço político a ocupar. E eu espero para ela que aprenda um pouco com os nossos erros, E reconstitua e restabeleça  essa fé no futuro deste País, que, aparentemente, se desgastou muito!" (Celso Furtado)

 

Pelas fotos a cobrir o evento (do que disponho), ali estava presente significativa mostra de toda a geração que se engajaria em movimento pela redemocratização do País e, no Ceará, do denominado "Projeto das Mudanças".

 

 De lá para cá, logo que, após minha última queda cardiovascular, fui convidado por Cláudio Ferreira Lima, assessor da presidência do Banco do Nordeste, para assistir à cinebiografia de Celso, ouviria o encerramento do evento por um deputado, nas seguintes palavras:

 

"Os problemas do Nordeste, com vista a seu desenvolvimento, em resumo, são três: primeiro, dinheiro; segundo, dinheiro; terceiro, dinheiro.  E tenho dito!" ...

 

·        Crescimento a metamorfosear-se em desenvolvimento

 

Ao ouvir a frase acima do deputado, ao encerrar o encontro, vem-me à mente, em direção nada coincidente, trecho enfático do pensamento de Celso Furtado, na histórica palestra no Auditório Castelo Branco (UFC):

 

"O que caracteriza o desenvolvimento é o projeto so­cial subjacente. O crescimento econômico, tal qual o conhecemos, funda-se na preservação dos privilégios das elites, que satisfazem seu afã de modernização. Quando o projeto social dá prioridade à efetiva me­lhoria das condições de vida da maioria da população, o crescimento se metamorfoseia em desenvolvi­mento" (Celso Furtado, 1986)

 

 

(Continua em "Fora a Política. Possível? (Parte II)

 

 

 

 

·        Além da política... Possível?

 

Retorno aos sonhos das vendedoras de sonhos a clamar contra "uma sociedade que, através da política, se submete ao domínio desse fetichismo (que representa o trabalho e se expressa no dinheiro (...) que tem poder sobre todos os membros dessa sociedade (...) que coloca as relações entre as pessoas como relações entre as mercadorias e das mercadorias (...) que alimenta as guerras, dissemina a violência e a barbárie (...) e que destrói a natureza."

 

Tais sonhos dispensariam a política? Decerto que não. Teríamos, sim, que reconhecer que, ao longo do tempo, nossa política, na sucessão de seus ensaios e erros, tem-se afastado do projeto humano na terra.  Assim, temos de concluir que "agora", a política dos novos tempos  há que voltar à helênica "ágora" dos tempos de antes. Uma "ágora" como a dos cantões suíços, a democracia direta, espraiada na praça pública e ruas, resgatando figuras como o plebiscito o "recall" dos tempos de agora.  Revendo, sim, Montesquieu, nos já fatigados e arranhados padrões de "independência e harmonia dos poderes" – executivo, legislativo e judiciário.

 

Tudo, na correção de nossa distorcida re/pública num retorno à intencionada "res publica" (coisa pública, em sua origem).  De uma federação retornada à intencional e primária "foedus" (aliança), sob os padrões da co/laboração entre seus atores – a União, os estados e os municípios, acrescidos, quem sabe, entre os entes da federação, as regiões.  Uma federação, em que os actantes, mais que os abstratos órgãos, sejam os cidadãos.

 

 

·                    Democracia, mosaico social em dissonante harmonia 

 

A democracia, sobretudo quando tomada em sua dimensão "social", não há que ter mais, em nossos dias, a conotação do ilusório "império da maioria".  Mas, ao invés, contempla a sociedade como amplo e diversificado mosaico social.  Sob essa perspectiva, torna-se o diálogo entre as minorias, a converter em acordes as dissonâncias diversas do todo social.

 

Cena a, em mim, despertar esse "diversificado mosaico social" deu-se quando Violeta Arraes foi Secretária de Cultura, Turismo e Desportos do Ceará, ao tempo de Tasso Jereissati governador.  Na Praça José de Alencar, em Fortaleza, reinaugurava-se o "Theatro José de Alencar". Os festejos iniciavam-se com peça musical, sob a batuta do maestro Koelleutter, que se compunha dos ruídos dos instrumentos múltiplos da obra, mesclada a vozes de corais, e a instrumentos outros vários.  Tudo isso, numa literal con/fusão, ruídos, vozes e sons instrumentais, no todo caleidoscópio da ... harmonia.  Os desafinos, no diapasão da bossa nova, componham produtiva e fraternal harmonia. 

Ali, despertou-me a metáfora do onde chegar a nossa democracia.  E, cá p'ra nós, sobretudo ali, duas mulheres com força icônica e mítica pareciam representar duas alencarinas faces.  Uma, da literatura nacional, sabida amiga pessoal de Castelo Branco, a se dirigir a político ali de renome, cooptado para o Projeto das Mudanças, a ele – eu a observar – dizendo: "O que faz você entre esse povo? Você é dos nossos!..." – por certo referindo-se a Violeta Arraes, musa das esquerdas em Paris.

 

Com a arte, aprendi que os ruídos, quando dizem algo mais que arranhões, são expressivas figuras.  E, nessa linha, na convivência democrática, que há de ser caleidoscópica...  Nas ações extensionistas, sobretudo no Projeto Rondon, mais forte que o lema do "integrar para não entregar", vi força maior "deste País": a do clássico "unidade na diversidade", a nos re/unir regiões, classes, o mosaico social enfim, a encontrar força em nossa pluralidade em sólida aliança...

 

·        Mercado & política

 

 A vida política não é irmã gêmea do fetichismo mercadológico.  Daí, não se faz necessário acabarmos, no projeto social e humano, com a política para a construção de uma sociedade mais justa.

 

A propósito da convivência entre "mercado e política", conta-me amigo, a confidenciar "feeling" do Presidente Lula sobre as relações entre o mercado e a política.  Reunião do alto comando da República, em Brasília. Na pauta, a necessidade de ampliação dos "programas sociais". Alguém, da área econômica, indaga ao presidente se não é oportuno que sejam ouvidas as "forças do mercado".  O presidente, então, crítico sorri.  Balança a cabeça e sentencia: "Mercado não entende nem de política e nem de eleições..."

 

·        No jornal, um artigo?

 

Ao despedir-se  de mim, Rosa (Maria no telefone chamando-a), sugerem-me, as duas, artigo sobre a temática.  Fico a pensar. Mas, logo, desisto.  História assim não caberia, espremida, nos literais 1.800 caracteres (incluídos os espaços em branco) na Página Opinião de "O Povo".

 

Por outro lado, a mim, me chocaria – e me doeria até - o reprisar, em vermelho, do refrão, disparado lá da outra ponta da BR 116, em incisivos e lacônicos comentários:

 

"Quem decide as eleições, não são àqueles que lêem jornais, mas aqueles que limpam a bunda com eles." (Marco Vargas/Santana do Livramento/RS)

 

·        Opção, pois, pelo espaço do Ethos-Paidéia

 

Daí, mesmo sabendo que muitos não as lerão, prefiro jogar tais inquietações neste Grupo "Ethos-Paidéia". Afinal, aqui o nosso porto é a helênica "Paidéia", nascida do escravo, a conduzir para a escola e a vida, as nossas crianças, orientadas pelos valores no alto.  Valores assentados pelo "ethos" - hoje, a responsabilidade social, pactuada por todos em direção ao um solidário viver.  Tudo isso, na história da humanidade, onde a multiplicação e o repartir dos pães e do vinho simbolizam o porto de chegada do ser humano, imagem e semelhança de Deus, em sua jornada na terra...

 

Que se encaminhe, pois, às vendedoras de sonhos.

 

 

Solidário,

Marcondes Rosa de Sousa

(Em novo surto de sua ... face adolescente)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 
 

 

 

Terminal de GNL é sinônimo

de desenvolvimento

 

(Extraído do Jornal Transpetro,

enviado ao Coordenador deste Blog,

por Sérgio Machado,

 Presidente da Transpetro

(pp. 6 e 7).

 

 

Suprimento de gás natural liquefeito garantirá confiabilidade ao sistema energético no Pais e impulsionara crescimento regional

 

Em apenas oito meses, um tempo recorde, a Petrobrás e a Transpetro viabilizaram o projeto para incluir o gás natural liquefeito na matriz energética do Brasil. Instalado em Pecém, no Ceará, o primeiro Terminal Flexível de Regaseificação de GNL foi inaugurado, no dia 20 de agosto no distrito de Pecém, município de São Gonçalo do Amarante (Ce).

 

A cerimônia, que contou com a presença do presidente da República, Luiz Inacio Lula da Silva; do governador do Ceará, Cid Gomes; o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli; do presidente da Transpetro, Sergio Machado; e da diretora de Gás e Energia da Petrobrás, Maria das Graças Foster, simboliza um grande salto tecnológico para o País.

 

Pela primeira vez, no mundo, serão realizadas operações de transferência de GNL realizadas operações de transferência de GNL entre um navio supridor e um navio com planta de armazenamento

e regaseificação a bordo. O suprimento de gás garante confiabilidade ao sistema energético no País e contribui para o desenvolvimento regional. Com a garantia do fornecimento de gás, muitas empresas poderão se instalar no Estado, gerando emprego e riqueza para os nordestinos.

 

 

Momento a especial

 

O presidente da Republica falou sobre a boa fase do País. "Viver este momento, para mim e gratificante, porque, no dia 21 de novembro de 2006, estávamos com um problema muito sério com o companheiro Evo Morales, presidente da Bolivia: estávamos numa peleja muito grande, por  conta do gás que importávamos de lá. Hoje, menos de dois anos depois, já estamos inaugurando este terminal aqui no Porto de Pecém, a partir de um projeto inédito no mundo."

 

Ressaltando a importância da indústria do petróleo como indutora do desenvolvimento social, e a necessidade da aplicação de recursos em infra-estrutura no Norte e no Nordeste, Lula defendeu: "É preciso ter consciência de que em alguns lugares, onde já existe desenvolvimento, é preciso fazer infra-estrutura para escoar a produção. Mas há outros lugares em que é preciso fazer a infra-estrutura, porque ela vai levar a desenvolvimento para aquela região. Este terminal foi construído em tempo recorde, em oito meses. Isso significa que a Petrobrás vai se transformando aos poucos em mais do que uma empresa de petróleo. Este terminal do Ceara é um orgulho para a Petrobrás, e um orgulho para a Brasil."

 

            Na avaliação de José Sergio Gabrielli, o  esforço das equipes envolvidas no projeto do terminal de GNL foi fundamental. "0 Terminal de Pecém tem uma característica única no mundo e seus processos são pioneiros. o gás é comprimido 600 vezes, a 1600 negativos, se transformando em liquido. Depois é regaseificado e injetado na rede de gasodutos. Isso significa nova tecnologia. É um gás especial, que permite flexibilidade na oferta, o que e inovador para a Ceará e para a Brasil."

 

 

Pioneirismo

 

O presidente da Transpetro, Sergio Machado, enfatizou a importância do projeto. "Para operar o terminal, a Transpetro aceitou o desafio de preparar uma grande equipe. Foi um trabalho de sinergia e de inteligência coletiva do sistema. Em tempo recorde, a Companhia colocou o grupo em condições de operar o  terminal com toda a segurança. Treinamos profissionais em Portugal, no Japão e nos Estados Unidos. 0 projeto garante confiabilidade à matriz energética do Nordeste".

 

Segundo Maria das Graças Foster, as operações com GNL devem começar em setembro. Neste momento, tem início uma série de testes de funcionamento dos equipamentos para que tudo ocorra dentro dos padrões de segurança do Sistema Petrobrás. A diretora lembrou também que a operação com GNL está no. Plano de Negócios da Petrobrás, que prevê a produção de 46 milhões de m3  até 2012 para o abastecimento de termelétricas. "0 projeto é especial para a Petrobrás, pois contou com o talento de diversas áreas da Companhia. A Engenharia foi magnífica e a Transpetro tem um papel estratégico nesse processo."

 

No Terminal de GNL de Pecém, estão trabalhando técnicos de Operação dos terminais de Manaus (AM), Madre de Deus (BA), Santos (SP) e Baia de Guanabara (RJ). Dois deles participaram da apresentação para o presidente Lula, durante visita ao Centro de Controle. José Carlos Melchior, do Terminal da Baia de Guanabara, estava emocionado: "Estou muito satisfeito, afinal, fazemos parte de um projeto de ponta. Fomos capazes, em tão pouco tempo, de construir tudo isso. Há seis anos trabalho na Transpetro e para me preparar para este desafio fiz diversos treinamentos no exterior. Há dois anos, não sabia nada sabre gás natural liquefeito e hoje estou capacitado para operar a terminal."

 

Alberto Carvalho, técnico de Operação de Madre de Deus, também estava eufórico. "Tenho 24 anos de Sistema Petrobrás e me sinto muito feliz por participar da instalação do Terminal de GNL de Pecém, um projeto ousado e inovador. Enfrentamos o desafio, conseguimos domar os riscos e agora estamos prontos para operar com segurança. Estamos escrevendo a história da Transpetro."

 

               

Outros investimentos para o Ceará

 

Durante a cerimônia de inauguração do Terminal de Pecém, foi assinado o Protocolo de Entendimentos entre a Governo Federal e a Petrobrás para a instalação de uma refinaria do tipo Premium 2.  No mesmo dia, foi inaugurada a Usina de Biodiesel, no município de Quixadá.

 

Ao se referir aos investimentos da Petrobrás e do Governo Federal no estado, o governador Cid Gomes lembrou: "Há 50 anos, o Ceará viveu grande momento com a chegada da energia elétrica da Hidrelétrica de Paulo Afonso. Hoje, vivemos momento semelhante. Os investimentos são, seguramente, os mais importantes da historia do Ceará nos últimos 40 anos."

 

Convidados

Também participaram da cerimônia os ministros Fernando Haddad, da Educação; José Barroso Pimentel, da Previdência Social; Guilherme Cassel, do Desenvolvimento Agrário; e Pedro Brito, da Secretaria Especial de Portos; Márcia Pereira Zimmermann, secretário executivo do Ministério de Minas e Energia; José Pinheiro, vice-governador do Ceara; Roberto Schmidt, presidente do Banco do Nordeste; Jose Eduardo Dutra, presidente da Petrobrás Distribuidora; Alan Kardec, presidente da Petrobrás Biocombustível; Paulo Roberto Costa, diretor de Abastecimento da Petrobrás; Inácio Arruda, senador; e Domingos Filho, presidente da Assembléia Legislativa do Ceará.

E, da Transpetro, os diretores Claudio Campos, de Terminais e Oleodutos, e Marcelo Renno, de Gás Natural; os gerentes executivos Paulo Penchina, de Terminais Aquaviários, e Silvio Franco, de Gasodutos; Fernando Pereira, gerente geral de Terminais Aquaviários; Francisco das Chagas Peixoto Marques, gerente dos Terminais do Nordeste.

 

***

 

Personalidades elogiam pioneirismo

"No último século, o Brasil viveu poucos momentos em que as governos tentaram realmente distribuir a renda entre a população, e agora chegamos neste momento. Destaco o sentido histórico da assinatura do protocolo entre o Governo do Estado do Ceará e a Petrobrás para a construção da refinaria, e a importância do Terminal de GNL. 0 GNL é importante para a Ceará, para o Nordeste e para o Brasil, pois irá viabilizar ma segurança energética."

 

Dilma Rousseff

Ministra da Casa Civil

 

"A inauguração do terminal de GNL afasta de forma definitiva a possibilidade de crise energética. Este e um dos momentos mais importantes do Estado que, hoje, vê concretizados os sonhos de várias gerações, e a terminal dará. uma importante contribuição para a implantação da siderúrgica e da refinaria no Ceara." 

 

Cid Ferreira Gomes

Governador do Estado do Ceara

 

“0 Terminal de GNL, em Pecém, representa segurança energética do País e desenvolvimento para o Estado do Ceará. A Petrobrás e a Transpetro estão de parabéns por mais esse desafio superado. Em paralelo, já estão previstos investimentos de quase R$ 2 bilhões na ampliação do Porto de Pecém."

 

Pedro Brito

Ministro da Secretaria Especial de Portos

, ,

“Os terminais de GNL são fundamentais para garantir o suprimento de gás natural para o País. Com a operação da unidade de Pecém, fica garantido o suprimento do gás, que é essencial para dar segurança principalmente à rede de termelétricas do País, pois o GNL se adapta bem à flexibilidade que as termelétricas necessitam para operar.”

 

Marcelo Rennó

Diretor de Gás Natural

 da Transpetro

 

 

“GLE está revigorando o setor elétrico, que há mais de dois anos tinha carência de gás.  Por isso, é esperada com ansiedade a entrada em operação desta planta.  Este é um grande passo que se dá para garantir a segurança energética do Brasil.”

 

Marcio Pereira Zimmermann

Secretario executivo do

Ministério de Minas e Energia

 

            “0 Brasil vive um momento especial de crescimento. 0 setor de petróleo e a Petrobrás estão no centro do projeto de desenvolvimento do Pais, E os trabalhadores do Ceará estão preparados para ele. Os petroleiros têm orgulho de participar deste momento da história."

 

João Antonio de Moraes

Coordenador Geral da Federação

Única dos Petroleiros

 

            “0 Terminal de GNL, que será operado pela Transpetro, tem uma grande importância, não só pelos empregos que serão gerados, mas também pelos benefícios sociais e econômicos que ele trará.  É esse equilíbrio entre o capital e o trabalho que buscamos.

 

Orismar Holanda

Presidente do Sindipetro/Ceará

 

 

            “0 Terminal do Pecém e prioritário e conta com nossas equipes capacitadas.  Para a Transpetrro, é uma oportunidade de estar efetivamente contribuindo com o desenvolvimento do País.”

 

Claudio Campos

Diretor de Terminais e Oleodutos

da Transpetro

 

 

 

 

 

           

                             Flagrante da Avenida Paulista

 

            ISSO É ETHOS-PAIDÉIA EM AÇÃO,

            NÃO SÓ EM PALAVRAS

            (Adail Sobral)

           

            O  Marcondes é um pluralista, dando voz, democraticamente, a todos. Ainda bem que se entende. Mas não vejo porque "perdoar" em vez de elogiar, louvar! Aqui vemos direita e esquerda, pró e contra, cima e baixo etc. Quer coisa melhor do que isso? O anti-discurso-único? Isso é ethos-paideia em ação e não só em palavras!!!!!!!!!! Parabéns, Marcondes!

           

            TRAVAS NOS OLHOS TIRADAS

            (Sebastião a Adail Sobral)

 

            Tem razão, o certo, de fato, é louvar e elogiar. Sem a bela ação do professor Marcondes, nem nossas brigas seriam possíveis... Parabéns, professor Marcondes, e obrigado, Adail, pela sua generosidade em procurar tirar as travas de meus olhos!

 

            VOZES EM DESENCONTRO CONSTITUEM CORAL

            Marcondes Rosa a Adail Sobral

 

            Curioso! Sempre que, nos momentos de tensão, neste Grupo, ouço-o a apagar incêndios e, por vezes, a criativamente os produzir, lembro-me, por contraditório que possa parecer, do que em Ricardo Marques chamo, afetivamente, de "dogmático" – o de que ele não gosta, mas que, em minha boca, mais alto e mais longe do que o medieval "Roma locuta causa finita", é justo a tentativa da pacificação entre as pessoas.

            A esta altura, Adail, não sei o que nos segura neste Grupo.  Na passagem dos "Desafios Educacionais" para o Ethos-paidéia, seguimos o conselho das "Alterosas", na voz de nosso Roberto A. Muller.  Ele, a mim, deu o mote: o clássico lema recobrado por sua terra, as Minas Gerais, o "libertas quae sera tamen".  E a liberdade baixou e se plantou entre nós – recém saídos então das peias do círculo estatal.  E parece que foi, nesse afã, que nos tornamos plurais.  E, mais que isso, por construir um mundo que, a alguns olhos, pode até ser (cheguei tempos atrás a pensar assim) meros reprodutores, feito infantes, dos "monólogos coletivos, de Piaget". 

            Um olhar acurado, no entanto, se mais atento mergulha, vai terminar encontrando sentido naquilo que vê. Assim, os "ruídos" na arte.  Geração bossa-nova, a nossa, fácil hoje é compreender como os desafinos de Tom Jobim enquadram-se na categoria da arte.  Lembro-me, em minha juventude, uma dita louca a desfilar pelas ruas na Praia de Iracema de Fortaleza.  A meninada a gritar quando a viam: "Lá vai a louca!".  Em mim, algo me dizia nela existir ... arte.  Foi quando tive de ir a Teresina, no Piauí. Lá, um desfile.  Bruna de Oliveira ali a encantar a todos, em "lógica" parecida com a "louca" na Praia de Iracema...  Depois, aprenderia eu, com Umberto Eco, a função dos ruídos, quando significativos, a criar o estético.

            Enxergar o artístico, no entanto, é questão de ótica.  Tenho filho músico. A banda deles, um dia, compôs várias peças.  E eles me pediram para gravá-las. De posse de um avançado programa de computador, andei ... "limpando ruídos".

            Quando entreguei a eles a minha “peça de arte”, riram-se e terminaram por ironicamente me confessar: "Eh! ficou legal. Só tem um defeito. O senhor cortou justo ...o mais artístico... (rsrs).    

            Aí, aprendi de vez.  Ruídos, se algo significam, constituem arte.  Quando não, são meros barulhos... Assim, toda a nossa visão do mundo.  Ruídos são sons. Caleidoscópios podem ser harmonia.  E vozes em desencontro constituem coral... E assim por diante, se algo a mais que o ruído conseguem ser a expressão do estético.

            Para mim, a cena que mais exprimiu o democrático foi quando, sob a batuta de Kolheuter, na reinauguração do Theatro José de Alencar, ruídos da obra, vozes, instrumentos compuseram eloqüente sinfonia... Por coincidência, recebo da ex-TVE do Ceará, da qual fui presidente, cópia do programa “Theatro José de Alencar de Ferro e Poesia”, que, para todo o País, inaugurou a Rede Brasileira de Educação Educativa, episódio por mim citado no programa “Crônicas do Ceará” sobre minha história- de0vida na educação e cultura do Ceará.

            Na verdade, na política e, de resto, na vida, sou da geração bossa nova.  E, para mim, a harmonia pode até ser monocórdica e samba ... de uma nota só. Mas, com certeza, nele outras notas vão entrar...

            A propósito, vejam o comentário que, a respeito de meu artigo ”Na ágora, o agora!”, o leitor Nelson Castelo Branco Eulálio Filho,  que não conheço lá na Web deixou:

       “Utilizar-se da palavra grega Ágora (ainda que transliterada) como título de um artigo que enaltece um movimento intitulado "Fora a Política", que por sua vez remete a um "Grupo" (nominado com outras palavras gregas transliteradas), que prega esse tipo de coisa é, de um lado, um desrespeito à filosofia grega onde justamente a Política é essencial e, de outro, um alerta às autoridades educacionais no Estado (UFC/UECE) pela gravidade do que se anda pregando em nossas universidades públicas.”

      

            Não entendeu nada do artigo.  Nem do sentido, que chama transliterado, das palavras e figuras helênicas, como se a cultura fosse estática e não percorresse uma diacronia a perseguir pancronias. E ainda a insinuação as “autoridades educacionais do Estado” como se, em minha história de vida, não tivesse eu percorrido os cargos mais altos, aqui e ... “neste País”!  E ainda quer alertar as autoridades educacionais no Estado (UFC e UECe) pela gravidade do que se anda pregando em nossas universidades públicas...

           

            EM NOSSA ÁGORA,

            DOGMAS EM CONTRAPONTO

            A SE ABRAÇAREM

            Adail Sobral

 

            Não podemos controlar o momento em que o "outro" se recusa a ler o dito, e lê-se a si mesmo no não dito, não é mesmo? Aliás, os gregos eram machistas, racistas e elitistas, se lidos apenas com os olhos (falsos olhos, por vezes) do multiculturalismo atual (que de resto mais prega do que pratica a tolerância, para não falar que por vezes tenta impor a indefinição do "vale tudo"...).

            Ricardo resvala pelo dogmático, sim, mas há momentos em que é, em verdade, é "radical", ou seja, busca as raízes, o que é meritório. O que não nos obriga a concordar com as raízes que ele propõe... Mas um contraponto dogmático a certa lassidão fundamentalista por vezes manifesta serve para gerar, pelo contraste, no paradoxo, o pluralismo, porque, desse embate entre extremos, nasce, felizmente, algum sentido, dado que "o" sentido escapa tanto a Roma como a Meca e se põe nos interstícios, a gerar inquietação, em EnTHEOsiasmos e daimonismos. O demônio também é filho de Deus, ou a divindade seria dúplice! 

            A minha inquietação me faz ser bombeiro e incendiário, radical e cordato, mas sempre extremo, em busca do mistério, do não visto ou não diretamente visibilizado. E, este, só se acha no confronto de idéias, nunca nas divergências desumanas dos argumentos ad hominem!

            E, de fato, o Ricardo e eu formamos um par de interlocutores sobremodo curiosos. Um "remete" ao outro e o outro "remete" ao um. Bakhtin adoraria ver isso, ele que criou todo um sistema de decifração do ecossistema humano.

            Aqui temos a nossa ágora transliterada, transliterata, trans-in-disciplinada, transcendente, tensa, tensiva, contenção e excesso, dogma e deslizamento de sentido...

 

 

 

 

                                 Ágora na Grécia antiga

                 Na ágora, o agora!

 

 

Marcondes Rosa de Sousa

O Povo - 29/09/2008 

 

        No Grupo Ethos-padéia, em que, na Web, discutimos educação (social e escolar), lançamos: a) o artigo "Na urna, nosso futuro", sobre a campanha eleitoral em Fortaleza e em torno da frase "somos a quinta em população, no País, e não nos demos conta de que já entramos no Séc. XXI); b) o movimento "Fora a Política", daqui lançado sob a liderança das "Vendedoras de Sonhos".


        Escritora amiga dá o tom: "Para quem acredita nas urnas eletrônicas, Papai Noel e duendes, o artigo está lindo." Daí, as reações de "apatia e (...) sintoma do descaso com a vida política (...) Vou votar, para vereador, num catador de papelão do bairro onde moro, que presta serviço útil e parece ético" (professor universitário no sul do País).E, nessa linha, as reações positivas ao "Fora a política: "Difícil porque ficamos com as palavras e eles com a força, a imposição do terror e da fome como formas de constrangimento para nos extorquir os direitos elementares.Por isso, apóio o movimento Fora a Política, pois assim, quem sabe, poderão ouvir que eles não nos agradam, não nos servem" - diz-nos professora no Rio.


        "A causa - conclui o "Fora a política" - não foi a avidez dos especuladores, mas a incapacidade de o capital mobilizar trabalho humano"(...)e o reverso foi desemprego em massa, sub-emprego e baixos salários". Daí o sonho inalcançado desde a Revolução Francesa, o marxismo e a social-democracia, o que levaria professor, no extremo sul do País a optar:"Eu continuo perseguindo o sonho de uma sociedade sem governos, sem partidos políticos, sem ideologias, sem classes (...)"


        É nos municípios que moramos, já se disse. E é, justo neles, que o futuro nos chega com atraso: o agora a nos desafiar, no democrático chão de nossas ágoras, num dilema entre os sonhos e a ação. Fique-nos, pois, a reflexão!