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Segurança, o chão dos direitos

Marcondes Rosa de Sousa

O Povo - [25 Maio 02h44min 2005]


Medo, fobia até! Eis o sentimento detectado por recente pesquisa de O POVO, em Fortaleza. Insegurança, a queixa maior (65,5%), acima do desemprego (60,1%), do mau serviço de saúde (53,1%) e do custo de vida (37,1%). A violência pisoteia-nos a vida: nos shows, nas ruas, no trabalho, residências, escolas. E faz-se presente em pessoas próximas (58,6%), sob a forma de furtos (30,2 %), de assaltos e roubos (37,6%), entre outros.

Desculpas, as de sempre: recursos minguantes, regime de colaboração (União, Estado e Município) em atropelo, a esconder incompetências. No mais, o clima geral em nossa política: papos, palanques, promessas adiadas para ''o próximo mandato''. Tudo, num estranho e maligno autismo, cada um a se agarrar a seus pedaços e ganhos.

Cidadão, retorno aos bancos de faculdade, quando me premiam os sonhos socialistas, de um lado, e os pessoais dramas existenciais, de outro. Nisso, cai-me às mãos o livro Meu encontro com Marx e Freud, de Eric Fromm. E, em sala de sala, a voz do escritor Moreira Campos em refrão: ''Drama social algum é maior que minha dor de dente'' (Fitzgerald).

Hoje, violência torna-se dor-de-dente maior a nos roubar o chão em que se assentam os ''direitos fundamentais do homem''. Assim, há que ser discutida para além da ótica policial. Ensaio disso tivemos, nas últimas eleições em Fortaleza, quando ''amor e temor'' foram a campo, feitos ''mocinho e bandido''. Fim de jogo, abraços sob a bandeira do ''quem ama protege''.

Voltar à questão impõe-se. Mesmo sem eleição. Não possível, simulem-se ''pré-candidatos''. Moroni e Delegado Cavalcante, ícones ainda do imaginário do povo?

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (Uece). Escreve quinzenalmente

 

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