Longo amanhecer (Marcondes Rosa de Sousa)
13:27 @ 26/06/2007
LONGO AMANHECER
Marcondes Rosa de Sousa
Ante o poço sem fundo da corrupção "neste País", a me pautar "paciência histórica", um forte spleen me invade. Decido calar-me e encostar a caneta. "Justo quando te reconheces quixotesco e o Fórum Social Mundial aponta outro mundo possível?", cobra-me
Na mídia, tento decifrar: docentes e guardas a atirar cadeiras e gás de pimenta, uns contra os outros, na agressiva e narcísea "Fortaleza Bela". Nas ruas, rincões, favelas, prisões, alto escalão, a violência a nos irmanar. Na política, o "passar a limpo o País", com o basta ao salto alto de uns e os tamancos de outros, persistentes UDNs, o povo a exigir, destes, os pés no chão. Aos turistas, o "relaxe e goze", da sexóloga ministra, sedução masoquista de apagões aéreos, ícones do "próspero". Tempos de murici, cada qual a cuidar de si, sob as sombras das mal-humoradas mangabeiras a nos desenhar futuros...
Em nossa bandeira, "ordem e progresso" a chocar-se com a criativa desordem. Mais que império da maioria, quer-se respeito às minorias a compor dissonantes acordes. "Um longo amanhecer", no depoimento otimista deixado por Celso Furtado, no qual, a
Pedrinho, o neto, guerreiros voadores seus à mão: "vô, para onde nós vamos?". E eu, a abraçá-lo com emoção: "Porto seguro"!

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