Grupos

 

Visão de futuro

Marcondes Rosa

O Povo - 23/07/2007 03:26 

        Foram, no Centro Administrativo do Banco do Nordeste do Brasil, 73 minutos a nos envolver em emoção. Isso, ao término de encontro a retomar repisadas vias para o andar da região nordestina: "O longo amanhecer" cinebiografia de Celso Furtado" (título de livro homônimo de Celso). Ali, conosco, José Mariani, seu diretor.

A aridez monetarista cedia lugar à sensibilidade artística. Mostrava-nos o vocacionado escritor, que levara, para a economia e a política, o tato na busca da superação dos dramas de nossa gente. O nordestino, que criaria a Sudene, a divisar nas secas, qual a neve aos esquimós, limitação sim, mas riqueza. E um Brasil a ter, em seus contrastes, justo sua potencialidade maior, uma história onde ciclos (econômicos e políticos) esgotam-se, cedendo uns, lugar aos demais.

O filme é aula sobre o que somos. Intelectuais e economistas depõem sobre nossos contrastes, dramas, potenciais e riquezas. Celso, ressaltado como o sensível negociador, olhos postos no "onde estamos" e na visão futura e concreta do "onde chegar" e do sonho. Ele, o persistente criador da Sudene, ministro do planejamento, no exílio, à frente depois de nossa cultura, após a redemocratização. O filme é metáfora bem posta desse futuro possível, eivado, porém, de óbices e desvios. Mas de firme, possível e alcançável horizonte. Há que chegar à escola formal (em todos os níveis) e aos "agentes sociais" da educação (mídia, igrejas, movimentos sociais). E, justo quando o protesto de Luiz Gonzaga e Zé Dantas parece esquecido: “uma esmola, para um homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”.

Pelo tato, ao professor Mariani, os parabéns. A nós, a lembrança de que o porto da educação é o "mundo do trabalho" e da "prática social" (LDB). Ou seja, o integrado "profissional, cidadão e pessoa" (CF).

 

Marcondes Rosa de Sousa - Professor da UFC e da UECE

 

 

Comentários

(15:21 @ 23/07/2007) Jean Kleber disse:
Marcondes, destaco o trecho "a divisar nas secas, qual a neve aos esquimós, limitação sim, mas riqueza".Assim como os israelitas que desenvolveram avançados métodos de irrigação e economia d´água, plantaram e colheram onde antes era deserto. Vontade política. Políticos do passado também descobriram a riquesa das secas ( a favor deles, todos sabemos) assim enquanto a busca da real solução sobre como lidar com a seca foi sendo protelada. O artigo é mais um marco na caminhada do desenvolvimento, resgatando Celso Furtado em "remake". Parabéns.