Ciclo Básico, o equilíbrio rompido no ensinho das letras estrangeiras (15.07.2004)
11:58 @ 20/03/2006

"Na verdade, o final feliz para nós do inglês foi um começo feliz. O Básico foi a porta de entrada para uma nova era. A dos cursos voltados para as necessidades da clientela. O chamado equilíbrio foi rompido. Mas será que a discussão está mesmo arquivada na história?" (Profa. Débora Cândida Dias Soares, da UFC)
Deus do céu!!!!
Voltei, em pensamento, a outubro de 1974 (quase 30 anos) quando, ao chegar da Inglaterra, no meio do semestre, só me restava a alternativa de "ensinar no Básico", considerado para alguns uma espécie de castigo.
A pressa da implantação ou a falta de vontade de se pensar sobre o que fazer com o inglês do Básico fez com que a disciplina de dois semestres (alguns cursos com apenas um) fosse uma reprodução do que se fazia no Curso de Letras, onde os alunos tinham 4 semestres de língua fora outras disciplinas de literatura. Resultado: não se chegaria a lugar nenhum já que não se podia ensinar uma língua estrangeira em 2 semestres. A solução inicial (sugerida por professoras de literatura) foi a de ensinar apenas leitura eliminando as habilidades que precisavam de mais tempo para se aprender.
Apesar de usarmos textos que não interessavam muito aos alunos e nem a nós, iniciamos, sem saber, o ensino de Inglês Instrumental (ESP) na UFC.
Em
Mas isso tudo você sabe melhor do que eu, pois foi o responsável.
Não se pode trazer o passado de volta (já dizia o personagem de O Great Gatsby de Fitzgerald), mas era muito bom ter turmas de comunicação, direito, psicologia. Sair do universo das "Letras" era revitalizante... Pelo menos pra mim.
Na verdade, o final feliz para nós do inglês foi um começo feliz. O Básico foi a porta de entrada para uma nova era. A dos cursos voltados para as necessidades da clientela.
O chamado equilíbrio foi rompido. Mas será que a discussão está mesmo arquivada na história?
Débora Soares
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COMENTÁRIOS DA COORDENAÇÃO
Abro o Vol. 8 da Coleção “Documentos Universitários”, sob o título Instrumentalidade no ensino de Línguas Estrangeiras (Fort. 1981). Três trabalhos: O ensino de línguas na escola brasileira, de Euterpe Barreto Rosa de Sousa; A dimensão Instrumental no ensino de francês, de Ivanova Dos Santos Dias Soares e Teresa
E, do que leio, tenho a impressão de que aí não está tão somente um frio registro histórico. E, da apresentação minha, como editor da Coleção, destaco, da apresentação, os tópicos abaixo:
“Os professores de língua estrangeira já começam a falar em ‘fracasso’, referindo-se aos métodos convencionais de ensino de línguas. De repente, começam a se aperceber de que ensinar uma segunda língua por automação, sem reflexão, por meio de simples treinamento intuitivo, a pouco resultado leva. Dão-se conta de que não é verdadeiro o fato de que ‘o estudante nada traz para a classe, a não ser uma caneta, um caderno e uma cabeça vazia’. E que não é tão ‘natural’ assim considerar-se criança um adulto, tentando-o motivar à aprendizagem de uma segunda língua, fazendo-o balbuciar pequenas frases em ‘baby language’.
O método que ora se esboça é, em suma, a conseqüência da percepção desse fracasso. É, como dissemos, um método in fieri, sem configuração ainda definida. No momento, parece que os professores de língua estrangeira têm mais consciência daquilo que não querem do que querem. Refletem isso as próprias terminologias que dão título ao método. Os professores de inglês (principalmente os britânicos) intitulam-no English for Specific Purposes (ESP), o que, convenhamos, pouca coisa define. Os de francês (e os brasileiros de inglês) preferem a terminologia instrumental (...) Não obstante isso, validam o esforço ora desenvolvido a consciência da necessidade de mudar e a distante meta por se restaurar, na escola brasileira, a ‘sintaxe de pensamento’ perdida”
(Marcondes Rosa de Sousa)
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