Importância do ensino da poesia na escola (Emiliana Ma. de Sousa Teixeira)
20:36 @ 18/04/2008

IMPORTÂNCIA DO ENSINO DA POESIA NA ESCOLA
Emiliana
Não se vê mais o ensino da poesia na escola. O professor de hoje não está buscando recursos e apoio para que os alunos tenham acesso a este conhecimento fascinante, porque não dizer, a esta bela arte que é a poesia. Esquecem que através deste tipo de atividade em sala de aula pode-se estar alimentando o hábito para a leitura.
O universo da poesia é muito rico e encantador, e o professor é o mediador e o iniciador das crianças neste mundo maravilhoso da leitura. E sabemos que o trabalho com leitura deve ser lúdico, prazeroso e bastante agradável.
Alguns educadores questionam: “Ah, é difícil ensinar poesia na escola! Como devo fazer? Como iniciar? Como introduzir e como incentivar o estudo da poesia e criação de textos poéticos com os nossos alunos? Eu não entendo nada de poesia! E para escrever poesia não é necessário inspiração, dom?” Sim, em parte, mas eu diria, como muitos admiradores da poesia e poetas profissionais, que precisamos contar com os conhecimentos poéticos, como também com um pouco de inspiração e outro pouco de transpiração!
O que vimos são questões levantadas por nossos colegas que não se sentem capacitados para este tipo de trabalho com os alunos em sala de aula. Acredito que não há regra ou uma fórmula pronta para escrever o que sentimos, e poesia é puro sentimento, é usar a sensibilidade para colocar através dos poemas de forma poética o que acontece em nosso dia-a-dia, injustiças, a paixão, a perda, a ilusão, a morte, a esperança, o amor, enfim, imaginação e graça.
Mas é possível, sim, ensinar poesia na escola; só é necessário que o professor se interesse e queira trabalhar o novo com empenho e dedicação em prol do aluno; assumir esse desafio para melhorar sua prática pedagógica. É muito importante e interessante, pois além de incentivar a leitura, leva o mesmo a mergulhar nesse mundo maravilhoso do poema, como forma de se expressar, reivindicar, falar ao mundo do mundo ou do seu próprio mundo.
O professor necessita de novas ferramentas, precisa trabalhar este tema com cuidado para que possa encontrar subsídios de como passar esse conhecimento para os alunos, de como encantá-los sem desanimá-los. Mas tudo depende da criatividade do professor com boa dose de capacitação no tema abordado.
Eu poderia até dar algumas dicas aos interessados, com um pouco de ousadia: por que não começar brincando com as palavras? Interessante, como também usar a seqüência didática, pois é uma técnica viável e acessível a todos. É necessário realizar muitas atividades com os alunos; ler muitos livros, utilizar pesquisas, descobrir coisas novas, como também sair das quatro paredes da sala de aula e ir ao campo ou pátio, sentir a natureza, quem sabe isso ajudará a incentivar os alunos ao mundo da poesia, porque - de repente - eles se sentem inspirados, contagiados e motivados a verem com outros olhos aquilo que sempre viram e que nunca perceberam o quanto é belo e encantador!
A partir daí, os alunos poderão dar início as suas produções que deverão ser examinadas e avaliadas com cautela e valorização, podendo o professor utilizar de várias técnicas para este fim, como permitir que sejam lidas em sala, corrigidas pelo professor e pelos próprios alunos, pois ao ensinar aos alunos a revisarem e aperfeiçoarem seus textos, o professor estará auxiliando-os a criarem o hábito de serem leitores de si mesmos, e daí para frente, quem sabe, publicar e expor suas produções em jornais da escola, do bairro ou da cidade, murais, literatura de cordel, na internet – blogs, etc. Assim, eles perceberão a importância do seu trabalho e se sentirão compensados.
Como vimos, qualquer pessoa pode produzir poemas com seus encantos poéticos, sem necessariamente se prender a rima, musicalidade, sílabas contadas, etc. e tal, pois sabemos que isto é motivo suficiente para que os professores não queiram introduzir o ensino da poesia na escola.
Escrever com o coração é desafiar a própria razão! Todos nós podemos produzir poemas belíssimos, é claro que não podemos esquecer que há pessoas que já nascem com esse dom, mas podemos trabalhar, exercitar, basta querer, sentir vontade e coragem, afinal, a poesia lida com o que é de humano, é uma comunicação especial, própria de cada um, com seus encantos e desencantos, mas belos e profundos.
Então, caros colegas professores, perceberam como é importante o ensino da poesia na escola?
Emiliana
especialista
(Texto postado para discussão,
no Grupo Ethos-paidéia,
pela Profa.
Comentários
(20:41 @ 18/04/2008) Marco Vargas disse:
Minha opinião sobre o texto, é que para isso existe uma explicação bem simples, sem querer reduzir o assunto a um fato sem importância. Penso que essas ações e outras que foram abandonadas pelas escolas, é que em virtude da nova orientação dos governos neo-liberais, que priorizam um ensino voltado para o mercado de trabalho e para o vestibular, fazendo com que os sistemas de ensino se voltem para provas de avaliação, deixando de lado as questões pertinentes: como a formação integral dos seres humanos, onde sem dúvidas estariam comtempladas disciplinas como a poesia, a música, o desenho, o teatro, etc, que foram abandonadas em nome de "treinamentos" escolares, com o único propósito de competição. Sds Marco Vargas
(20:44 @ 18/04/2008) Sebastião disse:
Com certeza, Marco. O que mais entristece, nesse processo que você tão bem explicita, é o deslocamento de sentidos do que seja literatura e afins. A arte não serve, em nossas escolas, para nos humanizar. Em propostas que insistem em reproduzir o mesmo, tornando todos iguais, consumidores de celulares e frequentadores de lanchonetes de grandes shopings, parece não haver mais o vislumbre de novas paisagens sociais, de novas formas de olhar para o mundo. Diante disso, a poesia é sufocada. Torna-se capital simbólico descartável, erudição de apostila para ajudar a responder questões de vestibulares... Dias atrás, fui convidado para falar para um grupo de adolescentes sobre "D. Casmurro". Tentei fazer uma atualização da obra, esquecendo as leituras acadêmicas. Parti da pergunta sobre o que dizia a respeito de minha vida a história vivida por Bentinho. Ou seja, como uma história que não é minha, mas poderia ser, me ajuda a repensar a minha própria história. Com Benjamin, reivindiquei o direito e a necessidade de sermos narradores de nossas próprias histórias, inclusive nas leituras que fazemos. Pois é com a própria vida que pagamos pelo que lemos. Os alunos me pareceram gostar muito da exposição. Entretanto, no final do encontro, dois alunos e o professor de literatura deles vieram me pedir se eu poderia voltar ao colégio para dar algumas dicas de algumas questões que poderiam ser cobradas no vestibular... Na verdade, haviam lido apenas o resumo do livro. Um desses malditos resumos do Positivo. Mas acho que ainda há espaços para o sentir e o pensar, como quer a Vera. As vezes até acho que temos um fosso enorme nas almas de nossos alunos, bastante receptivos a boa arte. Parece que percebem na arte uma possibilidade de resistência, pois, de uma forma ou de outra, sentem o vazio de terem sido bloqueados seus humanos direitos de serem fabers, sapiens e ludus, sendo-lhes permido apenas serem consumidores (não sei como se diz isso em latim). Forte abraço. E acho que era isso.
(08:53 @ 19/04/2008) Ricardo Marques disse:
Vocês precisam conhecer o Colégio Kerigma, em Fortaleza...