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Olimpíada e escola

Marcondes Rosa de Sousa

O Povo - 01/09/2008 

 

Olimpíadas de Pequim! Meclada a elas, despercebida notícia do Brasil em outra olimpíada: a 40a. Olimpíada Internacional de Química, em Budapeste, onde os 4 representantes do Brasil (todos cearenses) deixaram para trás as delegações dos Estados Unidos, França, Japão e países ibero-americanos. E irônico! Justo de alunos arrancados de uma escola (a nacional e, nela, a cearense) entre a dos 62 piores países do mundo.

 

Desde os anos 80, pró-reitor de extensão na UFC e a presidir após o Conselho de Educação do Ceará, apostei, na contramão de muitos, na produtiva metonímia entre a escola e a solidariedade esportiva. Nisso, tive de enfrentar as dominantes e falsas posturas igualitaristas, na crença de que a produção humana, para além da clássica trilogia "natureza, trabalho e capital", há que conjugar as inteligências múltiplas, a emoção e o ético a cimentá-la. O saber, num mundo de fome, a multiplicar os pães, apartando águas num Mar Vermelho, rumo à prometida terra, onde corram dignidade e justiça social.

 

Não vi, nas escolas, com tais olimpíadas, receados individualismos, mas, ao invés, o resgate de sua alma perdida e da já débil sedução do saber entre os alunos. Daí, a paixão pelo estudo e o senso da agregação. A olímpica paixão esportiva a suplantar a aridez do dever, dando sentido à escola.

 

O Ceará vive a euforia de suas potencialidades (refinaria, pré-sal, siderúrgica, minas de Itataia). Sem o saber, capital humano, investindo nas solitárias "bolsas-família", teremos de importar capital (humano e físico) de fora. E, mais uma vez, qual o alencarino Moacir, o filho da dor, de nos tornar aves de arribação. Seria a predestinação de uma raça?

 

Por isso, razão aos batalhadores como Sérgio Melo, hoje nacional coordenador da Olimpíada de Química. A esses, tributo e parabéns nossos!

 

Marcondes Rosa de Sousa

Professor da UFC e da UECe

E-mail: marcondesrosa@gmail.com

 

 

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