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Profa. Iranita Maria de Almeida Sá

 

Em 07/05/2000, no Boletim do Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais de Educação, na Web, a Profa. Zânea Duarte, Assessora da Presidência do CEE/Ba, apresenta o artigo abaixo, de autoria da Profa. Iranita Maria de Almeida Sá, então a integrar o Conselho de Educação do Ceará, com a seguinte nota:

 

“Este texto foi transcrito da "Lista de Discussão" do Conselho de Educação do Ceará, a famosa "Lista do Prof. Marcondes" (a quem agradecemos pelas excelentes contribuições)”.

 

 

DOS CONCEITOS À OPERAÇÃO

 

 

Iranita Maria de Almeida 

 

 

Estamos diante de um novo momento na educação, mas não somos apenas nós. A reformulação do sistema de ensino é uma tendência hoje em todos os países da União Européia.

 

Instaura-se um novo modelo de educação profissional centrado na noção de "competência", ampliando a anterior concepção marcada pela "qualificação" profissional. Nesse sentido, a educação deve ser pensada em função da vida, do trabalho, da ciência e da tecnologia.

 

Na era da qualificação, as instituições formavam os futuros profissionais qualificando-os para ocuparem um posto de trabalho. Os conhecimentos e as habilidades deveriam estar de acordo com as exigências do saber técnico, para o melhor desempenho profissional. Agora, na era da competência, essas mesmas instituições devem reestruturar seus currículos para incorporar as seguintes dimensões:

 

·        competências teóricas e práticas específicas da profissão;

·        conhecimentos gerais relacionados à profissão;

·        atitudes e habilidades comuns a uma área profissional e ao mundo do trabalho.

 

Além disso, a Resolução CNE/CEB Nº 04/99 define sete princípios norteadores da educação profissional de nível técnico, que devem ser almejados. Entre eles, destaco: "respeito aos valores estéticos, políticos e éticos" e "desenvolvimento de competências para a laborabilidade", por serem dois princípios que se me afiguram como inéditos.

 

Portanto, essas antigas escolas têm agora uma nova função: o desenvolvimento pessoal e da cidadania, a preparação básica para o mundo do trabalho e o domínio dos meios para continuar aprendendo, se tornando cada vez mais competente.

 

Mas essa surpreendente preocupação com a educação profissional parece ter sido apenas uma retomada as preocupações de alguns séculos atrás.

 

Segundo alguns historiadores, o judaísmo não só reconhecia como recomendava o ensino de um ofício: "A mesma obrigação tens de ensinar a teu filho: um ofício como a instruí-lo na Lei" e "É bom acrescentar a teus estudos o aprendizado de um ofício."

 

Os séculos seguintes presenciamos um paulatino e decisivo preconceito em relação ao aprendizado dos ofícios e dos trabalhos ou inferiores na escola social.

 

No Brasil, o processo de construção das idéias e das principais contribuições teóricas obre educação e trabalho passam de um caráter meramente filosófico ao predomínio de estudos apoiados na teoria do capital humano, anos 60. Em seguida, as reflexões são críticas feitas às teorias da educação, nos anos 70 e, na década seguinte, segundo alguns teóricos, é que as teorias pedagógicas articulam a educação com as relações sociais mais amplas.

 

Restam-nos algumas preocupações. Entre elas, como as escolas conseguirão se distanciar de suas práticas e concepções, passando a compreender e implantar toda essa gama de inovações pedagógicas.

 

A propósito desse desafio, lembrei-me de uma história (abaixo transcrita) muito interessante e que parece ilustrar a questão sobre como implantar, na prática, teorias e conceitos.

 

***

 

O sapo, preocupado com uma cobra que vivia (e caçava) nas imediações de sua residência, foi consultar a coruja, conhecida como dona de grande cabedal de conhecimentos e sabedoria. "Tinha grande preocupação" disse ele, "é o poder de hipnose da tal cobra. O que devo fazer?

 

- É muito fácil, disse a coruja depois de alguns minutos de profunda reflexão, "Voe! É o que eu faria: é rápido, fácil e descomplicado".

 

Aliviado, o sapo agradeceu pelo sábio conselho e se foi. Após algum tempo voltou.

 

- "Sabe Dona Coruja, há um pequeno problema técnico de implantação na idéia que a senhora me deu outro dia. Sapos não voam!"

 

A coruja, já provavelmente cansada daquele problema tão "simples", retrucou:

 

- "Não me venha com problemas técnicos de implantação. Meus conselhos são fundamentalmente conceituais".

 

 

 

 

 

Comentários

(19:00 @ 11/06/2011) Jean Kleber disse:
Parabéns! Excelente artigo.