Grupos

 

 

 

 

·        Além da política... Possível?

 

Retorno aos sonhos das vendedoras de sonhos a clamar contra "uma sociedade que, através da política, se submete ao domínio desse fetichismo (que representa o trabalho e se expressa no dinheiro (...) que tem poder sobre todos os membros dessa sociedade (...) que coloca as relações entre as pessoas como relações entre as mercadorias e das mercadorias (...) que alimenta as guerras, dissemina a violência e a barbárie (...) e que destrói a natureza."

 

Tais sonhos dispensariam a política? Decerto que não. Teríamos, sim, que reconhecer que, ao longo do tempo, nossa política, na sucessão de seus ensaios e erros, tem-se afastado do projeto humano na terra.  Assim, temos de concluir que "agora", a política dos novos tempos  há que voltar à helênica "ágora" dos tempos de antes. Uma "ágora" como a dos cantões suíços, a democracia direta, espraiada na praça pública e ruas, resgatando figuras como o plebiscito o "recall" dos tempos de agora.  Revendo, sim, Montesquieu, nos já fatigados e arranhados padrões de "independência e harmonia dos poderes" – executivo, legislativo e judiciário.

 

Tudo, na correção de nossa distorcida re/pública num retorno à intencionada "res publica" (coisa pública, em sua origem).  De uma federação retornada à intencional e primária "foedus" (aliança), sob os padrões da co/laboração entre seus atores – a União, os estados e os municípios, acrescidos, quem sabe, entre os entes da federação, as regiões.  Uma federação, em que os actantes, mais que os abstratos órgãos, sejam os cidadãos.

 

 

·                    Democracia, mosaico social em dissonante harmonia 

 

A democracia, sobretudo quando tomada em sua dimensão "social", não há que ter mais, em nossos dias, a conotação do ilusório "império da maioria".  Mas, ao invés, contempla a sociedade como amplo e diversificado mosaico social.  Sob essa perspectiva, torna-se o diálogo entre as minorias, a converter em acordes as dissonâncias diversas do todo social.

 

Cena a, em mim, despertar esse "diversificado mosaico social" deu-se quando Violeta Arraes foi Secretária de Cultura, Turismo e Desportos do Ceará, ao tempo de Tasso Jereissati governador.  Na Praça José de Alencar, em Fortaleza, reinaugurava-se o "Theatro José de Alencar". Os festejos iniciavam-se com peça musical, sob a batuta do maestro Koelleutter, que se compunha dos ruídos dos instrumentos múltiplos da obra, mesclada a vozes de corais, e a instrumentos outros vários.  Tudo isso, numa literal con/fusão, ruídos, vozes e sons instrumentais, no todo caleidoscópio da ... harmonia.  Os desafinos, no diapasão da bossa nova, componham produtiva e fraternal harmonia. 

Ali, despertou-me a metáfora do onde chegar a nossa democracia.  E, cá p'ra nós, sobretudo ali, duas mulheres com força icônica e mítica pareciam representar duas alencarinas faces.  Uma, da literatura nacional, sabida amiga pessoal de Castelo Branco, a se dirigir a político ali de renome, cooptado para o Projeto das Mudanças, a ele – eu a observar – dizendo: "O que faz você entre esse povo? Você é dos nossos!..." – por certo referindo-se a Violeta Arraes, musa das esquerdas em Paris.

 

Com a arte, aprendi que os ruídos, quando dizem algo mais que arranhões, são expressivas figuras.  E, nessa linha, na convivência democrática, que há de ser caleidoscópica...  Nas ações extensionistas, sobretudo no Projeto Rondon, mais forte que o lema do "integrar para não entregar", vi força maior "deste País": a do clássico "unidade na diversidade", a nos re/unir regiões, classes, o mosaico social enfim, a encontrar força em nossa pluralidade em sólida aliança...

 

·        Mercado & política

 

 A vida política não é irmã gêmea do fetichismo mercadológico.  Daí, não se faz necessário acabarmos, no projeto social e humano, com a política para a construção de uma sociedade mais justa.

 

A propósito da convivência entre "mercado e política", conta-me amigo, a confidenciar "feeling" do Presidente Lula sobre as relações entre o mercado e a política.  Reunião do alto comando da República, em Brasília. Na pauta, a necessidade de ampliação dos "programas sociais". Alguém, da área econômica, indaga ao presidente se não é oportuno que sejam ouvidas as "forças do mercado".  O presidente, então, crítico sorri.  Balança a cabeça e sentencia: "Mercado não entende nem de política e nem de eleições..."

 

·        No jornal, um artigo?

 

Ao despedir-se  de mim, Rosa (Maria no telefone chamando-a), sugerem-me, as duas, artigo sobre a temática.  Fico a pensar. Mas, logo, desisto.  História assim não caberia, espremida, nos literais 1.800 caracteres (incluídos os espaços em branco) na Página Opinião de "O Povo".

 

Por outro lado, a mim, me chocaria – e me doeria até - o reprisar, em vermelho, do refrão, disparado lá da outra ponta da BR 116, em incisivos e lacônicos comentários:

 

"Quem decide as eleições, não são àqueles que lêem jornais, mas aqueles que limpam a bunda com eles." (Marco Vargas/Santana do Livramento/RS)

 

·        Opção, pois, pelo espaço do Ethos-Paidéia

 

Daí, mesmo sabendo que muitos não as lerão, prefiro jogar tais inquietações neste Grupo "Ethos-Paidéia". Afinal, aqui o nosso porto é a helênica "Paidéia", nascida do escravo, a conduzir para a escola e a vida, as nossas crianças, orientadas pelos valores no alto.  Valores assentados pelo "ethos" - hoje, a responsabilidade social, pactuada por todos em direção ao um solidário viver.  Tudo isso, na história da humanidade, onde a multiplicação e o repartir dos pães e do vinho simbolizam o porto de chegada do ser humano, imagem e semelhança de Deus, em sua jornada na terra...

 

Que se encaminhe, pois, às vendedoras de sonhos.

 

 

Solidário,

Marcondes Rosa de Sousa

(Em novo surto de sua ... face adolescente)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 
 

 

 

Comentários

(09:13 @ 14/09/2008) Jean Kleber disse:
Oportuno e bem urdido texto, Marcondes. Ele permite uma longa discussão sobre a luta de poder que é um pleito como este a que estamos assistindo. Aliás, quero manifestar minha satisfação ao ver que, em Fortaleza, o horário eleitoral está sendo levado mais a sério pelos partidos que antes. Praticamente não se vê candidatos caricatos, palhaços ou excêntricos. Todos, mesmo aqueles estilo "povão", estão vindo com sobriedade e falam de propostas sérias para as suas comunidades. Até que enfim.