Olhar de mãe e educadora sobre a avaliação em nossas escolas
18:02 @ 03/04/2006
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Pódio ou cemitário: o dilema de nossas escolas?
OLHAR DE MÃE E EDUCADORA SOBRE A AVALIAÇÃO EM NOSSAS ESCOLAS
Esta é uma história, dessas comuns em nossas escolas (sobretudo as que acreditam no dilema “ou o pódio ou o cemitério”.), que teve início em fevereiro de
Ela acredita que “a avaliação não se esgota no mensurar” e toma afinal posição:
(...) queiramos ou não, vivemos um outro momento em que o conceito de avaliação não significa apenas ‘mensuração’, como em suas origens. Guba y Lincoln (1988), dividiram conceitualmente quatro gerações, no processo de avaliação: mensuração, descrição, julgamento e negociação. Estamos, portanto, num estágio onde o medo, a arbitrariedade e o autoritarismo já deveriam ter sido superados pela coragem, a participação, o bom-senso, a negociação e a promoção para a felicidade das pessoas. Não o contrário.
Acompanhemos essa história, em dois momentos:
a) A narrativa do que ocorreu
b) No tratamento da questão, em Parecer emitido pelo Conselho de Educação do Ceará, ao final indicado.
***
I - O REQUERIMENTO DA MÃE AO CEC (Protocolado sob n. 04360805-, em 25 de fevereiro de 2005)
1.0 – OS FATOS
· - Seleção: prova, entrevista e boletim
Recentemente – mais precisamente no dia 7 de janeiro, às 15 horas,
Antes desse dia, à quinta-feira pregressa, nessa escola, já estivéramos nós, para que o aluno se submetesse a uma “entrevista”, ocasião em que tivemos de apresentar “boletim” alusivo à vida escolar do estabelecimento de origem. Ali, recebíamos a informação de que a “seleção tomaria por base, como “resultado somatório”, elementos dos três campos, a saber: a “prova”, a “entrevista” e os dados do “boletim” sobre a anterior vida escolar do aluno.
· Negação de acesso à prova
Na quinta-feira a seguir, dia 12 de janeiro, dia aprazado para o resultado da “seleção”, telefonei para o Colégio. E, por intermédio de uma funcionária da secretaria, fui informada de que
E assim o fez, meia hora depois. Disse-me que, de fato, “o aluno havia tido problemas com a nota.” Quis então eu saber “que nota” e se poderia ter acesso à prova. Ela me disse que, infelizmente, isso não era permitido...
· Revisão da prova
No final de semana, conversei, sobre o problema,
Ao lá chegar, fui informada de que estavam todos participando de uma reunião com o Diretor Superintendente, Dr. Tales. Dispus-me a aguardar o término da reunião. E, após uns 30 ou 40 minutos de espera na recepção, eis que me chega uma ligação da coordenadora, Prof.ª Fernanda, para informar-me que a reunião iria “demorar bastante” e que, depois, poderíamos tratar a questão. Ela me disse haver conversado com meu cunhado. E que, no dia seguinte, iria tomar as providências para que a prova fosse revista, restando a nós aguardar.
Quinta-feira, 19 de janeiro, sem retorno. Volto a telefonar para a coordenadora, que me confirma, por fim, a mesma história da “reprovação” sob a máscara da frase: “o aluno não alcançou os níveis exigidos pelo colégio”. Isso, afirmou ela, conclusão mesmo após a revisão dita feita. Tivemos, por telefone, uma longa conversa. Pude esclarecer razões de ordem subjetiva e objetiva sobre a seleção e da opção nossa pelo colégio.
2.0 – QUESTÕES A SE ESCLARECER
Tais fatos causaram-nos – confesso – mal-estar enorme. E nos deixaram, ao
Educadora e mãe, num país onde educação consagra-se como direito – objetivo e subjetivo a qualquer cidadão que, nesse “direito” se sintam lesados – ficam-me por responder (que, se possível, gostaríamos fossem lastreados em provas e documentos formais) as seguintes questões a nos incomodar:
a) Que normas e documentação institui, no Colégio, a seleção de novos candidatos (Regimento Interno, que, na resposta esperamos transcrito)?
b) Para o ingresso
c) Se, do processo de seleção, fazem parte a entrevista, o boletim e a prova, qual o peso, em nota, para cada um deles?
d) Por que o sistema de avaliação é exclusivamente baseado em nota?
e) Por que é proibido ter acesso à prova, se ela deve ser um processo transparente como manda a lei?
f) Se assim é, por que não dar ciência aos alunos, pais e responsáveis de que não terão eles direito ao acesso nem à prova e nem à nota, contrariando assim a Constituição Federal, as diretrizes e bases da
g) Se a prova abrange Português e Matemática, o resultado é apenas de uma ou de duas?
h) A que se propõe a entrevista, se as perguntas feitas são do tipo “o que você faz nos fins de semana”?
i) Por que o simples “olhar o boletim” sem analisar a história-de-vida do aluno, durante
j) Se o aluno, na seleção, não tem desempenho considerado adequado, por que não conversar com a família, expor a questão e até, se for o caso, assinarem os responsáveis pelos alunos em tal situação, um termo de responsabilidade, caso a opção sejas ficar no colégio?
k) Por que acreditar numa seleção que é realizada tanto nos dias marcados no calendário do colégio, como em outros dias, dependendo da situação de outras pessoas? Será que dessas “outras pessoas” foram reprovadas?
l) Em pleno Séc. XXI, o Colégio estaria ainda se pautando pela “cultura da reprovação” a partir de um simples “teste de seleção”?
m) Por fim, uma curiosidade. O que dizer do caso de um aluno haver tirado, na seleção, “nota dez” de, de imediato, receber oferta de bolsa, de sorte a tornar-se “ícone”, no marketing, como produto da escola?
3.0 – A AVALIAÇÃO NÃO SE ESGOTA NA MENSURAÇÃO
Outras questões poderiam para aqui serem trazidas. Importa-me, porém, dirigir-me, em maior grau, à coordenação da escola, responsável eu é pelos elementos do planejamento escolar, dos quais a avaliação é um deles.
A avaliação de qualidade deve constituir-se em parte integrante de um processo de ensino e aprendizagem, e não como um fato isolado.
Eis o que pensa Ansubel Novaz y Honesian (1995):
La funcíón de la evaluación consiste em determinar el grado en que objetivos, de importancia educativa, están siendo alcanzados en realidad. (...) evaluar es hacer um juicio de valor o de mérito, para apreciar los resultadeos educativos en términos de si están satisfaciendo o no um conjunto específico de metas educativas (em Otoria y Otros, 1995)
Partindo dessa premissa, entendemos que, queiramos ou não, vivemos um momento em que o conceito de avaliação não significa apenas “mensuração’, como em suas origens”. Guba y Lincoln (1969) dividiram conceitualmente quatro gerações, no processo de avaliação: mensuração, descrição, julgamento e negociação.
Estamos, portanto, num estágio onde o medo, a arbitrariedade e o autoritarismo já deveriam ter sido superados pela coragem, a participação, o bom-senso, a negociação e a promoção para a felicidade das pessoas. Não o contrário.
4.0 – O PEDIDO
Minha intenção, afinal.
Mãe, espero da escola - em nome do direito subjetivo, que é a educação em nosso País e em todas as suas modalidades bem como a qualquer cidadão – a resposta a essas questões.
Educadora, gostaria que o
Atenciosamente,
Profa.
***
A POSIÇÃO ASSUMIDA PELO
PARECER 0068/2006, em 08 de fevereiro de 2006, um ano quase após... (Do qual aqui se extraem):
III – VOTO DA RELATORA
O voto é no sentido de que, nestes termos, responda-se às indagações de
Este é o parecer, salvo melhor juízo.
IV – CONCLUSÃO DA CÂMARA
Processo aprovado pela
Sala das Sessões da
Relatora
Presidente da Câmara
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