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Educação, capital humano

 

Marcondes Rosa de Sousa
O Povo - 16 Mar 2009

        

         Abro O POVO e nele, duas manchetes me chamam a atenção. Mais ostensiva, ressalta-se a declaração da ministra Dilma Rousseff: “o desenvolvimento do País só poderá ser alcançado por meio de ações contra as desigualdades social e econômica”. E, em tom mais discreto: “Prefeitura destina 40% do orçamento para a educação”.



        Por instantes, em minha mente, desfilam múltiplas distorções sabidas e denunciadas dos programas assistencialistas a, num crescendo, afastarem seus beneficiários do mundo construtor do trabalho. E, nisso, martela-me o refrão do baião “Vozes da Seca”, do médico Zé Dantas e Luiz Gonzaga, o rei do baião: “Mas, doutor, uma esmola, para um homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”. Nessa caudal, recordo-me de Ariosto Holanda, em solenidade em Limoeiro do Norte, a confessar, sob forte emoção, lição que lhe havia ficado de dom Aureliano Mattos, a justificar seu Liceu de Artes e Ofício: “Sem uma arte e um ofício, não se é filho de Deus”, força motriz da obstinação a hoje embasar CVTs, Centecs...


        Volto à criação do mundo. E, no Gênesis, vejo, instigado pela serpente, Adão seduzido pela intuição de Eva, a despertar de edênico sono.  E, imagem e semelhança do Criador, nossos pais darem início ao projeto humano, alicerçado na construção e no trabalho, à luz do “comerás o pão com o suor do teu rosto”, num equilibrado e instigado “crescei e multiplicai-vos”... 

        Hoje, o globo inteiro abala-se em desequilíbrios: o ecológico, o desemprego, a educação vista em seu papel de capital humano, a exigir-se ferramenta para que a imagem e semelhança do Criador se dignifique sob a integrada tríade do “profissional, cidadão e pessoa”, pois, “sem uma arte e um ofício não se é filho de Deus.”

 

        Só assim o desenvolvimento poderá encarar-se ... sustentável!

 

MARCONDES ROSA DE SOUSA
Professor da UFC e da Uece
marcondesrosa@gmail.com.br

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