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               Vamos ensinar a pescar

 

Marcondes Rosa de Sousa

Professor da UFC e da UECE

 

Povo - 30 Mar 2009

 

               

                No Ceará (é bordão em meus artigos), economia e política alternam-se, como nossos rios, em cheias e secas. Exemplos recentes entre nós, a União pelo Ceará, com Virgílio Távora, a superar as velhas rixas entre PSD e UDN. Em 1984, Celso Furtado, voltado do exílio político, dava-nos conta, nos Encontros Culturais da UFC, de que os ciclos, no País, vêm e se vão de 15 a 18 anos, daí nascendo, o “projeto das mudanças” liderado pelos à época “jovens empresários do CIC”, à frente Tasso Jereissati.

                Agora, um desses “jovens empresários”, por alguns chamado “o Samurai do Cambeba” e hoje a levar à frente, na presidência da Transpetro, os sonhos do Barão de Mauá, em nossa indústria naval, adverte-nos para a chegada de novo ciclo – político e econômico - entre nós. Sérgio Machado aponta-nos estratégicas presenças de cearenses na vida política e social, no cenário nacional, que poderiam, sob o diapasão do olhar mais alto, re/unir, num “Partido do Ceará”, forças nossas hoje em desperdício, nos poderes executivo, legislativo e judiciário do País.

                Em O POVO, Sérgio Machado nos diz que sua intenção “é explicitar as características do nosso mercado e caminhos do treinamento e do crédito. Não vamos dar o peixe, mas ensinar a pescar”.

                De minha parte, sou partidário, sim, do “dar de comer a quem tem fome”. Mas insisto: “... uma esmola a um homem que é são ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão” (Zé Dantas e Luiz Gonzaga). E, não mais que Pero Vaz de Caminha, nessa jornada, ecoa-me a lição que, no Auditório Castelo Branco (UFC), deixou-nos Celso Furtado: “Quando o projeto social dá prioridade à efetiva melhoria das condições de vida da maioria da população, o crescimento se metamorfoseia em desenvolvimento”.

                Esse, o horizonte de um desenvolvimento sustentável. É a esperança de todos nós!

 





 

 

Comentários

(17:21 @ 31/03/2009) Jean Kleber disse:
Marcondes, como educador que é, tem que combater o assistencialismo. Mesmo que se justifique no estado de grande indigência da população alvo, ele tem que ser apenas emergencial. Caso contrário vira tutela, dependência, clientelismo e por aí vai...Parabéns, mestre!