Política, coisa suja (Marcondes Rosa de Sousa)
15:27 @ 13/04/2009
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(Romance de Rosalina Coelho Lisboa)
Política, coisa suja
Marcondes Rosa de Sousa
Professor da UFC e da Uece
O Povo - 13 Abr 2009
Na mídia, política é coisa suja. E isso me leva a Aristóteles, para quem o homem é animal político, a construir, gregário, o mundo. Abro o livro “... a seara de Caim”, que, no Seminário da Imaculada, em Campinas (SP), recebi como “prêmio áureo”, em 1960, onde se lê: “Os povos não merecem julgamento pelos crimes dos seus maus filhos, mas pela violência da reação que esses crimes provocam. Pois Deus concede poder de água lustral ao sangue de Abel (...), que redime a seara de Caim”.
A “coisa pública” (res publica), entre nós, molda-se em formal aliança (foedus) entre união, estados e municípios. Prudente atentarmos para a advertência de Montesquieu: “é uma eterna experiência que todo homem, a quem é dado poder, termina por ser levado a dele abusar; ele vai até onde encontra limites”.
Muitas, as queixas apontadas em nossa federação, onde “foedus” – a aliança entre seus entes - também se reclama para as regiões. Em recente seminário sobre o Nordeste, onde discutíamos suas potencialidades e limites, a reclamação geral era a de que regiões, no contexto atual entre o global e o regional, haveriam que se alçar a entes federativos.
Em nossa federação, os poderes executivo, legislativo e judiciário compartilham de formal independência e harmonia entre si. Passos mais avançados de reforma, porém, em nossa política se esperam.
No plano nacional, o legislativo é bicameral: câmara e senado. Neste, a representação opera-se igual para os estados e o distrito federal, a nação em equilíbrio.
Nestes tempos de crise, o Brasil é respeitado, ocupando lugar entre os grandes. E, no plano interno, sem os históricos surtos de Confederação do Equador. É tempo de passarmos a limpo, na expressão de Darci Ribeiro, a nossa política, vista ainda por muitos ... “coisa suja”...
É a esperança de todos nós!
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