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DEMÓCRITO, UMA SAUDADE!

                Marcondes Rosa de Sousa

                Professor da UFC e da UECe

 

                Um ano desde a trágica notícia a nos abalar a todos: Demócrito Dummar  a nos deixar, em inesperada viagem para a outra vida.  Hoje, porém, o conforto do projeto e lições que deixou.  Um jornalismo  (jornal, rádios e televisão) sob a batuta de um cotidiano arrancado do barro do chão, mas sem perder de vista “psicanálise e metafísica do mundo” (Roland Barthes).  Um jornalismo, em que a feição gráfica se opera num “produtivo caos” a nos lançar o forte apelo: nossos segmentos sociais, em aparente ruído, a desenhar, porém, democracia nos plurais acordes em sinfonia.

                Desde os anos 60, nas funções que ocupei, sobretudo na Universidade Federal do  Ceará, captei,  das relações entre O Povo e a inteligentzia do Ceará, a concordância com o lema “O universal pelo regional”,  que Martins Filho legaria à UFC, acorde com o “poder de pauta” de Demócrito a O Povo. Pauta de uma caminhada em que teriam que se articular cabeças (os intelectuais), mãos (os gestores públicos e sociais) e tato (os políticos). 

                Basta mirar, em retrospecto, as históricas iniciativas conjuntas entre nossas universidades (a UFC sobretudo):  os simpósios, os festivais de cinema e audiovisual, os programas de responsabilidade social, os cursos de educação à distância, a editoração de livros e periódicos, entre muitos outros.

                Saudade, presença dos ausentes (Olavo Bilac).  Demócrito, em nós que ficamos, nos é sensível presença.  Presença nos meios de comunicação de O Povo, em que o poder de pauta evoca o poema de Demócrito Rocha, O Rio Jaguaribe, a desaguar, presença sensível no  jornalismo de  nossa plural sociedade, na ágora e no agora, em busca do “longo amanhecer” de que nos falaria Celso Furtado, hoje em outra vida,  aqui trazido, em 1984, pela UFC e O Povo: “o do crescimento econômico a se metamorfosear em sustentável desenvolvimento”.

 

 

 

Comentários

(17:50 @ 01/05/2009) Isabel Pontes disse:
O sentimento de finitude, atravessa a vida humana silenciosamente, e so se manifesta quando o espectro da morte se far realidade de maneira repentina, abrupta, inexplicável, e ceifa vidas, interrompe projetos, sonhos,tangenciados, não restritos ao plano individual....mas no coletivo. Esse é o sentimento que se manifesta em mim, ao lembrar da morte do jornalista Dumar, cujo olhar da fotografia é inerte, não mais pisca....flutua no vazio das palavras....agora sem sentido