Educação para o Séc. XXI (Isolda Castelo Branco) - III
21:53 @ 21/09/2009
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Eclipse do sol e da lua
Outro aspecto, assinalado no Relatório, diz respeito à equidade de gênero: “ O progresso sustentável em direção à universalização da educação requer o empoderamento das mulheres e das meninas, uma vez que o nível educacional da mãe é um determinante forte da matrícula e desempenho dos filhos na escola”.
As questões de gênero vão muito além dos indicadores quantitativos de matrícula e conclusão de curso. Um amplo campo de pesquisas conforme o Relatório “documenta a falta de sensibilidade de gênero no currículo escolar, nos materiais didáticos e vieses de gênero, nas interações de sala de aula, que favorecem a participação dos meninos em detrimento das meninas” Para que a igualdade de gênero seja atingida, sobretudo devido à maior vulnerabilidade, à gravidez indesejada, é fundamental que os direitos sexuais e reprodutivos sejam garantidos.
Com Frei Beto penso que “outrora, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir-se na realidade. Hoje a palavra é virtualidade; o sexo também se tornou virtual, não há envolvimento emocional, controla-se tudo no mouse. Estamos construindo super homens e super mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados”.
O que se pode observar hoje é que a prioridade, em torno da qual vivem os adolescentes, é o sexo. Sem as informações biológicas sobre o funcionamento dos ciclos sexuais, masculinos e femininos, necessárias à preservação das doenças e da gravidez precoce, dominados pelos hormônios, expostos e estimulados pela programação da TV, que relaciona sexo com dinheiro e violência, os adolescentes realizam suas experiências sexuais sem estabelecer vínculos, sem a necessária vivência da intimidade, nem o amadurecimento para realização de uma vida emocional rica e gratificante.
Na minha perspectiva, os meios de comunicação têm uma alta responsabilidade no processo de subjetivação de crianças e adolescentes, no que tange ao aumento da violência e ao exercício da sexualidade.
A polêmica entre os estudiosos deste assunto é grande. Mas como gosto sempre de me apoiar em dados da realidade, para não permanecer só na teoria, fiz um levantamento em uma escola pública e uma favela, sobre como nossas crianças (7 e 8 anos) estão vendo a novela Favorita, cujos resultados comentarei a seguir.
Os desenhos, em sua quase totalidade, revelaram explicitamente o nível de violência da novela, demonstrando, desta maneira, como está sendo formado o imaginário de nossas crianças, expostas a um tipo de violência insuportável para nós adultos.
Apesar de estarmos preocupados profundamente com os aspectos cognitivos da Educação, tipos de aprendizagem (que conteúdos precisam dominar, como transmiti-los) não estamos conseguindo motivar nossos alunos(as). Grande parte dos adolescentes não está estudando nem lendo.
Aproveito a reflexão feita por Rubem Alves, numa entrevista concedida a Josiane Benedet, para entrar em consonância com sua maneira de pensar. “Além de insistir que os professores não devem se preocupar tanto em ensinar, sendo o mais importante ajudar o aluno a descobrir, e estar disposto ao risco de não saber, ele insiste no desenvolvimento da capacidade de sentir. É preciso ensinar os alunos a gostar de música, apreciar as obras artísticas, gostar de poesia. Sabemos que esses ensinos, na era tecnológica, não nos ensinam a fazer nada, mas ensinam o que é fundamental, e o que importa realmente na vida: sentir, porque os conteúdos cognitivos nos oferecem meios para viver, mas somente a sensibilidade nos dá razões para viver, e é isso que é mais ausente nos nossos sistemas educacionais porque não constitui material para o vestibular”.
Diante das novas configurações familiares, onde os pais dispõem de pouco tempo para os filhos, e os conflitos tornam cada vez mais difícil a convivência familiar, o papel da Escola tornou-se fundamental, não só para aprendizagem dos conteúdos cognitivos, mas como um espaço de socialização, dos novos saberes, do encontro, do afeto, de extrema importância para a formação de suas personalidades.
PERSPECTIVAS
Pensei, para 2009, nas perspectivas com as seguintes Metas educacionais :
1. Conhecer o contexto sócio, econômico e cultural do Ceará/Fortaleza. Estudar a literatura cearense, assim como as Artes Plásticas, teatro e compositores musicais.
2. Despertar o gosto pela leitura através do desenvolvimento das múltiplas linguagens (vídeo- clipe, teatro, cinema, literatura) que lhes é familiar.
3. Possibilitar o acesso à informática, e aos inúmeros sites educacionais que podem motivar os alunos e facilitar o trabalho dos professores.
4. Conhecer o perfil dos educandos por meio do estudo da Psicologia dos Adolescentes. Saber o que pensam, fazem e sentem; quais seus verdadeiros interesses e necessidades.
5. Ensinar a Pensar através do estudo da Filosofia com o objetivo de desenvolver nos educandos uma nova ótica do mundo, o espírito crítico e novas formas de relações de poder dentro da Escola.
6. Tornar possível a educação afetivo/sexual, tendo como prioridade a educação dos sentimentos.
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