Grupos

 

 

 

                        Eclipse do sol e da lua

 

 

Outro aspecto, assinalado no Relatório, diz respeito à equidade de gê­nero: “ O progresso sustentável em direção à universalização da educa­ção requer o empoderamento das mulheres e das meninas, uma vez que o nível edu­cacional da mãe é um determinante forte da matrícula e desempenho dos filhos na escola”. 

 

As questões de gênero vão muito além dos indicadores quantitativos de matrícula e conclusão de curso. Um amplo campo de pesquisas conforme o Relatório  “documenta a falta de sensibilidade de gênero no currículo esco­lar, nos materiais didáticos e vieses de gênero, nas interações de sala de aula, que favorecem a participação dos meninos em detrimento das meni­nas” Para que a igualdade de gênero seja atingida, sobretudo de­vido à maior vulnerabilidade, à gravidez indesejada, é fundamental que os direitos sexuais e reprodutivos sejam garantidos. 

 

Com Frei Beto penso que “outrora, falava-se em realidade: análise da re­ali­dade, inserir-se na realidade. Hoje a palavra é virtualidade; o sexo também se tornou virtual, não há envolvimento emocional, controla-se tudo no mouse. Estamos construindo super homens e super mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados”. 

 

O que se pode observar hoje é que a prioridade, em torno da qual vivem os adolescentes, é o sexo. Sem as informações biológicas sobre o funcio­na­mento dos ciclos sexuais, masculinos e femininos, necessárias à pre­servação das doenças e da gravidez precoce, dominados pelos hormô­nios, expostos e estimulados pela programação da TV, que relaciona sexo com dinheiro e vi­olência, os adolescentes realizam suas experiências se­xuais sem estabelecer vínculos, sem a necessária vivência da intimidade, nem o amadurecimento para realização de uma vida emocional  rica e gratificante.

 

Na minha perspectiva, os meios de comunicação têm uma alta respon­sabi­lidade no processo de subjetivação de crianças e adolescentes, no que tange ao aumento da violência e ao exercício da sexualidade. 

 

A polêmica entre os estudiosos deste assunto é grande. Mas como gosto sempre de me apoiar em dados da realidade, para não permanecer só na te­oria, fiz um levantamento em uma escola pública e uma favela, sobre como nossas crianças (7 e 8 anos) estão vendo a novela Favorita, cujos re­sultados comentarei a seguir.  

 

Os desenhos, em sua quase totalidade, revelaram  explicitamente o nível de violência da novela, demonstrando, desta maneira, como está sendo for­mado o imaginário de nossas crianças, expostas a um tipo de violência in­suportável para nós adultos. 

 

Apesar de estarmos preocupados profundamente com os aspectos cog­niti­vos da Educação, tipos de aprendizagem (que conteúdos precisam dominar, como transmiti-los) não estamos conseguindo motivar nossos alu­nos(as). Grande parte dos adolescentes não está estudando nem lendo.   

 

Aproveito a reflexão feita por Rubem Alves, numa entrevista concedida a Josiane Benedet, para entrar em consonância com sua maneira de pen­sar. “Além de insistir que os professores não devem se preocupar tanto em ensi­nar, sendo o mais importante ajudar o aluno a descobrir, e estar disposto ao risco de não saber, ele insiste no desenvolvimento da capaci­dade de sentir. É preciso ensinar os alunos a gostar de música, apreciar as obras artísticas, gostar de poesia. Sabemos que esses ensinos, na era tecnológica, não nos en­sinam a fazer nada, mas ensinam o que é funda­mental, e o que importa re­almente na vida: sentir, porque os conteúdos cognitivos nos oferecem meios para viver, mas somente a sensibilidade nos dá razões para viver, e é isso que é mais ausente nos nossos sistemas educacionais porque não constitui material para o vestibular”. 

 

Diante das novas configurações familiares, onde os pais dispõem de pouco tempo para os filhos, e os conflitos tornam cada vez mais difícil a convivên­cia familiar, o papel da Escola tornou-se fundamental, não só para aprendi­zagem dos conteúdos cognitivos, mas como um espaço de socialização, dos novos saberes, do encontro, do afeto, de extrema im­portância para a forma­ção de suas personalidades. 

PERSPECTIVAS

            Pensei, para 2009, nas perspectivas com as seguintes Metas educacionais :   

           1.      Conhecer o contexto sócio, econômico e cultural do Ce­ará/Fortaleza. Estudar a literatura cearense, assim como as Artes Plásticas, teatro e compositores musicais.  

 

        2.      Despertar o gosto pela leitura através do desenvolvimento das múl­ti­plas linguagens (vídeo- clipe, teatro, cinema, literatura) que lhes é familiar. 

 

 

       3.      Possibilitar o acesso à informática, e aos inúmeros sites educacio­nais que podem   motivar os alunos e facilitar o trabalho dos pro­fessores. 

       4.      Conhecer o perfil dos educandos por meio do estudo da Psico­logia dos Adolescentes. Saber o que pensam, fazem e sentem; quais seus verdadeiros interesses e necessidades. 

       5. Ensinar a Pensar através do estudo da Filosofia  com o objetivo de desenvolver nos educandos uma nova ótica do mundo, o espí­rito crí­tico  e novas formas de relações de poder dentro da Escola. 

       6. Tornar possível a educação afetivo/sexual, tendo como prioridade  a educação dos sentimentos. 

                                                                                     XXX

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