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NO PRINCÍPIO ERA O VERBO

 

Vagner Muniz

 

 

Ainda na linha do "a leitura emburrece?", tenho observado algumas coisas. Muito se diz que vivemos a,  (ou na)  "civilização da imagem". Afirma-se que a "simultaneidade" da imagem seria "superior" à "linearidade" do verbal; que a simultaneidade estaria mais de acordo com os processos mentais e com a inteligência. Donde: a leitura emburreceria.

 

Já tem  muito "letrado" afirmando isso.

 

Primeiro, confunde-se a linearidade da escrita ou da fala aos processos de construção do sentido, esses nada lineares.

 

Segundo, as imagens proliferam, o que certamente interfere nos processos cognitivos e sociais, mas não implica em enfraquecimento do verbal, antes em outras possibilidades de articular o discurso.

 

Terceiro, ler menos (livros e revistas) é uma coisa. Outra é que a comunicação escrita (e-mails e sms, para ficar em duas) nunca foi tão difundida.

 

Quarto,  uma sociedade ágrafa seria coisa muito diferente de uma afônica.

 

Quinto, confunde-se formação de imagens, no sentido de formação de conceitos, com construção de imagens físicas.

 

Sexto, imagens e verbalidade têm suas especificidades; há o que se pode manifestar com uma, mas não com outra e vice-versa.

 

Sétimo ...

 

Oitavo ...

 

 

 

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