Grupos

Claudio Moura Castro

                                                                      

Cristo e Walt Disney...

 

Marcondes Rosa de Sousa

O Povo - 26 Out 2009

 

``Comecei a ler, mas parei quando ele junta Jesus Cristo com Walt Disney e caracteriza Jesus como um contador de história``, diz integrante do Grupo Ethos-paideia, que, na Internet, coordeno, sobre a crônica “Educar é como contar histórias”, de Cláudio de Moura Castro, na Revista Veja.

 

De imediato, vi-me criança, a velha babá a repisar-me estórias de Trancoso. E, em mim, o bordão ficado: ``Princesa surda, uda e muda``. Adolescente, em Petrópolis, ouvia fábulas de Fedro e Esopo, que, nas aulas, traduzia do latim e do grego ao lado das parábolas de Cristo. Em Campinas (SP), padre Joseph Comblin, professor de grego e teólogo, conjugava tal relação.

 

Jovem, retornado ao Ceará, a narrativa me chega, no Curso de Letras, como parâmetro mais alto, nos estudos do formalismo russo, a embasar linguística e semiologia modernas. E, já casado, surpreendo-me, com o primogênito, literalmente ``in/fante`` (ainda não falante), tentando, em meio a gestos e ímpetos interjectivos, narrar seu recente esmagar de uma barata...

 

Hoje, meus netos vão além. Já me fizeram modernizar o programa de Teoria Literária, para compreender o texto literário (o narrativo aí incluído) construtivo dialógico entre autor e leitor. Eles, nas estórias que lhes conto, dão seu tom, mudando-lhes o curso. Elas têm de ir na direção do horizonte projetado por eles ouvintes...

 

As palavras de Cristo hão, sim, de varar os séculos, perenizando-se como textos abertos à interpretação, numa relação dialógica com seus leitores e ouvintes... São textos narrativos e, como tal abertos à interpretação por todos.

 

Razão a Cláudio Moura Castro. Educar é, sim, como contar histórias. Com ele, haverá de concordar o escritor e sensível profissional da informática Vilemarfc. Professores e alunos, na escola, hão de construir um produtivo diálogo!

 

 

Marcondes Rosa de Sousa - Professor da UFC e da Uece

marcondesrosa@gmail.com

 

 

 

Comentários

(19:38 @ 28/10/2009) Feernandes, Assis disse:
Fiqquei feliz em ler o artigo de Marcondes Rosa. Se educar é contar histórias, eu como aluno e como porfessor tenho muitas histórias. Lá na minha Ipueiras querida, ouvi de Dona Ester Mello Mourão muitas histórias severas. Os colegas ouviam num silêncio profundo. Já minha professorinha dona Isa Catunda tinha um diálogo com "histórias" da História. E Sebastião Mattos Sobrinho, com sua biblioteca, oferecia-nos uma visão de mundo diferente dos antecedentes. Mas essa "educação pela história" me deixou apaixonado pelas narrativas de Heródoto e de Helio Viana. E, como professor de hsitória e de Literatura sempre buquei esse método, lembrando o peripatétco dos sábios gregos, traduzia para meus alunos, as aventuras de Ovídio e a filsofia de Virgílio: "Non omnis moriar", ou seja,,viverei na memória deles. Acredito no método ensinado por Cristo com o recurso às parábolas, ensinando com histórias de vida...

(11:38 @ 14/11/2009) Jean Kleber disse:
A bola nos pés de um bom craque é o prenúncio de uma boa jogada. Quando nosso amigo Marcondes, do alto de sua longa experiência com educação sugere um tema, eu fico atento, pois, no entremeio das palavras existe uma mensagem de sabedoria. E quando meu velho companheiro de natação no rio Jatobá, Assis Fernandes, entra na conversa, minha atenção redobra. São duas mentes "apuradas" pelas lides universitárias e sobretudo pelo mourejo no setor da comunicação social. Para mim, um prazer enorme ler e aprender. Um grande abraço aos dois.