A Vagner Muniz, meu amigo sumido
10:43 @ 22/04/2006

Adail Sobral
A VAGNER MUNIZ, MEU AMIGO “SUMIDO”
Adail Sobral
Interessantíssimas e bastante perspicazes suas observações, meu amigo "sumido"! Sabe que um dia desses, já cansado, eu traduzia, quando, diante de um dado termo, veio-me não uma palavra em português, mas a imagem de um quadro do Velázquez. Fiquei a pensar sobre os meandros do pensamento verbal, no fato de que pensamos por imagens, mas não imagens visuais, e sim imagens mentais, que nada têm de linear.
Fui do verbal ao visual e deste ao verbal, e traduzi o tal termo. Acho que a falta de leitura emburrece, como o mostram os tais letrados ao dizer o oposto: eles devem ter deixado de ler!
Escrevi minha tese no computador e li as sucessivas versões em papel, e olhe que sou viciado em Internet (onde há a meu ver mais textos do que imagens, ou ao menos eu procuro os textos). Por que o fiz? Porque criar um hipertexto para ler daria trabalho e não me daria a liberdade (!) de saltar páginas à vontade, e porque no computador não é possível ter a visão de conjunto que a linearidade, precisamente, permite.
Por outro lado, diante de qualquer texto, escrito ou falado, nunca estamos na linearidade, porque um trecho nos leva a retroceder na leitura, outro a tentar ver o que vem depois antes de chegar lá. Quando leio na tela, nunca uso os tais "leitores", preferindo o texto "normal".
e
Vejo certo fascínio de alguns por se dizer modernos, avançados etc., sem parar para pensar na realidade. Como disse o Eco, a Internet resgatou o texto da "civilização" da imagem, cujo epítome é a TV. Mas claro que quem já está viciado em imagens físicas só vê as próprias.
Isso é o grave: tomam-se hábitos recentes de certos grupos e julga-se que são hábitos de todos. A falta de leitura (e agora falo de ler inclusive o mundo) emburrece. Será que a tecnologia incomoda tanto que alguns precisam arrumar rapidamente uma explicação qualquer para se livrar do problema?
Comentários