Educação a distância: processo contínuo de inclusão social
16:46 @ 22/04/2006

Profa. Iranita Sá
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA:
PROCESSO CONTÍNUO DE INCLUSÃO SOCIAL
APRESENTAÇÃO
"Inda que mal lhe pergunte: o que é que esse povo todo veio fazer aqui?" - é a pergunta que "Seu" Cosme, velho funcionário do Conselho de Educação do Ceará (há pouco falecido) faz a Helsenir Lucena, assessora da Presidência. Helsenir lhe responde que "discutir assuntos relacionados com a educação a distância”, tema que "Seu” Cosme diz desconhecer. Paciente, a assessora tenta explicações até que o velho funcionário suspira, grunhe, em seu dialeto, interjeições indecifráveis, e por fim sentencia: "Se, bem de pertinho, a educação já não é grande coisa, imagine quando é feita de longe".
No comentário, "Seu" Cosme deixa escapar o que, talvez, esteja no imaginário de nossa gente sofrida: a desilusão com a educação, vale dizer, a feita "bem de pertinho" (dita presencial) e a que se opera "de longe" (chamada a distância). Tudo como se estivesse seguindo a trilha do provérbio "quem não tem cão caça com gato". E lançasse seu descrédito contra o "cão" (a educação convencional), em seu papel e, mais ainda, contra o gato (educação a distância), desacreditado suplente do inoperante cão.
No País, com efeito, há muito que à educação a distância atribui-se um pálido papel supletivo, restrito à formação de uns poucos à margem de nosso sistema escolar. Um processo que tradicionalmente carrega todas as conotações negativas da mordaz expressão "de longe", contidas no desabafo de "Seu" Cosme: as do desinteresse, do sem acompanhamento, da incúria e do descaso até.
Eis que, agora, o tema ressurge avultado em relevo, em um contexto onde outros são o Planeta e o Brasil, quando o avanço tecnológico cria inéditas oportunidades de interação, de acompanhamento e controle, fazendo, dessa atividade de ensino, um aberto processo de educação continuada. Em tais circunstâncias, a educação a distância assume o tríplice aspecto de uma educação: a) supletiva, (para os que se postam à margem da escolarização convencional); b) continuada (para os cidadãos em geral, além da escola); c) complementar (numa expansão do espaço e do tempo escolar). Em outras palavras, ela se torna um eficiente processo de inclusão social. Transpõe os limites da escolarização convencional, constituindo-se em um processo a nos acompanhar a vida inteira. Contribui para a redefinição, na instituição escolar, dos paradigmas de tempo, espaço, interação e presencialidade.
É sobre essa temática, dentro desse contexto de novos paradigmas que, neste opúsculo, ocupa-se a Profa.
O tema nos chega em hora oportuna, justamente quando o País se repensa em seu desenvolvimento, ora intentado mais humano e menos excludente. E, dentro desse contexto, a educação a distância torna-se o signo maior da “lógica da inclusão”, ao tempo em que é a própria educação que se descobre, na tradição nacional, como uma ferramenta até hoje posta a serviço da combatida exclusão... Tempo ainda, no Ceará, de olhar para trás e retomar as históricas e bem-sucedidas experiências de educação a distância (as efetuadas por meio do rádio, da televisão e do jornal), inspirando-as, no entanto, da nova lógica e dos padrões da atualidade.
Tudo isso para que, da “inclusão social”, façamos uma Roma onde devam desaguar os caminhos todos: das estradas carroçáveis às infovias, do “orelhão” ao satétite. Coisa que, no fundo, talvez fosse a queixa maior de “Seu” Cosme: os reclamados cuidados “bem de pertinho”, para que a educação possa ter qualidade melhor!
Marcondes Rosa de Sousa,
Presidente do Conselho de Educação do Ceará (1998)
Quadro, extraído do opúsculo, acima citado, de autoria da Profa.
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EDUCAÇÃO PRESENCIAL |
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA |
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Conduzida pelo professor |
Acompanhada pelo tutor |
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Predomínio de exposições o tempo inteiro |
Atendimento ao aluno, em consultas individualizadas ou em grupo, em situações em que o tutor mais ouve que fala. |
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Processo centrado no professor |
Processo centrado no aluno |
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Processo como fonte central de informação |
Diversificadas fontes de informação (material impresso e multimeios) |
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Convivência, em um mesmo ambiente físico, de professor e aluno, o tempo inteiro |
Interatividade entre aluno e tutor, sob formas outras, não descartada a ocasião para os “momentos presenciais) |
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Ritmo de processo ditado pelo professor |
Ritmo ditado pelo aluno aluno dentro de seus próprios parâmetros. |
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Contato face a face entre professor e aluno |
Múltiplas formas de contato, aí incluída a ocasional “face a face” |
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Elaboração, controle e correção das avaliações pelo professor |
Avaliação de acordo com os parâmetros definidos, em comum acordo, pelo tutor e o aluno |
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Atendimento pelo professor, dentro dos rígidos horários de orientação e sala de aula |
Atendimento pelo tutor, com horários flexíveis, lugares distintos e meios diversos |
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