Grupos

Profa. Iranita Sá

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA:

PROCESSO CONTÍNUO DE INCLUSÃO SOCIAL

 

 

APRESENTAÇÃO

 

 

 "Inda que mal lhe pergunte: o que é que esse povo todo veio fazer aqui?" - é a pergunta que "Seu" Cosme, velho funcionário do Conselho de Educação do Ceará (há pouco falecido) faz a Helsenir Lucena, assessora da Presidência. Helsenir lhe responde que "discutir assuntos relacionados com a educação a distância”, tema que "Seu” Cosme diz desconhecer. Paciente, a assessora tenta explicações até que o velho funcionário suspira, grunhe, em seu dialeto, interjeições indecifráveis, e por fim sentencia: "Se, bem de pertinho, a educação já não é grande coisa, imagine quando é feita de longe".

 

No comentário, "Seu" Cosme deixa escapar o que, talvez, esteja no imaginário de nossa gente sofrida: a desilusão com a educação, vale dizer, a feita "bem de pertinho" (dita presencial) e a que se opera "de longe" (chamada a distância). Tudo como se estivesse seguindo a trilha do provérbio "quem não tem cão caça com gato". E lançasse seu descrédito contra o "cão" (a educação convencional), em seu papel e, mais ainda, contra o gato (educação a distância), desacreditado suplente do inoperante cão.

 

            No País, com efeito, há muito que à educação a distância atribui-se um pálido papel supletivo, restrito à formação de uns poucos à margem de nosso sistema escolar. Um processo que tradicionalmente carrega todas as conotações negativas da mordaz expressão "de longe", contidas no desabafo de "Seu" Cosme: as do desinteresse, do sem acompanhamento, da incúria e do descaso até.

 

 Eis que, agora, o tema ressurge avultado em relevo, em um contexto onde outros são o Planeta e o Brasil, quando o avanço tecnológico cria inéditas oportunidades de interação, de acompanhamento e controle, fazendo, dessa atividade de ensino, um aberto processo de educação continuada. Em tais circunstâncias, a educação a distância assume o tríplice aspecto de uma educação: a) supletiva, (para os que se postam à margem da escolarização convencional); b) continuada (para os cidadãos em geral, além da escola); c) complementar (numa expansão do espaço e do tempo escolar). Em outras palavras, ela se torna um eficiente processo de inclusão social. Transpõe os limites da escolarização convencional, constituindo-se em um processo a nos acompanhar a vida inteira. Contribui para a redefinição, na instituição escolar, dos paradigmas de tempo, espaço, interação e presencialidade.

 

É sobre essa temática, dentro desse contexto de novos paradigmas que, neste opúsculo, ocupa-se a Profa. Iranita Maria de Almeida Sá. Em linguagem transparente e singela, num tom familiarmente didático e sob o ilustrativo formato de uma “unidade” de um virtual programa de educação a distância, educadores e professores aqui encontrarão um “início de conversa” sobre: o mosaico das conceituações desse tipo de educação, seu tríplice papel, suas características, seus diversificados canais e linguagens, as posturas e atitudes a ela inerentes.

 

O tema nos chega em hora oportuna, justamente quando o País se repensa em seu desenvolvimento, ora intentado mais humano e menos excludente. E, dentro desse contexto, a educação a distância torna-se o signo maior da “lógica da inclusão”, ao tempo em que é a própria educação que se descobre, na tradição nacional, como uma ferramenta até hoje posta a serviço da combatida exclusão... Tempo ainda, no Ceará, de olhar para trás e retomar as históricas e bem-sucedidas experiências de educação a distância (as efetuadas por meio do rádio, da televisão e do jornal), inspirando-as, no entanto, da nova lógica e dos padrões da atualidade.

 

            Tudo isso para que, da “inclusão social”, façamos uma Roma onde devam desaguar os caminhos todos: das estradas carroçáveis às infovias, do “orelhão” ao satétite. Coisa que, no fundo, talvez fosse a queixa maior de “Seu” Cosme: os reclamados cuidados “bem de pertinho”, para que a educação possa ter qualidade melhor!

 

Marcondes Rosa de Sousa,

Presidente do Conselho de Educação do Ceará (1998)

 

 

Quadro, extraído do opúsculo, acima citado, de autoria da Profa. Iranita Maria de Almeida Sá, que faz um paralelo entre as funções do professor (na educação convencional) e do tutor (na modalidade a distância)

 

 

 

EDUCAÇÃO PRESENCIAL

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Conduzida pelo professor

Acompanhada pelo tutor

Predomínio de exposições o tempo inteiro

Atendimento ao aluno, em consultas individualizadas ou em grupo, em situações em que o tutor mais ouve que fala.

Processo centrado no professor

Processo centrado no aluno

Processo como fonte central de informação

Diversificadas fontes de informação (material impresso e multimeios)

Convivência, em um mesmo ambiente físico, de professor e aluno, o tempo inteiro

Interatividade entre aluno e tutor, sob formas outras, não descartada a ocasião para os “momentos presenciais)

Ritmo de processo ditado pelo professor

Ritmo ditado pelo aluno aluno dentro de seus próprios parâmetros.

Contato face a face entre professor e aluno

Múltiplas formas de contato, aí incluída a ocasional “face a face”

Elaboração, controle e correção das avaliações pelo professor

Avaliação de acordo com os parâmetros definidos, em comum acordo, pelo tutor e o aluno

Atendimento pelo professor, dentro dos rígidos horários de orientação e sala de aula

Atendimento pelo tutor, com horários flexíveis, lugares distintos e meios diversos

 

 

 

 

 

 

 

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