Grupos

Fortaleza (Ce)

UM NOVO CONCEITO: TURISMO É EDUCAR

(ANYA RIBEIRO)

 

 

De inicio, divulgamos no Grupo Ethos-Paidéia, a nota de 16 de fevereiro de 2006, que o Jornalista José Maria Pinto, em sua Coluna “Turismo S/A”, em O Povo, divulgava:

 

“PAINEL

 

Iranita Sá, coordenadora do curso de Turismo da Face, reúne a calorada, amanhã, no Hotel Vila Galé.  Outra promoção de Iranita é o Chá das Cinco, em data a ser marcada, com aqueles que ajudaram o turismo do Ceará a crescer.”

 

Em reação e provocação, escrevia-nos, então, Anya Ribeiro de Carvalho, anya.ribeiro@turismo.gov.br, ex-secretária estadual de turismo no Ceará e hoje a brilhar na constelação do turismo nacional:

 

Além dessa animação, o que a FACE fez, em 2005, para ajudar o turismo a crescer? Quantos profissionais foram formados? Quantos ingressaram no mercado de trabalho? Em quais atividades? Do total dos graduados da Face quantos atuam hoje no mercado? Em quais setores? PENSO QUE ESTAS QUESTÕES SÃO BEM IMPORTANTES!

 

Em comentário, procurei eu repor a questão da formação dos técnicos em turismo, em nossas instituições, fatos por ela sabidos:

 

Essas, Anya, são as inquietações dos que, fora do âmbito das Instituições de Educação Superior, operam, empresarialmente ou no plano político, com o nosso turismo. Há como que um "conflito de linguagem" entre a vida acadêmica e o operativo lá fóra.

 

Do Exterior, ouvi muito a crítica segundo a qual nós, aqui no Brasil, estaríamos querendo formar um profissional "genérico demais" e não existente - o "turistólogo", quando o mercado aí estaria a exigir uma plêiade diversificada nesse campo, desde o guia e o enólogo aos especialistas em política, administração e  turismo ecológico. Ramon Serra, da Universidade de Saint Paul (na Espanha) foi um deles, quando aqui esteve.

 

Pessoalmente, quando era Presidente do Conselho de Educação do Ceará, queixei-me, certa feita e por escrito, dos "maus tratos" em um hotel renomado de Brasília: o Hotel Nacional, quando de convenção nacional. Ao pagar a conta, fui abordado pelo gerente que me chocou. Disse-me que, naquele momento, havíamos, ele e eu, trocado de posição. O cliente ali, deixava de ser eu, o reclamante, para ser ele, que assumia sua reclamação: "A culpa pela incompetência, professor, é do senhor e não minha!"

 

Não entendi. E ele, dizendo ter tido acesso à minha ficha, disse: "O senhor é presidente de um Conselho de Educação, foi presidente do Fórum dos CEEs, é membro da cúpula do partido que está no governo federal (era a época de FHC).  Se os funcionários não lhe prestaram o serviço a que o senhor tinha direito, olhe bem e me diga se a culpa não é dos que  prepararam estes profissionais!..."

 

Cheguei ao aeroporto, onde encontrei (era uma sexta) deputados e autoridades que voltavam ao Ceará. Queixei-me. Os deputados meus amigos foram unânimes: "O homem tem razão!" Lá pelas tantas (recorda-se?) chegou você, que acabou de me derrubar: "Há, no Ceará, Marcondes, uma só escola de hotelaria credenciada pelo Conselho de Educação do Ceará. E aposto que você, que deve ter assinado essa autorização, não teria coragem de lá se hospedar".

 

Todos riram. Mudei de tom e ali nasceu a idéia de juntarmos todos os interessados, no Centro de Convenção, em Fortaleza, e pautarmos caminhada no sentido de rever esse quadro.

 

Fizemos a reunião. Infelizmente, você durou pouco, após isso, na Setur. A pasta mesclou-se a outras, ficando a idéia para ser retomada.

 

Creio que é chegada a hora de isso acontecer. Como mero cidadão, estou, junto à Secretaria de Educação Superior, ajudando ao Hélio Barros orientar nossas faculdades (públicas e privadas) a, em "regime de cooperação" cumprir com seu papel, o desenvolvimento, em moldes sustentáveis, no Estado e no País.

 

A Faculdade Evolutivo resolveu moldar-se na pauta dessa preocupação. Junto à coordenação de seu engatinhante curso de turismo, conta hoje com o trabalho da Profa. Iranita Sá, ex-conselheira do CEC, com larga experiência em turismo (coordenou o primeiro curso quando na Unifor) e seu doutorado em educação. E você hoje tem percepção do problema em nível nacional...

 

As perguntas, Anya, não são apenas para a Faculdade Evolutivo (a Face) mas para a plêiede de nossas instituições (profissionais e de nível superior). E não apenas do Ceará mas de todo o Brasil, onde os cursos de turismo demandam questionamento.

 

Suas provocações vêm, pois, em hora oportuna. E bem cabem em nosso Grupo de Discussão, o "Ethos-Paidéia", onde a "paidéia do turismo" há que se atrelar à pauta do "Ethos" (vale dizer, da "convivência social" fazendo do turismo arte da construção coletiva e do desenvolvimento social, lançando fora suas vergonhosas marcas do "turismo sexual", a humilhar nossas "iracemas", aqui e "além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte..

 

 

Ao que, afinal, Anya Ribeiro, concluiu:

 

 

Continuo eu acalentando este sonho de rever a programática e grade curricular dos cursos de turismo, que somam hoje no país quase 700, modernizada conceitualmente e tecnologicamente. Sabes que concordo plenamente  com o Prof. Ramon Serra.

 

A política nacional do turismo trabalha produtos segmentados para mercados de nichos especializados como são os observadores de aves até os esportes de natureza, passando por pesca, golfe, eventos... São onze os produtos segmentados em qualificação  para serem ofertados ao consumo dos mercados  estratégicos para o Brasil.

 

Precisamos resgatar aquilo que sabemos ser o principal instrumento de uma política pública para um destino Brasil com oferta de produto turístico de padrão de qualidade internacional.  

 

UM NOVO CONCEITO:TURISMO É EDUCAR!!!!!

 

 

Não há o que discordar. E, no artigo “Trote e responsabilidade social”, esse foi o pensamento:

 

 

Nosso turismo e sua formação nos impõem revisões urgentes: 1) olhar mais largo para a sedução de litoral, serras e sertões nossos, onde criatividade, hospitalidade e cultura alencarinas plantam morada; 2) novas dimensões do turismo de agora - lazer, ecologia, religiosidade, ciência, negócios; 3) extirpação das manchas ficadas do dito ''turismo sexual''; 4) a elevação da atividade a ''indústria sem chaminés'', alargando a inclusão social de nossa gente, cuja criatividade é vista capital humano de seguro retorno.


Na iniciativa, por certo, há tato e visão de Iranita Sá, expert em educação e turismo, hoje ligada à Face. Espera-se que o novo símbolo altere a face da educação superior cearense, a construir-se, mosaico do plural ''semi-alheio'', na tessitura do coletivo.

 

Vejam no Blog do Grupo “Ethos-Paidéia”, no endereço:

http://www.grupos.com.br/blog/ethos-paideia/month/02-2006.html

 

 

Hoje, pensamos que duas ocasiões se abrem para a discussão mais vertical dessa questão: a) o Congresso Brasileiro de Turismo em Fortaleza, de 15 a 18 de maio; b) a Conferência Estadual de Educação Superior, ora em organização pelo Governo do Estado do Ceará e Assembléia Legislativa, da qual voltaremos a falar.

 

Até lá!

Prof. Marcondes Rosa de Sousa

Coordenador do Grupo Ethos-Paideia

Integrante da Comissão Organizadora

da Conferência Estadual de Educação Superior

 

 

 

 

Comentários