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Nilze Costa e Silva

 

Posso contar aqui um “causo”? 

 

 

Algumas pessoas costumam dizer que sou romântica, acho que por ser otimista, acreditar que o bem neste planeta supera o mal e que o mundo está ficando cada dia melhor, com leis mais aprimoradas, mesmo que nem sempre sejam cumpridas.

 

Reclamo sempre que os jornais nunca noticiam as grandes ações humanas em manchetes visíveis.

 

Um pequeno exemplo: vi uma nota bem pequena num cantinho de página de um jornal, noticiando que uma costureira tinha requerido a bolsa-família de seus dois filhos por estar desempregada. Dois meses após o marido lhe dá a noticia de que conseguira um empréstimo para montar a sua pequena e tão sonhada fábrica de confecções. Então a mulher dirigiu-se à Caixa Econômica e devolveu o benefício para outra mãe que precisasse mais dele.

 

Ontem meu carro caiu num buraco enorme na Av. Pontes Vieira, já perto da Assembléia Legislativa. Sob uma chuva torrencial, não havia como tirar o pneu, todo enfiado no buraco. Meu marido logo ligou para o seguro, mas não conseguia completar a ligação. Avistei um daqueles homens que coletam lixo em carroças pedi sua ajuda, em meio à torrencial chuva. Ele logo acorreu. De repente um carro estaciona do outro lado da rua. Desce um rapaz de uns 30, anos, bem vestido e pergunta pelo macaco. O César entregou e ele se abaixou, sujou as mãos de lama, molhou-se, levantou o carro e foi atrás de pedras junto com o outro homem.

 

Encheu o buraco com enormes pedras (tudo isso quase que silenciosamente) e perguntou se meu marido não preferia que ele, sendo mais magro, entrasse no carro para dar uma ré e tentar tirar o carro do buraco. Assim fez e deu tudo certo. Ao receber a chave do carro, o César estava preocupado em dar uma grana para o carroceiro, por ser mais humilde, e quando olhou para o outro, este já entrara em seu carro, onde estava também uma mulher e uma criança. Falei pro César que não desse dinheiro a ele. Não precisava. Ajudara por amor.

 

Deu pra sentir isso. Em meio a um trânsito agitado e a uma chuva torrencial, aquele homem que nó nunca vimos em nossa vida, desceu para nos ajudar a sair de um enorme buraco, sem que nós pedíssemos sua ajuda. Sujara a roupa e se molhara. Somente um grande respeito e amor ao semelhante pode te-lo movido. Quando ele entrou em seu carro, o vidro estava fechado e eu dei um grito, para que ele ouvisse: Que deus lhe pague! –

 

Ele sorriu e a esposa dele jogou um beijo pra mim. Ganhei meu dia. Passei o dia feliz, contando essa história pra todo mundo. Que maravilha é viver

 

Nilze Costa e Silva

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