Para não dizer que não falei... (Jean Kleber Mattos)
12:11 @ 09/05/2006
PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI ...
Jean Kleber Mattos (UnB)
Busco no Ethos-Paidéia uma foto referida como ilustrativa de importante matéria sobre o pensamento complexo. Encontro-a afinal. Gosto dela.
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A foto mostra um campo de girassóis de rara beleza ao lado de comentário de professor Roberto Mueller sobre os ciclos da natureza. Nele, um ser humano examina uma inflorescência. Um pesquisador? Um melhorista genético comemorando o desempenho de uma nova cultivar? Talvez. E que tal um mortal comum, apenas internado na embriaguez flava do campo? O homem tem um turbante e barba. Lembra Osama Bin Laden. Um Osama desarmado? Um “outro” Osama? Esperança.
Na verdade, sabemos que a impressão que temos ao ver uma foto ou um quadro já existe na memória. O girassol tem a fama de postar-se sempre de frente para o sol e para isso moveria sua cabeça coroada. É uma alegoria. Incas, sim, adoravam o sol, assim como outros povos da América Pré-Colombiana. Um campo de girassol causa forte impacto pela cor amarela, estimulante. Cada pessoa relata uma impressão diferente. Para mim parece um desfile de crianças com rostinhos redondos.
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Ao ver a foto assomou-me à mente uma obra de arte que vi no cinema quando jovem. Se procurarmos uma breve sinopse do grande filme “Os Girassóis da Rússia” dirigido pelo grande Vittorio de Sica e protagonizado por dois monstros do cinema tais como Sophia Loren e Marcello Mastroianni, lá encontraremos apenas: “uma mulher luta para refazer sua vida após descobrir que seu marido, soldado desaparecido durante a Segunda Guerra Mundial, está vivendo uma nova vida na Rússia. Ela parte à procura do marido, atravessando os campos de girassóis”.O comentarista encerra dizendo: “a música de Henry Mancini ainda soa em meus ouvidos”. Música, aliás, que concorreu ao Oscar.
O que uma breve sinopse não tem espaço para dizer, é que os campos de girassóis lá referidos são uma belíssima alegoria do renascimento e da esperança. O narrador comenta que as gigantescas plantações de girassol cresceram sobre os campos onde jaziam milhares de cadáveres dos soldados russos abatidos pela guerra. Uma jovem viúva russa encontra um soldado italiano à morte. É o inimigo. Aquele povo matou seu marido. Ela o arrasta para dentro de casa. Trata dele e o salva da morte. Recuperado e grato, ou apaixonado, ele torna-se seu marido. Prêmio para ela que perdera o marido. Perda para a noiva italiana que assim perdia definitivamente seu marido herói.
Girassóis que crescem sobre campos de batalha representam a superação da morte. A superação do caos da guerra com o ressurgir da luz. Do amor entre inimigos. Da retomada da existência, mesmo para a noiva perdedora, que na história terá um braço amigo a apoiá-la.
Comentários
(17:01 @ 04/07/2007) Anônimo disse:
OLa gostaria muito de saber se alguem tem em DVD o filme Os girassóis da Russia ou onde posso encontar. Obrigado, cfbjlg@confab.com.br
(16:10 @ 07/10/2007) Anônimo disse:
tambem gostaria de saber se alquem tem o filme os Girassóis da russia onde posso encontrar hukumoto@itelefonica.com.br