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FORTALEZA EM ESTADO DE SÍTIO
 
 
Ricardo Marques
 
Recentemente enviei mensagem a esta Lista desabafando, humano que sou, minhas decepções e frustrações com o avanço terrivelmente acelerado do crime e da violência em nosso país e, mais especificamente, em Fortaleza.
 
Apesar do silêncio dos demais colegas do grupo, nosso sempre presente Prof. Marcondes, sensibilizado, repassou a mensagem para o governador, assim como para diversos políticos, ou seja, exatamente os maiores responsáveis pela situação como está. Aguardo resposta deles, ainda que sem esperança de melhorias - a mim, a História revela que qualquer retorno, quando raramente há, vem na forma de medidas inócuas, momentâneas, fúteis... Só "para inglês ver".
 
Abro minha caixa postal sedento de ler as contribuições de nossa Lista, especialmente comentários ao bate-papo que eu e o Prof. Diatahy iniciamos sobre os 500 cientistas que assinaram um abaixo-assinado questionando o darwinismo, e, é claro, à discussão iniciada sobre "Fortaleza em estado de sítio". Quase nada vi, exceto esta mensagem sobre a desgraça no Rio.
 
Aproveito, então, para atualizar nossa reflexão sobre o "estado de sítio" em que vivemos atualmente.
 
No feriado do carnaval, recolhi-me com minha família para um sítio de um amigo, próximo a Maranguape. Estávamos lá, por volta das 8h da noite, deitados em redes, na boa varanda, jogando conversa fora, quando a cozinheira nos alerta: "Se eu fosse vocês, botava tudo pra dentro e trancava as portas! Aqui tá muito perigoso, tem marginal que vem em bando lá dos matos, do fundo do sítio, e vão pegando as pessoas, botando o revólver na cabeça delas e roubam tudo! Isso acontece quase toda semana, é um perigo cês ficarem aqui!".
 
Nos entreolhamos e fizemos algumas perguntas. Logo ela disparou a contar as histórias dos vizinhos assaltados vezes seguidas, alguns agredidos e feridos. E que ali mesmo, naquele sítio, eles já entraram vários vezes, mas como na maior parte do tempo a casa fica fechada, eles não insistem muito. Mas algumas vezes invadiram até de dia, pensando que tinha gente, e trocaram tiros com o morador, que agora só anda armado. Nos quartos do sítio a mãe de nosso amigo mandou por uma campainha, que é tocada a qualquer hora da madrugada, para chamar o morador armado, quando a pessoa, de dentro de casa, ouve algum barulho suspeito.
 
A cozinheira continua, contando que a esposa do morador, com ele há 6 anos, o deixou há algumas semanas e foi embora do sítio, apavorada, depois que quatro bandidos entraram e a renderam com uma arma na cabeça, tentando forçá-la a abrir a casa. Somente depois de mais de uma hora assim é que entenderam que ela não tinha a chave, e a largaram. Mas o trauma ficou e a mulher, em choque, se mandou para nunca mais voltar.
 
Conversando com outros sitiantes, a história é sempre a mesma: a polícia NUNCA aparece, quando chamam. Ficam à mercê do perigo, e pronto. Escravos da criminalidade, vivendo em verdadeiro estado de sítio.
 
A maioria - incluindo a mãe de nosso amigo, dona do sítio em que estávamos - quase não vão mais lá. Traumatizados com o que já viveram, passam o tempo assustados, com medo de qualquer barulho ou movimento estranho. Muitos querem vender suas propriedades e ir embora. Para eles, lazer, nunca mais. Só em shopping, e olhe lá.
 
Enquanto isso, as "autoridades" se refestelam em seus palácios e carrões, cercados de seguranças armados até os dentes e com sistemas de alarmes caríssimos. Também estão sitiados, coitados, e talvez nem notem. Ou não ligam, sei lá. Devem ter suas compensações...
 
Falando nisso, onde estão nossa prefeita e nosso governador? Teriam sido abduzidos por ETs? Alguém tem notícia deles por aí?...
 
 
 

Comentários

(17:31 @ 12/01/2010) Jean Kleber disse:
Prof. Ricardo, recentemente uma colega nossa da lista "Ipueiras", em visita ao interior do Ceará, tene sua bolsa furtada. Nela estavam identidade, cartões de crédito, passagens e passaporte. Imagine o sufoco. A ela disserem que ladrões do tipo "descuidista" deslocam-se de Fortaleza rumo aos centros turísticos do interior para roubar. A colega descuidou-se da bolsa pois resta-lhe na mente a boa fé no ser humano, memória dos bons tempos dos anos 50. Também porque na pequena cidade onde ela mora, na Europa, as casas sequer têm muros...só gramado.