A emblemática tensão entre marte e vênus (Iranita Sá)
14:36 @ 09/11/2006

A EMBLEMÁTICA TENSÃO
ENTRE MARTE E VÊNUS
A seleção dos artigos que compõem o livro Educação: insistências e mutações – Coletânea de artigos publicados em Jornais de Fortaleza (
Na orelha da obra, a professora Iranita Sá, então conselheira do Conselho de Educação do Ceará, observadora e de forma generosa, tenta descrever o autor dos artigos pelos seus chavões e bordões. Ali, com efeito, assim ela se expressa:
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Por onde se pode começar a falar sobre um grande homem? Deve-se iniciar falando de sua vida? Ou é melhor citar as suas obras? Destacar suas idéias ou enfatizar seu estilo?
Sem dúvida, Marcondes Rosa de Sousa é um homem cuja vida profissional está dedicada ao ensino, às causas da educação e aos temas atuais. Sua obra está marcada por suas idéias, sempre além do seu tempo, em inconfundível estilo.
Do Ceará para o Brasil, há vários anos, acompanhamos uma verdadeira história da educação, escrita no dia-a-dia dos fatos, não presente nos livros didáticos, encontrada em inúmeros artigos, incontáveis palestras, livros, resoluções, pareceres escritos e outros documentos, produzidos ou pronunciados por este incansável homem das palavras.
Para ser mais precisa, nada melhor do que tentar traduzir um pouco mais esta personalidade marcante, a partir de suas próprias metáforas, tão bem conhecidas dos qu3e lhe são mais próximos. Naturalmente, deve-se mescla-las de alguns momentos de sua história de vida.
É do Seminário, principalmente, sua formação religiosa, cujas lições esse “cardeal” tão bem assimilou. Ao invocar as “línguas de fogo”, espera ele a vida de “tempos pentecostais” que abrirão o novo. Convencido de seu papel de “João Batista”, procura orientar-se para as coisas do espírito, pois tem uma missão a cumprir, que não pode ser desviada pelo “baixo clero”. Amparado pelo Altíssimo, encontra forças à sua sombra para enfrentar as adversidades.
Advogado, inscrito da OAB/Ce sob o no. 1821, é o homem que acredita que o “contrato social de Rousseau” vem antes da elaboração da lei. Não fica circunscrito ao cartorial ou apenas ao “legal” e avesso às tentativas de reedição do “tratado de Tordesilhas”. O fato, a lei, o texto, suas linhas e entrelinhas, tudo isso é elaborada construção, hoje voltada para os “prosaicos” temas educacionais, a serviço da educação, no Conselho de Educação do Ceará.
O professor empenhado no ensino da língua portuguesa, preocupado com as difíceis,mas imprescindíveis “transposições das linguagens”. O teórico dos processos de “comunicação” que infere as reflexões lingüísticas a partir dos referenciais concretos de seus alunos e seguidores. O professor que brinca com as metáforas, não apenas por dominar o processo de sua utilização e significação mas – e principalmente – para se fazer entender por todas as “tribos”, em seus variados “dialetos”, contextos e situações.
A política também está no seu cotidiano. Astuto, perspicaz, ousado e estratégico, busca compor o “mosaico” com os diferentes “naipes” para possíveis “pactos”. O movimento das “peças do jogo de xadrez” não sai de sua mira. Atento ao “espírito de Foedus”, acredita em “projetos sociais” capazes de melhorar a situação do povo e orientar programas de governo, pois “tudo é uma questão de dosagem”.
Semiólogo, leitor incansável da realidade e dos fatos, está sempre atento à necessidade de “re-significar” e “reeditar” as grandes idéias. Na verdade, este decifrador de símbolos e de sinais sabe como ninguém fazer as mais instigantes “leituras semiológicas”, decifra os enigmas do “plano simbólico” de modo idiossincrático, para expressar e emoldurar o pensamento.
Radialista, na verdade o homem dos “meios de comunicação”. Fundador da Rádio Universitária da UFC e Presidente da Televisão Educativa do Ceará, é um observador atento do trabalho jornalístico, radiofônico e televisivo. Analisa as imagens tanto em “plano americano” como em “close up”. Tudo contextualizado no “timing” da mensagem e do meio. Nas passarelas da vida, esteve também ligado ao cinema.
As artes, a sensibilidade estética e sua paixão pela música são evidentes nesse que se sente “orquestrador”, o maestro em busca de harmonia dos “acordes dissonantes” para compor a “grande sinfonia”. Na “pluralidade” dos sons, vai construído o seu hino: “My way”.
Estamos falando, é claro, desse “intelectual vaidoso”, que olha ávida com um “olhar de sedução” e percorre sempre os caminhos por vias “sinuosas”,fazendo o contorno das “curvas”. Acredita que a monotonia das “retas” não evidencia a “pluralidade” e a dialética da vida. “Parmênides e mudança”, Parmênides e Heráclito, convivência possível. Para além das “questões freudianas”, o “olhar” dos “tempos pós-modernos” para a “emblemática tensão entre “Marte e Vênus”: vários “atores”, um homem plural. (Iranita Sá)
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