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TASSO, O CAJU E AS PEDRAS

 

Marcondes Rosa de Sousa

 

O Povo, Fortaleza, 23/8/2000

 

"Não se atiram pedras em caju azedo", A frase, ouvi-a a propósito das pedras lançadas a Tasso Jereissati, seu governo e o projeto dos cearenses enfim. Pedras, contra o que há de mais sagrado numa pessoa: a honra e o coração. Pedras, a respeitar apenas os "olhos azuis". No mais, o ultraje contra o afeto do povo ao "Galeguin", apresentado ao País sob as grotescas vestes de um "coroné" de nosso passado rural.

 

Frias matérias se reeditaram. Dados de arquivos já mortos se exumaram. Meias-verdades se requentaram no fogo eleitoral, caricaturando a caminhada dos cearenses como miragem produzida por um marketing enganoso. Pedras, carregadas por sinistra direita, a erguer nostálgico castelo onde se teria vivido um passado melhor que agora!...

 

Honra pessoal, zelo pela coisa pública, os excluídos incluindo-se na vida - três colunas a sustentar um projeto do qual Tasso figura como expressão. Daí, a palavra-de-ordem: destruir esse "ícone". De início, vieram artigos e livros até, tentando seduzir a "intelligentsia" nacional a abraçar a idéia de que o projeto em prol das mudanças, no Ceará, nada mais seria que máscara a suposto projeto de enriquecimento e poder de um grupo econômico. Entre intelectuais, no entanto, poucos foram os que deram crédito a injúrias tão infantis. Agora, o mesmo refrão (tão oco quanto antes) assume tons populares.

 

Pena é Tasso ferir-se no peito, como se um cordeiro do coletivo. Dói-lhe, por certo. E a dor da gente, solitária, "não sai no jornal", diz a canção. Resta-lhe (a ele e a nós) o conforto de que "há males que vêm para o bem". E, no caso, é "bem" debater o quanto já andamos.

 

Aqui, decerto não plantamos o Éden. Mas, se ainda não extraímos o verde do seco, começamos a riscar nosso chão das transposições e caminhos das águas. O saber já é direito a incluir, na vida, os deserdados da sorte. E muitos já podem, com saúde, indústria e trabalho, encarar estradas longas e desafios, inúmeros ainda.

 

É "bem" o desvelar da escusa origem das pedras, que sabemos em "mãos sujas" converterem-se em bumerangues. "Bem", o apontar para o doce oculto no apedrejado caju. É "bem" o caminhar dos cearenses - do cativeiro egípcio à prometida terra - alçando-se, por ironia, a trama da grande novela nacional.

 

E, nesta, o intrigante apelo do enigma: qual entre os dois - Ciro ou Tasso -, personagens-símbolo em tal caminhada, é afinal "João Batista" ou "Messias"?

 

É seguir o caminho das pedras!

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