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Revirando baús

13:32 @ 09/03/2006

 

Revirando baús
Marcondes Rosa de Sousa

Fonte: Jornal O Povo

[21 Julho 03h04min 2004]


''Doutores que mal sabem escrever!'. Pedras contra a educação atingem-nos a superior. E, de volta, velho remédio cheirando aos baús dos tempos dos militares: o ciclo básico.

Tal filme, já vi. Nele, fui ator, em suas duas versões na UFC: mais ampla, de início, a todos os cursos; restrita por áreas, depois. Razão do fracasso, ambíguo objetivo: embasar a formação acadêmica e recuperar deficiências da escola pregressa. Disso, um dia, de alunas, pista ouvi: ''Pobres professores! Falam-nos de coisas inúteis e abstratas''. Pesquisa depois nos revelaria. Paupérrima, a bagagem de leitura que traziam os alunos. E, de quebra, pouca capacidade de abstração. Um ''raciocínio concreto'', como se crianças. Hoje, em sala de aula, ecoam tais queixas: ''Não conseguimos alcançar vocês, os professores''.

 

O tom agora, em vez de pena, é de crítica à nossa insensibilidade, como se inábeis. De mim, indago-me: Estou velho? Dráulio Araújo, o genro (jovem pós-doutor e pesquisador em física médica), conforta-me. E me dá conta de que, na Universidade de São Paulo, onde ensina, o quadro é análogo - na graduação e na pós-graduação. ''A culpa'', diz ele, ''é dessa ânsia de todos buscando chegar à universidade. Se possível, a seus últimos graus, o atropelo a confundir-se com 'educação continuada'. No mundo desenvolvido não é assim. Cumprida a educação básica e a profissional, o emprego e a vida se abrem para as pessoas. Sem isso, tudo perde qualidade e sentido''.

Cláudio de Moura Castro diz isso em artigo recente na revista Veja: ''A prioridade nacional é melhorar a escola básica. O que importa é evitar erros do passado''.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e da Universidade Federal do Ceará (UFC), da diretoria do Instituto Teotônio Vilella-CE (escreve quinzenalmente)

 

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