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Sucesso de Lula deve doer na oposição

Sucesso de Lula deve doer na oposição

Estive meditando... realmente deve ser muito difícil para cidadãos insolentes, prepotentes, digerir a mudança que se faz visível em nosso País. O Brasil literalmente adiantou-se, como se fosse ser alado, deixando rastros pelos céus, por onde voou nessa década na qual o governo foi democraticamente eleito. E fez por onde.

Aumento do PIB - que segundo o jornal O Globo de hoje (5/10/09), em projeções preliminares feitas pela equipe econômica deverá ter um crescimento, no terceiro trimestre, de 2 a 2,5% em relação ao trimestre anterior; uma lírica e bem sonante promessa de sensível melhora social durante os próximos sete anos; nova proposta de renovação em relação ao esporte olímpico nas escolas em todo o País, com perspectiva da contratação (via concurso) de novos profissionais e recapacitação dos profissionais já existentes; empregos indiretos e diretos nos ramos de hotelaria, turismo, construção civil; uma infinidade de realizações de sustentação, de equilíbrio e continuidade que somente benefícios trarão para a nossa sociedade.

É duro para os anti-patrióticos, os "festeiros", constatarem que o Brasil está navegando pelas águas cristalinas do planeta inteiro, sendo referência durante os eventos para toda a humanidade. Muito difícil aceitar que essa oportunidade de absterger o moral do nosso País aflorou-se justamente num período em que os pseudo-intelectuais e políticos profissionais e burgueses, neo-liberais de "araque", não estão presentes e fincados ao poder, com seus sorrisos cinematográficos.
Muitos corações embrutecidos, irosos, estão batendo descompassadamente, aturdidos que se encontram.

Muito difícil constatar que essa vitória foi delineada principalmente pelo governo que hoje aí está e delegou ao País essa gama imensa de credibilidade. Muito difícil absorver que o presidente Lula tenha conseguido tamanho feito: uma Olimpíada!, uma Copa do Mundo! Dois megaeventos realizados num intervalo breve.

O Brasil, com certeza, vai se agigantar muito mais. O povo far-se-á ordeiro, pois é da natureza do brasileiro ser cordato, educado, pois que é um povo altamente identificado com esportes vários. Não haverá brigas, assaltos, arrastões. O Panamericano é a maior prova disso, embora tenha deixado falhas gritantes no tocante à continuidade de uso das obras construídas.

Mas como todo bom e eficiente aprendiz, nós brasileiros, já sabemos onde moram os erros, as falhas. E eu tenho certeza cabal que durante esses eventos, chuva e sol, estarão vestidos com a verde-amarela. Mas deve ser dolorido, sofrido, o que esses intelectuais de plantão agora sentem, de forma exacerbada.

Deve ser muitíssimo difícil ter que aceitar que toda essa evolução não tenha ocorrido na época de FHC, o "janota" poliglota, que nada resolveu, que foi um presidente totalmente fora do foco internacional. O autêntico tipo "boa praça", que estagnou, que parou no tempo. Assusta mesmo! Dá dó!!!

fonte
http://123sucesso.blogspot.com/2009/10/sucesso-de-lula-deve-doer-na-oposicao.html
 
http://www.grupos.com.br/blog/salada/permalink/35447.html

ESCLARECIMENTOS SOBRE OS ÚLTIMOS EPISÓDIOS VEICULADOS PELA MÍDIA

Sexta-feira, 09/10/2009

ESCLARECIMENTOS SOBRE OS ÚLTIMOS EPISÓDIOS VEICULADOS PELA MÍDIA


Diante dos últimos episódios que envolvem o MST e vêm repercutindo na mídia, a direção nacional do MST vem a público se pronunciar.

1. A nossa luta é pela democratização da propriedade da terra, cada vez mais concentrada em nosso país. O resultado do Censo de 2006, divulgado na semana passada, revelou que o Brasil é o país com a maior concentração da propriedade da terra do mundo. Menos de 15 mil latifundiários detêm fazendas acima de 2,5 mil hectares e possuem 98 milhões de hectares. Cerca de 1% de todos os proprietários controla 46% das terras.

2. Há uma lei de Reforma Agrária para corrigir essa distorção histórica. No entanto, as leis a favor do povo somente funcionam com pressão popular. Fazemos pressão por meio da ocupação de latifúndios improdutivos e grandes propriedades, que não cumprem a função social, como determina a Constituição de 1988.

A Constituição Federal estabelece que devem ser desapropriadas propriedades que estão abaixo da produtividade, não respeitam o ambiente, não respeitam os direitos trabalhistas e são usadas para contrabando ou cultivo de drogas.

3. Também ocupamos as fazendas que têm origem na grilagem de terras públicas, como acontece, por exemplo, no Pontal do Paranapanema e em Iaras (empresa Cutrale), no Pará (Banco Opportunity) e no sul da Bahia (Veracel/Stora Enso). São áreas que pertencem à União e estão indevidamente apropriadas por grandes empresas, enquanto se alega que há falta de terras para assentar trabalhadores rurais sem terras.

4. Os inimigos da Reforma Agrária querem transformar os episódios que aconteceram na fazenda grilada pela Cutrale para criminalizar o MST, os movimentos sociais, impedir a Reforma Agrária e proteger os interesses do agronegócio e dos que controlam a terra.

5. Somos contra a violência. Sabemos que a violência é a arma utilizada sempre pelos opressores para manter seus privilégios. E, principalmente, temos o maior respeito às famílias dos trabalhadores das grandes fazendas quando fazemos as ocupações. Os trabalhadores rurais são vítimas da violência. Nos últimos anos, já foram assassinados mais de 1,6 mil companheiros e companheiras, e apenas 80 assassinos e mandantes chegaram aos tribunais. São raros aqueles que tiveram alguma punição, reinando a impunidade, como no caso do Massacre de Eldorado de Carajás.

6. As famílias acampadas recorreram à ação na Cutrale como última alternativa para chamar a atenção da sociedade para o absurdo fato de que umas das maiores empresas da agricultura - que controla 30% de todo suco de laranja no mundo - se dedique a grilar terras. Já havíamos ocupado a área diversas vezes nos últimos 10 anos, e a população não tinha conhecimento desse crime cometido pela Cutrale.

7. Nós lamentamos muito quando acontecem desvios de conduta em ocupações, que não representam a linha do movimento. Em geral, eles têm acontecido por causa da infiltração dos inimigos da Reforma Agrária, seja dos latifundiários ou da policia.

8. Os companheiros e companheiras do MST de São Paulo reafirmam que não houve depredação nem furto por parte das famílias que ocuparam a fazenda da Cutrale. Quando as famílias saíram da fazenda, não havia ambiente de depredações, como foi apresentado na mídia. Representantes das famílias que fizeram a ocupação foram impedidos de acompanhar a entrada dos funcionários da fazenda e da PM, após a saída da área. O que aconteceu desde a saída das famílias e a entrada da imprensa na fazenda deve ser investigado.

9. Há uma clara articulação entre os latifundiários, setores conservadores do Poder Judiciário, serviços de inteligência, parlamentares ruralistas e setores reacionários da imprensa brasileira para atacar o MST e a Reforma Agrária. Não admitem o direito dos pobres se organizarem e lutarem.

Em períodos eleitorais, essas articulações ganham mais força política, como parte das táticas da direita para impedir as ações do governo a favor da Reforma Agrária e "enquadrar" as candidaturas dentro dos seus interesses de classe.

10. O MST luta há mais de 25 anos pela implantação de uma Reforma Agrária popular e verdadeira. Obtivemos muitas vitórias: mais de 500 mil famílias de trabalhadores pobres do campo foram assentados. Estamos acostumados a enfrentar as manipulações dos latifundiários e de seus representantes na imprensa.

À sociedade, pedimos que não nos julgue pela versão apresentada pela mídia. No Brasil, há um histórico de ruptura com a verdade e com a ética pela grande mídia, para manipular os fatos, prejudicar os trabalhadores e suas lutas e defender os interesses dos poderosos.

Apesar de todas as dificuldades, de nossos erros e acertos e, principalmente, das artimanhas da burguesia, a sociedade brasileira sabe que sem a Reforma Agrária será impossível corrigir as injustiças sociais e as desigualdades no campo. De nossa parte, temos o compromisso de seguir organizando os pobres do campo e fazendo mobilizações e lutas pela realização dos direitos do povo à terra, educação e dignidade.

São Paulo, 9 de outubro de 2009

DIREÇÃO NACIONAL DO MST


Indique o MST Informa para um amigo ou uma amiga
Indique pelo menos, mais um correio eletrônico e envie para letraviva@mst.org.br com assunto "cadastro letraviva", para continuarmos a difundir e colocar para a sociedade as análises e posições do MST.
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Viva o socialismo e a defesa da democracia!

PÁTRIA LIVRE, VENCEREMOS!!!

Serginho


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"Ruralistas defendem cartel da laranja"

Dr. Rosinha: "Ruralistas defendem cartel da laranja"

Do boletim do deputado Dr. Rosinha

A bancada ruralista no Congresso Nacional defende o cartel internacional das indústrias de suco de laranja e faz uso de um fato isolado para tentar ressuscitar um pedido de CPI contra o MST já rejeitado pela maioria do Legislativo.

A avaliação é do deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR), coordenador nacional da Frente Parlamentar da Terra, ao comentar o episódio ocorrido na fazenda Santo Henrique, na divisa dos municípios de Iaras, Lençóis Paulista e Borebi (SP), em que trabalhadores rurais ligados ao MST derrubaram pés de laranja durante uma ocupação.

"O que os ruralistas querem é requentar a CPI do ódio contra o MST, ressuscitar um pedido já rejeitado pelo Congresso, a partir de um episódio isolado", afirma Dr. Rosinha. "Ninguém defende a derrubada de árvores, mas, antes de qualquer análise leviana, é preciso avaliar quem é quem nessa história e o total de árvores cultivadas pela empresa."

Conforme dados obtidos pela assessoria do mandato do deputado Dr. Rosinha, a Sucocítrico Cutrale Ltda., dona da fazenda, teria mais de 20 milhões de pés de laranja distribuídos em mais de 40 fazendas de sua propriedade no Brasil, além de outras unidades na Flórida (EUA).

Ao se tomar por base a estimativa da PM de São Paulo, que divulgou o número de 7 mil pés derrubados —o MST sustenta que o número foi menor, inferior a três mil—, chega-se ao percentual de 0,7% das árvores da fazenda, que totalizam um milhão, ou então de 0,035% dos cerca de 20 milhões de pés de laranja das fazendas da Cutrale em território nacional.

Em protesto contra a monocultura, o movimento plantaria feijão no lugar da laranja.

Os herdeiros da família Cutrale detêm cerca de 30% do mercado global de suco da fruta. Entre seus clientes estão companhias como Parmalat, Nestlé e Coca-Cola. A família seria uma das mais ricas do país, com fortuna acumulada equivalente a 5 bilhões de dólares.

Emissoras de TV e jornais citaram o vídeo como se fosse produção de um cinegrafista amador. Ocorre que as imagens foram captadas a partir de um helicóptero. "Um cinegrafista amador a bordo de um helicóptero?", questiona Dr. Rosinha. "Pelo que apuramos, foi a PM paulista que fez a gravação e a repassou à mídia, em mais uma tentativa de criminalização da luta do MST por uma distribuição mais justa da terra."
Cartel

Alvo de pelo menos cinco processos no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), órgão encarregado de preservar a concorrência, a Cutrale é líder de um cartel formado por quatro empresas que dominam o setor.

Duas delas são multinacionais de outros países: Citrosuco, do grupo holandês Fischer; e Coinbra-Frutesp, do grupo francês Louis Dreyfus. A Cutrale e a Citrovita, do grupo Votorantin, são as outras duas.

Essas quatro indústrias detêm mais de 50 milhões de pés de laranja, o equivalente a 30% das 170 milhões de árvores produtoras de laranja do Estado de São Paulo, e impõem seus preços aos demais produtores.

Os donos da Cutrale são réus em processos por crime de formação de cartel e posse ilegal de armas de fogo. Armas e munições foram encontradas em seu gabinete durante cumprimento de mandado de busca e apreensão em 2006. O processo que trata do crime de cartel tramita na 9ª Vara Criminal de São Paulo.

Grilagem

Há cerca de uma década o Incra (Instituto Nacional de Reforma Agrária) reivindica na Justiça a posse da fazenda Santo Henrique. Conforme o órgão, em 1919 a União adquiriu área de aproximadamente 50 mil hectares de terras particulares para promover um projeto de colonização no interior.

Apenas partes das terras foram transferidas. O restante permaneceu em poder da União, como o caso da propriedade ilegalmente ocupada pela Cutrale.

Em janeiro de 2008, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou a tutela antecipada solicitada pelo Incra, mas a ação reivindicatória segue sua tramitação na 1ª Vara Federal de Ourinhos.

"Como forma de legitimar a grilagem, a Cutrale realizou irregularmente o plantio de laranja em terras da União", diz trecho de nota da direção estadual do MST em São Paulo. "A produtividade da área não pode esconder que a Cutrale grilou terras públicas, que estão sendo utilizadas de forma ilegal, sendo que, neste caso, a laranja é o símbolo da irregularidade."

A Cutrale também já foi autuada diversas vezes por impactos ao ecossistema, poluição ao meio ambiente e lançamento de esgoto sem tratamento em rios.

O MST calcula que 400 famílias acampadas poderiam ser assentadas na região. Em todo o estado de São Paulo, 1,6 mil famílias sem-terra estão acampadas. No país, são 90 mil. FONTE
http://www.mst.org.br/node/8294




A soja resiste, mas e a vida humana?

Da Carta Capital

Eric Nepomuceno, de Buenos Aires

Há 35 anos a multinacional Monsanto começou a testar um herbicida à base de um componente químico chamado glifosato. Na década de 80, chegou à formula final do Roundup, que a partir dos anos 90 passou a ser utilizado em várias partes do mundo em pequena ou média escala (no Brasil, nos campos cobertos pelo agronegócio).

Mas é na Argentina, onde seu uso foi autorizado em 1996, que o glifosato é usado em larguíssima escala: por ano, 280 milhões de litros são fumigados ou aspergidos nas gigantescas plantações de soja transgênica que cobrem 18 milhões de hectares e não param de crescer. Aliás, 99% da soja argentina é transgênica, originada a partir de sementes geneticamente modificadas pela própria Monsanto. Ou seja: a multinacional criou uma semente que resiste ao mais violento herbicida que ela mesma produz. Ervas, insetos, anfíbios, aves e animais sofrem efeitos letais. O produto contamina a terra e as águas. Agora, o pesquisador argentino Andrés Carrasco denuncia que o glifosato pode ser letal ao ser humano.

Desde 2002 uma série de estudos realizados de forma isolada por médicos e cientistas em laboratórios de diversos centros acadêmicos vem alertando para os riscos do glifosato. A primeira denúncia consistente surgiu na Universidade de Carleton, da província de Ontário, no Canadá. Em 2005, as denúncias ganharam força a partir de estudos realizados por Gilles - Eric Seralini, especialista em biologia molecular da Universidade de Caen, na França.

Em abril de 2009, Andrés Carrasco, diretor do Laboratório de Embriologia Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires e um dos maiores especialistas latino-americanos em desenvolvimento embrionário, deu a estocada final. Seus estudos confirmam que o glifosato pode causar efeitos devastadores no organismo humano, provocando má-formação genética, deformação em embriões, alterações nas células.

O ser humano, em contato com o glifosato, sofre consequências como abortos espontâneos, gera crianças com deformações que vão de acefalia e lábio leporino a mutilações de membros. Os que têm contato direto com o produto são mais expostos a diversos tipos de câncer, principalmente linfoma e leucemia.

Na localidade cordobesa de Malabrigo, cercada por imensas plantações de soja, em 250 partos registrados em um ano foram observados treze casos de má-formação. Em outras cidades e vilarejos encravados em regiões de intenso plantio de soja - e, portanto, de uso do glifosato -, foi registrado um aumento surpreendente de casos de abortos aembrionários, ou seja, formou-se a placenta, mas não o embrião.

O passo adiante dado pelo especialista argentino foi confirmar, em pesquisas de laboratório que utilizaram o glifosato até 1,5 mil vezes mais diluído do que o aplicado nas plantações de soja, a existência de fortes deformações em embriões com as mesmas consequências observadas sobre populações das áreas fumigadas ou aspergidas com o herbicida.

Nascido em 1946, Andrés Carrasco tem um currículo invejável, que inclui passagens, como pesquisador, por importantes centros da Suíça, da Alemanha e dos Estados Unidos. Nos últimos quinze anos, acumulou pelo menos dezesseis bolsas de pesquisa fornecidas por organismos como a Unesco, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e a Fundação Guggenheim. Há 28 anos se dedica a pesquisas embrionárias, o que confere peso específico às denúncias contra o produto agroquímico mais utilizado em seu país, o maior plantador de soja transgênica do mundo.

Além da Monsanto, os grandes defensores do agronegócio e o próprio governo, que impulsiona o atual modelo agropecuário na Argentina, se esforçam para desacreditar as denúncias. Seu principal argumento é o tempo de uso do glifosato - 35 anos -, que seria um atestado de ´segurança sanitária´. Andrés Carrasco, contudo, reforçou as denuncias e foi mais fundo: deixou claro que, ao amparo do silêncio do governo, seu país se transformou no mais extenso campo de experimentação biotecnológica do planeta. Segundo o médico argentino, já há resultados alarmantes que confirmam, de maneira cabal, os malefícios do herbicida.

Como a soja se espalhou feito praga pelos campos argentinos, o que sua pesquisa aponta é que - além das drásticas mudanças na estrutura agrária do país, graças à substituição veloz e descontrolada dos cultivos e criações tradicionais por soja transgênica, com as consequentes alterações que vão de hábitos culturais ao emprego de mão de obra nas lavouras e campos - o uso indiscriminado do glifosato é uma ameaça concreta à vida humana.

Com três colheitas por ano e o preço sempre em alta da soja no mercado internacional, algumas projeções indicam que em três anos a Argentina estará importando carne e trigo, tradicionais produtos de exportação no país. Ainda que se reconheça, adverte ele, que a criação do primeiro pacote biotecnológico (criar o herbicida e a semente que resiste à sua aplicação) possa ser considerada revolucionária, é urgente denunciar seus efeitos sobre o homem.

A Monsanto, por sinal, tem experiência em criar herbicidas que destroem plantações e vidas humanas. Afinal, foi ela que desenvolveu o ´agente laranja´ utilizado para desfolhar florestas durante a Guerra do Vietnã, e que provocou centenas de vítimas nas próprias tropas dos Estados Unidos, além de ter dizimado milhares de vietnamitas.

Carrasco diz que a rapidez com que em 1996 o governo de Carlos Menem aprovou, através de seu secretário de Agricultura, Felipe Solá, o uso tanto da semente transgênica como do herbicida letal no país demonstra o poder da Monsanto. Solá se baseou num relatório de 136 páginas, das quais 108 estavam em inglês - produzidas pela própria Monsanto. Nem sequer se deu o trabalho de mandar traduzir.

Desde que lançou as suas denúncias, Carrasco passou a ser objeto de uma intensa campanha. É acusado de ter divulgado resultados sem passar pelo crivo de alguma publicação científica. O médico, que, aliás, tem importante bibliografia nessas publicações, contra-argumenta: não queria que sua denúncia ficasse restrita ao âmbito acadêmico. Lembra que há estudos anteriores, até mais importantes do que o seu, indicando exatamente o mesmo resultado que ele apenas tratou de aprofundar. E desafia qualquer um a desmentir o que afirma.

Carrasco vem sofrendo pressões dos barões do agronegócio em seu país e do próprio ministro da Ciência e Tecnologia, Lino Barafiao, que, no passado, teve ligações com a Monsanto. Discreta, a multinacional da semente e do veneno prefere ficar em silêncio. Sabe que tem quem brigue por ela.
fonte http://www.mst.org.br/node/8033