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Carta de Beto Almeida à revista Isto É

O jornalista Beto Almeida, conselheiro da Telesur, enviou, dia 26 de agosto, carta ao diretor de redação da revista Isto É, Octávio Costa, pedindo direito de resposta relativo à matéria que o acusa de ser "lobista de Chavez". "A matéria tenta colocar em dúvida e enxovalhar o caráter voluntário desta função por mim exercida, certamente porque seu autor deve medir o mundo pelo amargo desprezo que nutre pelas causas solidárias e humanísticas", afirma Beto Almeida.

Redação - Carta Maior

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Ao jornalista Octávio Costa
Sr. Diretor de Redação da Revista "Isto é"
Sucursal Brasília

Na forma da Constituição Federal, art. 5º, inciso V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem -, venho solicitar direito de resposta, diante da matéria produzida pelo jornalista Claudio Dantas Sequeira, intitulada "O Lobista de Chavez", publicado na edição de 22.08.09, página 46, encaminhando para tanto o texto abaixo a fim de que o mesmo seja publicado observando-se a mesma localização, espaço e destaque.

Todo mundo nesse país sabe o que eu faço, em que eu acredito, etc., há décadas. Nunca houve dúvida sobre isso. Todo mundo sabe que eu sou conselheiro da Telesur. O desconhecido aqui, o embuçado, não sou eu, mas esse elemento que me ataca - e, com certeza, não gratuitamente. Não sei quem é, mas não é por acaso que não conseguiu encontrar outra palavra, senão lobista, para me difamar. Portanto, vê-se logo quem é o lobista.

Mas nem todos os lobistas acham que se alguém defende uma causa nobre, não é porque acredite nela, mas porque recebeu dinheiro para tal. É preciso, além de lobista, ser pervertido para ver o mundo desta maneira. Naturalmente, existem lobistas do Departamento de Estado, das multinacionais e dos bancos - aliás, certo tipo de escriba sempre está disposto a ser lobista de quaisquer poderosos ou endinheirados que apareçam.

O que não existe é lobista que defenda uma causa sem dinheiro, que prefira defender o povo e os pobres e suas causas, em vez dos ricos e poderosos. Que prefira afrontar monopólios e mercenários sem ganhar nada com isso. Que prefira ser expulso da Universidade por uma ditadura, a calar diante das injustiças cometidas.

Minha atividade profissional como jornalista concursado da TV Senado é oposta ao lobismo. Cumpro, rigorosamente, os planos de trabalhos jornalísticos estabelecidos por minha Chefia, realizando, diariamente, entrevistas sobre temas que versam sobre política, economia, cidadania, arte e cultura, como se pode observar na programação da emissora. É atividade largamente conhecida, própria da sua natureza televisiva.

Não é verdade que faço horas extras para defender interesses de outro país. Nem faço, nem recebo horas extras, como também os interesses que defendo são os da Nação Brasileira, seguindo o disposto na Constituição Federal. Vale lembrar que está na Constituição Brasileira a objetivo de construir uma comunidade latino-americana de países. Minhas funções como conselheiro da Telesur, atividade sem vínculo empregatício ou remuneração, estão plenamente em sintonia com o descrito na Constituição Brasileira relativamente à integração regional.

Também não é verdade que divido minha rotina funcional no Senado. Cumpro integral e disciplinadamente minha rotina de trabalho e a legislação específica do serviço público. E seu resultado é visível.

Não é verdade que eu assinei convênio com o governo Requião, mas os executivos da Telesur sim firmaram convênio de cooperação em serviços de sons e imagens, ato rigorosamente legal, seguindo o disposto constitucional de promover a integração da América Latina.

Não é verdade que uso meu e-mail no Senado em listas de discussões. Mas recebo diariamente muitas dezenas de mensagens, respondo telespectadores, como profissional de comunicação que sou. Uso exclusivamente o meu e-mail pessoal para listas de debates que, ademais, fazem parte da atividade intelectual desempenhada por jornalistas. Registro já ter constatado a presença de e-mails de autoridades e de parlamentares nestas mesmas listas de discussões, tratando de temas como televisão pública, tema diretamente ligado à atividade profissional que exerço. De resto, vale dizer que são listas de debate público, próprias da democracia ampliada pela internet, nas quais a liberdade de opinião é praticada. O certo é que quem me ataca se opõe a isto.

Também não é verdadeiro afirmar que viajo com freqüência à Venezuela, apenas eventualmente, quando convidado para reunião dos conselheiros da Telesur, representando a TV Comunitária de Brasília, a qual presido, também sem vínculo empregatício ou remuneração. A finalidade é a integração informativo-cultural da América Latina e dos países que compõe o hemisfério Sul.

Esta posição coincide plenamente com os ideais integracionistas consagrados na Constituição Brasileira, assumidos plenamente como ação do Estado Brasileiro por meio de nossa política exterior, cujos resultados, aliás, têm sido benéficos ao nosso povo, multiplicando e diversificando relações econômicas, comerciais e culturais.

A matéria tenta colocar em dúvida e enxovalhar o caráter voluntário desta função por mim exercida, certamente porque seu autor deve medir o mundo pelo amargo desprezo que nutre pelas causas solidárias e humanísticas. Já esta marca faz parte de toda minha vida consciente.
Seja quando voluntariamente estive presente nas Brigadas Internacionais de Solidariedade à Nicarágua na década de 80, cumprindo funções de produção, de educação, de informação, de prevenção em saúde, sem qualquer remuneração.

Assim foi também quando, presidindo o Comitê de Solidariedade ao Timor Leste - cuja autodeterminação foi sempre defendida pela política exterior brasileira a partir do Governo Sarney - estive naquela ilha longínqua para levar a solidariedade brasileira, materializada na doação de centenas de livros e de uma Rádio Comunitária hoje lá instalada.

Por meio de livros e desta emissora, levamos a presença solidária e cooperativa da nossa música e cultura e do nosso idioma para o povo maubere, o que se reveste de enorme importância já que o idioma português é um dos idiomas oficiais daquele país que integra a Comunidade de Países de Língua Portuguesa, cuja cooperação vem sendo crescentemente incentivada por nossa política externa há décadas. Toda esta atividade foi e é rigorosamente voluntária, sem qualquer remuneração.

Para mim, assumir causas solidárias e humanistas voluntariamente é apenas uma retribuição ao investimento que o povo brasileiro fez na minha formação profissional, já que me formei na universidade pública. É obrigação minha.

Assim, como conselheiro da Telesur defendo os interesses maiores do Brasil, entre os quais o de construir uma integração entre povos e países latino-americanos, para superar a miséria e a desinformação, seguindo tendência hoje mundialmente consagrada, como podemos observar na construção da União Européia.

Há, sem dúvida, os que trabalham contra esta unidade, contra esta cooperação, contra a tendência moderna da solidariedade entre nações e que praticam um jornalismo de desintegração. Pelos termos da matéria publicada, seu autor deve estar entre eles. Tivesse eu alguma coincidência política com os golpistas de Honduras eu não estaria sendo caluniado, difamado e injuriado como estou....

Como cidadão brasileiro, exercendo o direito de opinião, defendi e defendo iniciativas que promovam esta cooperação e solidariedade entre os povos. Desde o Mercosul, quando nasceu, a sua consolidação e qualificação, e agora a Unasul, iniciativas que entendo capazes de promover a prosperidade comum, o respeito à autodeterminação e a paz.

Minha atividade voluntária no âmbito da Telesur tem este sentido e esta missão no plano comunicacional, para que os povos do sul possam conhecer sua própria história, sua cultura, assumir como povos cultos e bem informados o protagonismo de decidir soberanamente seu destino histórico.

Para mim basta a felicidade de estar do lado certo desta luta, ao lados os humilhados, dos explorados, do lado da justiça, do lado dos que lutam contra qualquer forma de opressão e embrutecimento aos seres humanos.
Estarei com minhas causas até o fim dos meus dias. Trata-se de um compromisso de uma vida inteira. Enquanto alguns escribas ladram, a caravana da história passa....

Finalizando, solicito o direito constitucional de resposta, com a publicação do texto acima em edição com igual tiragem, tamanho e destaque, sem deixar de responsabilizar a revista por qualquer prejuízo que eu e minha família venhamos a sofrer em minhas atividades profissionais como servidor público, em virtude das inverdades publicadas.

Carlos Alberto de Almeida, jornalista

Bsb. 26.08.2009 fonte http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16132&boletim_id=588&componente_id=9923





A dieta do palhaço - McDonald's - Super Size Me - VIDEO


Documentário: Super Size Me - A dieta do palhaço - VIDEO

Excelente documentário do americano Morgan Spurlock onde ele serve de cobaia para mostrar o que acontece ao se alimentar três vezes por dia, pelo período de um mês, apenas em lanchonetes da rede McDonald's mostrando os danos físicos e mentais que uma alimentação dessas pode fazer.




Super Size Me (br: Super Size Me - A dieta do palhaço / pt: Super Size Me - 30 dias de fast food) é um documentário estadunidense de 2004, escrito, produzido, dirigido e protagonizado por Morgan Spurlock, um cineasta independente estadunidense.

No filme, Spurlock segue uma dieta de 30 dias (fevereiro de 2003) durante os quais sobrevive em sua totalidade com a alimentação e a compra de artigos exclusivamente do McDonald's. O filme documenta os efeitos que tem este estilo de vida na saúde física e psicológica, e explora a influência das indústrias da comida rápida.

Durante a gravação, Spurlock comia nos restaurantes McDonald's três vezes ao dia, chegando a consumir em média 5000 kcal (o equivalente de 9,26 Big Macs) por dia durante o experimento.

Antes do início deste experimento, Spurlock, comia uma dieta variada. Era saudavel e magro, e media 188 cm de altura com um peso de 84,1 kg. Depois de trinta dias, obteve um ganho de 11,1 kg, uns 13% de aumento da massa corporal deixando seu índice de massa corporal em 23,2 (dentro da faixa "saudável" 19-25) a 27 ("sobrepeso"). Também experimentou mudanças de humor, disfunção sexual, e dano ao fígado. Spurlock precisou quatorze meses para perder o peso que havia ganhado.

O fator que motivou Spurlock para fazer a investigação foi a crescente propagação da obesidade em todo os Estados Unidos, que o diretor do serviço público de saúde americano tinha declarado como "epidemia", e a correspondente demanda judicial contra o McDonald's em nome de duas meninas com sobrepeso, que alegaram que se converteram em obesas como resultado de comer alimentos do McDonald's. Spurlock disse que apesar do processo contra McDonald's ter falhado, grande parte da mesma crítica contra as companias de tabaco se aplica as franquias de comida rápida. Embora se podia argumentar que a comida rápida, ainda seja psicologicamente viciante, [1][2] não é tão viciante como nicotina.

O filme foca o Mc Donald's como um dos representantes da indústria alimentar americana, que criou tamanhos exagerados de porções e que, sempre que possível, induz ao consumo de mais e maiores porções, fazendo com que a população consuma muito além do necessário para uma alimentação saudável. No Brasil, têm-se como exemplo as pipocas da rede americana Cinemark, com porções muito maiores que as habituais no país.

O documentário foi nomeado para um Oscar na categoria de melhor documentário longa.

A medida que o filme começa, Spurlock esta fisicamente acima da media, como é demostrado por três médicos (um cardiologista, um gastroenterologista, e um clínico geral), assim como uma nutricionista e um preparador físico. Ele é orientado pelos cinco para realizar a avaliação da sua saúde durante o mês de duração. Todos os profissionais da saúde predizem o "Mc Mess" terá efeitos indesejaveis sobre seu corpo, porém ninguém esperava nada demasiado drástico, citando que o corpo humano como "extremamente adaptável".

Spurlock começa o mês com um café da manhã perto de sua casa em Manhattan, onde há em média quatro McDonald's (e 66.950 habitantes) por milha quadrada (2,6 km ²). Também opta por viajar em taxis com maior frequência, já que pretende manter as distancias que caminha em linha com os 5000 passos (aproximadamente duas milhas) que por dia caminhava a média dos estadunidenses. Spurlock têm várias regras que regem seus hábitos alimentares:

Deve plenamente comer em McDonald's três comidas por dia
Deverá escolher cada item no menu do McDonald's ao menos uma vez durante o transcurso dos 30 dias (fez em nove dias)
Deve ingerir só os itens do menu. Isto inclui a água engarrafada.
Deve escolher o tamanho "Super Size" de sua comida sempre que lhe for oferecido.
Deve aceitar todas as promoções oferecidas para que ele compre mais comida que a intencionada inicialmente.
Terá de caminhar a média que se caminha nos Estados Unidos, sobre a cifra de 5000 passos ao dia,[3] porém isto não era rígido, já que ele caminhou relativamente mais, em comparação do que se caminha em Nova York que em Houston.
No dia 2 Spurlock come pela primeira vez o tamanho Super Size, que leva cerca de uma hora para comer. A experiência foi o aumento de seu estomago durante o processo, que culmina com Spurlock vomitando no caminho de volta para casa.

Depois de cinco dias Spurlock havia ganhado quase 10 libras (4,5 kg). Não passa muito tempo antes de que se encontre a si mesmo com uma sensação de depressão, e ele considera que seus episódios de depressão, letargia e dores de cabeça são causadas pela comida do McDonald's. Um médico descreveu-o como "viciado".

A noiva de Spurlock, Alexandra Jamieson, é um testemunha para o fato de Spurlock ter perdido muita da sua energia e desempenho sexual durante a sua experiência. Não esta claro se Spurlock seria capaz de completar o mês completo devido ao elevados teores de gordura e carboidrato de sua dieta; seus amigos e família começaram a preocupar-se.

Próximo do vigésimo dia, Spurlock havia sentido estranhas palpitações no coração. Consulta seu médico particular, o doutor Daryl Isaacs lhe aconselha parar o que está fazendo de imediato para evitar qualquer tipo de graves problemas de saúde. Apesar desta advertência, Spurlock decide continuar com o teste. Mais tarde declarou em uma entrevista que, apesar das preocupações e objeções da maior parte das pessoas próximas a ele, era seu irmão mais velho que o motivou a continuar com sua observação, "Morgan, a gente comeu esta merda toda sempre. Acha mesmo que vai te matar se você comer os outros 9 dias?"


Spurlock chega ao trigésimo dia e atinje o seu objectivo. Em trinta dias, Spurlock comeu o tamanho "Super Size" em sua refeição em nove ocasiões ao longo do caminho (dos quais cinco foram no Texas). Os três médicos ficaram surpresos com o grau de deterioração da saúde de Spurlock. Um deles afirmou que era irreversivel o dano causado ao seu fígado, que pode sofrer, além disso, um ataque ao coração, mesmo perdendo todo o peso ganho durante o experimento. Ele disse que nesse periodo comeu mais refeições no McDonald's do que um nutricionista recomenda comer em 8 anos.



O filme foi lançado nos Estados Unidos em 7 de maio de 2004, arrecadando um total de ,548,087 dólares em todo o mundo, portanto, é o 8º documentário com os valores de bilheteria mais altos de todos os tempos.[4] Foi indicado para um Oscar de Melhor Documentário, mas perdeu para Born into Brothels: Calcutta's Red Light Kids. Além disso, o filme recebeu muito boas opiniões, a pontuação, por exemplo, 93% em Rotten Tomatoes.

Após o filme, a rede de fast-foods Mc Donald's excluiu a opção "Super Size" dos menus do mundo inteiro, e ainda disse que não era por causa do filme.
FONTE

http://pt.wikipedia.org/wiki/Super_Size_Me



Os assinantes pagam, VEJA mente

Por José Arbex Jr. em resposta à revista Veja.
Texto de 17/3/2005, na Caros Amigos


Em sua edição de 5 de março, a revista - ou melhor, panfleto da direita racista tupiniquim - volta a produzir injúrias, calúnias e difamações contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), com a "reportagem" intitulada "Nós pagamos, eles invadem". O panfleto acusa o MST de desviar "milhões de reais" fornecidos pelo governo para implementar a Reforma Agrária. O dinheiro "desviado" seria utilizado para promover novas "invasões". Além disso, Veja publica depoimentos de supostos ex-integrantes do MST que denunciam a cobrança de taxas ilegais a todos os assentados por parte da direção nacional do Movimento. Irados com tamanha injustiça, os ex-militantes queimam a bandeira do MST, produzindo um indisfarçado orgasmo nos autores da "reportagem", feita no assentamento Baixio do Boi, no município de S. José de Belmonte, sertão central de Pernambuco.

... E a Veja mente de novo.

Primeiro, vem a questão dos "dissidentes irados". No assentamento vivem 190 famílias, cerca de 800 pessoas. Destas, apenas 10 participaram do "protesto", liderado por um certo Francisco, ex-técnico agrícola dos assentados. Outros que acompanhavam o evento não tinham qualquer relação com o MST. O que a revista não conta, explica Jaime Amorim, da direção do Movimento, é que há cerca de seis meses o tal Francisco foi demitido pelo MST, por suspeitas de desvios de dinheiro do Pronaf e má conduta. Atualmente, o tal Francisco sofre processo do Banco do Nordeste, por desvio de dinheiro. Ou a Veja não sabia disso, e portanto é incompetente, ou sabia e ocultou a informação, e portanto é criminosa.

Depois, vem a acusação da suposta "cobrança ilegal de taxas". Essa é velha. A lebre foi levantada, no ano 2000, pelo suposto "jornalista" Josias de Souza, da Folha de S. Paulo, posteriormente obrigado a admitir ter feito a sua "reportagem" sob os auspícios do governo Fernando Henrique Cardoso, que chegou a ceder automóveis e orientação técnica para a produção de um trabalho realmente "independente" de jornalismo. Na época, o MST esclareceu exaustivamente que qualquer cooperativa, em qualquer parte do planeta Terra, cobra um taxa mínima de seus associados, como condição básica de subsistência.

Por fim, vem a acusação de "desvio de verba" para promover "invasões". Francamente, o assunto chega a ser tedioso e não merece sequer ser comentado. Os editores do panfletão acham estranho o governo ceder verbas a um movimento social que agrega 300 mil famílias de trabalhadores rurais em todo o país e que mantém escolas, atendimento de saúde, treinamento profissional, assistência técnica e outros serviços públicos. Só para mero efeito de comparação: em 2003, a Associação Nacional de Cooperação Agrícola (acusada pela Veja de receber dinheiro público indevido) obteve do Ministério da Educação R$ 3.424.608,00 para promover o seu programa de alfabetização de 35 mil sem terras adultos, em acampamentos e assentamentos, alguns situados em áreas tão inóspitas que não são servidos por qualquer infraestrutura estatal. Pois bem: no mesmo período, a entidade dirigida pela ex-primeira-dama Ruth Cardoso (Alfabetização Solidária) recebeu R$ 33.966.900,00 e o SESI, R$ 27.680.400,00; ao Instituto Riomafrense do Bem Estar do menor, entidade nível municipal do Paraná, foram destinados R$ 6.193.440,00. Nada disso merece atenção dos honestos editores do panfletão.

Curiosamente, a revista - também repudiada pelo PT, a quem acusou sem provas de ter recebido verbas das Farc colombianas para promover a campanha eleitoral de 2002 - nada diz quanto aos recursos bem mais vultuosos endereçados pelo governo aos cofres da família Civita, a título de pagamento por anúncios publicitários e aquisição de assinaturas de publicações do Grupo Abril. Seria muito interessante promover uma CPI para investigar as relações entre os vários governos e os donos do Grupo Abril, e mais ainda investigar o destino que a família Civita dá ao botim.

Veja mente, eis tudo. De nada adiantou, ao que parece, a revista ter sido condenada por injúria, calúnia e difamação, por "reportagem" semelhante, publicada na edição de 10 de maio de 2000, intitulada "A tática da baderna". Na época, João Pedro Stedile entrou com processo no Fórum da Lapa, e ganhou em primeira instância. Apostando na morosidade da Justiça, a revista recorreu. O processo ainda tramita, mas moralmente a revista foi conduzida ao seu lugar: a lata de lixo da história. Os assinantes da revista, aliás, deveriam fazer um movimento para exigir de volta o seu dinheiro, por receberem notícias falsas e ainda por cima requentadas. Fica a sugestão: aproveitem como mote o lema "nós pagamos eles mentem".


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José Arbex Jr. é jornalista. Colaborou Hamilton Octavio de Souza
FONTE http://www.consciencia.net/2005/mes/06/arbexjr-assinantespagam.html






obesidade MATA MAIS QUE CIGARRO - McDonalds na maior crise da história

McDonalds na maior crise da história


Alvo de campanhas contra a obesidade e a globalização, o McDonald's enfrenta a maior crise de sua história. Para piorar, o CEO morreu



O DESAFIO DE VENDER A IMAGEM

O McDonald's forma entre aquelas empresas cuja trajetória se confunde com a história do capitalismo. Fica difícil falar sobre as transformações registradas no mundo dos negócios no último meio século sem falar da rede mundial de lanchonetes e de seu fundador, o americano Ray Kroc. No começo do século 20, Henry Ford havia conseguido fabricar um automóvel, o modelo T, que até o operário de sua fábrica podia almejar. Coube a Kroc fazer algo parecido no campo da alimentação ao vender lanches a preços acessíveis, preparados numa linha de montagem capaz de produzir mais de 500 sanduíches por segundo. Atualmente, o McDonald's emprega 1,5 milhão de pessoas e atende 47 milhões de clientes todos os dias, em quase 120 países. Sua marca está em oitavo lugar entre as mais valorizadas do mundo, segundo o ranking da consultoria inglesa Interbrands. A lista é encabeçada pela Coca-Cola. A marca é tão conhecida que a revista The Economist utiliza seu principal sanduíche, o Big Mac, para fazer comparações de poder de compra entre os países. O palhaço Ronald McDonald, símbolo da rede, só não é mais famoso do que Papai Noel, dizem as pesquisas. Por alguma razão, uma empresa com essa história e esses números não está exatamente festejando as conquistas alcançadas. Ao contrário, tem trabalhado duro para desmentir alguns prognósticos mais pessimistas em relação à sua imagem -- e à qualidade de seu futuro.

O motivo da preocupação é que o McDonald's vem assumindo nos últimos anos um papel desagradável que já coube a outras companhias. E passou a conviver com uma simbologia pesada. A Coca-Cola e o Citibank foram um dia sinônimos do "imperialismo americano". Essa associação virou coisa de saudosistas. A Nike já foi muito criticada como ícone da globalização, talvez o maior deles. Já não é mais a única. Está acontecendo com o McDonald's uma repetição de todos esses chavões antigos somados a uma lista de novos conceitos. Sempre que há reunião do Fórum Econômico Global, não são raras as fotografias que mostram uma loja do grupo sendo atacada por jovens baderneiros, como se, atingindo uma loja da mais conhecida cadeia de fast food do mundo, estivessem desferindo um golpe naquilo que desaprovam em relação aos Estados Unidos, a globalização, e mesmo o sistema capitalista. As provocações feitas contra o McDonald's ficam ainda melhores em razão da força de sua logomarca e do cardápio, todos eles "McAlguma coisa". Daí para surgir a "McConfusão", "McGlobalização" é um passo. Convenhamos: fica mais difícil fazer os mesmos comentários com um nome como Procter&Gamble.

O McDonald's se acostumou ao papel e sempre tomou as manifestações negativas como efeito do que se pode chamar de "paradoxo do sucesso", que normalmente atinge os líderes. Empresas que faturam mais e são maiores em geral atraem mais protesto. É normal que seja assim. A cúpula da empresa convivia bem com as reações, mas a luz amarela se acendeu quando a reputação da companhia foi colocada contra as cordas não mais por razões de ordem ideológica, mas de natureza nutricional -- e isso é um fenômeno relativamente recente, que só se faz intensificar. Ocorre que a base dos pratos do McDonald's contém dois ingredientes combatidos pelas autoridades de saúde: gordura e carboidratos. A discussão acontece no momento em que a sociedade americana vem engordando em ritmo jamais visto -- porque quer, diga-se de passagem. Por mais ridículo que pareça culpar uma rede de san duíches por esse tipo de ocorrência, é exatamente isso que está acontecendo.

O tamanho do McDonald?s
Número de lanchonetes 31 000
Em quantos países opera 119
Número de funcionários 1,5 milhão
Clientes (por dia) 47 milhões
Faturamento em 2003 US$ 17 bilhões


Para agravar o quadro, a empresa acaba de perder o homem encarregado de enfrentar problemas como esse. Vitimado por um ataque cardíaco, morreu na segunda-feira 19 o CEO do McDonald's, Jim Cantalupo, de 60 anos. Ele estava em Orlando, na Flórida, onde iria discursar na reunião mundial de franqueados da rede. Cantalupo já havia se aposentado quando, em janeiro do ano passado, aceitou o desafio de tentar tirar o McDonald's de uma das piores crises de sua história. Nos 16 meses em que passou como executivo-chefe, Cantalupo deu início a uma agressiva campanha de marketing para dissociar os hambúrgueres e as batatas fritas do problema da obesidade. Durante sua gestão, a empresa criou a primeira campanha cujo elemento principal não estava na comida, e sim no comportamento jovem. Cantalupo também me xeu no cardápio na tentativa de atrair consumidores preocupados com o peso. No início deste mês, havia sido lançado o Lanche Feliz para adultos, que substitui a batata frita por salada, e o refrigerante por água. Do ponto de vista financeiro, os resultados de seu trabalho foram expressivos. O preço da ação no dia da morte de Cantalupo era quase o dobro do registrado um ano antes. Horas depois da notícia da morte de Cantalupo, o McDonald's anunciou o nome de seu sucessor. Será Charlie Bell, um australiano de 43 anos, o primeiro não-americano no cargo.

Comenta-se no meio empresarial que a única companhia que jamais conhecerá uma crise é aquela que já foi à falência. Atravessar crises e enfrentá-las faz parte do processo de crescimento e amadurecimento de uma empresa. O problema é o tipo de crise que se atravessa. No caso do McDonald's a crise em discussão é a de imagem. Uma crise de imagem, antes de tudo, é uma crise de confiança, uma crise de credibilidade, uma crise de reputação. As empresas comercializam produtos e serviços, mas vendem na verdade confiança. Isso vale para bancos, hospitais, empresas aéreas, escritórios de advocacia, clínicas médicas, floriculturas e oficinas mecânicas. Não importa o tamanho da organização, o cliente só a procura com base na percepção, que pode ser mais ou menos científica, de que está seguro com a opção feita. Por isso, a crise de imagem é tão devastadora. Ela atinge a companhia em seu ponto mais sensível. A capacidade que ela tem de fazer com que os outros confiem nela. O McDonald's não vende sanduíches. Ele produz sanduíches. O que ele vende mesmo todos os dias é essa confiança -- confiança na qualidade dos produtos, na segurança das instalações, confiança nas condições sanitárias. Por isso, uma crise de imagem é potencialmente mais devastadora do que as outras crises "normais", como a financeira, que pode muitas vezes ser enfrentada sem afetar a confiança do consumidor.
Poucas empresas estão em condições de conhecer uma crise de imagem tão significativa quanto a que aflige o McDonald's. Para correr um risco dessa proporção é preciso ser uma empresa realmente global, como a Microsoft ou a Pfizer. E mesmo essas não carregam tantos simbolismos quanto a firma fundada por Ray Kroc. Ainda que um empresário de menor porte jamais vá sentir na própria pele tal crise em sua totalidade, olhar de perto o que está acontecendo no McDonald's é uma oportunidade pedagógica rara. Trata-se de uma crise em escala tão expressiva que permite ao observador perceber detalhes numa perspectiva muito mais ampliada. Com isso, os erros, os acertos, as iniciativas certas e erradas aparecem muito mais. Como na essência os desafios básicos da gestão são os mesmos, essa megacrise oferece lições importantes para executivos e empresas de qualquer tamanho.

De modo geral, as empresas subestimam os riscos de uma potencial crise de imagem. Os especialistas no assunto já prepararam alguns trabalhos sobre a resistência dos empresários a lidar com o tema. Um desses trabalhos aparece no livro Lidando com as Crises Antes Que Elas Aconteçam, do consultor de imagens americano Ian Mitroff. Ele listou algumas reações de empresários americanos diante da possibilidade de sua empresa ter a imagem atingida. Algumas das pérolas ditas: 1) "Crise de imagem só acontece com os outros. Nossa empresa é invulnerável"; 2) "Crises acontecem, mas o impacto na nossa organização é pequeno"; 3) "Crises não acontecem em boas empresas"; 4) "Somos grandes e poderosos, o que nos blinda contra"; 5) "Não devemos nos preocupar com isso, pois as chances de acontecer são pequenas". Na opinião de Mitroff, agindo segundo esses princípios, a reputação das companhias corre riscos. É preciso agir, diz ele.

Foi o que fez o McDonald's. E, apesar de toda a disciplina imposta por Cantalupo, a crise não foi debelada. Continua lá. Intacta. Desde 2002, o McDonald's vem se preparando para a batalha pela imagem. O processo foi desencadeado por uma crise financeira. A rede sofreu queda de vendas durante 11 meses seguidos e amargou seu primeiro trimestre de prejuízo no final de 2002. O primeiro passo da estratégia de recuperação foi a contratação de um publicitário para reformular o marketing da empresa. O McDonald's não quer mais ser visto apenas como um lugar onde se pode tomar um lanche, mas como um restaurante. Só assim se poderia justificar a ingestão de 1 000 ou mais calorias de uma só vez. Em agosto de 2003, a empresa contratou uma nutricionista renomada com a responsabilidade de formu lar alternativas de cardápios saudáveis. Resultado: o McDonald's está adotando saladas, experimenta nuggets de carne branca e vai lançar uma porção de maçãs com molho caramelizado light como opção à batata frita, entre outras mudanças no cardápio. Logo após a exibição do filme Super Size Me, no ano passado, em que um jovem documentou suas refeições durante cinco semanas apenas no McDonald's e engordou 11 quilos, a empresa anunciou que vai deixar de servir porções gigantes até o fim deste ano.

Outra medida de impacto é a contratação de Bob Greene, treinador pessoal da estrela de TV Oprah Winfrey. Como parte da campanha Mexa-se, Greene vai caminhar e andar de bicicleta de Los Angeles até Washington. A campanha em prol dos exercícios é uma forma de reconciliar os interesses da indústria com as preocupações de médicos. No começo do século passado, a expectativa de vida dos americanos era de apenas 47 anos, e uma das causas disso era a deficiência nutricional. Cientistas, autoridades e a indústria tinham então interesses idênticos: fazer a população comer mais. Deu certo. Nos Estados Unidos e no mundo, o preço dos alimentos despencou, inovações tecnológicas permitiram o estoque e o transporte de comida, e a indústria proliferou. Na década de 60, médicos começaram a alertar para os problemas relacionados ao consumo excessivo de calorias -- principalmente na forma de carboidratos, açúcares e frituras. Trinta anos mais tarde, a situação piorou muito. A obesidade se tornou uma epidemia, segundo relatório da Organização Mundial de Saúde divulgado em 2000. Em alguns países, mais da metade da população está acima do peso. Na Itália, 36% das meninas de 9 anos são gorduchas ou obesas. Os Estados Unidos têm um terço de gordos. Em dezembro de 2001, o cirurgião-geral do país, cargo equivalente ao de ministro da Saúde, afirmou que a obesidade em breve vai ultrapassar o cigarro como principal causa de morte dos americanos. Neste ano devem morrer 300 000 pessoas em decorrência de complicações que vão do diabetes tipo 2 a vários tipos de câncer, doenças cardiovasculares e hipertensão.

A preocupação do McDonald's com o tema tem um componente adicional, que pode ser conferido estatisticamente. O mercado de hambúrgueres, embora seja o maior segmento dentro da categoria fast food, vem perdendo terreno nos mercados desenvolvidos. Segundo a Euromonitor, o fast food vai crescer 11,4% até 2007, mas a parcela de hambúrgueres, apenas 8,6%. A virada do McDonald's tem, portanto, uma explicação mercadológica. A adoção de saladas, há um ano, aumentou as vendas do McDonald's e fez parar o crescimento da concorrente Subway, tida como mais light.

A forma como o McDonald's está enfrentando a crise de imagem contém lições não apenas para suas congêneres do ramo do fast food. Esse é um tipo de risco do qual nenhuma empresa pode se considerar isenta. A crise pode vir em razão da condenação social de um produto, como aconteceu com o cigarro. Pode estar ligada à descoberta repentina dos malefícios de um produto, como ocorreu com o amianto, proibido na Europa e nos Estados Unidos. Pode acontecer de uma empresa ter a imagem arranhada apenas porque recebeu a visita de um fiscal da vigilância sanitária que encontrou irregularidades. Companhias de papel e celulose volta e meia têm de responder a protestos de ambientalistas. Fabricantes de geladeiras e aparelhos de ar condicionado são acusados de contribuir para a destruição da camada de ozônio. Na indústria automobilística, há uma preocupação crescente em financiar pesquisas que permitam substituir a gasolina por um combustível limpo.

O conflito mental
77% dos americanos dizem tentar escolher uma alimentação mais saudável 80% dos americanos informam não estar dispostos a fazer sacrifícios para se alimentar de forma mais saudável


Numa sociedade ávida por litígios, não demorou muito para que os processos que antes atingiam a indústria do tabaco se voltassem em direção ao fast food. Há dois anos, o nova-iorquino Sam Hirsch entrou com duas ações contra McDonald's, Burger King, KFC e Wendy's, em nome de grupos de pessoas obesas. Orientado pelo advogado John Banzhaf III, um professor de direito da Universidade George Washington especialista na campanha antitabaco, Hirsch abandonou os dois processos e se concentrou em outro, em nome de adolescentes e apenas contra o McDonald's. Perdeu. Mas o alvoroço na indústria alimentícia levou a pressões políticas e a um projeto de lei -- apelidado de Lei do Cheeseburger -- para barrar pedidos de indenização contra redes de fast food. A lei foi aprovada na Câmara em março e encaminhada ao Senado.

Quando as primeiras ações legais contra a indústria do fumo surgiram, ninguém acreditava que fossem dar em algo. Demorou 40 anos, mas aconteceu. E a campanha contra o fast food está apenas começando. Não por acaso, os mesmos advogados da luta antitabaco estão migrando de área. Num encontro de vários deles no escritório de Banzhaf, no ano passado, chegou-se à conclusão de que há brechas por onde atacar não só as redes de fast food mas também pesos pesados como Nestlé, Kraft, Pepsico e Coca-Cola.

Do outro lado da trincheira foram recrutados advogados acostumados a defender empresas de tabaco, implantes de seios e armas. Uma recente conferência em Washington reuniu cerca de 100 advogados das maiores empresas de alimentos para discutir formas de se defender de processos. Uma das recomendações é que, se o caso chegar a julgamento, sejam escolhidas para o júri pessoas que fazem ginástica. Elas tenderiam a simpatizar com a idéia de que controlar o peso é uma questão de responsabilidade individual.
FONTE
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2004/04/279037.shtml

Abril assalta os cofres públicos na venda de livros ao MEC


Abril assalta os cofres públicos na venda de livros ao MEC
4 de setembro de 2009

Por Carlos Lopes

Nos últimos cinco anos, o Ministério da Educação repassou para o grupo Abril a quantia de R$ 719.630.139,55 (719 milhões, 630 mil, 139 reais e 55 centavos) por conta da compra de livros didáticos. Foi o maior repasse de recursos públicos destinados a livros didáticos dentre todos os grupos editoriais do país. Nenhum outro recebeu, nesse período, tanto dinheiro do MEC - desde 2004, o grupo da “Veja” ficou com mais de um quinto dos recursos (22,45%) do MEC para compra de livros didáticos. Nem mesmo o grupo espanhol Santillana (dono das editoras Moderna e Objetiva), que teve suas vendas ao MEC turbinadas a partir de 2006, conseguiu emparelhar com os americano-afrikaners que têm o sr. Bob Civita por seu representante. O máximo que conseguiram foi chegar a 17,50% dessa verba.

Todos os dados expostos nesta página têm como fonte o “Portal da Transparência” do governo federal, mantido pela Controladoria Geral da República. A tabela que apresentamos mostra o que a Abril recebeu do MEC – e, para comparação, o que receberam as principais editoras ou grupos editoriais desse ramo. A editora Globo, por exemplo, recebeu 0,21% dos recursos destinados pelo MEC à compra de livros didáticos. A Melhoramentos, de vasta história nessa área, recebeu 0,17%. A Brasiliense, que dispensa maiores (e até menores) apresentações, recebeu 0,20%. A José Olympio, 0,22%. E a Companhia Editora Nacional, outra que todos conhecem na área de livros didáticos, ficou com 0,30%.

Enquanto isso, a Abril ficou com 22,45%. O espantoso é que até 2004 o grupo Civita não atuava no setor de livros didáticos. Nesse ano, o grupo adquiriu duas editoras – a Ática e a Scipione. Por que essa súbita decisão de passar a explorar os cofres públicos com uma inundação de livros didáticos? Evidentemente, porque existe dinheiro nos cofres públicos.

O FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), é uma das principais dotações orçamentárias do MEC, quando não a maior. Mais da metade dos recursos do FNDE são gastos na compra de livros didáticos. Assim, 72,64% da verba efetivamente gasta desse fundo, em 2004, foram para essas compras; em 2005: 72,76%; em 2006: 81,51%; em 2007: 63,68%; e em 2008: 63,47%. A diminuição do percentual nos últimos dois anos não se deveu a uma redução dos livros comprados. Pelo contrário, foi consequência de uma maior verba destinada ao FNDE pelo governo Lula.

Naturalmente, esses recursos, que são do Estado e do povo brasileiro, têm que ser, não somente fiscalizados, mas dispendidos de acordo com uma política que contemple os interesses e as necessidades dos seus donos. Caso contrário, é inevitável que monopólios, parasitas, aventureiros, para não falar de vigaristas sem qualquer sofisticação, armem seus expedientes para se apossar do que não é deles.

Quando não há nada que se aproxime de uma política nacional para o livro didático, não é espantoso que os picaretas do tipo Civita, e até os de além-mar, sejam os beneficiados na compra de livros didáticos pelo MEC.

O leitor poderá conferir na tabela: apenas quatro editoras ou grupos editoriais (Abril, Santillana, FTD e Saraiva) ficaram com 70,63% dos recursos do FNDE destinados à compra de livros didáticos.

É verdade que a FTD, pertencente aos Irmãos Maristas, tem uma longa – e benfazeja – tradição em livros didáticos e o mesmo pode-se dizer da Saraiva. Mas, o grupo do Civita? Que tradição tem, que não seja de ignorância, estupidez, amesquinhamento da cidadania (isto é, golpismo) e sensacionalismo difamatório? O fato de comprar a Ática e a Scipione não o transforma no campeão dos livros didáticos. Pelo contrário, transforma a Ática e a Scipione numa sucursal da “Veja” - ou daquela revista de história (?) dos Civita, que, há alguns anos, ensinava que a diferença entre os gregos e os persas que no século V a.C. lutaram nas Termópilas e em Salamina é que os primeiros eram capitalistas ao estilo americano, enquanto que os segundos ainda estavam no feudalismo...

Não há dúvida que existem dezenas de editoras neste país em muito melhores condições e com mais vontade (ou, pelo menos, alguma vontade) de educar as crianças e jovens brasileiros do que essa trupe que nem sabe falar português correntemente (já viram o Bob Civita discursando?), que tem como valores morais o qualquer-coisa-por-dinheiro e, como espírito cívico, o golpismo fascista. Por que os inimigos do povo deveriam receber dinheiro do povo? E por que o MEC deveria cevar o monopólio desses elementos?

Mas vá lá, apesar disso tudo, que o MEC faça alguma média com essa quadrilha. Entretanto, estamos falando de quase um bilhão de reais – e do açambarcamento da maior parcela da verba para livros didáticos, o maior negócio editorial do país, mantido com dinheiro público, dinheiro dos impostos, dinheiro nosso.

Evidentemente, cabe ao MEC decidir que editoras deseja fortalecer e quais aquelas que, por nocivas ou patogênicas, têm que ser mantidas sob quarentena. É a isso que se chama uma política. No momento, nessa questão da compra de livros didáticos, o MEC, infelizmente, está adotando a política de fornecer dinheiro público para que o Civita sustente o seu panfleto – pois a “Veja” não é uma revista, meramente é um panfleto, há quase oito anos voltado contra o Estado e o governo do país, e há muito voltado contra o povo, que espera que seus filhos estudem em livros didáticos decentes, não em deformados arremedos para ganhar dinheiro às nossas custas.

Em suma, as atividades anti-sociais do grupo Civita são abastecidas com dinheiro público – e nem falamos na publicidade de órgãos estatais que flui prodigamente para suas revistas. Ficamos apenas nos livros didáticos, por enquanto.

Exatamente essa malta, cínica e pendurada no dinheiro público, acusa o MST de ter recebido, de 2003 a 2007, R$ 43 milhões em alguns convênios com o governo federal. O MST, se é que recebeu esse parco dinheiro, o recebeu para trabalhar, pois é isso o que significa um convênio – uma parceria com o Estado para realizar tarefas necessárias à população. O dinheiro de um convênio não é entesourado, mas gasto no trabalho conveniado com o Estado, de acordo com regras estritas – e o que não faltam são órgãos, instâncias e mecanismos de fiscalização para verificar como o dinheiro é gasto, além de ser obrigatória (e pública) a prestação de contas.

Já o Civita, recebeu, só do MEC, entre 2004 e 2008, R$ 719.630.139,55 – isto é, 17 vezes mais do que o MST – e não foi para trabalhar, mas para empurrar livros didáticos duvidosos, e a preço de ouro, pela goela do Estado e no embornal das crianças e dos jovens. Não há ninguém para fiscalizar o modo como a Abril, ou o seu preposto, vai gastar o dinheiro ganho com esse empurra-negócio. Se alguém da cúpula da Abril quiser gastar o dinheiro com um harém – feminino ou masculino – pode fazê-lo, apesar da origem do dinheiro ser pública. “Ora”, dirá o Civita, “foi uma venda, e o dinheiro é meu”. Na verdade, não – foi um achaque sobre o Estado e o dinheiro público.

Diz a senadora Kátia Abreu, com o brilhantismo que lhe caracteriza, que os supostos R$ 43 milhões em cinco anos dariam para comprar uma infinidade de cestas básicas e sabe-se lá quantas casas populares. Parece que ela pesquisou um bocado para saber o preço de uma cesta básica...

Pois nós, também. Descobrimos o que a senadora compraria com os 700 milhões que o Civita recebeu do MEC: um escravo de boa qualidade, uma mucama prendada e dez terninhos de grife.
fonte GLORIOSO MST
http://www.mst.org.br/node/8080



Erguer a bandeira em defesa do MST


Ivina Carla - Erguer a bandeira em defesa do MST


"A CPI é para apurar a farra da ilegalidade", frase da DEMoníaca senadora Kátia Abreu, referindo-se ao MST depois do bombardeio da Revista VEJA e do jornal Estado de São Paulo, componentes de defesa da elite brasileira que não poupam os argumentos falaciosos.

A reforma agrária é uma luta histórica do movimento e esses conservadores malditos, que se apossam de terras, se acham no direito de barrar a reivindicação de muitas famílias que não tem onde plantar, não tem como sobreviver. O MST é o que eu considero de mais legítimo nesse país de força, garra e combatividade.

Defender uma CPI sob a alegação de que o movimento atenta contra o Estado de direito. Mas de quem é esse Estado e de quem são os direitos? Os veículos que promovem essa série de reportagens contras os movimentos sociais estão do lado dos grandes latifundiários desse país.

Veja, Folha e Estadão contribuem com a concentração de renda, o aumento das desigualdades e promovem um atentado contra o que poderia ser democrático, dá vez e voz ao movimento. Mostrar um lado que é a versão dos proprietários de terras é disseminar a chaga maior que existe na nossa humanidade: a individualidade que faz parte da lógica capitalista.

Precisamos compreender que estamos bem no centro da batalha, diz respeito a 2010, a uma nova aurora na América Latina. Nosso lugar sendo ao lado do povo. É mais do que urgente fazer uma ampla defesa dos nossos amigos e amigas sem-terra, sabemos da luta deles e não podemos permitir que tentem os apagar da história.

MST, a luta é pra valer!

Ivina Carla é acadêmica de Jornalismo
FONTE
http://www.vermelho.org.br/ce/noticia.php?id_noticia=115774&id_secao=61

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MST, a luta é pra valer!
Serginho



MST - Entenda como estamos organizados

O Movimento Sem Terra está organizado em 24 estados nas cinco regiões do país. No total, são cerca de 350 mil famílias que conquistaram a terra por meio da luta e da organização dos trabalhadores rurais.

Mesmo depois de assentadas, estas famílias permanecem organizadas no MST, pois a conquista da terra é apenas o primeiro passo para a realização da Reforma Agrária. Os latifúndios desapropriados para assentamentos normalmente possuem poucas benfeitorias e infra-estrutura, como saneamento, energia elétrica, acesso à cultura e lazer. Por isso, as famílias assentadas seguem organizadas e realizam novas lutas para conquistarem estes direitos básicos.

Com esta dimensão nacional, as famílias assentadas e acampadas organizam-se numa estrutura participativa e democrática para tomar as decisões no MST. Nos assentamentos e acampamentos, as famílias organizam-se em núcleos que discutem a produção, a escola, as necessidades de cada área. Destes núcleos, saem os coordenadores e coordenadoras do assentamento ou do acampamento. A mesma estrutura se repete em nível regional, estadual e nacional. Um aspecto importante é que as instâncias de decisão são orientadas para garantir a participação das mulheres, sempre com dois coordenadores, um homem e uma mulher. E nas assembléias de acampamentos e assentamentos, todos têm direito a voto: adultos, jovens, homens e mulheres.

Da mesma forma nas instâncias nacionais. O maior espaço de decisões do MST é o Congresso que ocorre a cada 5 anos. No mais recente, o V Congresso, participaram mais de 15 mil pessoas. É no Congresso que são definidas as linhas políticas do Movimento para o próximo período e avaliado o período anterior. Estas definições são sintetizadas nas palavras de ordem de cada Congresso e que se estendem para o período seguinte. O V Congresso Nacional definiu como linha para este próximo período: “Reforma Agrária, por Justiça Social e Soberania Popular”. Foi aprovado ainda o novo programa de Reforma Agrária defendido pelo Movimento, após dois anos de debates e estudos nos assentamentos e acampamentos. Além do Congresso, a cada dois anos, o MST realiza seu encontro nacional, onde são avaliadas e atualizadas as definições deliberadas no Congresso.

Além dos Congressos, Encontros e Coordenações, as famílias também se organizam por setores para encaminharem tarefas específicas. Setores como Produção, Saúde, Gênero, Comunicação, Educação, Juventude, Finanças, Direitos Humanos, Relações Internacionais, entre outros, são organizados desde o nível local até nacionalmente, de acordo com a necessidade e a demanda de cada assentamento, acampamento ou estado.
FONTE http://www.mst.org.br/taxonomy/term/330


http://www.grupos.com.br/blog/nosso-sucesso/permalink/35118.html