Grupos

1. MEC sugere fim de disciplinas tradicionais no ensino médio
Depois da proposta de abolir o vestibular nas universidades federais em prol do Enem, o Ministério da Educação apresenta agora um projeto de ampla reforma no ensino médio, como relata a manchete da Folha (para assinantes) de hoje: o sistema tradicional, com 12 disciplinas, seria substituído por quatro áreas temáticas (línguas; matemática; humanas; exatas e biológicas). O Conselho Nacional de Educação avalia a ideia entre hoje e amanhã, e deve aprová-la em junho. Como a União não pode impor o sistema, o MEC prevê incentivos financeiros e técnicos aos Estados, responsáveis pelo ensino médio. De acordo com a reportagem, “as escolas terão liberdade para organizar seus currículos, desde que sigam as diretrizes federais e uma base comum”. “Poderão decidir a forma de distribuição dos conteúdos das disciplinas nos grupos e também o foco do programa (trabalho, ciência, tecnologia ou cultura).”



'O HOMEM TORNA-SE TUDO OU NADA, CONFORME A EDUCAÇÃO QUE RECEBE'

'Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível'

Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da 'invisibilidade pública'. Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social.

Plínio Delphino, Diário de São Paulo.

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres invisíveis, sem nome'. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma
percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa. Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida: 
 
'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. 'Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes,
esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão', diz.
No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse:
'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi.
Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.

O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?
Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

E quando você volta para casa, para seu mundo real?
Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador.
Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma 'COISA'.

*Ser IGNORADO é uma das piores sensações que existem na vida!

Respeito: passe adiante!

Geledés - 21 anos de História!

Geledés completa neste 30 de abril, 21 anos de vida! Parabéns! Quando penso na História desta Organização, penso em minha inscrição no mundo, pois vivi lá, alguns dos anos e acontecimentos mais importantes da minha vida. Cheguei com uma mala de sonhos em setembro de 1991 e saí, em dezembro de 2004, com a maioria deles realizada e tendo sonhado outros que sequer imaginava sonhar. Vivi alguns sobressaltos, até pesadelos, todos, entretanto, inerentes ao fazer político e aos humanos que fazem a política, ou seja, nada que maculasse o saldo final: positivo e operante! Lá, aprendi a ser soldada e comandante, mas me cansei da guerra. Ela, a guerra, é que não arrefece, assim, quem luta contra o racismo no Brasil, pode dar-se o luxo de escolher a trincheira. Isto não configura uma vantagem, propriamente, mas como guerrear é imperativo, que pelo menos possamos escolher o campo onde sejamos mais felizes. Geledés protagonizou capítulos importantes da História contemporânea do negro no Brasil e da luta pela superação do racismo e da discriminação racial. Numa passada superficial pela memória relembro seis: 1 – como uma das ONGs negras mais velhas e consistentes do país, Geledés foi pioneira ao pensar um programa de comunicação para estruturá-la, responsável por fomentar o diálogo dos demais programas e ações da instituição com o mundo. 2 – Geledés iniciou diálogo político independente, sem tutela, com um setor fundamental da juventude negra brasileira (hoje, sujeito autônomo e consolidado), o Movimento Hip Hop paulistano. Contribuiu para o aprofundamento da discussão racial junto às lideranças do Movimento, para a consolidação do próprio conceito político de juventude negra no Brasil, falamos de finais dos anos 80, início dos anos 90. 3 – O trabalho realizado por Geledés com o SOS Racismo – Serviço de atendimento jurídico às vítimas de discriminação racial, inaugurou a alameda de trabalhos no tema que veio a consubstanciar a área de Direito e Relações Raciais no país e fez "pegar" a Lei 7.716/89. 4 – Iniciou, em 1994, o diálogo com diversas organizações negras da América do Sul, embrião da Aliança Estratégica de Organizações Negras da América Latina e Caribe que desempenhou papel essencial no capitaneamento de nossas demandas durante todo o processo de Durban e realização da III Conferência Mundial Contra o Racismo. 5 – Geledés foi determinante na constituição da AMNB - Articulação de Mulheres Negras Brasileiras que, finalmente, é representante legitimada do coletivo de negras brasileiras organizadas, quer em instâncias nacionais, quer no exterior. 6 - Por fim, o projeto Geração XXI, implantado em 1999, e demais programas de ação afirmativa que o seguiram, com vistas à promoção do acesso, permanência e sucesso de jovens negros em boas universidades, dois anos antes da III Conferência Mundial Contra o Racismo, em Durban, África do Sul, e da implantação das cotas para negros na UERJ, ambos em 2001, bem como do grande debate sobre as ações afirmativas, como uma das estratégias possíveis de enfrentamento do racismo no Brasil. Daqui do blogue envio um beijo saudoso, um agradecimento emocionado e votos de vida longa e produtiva à casa que me acolheu durante 13 anos, me ensinou muito do que sei e me possibilitou ser quem sou. 21 anos não são 21 dias, mas os dois períodos são tempos de iniciação. “Quem foi que falou que eu não sou um moleque atrevido?/ Ganhei minha fama de bamba/ No samba de roda/ Fico feliz em saber/ O que fiz pela música, faça o favor/ Respeite quem pode chegar/ Onde a gente chegou/ Também somos linha de frente de toda essa história/ Nós somos do tempo do samba/ Sem grana, sem glória/ Não se discute talento/ Mas seu argumento, me faça o favor/ Respeite quem pode chegar/ onde a gente chegou/ E a gente chegou muito bem/ Sem a desmerecer a ninguém/ Enfrentando no peito um certo preconceito e muito desdém/ Hoje em dia é fácil dizer/ Que essa música é nossa raiz/ Tá chovendo de gente que fala de samba e não sabe o que diz/ Por isso vê lá onde pisa/ Respeite a camisa que a gente suou/ Respeite quem pode chegar onde a gente chegou/ E quando pisar no terreiro/ Procure primeiro saber quem eu sou/ Respeite quem pode chegar onde a gente chegou”. (Moleque atrevido, de Jorge Aragão, Flávio Cardoso e Paulinho Rezende).

Sul de todos os santos

08:43 @ 06/05/2009

 
Sul de todos os santos
 
Não é a Bahia. Nem o Rio de Janeiro.
 
É o Rio Grande do Sul – das modelos de olhos azuis e dos sobrenomes cheios de consoantes – o estado mais afro-religioso do Brasil.
 
A fotógrafa Mirian Fichtner mergulhou por três anos nessa realidade surpreendente e testemunhou rituais nunca antes alcançados por uma câmera.
Época apresenta com exclusividade as imagens de uma áfrica de bombachas
 
 
Eliane Brum
 
Mirian Fichtner
 
OS CAVALEIROS DO RIO GRANDE

À beira do Guaíba, em Porto Alegre, a representação dos orixás do batuque, a mais tradicional das religiões afro-gaúchas, cultuada desde o século XIX.
Sentado, de branco, Cleon de Oxalá, um dos mais antigos pais-de-santo do Estado, com casas em várias cidades brasileiras, além da Argentina, México, Estados Unidos e Portugal

Sim, é oficial. Ogum, o orixá guerreiro, prefere churrasco. A informação não é nova, mas sempre causa espanto. O Censo de 2000 mostrou que é o Rio Grande do Sul o maior enclave afro-religioso do Brasil: 1,6% da população. Na Bahia, onde tanta gente importante marca ponto em terreiros, apenas 0,08% identifica-se como adeptos de religiões de origem africana. No Brasil todo, 0,3%. Enquanto no país o número de afro-religiosos diminuiu, no Rio Grande aumentou. Que mistério é esse que faz com que exista uma África de bombachas justamente no Estado que adora enaltecer sua colonização européia e costuma esquecer a participação de negros e índios em sua história? Por que se fala tão pouco sobre isso?

Essas foram as perguntas que lançaram a fotógrafa gaúcha Mirian Fichtner num caminho cheio de encruzilhadas s fascinantes.

Com a ajuda do jornalista Carlos Eduardo Caramez e do antropólogo Ari Pedro Oro, um dos maiores especialistas em religião do país, Mirian mergulhou por três anos em um mundo regido por leis desconhecidas.

Gaúcha descendente de italianos e alemães, batizada no catolicismo, mas sem religião definida, seguiu o som dos tambores silenciosos do Rio Grande.

Com respeito, pedindo licença, entrou pela porta da frente de muitos dos 30 mil terreiros do Estado, divididos em três vertentes: batuque, a mais tradicional, umbanda e linha cruzada.

E foi autorizada a registrar rituais até então fechados às câmeras.

As entidades, incorporadas em pais e mães-de-santo, passaram a chamá-la de "Moça-Luz", por causa dos flashes.

Em geral, o texto é o elemento que conduz uma reportagem. Mirian Fichtner inverteu o foco: fez uma reportagem em que as fotos contam uma história inédita, que estava ali, diante do olhar de todos, nos números do IBGE, mas quase ninguém via. Mais de 5 mil retratos iluminam uma zona de sombras do cotidiano dos gaúchos – e do Brasil. Deu ao trabalho o nome de Cavalo de Santo: assim são chamados aqueles cujo corpo é cavalgado pelas entidades espirituais durante a possessão.

A partir da terça-feira, os afro-gaúchos de Mirian serão exibidos em exposição.

São 40 painéis e cem fotos projetadas em monitores e telão no Centro Cultural Justiça Federal, no Rio de Janeiro.

No segundo semestre, um livro e um DVD serão lançados em edição bilíngüe.

A cada uma das 160 páginas do livro aumenta o volume da pergunta: como foi possível ignorar uma realidade tão grandiosa por tanto tempo?

Cavalo de Santo prova que há muito Ogum prefere churrasco, Oxum não dispensa uma polenta italiana e os Exus são doidos por batatas assadas ao modo alemão.

Mirian Fichtner

 

O BELO E O SAGRADO


A dimensão estética, com muito brilho, cores e luxo, é um traço marcante das religiões afro-gaúchas.

Acima, na à esq., a família de Pai Neco de Oxalá, de origem cigana.

Abaixo dela, uma festa em homenagem a Exu.

À direita, Gislaine de Oxum, filha-de-santo de 14 anos

 

 


Mirian Fichtner

 

PRETO VELHO DE BOMBACHA


No livro (detalhe) Mirian mostra que a culinária dos imigrantes europeus, a bombacha da tradição gaúcha e até a erva-mate do chimarrão foram incorporadas aos rituais religiosos de origem africana.

À dir., Mãe Ieda de Ogum possuída pela entidade Preto Velho Pai Antonio da Banda de Lá.

À esq., crianças e adultos preparam uma festa em homenagem aos orixás

 

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI4496-15228,00-SUL+DE+TODOS+OS+SANTOS.html

 

 

Preconceito e intolerância

12:04 @ 06/05/2009

Lúcio Távora/Agência A Tarde

Carmelo autorizou a destruição do templo Oyá Onipó Neto, no Imbuí

 
 

19/3/2008

Preconceito e intolerância
 
Após autorizar demolição de terreiro, secretária municipal do Planejamento Kátia Carmelo foi denunciada pelo Ministério Público
 
 
Jairo Costa Júnior


A secretária de Planejamento do município, Kátia Carmelo, foi denunciada ontem pelo Ministério Público estadual (MP-BA) por crime de preconceito e intolerância religiosa.
A ação, ajuizada pelo promotor de Justiça Almiro Sena e que acusa também outros três servidores da prefeitura, foi motivada pela destruição do terreiro de candomblé Oyá Onipó Neto, situado no Imbuí, autorizada em 27 de fevereiro pela secretária, quando ela ainda era titular da Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município (Sucom).

"O caso da destruição de um templo religioso revela prática de intolerância por parte da secretária, apoiada pelos outros envolvidos", assinalou Sena.
Além de Kátia Carmelo, a denúncia inclui o engenheiro Sylvio Bastos, o técnico em manutenção Antônio Carlos Santos e o supervisor de operações Sérgio Spinelli, todos servidores da Sucom.
A ação, explica o promotor, foi baseada sobretudo na Lei Anti-Racismo (7.716/1989), além dos artigos 1º e 5º da Constituição, que determinam punições para quem comete atos de preconceito.

Na ação impetrada na Vara Crime da Capital, o titular da Promotoria de Combate à Discriminação do MP solicita a perda do cargo ocupado pelos acusados.
Eles podem ainda ser condenados de um a três anos de prisão, além do pagamento de multa.
Para Sena, a então superintendente da Sucom determinou "dolosamente (intencionalmente)" a demolição, mesmo o templo constando no cadastro feito pela prefeitura em 2007, para elaboração do projeto Mapeamento dos Terreiros de Salvador.

O engenheiro Sylvio Bastos, que mora próximo ao terreiro e é servidor do órgão há vários anos, é acusado pelo promotor de ter incitado a derrubada.
Ele havia formulado junto à Sucom várias queixas contra o funcionamento do terreiro.
Em nota distribuída na tarde de ontem pelo MP-BA, Sena informa que o engenheiro usou sua influência para que "prepostos da Sucom, mesmo sabendo tratar-se de um local de culto religioso, demolissem o imóvel e destruíssem grande parte dos objetos do candomblé".

Comemoração - Informada sobre a denúncia, a ialorixá do terreiro destruído, Roselice Santos do Amor Divino, a mãe Rosa, elogiou a decisão do Ministério Público.
"Era a notícia que eu aguardava, depois de tanta brutalidade e covardia contra nossas raízes e nossos antepassados. Foi feito o que era correto", comemorou.
A ialorixá destaca que o Oyá Onipó Neto está sendo reconstruído, mas que os trabalhos deverão demorar bastante.
"Destruíram coisas sagradas para nós e isso leva tempo para ser refeito. Uma pena, pois muitos freqüentadores estão me procurando pedindo ajuda", queixou-se.

A Associação Brasileira de Cultura Afro-Ameríndia (AFA), entidade à qual o terreiro é regularmente inscrito, ainda não se manifestou oficialmente sobre a denúncia.
A Secretaria Municipal de Comunicação Social foi procurada, mas não quis comentar o caso.
O Correio da Bahia fez diversos contatos para falar com a secretária de Planejamento por telefone, mas Kátia Carmelo não foi encontrada.


http://www.correiodabahia.com.br/
 

O documentário de 2005 sobre a aprovação das cotas na UnB agora encontra-se no Youtube.


Clique na imagem para assistir ao vídeo.


Cotas-na-UnB-Youtube-Flier

Endereço: http://www.youtube.com/watch?v=tVTAKUck3mc&feature=PlayList&p=4187D298FCE5AA5A&index=0&playnext=1

6. Presidente sul-africano tem de aprender com Lula
É o que sugere uma reportagem do diário britânico Financial Times, publicada nesta segunda-feira. Após ganhar as eleições na África do Sul, Jacob Zuma deve se mirar na habilidade de Lula de manter a imagem de “homem do povo” e ao mesmo tempo não se deixar levar por medidas populistas no setor econômico. Zuma é visto com desconfiança por ser um líder de massa e associado a práticas de corrupção. Assim como Lula, porém, o novo presidente sul-africano dá mostras de que pode desfazer o medo de investidores. Ele garantiu que haverá mais políticas de inclusão à minoria branca, que se sentia desprezada pelo antigo presidente, Thabo Mbeki, e escolheu um ministro das Finanças com prestígio para chefiar uma comissão de planejamento econômico para o país. Para o FT, pode ser o caminho certo para se alinhar com Lula, o “campeão dos pobres”.

 




Plano de valorização de professores terá R$ 41 bi em 2009

  Professores que atuam sem a qualificação necessária terão a chance de obter formação em instituições de todo o País. O primeiro Plano Nacional de Formação dos Professores da Educação Básica, lançado na última quinta-feira (28) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, prevê a formação de 330 mil professores nos próximos cinco anos. As medidas para a valorização do professor incluem, ainda, o pagamento de financiamento de estudos com trabalho na rede pública, ajuda extra aos estados que não conseguirem pagar o piso de R$ 950 para os professores e uma prova nacional para o magistério.

  Depois de assinar as medidas que favorecem os professores, o presidente Lula afirmou que o governo tem se esforçado e feito pactos com governadores e prefeitos para melhorar a qualidade da educação no País.  “Poderemos ter a escola brasileira recuperada, digna e comparada a qualquer escola de bom nível no mundo”, afirmou. O aumento nos recursos destinados à educação no Brasil, que chegaram a R$ 41 bilhões em 2009, foi lembrado pelo ministro. As medidas, segundo Haddad, não beneficiam apenas os professores. “Toda a formação do professor rebate diretamente no dia-a-dia da escola pública”, disse o ministro.

Medidas de valorização do professor

Qualificação - Os cursos para a formação de professores serão oferecidos por 90 instituições públicas de ensino superior a partir do segundo semestre deste ano. A iniciativa vai beneficiar professores que ainda não têm formação superior; professores formados que lecionam em área diferente daquela em que se formaram e bacharéis sem licenciatura, que não poderiam exercer o magistério. A responsabilidade será da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que vai receber mais R$ 1 bilhão por ano para a formação de professores.

Fies - Uma alteração na lei que regulamenta o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) vai permitir financiamento de até 100% da mensalidade dos cursos de licenciatura, com pagamento por meio de serviço como professor de escola pública, depois da conclusão do curso. Cada mês de exercício profissional representará abatimento de 1% da dívida consolidada, o que significa que será possível quitar o financiamento em pouco mais de oito anos. A medida também vai valer para quem obteve o financiamento antes do lançamento do plano.

Piso - Os estados que comprovarem não ter condições de pagar o valor integral do piso salarial dos professores, de R$ 950, podem receber verba complementar da União. O piso é destinado aos professores da educação básica para uma jornada de trabalho de 40 horas semanais.

Prova Nacional - Ainda em 2009, o MEC vai lançar a matriz de uma prova nacional para professores, que terá a primeira edição em 2010. A prova vai permitir a formação de um banco de professores, que poderá ser utilizado por estados e municípios para a contratação. O MEC também poderá definir nota mínima no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para o ingresso em cursos de graduação para formação de professores. A exigência de que 70% da carga horária dos cursos de pedagogia seja dedicada à formação de professores também faz parte das medidas.

Carreira - Até o final do ano, governo federal, os estados, o Distrito Federal e os municípios devem elaborar planos de carreira para os professores e os profissionais da educação básica de suas redes. O plano deve contemplar itens como a formação inicial e continuada, o número de alunos por sala, o sistema de avaliação e a progressão funcional.

CONVITE II COEPIR PRONTO.JPG

Site da II CONAPIR promove bate-papo sobre Comunidades Tradicionais

 

No próximo dia 3 de agosto (quarta-feira), às 18h, começa a etapa virtual da II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (II CONAPIR). O subsecretario de Políticas para Comunidades Tradicionais (Subcom) da SEPPIR, Alexandro Reis, vai tirar dúvidas on line e debater os principais temas relacionados à Plenária Nacional de Comunidades Tradicionais, marcada para os dias 6 e 7 de junho, em Brasília.

 

Em pauta:

 

QUILOMBOLAS - A regularização fundiária de terras quilombolas é uma prioridade da SEPPIR. Mas a disputa judicial e política em torno do Decreto nº 4.887, que representou um avanço no reconhecimento dos direitos dos remanescentes de quilombos, coloca sob risco a execução do Programa Brasil Quilombola.

 

CIGANOS - A inauguração do primeiro Centro de Referência Cigano da América Latina, no município de Souza (PB), vai se tornar um marco nas ações intergovernamentais para a valorização dos povos de etnia cigana. Mas os desafios ainda são grandes até que os ciganos tenham pleno direito à cidadania, como acesso ao registro civil, educação e serviços de saúde.

 

COMUNIDADES DE TERREIROS - Além da parceria com o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional para defesa e proteção dos terreiros e o mapeamento das casas de religiões de matriz africana, outras ações afirmativas estão na ordem do dia. Uma delas é a construção do Plano Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.

 

INDÍGENAS - Para as populações que resistem em suas terras, o Governo dispõe de políticas publicas específicas. Porém, os indígenas que vivem fora das aldeias, nos grandes centros urbanos, acabam socialmente marginalizados. As ações voltadas especialmente para este grupo exigem debate aprofundado.

 

Para participar, basta preencher o cadastro no site www.conapir2009.com.br , na seção "Conferência Virtual". Nas próximas semanas serão discutidos os seis eixos temáticos da Conferência, cujas contribuições serão encaminhadas à etapa nacional. Através de bate-papos, especialistas vão estimular a discussão das diretrizes sobre os temas a saber: Saúde, Educação e Cultura, Trabalho, Terra, Justiça e Segurança, e Política Internacional. A discussão continua no ar após o término dos bate-papos, no formato de fóruns, no qual todas as pessoas que se cadastrem poderão opinar.

 

Mais informações:
Coordenação de Comunicação Social
Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
Presidência da República
Esplanada dos Ministérios, Bloco A, 9º andar - 70.054-906 - Brasília (DF)
Telefone: (61) 3411-3659 / 4977