Grupos

Eram meninos e dificilmente se tornariam homens.

por Arísia Barros

http://www.cadaminuto.com.br/blog/blog-raizes-da-africa

 Eram todos pretos. A miséria que os rodeava tinha cor indefinida. Ou miséria tem cor? Eram todos pretos e estavam estranhamente rígidos feito transeuntes de efêmera passagem pela vida.

A morte os fazia mais pretos e de tão pretos, indigentes invisíveis. A invisibilidade demarcando espaço com a indiferença alheia. Foram mortos enquanto dormiam. Nenhum de bala perdida. A bala do racismo é certeira.
Eram todos pretos e dormiam no limbo de uma existência sem muita significação. Nem para eles. Nem para os outros. Praticavam pequenos roubos na vizinhança comercial e a noite dormiam em colchão de papelão disputado a tapas. Às vezes encontravam um saco de cimento...
O pequeno ainda usava uma chupeta pendurada no pescoço e a alma recheada do oco da cola de sapateiro.

Quantos anos? Talvez cinco. Mirrado. Sete? Quem sabe? Alguém quer saber?
A piedade cristã embrulha os corpos com jornais. Notícias fresquinhas de mortes iminentes. Sem mãe. Nem pai. Todos pretos. Todos meninos. Todos solidão. Todos passado.

Eram meninos diferentes de todos os outros que moram em nossas casas. Eram meninos com a selvageria das ruas. Vence quem mais esperto for. Eram meninos que não conheciam as letras, nem com elas formavam sonhos.

Eram meninos com a ferocidade que só o abandono provoca e demora uma vida para reabilitar. Eram meninos e dificilmente se tornariam homens.
Uma vez os vi disputando os restos de sanduíche dos lixos. Sanduíches e restos de papel higiênico.

Quantas vezes tomavam banho? Quem os aconselhava a escovar dentes. E antes de embrulhar-se com o saco de cimento qual oração pronunciavam?
Acreditavam em Deus? Tinham medo de escuro?

Eram todos meninos. Todos pretos. Todos pobres. Meninos pretos que morreram como homens.

 Assassinados.

 

quinta-feira, 10 de junho de 2010
Seminário reúne ativistas do movimento negro e educadores para conscientizar sobre a auto-afirmação no Censo 2010
José Demetrio
ascom/SEE

Ana carolina, representante da Unifem

O seminário “Afrodescendentes e o Censo 2010: A educação contribuindo para a autoafirmação, realizado no último dia 9, no auditório da Secretaria Estadual de Educação e Esportes, por meio da Gerência Étnicorracial e de Gênero reuniu ativistas do movimento negro de Alagoas, além de educadores, com o objetivo de conscientizar as pessoas para a importância da pesquisa realizada a cada dez anos, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e que este ano terá uma pergunta relacionada a cor da pele da população.

A auto-afirmação da população negra servirá para avaliar o modo de vida e dificuldades enfrentadas e para intensificar as ações governamentais, já que a maioria vive em condições precárias e não tem acesso a saúde e a educação. Até 2012, uma rodada de censos será executada em toda a América Latina, e uma rede formada por instituições de vários países está comprometida na divulgação e preocupada em relação a temática racial.

O Estado possui inúmeras comunidades que abrigam descendentes de quilombolas, atendidos por programas do governo Estadual e Federal. Desde o ano passado, a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial em Alagoas (Cojira-AL), o Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô/APN-AL e a Pastoral da Negritude da Igreja Batista do Pinheiro realizam palestras e ciclos de debates, como o “Tambor Falante” sobre a importância do Censo 2010.

José Demetrio
ascom/SEE