“Adoro vermelho. É a cor da dona da minha
cabeça”, diz Luislinda, referindo-se à orixá guerreira. A cor ela traz
até nos cabelos. “Acompanho a evolução”, diverte-se a juíza, que já
usou black power e concorreu a Miss Mulata em 1966. Ficou com o título
de Simpatia.
FICHA
Livro O negro no século XXI
Autora Luislinda Dias de Valois Santos
Editora Juruá H Preço R,90 (83 páginas)
Lançamento Quarta, às 19h30, na Saraiva Megastore (Salvador Shopping)
Causos da afrobaianidade
A história sempre foi o terreno de Ubiratan
Castro, mestre e doutor na matéria. Ex-presidente da Fundação Cultural
Palmares e atual diretor da Fundação Pedro Calmon, ele atua com a
preservação e divulgação da memória, sobretudo da negritude.
Em 2004, depois de uma viagem a Cabo Verde, na
África, ele resolveu ampliar seu raio de atuação, investindo na ficção.
Voltou pensando em colocar no papel histórias e causos ouvidos dos mais
velhos que, fatalmente, tendiam a cair no esquecimento. “A grande
riqueza do povo negro está na oralidade. Mas ela precisa ser passada
para outros meios”, diz Ubiratan, 60 anos.
E completa: “Veja o candomblé. Hoje, os meninos
não querem mais se formar alabês, eles querem é sair por aí tocando,
aparecendo na mídia”, diz, referindo-se aos músicos-sacerdotes.
De sua parte, cutucou a memória e escreveu
inicialmente algumas narrativas, reunidas no livro Sete histórias de
negro, de 2006. Com mais cinco contos e novo projeto gráfico, de Nelson
Araújo, o trabalho volta às prateleiras, rebatizado de Histórias de
negro ( Edufba).
O lançamento será nesta segunda-feira (24), às
18h, na Academia de Letras da Bahia (Nazaré). Destaque para as
ilustrações a partir de grafites de rua de Denis Sena. “São histórias
transmitidas no contexto de oralidade familiar”, define o autor,
acrescentando que elas tratam do “ordinário, do quotidiano, de homens e
mulheres comuns, negros todos”.
Falam de escravos, ex-escravos, pretos de
ganhos ou seus descendentes, a sacolejar pelas feiras, ruas e becos de
Salvador. Em Conta de somar, por exemplo, história que abre o livro, o
autor refaz com humor uma das muitas estratégias dos negros urbanos
para conseguir a sonhada alforria.
No caso, ludibriando intencionalmente o dono.
Para o historiador João José Reis,queassinaoprefácio,nos contos de
Ubiratan “combinam-se o contador de histórias e o historiador”. Ele
concorda.
Empolgado com a atividade, ele diz que lançará
um livro histórico no ano que vem, mas, na sequência, voltará à ficção.
Para isso, diz, vai à cata de novas lembranças e causos, com pessoas
ligadas ao candomblé ou à Irmandade do Rosário dos Homens Preto, da
qual faz parte.
“Cada negro letrado no Brasil tem a obrigação
de sistematizar as suas próprias lembranças. A experiência de cada um é
um trecho da realidade vivida”, considera Ubiratan.
FICHA
Livro Histórias de negro
Autor Ubiratan Castro de Araújo
Editora Edufba
Preço R (178 páginas)
Lançamento Hoje (segunda-feira), às 18h, na Academia de Letras da Bahia (Nazaré)