Denúncia - Conservatório Dramático agoniza
11:50 @ 28/06/2009
Conservatório Dramático agoniza
Enviado por: "Presidencia - Preserva SP" presidencia@preservasp.org.br erubies
Sáb, 27 de Jun de 2009 11:18 pm
Matéria do Estadão de hoje:
http://www.estadao.com.br/
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Aliás, quem quiser saber mais sobre o Conservatório, leia o meu artigo:
http://www.piratininga.org/
Conservatório Dramático de SP agoniza, em lugares emprestados
Escola de Mário de Andrade e Camargo Guarnieri não tem mais sede própria nem o acervo de clássicos
Renato Machado
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O piano isolado no fundo de uma sala de aula pouco lembra uma das mais importantes escolas de música de São Paulo. O Conservatório Dramático Musical foi, no século passado, um dos principais polos culturais da cidade e era frequentado por artistas renomados, como o músico e escritor Mário de Andrade e os maestros Camargo Guarnieri e Gomes Cardim. Mas o auditório e as salas de aula já não recebem o som dos instrumentos. Após ter o prédio desapropriado no ano passado, a instituição passou a funcionar em locais emprestados, com instrumentos de terceiros, e pode já não existir no próximo semestre.
As mais recentes dificuldades são consequência de dois decretos do então prefeito José Serra. Em um deles, foi determinada desapropriação do prédio onde a instituição funcionou por 99 anos para dar lugar à Praça das Artes - projeto para transformar em polo cultural o quarteirão atrás do Municipal. O outro passou para o poder público todo o acervo de 19 mil volumes da biblioteca, com livros raros, partituras manuscritas e os prontuários dos alunos. "Nós temos uma vida naquele prédio, mas conseguiríamos sobreviver em outro lugar. O nosso acervo, porém, é imprescindível, é a nossa história. Além disso, como vamos manter a faculdade, se o MEC (Ministério da Educação) exige uma biblioteca?", questiona o diretor do Conservatório, Júlio Navega.
A desapropriação foi concluída em junho do ano passado. Sem uma nova sede, a instituição levou de última hora computadores e documentos para uma sala emprestada pelo Sindicato dos Condutores de Transporte, também no centro. Os 20 pianos permanecem até hoje trancados no antigo prédio, enquanto que os instrumentos menores foram levados pelos professores para suas casas.
Um mês depois, a instituição se mudou para um espaço cedido pelo Centro Universitário da FEI, na Liberdade. "Nós ainda não estamos na rua porque amigos nos acolheram com a maior boa vontade. O espaço não é próprio para o ensino de música, mas somos muito gratos por ter esse apoio para tentar seguir em frente", diz Navega. O contrato inicial de comodato terminou em dezembro, mas foi estendido até julho deste ano. Ainda não foi acertada renovação.
As aulas acontecem em uma sala de aula comum. Um piano emprestado pelo restaurador de instrumentos Giovanni Arone foi colocado no fundo do espaço e as cadeiras são afastadas para os encontros. "O ensino está prejudicado pois não temos uma acústica ideal. Quando entram os instrumentos de sopro, parece que os vidros vão estourar", diz o professor Eduardo Escalante.
Escola espera por indenização de R$ 4,1 mi
Prefeitura já depositou quantia em juízo e reclama uma dívida de IPTU
RENATO MACHADO
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Um ano depois de sua desapropriação, o Conservatório Dramático Musical ainda não recebeu a indenização de R$ 4,1 milhões a que tem direito. A Prefeitura já depositou a quantia em juízo. Mas uma disputa entre as partes está provocando atraso da emissão do documento que prova que a instituição não tem dívidas. Sem isso, não há como sacar o dinheiro.
A Prefeitura diz que o Conservatório tem uma grande dívida de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e só vai liberar a certidão negativa quando for paga. Por outro lado, a instituição ameaça ir à Justiça - afirma que a cobrança do imposto é indevida. "Nós somos uma instituição declarada de utilidade pública, portanto temos isenção de IPTU", diz o advogado Luiz Arthur de Godoy.
A incerteza em relação à futura sede está afastando os alunos. Em julho do ano passado, foi realizado vestibular, mas nenhum aprovado se matriculou com medo de a instituição fechar. A instituição que chegou a ter 1,4 mil alunos nos anos 1930 terminou seu período no centro com 150. Agora são menos de dez, todos formandos do ensino superior que os diretores do Conservatório querem garantir que consigam concluir suas faculdades. Os cursos livres de instrumento estão parados desde a desapropriação do prédio.
A orquestra do conservatório também não ensaia desde dezembro. O grupo que já se apresentou nos principais teatros do Brasil e também na missa de canonização de Frei Galvão, com a presença do papa Bento XVI, manteve as atividades até o fim do ano num espaço cedido por uma loja maçônica na Rua São Joaquim, na Liberdade. Mas os alunos perderam a bolsa que recebiam e o maestro Ricardo Mielli deixou o grupo, já que estava sem salário desde maio. "Uma hora disseram para procurarmos os direitos na Justiça, então vimos que não tinha volta", diz Mielli. Dos cerca de 30 professores, menos de cinco estão na instituição - alguns são aposentados e têm outras rendas, como a professora Tereza Schnorrenberg.
PROCESSOS
O conservatório também pode ter sua situação prejudicada por processos de alunos que querem os diplomas. Como a Prefeitura desapropriou o acervo, inclusive os prontuários - para ter acesso aos de artistas ilustres, como Mário de Andrade -, a instituição não consegue formalizar a graduação.
Formada em 2004 em Composição e Regência, Audrey de Queiroz foi atrás de seu diploma, pois pretende cursar pós-graduação. "Eu me formei e não continuei na área, por isso não tive pressa. Mas agora estou precisando", diz ela, que vai entrar na Justiça se sua situação não se resolver. A Secretaria da Cultura reconhece que há documentos de alunos entre o material desapropriado, mas afirma que "está sendo estudado um corte cronológico que deve separar o acervo entre documento histórico e documento corrente".
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