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SOCIEDADE PARISIENSE DE ESTUDOS ESPÍRITAS

Estudo com base em um PPS (eslaides) recebido via e-mail em 23/11/2009

intitulado O 1°. Centro Espírita do Planeta com formatação de Mário Celso (mariocelso633@yahoo.com.br)

Pesquisa: Elio Mollo

 

Por iniciativa de Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo, surgiram em Paris, França, no ano de 1858 a Revista Espírita, dirigida por ele até sua desencarnação em março de 1869 e, também, a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (SPEE).

 

A Revista Espírita (Obras Póstumas, 2ª. parte) [1]

 

Em de 15 de novembro de 1857 na casa do sr. Dufaux, com a médium senhora E. Dufaux, Kardec tem o seguinte diálogo com os Espíritos: 

 

Pergunta. – Tenho a intenção de publicar um jornal espírita, pensais que chegarei a fazê-lo, e mo aconselhais? A pessoa à qual me dirigi, o Sr. Tiedeman, parece-me decidido a dar o seu concurso pecuniário.

Resp. – Sim, isso conseguirás com a perseverança. A idéia é boa, é preciso amadurecê-la antes.

 

Perg. – Temo que outros me antecedam.

Resp. – É necessário apressar-se.

 

Perg. – É o meu desejo, mas o tempo me falta. Tenho dois empregos que me são necessários, vós o sabeis; gostaria de poder a isso renunciar, a fim de consagrar-me inteiramente à coisa, sem preocupações estranhas.

Resp. – Não é preciso nada abandonar no momento; sempre se acha tempo para tudo; movimenta-te e conseguirás.

 

Perg. – Devo agir sem o concurso do Sr. Tiedeman.

Resp. – Agi com ou sem seu concurso; não te inquietes com ele, podes por isso passar.

 

Perg. – Tinha a intenção de fazer um primeiro número de experiência, a fim de colocar o jornal e fixar-lhe data, salvo continuar mais tarde, se for o caso; que pensais disso?

Resp. – A idéia é boa, mas um primeiro número não bastará; no entanto, é útil e mesmo necessário naquilo que abrirá o caminho ao resto. Nisso será preciso levar muito cuidado, de maneira a lançar as bases de um sucesso durável; se for defeituoso, mais valeria nada, porque a primeira impressão pode decidir seu futuro. É necessário se ligar, começando, sobretudo a satisfazer à curiosidade; deve encerrar, ao mesmo tempo, o sério e o agradável; o sério que ligará os homens de ciência, e o agradável que divertirá o vulgo; esta parte é essencial, mas a outra é a mais importante, porque sem ela o jornal não teria fundamento sólido. Em uma palavra, é preciso evitar a monotonia pela variedade, reunir a instrução sólida ao interesse, e isso será, para todos os trabalhos ulteriores, um poderoso auxiliar.

 

Em nota a estas resposta Allan Kardec completa:

 

“Apressei-me em redigir o primeiro número, e fi-lo aparecer em janeiro de 1858, sem disso nada ter dito a ninguém. Não tinha um único assinante e nenhum sócio capitalista. Fi-lo, pois, inteiramente aos meus riscos e perigos, e não ocorreu de me arrepender disso, porque o sucesso excedeu a minha expectativa. A partir de 1º de janeiro, os números se sucederam sem interrupção, e, como o Espírito previra, esse jornal se me tornou um poderoso auxiliar. Reconheci mais tarde que estava feliz por não ter um sócio capitalista, porque estava mais livre, ao passo que um estranho teria podido querer me impor suas idéias e sua vontade, e entravar a minha caminhada; só, não tinha que dar contas a ninguém, por pesada que fosse a minha tarefa como trabalho.”

 

Fundação da Sociedade Espírita de Paris (Obras Póstumas, 2ª. parte)

 

Em 1º. de abril de 1858

 

“Se bem que não haja aqui nenhum fato de previsão, menciono, para memória, a fundação da Sociedade, por causa do papel que desempenhou na marcha do Espiritismo, e das comunicações ulteriores às quais deu lugar.

 

Em torno de seis meses depois, tinha em minha casa, rua dos Martyrs, uma reunião de alguns adeptos, todas as terças-feiras. O principal médium era a Srta. Dufaux. Se bem que o local não pudesse conter senão 15 a 20 pessoas, às vezes nele se encontravam até 30. Essas reuniões ofereciam um grande interesse pelo seu caráter sério, e a alta importância das questões que ali eram tratadas; freqüentemente, viam-se ali príncipes estrangeiros e outras personagens de distinção.

 

O local, pouco cômodo pela sua disposição, evidentemente, tornou-se muito exíguo. Alguns, dos freqüentadores, propuseram se cotizar para alugar um mais conveniente. Mas, então, tornava-se necessário ter uma autorização legal, para evitar de ser atormentado pela autoridade. O Sr. Dufaux, que conhecia pessoalmente o Prefeito de polícia, se encarregou de pedi-la. A autorização dependia também do Ministro do Interior, que era então o general X (*) que era, sem que o soubéssemos, simpático às nossas idéias, sem conhecê-las completamente, e com a influência do qual a autorização que, seguindo uma fieira comum, teria exigido três meses, foi obtida em quinze dias.”

 

(*) Charles-Marie-Esprit Espinasse foi um general francês (#), nascido em Castelnaudary (Aude) 2 de Abril de 1815 e morreu em Magenta (Lombardia) a 4 de junho 1859. Filho de John e Robert Germaine. Entrou na Saint-Cyr em 1833 como sub-tenente do 47º. Regimento de Infantaria de Ligne. Em 17 de janeiro de 1841 ele foi capitão do regimento de infantaria onde foi gravemente ferido durante a campanha da Argélia 1835-1849. Após a primeira metade de sua carreira esteve na África junto a Legião Estrangeira, em seguida seguiu como tenente-coronel numa expedição à Roma. Foi nomeado coronel da lorsqu'eut linha 42, realizada em golpe de 2 de dezembro de 1851. Ele foi quem invadiu numa noite a Assembleia Nacional e apreendeu a Questors. Foi, também, major-brigadeiro e,depois do atentado do italiano Felix Orsini contra a vida de Napoleão Bonaparte III  tornou-se em Ministro do Interior (7 de fevereiro à 14 de junho de 1858) onde foi eleita a famosa lei da segurança geral. Foi Inspector-Geral de Infantaria de 1857 a 14 junho 1858, depois, foi nomeado senador. Casou-se em 1853 com Maria Festugière e tiveram três filhos. Morreu na guerra com a Itália, onde comandou uma divisão do corpo MacMahon na batalha de Magenta.

(Fonte: http://fr.wikipedia.org/wiki/Charles-Marie-Esprit_Espinasse).

 

(#) Citado na resposta à questão 37, O zuavo de Magenta, Revista Espírita de julho de 1859:

 

37. Vedes o general Espinasse?
- R. Não o vi ainda, mas espero muito ainda vê-lo.

 

Nessa mesma Revista Espírita em Um Oficial Superior Morto em Magenta. (Sociedade. 10 de junho de 1859.) encontramos a seguinte entrevista com general Espinasse (qq. 4 e 5) e uma nota de Kardec que nos leva a concluir que o General X é mesmo o oficial Charles-Marie-Esprit Espinasse :

4. Tínheis conhecimento da existência da nossa sociedade?
- R. Vós o sabeis.

Nota. - O oficial, do qual se trata, com efeito, concorreu para que a Sociedade obtivesse autorização para se constituir.

5. Sob qual ponto de vista consideráveis nossa sociedade, quando ajudastes a sua formação?
- R. Eu não estava ainda inteiramente fixado, mas me inclinava muito em crer, e sem os acontecimentos que sobrevieram, iria certamente instruir-me em vosso círculo.

 

Síntese do contexto social francês em 1858

 

A França, à época de Kardec, vivia tempos conturbados, por isso, o funcionamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (SPEE) dependia de autorização para seu funcionamento legal, o que não seria fácil conseguir.

 

Napoleão Bonaparte III foi imperador da França de 1852 até 1870, e era sobrinho do grande Napoleão.

 

Em 14 de janeiro de 1858 um revolucionário nacionalista italiano chamado Felix Orsini, perpetrou um atentado contra a vida de Napoleão III que, por pouco não foi assassinado, sendo que Orsini foi condenado à pena de morte pela guilhotina em 13 de março de 1858, poucos dias antes da fundação da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (SPEE). Este episódio provocou a sanção da Lei de Segurança Geral, que facultava ao Ministro do Interior a transladar ou exilar a qualquer cidadão francês que fosse reconhecido culpado de conspirar contra a segurança do estado. Era uma lei rigorosa, que se derrogou senão doze anos depois, em 1870. Aquele tempo era de convulsão política, a França estava sob a recente Lei de segurança desde 19 de fevereiro de 1858, por causa daquele atentado. Essa lei não permitia nenhuma reunião pública com mais de vinte pessoas em qualquer ambiente fechado. E o estatuto social  da SPEE tinha que ser submetido às autoridades sob este severo regime que trazia em seu conteúdo idéias novas e, assim provocariam sua atenção sobre o objetivo e os nomes dos seus participantes.

 

Era necessário que a SPEE obtivesse autorização para o seu funcionamento legal, mas dado a gravidade da situação política, como poderia ser solucionada essa situação? 

 

Então, quem autorizou o funcionamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (SPEE) foi general Charles-Marie-Esprit Espinasse, que Napoleão Bonaparte III o nomeou para ser o Ministro do Interior da França no qual exerceu esse cargo entre 7 de fevereiro 1858 até14 de junho 1858. A denominação completa do cargo era de Ministro do Interior e de Segurança Geral.

 

 

Essa autoridade era quem autorizava o funcionamento de atividades que reunissem “grupos com mais de 20 pessoas...”

 

Para funcionar legalmente e não ser incomodada, a SPEE precisaria transpor essas dificuldades que as circunstâncias da época impunham.

 

O sr. Dufaux, que participava da SPEE,  cuidou do caso, porque se dava com o Prefeito de Polícia de Paris, que seria a primeira autoridade a ser contatada ...

 

Mas, como a autorização dependia também do Ministro do Interior, foi aí que entrou em cena o general Espinasse, Ministro do Interior e de Segurança Geral.

 

 A autorização foi conseguida em menos de 15 dias, quando o tempo médio era de pelo menos três meses.

 

Constatação

 

O general Espinasse Exerceu o cargo por pouco mais de 4 meses. Observa-se que, no pouco tempo em que esteve na função foi o suficiente para que ele concedesse a autorização de funcionamento da SPEE.

 

A  autorização, para o funcionamento da SPEE foi conseguida em 13 de abril de 1858.

 

Posteriormente Kardec veio a saber que o general Charles Marie Esprit Espinasse era simpatizante da causa Espírita...

 

Kardec obteve essa informação, em entrevista mediúnica com o próprio general, seis dias após a desencarnação do mesmo.

 

O general Espinasse faleceu em 4 de junho de 1859, no terrível combate de Magenta (cidade da província de Milão, hoje pertencente à Itália).

 

  [2]

 

Continuando com a fundação da SPEE (Obras Póstumas, 2ª. parte)

 

"A Sociedade foi, então, regularmente constituída e se reunia todas as terças-feiras, no local que alugara no Palais Royal, galeria de Valois. Ali permaneceu um ano, de 1º. de abril de 1858 a 1º. de abril de 1859. Não podendo ali permanecer por mais tempo, se reunia, todas as quartas-feiras, num dos salões do restaurante Douix, no Palais Royal, galeria Montpensier, de 1º. de abril de 1859 a 1º. de abril de 1860, época em que ela se instalou num local próprio, rua e passagem Sainte Anne, 59.

 

A Sociedade, formada, no princípio, de elementos pouco homogêneos e de pessoas de boa vontade que eram aceitas com relativa facilidade, teve que sofrer numerosas vicissitudes, que não foram um dos menos penosos embaraços de minha tarefa.”

 

Placa homenageando o general Espinasse:

 

  [2]

 

Manuscrito de Allan Kardec:

 

 

Essa é a carta manuscrita de Allan Kardec INÉDITA Até setembro de 2008, não editada em nenhum livro.

 

O que dizia essa carta no idioma francês: 

 

 

  O que dizia essa carta no idioma português: 

 

"Ao Sr. Prefeito de polícia da cidade de Paris.

Sr. Prefeito:

Os membros fundadores do Círculo Parisiense de Estudos Espíritas, que solicitaram junto a vós a autorização necessária para constituir-nos em Sociedade, temos a honra de pedir-vos que consistais permitir-nos reuniões preparatórias, enquanto esperamos a a autorização regular. Com o mais profundo respeito, Sr. Prefeito, tenho a honra de ser vosso muito humilde e muito obediente servidor.


H. L. D. Rivail, dito Allan Kardec
Rua dos Mártires, nº. 8." [3]

 

“Outra observação digna de nota é a importante e corajosa identificação que o eminente Professor Hippolyte-Léon-Denizard-Rivail faz ao assinar a Carta com seu ilustre sobrenome e com seu digno pseudônimo respectivamente (Rivail - Kardec), oferecendo certamente o seu aval de pessoa séria e respeitada ante a autoridade municipal (Prefeito de Polícia de Paris) e nacional (Ministro do Interior), especificamente para a abertura da sociedade, na qual deveriam dispor por lei de uma autorização legal e oficial para encontro de um maior número de pessoas das que se reuniam em um Círculo.” [3]

 

No início, por cerca de seis meses, Kardec realizava as reuniões na própria residência, então situada à rua dos Mártires nº 8, junto com alguns adeptos (entre 8 a 10 pessoas), sempre às terças-feiras... O espaço era reduzido, impossibilitando o crescente número de estudiosos que ali compareciam

 

Kardec escreve sobre a autorização por portaria

do Sr. Prefeito de Polícia na Revista Espírita de maio de 1858 [4]

 

"SOCIEDADE PARISIENSE DE ESTUDOS ESPÍRITAS.
FUNDADA EM PARIS EM 1º. DE ABRIL DE 1858.

 

E autorizada por decreto do senhor Prefeito de Polícia, sobre o aviso de Sua Excelência, senhor Ministro do Interior e da segurança geral, em data de 13 de abril de 1858.

 

A extensão, por assim dizer, universal que tomam, cada dia, as crenças espíritas, fazem desejar vivamente a criação de um centro regular de observações; essa lacuna vem de ser preenchida. A Sociedade, da qual estamos felizes por anunciar a formação, composta exclusivamente de pessoas sérias, isentas de prevenção, e animadas do desejo sincero de se esclarecerem, contou, desde o início, entre seus partidários, homens eminentes pelo saber e posição social. Ela está chamada, disso estamos convencidos, a prestar incontáveis serviços para a constatação da verdade. Seu regulamento orgânico lhe assegura homogeneidade sem a qual não há vitalidade possível; está baseada na experiência de homens e de coisas, e sobre o conhecimento das condições necessárias às observações que fazem o objeto de suas pesquisas. Os estrangeiros que se interessam pela Doutrina Espírita encontrarão, assim, vindo a Paris, um centro ao qual poderão se dirigir para se informarem, e onde poderão comunicar suas próprias observações" (**).

 

(**) Para todas as informações relativas à Sociedade, dirigir-se ao senhor ALLAN KARDEC, rua Sainte-Anne, 59, de 3 às 5 horas; ou ao senhor LEDOYEM, livreiro, galeria d'Orleans, 31, no Palais-Royal.

 

Legalizada, passou a funcionar na GALERIA DE VALOIS, até 1º. de abril do ano de 1859.

 

[2]

 

 

Como realizavam-se as Sessões de Estudos na SPEE (Revista Espírita, setembro de 1858)

 

"(...)

 

A qualidade dos adeptos do Espiritismo merece uma atenção especial. São recrutados nas camadas inferiores da sociedade, entre as pessoas iletradas? Não; aqueles dele se ocupam pouco ou nada; foi pouco se dele ouviram falar. As próprias mesas girantes neles encontraram poucos praticantes. Até o presente, seus prosélitos estão nas primeiras classes da sociedade, entre as pessoas esclarecidas, os homens de saber e de raciocínio; e, coisa notável, os médicos, que durante tão longo tempo fizeram uma guerra encarniçada ao Magnetismo, se juntam sem dificuldade a essa doutrina; contamos um grande número deles, tanto na França quanto no estrangeiro, entre os nossos assinantes, em cujo número se encontra também uma maioria de homens superiores em todos os sentidos, notabilidades científicas e literárias, altos dignatários, funcionários públicos, oficiais generais, negociantes, eclesiásticos, magistrados, etc., todas pessoas sérias para dar o título de passatempo a um jornal que, como o nosso, não se considera capaz de recrear, e  ainda  menos  se  crêem  nele  encontrar  fantasias.

 

 A Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas não é uma prova menos evidente dessa verdade, pela escolha das pessoas que reúne; suas sessões são seguidas com um firme interesse, uma atenção religiosa, podemos mesmo dizer com avidez, e, todavia não se ocupa senão de estudos graves, sérios, freqüentemente muito abstratos, e não de experiências próprias para excitarem a curiosidade. Falamos do que se passa sob os nossos olhos, mas podemos dizê-lo igualmente de todos os centros onde se ocupa do Espiritismo sob o mesmo ponto de vista, porque quase por toda parte (como os Espíritos o haviam anunciado) o período de curiosidade chega ao seu declínio. Esses fenômenos nos fazem penetrar numa ordem de coisas tão grandes, tão sublimes que, ao lado dessas graves, questões um móvel que gira ou que bate é um brinquedo de criança: é o abe da ciência.

 

Aliás, sabe-se o que se examinar agora sobre a qualidade dos Espíritos batedores, e, em geral, daqueles que produzem efeitos materiais. Eles foram justamente chamados os saltimbancos do mundo espírita; por isso interessa-se menos por eles do que por aqueles que podem nos esclarecer.

 

Podem-se assinalar, à propagação do Espiritismo, quatro fases ou períodos distintos: 

 

1. A da curiosidade, na qual os Espíritos batedores desempenharam o papel principal para chamar a atenção e preparar os caminhos.

 

2. A da observação, na qual entramos, e que pode-se chamar o período filosófico. O Espiritismo é aprofundado e se depura, tende à unidade da doutrina e se constitui em ciência.

 

Virão em seguida: 

 

3. O período da admissão, no qual o Espiritismo tomará uma categoria oficial entre

as crenças universalmente reconhecidas.

 

4. O período de influência sobre a ordem social. Será então que a Humanidade, sob

a  influência  dessas  idéias,  entrará  em  um  novo  caminho  moral.  Essa  influência,  desde hoje, é individual; mais tarde, agi sobre as massas para o bem geral.

 

(Continua)

 

Assim, de um lado, eis uma crença que se propaga no mundo inteiro por si mesma, pouco a pouco, e sem nenhum dos meios usuais de propaganda forçada; de outro, essa mesma crença que se enraíza, não na base da sociedade, mas na sua parte mais esclarecida. Não há, nesse duplo fato, alguma coisa bem característica e que deve levar à reflexão todos aqueles que ainda tratam o Espiritismo de sonho fútil. Ao contrário de muitas outras idéias  que  partem  da  base,  grosseiras  ou  desnaturadas,  e  não  penetram  senão depois de longo tempo nas camadas superiores onde se depuram, o Espiritismo parte do alto, e não chegará às massas senão liberto das idéias falsas, inseparáveis das coisas novas.

 

Todavia, é preciso convir que não ainda, em muitos adeptos, senão uma crença latente; o medo do ridículo em alguns, em outros o medo de melindrar certas suscetibilidades,  em  seu  prejuízo,  os  impedem  de  ostentarem  francamente  suas  opiniões;  isso  é pueril, sem dúvida, e todavia o compreendemos; não se pode pedir, a certos homens, o que a Natureza não lhes deu: a coragem de afrontar o Que dirão disso; mas quando o Espiritismo estiver em todas as bocas, e esse tempo não está longe, essa coragem virá aos mais tímidos. Uma mudança notável se operou, desde algum tempo, sob esse assunto; fala-se dele mais abertamente: arrisca-se, e isso faz abrir os olhos aos próprios antagonistas, que se perguntem se é prudente, no interesse de sua própria reputação, combater uma crença que, bom grado, mal grado, se infiltra por toda parte e encontra seus apoios no topo da sociedade. Também o epíteto de louco, tão largamente prodigalizado aos adeptos, começa a se tornar ridículo; é um lugar comum que se usa e volta ao trivial, porque cedo os loucos serão mais numerosos do que as pessoas sensatas, e já mais de um crítico estão alinhados ao seu lado; de resto, é o cumprimento do que os Espíritos anunciaram dizendo que: Os maiores adversários do Espiritismo dele se tornarão os mais dedicados partidários e os mais ardentes propagadores."

 

Aviso sobre a mudança da SPEE para nova sede (Revista Espírita, janeiro de 1859) 

 

"Aviso. As sessões que ocorriam às terças-feiras, ocorrem agora nas sextas-feiras, no novo local da Sociedade, rua Montpensier, 12, no Palais-Royal, às 8 horas da noite.

Os estranhos nelas não são admitidos senão na segunda e na quarta sextas-feiras, a menos com cartas pessoais de entrada. - Dirigir-se, para tudo o que concerne à Sociedade, ao senhor Allan Kardec, rua dos Mártires, 8, ou ao senhor Le Doyen, livreiro, galeria de Orléans, 31, no Palais-Royal."


ALLAN KARDEC.

 

Sobre as críticas acerbas e injuriosas (Revista Espírita, março de 1859)

 

"(...)

 

A Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, composta de homens honrados pelo seu saber e sua posição, tanto na França quanto no Estrangeiro, médicos, literatos, artistas, funcionários, oficiais, negociantes, etc., recebendo, cada dia, as mais altas notabilidades sociais, e correspondendo com todas as partes do mundo, está acima das pequenas intrigas do ciúme e do amor-próprio; ela persegue seus trabalhos na calma e no recolhimento, sem se inquietar com piadas que não poupam mesmo as mais respeitáveis corporações.

 

 (...)"

 

Na passagem Sant’Ana, nº. 59 

 

De 1º. de abril de 1859, até 1º. de abril de 1860, nas sextas-feiras, a SPEE funcionou na galeria MONTPENSIER, mais precisamente na passagem Sant’Ana,nº. 59.  (***)

 

[2]

 

(***) A fundação da Sociedade de Estudos Espíritas Parisiense (SPEE) se deu em de abril de 1858, onde começou a funcionar na galeria de Valois, no Palais-Royal. Um ano depois e até 1º. de abril de 1860 a SPEE realizou suas sessões numa outra ala do mesmo edifício, em salão do restaurante Douix, na galeria Montpensier. A partir desta última data, a Sociedade passou a funcionar em sede própria, na passagem Sainte-Anne, na rua Sainte-Anne, 59. [5]
 

Os objetivos da SPEE (Revista Espírita, maio de 1859 em refutação a um artigo de "L'Universes")

 

"(...)

 

A Sociedade, da qual falais, definiu seu objetivo por seu próprio título; o nome de: Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas não se parece com nada de uma seita; tem-lhe tão pouco caráter, que seu regimento lhe interdita ocupar-se de questões religiosas; ela está alinhada na categoria de sociedades científicas porque, com efeito, seu objetivo é estudar e aprofundar todos os fenômenos que resultam das relações entre o mundo visível e o mundo invisível; ela tem seu presidente, seu secretário, seu tesoureiro, como todas as sociedades; não convida o público às suas sessões; ali não se faz nenhum discurso, nem nada que tenha o caráter de um culto qualquer. Ela procede aos seus trabalhos com calma e recolhimento, primeiro porque é uma condição necessária para as observações; segundo, porque sabe o respeito que se deve àqueles que não vivem mais na Terra. Chama-os em nome de Deus, porque crê em Deus, em seu todo poder, e sabe que nada se faz neste mundo sem a sua permissão. Abre a sua sessão por uma chamada geral aos bons Espíritos, porque, sabendo que os há bons e maus, prende-se a que estes últimos não venham misturar-se fraudulentamente às comunicações que recebem e induzi-la em erro.

 

O que isso prova?

 

Que não somos ateus; mas isso não implica, de nenhum modo, que sejamos religiosos; é do que deveria convencer-se a pessoa que vos narrou o que se faz entre nós, se ela tivesse seguido nossos trabalhos, e se, sobretudo, os julgasse menos levianamente, e talvez com espírito menos prevenido e menos apaixonado.

 

Os fatos protestam, pois, por si mesmos, contra a qualificação de nova seita que destes à Sociedade, por falta, sem dúvida, de melhor conhecê-la.

 

(...)"

 

OBS: Os grifos são de responsabilidade do A ERA DO ESPÍRITO.

 

Allan Kardec pede demissão da SPEE

(Revista Espírita, julho de 1859 - Encerramento do ano social [1858-1859])

 

"(...)

 

O interesse que se tomava por essas reuniões, era crescente, embora não se ocupasse senão de coisas muito sérias; pouco a pouco, de um e de outro, o número dos assistentes aumentava, e meu modesto salão, muito pouco propício para uma assembléia, tomou-se insuficiente. Foi então que, alguns dentre vós, propuseram se procurasse um lugar mais cômodo, e se cotizarem para subvencionar os gastos, não achando justo que eu os suportasse sozinho, como fizera até aquele momento. Mas, para se reunir regularmente, além de um certo número, e no local estranho, era necessário conformar-se às prescrições legais, era necessário um regulamento, e, conseqüentemente, um presidente como titular; enfim, era necessário constituir uma sociedade; o que ocorreu com o consentimento da autoridade, cuja benevolência não nos faltou. Era necessário também imprimir aos trabalhos uma direção metódica e uniforme, e consentistes em me encarregar de continuar o que fazia em minha casa, em nossas reuniões particulares.

Trouxe para minhas funções, que posso dizer laboriosas, toda a exatidão e todo o devotamento de que era capaz; do ponto de vista administrativo, esforcei-me por manter, nas sessões, uma ordem rigorosa, e dar-lhe um caráter de gravidade, sem o qual o prestígio de assembléia séria teria logo desaparecido. Agora que minha tarefa terminou, e que o impulso foi dado, devo vos participar a resolução que tomei de renunciar, para o futuro, a toda espécie de função na Sociedade, mesmo a de diretor dos estudos; não ambiciono senão um título, o de simples membro titular, com o qual estarei sempre feliz e honrado. O motivo de minha determinação está na multiplicidade dos meus trabalhos, que aumentam todos os dias em razão da extensão das minhas relações, porque além daqueles que conheceis, preparo outros mais consideráveis, que exigem longos e laboriosos estudos, e não absorverão menos de dez anos; ora, os da Sociedade não deixam de tomar muito tempo, seja para a preparação, seja para a coordenação e a cópia correta. Por outro lado, eles reclamam uma assiduidade freqüentemente prejudicial às minhas ocupações pessoais, e que tomam indispensável a iniciativa, quase exclusiva, que me deixastes. Foi por causa disso, Senhores, que tive que tomar tão freqüentemente a palavra, lamentando a miúdo que os membros eminentemente esclarecidos que possuímos nos privassem de suas luzes. Já há muito tempo tinha o desejo de demitir-me de minhas funções; eu o expressei, de um modo muito explícito, em diversas circunstâncias, seja aqui, seja em particular a vários de meus colegas, e notadamente ao senhor Ledoyen. Tê-lo-ia feito mais cedo sem o temor de trazer perturbação à Sociedade, retirando-me ao meio do ano, podendo se crer em uma defecção; e não era necessário dar essa satisfação aos nossos adversários. Portanto, deveria cumprir minha tarefa até o fim; mas hoje, quando esses motivos não mais existem, apresso-me em vos participar a minha resolução, a fim de não entravar a escolha que fareis. É justo que cada um tenha sua parte de encargos e de honras.

 

(...)"

 

"Boletim da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (Revista Espírita, julho de 1859)

 

Publicaremos no futuro o comentário regular das sessões da Sociedade. Contávamos fazê-lo a partir deste número, mas a quantidade de matérias nos obrigou a adiá-lo para a próxima entrega. Os Sócios que não residem em Paris, e os membros correspondentes, poderão assim seguir os trabalhos da Sociedade. Limitar-nos-emos a dizer hoje que, apesar da intenção do que o senhor Allan Kardec havia expressado em seu discurso de encerramento de renunciar à presidência, quando da renovação da secretaria, ele foi reeleito por unanimidade com uma abstenção e um voto em branco. Acreditaria mal responder a um testemunho assim elogioso persistindo em sua recusa. Ele não aceitou, todavia, senão condicionalmente e sob a reserva expressa de renunciar às suas funções no momento que a Sociedade se encontrasse em condições de oferecer a presidência a uma pessoa cujo nome e posição social fossem de natureza a dar-lhe um maior relevo; sendo seu desejo poder consagrar todo o seu tempo aos trabalhos e aos estudos que ela demanda."

 

Origem, fundação, e crescimento da SPEE

(Revista Espírita,  julho de 1859 - Encerramento do ano social [1858-1859])

 

"(...)

 

Depois de um ano, a Sociedade viu crescer rapidamente sua importância; o número de membros titulares triplicou em alguns meses; tendes numerosos correspondentes nos dois continentes, e os auditores ultrapassariam o limite do possível se não se pusesse um freio pela estrita execução do regulamento. Contastes, entre estes últimos, as mais altas notabilidades sociais e mais de uma ilustração. O zelo que se toma em solicitar admissão em vossas sessões testemunha o interesse que se tem por elas, não obstante a ausência de toda experimentação destinada a satisfazer a curiosidade, e talvez mesmo em razão de sua simplicidade. Se todos não saem dela convencidos, o que seria pedir o impossível, as pessoas sérias, aquelas que não vêm com uma intenção de difamação, levam da gravidade dos vossos trabalhos uma impressão que as dispõem a aprofundar essas questões. De resto, não temos senão que aplaudir as restrições que colocamos para a admissão de ouvintes estranhos: evitamos assim a massa de curiosos importunes. A medida com a qual limitastes essa admissão a certas sessões, reservando as outras unicamente para os membros da Sociedade, resultou por vos dar maior liberdade nos estudos, que a presença de pessoas ainda não iniciadas e cujas simpatias não estão asseguradas, poderiam entravar.

 

(...)"

 

Continuação das Obras Espíritas (O Que é o Espiritismo (1859)) [6]

Sociedade para a continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec - Rua de Lille, 7

 

Visitante – Tendes uma sociedade [SPEE] que se ocupa desses estudos; ser-me-ia possível fazer parte dela?

 

A.K. – Seguramente não, para o momento. Se para ser recebido não é necessário ser doutor em Espiritismo, é preciso, ao menos, ter sobre esse assunto idéias mais sólidas que as vossas. Como ela não quer ser perturbada em seus estudos, não pode admitir aqueles que lhe viriam fazer perder seu tempo com questões elementares, nem aqueles que, não simpatizando com seus princípios e suas convicções, nela lançariam a desordem com discussões intempestivas ou um espírito de contradição. É uma sociedade científica, como tantas outras, que se ocupa em aprofundar os diferentes princípios da ciência espírita, e que busca se esclarecer. É o centro para onde convergem as informações de todas as partes do mundo, e onde se elaboram e se coordenam as questões relacionadas com o progresso da ciência; mas não é uma escola, nem um curso de ensinamentos elementares. Mais tarde, quando vossas convicções estiverem formadas pelo estudo, ela verá se poderá vos admitir. Até lá, podereis assistir, quando muito, a uma ou duas sessões como ouvinte, com a condição de nela não fazer nenhuma reflexão de natureza a magoar ninguém, sem o que, eu, que aí vos terei introduzido, me exporei à censura da parte dos meus colegas, e a porta da sociedade lhe será fechada para sempre. Vereis aí uma reunião de homens graves e de boa companhia, cuja maioria se recomenda pela superioridade do seu saber e sua posição social, e que não permitiria que aqueles que ela quer admitir se afastem, no que quer que seja, das conveniências; porque não creiais que ela convida o público e que chama a qualquer um para as suas sessões. Como não faz demonstrações, tendo em vista satisfazer a curiosidade, ela afasta com cuidado os curiosos. Portanto, aqueles que crêem aí encontrar uma distração, e uma espécie de espetáculo, ficariam desapontados e melhor fariam se a ela não se apresentassem. Eis porque ela recusa admitir, mesmo como simples ouvintes, aqueles que lhes são desconhecidos, ou cujas disposições hostis são notórias.

 

Boletim da SPEE (Revista Espírita, agosto de 1859)

 

"Nota. A partir de hoje, publicamos, como havíamos anunciado, o Boletim dos trabalhos da Sociedade. Cada número conterá os das sessões que ocorreram no mês precedente. Esses boletins não conterão senão o resumo sucinto dos trabalhos e das atas de cada sessão; quanto às comunicações mesmas que nelas são obtidas, assim como as de origem estrangeira da qual foi feita a leitura, sempre as publicamos integralmente, todas as vezes que elas ofereçam um lado útil e instrutivo. Continuaremos a fazê-lo lembrando, como o fizemos até o presente, a data das sessões que elas ocorreram. A grande quantidade de matérias e as necessidades da classificação, freqüentemente, nos obrigam a modificar a ordem de certos documentos; mas isso não leva a nenhuma conseqüência, já que, cedo ou tarde, encontram seu lugar."

 

O objetivo da SPEE é o estudo da Ciência (Espírita) (Revista Espírita, dezembro de 1859)

 

"(...)

 

A Sociedade não visa de nenhum modo o aumento indefinido de seus membros; ela quer, antes de tudo, prosseguir seus trabalhos com calma e recolhimento, e por isso deve evitar tudo o que poderia perturbá-la. Sendo seu objetivo o estudo da ciência, é evidente que cada um está perfeitamente livre para discutir os pontos controvertidos, e emitir sua opinião pessoal; mas outra coisa é dar seu conselho, ou chegar com idéias sistemáticas ou preconcebidas, em oposição com as bases fundamentais. Estamos reunidos para o estudo e a observação, e não para fazer de nossas sessões uma arena de controvérsias. Devemos, aliás, nos referir sobre esse ponto aos conselhos que nos foram dados, em muitas circunstâncias, pelos Espíritos que nos assistem, e que nos recomendam, sem cessar, a união como condição essencial para atingir o objetivo a que nos propusemos, e para obter seu concurso. "A união faz a força, nos dizem; sede, pois, unidos se quereis ser fortes; de outro modo corteis o risco de atrair os Espíritos levianos, que vos enganarão." Eis porque não poderíamos dar mais atenção sobre os elementos que introduzimos entre nós.

 

(...)"

 

Sobre condutas inconvenientes nas sessões da SPEE (Revista Espírita, dezembro de 1859)

 

"(...)

 

O senhor presidente mencionou a conduta pouco conveniente de dois auditores admitidos na última sessão geral, os quais perturbaram a tranqüilidade de seus vizinhos pelas suas conversas e suas palavras deslocadas. Lembrou, a este propósito, os artigos do regulamento relativos aos ouvintes e convidou de novo os Senhores membros da Sociedade a ter uma excessiva reserva sobre a escolha de pessoas às quais dão as cartas de introdução, e sobretudo se absterem, de modo mais absoluto, de dá-las a alguém que não fosse atraído senão por um simples motivo de curiosidade, e mesmo a quem, não tendo nenhuma noção preliminar do Espiritismo, estaria, por isso mesmo, na impossibilidade de compreender o que se faz na Sociedade. As sessões da Sociedade não são um espetáculo; deve-se assistir a elas com recolhimento; e aqueles que não querem senão distrações, não devem vir procurá-las numa reunião séria.

 

(...)"

 

Alguns personagens citados nesta pesquisa

 

Napoleão III > Imperador da França, na época em que a SPEE preparava-se para ser legalizada.

 

General Espinasse > como autoridade competente, foi quem autorizou o funcionamento legal, da SPEE. Foi nomeado ao importante cargo, por Napoleão III;

 

Sr Dufaux > Por conhecer pessoalmente o Prefeito de Polícia de Paris (que era a primeira autoridade a ser contatada), foi quem se encarregou do caso “autorização” para o funcionamento regular da SPEE;

 

Srta. Ermance Dufaux > Atuava como a médium principal nas reuniões. Era filha do sr. Dufaux;

 

Sr Roze > Também médium, juntamente com Alfred Didier, Didier Filho, Forbes, Collin, Pécheur, Darcol, Flammarion, além de outros, são os mais citados por Kardec;

 

São Luiz > “Presidente-espiritual” da SPEE; Foi, na França, em encarnação passada, o rei Luiz IX. 

 

FONTES DESTA PESQUISA:

[1] Obras Póstumas - Allan Kardec (1869)

[2] Revista O Reformador (FEB) – Edição Abril 2008 (Imagens)

[3] Federação Espírita do Paraná (FEP) http://www.feparana.com.br/kardec.php?cod_item=87

[4] Coleção da Revista Espírita (1858-1859) - Allan Kardec

[5] WANTUIL, Zêus.; THIESEN, Francisco. Allan Kardec: pesquisa biobibliográfica e ensaios de interpretação. v. III. 4. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1998. Cap. 1, item 3, Société Parisienne des Études Spirites. (Ver  Revista O Reformador (FEB) – Edição Abril 2008)

[6] O Que é o Espiritismo - Allan Kardec (1859)

 

Sobre os animais

23:59 @ 25/08/2011

Sobre os animais, este é um assunto que intriga e fascina. No tempo de Kardec, meados do século XIX, é um fato, que Kardec não teve o tempo de vida necessário para desenvolver ainda mais a primeira obra espírita, O Livro dos Espíritos, ou quem sabe escrever uma obra a parte para tratar sobre a alma dos animais.

 

Se bem que os Espíritos em respostas a diversas questões dessa obra, deixaram pistas importantes sobre a evolução do princípio inteligente nos diversos reinos e dimensões que o Universo comporta. Contudo, o codificador do Espiritismo  na Revista Espírita de dezembro de 1865, deu a seguinte explicação para este fato: "UM OUTRO MOTIVO HAVIA FEITO ADIAR A SOLUÇÃO RELATIVA AOS ANIMAIS. ESSA QUESTÃO TOCA PRECONCEITOS HÁ MUITO TEMPO ENRAIZADOS E QUE TERIA SIDO IMPRUDENTE CHOCAR DE FRENTE". Quer dizer, necessitava ele de argumentos mais sólidos para seguir adiante, por isso, nesse mesmo artigo disse que: "QUANDO VIER A SOLUÇÃO DEFINITIVA, EM QUALQUER SENTIDO QUE ELA OCORRA, DEVERÁ SE APOIAR SOBRE OS ARGUMENTOS PEREMPTÓRIOS QUE NÃO DEIXARÃO NENHUM LUGAR À DÚVIDA;...".

 

Referindo-se a resposta dada pelos Espíritos a questão 540, disse ele ainda nesse artigo que "O ESPIRITISMO VEIO DAR UMA IDÉIA-MÃE, E PODE-SE VER O QUANTO ESTA IDÉIA É FECUNDA."  Com certeza, ele tinha razão em seu motivo, tanto que numa das importantes pistas deixada in LE os espíritos disseram: "...TUDO SERVE, TUDO SE ENCADEIA NA NATUREZA, DESDE O ÁTOMO PRIMITIVO ATÉ O ARCANJO, POIS ELE MESMO COMEÇOU PELO ÁTOMO. ADMIRÁVEL LEI DE HARMONIA, DE QUE O VOSSO ESPÍRITO LIMITADO AINDA NÃO PODE ABRANGER O CONJUNTO! "

 

Podemos perceber, que que ainda hoje, apesar do avanço da ciência relacionado a esta temática, as novas informações dentro do Movimento Espírita, ainda geram, espanto, ranger de dentes, comentários, perguntas bizarras e exóticas, mas também,  abrem e iluminam mentes com sede de saber, pois é um desses temas que nos levam a conhecer a nossa origem, e servem para alavancar o conhecimento sobre a alma dos animais e o seu porvir.

http://super.abril.com.br/superarquivo/2005/conteudo_125520.shtml

http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/por_que_alguns_animais_sao_tao_inteligentes__imprimir.html

http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/genio_da_selva_imprimir.html

http://www.caesegatos.com.br/noticias.php?id=1288225097

http://www.greepet.vet.br/intelig.php

 

Assim, se não fizermos um estudo profundo, primeiramente, dentro das obras básicas este tema dificilmente se tornará claro, porque se faz muita confusão entre alma ou princípio inteligente ou espírito elementar e Espírito, os seres que povoam o Universo além do mundo material. Diferente de Darwin que trata sobre a evolução das espécies, o Espiritismo trata afirmativamente da evolução do princípio inteligente ou alma.

 

Houve um grande esforço do codificador desde a Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita, no O Livro dos Espíritos, para explicar o significado da palavra ALMA em relação a Doutrina Espírita, quanto a isso, assim diz ele:  "...outra palavra sobre a qual igualmente devemos entender-nos porque é uma das chaves de toda doutrina moral e tem suscitado numerosas controvérsias por falta de uma acepção bem determinada: é a palavra alma."

 

Neste mesmo capítulo da introdução de LE,  que trata da Alma, Princípio Vital e Fluido Vital, Kardec diz ser dever insistir o tanto que for necessário para explicar o real significado da  palavra ALMA, informando que "poder-se-ia, assim dizer, e talvez fosse o melhor,

 

· a alma vital - indicando o princípio da vida material; (Ver qq. de 60 em diante de LE) (*)

· a alma intelectual - o princípio da inteligência, e (ver q. 23 de LE)

· a alma espírita - o da nossa individualidade após a morte. (ver q. 76 de LE)


Como se vê, tudo isto não passa de uma questão de palavras,
mas questão muito importante quando se trata de nos fazermos entendidos. De conformidade com essa maneira de falar,

 

· a alma vital seria comum a todos os seres orgânicos: plantas, animais e homens; (Ver qq. de 60 em diante de LE)

· a alma intelectual pertenceria aos animais e aos homens; e (ver q. 23 de LE) (1)

· a alma espírita somente ao homem. " (ver q. 76 de LE)

 

(*) O princípio vital é a força motriz dos corpos orgânicos. (Allan Kardec in nota a q. 67 de LE)

 

Por isso, é necessário procurar entender o que significa a ALMA na sua essência e de acordo com a Doutrina Espírita. Comecemos, então, pelas respostas que  os Espíritos deram as resposta às q. 23, 27 e 76 de LE.

 

23. Que é o espírito?

-- O princípio inteligente do Universo.

 

Na resposta à questão 27 os Espíritos afirmam que "existem dois elementos gerais no Universo a matéria e o espírito" (princípio inteligente, espírito elementar ou alma).

 

Logo na primeira vista podemos perceber que nas duas perguntas, a palavra espírito, como geralmente e encontrada ao longo das obras básicas, nesta pergunta, a letra "e" da palavra espírito esta escrita em letra minúscula e não em maiúscula. Para entendermos do porquê disso, vamos primeiro ver o que diz Kardec na obra O Que é o Espiritismo, cap. II, Dos Espíritos, em nota ao item  14:

 

· A alma é, assim, um ser simples; (q. 23 de LE)

· o Espírito um ser duplo e (q. 76 de LE)

· o homem um ser triplo. (Kardec em nota a q. 135 de LE) (2)

 

Em dois artigos da  Revista Espírita de maio de 1864 e janeiro de 1866, encontramos informações semelhantes:

http://www.aeradoespirito.net/RevistaEspHTML/VIDA_DE_JESUS_SR_RENAN.html

http://www.aeradoespirito.net/RevistaEspHTML/O_ESPIR_FILOS_CONH_USUAIS.html

 

Continuando na nota de Kardec ele diz que "Seria portanto mais exato reservar a palavra alma para designar o princípio inteligente, e a palavra Espírito para o ser semimaterial formado desse princípio e do corpo fluídico. Mas como não se pode conceber o princípio inteligente sem ligação material, as palavras alma e Espírito são, no uso comum, indiferentemente empregadas uma pela outra; é a figura que consiste em tomar a parte pelo todo, da mesma forma que se diz que uma cidade é habitada por tantas almas, uma vila composta de tantas casas; porém, FILOSOFICAMENTE É ESSENCIAL FAZER-SE A DIFERENÇA."

 

Para fazermos essa diferença, é necessário, analisarmos a resposta à q. 76 de LE e depois as perguntas e respostas das questões 134a e 149 de LE:

 

76. Como podemos definir os Espíritos?

-- Podemos dizer que os Espíritos são os seres inteligentes da Criação. Eles povoam o Universo, além do mundo material.

 

Atentemos também para a nota de Kardec dada para essa resposta dos Espíritos: "A palavra Espírito é aqui empregada para designar os seres extra-corpóreos e não mais o elemento inteligente Universal."

 

Aqui se trata do ser duplo, ou seja, de um ser composto de alma ou princípio inteligente com perispírito (3). Esses seres povoam o mundo dos Espíritos, ALÉM, do mundo material.

 

Agora para perceber como em sua sensatez Kardec fazia a diferença entre a Alma ou Princípio Inteligente e Espírito vamos atentar para as perguntas 134a e 149 de LE e suas consecutivas respostas:

 

134-a. O que era a alma, antes de unir-se ao corpo?
-- Espírito.

 

149. Em que se transforma a alma no instante da morte?
-- Volta a ser Espírito, ou seja, retorna ao mundo dos Espíritos, que ela havia deixado temporariamente.

 

Acredito que agora fica mais fácil entender a pergunta e a resposta da q. 134 de LE:

 

134. O que é a alma?

-- Um Espírito encarnado.

 

Não?!

 

Então, atentemos, porque este capitulo II, do livro segundo de LE trata da ENCARNAÇÃO DOS ESPÍRITOS, ou dos seres que povoam o Universo além do Mundo material e não do princípio inteligente, como trata a resposta da q. 23 de LE.

 

Sendo assim, a alma do CORPO FÍSICO é composta de um Espírito encarnado, ou seja, de um princípio inteligente com o seu corpo perispiritual, e assim podemos entender da essencialidade de FILOSOFICAMENTE FAZER-SE A DIFERENÇA.

 

Vejamos ainda o item 13 da obra O Que é o Espiritismo, cap. II, Dos Espíritos, para percebermos melhor essa diferença:

 

·  A união da alma, do perispírito e do corpo material constitui o homem; (Kardec em nota a q. 135 de LE)

·  a alma e o perispírito separados do corpo constituem o ser chamado Espírito. (q. 76 de LE)

 

Em refutação aos que acusavam o Espiritismo de materializar a alma dando-lhe um corpo semimaterial, o codificador do espiritismo afirma, em boa lógica e sensatamente na Revista Espírita de dezembro 1862, Causas da Obsessão e meios de Combate:

 

"Agora outro parêntese para responder a uma objeção oposta por alguns à teoria dada pelo Espiritismo do estado da alma. Acusam-no de materializar a alma, ao passo que, conforme à religião, a alma é puramente imaterial. Como a maior parte das outras, esta objeção provém de um estudo incompleto e superficial. O Espiritismo jamais definiu a natureza da alma, que escapa às nossas investigações. Não diz que o perispírito constitua a alma: o vocábulo perispírito diz positivamente o contrário, pois especifica um envoltório em torno do Espírito. Que diz a respeito o Livro dos Espíritos? “Há no homem três coisas: a alma, ou espírito, princípio inteligente; o corpo, envoltório material; o perispírito, envoltório fluídico semi-material, servindo de laço entre o Espírito e o Corpo.” E porque, com a morte do corpo, a alma conserva o envoltório fluídico, não está dito que tal envoltório e a alma sejam uma só e mesma coisa, pois que o corpo não é único com a roupa ou alma não é una com o corpo. A Doutrina Espírita nada tira à imaterialidade da alma. Apenas lhe dá dois invólucros, em vez de um, durante a vida corpórea e só um após a morte do corpo, o que é, não uma hipótese, mas um resultado da observação. E é com o auxílio desse envoltório que melhor se compreende a sua individualidade e melhor se explica a sua ação sobre a matéria."

 

E na Revista Espírita de Junho  1863, Algumas Refutações, (2º. artigo), continua no mesmo diapasão:

 

"O Espiritismo é acusado, por alguns, de estar fundado sobre o mais grosseiro materialismo, porque admite o perispírito, que tem propriedades materiais. É ainda uma falsa conseqüência tirada de um princípio incompletamente informado. JAMAIS o Espiritismo confundiu a ALMA com o PERISPÍRITO, que não é senão um envoltório, como o corpo dele é um outro. Tivesse ela dez envoltórios, isso não tiraria nada à sua essência imaterial."

 

Concluindo sobre a necessidade de se fazer a diferença sugerida por Kardec entre Alma e Espírito, prestemos atenção a este dizer do Espírito Lamennais encontrada no item 51 de O Livro dos Médiuns: "...Para progredir, a alma necessita sempre de um instrumento, sem o qual ela não seria nada...". Perceberam o uso da palavra ALMA, pois é, trata-se do princípio inteligente conforme a resposta a q. 23 de LE ou do espírito elementar fazendo abstração absoluta do perispírito.

 

Ainda nesse item de LM, o Espírito Lamennais diz: "Vós pesquisais o perispírito, e nos atualmente, pesquisamos a alma. Esperai, pois". Podemos dizer que esse tempo do esperais pois, chegou, depois de tantos estudos sobre o períspirito, ou seja, de falar do Espírito, o ser duplo, chegou o momento de estudarmos para conhecer melhor a Alma ou Princípio Inteligente ou espírito elementar ou ainda do espírito considerado em si mesmo e feita total abstração do seu perispírito ou invólucro semi-material.

 

Fazendo essa diferença como sugere Kardec, vamos estudar agora o capítulo que trata dos três reinos in LE, e atentar para evolução do princípio inteligente em suas diversas fases e agindo no Universo em seus diversos reinos, do átomo ao "arcanjo", em especial da q. 604 em diante, considerando, que Kardec na sua época, não conheceu A Teoria da Evolução das Espécies proposta por Charles Darwin, como pode ser observado acessando o link abaixo para ler o último livro escrito e publicado por Allan Kardec. Esta obra surgiu em março de 1869 e foi lançado no mesmo mês em que o Mestre Lionês partiu para a pátria espiritual, o Catálogo Racional das Obras para se Fundar uma Biblioteca Espírita:

http://www.aeradoespirito.net/LivrosCodEspirita/CatalRaciObrasPSFundarUmaBiblioEspirita.pdf

 

 

(Continua abaixo)

DOS TRÊS REINOS

23:52 @ 25/08/2011

 
DOS TRÊS REINOS
 Pesquisa com base in O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Livro II, Cap. XI, itens de 585 à 613 (A. Kardec).
 Colaborou com o desenvolvimento ortográfico deste texto Maria Luiza Palha
Pesquisa: Elio Mollo
 
 
Hermes Trismegisto já ensinava, no antigo Egito, que:
 
“a pedra se converte em planta;
a planta em animal;
o animal em homem, em Espírito;
o Espírito em Deus.”
 
Ensinamento hinduísta, que remonta a milhares de anos, oferece esta versão poética da evolução: 
 
"a alma dorme na pedra, (4)
sonha no vegetal,
se agita no animal
e desperta no homem." (5)
 
Nesse diapasão, mas com alguma diferença, grifa Leon Denis: 
 
“Na planta, a inteligência dormita; no animal, sonha; só no homem acorda, conhece-se, possui-se e torna-se consciente.”
 
PERISPÍRITO – 2ª.  Edição Revista e Ampliada – Zalmino Zimmermann
O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR – 18a. edição, página 123 - Léon V. Denis (1846-1927)
 
* * *
 
Dentre os Espíritos que exercem ação nos fenômenos da Natureza, alguns operam com conhecimento de causa usando do livre-arbítrio, outros não. Podemos estabelecer uma comparação: consideremos essas miríades de animais que, pouco a pouco, fazem emergir do mar ilhas e arquipélagos. Há aí um fim providencial, pois essa transformação da superfície do globo é necessária à harmonia geral. Entretanto, são animais de ínfima ordem que executam essas obras, provendo às suas necessidades e sem suspeitarem de que são instrumentos de Deus. Do mesmo modo, os Espíritos mais atrasados oferecem utilidade ao conjunto.

Enquanto se ENSAIAM para a vida, antes que tenham PLENA consciência de seus atos e estejam no completo GOZO do seu livre-arbítrio, atuam em certos fenômenos, de que inconscientemente se constituem os agentes. Primeiramente, executam. Mais tarde, QUANDO suas inteligências já TIVEREM ALCANÇADO UM CERTO DESENVOLVIMENTO, ordenarão e dirigirão as coisas do mundo material. Depois, poderão dirigir as do mundo moral.
 
É ASSIM QUE TUDO SERVE, QUE TUDO SE ENCADEIA NA NATUREZA, DESDE O ÁTOMO PRIMITIVO ATÉ O ARCANJO, QUE TAMBÉM COMEÇOU POR SER ÁTOMO. ADMIRÁVEL LEI DE HARMONIA, que o nosso acanhado espírito não pode ainda apreender em seu conjunto! (LE-540)
 
* * *
 
Os minerais e as plantas
 
A divisão da Natureza em três reinos, ou melhor, em duas classes: a dos seres orgânicos e a dos inorgânicos: reino mineral,  reino vegetal e reino animal,  em que segundo alguns, a espécie humana forma uma quarta classe. Todas estas divisões são boas, conforme o ponto de vista. Do ponto de vista material, há apenas seres orgânicos e inorgânicos. Do ponto de vista moral, há evidentemente quatro classes. (LE-585)

Essas quatro classes apresentam, com efeito, caracteres determinados, muito embora pareçam confundir-se nos seus limites extremos. A matéria inerte, que constitui o reino mineral, só tem em si uma força mecânica. As plantas, ainda que compostas de matéria inerte, são dotadas de vitalidade. Os animais, também compostos de matéria inerte e igualmente dotados de vitalidade, possuem, além disso, uma espécie de inteligência instintiva, limitada, e a consciência de sua existência e de suas individualidades. O homem, tendo tudo o que há nas plantas e nos animais, domina todas as outras classes por uma inteligência especial, indefinida, que lhe dá a consciência do seu futuro, a percepção das coisas extramateriais e o conhecimento de Deus.
 
As plantas não têm consciência de que existem, pois que não pensam; só têm vida orgânica. (LE-586)
 
As plantas recebem impressões físicas que atuam sobre a matéria, mas não têm percepções. Conseguintemente, não têm a sensação da dor. (LE-587)
 
Independe da vontade delas a força que as atrai umas para as outras, porquanto não pensam. É uma força mecânica da matéria, que atua sobre a matéria, sem que elas possam a isso opor-se. (LE-588)
 
Algumas plantas, como a sensitiva e a dionéia, por exemplo, executam movimentos que denotam grande sensibilidade e, em certos casos, uma espécie de vontade, conforme se observa na segunda, cujos lóbulos apanham a mosca que sobre ela pousa para sugá-la, parecendo que urde uma armadilha com o fim de capturar e matar aquele inseto. Daí surgem perguntas como estas: São dotadas essas plantas da faculdade de pensar? Têm vontade e formam uma classe intermediária entre a Natureza vegetal e Natureza animal? Constituem a transição de uma para outra? Responderemos que, na NATUREZA TUDO É TRANSIÇÃO, por isso mesmo que uma coisa não se assemelha a outra e, no entanto, todas se prendem umas às outras. As plantas não pensam; por conseguinte carecem de vontade. Nem a ostra que se abre, nem os zoófitos pensam: têm apenas um instinto cego e natural. (LE-589)
 
O organismo humano nos proporciona exemplo de movimentos análogos, sem participação da vontade, nas funções digestivas e circulatórias. O piloro se contrai, ao contacto de certos corpos, para lhes negar passagem. O mesmo provavelmente se dá na sensitiva, cujos movimentos de nenhum modo implicam a necessidade de percepção e, ainda menos, da vontade.
 
Nas plantas há uma espécie de instinto, dependendo isso da extensão que se dê ao significado desta palavra. É, porém, um instinto puramente mecânico. Quando, nas operações químicas, observais que dois corpos se reúnem, é que um ao outro convém; quer dizer: é que há entre eles afinidade, e a isto não damos o nome de instinto. (LE-590)
 
Nos mundos superiores tudo é mais perfeito. As plantas, porém, são sempre plantas, como os animais sempre animais e os homens sempre homens. (LE-591)
 
Os animais e o homem

Pelo que toca à inteligência, comparando o homem e os animais, parece difícil estabelecer-se uma linha de demarcação entre aquele e estes, porquanto alguns animais mostram, sob esse aspecto, notória superioridade sobre certos homens. A este respeito é completo o desacordo entre os nossos filósofos. Querem uns que o homem seja um animal e outros que o animal seja um homem. Estão todos em erro. O homem é um ser à parte, que desce muito baixo algumas vezes e que pode também elevar-se muito alto. Pelo físico, é como os animais e menos bem dotado do que muitos destes (a Natureza lhes deu tudo o que o homem é obrigado a inventar com a sua inteligência, para satisfação de suas necessidades e para sua conservação). Seu corpo se destrói, como o dos animais, é certo, mas ao seu Espírito está assinado um destino que só ele pode compreender, porque só ele é inteiramente livre. Os homens não se devem rebaixar mais do que os brutos! Devem saber  distinguirem-se deles. Reconhece-se o homem pela faculdade de pensar em Deus. (LE-592)
 
Dizer que os animais só obram por instinto não é adequado. É verdade que na maioria dos animais domina o instinto, mas pode-se observar que MUITOS OBRAM DENOTANDO ACENTUADA VONTADE, é que têm inteligência, porém limitada. (LE-593) 
 
Não se poderia negar que, além de possuírem o instinto, alguns animais praticam atos combinados, que denunciam vontade de operar em determinado sentido e de acordo com as circunstâncias. Há, pois, neles, uma espécie de inteligência, mas cujo exercício quase que se circunscreve à utilização dos meios de satisfazerem às suas necessidades físicas e de proverem à conservação própria. Nada, porém, criam, nem melhora alguma realizam. Qualquer que seja a arte com que executem seus trabalhos, fazem hoje o que faziam outrora e o fazem, nem melhor, nem pior, segundo formas e proporções constantes e invariáveis. A cria, separada dos de sua espécie, não deixa por isso de construir o seu ninho de perfeita conformidade com os seus maiores, sem que tenha recebido nenhum ensino. O desenvolvimento intelectual de alguns, que se mostram suscetíveis de certa educação, desenvolvimento, aliás, que não pode ultrapassar acanhados limites, é devido à ação do homem sobre uma natureza maleável, porquanto não há aí progresso que lhe seja próprio. Mesmo o progresso que realizam pela ação do homem é efêmero e puramente individual, visto que, entregue a si mesmo, não tarda que o animal volte a encerrar-se nos limites que lhe traçou a Natureza.
 
Os animais não possuem uma linguagem formada de sílabas e palavras. Porém, possuem um meio de se comunicarem entre si. Dizem uns aos outros muito mais coisas do que podemos imaginar, Mas, essa mesma linguagem de que dispõem é restrita às necessidades, como restritas também são as idéias que podem ter. Entretanto, há animais que carecem de voz. Esses parece que nenhuma linguagem usam, contudo compreendem-se por outros meios. Para se comunicar reciprocamente, o homem não dispõe só da palavra, mas também de outros meios, assim como os mudos. Facultada lhes sendo a vida de relação, os animais possuem meios de se prevenirem e de exprimirem as sensações que experimentam. Os peixes também se entendem entre si. O homem não goza do privilégio exclusivo da linguagem. Porém, a dos animais é instintiva e circunscrita pelas suas necessidades e idéias, ao passo que a do homem é perfectível e se presta a todas as concepções da sua inteligência. (LE-594)
 
Efetivamente, os peixes que, como as andorinhas, emigram em cardumes, obedientes ao guia que os conduz, devem ter meios de se advertirem, de se entenderem e combinarem. É possível que disponham de uma vista mais penetrante e esta lhes permita perceber os sinais que mutuamente façam. Pode ser também que tenham na água um veículo próprio para a transmissão de certas vibrações. Como quer que seja, o que é incontestável é que lhes não falecem meios de se entenderem, do mesmo modo que a todos os animais carentes de voz e que, não obstante, trabalham em comum. Diante disso, que admiração pode causar que os Espíritos entre si se comuniquem sem o auxílio da palavra articulada?
 
OS ANIMAIS NÃO SÃO SIMPLES MÁQUINA. Contudo, a liberdade de ação, de que desfrutam, é limitada pelas suas necessidades e não se pode comparar à do homem. Sendo muitíssimo inferiores a este, não têm os mesmos deveres que ele. A liberdade que possuem é restrita aos atos da vida material. (LE-595)
 
A aptidão que certos animais denotam para imitar a linguagem do homem, que parece se revelar mais nas aves do que no macaco, cuja estrutura apresenta mais analogia com a humana, origina-se de uma particular conformação dos órgãos vocais, reforçada pelo instinto de imitação. O macaco imita os gestos; algumas aves imitam a voz. (LE-596)
 
Os animais possuem uma inteligência que lhes faculta certa liberdade de ação, pois há neles algum PRINCÍPIO INDEPENDENTE da matéria e que sobrevive ao corpo (1). Podemos dizer que é uma alma, dependendo do sentido que se der a esta palavra. É, porém, inferior à do homem. Há entre a alma dos animais e a do homem distância equivalente à que medeia entre a alma do homem e Deus. (LE-597)
 
Após a morte, A ALMA DOS ANIMAIS CONSERVA A SUA INDIVIDUALIDADE (5), mas quanto à CONSCIÊNCIA do seu EU, NÃO A VIDA INTELIGENTE LHE PERMANECE EM ESTADO LATENTE. (LE-598)
 
À alma dos animais não é dado escolher a espécie de animal em que encarne, pois que lhe falta livre-arbítrio.  (LE-599)
 
Sobrevivendo ao corpo em que habitou, a alma do animal fica numa espécie de erraticidade, pois que não mais se acha unida ao corpo, mas não é um Espírito errante. O Espírito errante é um ser que pensa e obra por sua livre vontade. De idêntica faculdade não dispõe o dos animais. A consciência de si mesmo é o que constitui o principal atributo do Espírito. O do animal, depois da morte, é classificado pelos Espíritos a quem incumbe essa tarefa e utilizado quase imediatamente. Não lhe é dado tempo de entrar em relação com outras criaturas. (LE-600)
 
OS ANIMAIS ESTÃO SUJEITOS, COMO O HOMEM, A UMA LEI PROGRESSIVA, e daí vem que nos mundos superiores, onde os homens são mais adiantados, os animais também o são, dispondo de meios mais amplos de comunicação. São sempre, porém, inferiores ao homem e se lhe acham submetidos, tendo neles o homem servidores inteligentes.  (LE-601)
 
Nada há nisso de extraordinário; tomemos os nossos mais inteligentes animais, o cão, o elefante, o cavalo, e imaginemo-los dotados de uma conformação apropriada a trabalhos manuais. Que não fariam sob a direção do homem?
 
Os animais progridem pela força das coisas, razão por que não estão sujeitos à expiação. (LE-602)
 
Nos mundos superiores, os animais não conhecem a Deus. Para eles o homem é um deus, como outrora os Espíritos eram deuses para o homem. (LE-603)
 
TUDO NA NATUREZA SE ENCADEIA POR ELOS QUE AINDA NÃO PODEMOS APREENDER MUITO BEM. Assim, as coisas aparentemente mais díspares têm pontos de contacto que o homem, no seu estado atual, nunca chegará a compreender. Por um esforço da inteligência poderá entrevê-los; mas, somente quando essa inteligência estiver no máximo grau de desenvolvimento e liberta dos preconceitos do orgulho e da ignorância, logrará ver claro na obra de Deus. Até lá, suas muito restritas idéias lhe farão observar as coisas por um mesquinho e acanhado prisma. Não é possível que Deus se contradiga pois, NA NATUREZA, TUDO SE HARMONIZA MEDIANTE LEIS GERAIS, que por nenhum de seus pontos deixam de corresponder à sublime sabedoria do Criador. A inteligência é uma propriedade comum, um ponto de contacto entre a alma dos animais e a do homem, porém OS ANIMAIS SÓ POSSUEM A INTELIGÊNCIA DA VIDA MATERIAL. NO HOMEM, A INTELIGÊNCIA PROPORCIONA A VIDA MORAL. (LE-604)
 
Considerando-se todos os pontos de contacto que existem entre o homem e os animais, não é lícito pensar que o homem possui duas almas. Dupla, no homem, só a Natureza. O corpo, porém, tem seus instintos, resultantes da sensação peculiar aos órgãos. Há nele a natureza animal e a natureza espiritual. Participa, pelo seu corpo, da natureza dos animais e de seus instintos. Por sua alma, participa da dos Espíritos. Quanto mais inferior é o Espírito, tanto mais apertados são os laços que o ligam à matéria. Como já dissemos, o homem não tem duas almas; a alma é sempre única em cada ser. São distintas uma da outra a alma do animal e a do homem, a tal ponto que a de um não pode animar o corpo criado para o outro. Mas, conquanto não tenha alma animal, que, por suas paixões, o nivele aos animais, o homem tem o corpo que, às vezes, o rebaixa até ao nível deles, por isso que o corpo é um ser dotado de vitalidade e de instintos, porém ininteligentes estes e restritos ao cuidado que a sua conservação requer. (LE-605)
 
 Encarnado no corpo do homem, o Espírito lhe traz o princípio intelectual e moral, que o torna superior aos animais. As duas naturezas nele existentes dão às suas paixões duas origens diferentes: umas provêm dos instintos da natureza animal, provindo as outras das impurezas do Espírito, de cuja encarnação é ele a imagem e que mais ou menos simpatiza com a grosseria dos apetites animais. Purificando-se, o Espírito se liberta pouco a pouco da influência da matéria. Sob essa influência, aproxima-se do bruto. Isento dela, eleva-se à sua verdadeira destinação.
 
Os animais tiram o princípio inteligente que constitui a alma de natureza especial de que são dotados do elemento inteligente universal.  A inteligência do homem e a dos animais emanam de um único princípio, porém, no homem, passou por uma elaboração que a coloca acima da que existe no animal. (LE-606)
 
O estado da alma na sua primeira encarnação é o da infância na vida corporal. A inteligência apenas desabrocha: a alma se ensaia para a vida. O Espírito passa essa primeira fase do seu desenvolvimento numa série de existências que precedem o período a que chamamos Humanidade. Na Natureza tudo se encadeia e tende para a unidade. Nesses seres, cuja totalidade estamos longe de conhecer, é que o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida, conforme acabamos de dizer. É, de certo modo, um trabalho preparatório, como o da germinação, por efeito do qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito. Entra então no período da humanização, começando a ter consciência do seu futuro, capacidade de distinguir o bem do mal e a responsabilidade dos seus atos. Assim, à fase da infância se segue a da adolescência, vindo depois a da juventude e da madureza. Nessa origem, coisa alguma há de humilhante para o homem. Sentir-se-ão humilhados os grandes gênios por terem sido fetos informes nas entranhas que os geraram? Se alguma coisa há que lhe seja humilhante, é a sua inferioridade perante Deus e sua impotência para Lhe sondar a profundeza dos desígnios e para apreciar a sabedoria das leis que regem a harmonia do Universo. A GRANDEZA DE DEUS se reconhece nessa ADMIRÁVEL HARMONIA, mediante a qual TUDO É SOLIDÁRIO NA NATUREZA (#).  Acreditar que Deus haja feito, seja o que for, sem um fim, e criado seres inteligentes sem futuro, fora blasfemar da Sua bondade, que se estende por sobre todas as Suas criaturas. A Terra não é o ponto de partida da primeira encarnação humana. O período da humanização começa, geralmente, em mundos ainda inferiores à Terra. Isto, entretanto, não constitui regra absoluta, pois pode suceder que um Espírito, desde o seu início humano, esteja apto a viver na Terra. Não é freqüente o caso; constitui antes uma exceção. (LE-190 e 607)
 
190. Qual é o estado da alma em sua primeira encarnação?
R: O estado da infância na vida corpórea. Sua inteligência apenas desabrocha: ela ensaia para a vida.
 
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(#) «NÃO ESQUEÇAIS NUNCA de que o Espírito, QUALQUER QUE SEJA O GRAU DE SEU ADIANTAMENTO, na situação de encarnado, ou na erraticidade, está sempre colocado entre um superior, que o guia e aperfeiçoa, e um inferior, para com o qual tem que cumprir esses mesmos deveres.»

SÃO VICENTE DE PAULO, in O LIVRO DOS ESPÍRITOS, q. 888a, obra codificada por Allan Kardec
 
O Espírito do homem não tem, após a morte, consciência de suas existências anteriores ao período de humanidade, pois é desse período que começa a sua vida de Espírito. Difícil mesmo é que se lembre de suas primeiras existências humanas, como difícil é que o homem se lembre dos primeiros tempos de sua infância e ainda menos do tempo que passou no seio materno. Essa a razão por que os Espíritos dizem que não sabem como começaram. (LE-608 e 78)
 
78. Os Espíritos tiveram princípio ou existem de toda a eternidade?
 
R: Se os Espíritos não tivessem tido princípio, seriam iguais a Deus, mas pelo contrário, são sua criação, submetidos à sua vontade. Deus existe de toda a eternidade, isso é incontestável: mas quando e como ele criou, não o sabemos. Podes dizer que não tivemos princípio, se com isso entendes que Deus, sendo eterno, deve ter criado sem cessar; mas quando e como cada um de nós foi feito, eu te repito, ninguém o sabe; isso é mistério.
 
Conforme a distância que medeie entre os dois períodos e o progresso realizado, durante algumas gerações, pode o homem conservar vestígios mais ou menos pronunciados do estado primitivo, porquanto nada se opera na Natureza por brusca transição. Há sempre anéis que ligam as extremidades da cadeia dos seres e dos acontecimentos. Aqueles vestígios, porém, se apagam com o desenvolvimento do livre-arbítrio. Os primeiros progressos só muito lentamente se efetuam, porque ainda não têm a secundá-los a vontade. Vão em progressão mais rápida, à medida que o Espírito adquire perfeita consciência de si mesmo. (LE-609)
 
Os Espíritos que disseram constituir o homem um ser à parte na ordem da criação não se enganaram, mas a questão não fora desenvolvida (2). Demais, há coisas que só a seu tempo podem ser esclarecidas. O homem é, com efeito, um ser à parte, visto possuir faculdades que o distinguem de todos os outros e ter outro destino. A espécie humana é a que Deus escolheu para a encarnação do seres que podem conhecê-Lo.  (LE-610)
 
(2) Nota de Elio Mollo: Já que esta questão ainda não foi desenvolvida, podemos deduzir que dependendo dos mundos:
Se for predominantemente mineral estes serão os seres principais desse mundo; 
Se houverem minerais e vegetais, os vegetais, pelas suas características, serão os seres a parte da criação;
Se houverem minerais, vegetais e animais, os animais, pelas suas características inteligente, serão os seres a parte da criação;
Se houverem minerais, vegetais, animais e homens, os homens, pelas suas características inteligente, com livre-arbítrio e senso moral, serão os seres a parte da criação. E assim por diante.
 
Metempsicose
 
O terem os seres vivos uma origem comum no princípio inteligente não é a consagração da doutrina da metempsicose. Duas coisas podem ter a mesma origem e absolutamente não se assemelharem mais tarde. Quem reconheceria a árvore, com suas folhas, flores e frutos, do gérmen informe que se contém na semente donde ela surge?
Desde que o Princípio inteligente atinge o grau necessário para ser Espírito e entrar no período da humanização, já não guarda relação com o seu estado primitivo e já não é a ALMA dos animais,  como a árvore já não é a semente. De animal só há no homem o corpo e as paixões que nascem da influência do corpo e do instinto de conservação inerente à matéria. Não se pode, pois, dizer que tal homem é a encarnação do Espírito de tal animal. Conseguintemente, a metempsicose, como a entendem, não é verdadeira(LE-611)
 
O Espírito que animou o corpo de um homem não poderia encarnar num animal, pois isso seria retrogradar e o Espírito não retrograda. O rio não remonta à sua nascente. Os Espíritos não podem degenerar; à medida que avançam, compreendem o que os distanciava da perfeição. Concluindo uma prova, o Espírito fica com a ciência que daí lhe veio e não a esquece. Pode permanecer estacionário, mas não retrograda.. (LE-612 e 118)
 
(Continua abaixo)

Continuação e NOTAS:

23:50 @ 25/08/2011

 

118. Os Espíritos podem degenerar?
R: Não. A medida que avançam, compreendem o que os afasta da perfeição. Quando o Espírito conclui uma prova, adquiriu conhecimento e não mais o perde. Pode permanecer estacionado, mas não retrogradar.
 
Tanto na idéia ligada à metempsicose, como em muitas outras crenças, se depara esse sentimento intuitivo. O homem, porém, o desnaturou, como costuma fazer com a maioria de suas idéias intuitivas.  (LE-613)
 
Nota de Allan Kardec: Seria verdadeira a metempsicose, se indicasse a progressão da alma, passando de um estado a outro superior, onde adquirisse desenvolvimentos que lhe transformassem a natureza. É, porém, falsa no sentido de transmigração direta da alma do animal para o homem e reciprocamente, o que implicaria a idéia de uma retrogradação, ou de fusão. Ora, o fato de não poder semelhante fusão operar-se entre os seres corporais das duas espécies, mostra que estas são de graus inassimiláveis, devendo dar-se o mesmo com relação aos Espíritos que as animam. Se um mesmo Espírito as pudesse animar alternativamente, haveria, como conseqüência, uma identidade de natureza, traduzindo-se pela possibilidade da reprodução material.
 
A reencarnação, como os Espíritos a ensinam, se funda, ao contrário, na marcha ascendente da Natureza e na progressão do homem, dentro da sua própria espécie, o que em nada lhe diminui a dignidade. O que o rebaixa é o mau uso que ele faz das faculdades que Deus lhe outorgou para que progrida. Seja como for, a ancianidade e a universalidade da doutrina da metempsicose e, bem assim, a circunstância de a terem professado homens eminentes, provam que o princípio da reencarnação se radica na própria Natureza. Antes, pois, constituem argumentos a seu favor, que contrários a esse princípio.
 
O ponto inicial do Espírito é uma dessas questões que se prendem à origem das coisas e de que Deus guarda o segredo. Dado não é ao homem conhecê-las de modo absoluto, nada mais lhe sendo possível a tal respeito do que fazer suposições, criar sistemas mais ou menos prováveis. Os próprios Espíritos longe estão de tudo saberem e, acerca do que não sabem, também podem ter opiniões pessoais mais ou menos sensatas.
 
É assim, por exemplo, que nem todos pensam da mesma forma quanto às relações existentes entre o homem e os animais. Segundo uns, o Espírito não chega ao período humano senão depois de se haver elaborado e individualizado nos diversos graus dos seres inferiores da Criação. Segundo outros, o Espírito do homem teria pertencido sempre à raça humana, sem passar pela fieira animal. O primeiro desses sistemas apresenta a vantagem de assinar um alvo ao futuro dos animais, que formariam então os primeiros elos da cadeia dos seres pensantes. O segundo é mais conforme à dignidade do homem e pode resumir-se da maneira seguinte:
 
As diferentes espécies de animais não procedem intelectualmente umas das outras, mediante progressão. Assim, o espírito da ostra não se torna sucessivamente o do peixe, do pássaro, do quadrúpede e do quadrúmano. Cada espécie constitui, física e moralmente, um tipo absoluto, cada um de cujos indivíduos haure na fonte universal a quantidade do princípio inteligente que lhe seja necessário, de acordo com a perfeição de seus órgãos e com o trabalho que tenha de executar nos fenômenos da Natureza, quantidade que ele, por sua morte, restitui ao reservatório donde a tirou. Os dos mundos mais adiantados que o nosso (**) constituem igualmente raças distintas, apropriadas às necessidades desses mundos e ao grau de adiantamento dos homens, cujos auxiliares eles são, mas de modo nenhum procedem das da Terra, espiritualmente falando. Outro tanto não se dá com o homem. Do ponto de vista físico, este forma evidentemente um elo da cadeia dos seres vivos: porém, do ponto de vista moral, há, entre o animal e o homem, solução de continuidade. O homem possui, como propriedade sua, a alma ou Espírito, centelha divina que lhe confere o senso moral e um alcance intelectual de que carecem os animais e que é nele o ser principal, que preexiste e sobrevive ao corpo, conservando sua individualidade. Qual a origem do Espírito? Onde o seu ponto inicial? Forma-se do princípio inteligente individualizado? Tudo isso são mistérios que fora inútil querer devassar e sobre os quais, como dissemos, nada mais se pode fazer do que construir sistemas. O que é constante, o que ressalta do raciocínio e da experiência, é a sobrevivência do Espírito, a conservação de sua individualidade após a morte, a progressividade de suas faculdades, seu estado feliz ou desgraçado de acordo com o seu adiantamento na senda do bem e todas as verdades morais decorrentes deste princípio.
 
Quanto às relações misteriosas que existem entre o homem e os animais, isso, repetimos, está nos segredos de Deus, como muitas outras coisas, cujo conhecimento atual nada importa ao nosso progresso e sobre as quais seria inútil determo-nos.
 
(**) Os Espíritos puros habitam mundos especiais, mas não lhes ficam presos, como os homens à Terra; podem, melhor do que os outros, estar em toda parte. (LE-188)
 
* * *

 

NOTAS:

 

1) A verdadeira vida, tanto do animal quanto a do homem, não mais está no envoltório corporal como não estaria numa veste; ela está no princípio inteligente que pré-existe e sobrevive ao corpo. (Allan Kardec in A Gênese, cap. III, item 21

 

(2) Estudos relacionados Alma, Espírito e o Homem:

http://www.aeradoespirito.net/EstudosEM/A_ALMA_PERCEP_E_SENSAC.html

http://www.aeradoespirito.net/EstudosEM/DIFER_ENTRE_esp_e_ESP.html

http://www.aeradoespirito.net/EstudosEM/ORIGEM_E_NAT_DOS_ESPIR.html

http://www.aeradoespirito.net/ApostilasEM/ALMA_ESP_PERISP_FLUIDOS.html

 

(3) O perispírito é o laço que à matéria do corpo prende o Espírito, que o tira do meio ambiente, do fluido universal. Contém ao mesmo tempo da eletricidade, do fluido magnético e, até certo ponto, da matéria inerte. Poder-se-ia dizer que é a quintessência da matéria. É o princípio da vida orgânica, porém, não o da vida intelectual, que reside no Espírito. É, além disso, o agente das sensações exteriores. No corpo, os órgãos, servindo-lhes de condutos, localizam essas sensações. Destruído o corpo, elas se tornam gerais. (Allan Kardec no item 257 de O Livro dos Espíritos, Ensaio Teórico sobre a sensação nos Espíritos.

 

Informação semelhante pode ser encontrada na Revista Espírita de dezembro de 1858, Sensações dos Espíritos:

 

O perispírito é o laço que une o Espírito à matéria do corpo; é tirado do meio ambiente, do fluido universal; tem, simultaneamente, algo da eletricidade, do fluido magnético e, até certo ponto, da matéria inerte. Poder-se-ia dizer que é a quintessência da matéria: é o princípio da vida orgânica, mas não o é da vida intelectual. A vida intelectual está no Espírito. É além disso, o agente das sensações exteriores. No corpo estas sensações estão localizadas em órgãos que lhe servem de canal. Destruído o corpo, as sensações tornam-se gerais.

 

Ainda vale esta outra informação que pode ser encontrada na Revista Espírita de maio de 1858, onde se destaca a diferença entre ALMA e Espírito no uso do Períspirito:

 

...a alma não deixa tudo na sepultura e que leva alguma coisa consigo.

 

Haveria, assim, em nós, duas espécies de matéria: uma grosseira, que constitui o envoltório exterior, outra sutil e indestrutível. A morte é a destruição, ou melhor, a desagregação da primeira, da que a alma abandona; a outra se libera e segue a alma que continua, desse modo, tendo sempre um envoltório; é o que chamamos perispírito. Essa matéria sutil, extraída, por assim dizer, de todas as partes do corpo ao qual estava ligada durante a vida, dele conserva a impressão; ora, eis por que os Espíritos se vêem e por que nos aparecem tais quais eram quando vivos. Mas essa matéria sutil não tem a tenacidade, nem a rigidez da matéria compacta do corpo; ela é, se assim podemos nos expressar, flexível e expansível; por isso a forma que toma, se bem que calcada sobre a do corpo, não é absoluta; ela se dobra à vontade do Espírito, que pode dar-lhe tal ou tal aparência, à sua vontade, ao passo que o envoltório sólido oferece-lhe uma resistência intransponível; desembaraçado desse entrave que o comprimia, o perispírito se estende ou se retrai, se transforma, em uma palavra, se presta a todas as metamorfoses, segundo a vontade que age sobre ele.

 

Ver outros estudos relacionados ao tema perispírito:

http://www.aeradoespirito.net/EstudosEM/PERISPIRITO.html

http://www.aeradoespirito.net/ApostilasEM/O_PERISPIRITO.html

 

(4) Em alguns textos ou artigos encontramos a palavra mineral em vez de pedra, no que achamos mais adequada do que pedra: Sendo assim, segue a pesquisa abaixo.

 

PESQUISA:

 

O que é um mineral?


Um mineral é um sólido cristalizado, constituído por um elemento ou um composto químico, com fórmula química definida dentro de certos limites, homogêneo, originado na natureza através de processos geológicos.

 

Podemos decompor a frase anterior em segmentos e analisá-los de forma mais aprofundada, inclusive com a ilustração de exemplos práticos, curiosidades e exceções à regra geral:

 

a) “um mineral é um sólido” é uma afirmação que exclui como possível mineral todo material em estado gasoso ou líquido. Por exemplo, a água, por ser líquida, não é considerada um mineral, mas o gelo, sim. Como exceção, temos o mercúrio nativo, líquido, que é considerado um mineral por consenso da International Mineralogical Association (IMA).

 

b) “um mineral é cristalizado” significa que os átomos que o constituem estão organizados espacialmente em um arranjo tridimensional preciso (retículo cristalino) e geométrico. Os sólidos inorgânicos e naturais, mas que não possuem estrutura cristalina, portanto chamados amorfos, como a opala (um gel) e a obsidiana (vidro vulcânico), são classificados como mineralóides e não como minerais. A título de curiosidade, os sólidos inorgânicos naturais que foram cristalizados e tiveram sua estrutura cristalina destruída por radiação ionizante (emitida por átomos em sua própria composição ou em inclusões), denominados metamictos, são considerados minerais desde que sua cristalização possa ser restaurada por tratamento térmico, como é o caso de alguns zircões verdes.

 

c) “um mineral é constituído por um elemento químico (por átomos de apenas um elemento químico) ou por um composto químico (por átomos combinados de dois ou mais elementos químicos)”. Os minerais formados por átomos de apenas um elemento químico recebem a denominação de minerais simples ou elementos nativos.

 

Alguns exemplos de minerais simples são: o diamante (átomos de carbono), o ouro nativo (átomos de ouro) e a platina nativa(átomos de platina). Os minerais formados por átomos combinados de dois ou mais elementos químicos recebem a denominação de minerais compostos e existem em maior número que os minerais simples.

 

Como exemplos de minerais compostos, têm-se: o quartzo (dióxido de silício), a água marinha (silicato de berílio e alumínio), a fluorita (fluoreto de cálcio), a malaquita (carbonato básico de cobre) e a hematita (óxido de ferro).

 

d) “um mineral apresenta fórmula química definida dentro de certos limites”. Todos os minerais simples e alguns minerais compostos possuem composição química constante. Outros minerais compostos, no entanto, são variáveis dentro de limites conhecidos e definidos. Citando um exemplo, temos o grupo das olivinas, que possui sete átomos em sua composição. Desses, sempre estão presentes um átomo de silício e quatro de oxigênio. Os dois átomos restantes correspondem a uma situação entre os seguintes extremos: dois átomos de magnésio ou dois átomos de ferro.

 

e) “um mineral é homogêneo”. Por sua composição química uniforme, a estrutura cristalina de um determinado mineral é tão bem definida que a posição tridimensional de cada um de seus átomos é previsível e repetitiva. Afirma-se, assim, que todo mineral tem homogeneidade periódica.

 

f) “um mineral é originado na natureza”. Esta definição exclui as substâncias sintéticas (fabricadas pelo homem e semelhantes em características a minerais existentes na natureza, como o coríndon sintético ou o espinélio sintético, por exemplo) e as artificiais (fabricadas pelo homem e sem análogos na natureza, como a zircônica cúbica, o YAG e o titanato de estrôncio, por exemplo).

 

g) “um mineral é originado por processos geológicos”, ou seja, inorgânicos. Os compostos químicos formados por seres vivos (processo denominado biomineralização), como as pérolas e o âmbar, são considerados mineralóides e não, minerais. A título de curiosidade, convém lembrar que as substâncias de origem extraterrestre que apresentam características conforme as definidas acima também são consideradas minerais.

 

Embora isto extrapole o conceito de “geológico” (que é o estudo de elementos do planeta Terra), acredita-se que essas substâncias foram constituídas naturalmente e por processos semelhantes aos conhecidos aqui, na Terra.

 

Fonte: http://www.ciadasgemas.com.br/index.php?p=faqresposta&cod_faq=70

 

Sais minerais

 

Os minerais são nutrientes com função plástica e reguladora do organismo. É necessário ingerir cálcio e fósforo em quantidades suficientes para a constituição do esqueleto e dos dentes. Outros minerais, como o iodo e o flúor, apesar de serem necessários apenas em pequenas quantidades, previnem o aparecimento de doenças como a cárie dentária e o bócio. Uma alimentação pobre em ferro provoca anemia (falta de glóbulos vermelhos no sangue). O excesso de sódio, provocado pela ingestão exagerada de sal, aumenta o risco de doenças cardiovasculares e é um dos responsáveis pela hipertensão.

 

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sais_minerais

 

Os Minerais

 

Se considerarmos as rochas como documentos onde ficaram "escritas” determinadas fases da evolução do nosso planeta, desde a sua origem, há cerca de 4 460 milhões de anos, até aos nossos dias, podemos aceitar que os minerais são letras de uma linguagem particular que permite a leitura dessas rochas com vista ao conhecimento da referida evolução, à semelhança do que faz o historiador, ao decifrar escritas antigas em velhos pergaminhos, ou do que faz o músico, ao trautear os caracteres de uma partitura.

 

Decifrar a história da Terra passa, pois, por saber ler nas rochas através dos seus minerais e de outros elementos nelas conservados, como são, por exemplo, os fósseis. Por outro lado, estudar as rochas amplia a nossa visão sobre o mundo dos minerais, constituintes essenciais a todas elas, quaisquer que sejam as suas natureza e origem.

 

São mais de 3 500 as espécies de minerais conhecidas. Algumas, não muitas, entram na constituição das rochas e outras concentram-se em corpos geológicos particulares e têm elevado interesse como matérias-primas essenciais à sociedade.

 

Entende-se por espécie mineral um corpo natural, cristalino, de composição química variável, dentro de limites bem estabelecidos, e caracterizado por uma disposição regular dos seus átomos segundo padrões ou redes tridimensionais próprias de cada espécie. Tal empilhamento consiste numa repetição de um dado motivo em três direcções do espaço e, daí, o falar-se de estrutura triperiódica da matéria cristalina.

 

O carácter de corpo natural e cristalino, imposto na definição de espécie mineral, abarca o gelo, normalmente não incluído nos manuais de mineralogia. Pouco comum nas nossas latitudes, a água no estado sólido é uma realidade nos cimos permanentemente gelados das altas montanhas ou nas regiões polares. É ainda uma constante nos cometas ou na crosta de algumas luas dos nossos planetas longínquos. Todavia, por exclusão de partes, todos aceitamos a água, os gases atmosféricos e os saídos dos vulcões como parte do mundo mineral ou, como dantes se dizia, do “Reino Mineral”, e tanto assim é que a expressão água mineral faz parte da nossa linguagem comum.

 

Alguns autores pretendem incluir entre os minerais certas substâncias de evidente origem orgânica, como os carvões fósseis, muitas vezes referidos por carvões minerais. Tal concepção conduziu à aparição, em alguns manuais de Mineralogia, de uma classe intitulada Minerais Orgânicos, expressão que representa uma contradição face ao conceito de mineral, não pela aposição do adjectivo orgânico, mas sim porque tais substâncias naturais não são cristalinas. O carácter inorgânico que, acriticamente, fomos interiorizando ao longo do tempo, como uma característica dos minerais, não é condição necessária, pois são muitas as espécies minerais geradas pela actividade de certos seres vivos (aragonite, calcite, hematite, magnetite, etc.) e, portanto, de origem orgânica. Na óptica de tais autores dever-se-ia chamar mineral ao âmbar, ao petróleo e, pela mesma razão, à turfa, essa terra vegetal que compramos para colocar nos vasos com plantas, e, também, ao gás natural, o que não tem qualquer lógica. Nos textos clássicos e medievais não se fazia distinção entre minerais, pedras (rochas), betumes e outros materiais, todos então referidos como fósseis, termo que, em rigor, significa produto saído da terra, desenterrado.

 

Muitas das substâncias naturais de origem orgânica podem, por metamorfismo, ser transformadas em grafite, uma espécie de carbono nativo que já apresenta estrutura cristalina e que ninguém tem dúvida em aceitar como mineral, ao lado do diamante. Igualmente, ninguém rejeita como mineral o quartzo transformado a partir da opala do esqueleto de um radiolário, ou a magnetite derivada de um óxido de ferro produzido por um qualquer microrganismo. O que está em causa, pois, no conceito de mineral, não é o processo de formação, mas sim o carácter triperiódico da estrutura, isto é, o carácter cristalino.

 

Há substâncias naturais vulgarmente referidas como minerais mas que, em rigor, o não são. É o caso dos mineralóides, designação atribuída a certas substâncias inorgânicas, naturais, não cristalinas, vítreas e coloidais, na maior parte dos casos. Embora do “Reino Mineral”, estas substâncias não devem ser referidas como minerais por razões de coerência com o conceito de espécie estabelecido em mineralogia, conceito que implica o carácter cristalino. É o caso das opalas, que são formadas por um edifício não cristalino de sílica hidratada, cujo arranjo condiciona a existência dos efeitos de cor (opalescência) conhecidos nesta substância mineral com características de gema. É ainda o caso de certos hidóxidos de ferro e de alguns materiais argilosos comuns nos solos e em dados perfis de alteração.

 

O quartzo é um dos minerais mais abundantes na crosta terrestre, componente essencial do granito, ao lado dos feldspatos, das micas e de outros menos abundantes. Todos o conhecemos sob a forma de grãos de areia nas nossas praias. É esta mesma areia que, convenientemente tratada e fundida, se transforma no vidro que nos rodeia na sociedade moderna, organização humana que não dispensa este e muitos outros minerais onde figuram o ferro, o alumínio, o cálcio, o sódio, o potássio, o cobre, o chumbo, o estanho, o fósforo, o enxofre, bem conhecidos, de todos nós, e muitos mais, de uso menos divulgado mas importantes e hoje comuns nas mais modernas tecnologias. São igualmente minerais os componentes do barro ou da argila com que se fabricam as telhas, os tijolos e toda a faiança e porcelana que utilizamos diariamente.

 

Dizer-se que um mineral é um silicato, indica que pertence a um vasto conjunto que tem, como elementos constantes e característicos, silício e oxigénio, sendo as diferentes espécies que o integram definidas em função dos restantes elementos que as compõem e do modo como se arranjam entre si. Alumínio e potássio na ortoclase, ferro e magnésio na olivina, alumínio e berílio no berilo, espécie mineral cuja variedade azul celeste, transparente, ganha valor de gema como água-marinha e que, com uma pitada de crómio e ou de vanádio, gera a variedade de cor verde, tida por pedra preciosa e conhecida por esmeralda. O rubi, vermelho, e as safiras, azuis e de outras cores, são variedades do mineral corindo, um óxido de alumínio, o mesmo metal da moderna civilização que se extrai industrialmente dos bauxitos, um tipo particular de solo tropical formado por alteração de certas rochas, sob condições climáticas de extrema humidade e calor. O resíduo que aí fica desta profunda alteração é essencialmente formado por hidróxidos de alumínio, conhecidos dos estudiosos e que têm nome: gibbsite, diásporo e bohemite, três minerais diferentes, mas com idêntico conteúdo químico (oxigénio, hidrogénio e alumínio).

 

Chama-se calcite uma das espécies naturais de carbonato de cálcio e também a mais abundante. É um composto de carbono, oxigénio e cálcio, elementos de que também são constituídas muitíssimas variedades de calcário, certos mármores, as belas estalactites, o alabastro e muitas conchas de moluscos. Se em vez de cálcio a associação carbono-oxigénio se ligar com ferro, forma-se um outro mineral, a siderite; com cálcio e magnésio, a dolomite; com chumbo, a cerussite, etc.. O gesso é um sulfato de cálcio hidratado, mas há outros sulfatos menos conhecidos: o de cobre (calcantite), o de bário (barite), o de chumbo (anglesite), o de potássio e alumínio, de nome alunite (a vulgar pedra-ume), etc.

 

A pirite, que todos sabemos estar ligada à história e aos cantares dos mineiros de Aljustrel, é um sulfureto de ferro, uma associação química de enxofre e ferro; pertence à mesma classe da galena (com chumbo), da blenda ou esfalerite (com zinco) ou da calcopirite, importante e principal minério de onde se extrai o cobre. Outros minerais são constituídos por um só elemento, como o diamante e a grafite, ambos carbono puro. O ouro e a prata dificilmente se combinam com outros elementos e, assim, aparecem também na natureza quase sempre no estado elementar. Mas há mais e bem conhecidos, como o cobre, o bismuto, a antimónio, o arsénio, o enxofre e o mercúrio.

 

Se há minerais que se formam a grandes profundidades, sob condições de pressão e de temperatura elevadíssimas, como é o caso do diamante e de alguns mais, outros há que são gerados e se desenvolvem à superfície da Terra, sob os nossos olhos. Entre estes encontram-se alguns dos minerais dos basaltos que vemos arrefecer e consolidar, o sal-gema, precipitado por evaporação da água do mar, a aragonite e a calcite, geradas nas estalactites ou nos recifes de coral, e as vulgaríssimas argilas dos caminhos poeirentos ou enlameados, e dos solos, resultantes da alteração (meteorização) de outros minerais primários das rochas como são os feldspatos.

 

Os sulfuretos, como os já referidos e muitos outros, geram-se em meios redutores, pobres de oxigénio livre. Pelo contrário, na presença deste gás atmosférico, isto é, nos níveis mais superficiais da crosta têm origem óxidos, como a hematite, e outros minerais oxigenados reunidos entre os carbonatos, os sulfatos, os fosfatos ou os nitratos. Mas há outros óxidos primários que nada têm a ver com o ambiente supergénico, como o quartzo (óxido de silício) e a magnetite (de ferro), a cassiterite (de estanho) e a cromite (de crómio), gerados em corpos rochosos da profundidade.

 

Em ambientes onde se faça sentir a acção hidratante da água, geram-se os hidróxidos, como é o caso da goethite, um mineral de ferro cujo nome constitui uma justa homenagem ao poeta alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1823), que foi, igualmente, um notável mineralogista. Têm também água na sua constituição, por exemplo, o gesso (sulfato de cálcio hidratado) ou os minerais das argilas (caulinite, ilite, montmorilonite, etc.).

 

Os exemplos apresentados são apontamentos breves de um modelo que, grosso modo, coincide com o modelo petrogenético, isto é, o da origem das rochas nos seus respectivos ambientes, na medida em que estas nascem com os minerais ou se formam a partir deles. Assim, falar dos ambientes geradores das rochas é falar do berço dos minerais que as constituem.

 

Alguns minerais datam do início do Sistema Solar. São condensados da nébula a partir da qual se formaram o sol, os planetas e de mais corpos dessa grande conjunto. Datam desses primórdios do tempo a olivina e os outros minerais dos meteoritos mais antigos, como o que caiu em Ourique, em 1998. Na Terra, os minerais da crosta mais antiga conhecida (gnaisses em Acasta, no Canadá) têm cerca de 4 000 milhões de anos, sendo ainda mais antigos certos zircões incluídos em quartzitos da Austrália. Com idades ainda superiores, na ordem dos 4 400 milhões de anos, conhecem-se os minerais dos anortositos da crosta lunar.

 

O dinamismo interno o externo da Terra é uma constante desde o seu início e, assim, a génese das montanhas, o vulcanismo e outros processos geradores de minerais actuam desde o começo do tempo do Sistema Solar e estão ainda em curso. Há rochas e minerais de todas as idades e, mesmo neste momento, estão a nascer minerais, por exemplo, no arrefecimento das lavas dos vulcões activos e nos sedimentos em formação.

 

Têm cerca de 500 Ma o quartzo, o feldspato e as micas dos granitos do Porto e de Portalegre, mais velhos do que os de Viseu, com 280 Ma, ou do que os de Sintra, com “apenas” cerca de 80. As pirites alentejanas rondam os 360 Ma e a que ocorre associada aos arenitos cretácicos, em Belas, tem pouco mais de 100. À calcite dos mármores de Extremoz, com 500 MA, opõe-se a das estalactites em formação nas grutas de Mira d’Aire. A olivina do condrito caído em Ourique, com mais de 4 500 Ma, é o mesmo mineral que o dos basaltos de Lisboa, com 72 Ma, ou que o das lavas açoreanas acabadas de consolidar.

 

Lisboa, 18 de Fevereiro de 2002

 

Fonte: http://www.triplov.org/galopim/minerais.html


(5) Ver Revista Espírita de novembro de 1859, Médiuns sem o saber, uma poesia "mediúnica" do Sr. Porry, intitulada Urânia:

http://www.aeradoespirito.net/RevistaEspHTML/MEDIUNS_SEM_O_SABER.html

 

(...)

Ele é a ovelha e lobo, rola e víbora!

Ele se torna alternativamente pedra, planta, animal; (4)

Sua natureza combina o bem e o mal,

Percorre todos os graus do bruto ao arcanjo!

(...)

Mas o Verbo jorra de sua Onipotência,

Dele se destaca e se move em sua própria existência,

Sem cessar ele se transforma e jamais perece;

Do inerte metal se elevando ao Espírito, (4)

O Verbo criador na planta dormita,

Sonha no animal, e no homem desperta;

De grau em grau, descendo e subindo,

Da Criação o conjunto radioso,

Sobre as ondas do éter forma uma cadeia imensa

Que o arcanjo termina, que a pedra começa. (4)

 

Livros, artigos e estudos relacionados:

http://www.aeradoespirito.net/ArtigosPN/A_ALMA_DORME_NA_PEDRA_PN.html

http://www.aeradoespirito.net/ArtigosRC/MINERAIS_NOSSOS_IRMAOS_RC.html

http://www.aeradoespirito.net/ArtigosRC/AS_CAUSAS_DO_INSTINTO_RC.html

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Controle Universal dos Ensinamentos

dos Espíritos - CUEE

De Luciana Franco, Goiânia – GO para a Lista do Grupo Espiritismo - Brasil.

Em diálogo com Waldir de Oliveira

 http://aeradoespirito.sites.uol.com.br/A_ERA_DO_ESPIRITO_-_Portal/ARTIGOS/ArtigosGRs/CUEE_LF.html

 

Realmente o CUEE é mesmo um "certificado"...  Querendo nós ou não... Mesmo ironizando ou debochando...  É mesmo um "certificado".

 

Vou fazer uma comparação, para ficar mais fácil e sairmos de algum desconforto gerado pela má interpretação do que vêm a ser o CUEE, e as obras sem esse método.  :-)

 

Você conhece o certificado de qualidade dos cafés, não é? Aqueles que vêm na embalagem e nos dão garantia de que o café é de qualidade, certo?

 

O sujeito que quer abrir uma fábrica de café, ele busca adequar sua produção aos moldes ideais de qualidade, normas elaboradas por quem entende de café e de qualidade de vida, para a segurança e bem estar do consumidor, dessa forma ele consegue o selo.  O que não passar, vende, mas só pros que não se importam de ser enganados, já sabem que pode ter ali mais serragem que café, e mesmo assim querem comprar, problema é deles.

 

Tem também os cafés moídos na hora, não tem?  Não possuem selo de qualidade, mas, no entanto são mais puros que os industrializados, que possuem a certificação, não é?

 

Se não tivessem esse selo de qualidade nos cafés, como saberíamos qual o café bom e qual o café ruim?

 

Tínhamos que entender do sabor do café e prová-los para saber diferenciar, não é?

 

Kardec deixou uma norma de qualidade pras produções mediúnicas, isso é bem claro.  A obra que não tiver esse “certificado” deve ser provada para ver se tem muita serragem entre o café.  Isso, em absoluto, não quer dizer que ela não possa ser como o café moído na hora... Pode não ter nenhuma serragem, mas para sabermos temos que provar e conhecer café.  E isso não seria necessário caso tivesse o selo, certo? Qualquer leigo em café poderia ter segurança de estar tomando um bom café, não é mesmo?

 

Algumas obras...  Tem sim um pouco de serragem entre o café...  Mas nada que o impeça de ser chamado de café...

 

Porque a maioria de seu conteúdo está sob a visão da Doutrina. Tem muito mais café de serragem, e são obras espíritas, sim, apesar de não terem CUEE.

 

Existem obras que são tão puras, que poderiam mesmo ter o "selo", como se tivessem um CUEE por tabela.

 

Agora... E o problema está aí... Quando algo novo surge... O médium que não passa a informação pela norma de Kardec, não pode dizer que sua obra é espírita, pois para que aquela informação seja aceita como doutrinária, ela não precisa estar igual ao que está nas obras básicas, ela precisa passar pelo método chamado CUEE.

 

É dessa forma que poderemos renovar a doutrina, e poderemos adicionar novas informações à codificação.

 

Sem fazer isso, não tem jeito...  Pois seria muita leviandade e acarretaria em muitos riscos para a Doutrina, que perderia de imediato a característica de Ciência. Deixava de ser Espiritismo, para ser mais uma doutrina de fé cega.

 

O método de Kardec visa justamente o diferencial que a Doutrina trás sobre todas as demais... a fé raciocinada. Pois ele nos dá a segurança científica necessária da Universalidade das opiniões.

 

Uma coisa é você acreditar pessoalmente, outra é você acreditar doutrinariamente. Isto faz muita diferença. Um cientista pode acreditar que existe vida em outros planetas (a maioria), mas isso ainda não é oficial, pois ainda não conseguiram provar, e sem provar que a maioria sabe que é verdade, continua sendo opinião dos cientistas e de quem mais quiser acreditar, mas não pode entrar na ciência oficial, pois estas têm normas a serem seguidas, que foram criadas para nossa segurança e bem-estar.

 

A Doutrina Espírita é também ciência, sua força está aí... E ela tem essa norma, que não pode ser deixada de lado, pois ela é uma segurança para nossa fé raciocinada.

 

Quando ele diz que não podemos adotar uma opinião pessoal, mesmo que do mais nobre espírito, como opinião doutrinária, ele diz que fazer isso seria tirar da Doutrina Espírita a sua força...  Que está justamente na parte que une a ciência à religiosidade.

 

O CUEE é o método científico da produção mediúnica.

 

O médium que não quiser fazer CUEE para suas produções mediúnicas, não pode publicar sob o nome do Espiritismo, as novas informações que surjam.  Isso que o Chico fazia, a Ivone, o Divaldo, etc.

 

As obras desses médiuns não tiveram CUEE, mas estão sob a Doutrina, no papel de comentá-la, analisá-la, nos ajudando a refletir sobre o que os Espíritos trouxeram.

 

Não são obras "complementares", não completam a Doutrina Espírita (essas só as que tivessem CUEE para as novas informações que iriam completar as que já têm).

 

O que elas fazem é dissecar, analisar a Doutrina Espírita, dar vários ângulos (o ângulo de visão de André Luiz, de Emmanuel, de Joanna, etc), nos ajudar a compreender melhor a DE, nos dar consolo, nos dar lições, roteiros, mas tudo sob a visão já existente.

 

Alguma coisa passou, pois estes não nasceram sabendo tudo sobre Doutrina, foram produzindo e estudando Doutrina Espírita ao mesmo tempo.

 

Portanto amigo, cabe à disciplina dos médiuns em fazer CUEE, a renovação da Doutrina, e Kardec sempre disse que tínhamos que deixar a Doutrina Espírita tet-a-tec com a ciência...  Se isso não acontece e estamos estagnados (eu pessoalmente acredito que ainda estamos mastigando a primeira garfada, não estagnados... E que quando engolirmos, é que vamos poder colocar outra garfada na boca), foi porque os médiuns não andam fazendo o dever de casa que nosso Codificador deixou para eles fazerem.

 

E aí, nós leitores, estudiosos, expositores, evangelizadores, etc, etc, etc, temos que fazer o que já estamos fazendo: Estudar muito as obras básicas, analisar tudo, e esperar a ciência para provar as novas informações que devem ficar na geladeira...

 

Infelizmente, pela falta do CUEE, as novas informações devem aguardar a ciência, em vez de andar ao lado dela, que era o ideal de Kardec.

 

Pessoalmente, relutei muito em entender o CUEE... Achava que as pessoas estavam implicando, que eram fundamentalistas, que estavam com inveja de Emmanuel, fugindo da reforma íntima, e mais um monte de coisas... Quando entendi que tais obras mediúnicas têm o mesmo valor de sempre, já que o papel delas não era "complementar" (isso foi erro NOSSO, em dar essa denominação a elas) a Doutrina Espírita e sim analisá-la, explicá-la, entendi que nem Chico, nem Divaldo e etc, não estavam fazendo mal...  Pois o papel deles era trazer as opiniões dos Espíritos sobre a nova Doutrina que surgiu.

 

Trazer a ótica filosófica de Emmanuel, a ótica científica de André Luiz, a ótica psicológica da Joanna e do Hammed, a ótica espírita de Manoel Philomeno, a ótica poética de Maria Dolores, a ótica crônica de Irmão X, etc.

 

Tenho certeza que se eles tivessem que trazer complementos à Doutrina Espírita, Emmanuel e Joanna, comprovadamente espíritos superiores, sempre presentes, os teriam "obrigado" à fazer CUEE.

 

Por isso, acredito eu, pessoalmente, que a complementação da Doutrina Espírita ainda não chegou, e que os médiuns que trazem tais novidades sem passá-las pelo CUEE que estão sendo indisciplinados e provados. E nós, seremos irresponsáveis em acreditar com a fé cega, porque a força da Doutrina Espírita está na fé raciocinada!

 

* * *

PROGRESSÃO DOS ESPÍRITOS

 

Os Espíritos por si mesmos se melhoram; melhorando-se, passam de uma ordem inferior para uma superior. (LE – 114)

 

  • Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, ou seja, sem conhecimento.

  • Deu a cada um deles uma missão, com o fim de os esclarecer e progressivamente conduzir à perfeição, pelo conhecimento da verdade e para os aproximar Dele.

  • A felicidade eterna e sem perturbações, eles a encontrarão nessa perfeição.

  • Os Espíritos adquirem o conhecimento passando pelas provas que Deus lhes impõe.

 

    • Uns aceitam essas provas com submissão e chegam mais prontamente ao seu destino;

    • outros não conseguem sofrê-las sem lamentação, e assim permanecem, por sua culpa, distanciados da perfeição e da felicidade prometida. (LE – 115)

 

Os Espíritos, na sua origem, se assemelhariam a crianças, ignorantes e sem experiência, mas vão adquirindo pouco a pouco os conhecimentos que lhes faltam, ao percorrer as diferentes fases da vida:

 

  • a criança rebelde permanece ignorante e imperfeita;

  • seu menor ou maior aproveitamento depende da sua docilidade.

 

    • Mas a vida do homem tem fim, enquanto a dos Espíritos se estende ao infinito.  (LE – 115-a)

 

Os Espíritos não ficarão perpetuamente nas classes inferiores, todos se tornarão perfeitos. Eles mudam, ou seja, se melhoram, embora devagar. Assim como um pai justo e misericordioso não pode banir eternamente os seus filhos. Deus que é tão grande, tão justo e tão bom, pela lógica há de agir infinitamente melhor. (LE – 116)

 

Depende dos Espíritos apressarem o seu avanço para a perfeição. Eles chegam mais ou menos rapidamente, segundo o seu desejo e a sua submissão à vontade de Deus. Uma criança dócil se instrui mais depressa que uma rebelde. (LE – 117)

 

Os Espíritos não podem degenerar. À medida que avançam, compreendem o que os afasta da perfeição. Quando o Espírito conclui uma prova, adquiriu conhecimento e não mais o perde.

 

  • Pode permanecer estacionário, mas não retrogradar. (LE – 118)

 

Deus não livra os Espíritos das provas que devem sofrer pra chegar à primeira ordem. Se eles tivessem sido criados perfeitos, não teriam merecimento para gozar dos benefícios dessa perfeição. Onde estaria o mérito, sem a luta? De outro lado, a desigualdade existente entre eles é necessária à sua personalidade, e a missão que lhes cabe, nos diferentes graus, está nos desígnios da Providência, com vistas à harmonia do Universo. (LE – 119) 

 

NOTA DE ALLAN KARDEC: Como, na vida social, todos os homens podem chegar aos primeiros postos, também poderíamos perguntar por que motivo o soberano de um país não faz, de cada um dos seus soldados um general; por que todos os empregados subalternos não são superiores; por que todos os alunos não são professores.  Ora, entre a vida social e a espiritual existe ainda a diferença de que a primeira é limitada e nem sempre permite a escalada de todos os seus degraus, enquanto a segunda é indefinida e deixa a cada um a possibilidade de se elevar ao posto supremo.

 

Os Espíritos não necessitam passar pela fieira do mal, para chegar ao bem, mas pela da ignorância. (LE – 120)

 

Uns Espíritos seguem o caminho do bem, e outros o do mal em virtude do livre-arbítrio. Deus não criou Espíritos maus criou-os simples e ignorantes, ou seja, tão aptos para o bem quanto para o mal; os que são maus, assim se tornaram por sua vontade. (LE – 121)

 

O livre-arbítrio se desenvolve à medida que o Espírito adquire consciência de si mesmo. Não haveria liberdade, se a escolha fosse provocada por uma causa estranha à vontade do Espírito. A causa não está nele, mas no exterior, nas influências a que ele cede em virtude de sua espontânea vontade. Esta é a grande figura da queda do homem e do pecado original:

 

  • uns cederam à tentação e outros a resistiram. (LE – 122)

 

As influências que se exercem sobre ele vem dos Espíritos imperfeitos que procuram envolvê-lo e dominá-lo, e que ficam felizes de o fazer sucumbir. Foi o que se quis representar na figura de Satanás. Esta influência não se exerce sobre o Espírito somente na sua origem, segue-o na vida de Espírito, até que ele tenha de tal maneira adquirido o domínio de si mesmo, que os maus desistam de obsidiá-lo. (LE – 122-a e b)

 

A sabedoria de Deus se encontra na liberdade de escolha que concede a cada um, porque assim cada um tem o mérito de suas obras. (LE – 123)

 

Havendo Espíritos que, desde o princípio, seguem o caminho do bem absoluto, e outros o do mal absoluto, há gradações entre esses dois extremos, e constituem a grande maioria. (LE – 124)

 

Os Espíritos que seguiram o caminho do mal poderão chegar ao mesmo grau de superioridade que os outros, mas as eternidades serão mais longas para eles. (LE – 125) 

 

NOTA DE ALLAN KARDEC: Por essa expressão, as eternidades, devemos entender a idéia que os Espíritos inferiores fazem da perpetuidade dos seus sofrimentos, cujo termo não lhes é dado ver.  Essa idéia se renova em todas as provas nas quais sucumbem.

 

Deus contempla os Espíritos extraviados com o mesmo olhar, e os ama a todos do mesmo modo.  Eles são chamados maus porque sucumbiram; antes, não eram mais que simples Espíritos. (LE – 126)

 

Os Espíritos são criados iguais, mas não sabendo de onde vêm, é necessário que o livre-arbítrio se desenvolva. Progridem mais ou menos rapidamente, tanto em inteligência como em moralidade. (LE – 127) 

 

NOTA DE ALLAN KARDEC: Os Espíritos que seguem desde o princípio o caminho do bem, nem por isso são Espíritos perfeitos; se não têm más tendências, não estão menos obrigados a adquirir a experiência e os conhecimentos necessários à perfeição.  Podemos compará-los a crianças que, qualquer que seja a bondade dos seus instintos naturais, têm necessidade de desenvolver-se, de esclarecer-se, e não chegam sem transição da infância à maturidade. Assim como temos homens que são bons e outros que são maus, desde a infância, há Espíritos que são bons ou maus, desde o princípio, com a diferença capital de que a criança traz os seus instintos formados, enquanto o Espírito, na sua formação, não possui mais maldade que bondade.  Ele tem todas as tendências, e toma uma direção ou outra em virtude do seu livre-arbítrio.

 

ANJOS E DEMÔNIOS

 

Os seres que chamamos anjos, arcanjos, serafins, não formam uma categoria especial, de natureza diferente da dos outros Espíritos; são Espíritos puros: estão no mais alto grau da escala e reúnem em si todas as perfeições. (LE – 128) 

 

NOTA DE ALLAN KARDEC: A palavra anjo desperta geralmente a idéia da perfeição moral; não obstante, é freqüentemente aplicada a todos os seres, bons e maus, que não pertencem à Humanidade. Diz-se: o bom e o mau anjo; o anjo da luz e o anjo das trevas; e nesse caso ele é sinônimo de Espírito ou de gênio. Tomamo-la aqui na sua boa significação.

 

Os anjos também percorreram todos os graus, mas, uns aceitaram a sua missão sem murmurar e chegaram mais depressa; outros empregaram maior ou menor tempo para chegar à perfeição. (LE – 129)

 

Nosso mundo não existe de toda a eternidade, e que muito antes de existir já havia Espíritos no grau supremo; os homens, por isso, acreditaram que eles sempre haviam sido perfeitos. (LE – 130)

 

Não há demônios, no sentido que se dá a essa palavra, pois se houvesse demônios, eles seriam obra de Deus. E Deus não seria justo e bom, criando seres infelizes, eternamente voltados ao mal. Se há demônios, eles fazem parte deste mundo inferior ou de outros semelhantes, que residem: são esses homens hipócritas que fazem de um Deus justo um Deus mau e vingativo, e que pensam lhe ser agradáveis pelas abominações que cometem em seu nome. (LE – 131)

 

NOTA DE ALLAN KARDEC: A palavra demônio não implica a idéia de Espírito mau, a não ser na sua acepção moderna, porque o termo grego daimon, de que ela deriva, significa gênio, inteligência, e se aplicou aos seres incorpóreos, bons ou maus, sem distinção.

 

Os demônios, segundo a significação vulgar do termo, seriam entidades essencialmente malfazejas: e seriam, como todas as coisas, criação de Deus. Mas Deus, que é eternamente justo e bom, não pode ter criado seres predispostos ao mal por sua própria Natureza e condenados pela Eternidade. Se não fossem obra de Deus, seriam eternos como ele, e nesse caso haveria muitas potências soberanas.

 

A primeira condição de toda doutrina é a de ser lógica; ora, a dos demônios, no seu sentido absoluto, falha neste ponto essencial.?Que na crença dos povos atrasados, que não conheciam os atributos de Deus, admitindo divindades malfazejas, também se admitissem os demônios, é concebível; mas para quem quer que faça da bondade de Deus um atributo por excelência é ilógico e contraditório supor que ele tenha criado seres voltados ao mal e destinados a praticá-lo perpetuamente, porque isso negaria a sua bondade. Os partidários do demônio se apóiam nas palavras do Cristo e não seremos nós que iremos contestar a autoridade dos seus ensinos, que desejaríamos ver mais no coração do que na boca dos homens; mas estariam bem certos do sentido que ele atribuía à palavra demônio? Não se sabe que a forma alegórica é uma das características da sua linguagem? Tudo que o Evangelho contém deve ser tomado ao pé da letra? Não queremos outra prova, além desta passagem:

 

“Logo após esses dias de aflição, o sol se obscurecerá e a lua não dará mais a sua luz, as estrelas cairão do céu e as potências celestes serão abaladas. Em verdade vos digo?que esta geração não passará, antes que todas essas coisas se cumpram”. Não vimos a forma do texto bíblico contraditada pela Ciência, no que se refere à criação e ao movimento da Terra? Não pode acontecer o mesmo concertas figuras empregadas pelo Cristo, que devia falar de acordo com o tempo e a região em que se achava? O Cristo não poderia ter dito conscientemente uma falsidade.

 

Se, portanto, nessas palavras há coisas que parecem chocar a razão, é que não as compreendemos ou que as interpretamos mal.

 

Os homens fizeram, com os demônios, o mesmo que com os anjos. Da mesma forma que acreditaram na existência de seres perfeitos, desde toda a eternidade, tornaram também os Espíritos inferiores por seres perpetuamente maus.  A palavra demônio deve, portanto ser entendida como referente aos Espíritos impuros, que freqüentemente não são melhores que os designados por esse nome, mas com a diferença de ser o seu estado apenas transitório. São esses os Espíritos imperfeitos que murmuram contra as suas provações e por isso as sofrem por mais tempo, mas chegarão por sua vez à perfeição, quando se dispuserem a tanto. Poderíamos aceitar a palavra demônio com esta restrição.  Mas, como ela é agora entendida num sentido exclusivo, poderia induzir em erro, dando margem à crença na existência de seres criados especialmente para o mal.

 

A propósito de Satanás, é evidente que se trata da personificação do mal sob uma forma alegórica, porque não se poderia admitir um ser maligno lutando de igual para igual com a Divindade, e cuja única preocupação seria a de contrariar os seus desígnios. Como o homem necessita de imagens e figuras para impressionar a sua imaginação, pintou os seres incorpóreos com formas materiais dotadas de atributos que lembram as suas qualidades ou os seus defeitos. Foi assim que os antigos, querendo personificar o Tempo, deram-lhe a figura de um velho com foice e uma ampulheta. Uma figura de jovem, nesse caso, seria um contra-senso. O mesmo se deu com as alegorias da Fortuna, da Verdade, etc. Os modernos representaram os anjos, os Espíritos puros, numa figura radiosa, com asas brancas, símbolos da pureza, e Satanás com chifres, garras e os atributos da bestialidade, símbolos das baixas paixões. O vulgo, que toma as coisas ao pé da letra, viu nesses símbolos entidades reais, como outrora vira Saturno na alegoria do Tempo (1) .

 

(1) Esta teoria espírita sobre os demônios vai hoje se impondo aos próprios meios religiosos que mais acirradamente a combateram. Em O Diabo, o escritor católico Giovanni Papini a endossou, apoiado nos Pais da Igreja. O padre Pierre Teilhard de Chardin, cuja doutrina aproxima a teologia católica d.e concepção espírita, considera o Inferno como “pólo negativo do mundo”, integrado no Pleroma (o mundo divino unido ao corpo místico do Cristo) e assim se refere aos demônios: “O condenado não é excluído do Pleroma, mas apenas da sua face luminosa e da sua beatitude. Perde-o, mas não está perdido para ele.”– (Le Millieu Divin – Oeuvres – Seuil, 1957-- Paris – pág.  191.) –(N.  do T.)

 

* * *

 

 

 

SEGUNDA CLASSE.

  • ESPÍRITOS SUPERIORES. (LE – 111)

 

[     Reúnem a ciência, a sabedoria e a bondade.

[     Sua linguagem, que só transpira benevolência, é sempre digna, elevada e freqüentemente sublime. 

[     Sua superioridade os torna, mais que os outros, aptos a nos proporcionar as mais justas noções sobre as coisas do mundo incorpóreo, dentro dos limites do que nos é dado conhecer.

[     Comunicam-se voluntariamente com os que procuram de boa fé a verdade, e cujas almas bastante libertas dos liames terrenos para a compreender; mas afastam-se dos que são movidos apenas pela curiosidade, ou que, pela influência da matéria, desviam-se da prática do bem.

 

[      Quando, por exceção, se encarnam na Terra, é para cumprir uma missão de progresso, e então nos oferecem o modelo de perfeição a que a humanidade pode aspirar neste mundo.

 

[      O tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem, para lhe servir de guia e modelo foi Jesus. (LE – 625)  (*)

 

PRIMEIRA ORDEM

ESPIRITOS PUROS

 

CARACTERES GERAIS.  (LE – 112)

 

  • Nenhuma influência da matéria.

 

  • Superioridade intelectual e moral absoluta, em relação aos Espíritos das outras ordens.

 

PRIMEIRA CLASSE. (LE – 113

  • CLASSE ÚNICA

 

[     Percorreram todos os graus da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria.  Havendo atingido a soma de perfeições de que é suscetível a criatura, não têm mais provas nem expiações a sofrer. Não estando mais sujeitos à reencarnação em corpos perecíveis, vivem a vida eterna, que desfrutam no seio de Deus.

 

[     Gozam de uma felicidade inalterável, porque não estão sujeitos nem às necessidades nem às vicissitudes da vida material, mas essa felicidade não é a de uma ociosidade monótona, vivida em contemplação perpétua. São os mensageiros e os ministros de Deus, cujas ordens executam, para a manutenção da harmonia universal. Dirigem a todos os Espíritos que lhes são inferiores, ajudam-nos a se aperfeiçoarem e determinam as suas missões.  Assistir os homens nas suas angústias, incitá-los ao bem ou à expiação de faltas que os distanciam da felicidade suprema, é para eles uma ocupação agradável. São às vezes designados pelos nomes de anjos, arcanjos ou serafins.

 

[     Os homens podem comunicar-se com eles, mas bem presunçoso seria o que pretendesse tê-los constantemente às suas ordens.

 

* * *

 

 

* * *

 

LE - 168 - O número de existências corporais é limitado, ou, o Espírito se reencarna perpetuamente?

- A cada nova existência o Espírito dá um passo no caminho do progresso; quando se despojou de todas as suas impurezas, não tem mais necessidade das provas da vida corporal.

 

LE - 170 - Em que se transforma o Espírito depois da sua última encarnação?

- Espírito bem-aventurado; é um Espírito puro.

 

LE - 226 Todos os Espíritos que não estão encarnados são errantes?

– Daqueles que devem reencarnar, sim. Mas os Espíritos puros que atingiram a perfeição não são errantes: seu estado é definitivo. 

 

NOTA DE ALLAN KARDEC: No tocante às suas qualidades íntimas os Espíritos pertencem a diferentes ordens ou graus, pelos quais passam sucessivamente, à medida que se purificam. Quanto ao estado podem ser: encarnados, que quer dizer ligados a um corpo; errantes, ou desligados do corpo material e esperando uma nova encarnação para se melhorarem; Espíritos puros ou perfeitos e não tendo mais necessidade da encarnação.

 

LE - 233 Os Espíritos já purificados vão aos mundos inferiores?

– Vão muitas vezes a fim de ajudá-los a progredir. Senão esses mundos ficariam entregues a si mesmos, sem guias para dirigi-los.

 

LE - 268 Até que atinja o estado de pureza perfeita, o Espírito tem que passar constantemente por provas?

– Sim, mas não são como as entendeis, visto que chamais de provas às adversidades materiais. Porém, o Espírito que atingiu um certo grau, sem ser ainda perfeito, nada mais tem a suportar; embora sempre tenha deveres que o ajudam a se aperfeiçoar, e que nada têm para ele de constrangedor ou angustiante, ainda que seja para ajudar os outros a se aperfeiçoar.

 

LE - 562 Os Espíritos de ordem mais elevada, não tendo mais nada a adquirir, estão numa espécie de repouso absoluto ou também têm ocupações?

– O que quereríeis que fizessem durante a eternidade? A ociosidade eterna seria um suplício eterno. 

 

LE - 562 a Qual a natureza de suas ocupações?

– Receber diretamente as ordens de Deus, transmiti-las em todo o universo e velar pela sua execução.

 

233 Os Espíritos já purificados vão aos mundos inferiores?

– Vão muitas vezes a fim de ajudá-los a progredir. Senão esses mundos ficariam entregues a si mesmos, sem guias para dirigi-los.

 

LE - 563 As ocupações dos Espíritos são incessantes?

– Incessantes, sim, entendendo-se que seu pensamento é sempre ativo, pois vivem pelo pensamento. Mas é preciso não comparar as ocupações dos Espíritos às ocupações materiais dos homens. A atividade é para eles um prazer, pela consciência que têm de serem úteis.

 

LE - 563 a Isso se concebe para os bons Espíritos; mas ocorre o mesmo com os Espíritos inferiores?

Os Espíritos inferiores têm ocupações apropriadas à sua natureza. Acaso confiais ao aprendiz e ao ignorante os trabalhos do homem de inteligência?

 

* * * 

 

À luz da Escala Espírita, vamos tentar imaginar qual deve ser a classe de Espíritos predominante em cada mundo.  

Categoria de Mundo

Progresso Acadêmico

Classes Predominantes de Espíritos

Primitivo

Educação Infantil

7a classe:

Espíritos Neutros.

Provas e Expiações

Ensino Fundamental

6a, 7a, 8a e 9a classes: Espíritos Perturbadores, Neutros, Pseudo-sábios, Levianos e Impuros.

Regeneradores

Ensino Médio

4a e 5a classes:

Espíritos Sábios e Benévolos.

Ditosos ou Felizes

Curso Superior

2a e 3a classes:

Espíritos de Sabedoria e Superiores.

Celestes ou Divinos

Pós Graduação

1a classe:

Espíritos Puros.

Quadro de Renato Costa no artigo "HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI"

 

* * *

 

in Revista Espírita,

Jornal de Estudos psicológicos publicada sobre a direção de Allan Kardec,

O Espiritismo entre os Druidas

abril de 1858

 

A Doutrina Espírita não consiste somente na crença das manifestações dos Espíritos, mas em tudo o que nos ensinam sobre a natureza e o destino da alma. Se, pois, se quiser se reportar aos preceitos contidos em O Livro dos Espíritos, onde se encontra formulado todo o seu ensinamento, impressionar-se-á com a identidade de alguns princípios fundamentais com os da doutrina druídica, dos quais um dos mais salientes e sem contradita, é o da reencarnação. Nos três círculos, nos três estados sucessivos dos seres animados, encontramos todas as fases que apresenta a nossa escala espírita. O que é, com efeito, o círculo de abred ou da migração, senão as duas ordens de Espíritos que se depuram em suas existências sucessivas? No círculo de gwynfyd, o homem não transmigra mais, goza da suprema felicidade. Não é a primeira ordem da escala, a dos Espíritos que, tendo cumprido todas as provas, não têm mais necessidade de encanação e gozam da vida eterna? Anotemos, ainda, que, segundo a doutrina druídica, o homem conserva o seu livre arbítrio; se eleva gradualmente pela sua vontade, sua perfeição progressiva e as provas que suporta, de annoufn ou abismo, até a perfeita felicidade em gwynfyd, com a diferença, no entanto, de que o druidismo admite o retorno possível nas classes inferiores, ao passo que, segundo o Espiritismo, o Espírito pode permanecer estacionário, mas não pode degenerar. Para completar a analogia, teríamos que acrescentar à nossa escala, abaixo da terceira ordem, o círculo de annoufn, por caracterizar o abismo ou origem, desconhecida das almas, e, acima da primeira ordem, o círculo de ceugant, morada de Deus, inacessível às criaturas. O quadro seguinte torna essa comparação mais sensível.

 

* * *

(*) Raciocínio sobre a classe espiritual de Jesus

segundo O Livro dos Espíritos:

 Por Elio Mollo

 

No item 111 de O Livro dos Espíritos o codificador do Espiritismo diz que quando os espíritos superiores da segunda classe, por exceção, se encarnam na Terra, é para cumprir uma missão de progresso, e então nos oferecem o modelo de perfeição a que a humanidade pode aspirar neste mundo.

 

No item 113 de LE sobre a classe Única (Espíritos puros) temos o seguinte:

  • não têm mais provas nem expiações a sofrer

  • não estão sujeitos nem às necessidades nem às vicissitudes da vida material

 

Na  questão 168 (LE) os espíritos também foram claros ao responderem que quando se despojou de todas as suas impurezas, não tem mais necessidade das provas da vida corporal.

 

Kardec em nota a q. 226 (LE) disse: Espíritos puros, perfeitos, que não têm mais necessidade de encarnação.

 

Vejamos o que diz um trecho da resposta a questão 611 de LE sobre a metempsicose: (...) Do momento em que o princípio inteligente atinge o grau necessário para ser Espírito e entrar no período de humanidade, ele não tem mais relação com o seu estado primitivo...

 

Por dedução, isto também cabe a ordem de Espíritos puros, uma vez atingido esse estágio, o antigo processo de (re)encarnação não tem mais fundamento. O pensamento dos Espíritos puros  é sempre ativo, pois vivem pelo pensamento (LE 563) e, é pelo pensamento que visitam e auxiliam os planetas espalhados pelo Universo.

-

Como nenhum espírito que chegou ao estágio hominal irá ter mais condições de encarnar num corpo animal, os espíritos puros, consequentemente, não terão mais necessidade de encarnar num corpo humano, pois o Espírito não retrogada (LE 118 e 612), da mesma maneira que o rio não remonta a sua fonte (LE 612). Pois este retrocesso é entendido como metempsicose.

-

Sendo assim, se Jesus precisou encarnar na Terra para cumprir uma missão, tudo indica que na época que fez sua passagem por aqui ele pertencia a SEGUNDA ORDEM, SEGUNDA CLASSE, ESPÍRITOS SUPERIORES.

* * *

A Escala Espírita

11:05 @ 19/11/2008

 

A ESCALA ESPÍRITA

Pesquisa para estudo: Elio Mollo

 

 

DIFERENTES ORDENS DE ESPÍRITOS

In O LIVRO DOS ESPÍRITOS

Obra codificada por Allan Kardec

Texto semelhante pode ser encontrado na Revista Espírita

Jornal de Estudos psicológicos publicada sobre a direção de Allan Kardec,

fevereiro de 1858

 

 

Os Espíritos são de diferentes ordens, segundo o grau de perfeição a que tenham chegado. (LE – 96)

 

O número dessas ordens é ilimitado, pois não há entre elas uma linha de demarcação, traçada como barreira, de maneira que se podem multiplicar ou restringir as divisões, à vontade. Não obstante, se considerarmos os caracteres gerais, poderemos reduzi-las a três ordens principais.

 

  • Na primeira ordem, podemos colocar os que já chegaram à perfeição; os Espíritos puros.

  • Na segunda ordem, estão os que chegaram ao meio da escala: o desejo do bem é a sua preocupação.

  • Na terceira ordem, os que estão ainda na base da escala: os Espíritos imperfeitos, que se caracterizam pela ignorância, o desejo do mal e todas as más paixões que lhes retardam o desenvolvimento. (LE – 97)

 

Os Espíritos da segunda ordem têm o desejo do bem e possuem a condição de fazê-lo de acordo com o grau do progresso espiritual conquistado: uns possuem a ciência; outros a sabedoria e a bondade, entretanto todos ainda têm provas a sofrer. (LE – 98)

 

Os Espíritos da terceira ordem não são todos essencialmente maus:

 

  • uns não fazem bem nem mal;

  • outros, ao contrário, se comprazem no mal e ficam satisfeitos quando encontram ocasião de praticá-la. 

  • Há ainda Espíritos levianos ou estouvados, mais travessos do que malignos, que se comprazem mais na malícia do que na maldade, encontrando prazer em mistificar e causar pequenas contrariedades, das quais se riem. (LE – 99)

 

ESCALA ESPÍRITA

 

OBSERVAÇÕES PRELIMINARES. (LE – 100)

 

A classificação dos Espíritos funda-se no seu grau de desenvolvimento, nas qualidades por eles adquiridas e nas imperfeições de que ainda não se livraram. 

 

  • Esta classificação nada tem de absoluta:

  • Nenhuma categoria apresenta caráter bem definido, a não ser no conjunto:

 

De um grau a outro a transição é insensível, pois, nos limites, as diferenças se apagam, como nos reinos da Natureza, nas cores do arco-íris ou ainda nos diferentes períodos da vida humana.

 

Pode-se, portanto, formar um número maior ou menor de classes, de acordo com a maneira por que se considerar o assunto.

 

Acontece o mesmo que em todos os sistemas de classificação científica: 

 

  • os sistemas podem ser mais ou menos completos, mais ou menos racionais, mais ou menos cômodos para a inteligência;

    • mas, sejam como forem, nada alteram quanto à substância da Ciência.

 

Os Espíritos, interpelados sobre isto, puderam, pois, variar quanto ao número das categorias, sem maiores conseqüências.

 

Houve quem se apegasse a esta contradição aparente, sem refletir que eles não dão nenhuma importância ao que é puramente convencional.

 

Para eles o pensamento é tudo:

 

  • deixam-nos os problemas da forma, da escolha dos termos, das classificações, em uma palavra, dos sistemas.

 

Ajuntemos ainda esta consideração, que jamais se deve perder de vista:

 

  • Entre os Espíritos, como entre os homens, há os que são muito ignorantes, e nunca será demais estarmos prevenidos contra a tendência a crer que eles tudo sabem, por serem Espíritos.

 

  • Toda classificação exige método, análise e conhecimento aprofundado do assunto.

·         No mundo dos Espíritos, os que têm conhecimentos limitados são como os ignorantes deste mundo, incapazes de apreender um conjunto e formular um sistema;

·         Eles não conhecem ou não compreendem senão imperfeitamente qualquer classificação;

·         Para eles, todos os Espíritos que lhes sejam superiores são de primeira ordem, pois não podem apreciar as suas diferenças de saber, de capacidade e de moralidade, como entre nós faria um homem rude em relação aos homens ilustrados.

 

E aqueles mesmos que sejam capazes, podem variar nos detalhes, segundo os seus pontos de vista, sobretudo quando uma divisão nada tem de absoluto.

 

Linneu, Jussieu, Tournefort, tiveram cada qual o seu método e a Botânica não se alterou por isso.  E que eles não inventaram nem as plantas, nem os seus caracteres, mas apenas observaram as analogias, segundo as quais formaram os grupos e as classes.

 

Foi assim que procedemos. 

 

  • Nós também não inventamos os Espíritos nem os seus caracteres.

  • Vimos e observamos; julgamos pelas suas palavras e os seus atos, e depois os classificamos pelas semelhanças, baseando-nos nos dados que eles nos forneceram.

 

Os Espíritos admitem, geralmente, três categorias principais ou três grandes divisões.

 

 

  

  • Na última, aquela que se encontra na base da escala, estão os Espíritos imperfeitos, caracterizados pela predominância da matéria sobre o espírito e pela propensão ao mal.

 

  • Os da segunda se caracterizam pela predominância do espírito sobre a matéria e pelo desejo de praticar o bem:

    • são os Espíritos bons.

 

  • A primeira, enfim, compreende os Espíritos puros, que atingiram o supremo grau de perfeição.

 

Esta divisão nos parece perfeitamente racional e apresenta caracteres bem definidos; não nos resta senão destacar, por um número suficiente de subdivisões, as nuanças principais do conjunto.  Foi o que fizemos, com o concurso dos Espíritos, cujas benevolentes instruções jamais nos faltaram.

 

Com a ajuda deste quadro será fácil determinar a ordem e o grau de superioridade ou inferioridade dos Espíritos com os quais podemos entrar em relação, e, por conseguinte o grau de confiança e de estima que eles merecem.  Esta é de alguma maneira, a chave da Ciência espírita, pois só ela pode explicar-nos as anomalias que as comunicações apresentam, esclarecendo-nos sobre as irregularidades intelectuais e morais dos Espíritos.

 

Observaremos, entretanto, que

 

  • os Espíritos não pertencem para sempre e exclusivamente a esta ou àquela classe;

  • o seu progresso se realiza gradualmente, e como muitas vezes se efetua mais num sentido que noutro,

  • eles podem reunir as características de várias categorias, o que é fácil avaliar por sua linguagem e seus atos.

 

TERCEIRA ORDEM:

ESPÍRITOS IMPERFEITOS

 

CARACTERES GERAIS. (LE – 101)

 

  • Predominância da matéria sobre o Espírito.

 

  • Propensão ao mal. Ignorância, orgulho, egoísmo e todas as más paixões conseqüentes. Têm a intuição de Deus, mas não o compreendem.

 

  • Nem todos são essencialmente maus; em alguns, há mais leviandade.

 

  • Uns não fazem o bem, nem o mal; mas, pelo simples fato de não fazerem o bem, revelam a sua inferioridade.  Outros, pelo contrário, se comprazem no mal e ficam satisfeitos quando encontram ocasião de praticá-la.

 

  • Podem aliar a inteligência à maldade ou à malícia: mas, qualquer que seja o seu desenvolvimento intelectual, suas idéias são pouco elevadas e os seus sentimentos mais ou menos abjetos.

 

  • Os seus conhecimentos sobre as coisas do mundo espírita são limitados, e o pouco que sabem a respeito se confunde com as idéias e os preconceitos da vida corpórea.  Não podem dar-nos mais do que noções falsas e incompletas daquele mundo;

 

Mas o observador atento encontra freqüentemente, nas suas comunicações, mesmo imperfeitas.

 

  • A confirmação das grandes verdades ensinadas pelos Espíritos superiores.

 

  • O caráter desses Espíritos se revela na sua linguagem.

 

  • Todo Espírito que, nas suas comunicações, trai um pensamento mau, pode ser colocado na terceira ordem;

 

    • por conseguinte, todo mau pensamento que nos for sugerido provém de um Espírito dessa ordem.

 

  • Vêem a felicidade dos bons, e essa visão é para eles um tormento incessante, porque lhes faz provar as angústias da inveja e do ciúme.

 

  • Conservam a lembrança e a percepção dos sofrimentos da vida corpórea, e essa impressão é freqüentemente mais penosa que a realidade.

 

  • Sofrem, portanto, verdadeiramente, pelos males que suportarem e pelos que acarretaram aos outros; e como sofrem por muito tempo, julgam sofrer para sempre. Deus, para os punir, quer que eles assim pensem.

 

Podemos dividi-los em cinco classes principais.

 

DECIMA CLASSE. 

  • ESPÍRITOS IMPUROS. (LE – 102)

 

[     São inclinados ao mal e o fazem objeto de suas preocupações. Como Espíritos, dão conselhos pérfidos, insuflam a discórdia e a desconfiança e usam todos os disfarces para melhor enganar. Apegam-se às pessoas de caráter bastante fraco para cederem às suas sugestões, a fim de as levar à perda, satisfeitos de poderem retardar o seu adiantamento, ao faze-las sucumbir ante as provas que sofrem. Nas manifestações, reconhecem-se esses Espíritos pela linguagem: a trivialidade e a grosseria das expressões, entre os Espíritos como entre os homens, é sempre um índice de inferioridade moral, senão mesmo intelectual. Suas comunicações revelam a baixeza de suas inclinações, e se eles tentam enganar, falando de maneira sensata, não podem sustentar o papel por muito tempo e acabam sempre por trair a sua origem.

 

[     Alguns povos os transformaram em divindades malfazejas, outros os designam como demônios, gênios maus, Espíritos do mal.

 

[     Quando encarnados, inclinam-se a todos os vícios que as paixões vis e degradantes engendram: a sensualidade, a crueldade, a felônia, a hipocrisia, a cupidez e a avareza sórdida.  Fazem o mal pelo prazer de fazê-la, no mais das vezes sem motivo, e, por aversão ao bem, quase sempre escolhem suas vítimas entre as pessoas honestas. Constituem verdadeiros flagelos para a Humanidade, seja qual for a posição social que ocupem e o verniz da civilização não os livra do opróbrio e da ignomínia.

 

NONA CLASSE.

  • ESPÍRITOS LEVIANOS. (LE – 103)

 

[     São ignorantes, malignos, inconseqüentes e zombeteiros. Metem-se em tudo e a tudo respondem sem se importarem com a verdade.  Gostam de causar pequenas contrariedades e pequenas alegrias, de fazer intrigas, de induzir maliciosamente ao erro, por meio de mistificações e de espertezas.  A esta classe pertencem os Espíritos vulgarmente designados pelos nomes de duendes, diabretes, gnomos, trasgos. Estão sob a dependência de Espíritos superiores, que deles muitas vezes se servem o fazemos com os criados.

 

[     Nas suas comunicações com os homens, a sua linguagem é muitas vezes espirituosa e alegre, mas quase sempre sem profundidade; apanham as esquisitices e os ridículos humanos, que interpretam de maneira mordaz e satírica.  Se tornam nomes supostos, é mais por malícia do que por maldade.

 

OITAVA CLASSE. 

  • ESPÍRITOS PSEUDO-SÁBIOS. (LE – 104)

 

[     Seus conhecimentos são bastante amplos, mas julgam saber mais do que realmente sabem. Tendo realizado alguns progressos em diversos sentidos, sua linguagem tem um caráter sério, que pode iludir quanto à sua capacidade e às suas luzes. Mas isso, freqüentemente, não é mais do que um reflexo dos preconceitos e das idéias sistemáticas que tiveram na vida terrena. Sua linguagem é uma mistura de algumas verdades com os erros mais absurdos, entre os quais repontam a presunção, o orgulho, a inveja e a teimosia de que não puderam despir-se.

 

SÉTIMA CLASSE.

  • ESPÍRITOS NEUTROS. (LE – 105)

 

[     Nem são bastante bons para fazerem o bem, nem bastante maus para fazerem o mal; tendem tanto para um como para outro e não se elevam sobre a condição vulgar da humanidade, quer pela moral ou pela inteligência. Apegam-se às coisas deste mundo, saudosos de suas grosseiras alegrias.

 

SEXTA CLASSE.

  • ESPÍRITOS BATEDORES E PERTURBADORES. (LE – 106)

 

[     Estes Espíritos não formam, propriamente falando, uma classe diferente quanto às suas qualidades pessoais, e podem pertencer a todas as classes da terceira ordem. Manifestam freqüentemente sua presença por efeitos sensíveis e físicos, como golpes, movimento e deslocamento anormal de corpos sólidos, do ar, etc. Parece que estão mais apegados à matéria do que os outros, sendo os agentes principais das vicissitudes dos elementos do globo, quer pela sua ação sobre o ar, a água, o fogo, os corpos sólidos, ou nas entranhas da Terra. Reconhece-se que esses fenômenos não são devidos a uma causa fortuita e física, quando têm um caráter intencional e inteligente. Todos os Espíritos podem produzir esses fenômenos, mas os Espíritos elevados os deixam, em geral, a cargo dos Espíritos subalternos, mais aptos para as coisas materiais que para as inteligentes. Quando julgam que as manifestações desse gênero são úteis, servem-se desses Espíritos como auxiliares.

 

SEGUNDA ORDEM

ESPÍRITOS BONS

 

CARACTERES GERAIS. (LE – 107)

 

[     Predomínio do Espírito sobre a matéria;

[     desejo do bem.

 

Suas qualidades e seu poder de fazer o bem estão na razão do grau que atingiram:

 

  • uns possuem a ciência, outros a sabedoria e a bondade;

  • os mais adiantados juntam ao seu saber as qualidades morais.

 

Não estando ainda completamente desmaterializados, conservam mais ou menos, segundo sua ordem, os traços da existência corpórea, seja na linguagem, seja nos hábitos, nos quais se encontram até mesmo algumas de suas manias.  Se não fosse assim seriam Espíritos perfeitos.

 

Compreendem Deus e o infinito e gozam já da felicidade dos bons. Sentem-se felizes quando fazem o bem e quando impedem o mal. O amor que os une é para eles uma fonte de inefável felicidade, não alterada pela inveja nem pelos remorsos, ou por qualquer das paixões que atormentam os Espíritos imperfeitos; mas terão ainda passar por provas, até atingirem a perfeição absoluta.

 

Como Espíritos, suscitam bons pensamentos, desviam os homens do caminho do mal, protegem durante a vida aqueles que se tornam dignos e neutralizam a influência dos Espíritos imperfeitos sobre os que não comprazem nela.

 

Quando encarnados,

 

·         são bons e benevolentes para com os semelhantes;

·         não se deixam levar pelo orgulho, nem pelo egoísmo, nem pela ambição;

·         não provam ódio, nem rancor, nem inveja ou ciúme, fazendo o bem pelo bem.

 

A esta ordem pertencem os Espíritos designados nas crenças vulgares pelos nomes de bons gênios, gênios protetores, Espíritos do bem. Nos tempos de superstição e de ignorância, foram considerados divindades benfazejas.  Podemos dividi-los em quatro grupos principais:

 

QUINTA CLASSE.

  • ESPÍRITOS BENÉVOLOS. (LE – 108)

 

[     Sua qualidade dominante é a bondade;

[     gostam de prestar serviços aos homens e de os proteger; mas o seu saber é limitado:

o        seu progresso realizou-se mais no sentido moral que no intelectual.

 

QUARTA CLASSE.

  • ESPÍRITOS SÁBIOS. (LE – 109)

 

[     O que especialmente os distingue é a amplitude dos conhecimentos.

[     Preocupam-se menos com as questões morais do que com as científicas, para as quais têm mais aptidão;

o        mas só encaram a Ciência pela sua utilidade, livre das paixões que são próprias dos Espíritos imperfeitos.

 

TERCEIRA CLASSE.

  • ESPÍRITOS PRUDENTES. (LE – 110)

 

[     Caracterizam-se pelas qualidades morais de ordem mais elevada. Sem possuir conhecimentos ilimitados, são dotados de uma capacidade intelectual que lhes permite julgar com precisão os homens e as coisas.

 

Continua -> -> ->

A necessidade da vida social

14:32 @ 09/08/2008

Escreve: Elio Mollo

 

“Porque nenhum de nós vive para si”.

(Paulo aos Romanos,14:7)

 

Na Natureza tudo se serve, tudo se encadeia, desde o ser mais simples até o mais evoluído. O sol atende ao seu sistema fornecendo luz e calor para promover uma reação que mantém os elementos vitais em circulação, sustentando a vida em todos os planetas. Os planetas em suas órbitas, se posicionam de tal forma, que um mantém o equilíbrio do outro, além do seu próprio, obtendo uma harmonia em todo o sistema.

 

Para que tenhamos a eletricidade necessitamos de um rio com volume de água suficiente para movimentar a usina geradora de energia elétrica. Para manter a água necessária precisa-se da chuva. Para que a eletricidade chegue ao seu destino são necessários fios condutores e assim por diante. Tudo isso funcionando em perfeita sintonia nos fornece a energia suficiente para mantermos nossos lares com iluminação e todos os aparelhos eletrodomésticos que nos servem em nosso dia a dia.

 

Hoje, com a tal globalização, os países envolvidos necessitam manter suas economias atualizadas e equilibradas, porque se algum deles provocar alguma anomalia, todos os outros sentirão o efeito negativo. Caso contrário, tudo estará bem e funcionará normalmente, com as populações desses países tendo empregos, alimentos e conforto. Pois é, assim temos exemplos de como cada um de nós deve agir para manter o nosso próprio equilíbrio e de todos aqueles que nos rodeiam e vivem em função de nós.

 

Em O Livro dos Espíritos, os Espíritos, em resposta às questões 766, 767 e 768, afirmaram: “A vida social está na Natureza. Deus fez o homem para viver em sociedade. Deus não deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação.” “O isolamento absoluto é contrário à Lei Natural, pois os homens buscam a sociedade por instinto e devem todos concorrer para o progresso, ajudando-se mutuamente.” “O homem deve progredir, mas sozinho não o pode fazer porque não possui todas as faculdades: precisa do contato dos outros homens. No isolamento, ele se embrutece e se debilita”. O Codificador em nota a essas respostas, acrescenta: “Nenhum homem dispõe de faculdades completas e é pela união social que eles se completam uns aos outros, para assegurarem seu próprio bem-estar e progredirem. Eis porque, tendo necessidade uns dos outros, são feitos para viver em sociedade e não isolados."

 

Podemos observar, assim, que a sociedade necessita de criaturas que cooperem umas com as outras para que o progresso geral se estabeleça. Dizem os Espíritos em resposta à questão 785 de O Livro dos Espíritos, que os maiores obstáculos ao progresso são o egoísmo e o orgulho, referindo-se dessa forma ao progresso moral, porquanto, o intelectual se efetua sempre.

 

O egoísmo e o orgulho extremados quebram a harmonia entre os homens, pois são eles que entravam o progresso moral, provocando as discórdias, as malevolências, os ciúmes, os sofrimentos atrozes etc., chegando a afastar o homem da vida social, levando-o à ruína. Para compreendermos o efeito negativo do egoísmo e do orgulho, buscamos o livro Fábulas e Lendas de Leonardo da Vinci, uma adaptação do conto “A árvore orgulhosa”. Diz ele:

 

“No meio de um jardim, junto a muitas outras árvores, havia um lindo cedro. Crescia a cada ano que passava, e seus galhos eram muito mais altos do que os galhos das outras árvores.

 

Tirem daí essa castanheira! — disse o cedro, inchado de orgulho ante a sua própria beleza. E a castanheira foi removida.

 

Levem embora aquela figueira! — disse o cedro. — Ela me incomoda. — E a figueira foi arrancada.

 

Tirem as macieiras! — prosseguiu o cedro, erguendo alto a sua bela cabeça. E as macieiras se foram.

 

Assim, o cedro fez com que uma a uma todas as outras árvores fossem arrancadas, até ficar sozinho, dono do grande jardim. Um dia, porém, houve uma forte ventania. O lindo cedro lutou com todas as forças, agarrando-se à terra com suas longas raízes. Mas o vento, sem outras árvores para detê-lo, dobrou e feriu o cedro e, finalmente, com grande estrondo, derrubou-o ao chão.”

 

O contrário de tudo isso são a caridade e a humildade. Esses são os elementos positivos do progresso e que levam o homem à solidariedade. Todo homem que possui essas qualidades sabe amar, servir e se relacionar com os outros homens, como Jesus ensinou; esse homem sabe, ainda, sorrir para o seu semelhante e passa seus conhecimentos, sem constrangimento, a todos aqueles que dele necessitam. Sabe que é uma peça importante do grande mecanismo Universal e se coloca sempre à disposição sem se exaltar, procurando estar em contato permanente com as outras criaturas oferecendo de si e recebendo dos outros sem nenhum interesse que não o de servir. Ao contrário do cedro que caiu, por ser egoísta e orgulhoso e, conseqüentemente anti-social, o homem caridoso e humilde consegue o suporte do bem que distribui, por meio da solidariedade, sendo mais difícil a sua queda.

 

Conta uma lenda de tradição judaica que: “Numa região longínqua, viviam alguns homens que passavam muita fome porque tinham os cotovelos voltados para dentro e as mãos voltadas para fora. Portanto não podiam dobrar os braços em direção à boca porque não tinham flexão e assim não se alimentavam. Os pobres homens estavam à mingua, desnutridos e fatalmente condenados a morrer de inanição. O mais idoso, cheio de sabedoria, passou a estudar um meio de solucionar o problema. Eis a solução: já que, tendo os cotovelos voltados para dentro e as mãos espalmadas para fora poderiam colocar o alimento na boca dos outros e assim não passariam mais fome. O regime de solidariedade resolveu a questão.”

 

Assim, somos nós. Todos possuímos defeitos e qualidades, temos o caráter diferenciado um do outro, pois, como disse Kardec, ninguém dispõe de faculdades completas e é pela união social que vamos nos completando mutuamente, assegurando nosso próprio bem-estar e progredindo juntos, já que é complicado seguirmos sozinhos. Necessitamos ser solidários, para termos uma boa relação.

 

Cooperemos, então, uns com os outros e sigamos com Jesus para a nossa evolução, pois, como disse o apóstolo Paulo, nenhum de nós vive para si.

 

* * *

 
Renato Costa
 

A Forma dos Espíritos

 

Em O Livro dos Espíritos, tem-se o seguinte diálogo entre Allan Kardec e os Espíritos que ditaram a Codificação com respeito à forma do Espírito:

 

88. Os Espíritos têm forma determinada, limitada e constante?

“Para vós, não; para nós, sim. O Espírito é, se quiserdes, uma chama, um clarão, ou uma centelha etérea”.

 

88a)    - Essa chama ou centelha tem cor? 

“Tem uma coloração que, para vós, vai do colorido escuro e opaco a uma cor brilhante, qual a do rubi, conforme o Espírito é mais ou menos puro”.

 

 Representam-se de ordinário os gênios com uma chama ou estrela na fronte. É uma alegoria, que lembra a natureza essencial dos Espíritos. Colocam-na no alto da cabeça, porque aí está a sede da inteligência. 

 

Analisemos primeiro, a frase inicial da resposta: “Para vós, não; para nós, sim”.

 

Trata-se aqui da diferença existente entre o que os Espíritos desencarnados podem perceber, usando seus sentidos sutis e aquilo que os Espíritos encarnados podem perceber, usando seus sentidos físicos.

 

De fato, a própria Ciência nos ensina o quão limitada é a percepção da realidade que nossos sentidos físicos nos propiciam.  As faixas de freqüência que nossos sentidos da visão e da audição capturam são extremamente estreitas assim como impróprio é o nosso tato para a realidade mais sutil como, por exemplo, a das ondas mais diversas de comunicação que nos envolvem em todas as direções.

 

Nas dimensões espirituais, o Espírito está livre das restrições impostas pela matéria. Sua percepção da realidade, portanto, é infinitamente mais rica, logrando ele perceber cores e formas que, encarnado sequer poderia descrever.

 

Analisemos, agora, a segunda parte da resposta:

 

“O Espírito é, se quiserdes, uma chama, um clarão, ou uma centelha etérea”.

 

Uma chama, um clarão ou uma centelha etérea são elementos caracterizados, os três, basicamente, pela sua tonalidade de cor, sua intensidade de brilho e o calor que possuem. Os três são, por outro lado, desprovidos de forma precisa. Desse modo, os Espíritos confirmaram o que antes haviam dito, isto é, que os Espíritos não são percebidos com forma.

 

Chama a nossa atenção, nessa resposta, entretanto, que os Espíritos parecem estar falando do Princípio Inteligente, e não do Espírito, entidade formada por esse Princípio somado ao Perispírito. afinal, o Espírito tem forma, uma vez que o Princípio Inteligente imprime forma ao Perispírito. É, portanto, com forma que médiuns de todas as raças e culturas têm percebido Espíritos desde as mais remotas eras.

 

Desse modo, os Espíritos que ditaram a Codificação parece terem aproveitado essa questão para dizer que o Princípio Inteligente tem uma forma que foge aos nossos sentidos, sendo aceitável que a imaginemos como uma chama.

 

Nossa interpretação encontra confirmação no Item 55 do Capítulo I de O  Livro dos Médiuns, onde Kardec afirma:

 

Hão dito que o Espírito é uma chama, uma centelha. Isto se deve entender com relação ao Espírito propriamente dito, como princípio intelectual e moral, a que se não poderia atribuir forma determinada. Mas, qualquer que seja o grau em que se encontre, o Espírito está sempre revestido de um envoltório, ou perispírito, cuja natureza se eteriza, à medida que ele se depura e eleva na hierarquia espiritual. De sorte que, para nós, a idéia de forma é inseparável da de Espírito e não concebemos uma sem a outra. O perispírito faz, portanto, parte integrante do Espírito, como o corpo o faz do homem...


 
A Cor dos Espíritos

 

Voltando a O Livro dos Espíritos, verificamos que, tendo os Espíritos respondido quanto à forma, Kardec fez um complemento à questão preliminar, querendo saber a cor dos Espíritos. A essa segunda pergunta, a resposta foi a seguinte:

 

“Têm uma coloração que, para vós, vai do colorido escuro e opaco a uma cor brilhante, qual a do rubi, conforme o Espírito é mais ou menos puro”.

 

Se prestarmos atenção, veremos que essa resposta tem uma característica estranha. Kardec perguntou, de forma inequívoca, pela cor da “chama ou centelha”. Os Espíritos, no entanto, nada disseram de cor. O que é uma cor “escura e opaca” ou uma cor “brilhante, qual a do rubi?” Note-se que a resposta nada fala da cor em si, destacando apenas o brilho. Nos ocorreu ter havido um equivoco de tradução, o que nos fez recorrer ao original em Francês:

 

"Pour vous, elle varie du sombre à l'éclat du rubis, selon que l'Esprit est plus ou moins pur”. (Para vós, ela varia do sombrio ao brilho intenso do rubi, conforme seja o Espírito mais ou menos puro).

 

Como vemos, no original, a palavra cor (“couleur”) sequer foi usada na resposta. De fato, tudo o que se obtém da resposta é que os Espíritos mais atrasados são vistos como uma sombra escura e os mais adiantados com uma chama intensamente brilhante deles emanando.

 

Essa resposta e sua interpretação coincidem com o que nos passam a diversas tradições religiosas, que reportam que os anjos e santos ofuscam nossos olhos com seu intenso brilho, ao passo que os chamados demônios são ditos “espíritos das trevas”, devido à sua aparência sombria.

 

É interessante notar que a resposta dos Espíritos tanto é válida se estivermos falando do Princípio Inteligente quanto se estivermos falando do Espírito, isto é do Princípio Inteligente acoplado ao perispírito.

 

Teriam os Espíritos se furtado a falar da cor por ser ela de somenos importância ou teria sido por serem as cores em questão além de nossa capacidade visual? Por alguma razão não o fizeram e por alguma razão Kardec não os redargüiu a respeito, dando-se por satisfeito em confirmar o brilho.

 

 

Uma Aventura pela Questão da Freqüência

 

Apesar de nada terem dito os Espíritos a Kardec sobre a cor em si, a sub-questão “a” nos oferece uma boa oportunidade para estudarmos um pouco a questão da freqüência emitida pelos Espíritos, como é percebida pelos médiuns videntes, como nos reporta a tradição e como é entendida pela Ciência humana.

 

Sabemos, das noções básicas da Física, que, no espectro da luz visível, a cor vermelha corresponde às mais baixas freqüências percebidas, correspondendo o violeta às freqüências mais elevadas que o olho humano consegue ver.

 

A tradição, que nada mais é que o acúmulo dos testemunhos dos médiuns videntes através dos milênios, parece confirmar que a noção que obtemos da Física pode ser utilizada. Todas as tradições religiosas sempre associaram a cor vermelha aos demônios e Espíritos perturbadores enquanto a cor branca sempre foi associada aos anjos e demais Espíritos elevados.

 

Alguém poderia levantar a questão: “É verdade que os demônios são representados tradicionalmente na cor vermelha, mas as representações dos anjos e demais Espíritos elevados utilizam, predominantemente, a cor branca ou, se muito, anil e não à cor violeta”.

 

A própria Física nos ajuda a entender o que ocorre. O branco visível nada mais é que a mistura equilibrada das cores básicas ou de todas as cores. Ora, os Espíritos mais adiantados necessitam adequar sua vibração à dos médiuns videntes que os enxergam com sua visão sutil. Por outro lado, o seu adiantamento moral deve produzir uma determinada vibração elevada mesmo quando em contato com Espíritos menos evoluídos que requerem deles uma vibração mais baixa.

 

Isso sugere, a nosso ver, que eles tenham capacidade de vibrar em mais de uma freqüência simultaneamente. Se supusermos que os Espíritos mais evoluídos podem vibrar em diversas freqüências simultaneamente, quando desejam entrar em contato com diversos Espíritos em estágios diferentes de evolução ao mesmo tempo, o resultado visual dessa simultaneidade de emissão de freqüência tenderá ao branco, como percebido pelos videntes.

 

Agora que já nos aventuramos pelos domínios da cor, vamos utilizar o relacionamento entre as freqüências de vibração e a temperatura e nosso conhecimento sobre o que nos diz a tradição para ver se chegamos a uma conclusão semelhante.

 

Ao longo dos séculos, a proximidade de Espíritos perturbados ou perversos sempre foi percebida como uma sensação de frio pelos médiuns. A temperatura fria corresponde à baixa freqüência de vibração (o mesmo que a cor vermelha). Os Espíritos evoluídos, por outro lado, sempre foram percebidos como tendo temperatura agradável e não como quentes, o que corresponderia  a uma alta freqüência de vibração. Ora, a temperatura agradável significa exatamente o cuidado que o Espírito evoluído tem em tornar igualmente agradável a sua aproximação, guardado, pois, um paralelo com a cor branca. 


 

 A Alegoria dos Gênios

 

Kardec conclui a questão 88 com o seguinte comentário:

 

Representam-se de ordinário os gênios com uma chama ou estrela na fronte. É uma alegoria, que lembra a natureza essencial dos Espíritos. Colocam-na no alto da cabeça, porque aí está a sede da inteligência.


De fato, em todas as tradições os homens e mulheres santos e mesmo as representações da divindade costumam ser representados com uma chama, um halo ou uma estrela na fronte ou pairando sobre a cabeça. Kardec comenta que esse fato se deve a ser a cabeça a sede da inteligência, o que se explica pela associação da inteligência à mente e desta com o cérebro. 

 

 

Como se Deslocam os Espíritos

 

As questões que sucedem a de número 88 até a de número 91 tratam da maneira com que os Espíritos se movem de um lugar para o outro

 

89. Os Espíritos gastam algum tempo para percorrer o espaço?

“Sim, mas fazem-no com a rapidez do pensamento”.

 

Dizer que algo se move com a rapidez do pensamento é o mesmo, para efeitos práticos, que falar de deslocamento instantâneo. O que sabemos, no entanto, pelas obras de André Luiz, particularmente, mas por outras também, é que os Espíritos se movem com velocidades diversas, desde o deslocamento lento e pesado dos Espíritos perturbados ao volitar veloz e gracioso dos Espíritos Bons trabalhadores da espiritualidade.

 

Teriam os Espíritos esquecido essa realidade? Veremos que não.

 

Os Espíritos perturbados têm seus pensamentos confusos, força de vontade embotada pela sua baixa auto-estima e encontram-se desprovidos de fé. Assim, podemos induzir que a rapidez do pensamento deles é baixa, quase nula. À medida que o Espírito vai evoluindo, seus pensamentos ficam mais coerentes, ao passo que aumenta sua força de vontade e sua fé se torna raciocinada e firme. Desse modo, podemos entender que a rapidez de seu pensamento e, por analogia, de seu próprio deslocamento, vai crescendo à medida que ele evolui, até que, alcançado o estado de Espírito Puro, ele passa a se deslocar de forma quase instantânea de um lugar a outro.

 

89a)    - O pensamento não é a própria alma que se transporta? 

“Quando o pensamento está em alguma parte, a alma também aí está, pois que é a alma quem pensa. O pensamento é um atributo.”

 

A pergunta de Kardec nos parece hoje algo estranha. Talvez o Codificador estivesse pensando em “mente” quando disse “pensamento”. Do modo que ele perguntou, a resposta dos Espíritos não podia ter sido diferente. Pensamento é um atributo do Espírito e não pode, portanto, ser confundido com ele. No entanto, o pensamento também é um atributo da mente. Ficamos sem saber qual teria sido a resposta, neste caso.

 

90. O Espírito que se transporta de um lugar a outro tem consciência da distância que percorre e dos espaços que atravessa, ou é subitamente transportado ao lugar onde quer ir?

“Dá-se uma e outra coisa. O Espírito pode perfeitamente, se o quiser, inteirar-se da distância que percorre, mas também essa distância pode desaparecer completamente, dependendo isso da sua vontade, bem como da sua natureza mais ou menos depurada”.

 

A resposta é perfeitamente clara. Se o Espírito possui o devido adiantamento que lhe permita vencer grandes distâncias de forma instantânea, não há porque ele se dê conta de tais distâncias se tal não for necessário. Pensemos em uma analogia simples. Se eu percorro 12 km a pé, eu sinto em meu corpo, nos meus pés, nos meus pulmões, na minha boca seca, o efeito do percurso, o que me torna impossível deixar de avaliar a distância percorrida. Suponhamos, agora, que um avião a bordo do qual eu esteja percorra os mesmo 12 km em velocidade supersônica. Será que eu, confortavelmente sentado a bordo, tomando uma bebida gelada, lendo uma revista ou assistindo a um filme, me darei conta de que saí do lugar? 

 

É bom ter em mente, entretanto, que, do mesmo modo que ocorre com o passageiro do avião, o fato de não sentir o efeito do percurso não faz com que o Espírito seja impedido de conhecê-lo, caso isso lhe seja importante.

 

91. A matéria opõe obstáculo ao Espírito?

"Nenhum; eles passam através de tudo. O ar, a terra, as águas e até mesmo o fogo lhes são igualmente acessíveis." 

 

O Espírito desencarnado, em princípio, é capaz de passar através de tudo. Ocorre, no entanto, que Espíritos perturbados podem se crer incapazes de transpor certas barreiras materiais, o que os leva a tentar contorná-las. É baseado nesse fato que os Espíritos arraigados no mal constroem prisões e fortalezas ideoplásticas nas dimensões espirituais de modo a submeter outros Espíritos de que se servem para seus propósitos escusos.

 

 

A Ubiqüidade dos Espíritos

  

92. Têm os Espíritos o dom da ubiqüidade? Por outras palavras: um Espírito pode dividir-se, ou existir em muitos pontos ao mesmo tempo?

“Não pode haver divisão de um mesmo Espírito; mas, cada um é um centro que irradia para diversos lados. Isso é que faz parecer estar um Espírito em muitos lugares ao mesmo tempo. Vês o Sol? É um somente. No entanto, irradia em todos os sentidos e leva muito longe os seus raios. Contudo, não se divide.”

 

92a) - Todos os Espíritos irradiam com igual força? 

“Longe disso. Essa força depende do grau de pureza de cada um”.

 

Cada Espírito é uma unidade indivisível, mas cada um pode lançar seus pensamentos para diversos lados, sem que se fracione para tal efeito. Nesse sentido unicamente é que se deve entender o dom da ubiqüidade atribuído aos Espíritos. Dá-se com eles o que se dá com uma centelha, que projeta longe a sua claridade e pode ser percebida de todos os pontos do horizonte; ou, ainda, o que se dá com um homem que, sem mudar de lugar e sem se fracionar, transmite ordens, sinais e movimento a diferentes pontos.

 

Não pode haver divisão de um mesmo Espírito. Essa é uma resposta clara. A capacidade de ser percebido em diversos lugares ao mesmo tempo não contraria, em absoluto, esse princípio.

 

Nos dias de hoje podemos ter uma idéia melhor da ubiqüidade do Espírito pensando em uma rede de televisão. O Espírito está no estúdio dando uma entrevista que é assistida em todo o Brasil por milhões de pessoas.

 

Podemos melhorar nossa analogia lembrando da capacidade que tem a mente humana de cuidar de várias interações ao mesmo tempo. Há pessoas capazes de escrever um texto no computador ao mesmo tempo em que conversam com uma pessoa ao seu lado. Uma mãe consegue dar atenção a três filhos falando com ela ao mesmo tempo e não deixa de dar a resposta correta a cada um.

 

A nossa analogia da TV ainda é fraca, portanto, uma vez que, se uma pessoa encarnada consegue interagir de forma diferente com mais de uma pessoa ao mesmo tempo, por que se daria de forma diferente com um Espírito desencarnado. Se ele é capaz de irradiar sua presença, é válido deduzir que ele também será capaz de ser percebido interagindo de forma diferente com pessoas diferentes.

 

A força com que os Espíritos irradiam depende de seu grau de pureza, isso é, de seu adiantamento evolutivo. Quanto mais evoluído o Espírito, portanto, mais longe e para mais pessoas ele poderá irradiar sua presença. Do mesmo lodo, quanto mais evoluído, mais poderá ele diversificar o relacionamento que tem com cada um.

 

Para concluir nosso estudo sobre a ubiqüidade do Espírito, nada melhor do que nos lembrarmos da promessa do Mestre quando disse que onde quer houvesse dois ou mais reunidos em Seu nome, entre eles Ele estaria.

 

 

Bibliografia Consultada

Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. 77 Ed. FEB. Rio de Janeiro, 1997.
_____, ____.  O Livro dos Médiuns. 61 Ed. FEB. Rio de Janeiro, 1995.
_____, ____.  O Que é o Espiritismo. 38 Ed. FEB. Rio de Janeiro, 1995.

 

(Parte de estudo originalmente apresentado no Grupo Espírita João de Freitas,

Rio de Janeiro, em 27 de março de 2003)

 
Escreve: Elio Mollo

 

No Evangelho segundo Mateus encontramos está orientação de Jesus: “Sede vós logo perfeitos, como também vosso Pai celestial é perfeito (Mateus, 5:48)” para nos indicar a direção correta de chegar até o Pai.

 

Em João, 14:6 através desta frase "Ninguém vem ao Pai senão por mim" Jesus indica que ninguém vai evoluir se não agir conforme os ensinos que ele nos trouxe, ou seja, ninguém poderá crescer espiritualmente se não fizer da maneira como ele nos ensinou.

 

Muitos dizem que há uma certa arrogância em tais palavras, mas é que no atual estágio evolutivo em que nos encontramos ainda nos comunicamos através de palavras articuladas, e os pronomes como “eu” ou “mim” soam como uma forma egoística, quando em determinados casos é só um sinal de identificação ou de uma convicção adquirida e estruturada dentro do ser que a pronuncia. Jesus, por sua evolução espiritual,  já tinha moral e autoridade suficientes  para falar dessa forma. O momento e as circunstâncias exigiram esse discurso. O mesmo não aconteceria se já nos comunicássemos por pensamento, pois que seríamos sempre transparentes e não haveria como esconder o que quer que fosse. Assim, não haveria impressão negativa, e sim a manifestação do sentido intrínseco.
 
O pronome “eu”, apesar de em muitos casos ser simplesmente uma maneira de nos identificarmos, é própria dos mundos como o nosso, onde  a maioria ainda nasce  com o ego exacerbado. Assim é a Terra. Estamos aqui exatamente para transformar este (e todos os outros defeitos, naturalmente) em qualidades.
 
Um ensino é bom quando se percebe a sua universalidade, ou seja, quando ele não abrange uma única pessoa, um único grupo, um único povo, servindo seu conteúdo para todo e qualquer lugar do Universo, ou quando ele puder ao menos abranger o maior número de seres. E o ensino de Jesus é universalista. E nos coloca sempre em direção a esta hierarquia natural universal do cumprimento dos deveres, dita por São Vicente de Paulo in O Livro dos Espíritos, em resposta à q. 888a.

 

“NÃO ESQUEÇAIS NUNCA de que o Espírito, QUALQUER QUE SEJA O GRAU DE SEU ADIANTAMENTO, sua situação como encarnado, ou na erraticidade, está sempre colocado entre um superior, que o guia e aperfeiçoa, e um inferior, para com o qual tem que cumprir esses mesmos deveres.”
 
Por isto é que fora da Caridade não há salvação. Aliás, Pedro, em sua primeira epístola 4:8 «Mas sobretudo tende ardente caridade uns para com os outros porque a caridade cobre a multidão de pecados.», também disse igual, embora as novas versões da Bíblia tragam a palavra 'amor' em lugar de 'caridade', alterando o significado original. Ora, se o homem não se colocar dentro dessa hierarquia universal de solidariedade no mais alto grau que é a caridade, não poderá haver harmonia, e conseqüentemente não há como estar com Deus e por Deus; assim, não há como se salvar, já que se coloca numa posição isolada e não de conjunto.

 

Quando buscamos o verdadeiro significado do amor  podemos observar que ele não é um sentimento, mas uma força. E, em se tratando de Deus, o AMOR É A FORÇA QUE REGE O UNIVERSO, e a CARIDADE é um ato de relação (ver resposta a q. 886 in LE) pelo qual deixamos fluir este amor sempre que nos encaixarmos nesta hierarquia universal.

 

Assim, (LE 888a) amai-vos uns aos outros, é a lei máxima pela qual Deus governa os mundos. O AMOR,  por ser uma força, cria um magnetismo que atrai os seres afins e organizados a agirem de maneira harmônica, e a auxiliar os que lhes estão na retaguarda ou mesmo com os seres inorgânicos para desenvolver a Criação primeira de Deus em todos os sentidos. É por isso que tudo se encadeia no Universo, desde o átomo (ou partícula menor que átomo) até o arcanjo. Admirável lei de harmonia, cujo mecanismo somente agora nosso Espírito ainda limitado começa a compreender. (q. 540 de LE).

 

O homem sempre evolui, praticando o mal ou o bem, pelo mal antes tem que ir até o fundo do poço (ver parábola do filho pródigo) para se conscientizar de que deve buscar o bom caminho. Pelo bem porque é a forma natural e a melhor maneira de crescer. Mas o sofrimento maior são daqueles que ficam sempre em cima do muro (ver parábola dos talentos e q. 642 de LE ), daqueles que têm a oportunidade de fazer o bem e não o fazem por medo ou por comodismo; esses são os que Jesus dizia que haveria choro e ranger de dentes, pois que o remorso é o pior dos sofrimentos já que é a cobrança da própria consciência.

 

Tudo é uma questão de buscar o sentido pela qual são ditas ou escritas as palavras, frases ou textos, assim como a frase dita por Jesus "...ninguém vem ao pai senão por mim"; com isto concluímos que não se tratou de uma arrogância de Jesus, e sim como uma orientação de estímulo para que o esforço do homem se concentre em conquistar a sua perfeição (através do autoconhecimento contínuo) e assim chegar mais próximo de Deus. Ora, na outra frase que antecede a esta Jesus disse: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida;..." (João, 14:6), onde podemos perceber melhor a sua certeza (fé, convicção), e que lhe dava autoridade moral para se expressar dessa forma. Lendo-se o capitulo 14 do evangelho segundo João em sua totalidade a percepção da autoridade moral de Jesus ficará mais acentuada.

 

Aliás, Jesus nos conclama em muitas passagens dos Evangelhos a termos esperança e fé, como esta colocada logo no início do capítulo 14 de João: "Não se turbe o vosso coração. Crede em Deus, crede também no que estou vos dizendo - Há muitas moradas na casa do Pai. Se assim não fosse, eu vo-lo teria dito, pois vou preparar-vos o lugar." (João, 14, 1-2) já que através do processo da reencarnação teremos muitas outras oportunidades de refazer o nosso caminho, e se soubermos aproveitar bem cada uma delas nossa evolução se fará sempre mais tranqüila. E uma vez conquistada através das múltiplas reencarnações, tanto a moral como a fé inabalável semelhante à de Jesus, também poderemos dizer com convicção e autoridade moral, indicando um bom caminho para aqueles que estiverem sobre a nossa responsabilidade de orientar: "Eu sou isto ou aquilo", "ninguém conseguirá seguir adiante se não seguir minha orientação."

 

Em verdade nem sempre podemos nos apegar ao sentido literal das palavras, nem mesmo ao mito ou aparência de ninguém, e sim à essência das coisas, principalmente das lições que as grandes criaturas que passaram pela Terra nos legaram, se desejamos realmente com eles aprender.

 
Colaborou com o desenvolvimento ortográfico deste texto
Maria Luiza Palhas
 


Bibliografia:
Bíblia sagrada - diversas traduções
O Livro dos Espíritos - Allan Kardec

 
 
 
por E. Mollo
 
 
Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas não deixa no deserto as noventa e nove, e não vai após a perdida até que venha a achá-la?

E, achando-a, a põe sobre seus ombros, gostoso;

E,  chegando a casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida.

Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.”
(Lucas 15, 4,7)
 
Em sua época, Jesus contou esta parábola, porque os fariseus e os escribas queixavam-se, dizendo: "Este recebe pecadores e come com eles. (Lucas 15:2)".
 
Nos dias atuais, apesar  de o homem  possuir outros costumes, a hipocrisia não desapareceu, ou seja, ainda é comum que se comentem as mazelas alheias, principalmente quando elas são visíveis, acreditando-se que quem possui defeitos morais não tem a possibilidade de reverter essa situação, que essas criaturas estão perdidas para sempre.
 
E na parábola do Bom Pastor Jesus demonstra exatamente o contrário. O que, se atentarmos bem, a mantém ainda muito útil para a época em que vivemos, pois que ainda hoje os homens possuem os mesmos procedimentos e as mesmas visões.
 
Como podemos observar, Jesus explica,  de uma forma clara, o caráter paternal da Inteligência Suprema, confirmando de forma patente o Seu amor e a Sua misericórdia, desmantelando de forma solene a crença do inferno e das penas eternas. Da mesma forma, no livro O Evangelho Segundo o Espiritismo (1) encontramos um ensinamento semelhante:
 
“Quantos e quantos sucumbem por culpa própria, pela sua incúria, pela sua imprevidência, ou pela sua ambição e por não terem querido contentar-se com o que lhes havias concedido! Esses são os artífices do seu infortúnio e carecem do direito de queixar-se, pois que são punidos naquilo em que erraram. Mas, nem a esses mesmos abandonas, porque és infinitamente misericordioso. As mãos lhes estendes para socorrê-los, desde que, como o filho pródigo, se voltem sinceramente para Ti.”
 
Podemos considerar o número cem como símbolo da totalidade dos seres que compõem todas as humanidades espalhadas pelos inúmeros mundos integrantes das diversas moradas da casa do Pai, e a ovelha desgarrada como sendo aquele espírito rebelde que, por ignorância ou de forma deliberada, infringe as Leis Divinas.
 
E por falar em Leis divinas, vamos tecer um pequeno comentário sobre elas:
 
No O Livro dos Espíritos (2), os Espíritos superiores nos instruem dizendo que a lei natural é a lei de Deus. Que ela é única e verdadeira para a felicidade do homem, e lhe indica o que deve ou não fazer, e que ele é infeliz somente quando se afasta dela. Dizem também que a lei de Deus está escrita na consciência do homem.
 
Podemos considerar que o pastor dessas ovelhas é aquele espírito capaz a quem Deus elegeu como responsável pelo planeta Terra. E a ovelha perdida como sendo aquela que, ao ver as ervas tenras, saborosas e nutritivas de certas regiões, e tendo apetite, instintivamente se sente atraída, afastando-se cada vez mais do pastor e das demais ovelhas - não conseguindo mais ouvir a voz do pastor que a chama de volta ao aprisco, e, sendo tarde, se perde. Deixa-se seduzir pelo "mundo"; andando atrás de gozos e conquistas unicamente materiais, se afiniza com maus hábitos que se degeneram em vícios; entrega-se a todas as ordens de paixões exorbitantes; que, movido pelo desejo de riquezas e poder, de glórias e honras, dirige-se deliberadamente, na maioria das vezes, pelos caminhos do crime, desorienta-se em tão tortuoso labirinto; e grita desesperado quando não sabe mais como voltar à companhia de seus irmãos situados num plano melhor. É nessa hora, quando se lembra de seu passado vivendo junto ao rebanho, em paz e harmonia, que se arrepende e suplica a Deus pelo retorno, desejoso de reparar o seu mal proceder. É quando ouve novamente a voz do bom pastor fazendo-o lembrar da existência dessa lei.
 
Essa parábola assegura que ninguém ficará perdido para sempre, pois que "o bom pastor", dá a própria vida pelas suas ovelhas (João, 10:11); sendo assim, esse bom administrador de almas irá naturalmente à procura daquele espírito até que o ponha a salvo. Mas há uma condição para isso: é a observação da Lei que lhe está inscrita na própria consciência. Contudo, esse jugo é leve e essa lei é suave, pois que impõe como dever unicamente o amor e a caridade.
 
Podemos observar nesta parábola, que a sua lição é clara e objetiva, pois que Deus faz tudo que o grau de elevação do homem que cai permite, no sentido de direcioná-lo para um bom caminho. De tal modo Jesus foi buscar Madalena à beira do abismo de seus enganos morais; e ela, aceitando a mão do bom pastor, voltou com ele e se pôs a serviço do bem.
 
O Mestre Jesus também chamou a atenção de Judas Iscariotes sobre o caminho perigoso que escolhera para trilhar, respeitando-lhe o livre-arbítrio. Os enviados de Deus fazem o mesmo com aqueles que se vêem defrontados com problemas doentios do crime, da intemperança e da revolta, aguardando sempre o momento certo para chamá-lo de volta ao convívio dos demais.
 
Um outro bom exemplo para entender ainda mais esta parábola é a passagem da estrada de Damasco, quando Jesus se mostrou em forma de luz e convidou Paulo de Tarso a abandonar o ódio e o fanatismo em que estava arrolado e  adentrar na boa senda. Podemos dizer que este chamado não foi formulado somente ao futuro apóstolo daqueles considerados incivilizados (gentios), mas para toda a humanidade, a reconhecer e se reconhecer como espíritos de naturezas diversas e com caracteres antagônicos. A arte é conviver com os hostis, estando alegres, mas com aquela alegria de uma boa consciência semelhante a ventura do herdeiro que conta os dias que o aproximam da herança de estar no reino de Deus. 
 
Os Bons Espíritos a trabalho do Pai do Universo alegram-se quando conseguem fazer com aquele que está confuso ou envolvido nos enganos morais deixe de trilhar o mau caminho e se decida a mudar de rumo, indo percorrer a seara do Bem, em benefício de seu reajustamento; regozijam-se ainda mais quando esta ovelha recuperada passa a colaborar com eles nos trabalhos do amor e da caridade.
 
Colaborou no desenvolvimento ortográfico deste texto Maria Luiza Palhas

 
 
BIBLIOGRAFIA e NOTAS:
 
(1) O Evangelho Segundo o Espiritismo (Allan Kardec) – cap. XXVIII – Oração dominical
(2) O Livro dos Espíritos (Allan Kardec) - livro terceiro, cap. 1, q. 614 e seguintes,
 
E mais
Parábolas Evangélicas. Rodolfo Calligaris - FEB - 5ª edição –
As Maravilhosas Parábolas de Jesus - P. A. Godoy - FEESP - 3ª edição –
Novo Testamento - Evan. Lucas e João - Tradução João Ferreira de Almeida.
 
 
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LA PARÁBOLA DEL BUEN PASTOR
Por E. Mollo
 
TRADUCIDA AL ESPAÑOL
por João Cabral
ADE-SERGIPE
Assessoria Internacional da ABRADE-Brasil
Em: 19.12.2006
Aracaju-Sergipe-Brasil
 
“Qué hombre de entre vosotros, teniendo cien ovejas, y perdiendo una de ellas no deja en el desierto las noventa y nueve, y no va a buscar a la perdida hasta que la encuentre?
 
Y, encontrándola, la pone sobre sus hombros, gustoso; Y, llegando a su casa, convoca a los amigos y vecinos, diciéndoles: Alegraos conmigo, porque ya encontré mi oveja perdida.
 
Os digo que así habrá alegría en el cielo por un pecador que se arrepiente, más que los noventa y nueve justos que no necesitan de arrepentimiento.”
 
Lucas 15, 4,7
 

En su época, Jesús contó esta parábola, porque los fariseos y los escribas se quejaban, diciendo: “Este recibe a pecadores y come con ellos. (Lucas 15:2)”.
 
En los días actuales, a pesar, de que el hombre posee otras costumbres, la hipocresía no desapareció, o sea, aun es común que se comenten las maldades ajenas, principalmente cuando ellas son visibles, creyéndose que quien posee defectos morales no tiene la posibilidad de volver a reconducir esa situación, que esas criaturas están perdidas para siempre.
 
Y en la parábola del Buen Pastor Jesús demuestra exactamente lo contrario. Lo que, si atendemos bien, la mantiene aun muy útil para la época en que vivimos, pues aun hoy los hombres poseen los mismos procedimientos y las mismas visiones.
 
Como podemos observar, Jesús explica, de una forma clara, el carácter paternal de la Inteligencia Suprema, confirmando de forma patente Su amor y Su misericordia, desmantelando de forma solemne la creencia del infierno y de las penas eternas. De la misma forma, en el libro El Evangelio Según el Espiritismo (1) encontramos una enseñanza semejante:
 
“¡Cuantos y cuantos sucumben por culpa propia, por su incuria, por su imprudencia, o por su ambición y por no haber querido contentarse con lo que les había concedido! Esos son los artífices de su infortunio y carecen del derecho a quejarse, pues son castigados en aquello en que erraron.
 
Pero, ni a esos mismos abandonas, porque es infinitamente misericordioso. Las manos las extiende para socorrerlos, desde que, como el hijo prodigo, se vuelvan sinceramente para Ti.”
 
Podemos considerar el número cien como símbolo de la totalidad de los seres que componen todas las humanidades esparcidas por los numerosos mundos integrantes de las diversas moradas de la casa del Padre, y la oveja desgarrada como siendo aquel espíritu rebelde que, por ignorancia o de forma deliberada, infringe las Leyes Divinas.
 
Y por hablar de Leyes divinas, vamos a hacer un pequeño comentario sobre ellas:
 
En El Libro de los Espíritus (2), los Espíritus superiores nos instruyen diciendo que la ley natural es la ley de Dios. Que ella es única y verdadera para la felicidad del hombre, y le indica lo que debe o no hacer, y que él es infeliz solamente cuando se aparta de ella. Dicen también que la ley de Dios está escrita en la conciencia del hombre.
 
Podemos considerar que el pastor de esas ovejas es aquel espíritu capaz a quien Dios eligió como responsable por el planeta Tierra.
 
Y la oveja perdida es aquella que, al ver las hierbas tiernas, sabrosas y nutritivas de ciertas regiones, y teniendo apetito, instintivamente se siente atraída, apartándose cada vez más del pastor y de las demás ovejas – sin conseguir oír más la voz del pastor que la llama de vuelta al aprisco y, siendo tarde, se pierde.
 
Se deja seducir por el “mundo”; andando detrás de los goces y conquistas únicamente materiales, se hace afín con malos hábitos que se degeneran en vicios; se entrega a todas las clases de pasiones exorbitantes; que, movido por el deseo de riquezas y poder, de glorias y honras, se dirige deliberadamente, la mayoría de las veces, por los caminos del crimen, se desorienta en tan tortuoso laberinto; y grita desesperado cuando no sabe más como volver a la compañía de sus hermanos situados en un plano mejor.
 
Es en esa hora, cuando se acuerda de su pasado viviendo junto al rebaño, en paz y armonía, que se arrepiente y suplica a Dios por el retorno, deseoso de reparar su mal proceder. Es cuando oye nuevamente la voz del buen pastor haciéndole recordar la existencia de esa ley.
 
Esa parábola asegura que nadie quedará perdido para siempre, pues “el buen pastor”, da la propia vida por sus ovejas (Juan, 10:11); siendo así, ese buen administrador de almas irá naturalmente a la búsqueda de aquel espíritu hasta que lo ponga a salvo.
 
Pero hay una condición para eso: es la observación de la Ley que le está inscrita en la propia conciencia. Con todo, ese yugo es leve y esa ley es suave, pues impone como deber únicamente el amor y la caridad.
 
Podemos observar en esta parábola, que su lección es clara y objetiva, pues Dios hace todo lo que el grado de elevación del hombre que cae permite, en el sentido de dirigirlo para un buen camino.
 
De tal modo Jesús fue a buscar a Magdalena a la vera del abismo de sus engaños morales; y ella, aceptando la mano del buen pastor, volvió con él y se puso al servicio del bien.
 
El Maestro Jesús también llamó la atención de Judas Iscariotes sobre el camino peligroso que escogió para trillar, respetándole el libre albedrío.
 
Los enviados de Dios hacen lo mismo con aquellos que se ven enfrentando problemas enfermos del crimen, de la intemperancia y de la rebelión, aguardando siempre el momento adecuado para llamarlo de vuelta a la convivencia con los demás.
 
Otro buen ejemplo para entender aun más esta parábola es el pasaje del camino de Damasco, cuando Jesús se mostró en forma de luz e indico a Pablo de Tarso a abandonar el odio y el fanatismo en que estaba enredado y se adentrara en la buena senda.
 
Podemos decir que este llamado no fue formulado solamente al futuro apóstol de aquellos considerados incivilizados (gentiles), sino para toda la humanidad, reconoció y reconoce como espíritus de naturalezas diversas y con caracteres antagónicos.
 
El arte es convivir con los hostiles, estando alegres, pero con aquella alegría de una buena conciencia semejante a la ventura del heredero que cuenta los días que lo aproximan a la herencia de estar en el reino de Dios.
 
Los Buenos Espíritus trabajando con el Padre del Universo se alegran cuando consiguen hacer con aquel que está confuso o envuelto en los engaños morales deje de trillar el mal camino y se decida a cambiar el rumbo, yendo a recorrer la siembra del Bien, en beneficio de su reajuste; se regocijan aun más que cuando la oveja es recuperada y pasa a colaborar con ellos en los trabajos del amor y de la caridad.
 

 
no livro primeiro, capítulo II
de O LIVRO DOS ESPÍRITOS
obra codificada por Allan Kardec

Estudo: Elio Mollo

 

Conhecimento do princípio das coisas


O homem não pode conhecer o princípio das coisas, Deus não permite que tudo seja revelado ao homem  neste mundo.

 

O homem penetrará um dia no mistério das coisas que lhe estão ocultas. Isto acontecerá naturalmente, o véu se levantará a seus olhos, à medida que ele se depura; mas, para compreender certas coisas, são-lhe precisas faculdades que ainda não possui.

 

O homem,  poderá pelas investigações científicas, penetrar nos segredos da Natureza, pois a Ciência lhe foi dada para seu adiantamento em todos os sentidos, mas ele, porém, não pode ultrapassar os limites que Deus estabeleceu.


Quanto mais consegue o homem penetrar nesses mistérios, tanto maior admiração lhe devem causar o poder e a sabedoria do Criador. Entretanto, seja por orgulho, seja por fraqueza, sua própria inteligência o faz joguete da ilusão. Ele amontoa sistemas sobre sistemas e cada dia que passa lhe mostra quantos erros tomou por verdades e quantas verdades rejeitou como erros. São outras tantas decepções para o seu orgulho.

 

O homem pode receber, sem ser por meio das investigações da Ciência, comunicações de ordem mais elevada acerca do que lhe escapa ao testemunho dos sentidos, mas somente se Deus o julgar útil revelar aquilo que à ciência não é dado apreender. Inclusive através dessas comunicações, o homem só recebe este conhecimento dentro de certos limites, seja do seu passado ou do seu futuro.

 

 

Espírito e matéria


Dentro de seus parcos conhecimentos, o homem pode dizer que só Deus sabe como foi o início da matéria desde toda a eternidade ou como ela foi criada por Ele em dado momento. Há, entretanto, uma coisa, que a razão indica: é que Deus, modelo de amor e caridade nunca esteve inativo. Qualquer que seja a distancia que se possa imaginar o início de Sua ação, jamais se pode concebê-Lo ocioso, um momento que seja.

 

Geralmente define-se  a matéria como sendo - o que tem extensão, o que é capaz de impressionar os sentidos, o que é impenetrável. Essa definição é exata do ponto de vista do homem, porque só pode falar segundo aquilo que conhece. Mas a matéria existe em estados que ele ignora. Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil que nenhuma impressão cause aos seus sentidos. Contudo, é sempre matéria, embora, não o seja para ele.

 

A matéria é o laço que prende o Espírito; é o instrumento de que este se serve e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce sua ação. Pode-se dizer-se que a matéria é o agente, o intermediário com o auxílio do qual e sobre o qual atua o Espírito.

 

O Espírito (Alma) é o princípio inteligente do Universo. (1)

 

Não é fácil analisar a natureza íntima do espírito com a linguagem do homem, pois para ele nada é, por não ser palpável, entretanto, para os espíritos é alguma coisa. Mas uma coisa o homem deve ter em mente: coisa nenhuma é o nada e o nada não existe.

 

A inteligência é um atributo essencial do espírito. Uma e outro, porém, se confundem num princípio comum, de sorte que, para o homem, são a mesma coisa.

 

O Espírito é distinto da matéria, mas, a união do espírito e da matéria é necessária para intelectualizá-la.

 

Essa união é necessária para a manifestação do Espírito (2), porque não tem organização apta a perceber o Espírito sem a matéria; pois os seus sentidos não são apropriados para isto.

 

Pode-se conceber o Espírito sem a matéria e a matéria sem o Espírito pelo pensamento.

 

Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, é a trindade Universal. Deus é a inteligência suprema causa primária de todas as coisas. (3) O Espírito (Alma) é o princípio inteligente. (4) Para que o Espírito possa exercer ação sobre a matéria tem que se juntar o fluido universal, pois, é ele que desempenha o papel intermediário entre o Espírito e a matéria grosseira.

 

É lícito até certo ponto, classificar o fluido universal com o elemento material, porém, ele se distingue, deste por propriedades especiais. Este fluido deve ser considerado como sendo um elemento semimaterial, pois, está situado entre o Espírito e a matéria. Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza; é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá. (5)

 

Esse fluido é suscetível de inúmeras combinações. Os denominados de fluido elétrico, fluido magnético, são modificações do fluido universal, que não é, propriamente falando, senão matéria mais perfeita, mais sutil e que se pode considerar independente.

 

Uma vez que o Espírito é, em si, alguma coisa, poderia ser mais exato e menos sujeito a confusão dar aos dois elementos gerais as designações de - matéria inerte e matéria inteligente, contudo compete ao homem  formular a sua linguagem de maneira a se fazer entender. As controvérsias provêm, quase sempre, acerca dos termos que emprega, e por ser incompleta a sua linguagem causa muitas confusões.

 

Um fato patente domina todas as hipóteses: vemos matéria destituída de inteligência e vemos um princípio inteligente que independe da matéria. A origem e a conexão destas duas coisas são desconhecidas. Se promanam ou não de uma só fonte; se há pontos de contacto entre ambas; se a inteligência tem existência própria, ou se é uma propriedade, um efeito; se é mesmo, conforme à opinião de alguns, uma emanação da Divindade, ignoramos. Elas se mostram como sendo distintas; daí o fato de considerá-las formando os dois princípios constitutivos do Universo. Ve-se acima de tudo isso uma inteligência que domina todas as outras, que as governa, que se distingue delas por atributos essenciais. A essa inteligência suprema é que chamamos Deus.

 

Propriedades da matéria


A ponderabilidade é um atributo essencial da matéria, como o homem a entende, mas, não, porém, da matéria considerada como fluido universal. A matéria etérea e sutil que constitui esse fluido é imponderável. Nem por isso, entretanto, deixa de ser o princípio da matéria pesada.
 
A gravidade é uma propriedade relativa. Fora das esferas de atração dos mundos, não há peso, do mesmo modo que não há alto nem baixo.

 

A matéria é formada de um só elemento primitivo. Os corpos que considerados simples não são verdadeiros elementos, são transformações da matéria primitiva.


As diversas propriedades da matéria são modificações que as moléculas elementares sofrem, por efeito da sua união, em certas circunstâncias.


Os sabores, os odores, as cores, o som, as qualidades venenosas ou salutares dos corpos não passam de modificações de uma única substância primitiva e que só existem devido à disposição dos órgãos destinados a percebê-las.

 

A demonstração deste princípio se encontra no fato de que nem todos percebemos as qualidades dos corpos do mesmo modo: enquanto que uma coisa agrada ao gosto de um, para o de outro é detestável; o que uns vêem azul, outros vêem vermelho; o que para uns é veneno, para outros é inofensivo ou salutar.

 

A mesma matéria elementar é suscetível de experimentar todas as modificações e de adquirir todas as propriedades é isso o que se deve entender, quando se diz que tudo está em tudo. (6)

 

O oxigênio, o hidrogênio, o azoto, o carbono e todos os corpos considerados simples são meras modificações de uma substância primitiva. Na impossibilidade em que ainda o homem se acha de remontar, a não ser pelo pensamento, a esta matéria primária, esses corpos são para os Espíritos verdadeiros elementos e podem, sem maiores conseqüências, tê-los como tais, até nova ordem.

 

A matéria tem duas propriedades essenciais: a força e o movimento, as demais propriedades não passam de efeitos secundários, que variam conforme à intensidade da força e à direção do movimento, contudo deve-se  acrescentar que também, conforme à disposição das moléculas, como o mostra, por exemplo, um corpo opaco, que pode tornar-se transparente e vice-versa.
 
As moléculas têm forma determinada, porém, o homem ainda não é capaz de apreciá-la. Essa forma é constante para as moléculas elementares primitivas; variável para as moléculas secundárias, que mais não são do que aglomerações das primeiras, porque, a molécula está longe ainda da molécula elementar.

 

 

Espaço universal


O Espaço universal é Infinito. Supõe-se limitado o que haverá para lá de seus limites, e isto confunde a razão, no entanto, a razão diz que não pode ser de outro modo. O mesmo se dá com o infinito em todas as coisas. Não é na pequenina esfera em que o homem se acha o que deseja ele compreender.

 

Supondo-se um limite ao Espaço, por mais distante que a imaginação o coloque, a razão diz que além desse limite há alguma coisa mais e assim, gradativamente, até ao infinito, porquanto, embora essa alguma coisa fosse o vazio absoluto, ainda seria Espaço.

 

O vácuo absoluto não existe em nenhuma parte do Espaço universal. O que parece vazio está ocupado por matéria que escapa aos sentidos do homem e aos seus instrumentos.

 

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NOTAS:

 

(1) No livro O QUE É O ESPIRTISMO, Cap. II, item 9, 10 e 14 - (obra codificada por Allan Kardec).  

 

9. Quando a alma está ligada ao corpo, durante a vida, tem duplo envoltório: um pesado e grosseiro e perecível, que é o corpo; o outro fluídico, leve e indestrutível, chamado perispírito.

 

10. Existem, portanto, no homem, três elementos essenciais: 

 

1º . A alma ou Espírito, princípio inteligente onde residem o pensamento, a vontade e o senso moral;

 

2º . O corpo, envoltório material que põe o Espírito em relação com o mundo exterior;

 

3º. O perispírito, invólucro fluídico, leve, imponderável, servindo de liame e de intermediário entre o Espírito e o Corpo.”

 

14. A união da alma, do perispírito, e do corpo material constitui o homem. A alma e o perispírito separados do corpo constituem a ser a que chamamos Espírito.


NOTA DE ALLAN KARDEC referindo-se aos itens acima citados: 

 

·        A alma é assim um ser simples;

·        O Espírito um ser duplo, e 

·        O homem um ser triplo.

 

Seria portanto mais exato reservar a palavra alma para designar o princípio inteligente, e a palavra Espírito para o ser semimaterial formado desse princípio e do corpo fluídico. Mas como não se pode conceber o princípio inteligente sem ligação material, as palavras alma e Espírito são, no uso comum, indiferentemente empregadas uma pela outra; é a figura que consiste em tomar a parte pelo todo, da mesma forma que se diz que uma cidade é habitada por tantas almas, uma vila composta de tantas casas; porém, filosoficamente é essencial fazer-se a diferença.

 

(2) Aqui devemos entender por espírito, o princípio da inteligencia, abstração feita das individualidades designadas por esse nome.

 

(3) Ver O LIVRO DOS ESPÍRITOS, questão 1, Allan Kardec)

 

(4) REVISTA ESPÍRITA (Jornal de Estudos Psicológicos publicado sobre a direção de Allan Kardec), Ano VII, maio de 1864, pág. 138 e 139 - EDICEL. 

 

As palavras alma e Espírito, posto que sinônimos e empregados indiferentemente, não exprimem exatamente a mesma idéia. A alma é, a bem dizer, o princípio inteligente, imperceptível e indefinido como o pensamento. No estado dos nossos conhecimentos, não podemos concebê-lo isolado da matéria de maneira absoluta. Posto que formado de matéria sutil, o perispírito, dele faz um ser limitado, definido e circunscrito a sua individualidade espiritual. De onde se pode formular esta proposição: 

 

·        A união da alma, do perispírito e do corpo material constitui o HOMEM;

·        A alma e o perispírito separados do corpo constituem o ser chamado ESPÍRITO.

 

Nas manifestações espíritas não é, pois, a alma que se apresenta só; esta sempre revestida de seu envoltório fluídico; esse envoltório é o necessário intermediário, através do qual ela age sobre a matéria compacta. Nas aparições não é a alma que se vê, mas o perispírito; do mesmo modo que quando se vê um homem vê-se seu corpo, mas não o pensamento, a força, o princípio que o faz agir.


Em resumo,

 

·        A alma é um ser simples, primitivo;

·        o Espírito o ser duplo e

·        o homem o ser triplo. 

 

Se se confundir o homem com roupas, teremos um ser quádruplo. Na circunstância de que se trata, o vocábulo Espírito é o que melhor corresponde à coisa expressa. Pelo pensamento representa-se um Espírito, mas não se representa uma alma.

 

(5) FLUIDO CÓSMICO UNIVERSAL

 

 

 

“Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”.

Resposta dada pelos Espíritos Superiores à Allan Kardec na q. 1 de «O LIVRO DOS ESPÍRITOS».

Há dois elementos gerais do Universo: a matéria e o Espírito e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas.

 

 

Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal.

 

Mas ao elemento material se tem que juntar o FLUIDO UNIVERSAL, que desempenha o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o Espírito possa exercer ação sobre ela.

 

 

Embora, de certo ponto de vista, seja lícito classificá-lo com o elemento material, ele se distingue deste por propriedades especiais.

 

Se o FLUIDO UNIVERSAL fosse simplesmente matéria, não haveria razão para que o Espírito não o fosse também.

 

O FLUIDO UNIVERSAL está colocado entre o Espírito e a matéria;

 

Espírito           Fluido Universal            Matéria

[----------------------I-----------------------]

 

 

É fluido, como a matéria, e suscetível, pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob a ação do Espírito, de produzir a infinita variedade das coisas de que apenas conheceis uma parte mínima.

 

Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá.”

q. 27(LE).

 

Esse fluido é suscetível de inúmeras combinações. O que chamamos de fluido elétrico, fluido magnético, são modificações do fluido universal, que não é, propriamente falando, senão matéria mais perfeita, mais sutil e que se pode considerar independente.

q. 27. a (LE).

 

 

Elementos fluídicos

A Gênese, cap. XIV. Itens de 2 à 6

Obra codificada por Allan Kardec

 

 

O FLUIDO CÓSMICO UNIVERSAL é a matéria elementar primitiva, cujas modificações e transformações constituem a inumerável variedade dos corpos da Natureza.

 

Como princípio elementar do Universo, ele assume dois estados distintos: 

  • eterização ou imponderabilidade - primitivo estado normal

  • materialização ou de ponderabilidade - consecutivo ao estado normal primitivo

 

O ponto intermédio é o da transformação do fluido em matéria tangível.

 

 

Mas, ainda aí, não há transição brusca, porquanto podem considerar-se os nossos fluidos imponderáveis como termo médio entre os dois estados.

 

Cada um desses dois estados dá lugar, naturalmente, a fenômenos especiais: ao segundo pertencem os do mundo visível e ao primeiro os do mundo invisível. Uns, os chamados fenômenos materiais, são da alçada da Ciência propriamente dita, os outros, qualificados de fenômenos espirituais ou psíquicos, porque se ligam de modo especial à existência dos Espíritos, cabem nas atribuições do Espiritismo.

 

 

Como, porém, a vida espiritual e a vida corporal se acham incessantemente em contacto, os fenômenos das duas categorias muitas vezes se produzem simultaneamente. No estado de encarnação, o homem somente pode perceber os fenômenos psíquicos que se prendem à vida corpórea; os do domínio espiritual escapam aos sentidos materiais e só podem ser percebidos no estado de Espírito. (1)

 

(1) A denominação de fenômeno psíquico exprime com mais exatidão o pensamento, do que a de fenômeno espiritual, dado que esses fenômenos repousam sobre as propriedades e os atributos da alma, ou, melhor, dos fluidos perispiríticos, inseparáveis da alma. Esta qualificação os liga mais intimamente à ordem dos fatos naturais regidos por leis; pode-se, pois, admiti-los como efeitos psíquicos, sem os admitir a título de milagres.

 

No estado de eterização, o fluido cósmico não é uniforme;

 

 

Sem deixar de ser etéreo, sofre modificações tão variadas em gênero e mais numerosas talvez do que no estado de matéria tangível. Essas modificações constituem fluidos distintos que, embora procedentes do mesmo princípio, são dotados de propriedades especiais e dão lugar aos fenômenos peculiares ao mundo invisível.

 

Dentro da relatividade de tudo, esses fluidos têm para os Espíritos, que também são fluídicos, uma aparência tão material, quanto a dos objetos tangíveis para os encarnados e são, para eles, o que são para nós as substâncias do mundo terrestre. Eles os elaboram e combinam para produzirem determinados efeitos, como fazem os homens com os seus materiais, ainda que por processos diferentes.

 

Lá, porém, como neste mundo, somente aos Espíritos mais esclarecidos é dado compreender o papel que desempenham os elementos constitutivos do mundo onde eles se acham. Os ignorantes do mundo invisível são tão incapazes de explicar a si mesmos os fenômenos a que assistem e para os quais muitas vezes concorrem maquinalmente, como os ignorantes da Terra o são para explicar os efeitos da luz ou da eletricidade, para dizer de que modo é que vêem e escutam.

 

Os elementos fluídicos do mundo espiritual escapam aos nossos instrumentos de análise e à percepção dos nossos sentidos, feitos para perceberem a matéria tangível e não a matéria etérea. Alguns há, pertencentes a um meio diverso a tal ponto do nosso, que deles só podemos fazer idéia mediante comparações tão imperfeitas como aquelas mediante as quais um cego de nascença procura fazer idéia da teoria das cores.

 

Mas, entre tais fluidos, há os tão intimamente ligados à vida corporal, que, de certa forma, pertencem ao meio terreno. Em falta de observação direta, seus efeitos podem observar-se, como se observam os do fluido do imã, fluido que jamais se viu, podendo-se adquirir sobre a natureza deles conhecimentos de alguma precisão. É essencial esse estudo, porque está nele a chave de uma imensidade de fenômenos que não se conseguem explicar unicamente com as leis da matéria.

 

A pureza absoluta, da qual nada nos pode dar idéia, é o ponto de partida do fluido universal;

 

 

O ponto oposto é o em que ele se transforma em matéria tangível.

 

Entre esses dois extremos, dão-se inúmeras transformações, mais ou menos aproximadas de um e de outro. Os fluidos mais próximos da materialidade, os menos puros, conseguintemente, compõem o que se pode chamar a atmosfera espiritual da Terra. É desse meio, onde igualmente vários são os graus de pureza, que os Espíritos encarnados e desencarnados, deste planeta, haurem os elementos necessários à economia de suas existências. Por muito sutis e impalpáveis que nos sejam esses fluidos, não deixam por isso de ser de natureza grosseira, em comparação com os fluidos etéreos das regiões superiores.

 

O mesmo se dá na superfície de todos os mundos, salvo as diferenças de constituição e as condições de vitalidade próprias de cada um. Quanto menos material é a vida neles, tanto menos afinidades têm os fluidos espirituais com a matéria propriamente dita.

 

 

Não é rigorosamente exata a qualificação de fluidos espirituais, pois que, em definitiva, eles são sempre matéria mais ou menos quintessenciada. De realmente espiritual, só a alma ou princípio inteligente. Dá-se-lhes essa denominação por comparação apenas e, sobretudo, pela afinidade que eles guardam com os Espíritos. Pode dizer-se que são a matéria do mundo espiritual, razão por que são chamados fluidos espirituais.

 

Quem conhece, aliás, a constituição íntima da matéria tangível? Ela talvez somente seja compacta em relação aos nossos sentidos; prová-lo-ia a facilidade com que a atravessam os fluidos espirituais e os Espíritos, aos quais não oferece maior obstáculo, do que o que os corpos transparentes oferecem à luz.

 

Tendo por elemento primitivo o fluído cósmico etéreo, à matéria tangível há de ser possível, desagregando-se, voltar ao estado de eterização, do mesmo modo que o diamante, o mais duro dos corpos, pode volatilizar-se em gás impalpável. Na realidade, a solidificação da matéria não é mais do que um estado transitório do fluido universal, que pode volver ao seu estado primitivo, quando deixam de existir as condições de coesão.

 

Quem sabe mesmo se, no estado de tangibilidade, a matéria não é suscetível de adquirir uma espécie de eterização que lhe daria propriedades particulares? Certos fenômenos, que parecem autênticos, tenderiam a fazer supô-lo. Ainda não conhecemos senão as fronteiras do mundo invisível; o porvir, sem dúvida, nos reserva o conhecimento de novas leis, que nos permitirão compreender o que se nos conserva em mistério.

 

(6) Este princípio explica o fenômeno conhecido de todos os magnetizadores e que consiste em dar-se, pela ação da vontade, a uma substância qualquer, à água, por exemplo, propriedades muito diversas: um gosto determinado e até as qualidades ativas de outras substâncias. Desde que não há mais de um elemento primitivo e que as propriedades dos diferentes corpos são apenas modificações desse elemento. o que se segue é que a mais inofensiva substância tem o mesmo princípio que a mais deletéria. Assim, a água, que se compõe de uma parte de oxigênio e de duas de hidrogênio, se torna corrosiva, duplicando-se a proporção do oxigênio. Transformação análoga, se pode produzir por meio de ação magnética dirigida pela vontade.

 

 
Estes textos foram organizados

através de trechos extraídos dos seguintes livros:


O Livro dos Espíritos – 1857

O que é o Espiritismo
Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas


Allan Kardec
 

e mais a

 

Revista Espírita
(Jornal de Estudos Psicológicos publicado sobre a direção de Allan Kardec),
Ano VII, maio de 1864, pág. 138 e 139 - EDICEL.


Pesquisa e Diagramação: Elio Mollo 

 

ALMA

Allan Kardec na Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita (O LIVRO DOS ESPÍRITOS)
 

ALMA (do lat. anima; gr. anemos, sopro, emanação, ar).


(...)


Segundo uns, a alma é o princípio da vida material orgânica. Não tem existência própria e se aniquila com a vida: é o materialismo puro. Neste sentido e por comparação, diz-se de um instrumento rachado, que nenhum som mais emite: não tem alma. De conformidade com essa opinião, a alma seria efeito e não causa.


Pensam outros que a alma é o princípio da inteligência, agente universal do qual cada ser absorve uma certa porção. Segundo esses, não haveria em todo o Universo senão uma só alma a distribuir centelhas pelos diversos seres inteligentes durante a vida destes, voltando cada centelha, mortos ou seres, à fonte comum, a se confundir com o todo, como os regatos e os rios voltam ao mar, donde saíram.


Essa opinião difere da precedente em que, nesta hipótese, não há em nós somente matéria, subsistindo alguma coisa após a morte. Mas é quase como se nada subsistisse, porquanto, destituídos de individualidade, não mais teríamos consciência de nós mesmos. Dentro desta opinião, a alma universal seria Deus, e cada ser um fragmento da divindade. Simples variante do panteísmo.


Segundo outros, finalmente, a alma é um ser moral, distinto, independente da matéria e que conserva sua individualidade após a morte. Esta acepção é, sem contradita, a mais geral, porque, debaixo de um nome ou de outro, a idéia desse ser que sobrevive ao corpo se encontra, no estado de crença instintiva, não derivada de ensino, entre todos os povos, qualquer que seja o grau de civilização de cada um. Essa doutrina, segundo a qual a alma é causa e não efeito, é a dos espiritualistas.


Sem discutir o mérito de tais opiniões e considerando apenas o lado lingüístico da questão, diremos que estas três aplicações do termo alma correspondem a três idéias distintas, que demandariam, para serem expressas, três vocábulos diferentes. Aquela palavra tem, pois, tríplice acepção e cada um, do seu ponto de vista, pode com razão defini-la como o faz. O mal está em a língua dispor somente de uma palavra para exprimir três idéias. A fim de evitar todo equívoco, seria necessário restringir-se a acepção do termo alma a uma daquelas idéias. A escolha é indiferente; o que se faz mister é o entendimento entre todos reduzindo-se o problema a uma simples questão de convenção. Julgamos mais lógico tomá-lo na sua acepção vulgar e por isso chamamos


ALMA ao ser imaterial e individual que em nós reside e sobrevive ao corpo.


(...)


Concebe-se que, com uma acepção múltipla, o termo alma não exclui o materialismo, nem o panteísmo. O próprio espiritualismo pode entender a alma de acordo com uma ou outra das duas primeiras definições, sem prejuízo do Ser imaterial distinto, a que então dará um nome qualquer. Assim, aquela palavra não representa uma opinião: é um Proteu, que cada um ajeita a seu bel-prazer. Daí tantas disputas intermináveis.


Evitar-se-ia igualmente a confusão, embora usando-se do termo alma nos três casos, desde que se lhe acrescentasse um qualificativo especificando o ponto de vista em que se está colocado, ou a aplicação que se faz da palavra. Esta teria, então, um caráter genérico, designando, ao mesmo tempo, o princípio da vida material, o da inteligência e o do senso moral, que se distinguiriam mediante um atributo, como os gases, por exemplo, que se distinguem aditando-se ao termo genérico as palavras hidrogênio, oxigênio ou azoto. Poder-se- ia, assim dizer, e talvez fosse o melhor,
 
·   a alma vital - indicando o princípio da vida material;
·   a alma intelectual - o princípio da inteligência, e
·   a alma espírita - o da nossa individualidade após a morte.
 
Como se vê, tudo isto não passa de uma questão de palavras, mas questão muito importante quando se trata de nos fazermos entendidos. De conformidade com essa maneira de falar,
 
·   a alma vital seria comum a todos os seres orgânicos: plantas, animais e homens;
·   a alma intelectual pertenceria aos animais e aos homens; e
·   a alma espírita somente ao homem. 

 

 * * *

O LIVRO DOS ESPÍRITOS

PARTE 2a - CAPÍTULO II, obra codificada por Allan Kardec

 

134. Que é a alma?
“Um Espírito encarnado.”


Observação do autor desta apostila: Note-se que a alma no mundo dos Espíritos utiliza-se do perispírito para a manifestação da sua individualidade, assim, no mundo espiritual a alma + perispírito = Espírito, e, quando na Terra é um Espírito encarnado, ou melhor, alma + perispírito + corpo físico = homem. (Ver O que é o Espiritismo - Cap. II, item 9, 10 e 14 - (obra de autoria de Allan Kardec).
 
134a) - Que era a alma antes de se unir ao corpo?
“Espírito.”


134b) - As almas e os Espíritos são, portanto, idênticos, a mesma coisa?
“Sim, as almas não são senão os Espíritos. Antes de se unir ao corpo, a alma é um dos seres inteligentes que povoam o mundo invisível, os quais temporariamente revestem um invólucro carnal para se purificarem e esclarecerem.”


135. Há no homem alguma outra coisa além da alma e do corpo?
“Há o laço que liga a alma ao corpo.”


135a) - De que natureza é esse laço?
“Semimaterial, isto é, de natureza intermédia entre o Espírito e o corpo. É preciso que seja assim para que os dois se possam comunicar um com o outro. Por meio desse laço é que o Espírito atua sobre a matéria e reciprocamente.”


NOTA DE ALLAN KARDEC - O homem é, portanto, formado de três partes essenciais:


1º - o corpo ou ser material, análogo ao dos animais e animado pelo mesmo princípio vital;
2º - a alma, Espírito encarnado que tem no corpo a sua habitação;
3º - o princípio intermediário, ou perispírito, substância semimaterial que serve de primeiro envoltório ao Espírito e liga a alma ao corpo. Tais, num fruto, o gérmen, o perisperma e a casca.
 
136. A alma independe do princípio vital?
O corpo não é mais do que envoltório, repetimo-lo constantemente.”


136a) - Pode o corpo existir sem a alma?
“Pode; entretanto, desde que cessa a vida do corpo, a alma o abandona. Antes do nascimento, ainda não há união definitiva entre a alma e o corpo; enquanto que, depois dessa união se haver estabelecido, a morte do corpo rompe os laços que o prendem à alma e esta o abandona. A vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma não pode habitar um corpo privado de vida orgânica.”


136b) - Que seria o nosso corpo, se não tivesse alma?
“Simples massa de carne sem inteligência, tudo o que quiserdes, exceto um homem.”
 
149. Em que se torna alma no instante da morte?
“Torna-se Espírito; isto é, entra no mundo dos Espíritos que havia deixado momentaneamente”.


Observação do autor desta apostila: De alma + perispírito + corpo físico = homem a alma volta a ser Espírito, ou seja, alma + perispírito = Espírito. (Ver O que é o Espiritismo - Cap. II, item 9, 10 e 14 (obra de autoria de Allan Kardec). 

 

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O que é o Espiritismo

Cap. II, item 9, 10 e 14 - (obra codificada por Allan Kardec).

 

9. Quando a alma está ligada ao corpo, durante a vida, tem duplo envoltório: um pesado e grosseiro e perecível, que é o corpo; o outro fluídico, leve e indestrutível, chamado perispírito.

 

10. Existem, portanto, no homem, três elementos essenciais:

1º . A alma ou Espírito, princípio inteligente onde residem o pensamento, a vontade e o senso moral;
2º . O corpo, envoltório material que põe o Espírito em relação com o mundo exterior;
3º. O perispírito, invólucro fluídico, leve, imponderável, servindo de liame e de intermediário entre o Espírito e o Corpo.”

14. A união da alma, do perispírito, e do corpo material constitui o homem. A alma e o perispírito separados do corpo constituem a ser a que chamamos Espírito.
 
NOTA DE ALLAN KARDEC referindo-se aos itens acima citados:

  • A alma é assim um ser simples;

  • O Espírito um ser duplo, e 

  • O homem um ser triplo.

Seria portanto mais exato reservar a palavra alma para designar o princípio inteligente, e a palavra Espírito para o ser semimaterial formado desse princípio e do corpo fluídico. Mas como não se pode conceber o princípio inteligente sem ligação material, as palavras alma e Espírito são, no uso comum, indiferentemente empregadas uma pela outra; é a figura que consiste em tomar a parte pelo todo, da mesma forma que se diz que uma cidade é habitada por tantas almas, uma vila composta de tantas casas; porém, filosoficamente é essencial fazer-se a diferença.

 

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Revista Espírita

(Jornal de Estudos Psicológicos publicado sobre a direção de Allan Kardec),
Ano VII, maio de 1864, pág. 138 e 139 - EDICEL.

 

As palavras alma e Espírito, posto que sinônimos e empregados indiferentemente, não exprimem exatamente a mesma idéia. A alma é, a bem dizer, o princípio inteligente, imperceptível e indefinido como o pensamento. No estado dos nossos conhecimentos, não podemos concebê-lo isolado da matéria de maneira absoluta. Posto que formado de matéria sutil, o perispírito, dele faz um ser limitado, definido e circunscrito a sua individualidade espiritual. De onde se pode formular esta proposição:

  • A união da alma, do perispírito e do corpo material constitui o HOMEM;

  • A alma e o perispírito separados do corpo constituem o ser chamado ESPÍRITO.

Nas manifestações espíritas não é, pois, a alma que se apresenta só; esta sempre revestida de seu envoltório fluídico; esse envoltório é o necessário intermediário, através do qual ela age sobre a matéria compacta. Nas aparições não é a alma que se vê, mas o perispírito; do mesmo modo que quando se vê um homem vê-se seu corpo, mas não o pensamento, a força, o princípio que o faz agir.


Em resumo,

  • A alma é um ser simples, primitivo;

  • o Espírito o ser duplo e

  • o homem o ser triplo. 

Se se confundir o homem com roupas, teremos um ser quádruplo. Na circunstância de que se trata, o vocábulo Espírito é o que melhor corresponde à coisa expressa. Pelo pensamento representa-se um Espírito, mas não se representa uma alma.

 

 

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O LIVRO DOS ESPÍRITOS

LIVRO 2o - CAPÍTULO I, obra codificada por Allan Kardec

 

76. Que definição se pode dar dos Espíritos?
“Pode dizer-se que os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Povoam o Universo, fora do mundo material.”([1])

 

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(Allan Kardec, no livro

Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas

(Vocabulário Espírita)

 

ESPÍRITO (Do lat. spiritus, de spirare, soprar). No sentido especial da doutrina espírita, os espíritos são seres inteligentes da criação e povoam o Universo fora do mundo corpóreo.


A natureza íntima dos Espíritos nos é desconhecida; eles mesmos não a podem definir, seja por ignorância, seja pela insuficiência da nossa linguagem. Somos a este respeito como cegos de nascença em face da luz. Segundo o que eles nos dizem, o Espírito não é material no sentido vulgar da palavra; não é tampouco imaterial em sentido absoluto, porque o Espírito é alguma coisa e a imaterialidade absoluta seria o nada. O Espírito é, pois, formado de uma substância, mas da qual a matéria grosseira que impressiona nossos sentidos não pode dar-nos uma idéia. Pode-se compará-lo a uma chama ou centelha cujo brilho varia segundo o grau de purificação. Pode tomar todas as espécies de formas por meio do perispírito de que está envolvido.

 

ESPIRÍTO ELEMENTAR  (Alma))([2]) - Espírito considerado em si mesmo e feita abstração de seu perispírito ou invólucro material. 

 

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O LIVRO DOS ESPÍRITOS

LIVRO 1o - CAPÍTULO II, obra codificada por Allan Kardec

 

23. Que é o Espírito?(ALMA)
“O princípio inteligente do Universo.” (Ver O que é o Espiritismo - Cap. II, item 9, 10 e 14 - (obra codificada por Allan Kardec)).

 

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Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas

Allan Kardec - Vocabulário Espírita

 

PERISPÍRITO De per, em redor, e spiritus, espírito. Invólucro semimaterial do Espírito depois da sua separação do corpo. O Espírito o tira do mundo em que se acha e o troca ao passar de um a outro; ele é mais ou menos sutil ou grosseiro, segundo a natureza de cada globo. O perispírito pode tomar todas as formas à vontade do Espírito; ordinariamente ele assume a imagem que este tinha em sua última existência corporal.


Embora de natureza etérea, a substância do perispírito é suscetível de certas modificações que a tornam perceptível à nossa vista. É o que se dá nas aparições. Ela pode até, por sua união com o fluido de certas pessoas, torna-se temporariamente tangível, isto é, oferecer ao toque a resistência de um corpo sólido, como se vê nas aparições estereológicas ou palpáveis.


A natureza íntima do perispírito não é ainda conhecida; mas poder-se-ia supor que a matéria do corpo é composta de uma parte sólida e grosseira e de uma parte sutil e etérea; ao passo que a segunda persiste e segue o espírito. O espírito teria, assim, um duplo invólucro; a morte apenas o despojaria do mais grosseiro; o segundo, que constitui o perispírito, conservaria o tipo a forma da primeira, da qual ele é como a sombra; mas sua natureza essencialmente vaporosa permite ao Espírito modificar esta forma à sua vontade, torná-la visível, palpável ou impalpável.


O perispírito é, para o Espírito, o que o perisperma e para o germe do fruto. A amêndoa, despojada do seu invólucro lenhoso, encerra o germe sob o invólucro delicado do perisperma.

 

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FLUIDO UNIVERSAL
Questão 27 de «O LIVRO DOS ESPÍRITOS»

 

Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, é a trindade Universal.


Deus é a inteligência suprema causa primária de todas as coisas.(q. 1 – LE)


O Espírito (Alma) é o princípio inteligente.


Para que o Espírito possa exercer ação sobre a matéria tem que se juntar o fluido universal, pois, é ele que desempenha o papel intermediário entre o Espírito e a matéria grosseira.


É lícito até certo ponto, classificar o fluido universal com o elemento material, porém, ele se distingue, deste por propriedades especiais. Este fluido deve ser considerado como sendo um elemento semimaterial, pois, está situado entre o Espírito e a matéria.


Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza; é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá.

 

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FLUIDO VITAL
Allan Kardec na Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita (O LIVRO DOS ESPÍRITOS)
e em nota referindo-se as questões de 68 a 70 LE.

 

O fluido vital é o mesmo que o fluido elétrico animalizado, designado, também, sob os nomes de fluido magnético, fluido nervoso, etc.


A quantidade de fluido vital não é fator absoluto para todos os seres orgânicos; varia segundo as espécies e, não é fator constante, seja no mesmo indivíduo, seja nos indivíduos da mesma espécie. Existem alguns que são, por assim dizer, saturados, enquanto outros dispõem apenas de uma quantidade suficiente; daí, para alguns, a vida é mais ativa, mais vibrante e, de certo modo superabundante.


A quantidade de fluido vital se esgota; pode a vir a ser insuficiente para manter a vida, se não renovado pela absorção e a assimilação das substância que o contém.


O fluido vital se transmite de um indivíduo para o outro. Aquele que tem o bastante, pode dá-lo aquele que tem pouco e, em certos casos restabelecer a vida prestes a se apagar. 

 

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PRINCÍPIO VITAL
O LIVRO DOS ESPÍRITOS – questões de 60 à 67

 

O princípio vital é a força motriz dos corpos orgânicos, comum a todos os seres vivos, desde as plantas até os homens.


Esse princípio reside no fluído universal. Ele é um elemento distinto e independente. É dele que o Espírito extrai o envoltório semimaterial que constitui o seu perispírito e, é por meio desse fluido que atua sobre a matéria.


Sua união com a matéria causa a animalização, ou seja, é o que dá vida a matéria e tem por fonte o fluido vital também chamado de fluido magnético ou fluido elétrico.


O princípio vital é modificado segundo as espécies. É ele que dá movimento e atividade a matéria orgânica, distinguindo-a da matéria inerte, porquanto o movimento da matéria não é a vida. Esse movimento ela o recebe não o dá.


Quando os seres orgânicos morrem sua matéria se decompõem indo formar outros organismos. O princípio vital retorna a massa de onde saiu.

 

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([1]) NOTA DE ALLAN KARDEC: A palavra Espírito é empregada aqui para designar as individualidades dos seres extracorpóreos e não mais o elemento inteligente do Universo.
 
([2]) Observação do autor desta apostila: A palavra Alma foi colocada entre parêntesis para uma melhor compreensão. (Ver O que é o Espiritismo – Nota de A. Kardec para Cap. II, item 9, 10 e 14 - (obra codificada por Allan Kardec)).

 

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