SOCIEDADE PARISIENSE DE ESTUDOS ESPÍRITAS
21:22 @ 17/09/2011
SOCIEDADE PARISIENSE DE ESTUDOS ESPÍRITAS
Estudo com base em um PPS (eslaides) recebido via e-mail em 23/11/2009
intitulado O 1°. Centro Espírita do Planeta com formatação de Mário Celso (mariocelso633@yahoo.com.br)
Pesquisa: Elio Mollo
Por iniciativa de Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo, surgiram
A Revista Espírita (Obras Póstumas, 2ª. parte) [1]
Em de 15 de novembro de 1857 na casa do sr. Dufaux, com a médium senhora E. Dufaux, Kardec tem o seguinte diálogo com os Espíritos:
Pergunta. – Tenho a intenção de publicar um jornal espírita, pensais que chegarei a fazê-lo, e mo aconselhais? A pessoa à qual me dirigi, o Sr. Tiedeman, parece-me decidido a dar o seu concurso pecuniário.
Resp. – Sim, isso conseguirás com a perseverança. A idéia é boa, é preciso amadurecê-la antes.
Perg. – Temo que outros me antecedam.
Resp. – É necessário apressar-se.
Perg. – É o meu desejo, mas o tempo me falta. Tenho dois empregos que me são necessários, vós o sabeis; gostaria de poder a isso renunciar, a fim de consagrar-me inteiramente à coisa, sem preocupações estranhas.
Resp. – Não é preciso nada abandonar no momento; sempre se acha tempo para tudo; movimenta-te e conseguirás.
Perg. – Devo agir sem o concurso do Sr. Tiedeman.
Resp. – Agi com ou sem seu concurso; não te inquietes com ele, podes por isso passar.
Perg. – Tinha a intenção de fazer um primeiro número de experiência, a fim de colocar o jornal e fixar-lhe data, salvo continuar mais tarde, se for o caso; que pensais disso?
Resp. – A idéia é boa, mas um primeiro número não bastará; no entanto, é útil e mesmo necessário naquilo que abrirá o caminho ao resto. Nisso será preciso levar muito cuidado, de maneira a lançar as bases de um sucesso durável; se for defeituoso, mais valeria nada, porque a primeira impressão pode decidir seu futuro. É necessário se ligar, começando, sobretudo a satisfazer à curiosidade; deve encerrar, ao mesmo tempo, o sério e o agradável; o sério que ligará os homens de ciência, e o agradável que divertirá o vulgo; esta parte é essencial, mas a outra é a mais importante, porque sem ela o jornal não teria fundamento sólido. Em uma palavra, é preciso evitar a monotonia pela variedade, reunir a instrução sólida ao interesse, e isso será, para todos os trabalhos ulteriores, um poderoso auxiliar.
Em nota a estas resposta Allan Kardec completa:
“Apressei-me em redigir o primeiro número, e fi-lo aparecer em janeiro de 1858, sem disso nada ter dito a ninguém. Não tinha um único assinante e nenhum sócio capitalista. Fi-lo, pois, inteiramente aos meus riscos e perigos, e não ocorreu de me arrepender disso, porque o sucesso excedeu a minha expectativa. A partir de 1º de janeiro, os números se sucederam sem interrupção, e, como o Espírito previra, esse jornal se me tornou um poderoso auxiliar. Reconheci mais tarde que estava feliz por não ter um sócio capitalista, porque estava mais livre, ao passo que um estranho teria podido querer me impor suas idéias e sua vontade, e entravar a minha caminhada; só, não tinha que dar contas a ninguém, por pesada que fosse a minha tarefa como trabalho.”
Fundação da Sociedade Espírita de Paris (Obras Póstumas, 2ª. parte)
Em 1º. de abril de 1858
“Se bem que não haja aqui nenhum fato de previsão, menciono, para memória, a fundação da Sociedade, por causa do papel que desempenhou na marcha do Espiritismo, e das comunicações ulteriores às quais deu lugar.
Em torno de seis meses depois, tinha em minha casa, rua dos Martyrs, uma reunião de alguns adeptos, todas as terças-feiras. O principal médium era a Srta. Dufaux. Se bem que o local não pudesse conter senão 15 a 20 pessoas, às vezes nele se encontravam até 30. Essas reuniões ofereciam um grande interesse pelo seu caráter sério, e a alta importância das questões que ali eram tratadas; freqüentemente, viam-se ali príncipes estrangeiros e outras personagens de distinção.
O local, pouco cômodo pela sua disposição, evidentemente, tornou-se muito exíguo. Alguns, dos freqüentadores, propuseram se cotizar para alugar um mais conveniente. Mas, então, tornava-se necessário ter uma autorização legal, para evitar de ser atormentado pela autoridade. O Sr. Dufaux, que conhecia pessoalmente o Prefeito de polícia, se encarregou de pedi-la. A autorização dependia também do Ministro do Interior, que era então o general X (*) que era, sem que o soubéssemos, simpático às nossas idéias, sem conhecê-las completamente, e com a influência do qual a autorização que, seguindo uma fieira comum, teria exigido três meses, foi obtida em quinze dias.”
(*) Charles-Marie-Esprit Espinasse foi um general francês (#), nascido em Castelnaudary (Aude) 2 de Abril de 1815 e morreu em Magenta (Lombardia) a 4 de junho 1859. Filho de John e Robert Germaine. Entrou na Saint-Cyr em 1833 como sub-tenente do 47º. Regimento de Infantaria de Ligne. Em 17 de janeiro de 1841 ele foi capitão do regimento de infantaria onde foi gravemente ferido durante a campanha da Argélia 1835-1849. Após a primeira metade de sua carreira esteve na África junto a Legião Estrangeira, em seguida seguiu como tenente-coronel numa expedição à Roma. Foi nomeado coronel da lorsqu'eut linha 42, realizada em golpe de 2 de dezembro de 1851. Ele foi quem invadiu numa noite a Assembleia Nacional e apreendeu a Questors. Foi, também, major-brigadeiro e,depois do atentado do italiano Felix Orsini contra a vida de Napoleão Bonaparte III tornou-se em Ministro do Interior (7 de fevereiro à 14 de junho de 1858) onde foi eleita a famosa lei da segurança geral. Foi Inspector-Geral de Infantaria de 1857 a 14 junho 1858, depois, foi nomeado senador. Casou-se em 1853 com Maria Festugière e tiveram três filhos. Morreu na guerra com a Itália, onde comandou uma divisão do corpo MacMahon na batalha de Magenta.
(Fonte: http://fr.wikipedia.org/wiki/Charles-Marie-Esprit_Espinasse).
(#) Citado na resposta à questão 37, O zuavo de Magenta, Revista Espírita de julho de 1859:
37. Vedes o general Espinasse?
- R. Não o vi ainda, mas espero muito ainda vê-lo.
Nessa mesma Revista Espírita em Um Oficial Superior Morto em Magenta. (Sociedade. 10 de junho de 1859.) encontramos a seguinte entrevista com general Espinasse (qq. 4 e 5) e uma nota de Kardec que nos leva a concluir que o General X é mesmo o oficial Charles-Marie-Esprit Espinasse :
4. Tínheis conhecimento da existência da nossa sociedade?
- R. Vós o sabeis.
Nota. - O oficial, do qual se trata, com efeito, concorreu para que a Sociedade obtivesse autorização para se constituir.
5. Sob qual ponto de vista consideráveis nossa sociedade, quando ajudastes a sua formação?
- R. Eu não estava ainda inteiramente fixado, mas me inclinava muito em crer, e sem os acontecimentos que sobrevieram, iria certamente instruir-me em vosso círculo.
Síntese do contexto social francês em 1858
A França, à época de Kardec, vivia tempos conturbados, por isso, o funcionamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (SPEE) dependia de autorização para seu funcionamento legal, o que não seria fácil conseguir.
Napoleão Bonaparte III foi imperador da França de 1852 até 1870, e era sobrinho do grande Napoleão.
Em 14 de janeiro de 1858 um revolucionário nacionalista italiano chamado Felix Orsini, perpetrou um atentado contra a vida de Napoleão III que, por pouco não foi assassinado, sendo que Orsini foi condenado à pena de morte pela guilhotina em 13 de março de 1858, poucos dias antes da fundação da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (SPEE). Este episódio provocou a sanção da Lei de Segurança Geral, que facultava ao Ministro do Interior a transladar ou exilar a qualquer cidadão francês que fosse reconhecido culpado de conspirar contra a segurança do estado. Era uma lei rigorosa, que se derrogou senão doze anos depois, em 1870. Aquele tempo era de convulsão política, a França estava sob a recente Lei de segurança desde 19 de fevereiro de 1858, por causa daquele atentado. Essa lei não permitia nenhuma reunião pública com mais de vinte pessoas em qualquer ambiente fechado. E o estatuto social da SPEE tinha que ser submetido às autoridades sob este severo regime que trazia em seu conteúdo idéias novas e, assim provocariam sua atenção sobre o objetivo e os nomes dos seus participantes.
Era necessário que a SPEE obtivesse autorização para o seu funcionamento legal, mas dado a gravidade da situação política, como poderia ser solucionada essa situação?
Então, quem autorizou o funcionamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (SPEE) foi general Charles-Marie-Esprit Espinasse, que Napoleão Bonaparte III o nomeou para ser o Ministro do Interior da França no qual exerceu esse cargo entre 7 de fevereiro 1858 até14 de junho 1858. A denominação completa do cargo era de Ministro do Interior e de Segurança Geral.
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Essa autoridade era quem autorizava o funcionamento de atividades que reunissem “grupos com mais de 20 pessoas...”
Para funcionar legalmente e não ser incomodada, a SPEE precisaria transpor essas dificuldades que as circunstâncias da época impunham.
O sr. Dufaux, que participava da SPEE, cuidou do caso, porque se dava com o Prefeito de Polícia de Paris, que seria a primeira autoridade a ser contatada ...
Mas, como a autorização dependia também do Ministro do Interior, foi aí que entrou em cena o general Espinasse, Ministro do Interior e de Segurança Geral.
A autorização foi conseguida em menos de 15 dias, quando o tempo médio era de pelo menos três meses.
Constatação
O general Espinasse Exerceu o cargo por pouco mais de 4 meses. Observa-se que, no pouco tempo em que esteve na função foi o suficiente para que ele concedesse a autorização de funcionamento da SPEE.
A autorização, para o funcionamento da SPEE foi conseguida em 13 de abril de 1858.
Posteriormente Kardec veio a saber que o general Charles Marie Esprit Espinasse era simpatizante da causa Espírita...
Kardec obteve essa informação, em entrevista mediúnica com o próprio general, seis dias após a desencarnação do mesmo.
O general Espinasse faleceu em 4 de junho de 1859, no terrível combate de Magenta (cidade da província de Milão, hoje pertencente à Itália).
[2]
Continuando com a fundação da SPEE (Obras Póstumas, 2ª. parte)
"A Sociedade foi, então, regularmente constituída e se reunia todas as terças-feiras, no local que alugara no Palais Royal, galeria de Valois. Ali permaneceu um ano, de 1º. de abril de 1858 a 1º. de abril de 1859. Não podendo ali permanecer por mais tempo, se reunia, todas as quartas-feiras, num dos salões do restaurante Douix, no Palais Royal, galeria Montpensier, de 1º. de abril de 1859 a 1º. de abril de 1860, época em que ela se instalou num local próprio, rua e passagem Sainte Anne, 59.
A Sociedade, formada, no princípio, de elementos pouco homogêneos e de pessoas de boa vontade que eram aceitas com relativa facilidade, teve que sofrer numerosas vicissitudes, que não foram um dos menos penosos embaraços de minha tarefa.”
Placa homenageando o general Espinasse:
[2]
Manuscrito de Allan Kardec:

Essa é a carta manuscrita de Allan Kardec INÉDITA Até setembro de 2008, não editada em nenhum livro.
O que dizia essa carta no idioma francês:

O que dizia essa carta no idioma português:
"Ao Sr. Prefeito de polícia da cidade de Paris.
Sr. Prefeito:
Os membros fundadores do Círculo Parisiense de Estudos Espíritas, que solicitaram junto a vós a autorização necessária para constituir-nos em Sociedade, temos a honra de pedir-vos que consistais permitir-nos reuniões preparatórias, enquanto esperamos a a autorização regular. Com o mais profundo respeito, Sr. Prefeito, tenho a honra de ser vosso muito humilde e muito obediente servidor.
H. L. D. Rivail, dito Allan Kardec
Rua dos Mártires, nº. 8." [3]
“Outra observação digna de nota é a importante e corajosa identificação que o eminente Professor Hippolyte-Léon-Denizard-Rivail faz ao assinar a Carta com seu ilustre sobrenome e com seu digno pseudônimo respectivamente (Rivail - Kardec), oferecendo certamente o seu aval de pessoa séria e respeitada ante a autoridade municipal (Prefeito de Polícia de Paris) e nacional (Ministro do Interior), especificamente para a abertura da sociedade, na qual deveriam dispor por lei de uma autorização legal e oficial para encontro de um maior número de pessoas das que se reuniam em um Círculo.” [3]
No início, por cerca de seis meses, Kardec realizava as reuniões na própria residência, então situada à rua dos Mártires nº 8, junto com alguns adeptos (entre 8 a 10 pessoas), sempre às terças-feiras... O espaço era reduzido, impossibilitando o crescente número de estudiosos que ali compareciam
Kardec escreve sobre a autorização por portaria
do Sr. Prefeito de Polícia na Revista Espírita de maio de 1858 [4]
"SOCIEDADE PARISIENSE DE ESTUDOS ESPÍRITAS.
FUNDADA EM PARIS EM 1º. DE ABRIL DE 1858.
E autorizada por decreto do senhor Prefeito de Polícia, sobre o aviso de Sua Excelência, senhor Ministro do Interior e da segurança geral, em data de 13 de abril de 1858.
A extensão, por assim dizer, universal que tomam, cada dia, as crenças espíritas, fazem desejar vivamente a criação de um centro regular de observações; essa lacuna vem de ser preenchida. A Sociedade, da qual estamos felizes por anunciar a formação, composta exclusivamente de pessoas sérias, isentas de prevenção, e animadas do desejo sincero de se esclarecerem, contou, desde o início, entre seus partidários, homens eminentes pelo saber e posição social. Ela está chamada, disso estamos convencidos, a prestar incontáveis serviços para a constatação da verdade. Seu regulamento orgânico lhe assegura homogeneidade sem a qual não há vitalidade possível; está baseada na experiência de homens e de coisas, e sobre o conhecimento das condições necessárias às observações que fazem o objeto de suas pesquisas. Os estrangeiros que se interessam pela Doutrina Espírita encontrarão, assim, vindo a Paris, um centro ao qual poderão se dirigir para se informarem, e onde poderão comunicar suas próprias observações" (**).
(**) Para todas as informações relativas à Sociedade, dirigir-se ao senhor ALLAN KARDEC, rua Sainte-Anne, 59, de 3 às 5 horas; ou ao senhor LEDOYEM, livreiro, galeria d'Orleans, 31, no Palais-Royal.
Legalizada, passou a funcionar na GALERIA DE VALOIS, até 1º. de abril do ano de 1859.
[2]
Como realizavam-se as Sessões de Estudos na SPEE (Revista Espírita, setembro de 1858)
"(...)
A qualidade dos adeptos do Espiritismo merece uma atenção especial. São recrutados nas camadas inferiores da sociedade, entre as pessoas iletradas? Não; aqueles dele se ocupam pouco ou nada; foi pouco se dele ouviram falar. As próprias mesas girantes neles encontraram poucos praticantes. Até o presente, seus prosélitos estão nas primeiras classes da sociedade, entre as pessoas esclarecidas, os homens de saber e de raciocínio; e, coisa notável, os médicos, que durante tão longo tempo fizeram uma guerra encarniçada ao Magnetismo, se juntam sem dificuldade a essa doutrina; contamos um grande número deles, tanto na França quanto no estrangeiro, entre os nossos assinantes, em cujo número se encontra também uma maioria de homens superiores em todos os sentidos, notabilidades científicas e literárias, altos dignatários, funcionários públicos, oficiais generais, negociantes, eclesiásticos, magistrados, etc., todas pessoas sérias para dar o título de passatempo a um jornal que, como o nosso, não se considera capaz de recrear, e ainda menos se crêem nele encontrar fantasias.
A Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas não é uma prova menos evidente dessa verdade, pela escolha das pessoas que reúne; suas sessões são seguidas com um firme interesse, uma atenção religiosa, podemos mesmo dizer com avidez, e, todavia não se ocupa senão de estudos graves, sérios, freqüentemente muito abstratos, e não de experiências próprias para excitarem a curiosidade. Falamos do que se passa sob os nossos olhos, mas podemos dizê-lo igualmente de todos os centros onde se ocupa do Espiritismo sob o mesmo ponto de vista, porque quase por toda parte (como os Espíritos o haviam anunciado) o período de curiosidade chega ao seu declínio. Esses fenômenos nos fazem penetrar numa ordem de coisas tão grandes, tão sublimes que, ao lado dessas graves, questões um móvel que gira ou que bate é um brinquedo de criança: é o abe da ciência.
Aliás, sabe-se o que se examinar agora sobre a qualidade dos Espíritos batedores, e, em geral, daqueles que produzem efeitos materiais. Eles foram justamente chamados os saltimbancos do mundo espírita; por isso interessa-se menos por eles do que por aqueles que podem nos esclarecer.
Podem-se assinalar, à propagação do Espiritismo, quatro fases ou períodos distintos:
1. A da curiosidade, na qual os Espíritos batedores desempenharam o papel principal para chamar a atenção e preparar os caminhos.
2. A da observação, na qual entramos, e que pode-se chamar o período filosófico. O Espiritismo é aprofundado e se depura, tende à unidade da doutrina e se constitui em ciência.
Virão em seguida:
3. O período da admissão, no qual o Espiritismo tomará uma categoria oficial entre
as crenças universalmente reconhecidas.
4. O período de influência sobre a ordem social. Será então que a Humanidade, sob
a influência dessas idéias, entrará em um novo caminho moral. Essa influência, desde hoje, é individual; mais tarde, agirá sobre as massas para o bem geral.
(Continua)









