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O PERISPÍRITO

21:26 @ 11/07/2008

O PERISPÍRITO

Escreve: Elio Mollo

 http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo180.html

 

 

O que é o perispírito? Qual a sua origem e natureza? Quais são as suas propriedades e funções? É ele a sede da memória e da sensibilidade? É o molde do corpo físico? À luz da Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, tentaremos, resumidamente, responder a essas questões.

 

DEFINIÇÃO, ORIGEM E NATUREZA

 

O perispírito é uma condensação do fluido cósmico universal em torno de um foco de inteligência, ou Alma. É o envoltório semimaterial do Espírito e o laço que une o Espírito à matéria do corpo. Portanto, nos Espíritos desencarnados o perispírito forma o corpo fluídico que eles possuem, enquanto nos Espíritos encarnados ele é o órgão semi material que une o corpo físico ao Espírito, sendo, dessa forma, o órgão de transmissão de todas as sensações. Se diz que o perispírito é semi material porque pertence à matéria pela sua origem (Fluido Universal) e à espiritualidade pela sua natureza etérea. Por sua natureza e em seu estado normal o perispírito é invisível, porém, ele pode sofrer modificações que o tornem perceptível e até tangível, ou seja, possível de ser visto e tocado.

 

O Espírito extrai seu perispírito dos elementos contidos nos fluidos ambientes de cada mundo, de onde se deduz que os elementos constitutivos do perispírito variam conforme os mundos. A natureza do perispírito está sempre em relação ao grau de adiantamento moral do Espírito, portanto, conforme seja mais ou menos depurado o Espírito, seu perispírito se formará das partes mais puras ou mais grosseiras do fluido peculiar ao mundo onde ele venha encarnar.

 

PROPRIEDADES

 

O perispírito não se acha encerrado nos limites do corpo, como numa caixa. Pela sua natureza fluídica, ele é expansível, irradia para o exterior e forma em torno do corpo uma atmosfera que o pensamento e a força de vontade podem dilatar com maior ou menor intensidade. A Ciência comprova isso através de fotografias se utilizando da máquina Kirlian.

 

Sendo o perispírito dos encarnados de natureza idêntica a dos fluidos do mundo espiritual, ele os assimila com facilidade, como uma esponja se embebe de um líquido. Atuando esses fluidos sobre o perispírito, este, a seu turno, re­age sobre o organismo material com que se acha em contacto molecular. Se os eflúvios são de boa natureza o corpo ressente uma impressão salutar; se são maus, a impressão é penosa. Se são permanentes e enérgicos, os eflúvios maus podem ocasionar desordens físicas; não é outra a causa de certas enfermidades.

 

Em virtude de sua natureza etérea, o Espírito propriamente dito não pode atuar sobre a matéria grosseira, sem intermediário, isto é, sem o elemento que o ligue à matéria. Esse intermediário, que é o perispírito, é o princípio de todas as manifestações espíritas e anímicas, pois possibilita ao Espírito atuar sobre a matéria.

 

O perispírito é o intermediário pelo qual se processa a transferência dos fluidos, da energia, nos processos de curas e passes espirituais.

 

FUNÇÕES

 

O perispírito é o organismo que personaliza e individualiza o Espírito e o identifica quanto à aparência. A alma após a morte jamais perde sua individualidade. Ela comprova essa individualidade, apesar de não mais possuir o corpo material, através de um fluido que lhe é próprio, haurido na atmosfera do seu planeta e que guarda a aparência de sua última encarnação: seu perispírito. É através dele que um ser abstrato como é o Espírito se torna um ser concreto, definido e apreensível pelo pensamento.

 

Órgão sensitivo do Espírito:

 

O perispírito é o órgão de transmissão de todas as sensações do Espírito. O corpo recebe uma sensação que vem do exterior, o perispírito que está ligado a esse corpo transmite essa sensação e o Espírito, que é o ser sensível e inteligente a recebe. E vice-versa: quando o ato é de iniciativa do Espírito, o perispírito transmite e o corpo executa.

 

Princípio das Comunicações:

 

Para atuar na matéria, o Espírito precisa de matéria. Como já foi dito, em virtude de sua natureza etérea, o Espírito, propriamente dito, não pode atuar sobre a matéria grosseira sem um intermediário que o ligue a essa matéria. Esse intermediário, que nós chamamos de perispírito, nos faculta a chave de todos os fenômenos espíritas de ordem material. Portanto, o perispírito é o órgão de manifestação utilizado pelo Espírito nas comunicações com o plano dos espíritos encarnados.

 

SEDE DA MEMÓRIA E SENSIBILIDADE

 

É comum encontrarmos alguns autores espíritas que confundem alguns atributos do Espírito como sendo do perispírito. A sede da memória é um deles. Segundo Kardec, o Espírito é quem possui a sede da memória, pois ele é o ser inteligente, pensante e eterno. Sem o Espírito, o perispírito é uma matéria inerte privada de vida e sensações. É importante lembrar que os Espíritos ao passarem de um mundo para outro, mudam de perispírito de acordo com a natureza dos fluidos ambientes. Se no perispírito residisse a sede da memória, o Espírito a perderia cada vez que tivesse que mudar a constituição íntima de seu envoltório fluídico.

 

A mesma coisa se dá quando nos referimos à sede da sensibilidade. É o Espírito quem ama, sofre, pensa, é feliz, triste, ou seja, é nele que residem todas essas sensações ou faculdades. O perispírito é apenas o órgão que transmite todas essas sensações, por­tanto, é um instrumento a serviço do Espírito. Logo, segundo Kardec, é in­correto dizer que é no perispírito que ficam marcadas ou gravadas certas memórias ou atos do Espírito durante sua vida. Como já vi­mos, o perispírito é matéria, não pensa nem tem memória. Isso são atributos do Espírito.

 

MOLDE DO CORPO FÍSICO

 

Outra questão polêmica é se o perispírito é o molde do corpo físico. Analisando detidamente a questão à luz da Codificação Espírita feita por Kardec, chegaremos à conclusão que o perispírito não é o molde, modelo ou forma do corpo físico. É, sim, o princípio diretor da vida organizada, o elemento de aglutinação, de organização da matéria obediente às leis biológicas e ao comando do Espírito. Cita­remos apenas três passagens das obras de Allan Kardec para demonstrarmos o que foi acima exposto "A  Gênese" - cap. XI - 11:

 

"Para ser mais exato, é preciso dizer que é o próprio espírito que molda o seu envoltório e o apropria às suas novas necessidades; aperfeiçoa-o e lhe desenvolve e completa o organismo, à medida que experimenta a necessidade de manifestar novas faculdades; numa palavra, talha-o de acordo com sua inteligência."

 

"A Gênese" - cap. XI - 18:

 

"Quando o Espírito tem de encar­nar num corpo em vias de formação, um laço fluídico, que mais não é do que uma expansão do seu perispírito, o liga ao gérmen que o atrai por uma força irresistível desde o momento da concepção. Sob a influência do princípio vito-material do gérmen, o perispírito, que possui certas propriedades da matéria,  se une, molécula a molécula, ao corpo em formação, donde o poder dizer-se que o Espírito, por intermédio de seu perispírito se enraíza, de certa maneira, nesse gérmen, como uma planta na terra...:" No desencarne ocorre exata­mente o contrário: o perispírito se desprende molécula a molécula, conforme se unira e ao Espírito é restituída  a  liberdade.  Assim, não é a partida do Espírito que causa a morte do corpo e, sim, a morte do corpo é que determina a partida do Espírito.

 

Finalmente, em "O Livro dos Espí­ritos, pergunta n. 356”:

 

P - “Entre os natimortos alguns ha­verá que não tenham sido destinados à encarnação de Espíritos?"

R - “Alguns há, efetivamente a cujos corpos nunca nenhum Espírito esteve destinado. Nada tinha que se efetuar para eles. Tais crianças só vêm por seus pais."

 

Pergunta n. 356-A:

 

P - “Pode chegar a termo de nas­cimento um ser dessa natureza?"

R - “Algumas vezes, mas não vive."

 

Ora, se existem corpos físicos aos quais nunca nenhum Espírito esteve destinado, obviamente não havendo Espírito, não haveria perispírito para servirem de modelos. E como consegui­ram as células se multiplicarem e darem ao final uma conformação humana a esse corpo físico se não havia o pe­rispírito para servir de molde? Isso nos leva à conclusão de que o perispírito não é o molde ou forma do corpo hu­mano.

 

O molde, a forma ou modelo se encontra nos fatores genéticos e hereditários de cada ser, herdados do material genético doado pelos seus pais. "O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito. "O Livro do Espíritos, perg. 207 e ainda em João 3:6, Jesus disse: "O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é Espírito."

 

Enfatizamos ainda que o Espírito se utiliza do perispírito como um laço fluídico para se ligar ao corpo em formação, corpo este que se desenvolve conforme os fatores genéticos e hereditários de cada ser herdado, como já foi dito, do material genético doado pelos seus pais. ("A Gênese", cap. XI - item 18).

 

Sendo o Espírito o arquiteto e con­dicionador do seu corpo de manifestação, juntamente com as Leis Naturais, não há que se falar que o perispírito seja o molde do corpo físico e, sim, o perispírito, em cada encarnação, que se modela para o corpo físico. 

 

BIBLIOGRAFIA:

Obras da Codificação Espírita de Allan Kardec (O Perispírito) de Rubens P. Meira; Novo Testamento João, 3:6.

 

 


Uma apostila de estudo que serviu de roteiro para a construção deste artigo pode ser encontrado nestes endereços eletrônicos:

http://www.luzdoespiritismo.com/apostilas.htm

http://br.geocities.com/luz_espirita/Apost5_perispirito.doc

http://www.terraespiritual.org/espiritismo/obrasbasicas.html

http://www.ieja.org/portugues/Estudos/Artigos/p_perispirito1a.doc

http://br.geocities.com/apologia_gae/artigos_estudos.htm


 
Artigo publicado no Jornal A Tarde, Salvador, BA.
 
O movimento espírita brasileiro, representado pela miríade de casas espíritas espalhadas pelo país, além de outras organizações jurídicas, dissemina a informação da existência de diversos corpos intermediários entre o corpo físico e o espírito, formando um complexo estrutural que une esses dois extremos.
 
Essa informação é sustentada por obras psicografadas através de alguns médiuns proeminentes e por autores que, em sua maioria, baseiam seus estudos e suas idéias nessas obras reveladas.
 
Fazendo um estudo sobre mediunidade de cura, fui levado à leitura de inúmeras dessas obras.  Li, inclusive, um texto de um eminente espírita baiano que descrevia com bastante consistência e profundidade a existência dessas camadas espirituais, citando algumas obras reveladas de poucos espíritos consagrados, mas buscando como apoio à sua hipótese a própria obra kardecista.  Senti-me inicialmente desconfortável com a argumentação proposta, todavia, como não tenho a pretensão do conhecimento verdadeiro, recorri às fontes kardecistas citadas no artigo para tentar suprir a falha da minha memória, que não conseguia concordar com aquele raciocínio.  Não havia esquecimento; havia, talvez, por parte do autor, um extremo desejo de justificar sua hipótese pessoal, fazendo com que a obra de Allan Kardec "falasse" o que queria ouvir, fazendo-a deitar no leito de Procusto.
 
Fiz uma retrospectiva de experiências anteriores em centros espíritas diversos, lembrei, então, de palestras e cursos básicos de espiritismo ofertados, quando pude presenciar aulas e explanações sobre os diferentes corpos que comporiam o ser humano, nomeados de etéreo, astral, mental etc., chegando ao detalhe de descrever cada uma de suas funções, suas estruturas internas, com órgãos e centros de força, e até mesmo suas ordens e cores características.  Há ainda os que preferem uma terminologia oriental, criando todo um novo sincretismo às custas do espiritismo.  Mas muitos que procuram as casas espíritas, leigos ansiosos por um mínimo entendimento da realidade espiritual do homem, ao assistirem essas explicações acreditarão mesmo ser tal conhecimento inerente ao espiritismo.
 
Allan Kardec, em toda a sua obra, relata-nos apenas a existência de uma única estrutura intermediária entre o espírito e o corpo, à que denominou perispírito em "O livro dos espíritos", que é um corpo fluídico, "uma espécie de envoltório semi-material", que acompanha o espírito após a morte física do corpo e é responsável pelas manifestações mediúnicas.  Coloca, inclusive, que essa estrutura fluídica, o perispírito, não fez parte de suas hipóteses iniciais para justificar o fenômeno mediúnico, sendo conduzido pelos espíritos a esse modelo como solução para a compreensão da mediunidade, como se lê em "O livro dos médiuns".
 
Não é a intenção negar a possibilidade desse conhecimento, posto não ser Teseu, mas afirmar que esse não é o caminho sugerido por Kardec e pelos espíritos que o auxiliaram na construção da sua obra.  O espiritismo não avançará utilizando-se de revelações, tema tão bem discutido em "A gênese", mas através de uma construção metódica e de braços dados com a ciência, fruto do esforço intelectual humano.  A obra kardecista ensina-nos em todo seu percurso que o conhecimento humano é de responsabilidade dos homens, e que devemos, no mínimo, questionar as revelações fornecidas por médiuns e espíritos, afamados ou não.
 
A ciência ainda procura demonstrar a existência do perispírito, seria precipitação e inconseqüência atrelar essa gama de "corpos espirituais" ao já miscigenado espiritismo de revelações mediúnicas, tão ao gosto das casas espíritas brasileiras.
 
* * *

por Milton R. Medran Moreira*

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2052714.xml&template=3898.dwt&edition=10290&section=101

 

Há uma questão em O Livro dos Espíritos, obra fundamental da filosofia espírita, em que Allan Kardec faz a seguinte indagação às entidades espirituais que entrevista:

 

- Por que os maus ainda dominam o mundo?

 

E os espíritos respondem assim:

 

- Porque eles são audaciosos. Os bons, embora mais numerosos, são tímidos. O dia em que estes quiserem e se organizarem, dominarão.

 

Particularmente, não tenho dúvida de que vivemos numa sociedade predominantemente constituída de gente boa, honesta e, acima de tudo, bem-intencionada. Tão bem-intencionada, que cada vez mais mostra sua capacidade de se indignar diante do mal. O que ainda ontem era tolerado ou até permitido por normas que existiam justamente para proteger os interesses dos poderosos hoje causa revolta e indignação na maioria.

 

Mas, segundo a sabedoria popular, de boas intenções o inferno está cheio. Vivemos, hoje, um tempo de muitas belíssimas intenções que, via de regra, conseguem, mesmo, se materializar em diplomas legais modelares. Há não muito tempo, imaginamos poder resolver todos os problemas da nação com uma nova Constituição. Os mais modernos direitos humanos e sociais foram arrolados numa Carta que é, convenhamos, uma primorosa declaração de boas intenções. A partir dela, se multiplicaram os diplomas legais protegendo os consumidores, a criança e o adolescente, os idosos, os deficientes, as minorias raciais etc. Formulamos também meticulosa lei de responsabilidade fiscal, buscando impor limites a administradores perdulários. Aprimoramos a lei eleitoral, visando a aperfeiçoar as eleições a cargos públicos.

 

Mas também há um ditado, normalmente expresso em castelhano, que diz: "Hecha la ley, hecha la trampa", ou seja, uma vez feita a lei, logo se buscam mecanismos para transgredi-la.

 

Aí é que entra o conceito formulado pelos interlocutores espirituais de Allan Kardec: os maus são audaciosos; os bons são tímidos. Dificilmente vão além das intenções.

 

Para uma sociedade funcionar é preciso bem mais que intenção. É necessária, em primeiro lugar, uma ética que nasça da alma e que ali seja cultivada e permanentemente impulsionada por uma educação voltada aos valores supremos do amor e da justiça, da ordem e da paz

 

E mais do que isso. É necessária a mobilização geral dos que cultivam verdadeira e intimamente esses valores. Uma mobilização solidária contra a injustiça e a corrupção, em favor de uma sociedade intrinsecamente ordeira e justa.

 

O grande problema é que isso exige renúncia pessoal. Enquanto a ética e a moralidade pública forem apenas bandeira política, meios para a conquista de espaços, sem que antes se as cultivem na intimidade do ser, esse objetivo não se concretiza.

 

É preciso, enfim, nos darmos conta de que, em cada ato de nossa vida, privada ou pública, temos o dever de sermos justos, independentemente da idéia de que isso vá ou não nos propiciar alguma vantagem. Só um sentimento assim, vindo da alma e sem nada pedir em troca, nos capacita à ação construtiva, arrancando-nos do marasmo das boas intenções.

 

*Advogado e jornalista - medran@pro.via-rs.com.br

 

(Artigo publicado na edição do jornal ZERO HORA de 18-07-2008, Porto Alegre/RS)

 

 

NOTA DO AUTOR

 

Amigos:

 

Tenho me sentido gratificado pela acolhida de artigos meus na grande imprensa. Ultimamente, o jornal Zero Hora, o mais importante do Rio Grande do Sul, assim como o Diário Gaúcho (o jornal popular do mesmo grupo) têm publicado quase que semanalmente uma colaboração minha.

 

Mas, fico particularmente feliz quando o artigo é acolhido, mesmo se ocupando explicitamente de um tema espírita (o que, até pouco tempo, era habitualmente recusado, nos espaços de opinião dos grandes jornais, sendo apenas publicados, quando o eram, nos espaços destinados  "às religiões"). É o caso deste meu modesto trabalho que está em ZH de hoje. Ele foi originariamente publicado pela revista Harmonia, editado por nosso companheiro Marcelo Henrique, de Florianópolis. Ao receber a revista, sequer me recordava de havê-lo escrito. Achei que a temática é apropriadíssima para os dias de hoje, quando a Nação se vê perplexa diante de tantos casos de corrupção, e que, como espíritas, podemos dar uma valiosa e consistente contribuição à análise desses temas, a partir da filosofia kardequiana. Fiz no artigo original alguns retoques e o enviei ao jornal, ontem. Hoje mesmo ela já foi editado.

 

Os espaços de opinião dos grandes jornais e revistas, quero recordar, são excelentes instrumentos de formação de opinião e nós, espíritas, deveríamos nos valer mais deles para difundir nossas idéias.Mas, é sempre bom recordar, para serem publicados não podem ser escritos em tom confessional ou religioso.

 

 Segue o artigo, extraído do site do jornal http://www.zerohora.com/ (edição impressa).

 

Milton Medran - Porto Alegre

 

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Revista Espírita

HARMONIA

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por
 Elio Mollo
 
 

 
O homem vem, através dos tempos, procurando o seu desenvolvimento, porém, a maioria ainda caminha tão materializada que não consegue enxergar além da matéria conhecida.

Ao longo dos tempos, grandes espíritos reencarnaram na Terra para ampliar a visão humana, mas foram poucos aqueles que compreenderam a maneira de enxergar melhor e poucos os que usaram essa visão para o bem da humanidade.

Dentre esses grandes Espíritos, Moisés foi um que desenvolveu leis, através do auxílio divino, modificando costumes prejudiciais ao relacionamento homem com Deus e homem com seu semelhante.

Sócrates, lendo a frase "homem conhece-te a ti mesmo", no templo de Delfos, a compreendeu, a usou, a desenvolveu e a difundiu.

Jesus, com sua brandura, ensinou o homem a amar a Deus e ao seu próximo como a si mesmo, dizendo que estes dois mandamentos contêm toda a lei e os profetas.

Além disso, ensinou-nos a sermos perfeitos como o Pai Celestial, mostrando que, conhecendo a verdade, o homem se livra das amarras da ignorância deixando o caminho livre para a sua subida evolutiva. Mostrou também, de forma taxativa, que isso é conseguido através do processo da reencarnação, dizendo que é preciso nascer de novo, além de outros ensinos importantes que o homem pode utilizar para o seu crescimento espiritual.

O tempo continuou e vieram outras criaturas mostrar que o Homem não está só no Universo e é só acordar para ver.

Porém, o homem, sonolento, orgulhoso e prepotente não quer abrir os olhos. Assim, tropeça, bate a cabeça e se machuca em qualquer obstáculo que se põe em seu caminho. Todavia, a Providência Divina insiste em acordá-lo e ampliar sua visão para que não se machuque mais.

Foi para tanto que no século XIX, fenômenos espirituais surgem por toda parte de forma insistente: pancadas e ruídos nas paredes, mesas que giram e que se suspendem, que batem em letras para formar frases, etc.

Denizard Hippolyte León Rivail – nome conforme certidão de nascimento – convidado a comparecer em sessão onde mesas giravam e outros fenômenos ocorriam, vendo que não havia truques passou a observar e a estudar tais fenômenos, e não contente com isso concluiu que esses fenômenos eram provocados nada mais nada menos por seres que viveram na Terra e que agora faziam parte do outro mundo, ou seja: tinham feito sua passagem pela Terra fisicamente e após a morte física passaram para o outro lado da vida – aquela que é espiritual e eterna – e começou a inquirí-los buscando aprofundar seus conhecimentos.

Estudou os fenômenos seriamente, colheu provas e, através de respostas dadas às suas perguntas, foi organizando todo o material colhido e codificando os ensinos dados por esses seres.

Assim, a 18 de abril de 1857, com o pseudônimo de Allan Kardec (nome sugerido por um Espírito que tinha sido seu amigo em uma encarnação pregressa, nas Gálias, como druida), faz o lançamento para iluminar e ampliar a visão de toda a humanidade de o "O LIVRO DOS ESPÍRITOS".

Conforme o dizer de José Herculano Pires, "com o lançamento de o “O LIVRO DOS ESPÍRITOS” raiou para a humanidade a Era Espírita".
 
 
 

Almas divinas! entrai em corpos mortais; ide começar uma nova carreira. Eis aqui todos os destinos da vida. Escolhei livremente. Se for má, não acuseis por isso a Deus.
Platão
428-347 a.C
in República

 

 

 

por Elio Mollo

 

 

Ao lermos ou estudarmos diversas traduções do Novo Testamento principalmente em Paulo aos Coríntios, 1ª carta cap. XIII, vv. 1 a 13 “Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e dos anjos, se eu não tivesse a caridade, seria como um bronze que soa ou como um címbalo que tine.”  (...) "Ainda que eu tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência, ainda que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse a caridade eu nada seria.” (etc. etc.) e, também em Pedro em sua primeira epístola 4:8 «Mas sobretudo tende ardente caridade uns para com os outros porque a caridade cobre a multidão de pecados.» encontramos a palavra caridade trocada pela palavra amor, assim ficamos a nos perguntar: “será que estas duas palavras são sinônimos?”

 

Podemos dizer que o Amor e a Caridade são da mesma família, porém, são duas identidades com características diferentes.

 

Apesar destas duas palavras estarem interligadas, elas têm significados diferentes, senão vejamos:

 

No dicionário (Aurélio), o significado que nos interessa para o entendimento deste assunto é o seguinte: "Amor é um sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem, ou de alguma coisa" ou "Amor é um sentimento de dedicação absoluta de um ser ao outro".

 

Empédocles(1) denominou-o como "a força que preside a ordem do mundo".

 

Parece-nos que a denominação de Empédocles (desde que trocando a palavra mundo por Universo) se aproxima muito mais do verdadeiro significado da palavra Amor.

 

Agora, vamos ao significado da palavra Caridade:

 

Segundo o dicionário, Caridade é "amor ao próximo, benevolência, bondade, compaixão, etc.". Allan Kardec, em nota à resposta da questão 886 dada pelos Espíritos em o «O Livro dos Espíritos», diz que a "Caridade, segundo Jesus, não se restringe somente à esmola, mas abrange todas as relações com os nossos semelhantes". Assim, temos que a "Caridade é um ato de relação (doação total) para com os nossos semelhantes" e este entendimento é o mesmo que os dicionários utilizam para dar o significado da palavra Amor.

 

O capítulo "Lei de Justiça, Amor e Caridade" do livro terceiro – cap. XI, de «O Livro dos Espíritos», já no título, mostra que as duas palavras têm significados diferentes.

 

Se utilizarmos o significado de Empédocles, entenderemos melhor o significado da palavra Amor, o porque Deus é Amor e, inclusive, porque os Espíritos dizem que "no Universo tudo se serve, tudo se encadeia, desde o átomo primitivo até o arcanjo, que por sua vez começou como átomo. Admirável lei de harmonia..." (q. 540 de O Livro dos Espíritos).

 

Assim, o Amor é a força que rege o Universo, e a Caridade é o ato pelo qual deixamos fluir o Amor que abrange todas as relações com os nossos semelhantes, ou seja, a doação natural é total sem constrangimento nenhum para com o próximo, pois temos o Amor como força regendo todas as nossas relações.

 

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([1]) EMPÉDOCLES DE AGRIGENTO

 

O acme da existência de Empédocles é situado por volta de 450 a.C. Tanto sua vida como sua doutrina tiveram enorme repercussão. Natural de Agrigento, membro de uma família influente, sabe-se que Empédocles participou ativamente na preservação da democracia em sua cidade natal e que recusou-se a assumir as funções de rei. A lenda de que terminou banido e que morreu como exilado no Peloponeso é possivelmente falsa. Outra lenda, de que se teria suicidado, jogando-se na cratera do Etna, também não tem fundamento histórico. Consta ainda que teria libertado uma cidade da malária, e que por isto os seus habitantes o homenageavam como a um deus; mas parece que este e outros relatos sobre a sua existência não passam de lendas

 

De seus dois poemas, Sobre a Natureza e Purificações, numerosos fragmentos chegaram até nós. O frag. 17 é o que melhor permite compreender a sua doutrina; nele, refere-se ao processo de geração e corrupção, e apresenta as suas teorias tingidas em perspectivas parmenídicas. Há quatro elementos originais e estes elementos compõem a formação de todos os entes: fogo, terra, água e ar (sobre os elementos: frags. 6, 8, 9, 11, 12, 13, 14, 17, 26, 62, 96, 98). Estes elementos e todo o processo do real são determinados pelas forças do Amor e do ódio, que regem, ciclicamente, o cosmos (sobre o Amor e o ódio: frags. 16, 17, 20, 21, 22, 30, 35, 59). Coerente com estas opiniões e de grande repercussão é também a explicação que dá Empédocles ao conhecimento e ao processo do pensamento (conforme os frags. 2, 3, 84, 105, 106, 107, 108, 109).

 

FRAGMENTOS: Sobre a Natureza - Purificações

RELAÇÕES: Hölderlin - Porão

Fonte: BORNHEIM, Gerd. Os filósofos pré-socráticos. São Paulo, Cultrix, 1977, p. 68.

 

Renato Costa

 

Ramos da Ciência Surgidos no Século XX Permitem Novo Entendimento quanto à fronteira existente entre a Inteligência e o Instinto


O tema Inteligência e Instinto é desenvolvido na Codificação da Questão 71 à Questão 75 de O Livro dos Espíritos e, com mais detalhe, do Item 11 ao Item 19 do Capítulo III de A Gênese. Por falta de espaço em um artigo desta natureza, não transcreveremos as questões, as respostas dos Espíritos e o raciocínio do Codificador, nem teceremos comentários a eles. Uma clara compreensão de nosso trabalho, no entanto, não prescinde de tal estudo, motivo pelo qual incentivamos nosso amável leitor que não as deixe de estudar antes de prosseguir.


Como dissemos em nosso artigo de maio(*), publicado nesta revista, o quadro atual de conhecimento no estudo do comportamento animal é fruto da maturação de duas abordagens científicas que surgiram nas décadas de 20 e 30 do século XX, quais sejam, respectivamente, a  Psicologia Associativa e a Etologia. A primeira teve início nos EUA, com a participação de psicólogos e com enfoque nos comportamentos de exemplares de animais testados em experimentos de laboratório, associando tais comportamentos a aprendizado.  A segunda, na Europa, com a participação de zoólogos e com enfoque nos comportamentos espécie-específicos de exemplares observados em seu habitat natural, associando tais comportamentos a instintos inatos ou herdados geneticamente. Durante um certo tempo houve acirrado debate entre os estudiosos partidários das duas abordagens, debate esse que ficou conhecido em inglês como o “the nature x nurture controversy” (a controvérsia natureza x criação). Hoje em dia, no entanto, prevalece a noção de que o comportamento animal deva ser visto sempre segundo seus dois componentes, o instintivo e o aprendido, que aparecem, um e outro, em maior ou menor grau, conforme a circunstância que se apresenta.


Antes de prosseguirmos em nosso estudo, convém notarmos que nenhuma das duas abordagens ao estudo do comportamento animal que deram origem ao atual estágio de conhecimento científico havia ainda surgido por ocasião da Codificação. Em conseqüência desse fato, tudo o que vamos falar sobre comportamento animal daqui em diante são elementos de observação de que Allan Kardec não dispunha quando escreveu na Codificação sobre inteligência e instinto.

 

“Todo ato maquinal é instintivo ... Ao ato instintivo falta o caráter
do ato inteligente ...”
(GE III, 12)

 

Os termos comportamento instintivo ou comportamento inato são usados para designar os comportamentos que os etologistas entendem como herdados e controlados geneticamente, o que nós, espíritas, entenderíamos como patrimônio da alma. É caracterizado um comportamento instintivo quando animais de uma mesma espécie seguem todos a mesma seqüência de ações quando sob as mesmas condições ambientais. Comportamentos instintivos podem ser de três tipos: taxias, que são movimentos automáticos de um organismo, aproximando-se de um estímulo ou se afastando dele, como ocorre com os cupins em relação à luz; reflexos, que são respostas involuntárias de um organismo frente a um estímulo, como o retrair da mão de um animal quando ela toca um objeto quente, e padrões fixos de ação (PFA) ou instintos propriamente ditos, que são padrões complexos de comportamento, porém, geralmente, inflexíveis e que envolvem todo o corpo do animal, podendo necessitar de um estímulo externo para serem disparados. Exemplos simples são casais de aves alimentando bocas abertas (não necessariamente filhotes), reação de medo a predadores e a resposta de fuga ou ataque de um animal frente à agressão. Um exemplo mais complexo são os milhares de movimentos que uma aranha repete quase sem alteração cada vez que tece suas teias de aparência sempre igual.


O termo comportamento aprendido é usado para designar alterações no comportamento como resultado de experiências vividas. As modalidades existentes são as seguintes: estampagem, que é um comportamento que possui componente inato e aprendido e é adquirido em um período específico e limitado de tempo na vida do organismo. Patinhos recém-nascidos, por exemplo, identificarão como sua “mãe” (protetora) e semelhante (outro indivíduo da espécie à qual pertencem) um objeto de razoável tamanho que se mova e emita sons, desde que este for a primeira coisa que vejam junto a si no momento em que nascem e por um breve período após. Daí em diante seguirão o objeto onde ele for. A estampagem persiste pela vida do indivíduo. Esse comportamento se chama de estampagem porque equivale a uma estampa gravada para sempre no indivíduo. Somente espécies menos evoluídas estão sujeitas à estampagem; habituação, que é uma redução em uma resposta anteriormente apresentada quando nenhuma recompensa ou punição se segue. Se um barulho estranho for ouvido por um cão de guarda ele entra em alerta. Se esse mesmo barulho voltar a ocorrer sistematicamente na mesma hora e nas mesmas circunstâncias, dentro de certo tempo o cão se habituará ao barulho e não mais entrará em alerta devido a ele; condicionamento clássico, que consiste em associar uma resposta já existente a um estímulo novo ou substituto. É uma forma importante para alterar um Padrão Fixo de Ação (Instinto) de modo ao animal poder se adequar com mais precisão a circunstâncias ambientais. Se o dono de um cão soar um sino antes de servir a ração ao animal, este se condicionará a salivar toda vez que ouvir tocar um sino, pois terá condicionado a oferta de ração ao estímulo de ouvir o sino que, a princípio, nada tem a ver com alimentação; condicionamento instrumental ou aprendizado por tentativa e erro, que consiste em se modificar uma resposta pré-existente a um estímulo ou criar novas respostas. Ocorre, por exemplo, quando o animal aprende quais comidas são saborosas e quais não são.  Testes de laboratório comuns para avaliar a capacidade que um animal tem de aprender por tentativa e erro são labirintos que o animal deve percorrer para receber uma recompensa, usualmente uma comida de que gosta. Uma vez resolvido o labirinto o animal geralmente memoriza a solução e passa a ir direto até a meta, demonstrando que aprendeu uma seqüência lógica e visual, e aprendizado por “Insight” ou discriminação, que é um tipo de comportamento que, indubitavelmente, requer inteligência, pois o animal deve analisar a situação, examinar quais os elementos de que dispõe e criar uma solução inteiramente nova para atingir sua meta. Verifica-se quando, por exemplo, um chimpanzé faz uma pilha de engradados para usar como escada de modo a obter um prêmio em comida pendurado fora de seu alcance, sem nunca ter visto antes essa solução. Ou ainda, quando um corvo da Nova Caledônia dobra um pedaço de metal com seu bico para apanhar a comida no fundo de um tubo após ter observado um corvo maior ter se apossado do único pedaço curvado de metal que havia disponível e ter conseguido com o mesmo atender à mesma meta.
 

“A inteligência se revela por atos voluntários, refletidos, premeditados, combinados, de acordo com a oportunidade das circunstâncias.” (GE III, 12)

 

Agora que conhecemos os termos corretos para identificar os diversos tipos de comportamento animal é importante sabermos que o comportamento animal em cada circunstância pode ser um casamento de vários desses tipos, cada um deles participando em maior ou menor grau.
 

“Aliás, é freqüente o instinto e a inteligência se revelarem
simultaneamente no mesmo ato.”
(GE III, 13)

 

Quando um castor constrói uma barragem, por exemplo, assume-se que a solução de construir a barragem seja um padrão fixo de ação ou instinto. Está na memória genética de sua espécie, segundo os cientistas, ou na memória anímica da espécie, segundo uma visão espírita, que a construção de barragens é uma forma de garantir a formação de um lago da profundidade conveniente para que ele possa construir sua moradia ao abrigo dos predadores e possa ter uma reserva de alimentos acessível durante o inverno, quando a superfície do lago está congelada. Entretanto, a constatação de se o lago precisa ou não ser aprofundado e a forma como irá construir a barragem, se necessária, assim como a escolha do material de que se irá utilizar para tal, são todos comportamentos aprendidos, parte  por tentativa e erro, quando já age sozinho na fase adulta, mas parte, certamente, sob orientação de sua mãe quando mais novo.

Um outro exemplo, além do do castor, é o das aves que constroem ninhos, sempre se adaptando aos materiais encontrados nos locais para onde se mudam e às características desses locais. A maioria das interações possíveis em determinado ambiente é por demais complexa para que instintos fixos delas se incumbam. A participação do comportamento aprendido, tanto na forma de tentativa e erro como na forma de aprendizado por “insight”, é, portanto, muito importante para animais que se deslocam de um para outro ambiente.


Ao contrário dos instintos, que são consolidados na espécie e passados entre as gerações, os comportamentos aprendidos requerem, para sua fixação, a manutenção por longos períodos das circunstâncias que os permitiram ou provocaram seu aparecimento. É desse modo que comunidades de determinada espécie que migraram há séculos de uma para outra região, vão, aos poucos constituindo uma nova espécie, com instintos modificados em função da adaptação às novas condições. A modificação de instintos a partir de comportamento aprendido, após a consolidação desse último, sugere, para os cientistas, que houve uma mudança genética na espécie e, para nós, espíritas, que mais um aprendizado foi adicionado ao seu patrimônio anímico.


Como vemos, a fronteira que separa a inteligência do instinto é bastante tênue. Não só porque vários comportamentos que eram tidos como instintivos hoje são ditos inteligentes como pelo fato, constatado pelos estudiosos, de que os comportamentos aprendidos por tentativa e erro e por “insight”, que requerem inteligência para ocorrer, podem, ao cabo de várias gerações, ser consolidados como instintos. O instinto, portanto, ou, pelo menos, a parte dele conquistada após a definição da individualidade, pode ser visto como uma espécie de inteligência fóssil enterrada nas profundas camadas da mente.

 
Bibliografia
Cardoso, Sílvia Helena, PhD e Sabbatini, Renato M. E., PhD. Aprendendo quem é a sua Mãe – O comportamento de Imprinting. Obtido em março de 2003 de http://www.epub.org.br/cm/n14/experimento/lorenz/index-lorenz_p.html
Animal Behavior, Chapter 20. Obtido em março de 2003, de
http://clab.cecil.cc.md.us/faculty/biology1/behavior.htm.
Beaver. Canadian Wildlife Service Hinterland Who’s Who. Obtido em junho de 2003, de
http://www.cws-scf.ec.gc.ca/
Costa, Renato.  Os Diversos Caminhos da Evolução Anímica. In Revista Internacional do Espiritismo, Maio de 2003.
Domestic Animal Behavior. Obtido, em março de 2003, de
http://asci.uvm.edu/course/asci001/behavior.html.
Swanson David, Dr. Behavior. Obtido, em março de 2003, de
http://www.usd.edu/bol/faculty/swanson/ornith/lec16.htm.
Innate Behavior. Obtido, em março de 2003, de
http://users.rcn.com/jkimball.ma.ultranet/BilogyPages/1/InnateBehavior.html.
Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. FEB, 76 ed, 1995.
______, _____. A Gênese. FEB, 36 ed, 1995.
Kohler’s Work on Insight Behavior. Animal Cognition Home Page. Obtido, em março de
 
 
(Artigo Publicado na Edição de Dezembro de 2003 da
 

O autor é engenheiro e expositor espírita no Rio de Janeiro

Amor à Vida

23:03 @ 24/07/2008

 
Renato Costa
 
Primeira Parte
 
Em que Consiste o Amor à Vida
 
A vida, não importa a aparência com que se revela a nossos olhos, é benção com que a Justiça Divina nos oferece nova oportunidade de aprendizado.
 
Quer façamos dela bom ou mau uso, ela sempre segue em frente, consoante a diretriz de progresso que, a cada etapa reencarnatória, nos traça uma meta a alcançar.
 
Se, em algum momento, ela te pareça ingrata, não te revoltes contra ela, maldizendo-a ou intentando perturbar ou abreviar seu curso, pela trilha do vício que entorpece ou do desleixo com a saúde que a extingue prematuramente.
 
Cada um de nós vem a este mundo com uma tarefa a cumprir. As condições que nos são ofertadas ao nascermos para que logremos sucesso na empreitada podem ser expressas em três níveis:
a) no nível pessoal, podemos nascer mais ou menos saudáveis, mais ou menos bonitos e dotados de mais ou menos inteligência;
 
b) no nível familiar, podemos nascer em uma família equilibrada, com pais gentis e protetores, irmãos e irmãs amigos ou, então, em um família com um maior grau de desequilíbrio, que pode ser restrito a um único membro da família com quem nos atritamos sempre, ou, no outro extremo, constituir-se em verdadeiro campo de batalha, com pai ausente ou agressivo, mãe autoritária e destituída de carinho e irmãos e irmãs a se engalfinharem pelo mais fútil motivo;
 
c) no nível social, podemos nascer em uma família de menor ou maior poder aquisitivo, em toda a longa escala que vai do indigente que não tem onde morar e que esmola por comida até o arquimilionário magnata que gasta, em uma única noitada, quanto daria para alimentar a toda uma cidade. Ainda a nível social, podemos nascer membros de uma minoria, segregada pelo sexo, pela cor, pela raça ou pela religião ou, por outro lado, pertencermos à maioria não discriminada. Podemos nascer em um país em paz ou em meio à mais terrível guerra. Podemos nascer em um alegre paraíso tropical, em um movimentado e estressante bairro de uma grande cidade ou em um lugar pouco habitado e inóspito, como a imensidão gelada dos pólos ou as escaldantes areias do deserto.
 
Quaisquer que sejam as condições que a vida nos oferece como ponto de partida no instante do nascimento ou a qualquer momento ao longo de nossa caminhada, devemos sempre manter a calma e o equilíbrio que provêm de uma fé inabalável nos desígnios do Pai Criador. Cada um tem a vida que mais lhe convêm.
 
Se, em uma vida, a beleza, a inteligência ou a riqueza foram entraves ao progresso do espírito, em outra, tais atributos serão diminuídos de forma a melhor lhe abrir o caminho do aprendizado salutar. Se, numa vida, nascido em classe dominante, abusou de seu poder, perseguindo e torturando, física ou moralmente, seus semelhantes e contraindo para si terríveis dívidas com a harmonia cósmica, virá, em vida posterior, desprovido de maior poder, não de forma a puni-lo, mas, antes, de modo a protegê-lo, evitando seu maior endividamento com a Justiça Divina. A Justiça Divina jamais pune o espírito que infringiu a Lei.  Perfeita Mãe que é, dotada de sabedoria e amor infinitos, a cada encarnação ela saberá prover a vida melhor adequada às necessidades que cada espírito tem de aprendizado.
 
* * *
Tendo em vista o que foi dito, é necessário que reflitamos quanto à necessidade de Amor à Vida. Conseguindo compreender que nossa atual existência contem em cada aspecto fatores da maior importância para nosso crescimento espiritual, devemos estar permanentemente atentos para todas as oportunidades que surgem, avaliando cada uma à luz dos ensinamentos de Jesus, de forma a sabermos quais nos convém aceitar como motores de nosso crescimento e quais devemos ignorar para não nos levarem a assumir maiores compromissos reparadores. Quando estivermos preparados para discernir entre aquilo que nos é permitido fazer e aquilo que nos convém, como ensina o apóstolo Paulo, saberemos fazer sempre a melhor escolha.
 
O primeiro estágio da nossa conscientização é aprender a amar a nossa própria vida. Alcançado esse estágio, estaremos sempre atentos à preservação de nossa saúde física e moral, evitando os excessos de qualquer natureza, procurando melhores companhias, procurando somente lugares de boa freqüência e dando ouvidos somente a conversas salutares ou edificantes.
 
À medida que formos aprendendo a amar nossa própria vida, naturalmente se despertará em nós o amor à vida daqueles que estiverem à nossa volta. Primeiro será o amor pela nossa família, depois por nossos colegas de trabalho e lazer, depois pelos que nos são afins pela cor, pelo credo ou pela nacionalidade.
 
A meta seguinte já requer mais amadurecimento espiritual e é aquela testemunhada por humanistas, filósofos e grandes pensadores: o Amor à Vida Humana em todo o Planeta, sem discernimento.
 
Finalmente, ao alcançarmos os maiores patamares de entendimento, faremos eco aos grandes mensageiros e entendermos que o Amor à Vida deve ser universal, pois tudo o que existe na natureza, do átomo ao arcanjo, é reflexo do Psiquismo Divino percorrendo todos os estágios de evolução, devendo, portanto, ser tratado com reverência e respeito.
 
* * *
Quando falamos de Amor à Vida de forma universal, não queremos dizer com isso que seja, em essência, errado, quebrar uma pedra, cortar uma árvore, colher um pé de alface ou matar uma formiga. O ser humano tem um metabolismo que requer alimentação física. Em estágios mais avançados, talvez não mais encarnando no planeta Terra, ele logrará, sem maior dificuldade, suprir toda sua necessidade de energia diretamente do fluido cósmico universal, como Jesus demonstrou ser possível ao jejuar de alimento sólido por 40 dias.
 
Quando falamos de Amor à Vida de forma universal estamos nos referindo ao respeito que devemos ter por cada ser vivo, jamais matando ou mutilando qualquer um por leviandade ou divertimento. Quebrar a rocha para construir caminhos ou edificar moradias é utilização nobre, da mesma forma que cortar a árvore para construir um móvel, ou para pavimentar uma casa. Colher a planta ou matar com respeito o animal que servirão de alimento não são atos de desrespeito à vida. Não age com desamor à vida o cientista que desenvolve o remédio para eliminar a bactéria causadora de doença, nem, tampouco, o agricultor que envenena o formigueiro para preservar o cultivo destinado à alimentação de uma comunidade.
 
Deve ser sempre entendido, no entanto, que todo ato de tirar a vida que não seja devidamente justificado é contra a lei da natureza. Arrancar todas as frutas de uma árvore para comer algumas e destinar as outras ao apodrecimento é desrespeito à vida. Pisar na grama sem necessidade, arrancar uma flor pelo simples prazer, machucar ou matar um animal por divertimento, todas essas atitudes são demonstrações tristes de descaso com a vida.
 
* * *
Antes de prosseguirmos, convém façamos uma pequena pausa para respondermos a uma pergunta que forçosamente se apresenta: O que fazer caso nos empenhemos em entender e ajudar ao nosso vizinho e ele insista em nos ofender e prejudicar? Cristo nos ensinou quantas vezes devemos perdoar e que somente teremos mérito se amarmos nossos inimigos. Sim, mas como fazer o bem e amar a quem rejeita nossa ajuda física e nos retribui o amor com ódio?
 
Cada um de nós deverá fazer aquilo que está ao seu alcance para ajudar o seu irmão.  Jesus não nos pediu jamais o impossível. Se nos é possível apenas não responder às ofensas e não retribuir as agressões, façamos isso. Se conseguirmos fazer isso, olhando nosso vizinho com carinho, muito bem.  Isso é bom indício de evolução. Se, no entanto, somente conseguimos controlar nosso impulso por revidar, virando as costas e indo embora, já é uma medida válida, posto estarmos dando o melhor de nós. Uma vez afastados fisicamente do agressor, se já sabemos orar, oremos por ele, pedindo a Deus que o inspire e que ele perceba que não lhe queremos mal.
 
Quando nos recusamos a responder a agressão com a agressão, vamos dominando nossos instintos agressivos e aprendendo a não mais nos perturbarmos com as agressões que recebemos. Quando damos um passo à frente e começamos a retribuir a ofensa com uma palavra amiga e o prejuízo recebido com a ajuda desinteressada, perceberemos que cada agressão que recebemos é oportunidade única para repararmos nossas faltas pregressas, saldarmos nossos compromissos com a Lei de Deus e galgarmos preciosos degraus da imensa escala da evolução.
 
* * *
Concluiremos esta primeira parte de nosso estudo, com a palavra sábia e poética de Joanna de Angelis:
 
"És vida e és parte essencial da Vida em tudo manifestada. Oferece a tua contribuição de harmonia, nunca a depredando, nem gerando embaraços que lhe possam perturbar a marcha".
 
"Respeita a vida em qualquer aspecto que se apresente".
 
"Limpa uma vala, planta uma árvore, semeia um grão, viabiliza uma ocorrência enobrecedora, oferta um copo com água fria, brinda um sorriso, sê útil de qualquer maneira..."
 
"A vida transcorrerá para ti conforme a desenvolvas".
 
"Diante de qualquer dificuldade, insiste com amor e aguarda os resultados sem aflição".
 
"Não blasfemes, nem te rebeles, quando algo não te corresponder à expectativa".
 
"És vida em ti mesmo, e o exterior sempre refletirá o que cultives internamente."
 

Segunda Parte
 
O Filósofo Prático da Reverência à Vida
 
Ao longo dos milênios, muitos foram os Espíritos adiantados que encarnaram no Planeta que, com palavras e exemplos, fazendo do Amor à Vida um de seus mais importantes ensinamentos.
 
Para não nos estendermos em uma longa lista, vamos apenas relatar uma pequena história.
 
No final do século passado, no dia 14 de janeiro de 1875, nascia na Alsácia, região na fronteira entre a França e a Alemanha, que na época pertencia à Alemanha e hoje, à França, um menino, filho de um pastor luterano.
 
Esse menino foi chamado de Albert, nome alemão que corresponde a Alberto. Desde cedo se manifestou talentoso e dedicado, tendo aos 24 anos obtido doutorado em filosofia e aos 25, grau avançado em teologia, ao mesmo tempo em que se tornava o maior especialista mundial na construção de órgãos (musicais).
 
Em 1904, portanto, com 29 anos, deparou com um artigo em uma revista pedindo médicos voluntários para a colônia francesa do Gabão, na África. A leitura desse artigo viria a mudar a sua vida. Sentindo-se como que convocado para uma missão, iniciou de imediato a estudar medicina, concluindo que seu desejo era trabalhar com as mãos, de forma a por em prática aquilo que expressava com suas palavras como teólogo, estudioso de religião.
 
Graduado em medicina com 38 anos, seu pedido de adesão como médico na Sociedade Missionária que recrutava médicos para a então África francesa foi rejeitado, sob a alegação que não queriam teólogos e pensadores para atrapalhar os trabalhos de assistência humanitária junto aos nativos, com idéias e pregações que de nada lhes valeriam. Pois bem, longe de esmorecer em sua empreitada, o Dr.  Albert Schweitzer, pois este era seu nome, agora já casado com uma amiga que sempre o apoiara, partiu para angariar fundos para montar um hospital na África e sustentá-lo durante dois anos. Ao cabo desse esforço incansável, partiu para o Gabão em 1913 para construir o famoso hospital de Lambaréné, que existe até hoje, atendendo gratuitamente à população carente de uma enorme região, hoje patrocinado pela Sociedade que leva o nome do seu grande fundador.
 
Foi esse missionário singular, que dedicou sua vida até desencarnar em 1965, com 90 anos, a salvar vidas em um país pobre e estranho e a minorar sofrimentos dos abandonados pela sorte, que forjou a tese filosófica a que chamou de Reverência pela Vida em Ação.
 
Para concluir esse trabalho, deixamos a palavra com o Dr.  Albert Schweitzer, falando sobre a sua tese de Amor à Vida:
 
"Eu sou vida que quer viver, no meio de vida que quer viver. Como em minha própria vontade-de-viver existe um anseio por uma vida mais ampla e prazerosa, com receio do aniquilamento e da dor; assim também se dá com a vontade-de-viver à toda a minha volta, quer ela consiga se expressar diante de mim, quer permaneça muda. A vontade-de-viver está presente em toda parte, assim como em mim. Se eu sou um ser pensante, devo enxergar vida além da minha com a mesma reverência, pois eu devo saber que ela deseja completude e desenvolvimento com tanta profundidade quanto eu mesmo desejo. E isso é verdade tanto visto do ponto de vista físico quanto espiritual. A bondade, pela mesma medida, é o salvamento ou a ajuda da vida, tornar possível a toda vida que eu puder ajudar o alcançar de seu mais alto desenvolvimento.
 
Em mim, a vontade-de-viver ficou sabendo da existência de outras vontades-de-viver. Existe nela uma ânsia de chegar à unidade consigo mesma, de se tornar universal.  Não posso senão aceitar o fato de que a vontade-de-viver em mim se manifesta como vontade-de-viver que deseja se tornar una com outras vontades-de-viver.
 
A Ética consiste no meu experimentar de uma compulsão por mostrar a toda vontade-de-viver a mesma reverência que mostro à minha própria. Um homem é verdadeiramente ético somente quando ele obedece à compulsão por ajudar toda a vida que ele é capaz de assistir e evita ferir qualquer coisa que viva. Se eu salvo um inseto de uma poça, a vida se dedicou à vida, e a divisão da vida contra ela mesma acabou. Quando quer que minha vida se devote de qualquer modo à vida, minha vontade-de-viver finita experimenta a união com a vontade infinita onde toda a vida é una.
 
Uma ética absoluta pede a criação da perfeição nesta vida. Ela não pode ser completamente alcançada; mas isso realmente não importa. Neste sentido, a reverência pela vida é uma ética absoluta. Ela faz com que somente a manutenção e a promoção da vida se classifiquem como boas. Toda destruição da vida e agressão a ela, sob quaisquer circunstâncias, é por ela condenada como má. É verdade, na prática somos forçados a escolher. Há momentos em que temos que decidir arbitrariamente quais formas de vida, e ata mesmo quais indivíduos particulares, teremos que salvar, e quais iremos destruir.  Entretanto, o princípio de reverência à vida é universal e absoluto.
 
Uma tal ética não elimina para o homem todos os conflitos étnicos, mas o compele a decidir por si mesmo em cada caso até que ponto ele deve permanecer ético e até que ponto ele deve se submeter à necessidade de destruir e ferir a vida. Ninguém pode decidir por ele em qual ponto, em cada ocasião, se encontra o limite extremo da possibilidade de sua persistência na preservação e na continuação da vida. Somente ele deverá julgar esta questão, deixando-se guiar por um sentimento da mais alta responsabilidade possível por outra vida.  Nunca devemos nos deixar ficar cegos. Estamos vivendo na verdade quando experimentamos estes conflitos mais profundamente.
 
Quando quer que eu fira qualquer tipo de vida, devo estar bem seguro de que é necessário.  Além do inevitável, jamais devo ir, nem mesmo com aquilo que nos pareça insignificante. O fazendeiro, que ceifou mil flores no seu campo para servir de forragem para suas vacas, deve tomar cuidado ao voltar para não arrancar, em um passatempo intencional, uma única florzinha plantada à beira do caminho, pois então ele estará cometendo um erro contra a vida sem estar sob a pressão da necessidade."
 
 
Bibliografia
Sendas Luminosas.  Joanna de Angelis (espírito), psicografia de Divaldo Pereira Franco, Livraria Espírita Alvorada, Salvador, BA, 1998.
Reverence for Life.  Albert Schweitzer, The Albert Shweitzer Fellowship,

(Estudo originalmente apresentado em 29/09/2000 no Centro Espírita Titino Pires, em Leopoldina, MG)
 
 

 

 

Alexandre Fontes da Fonseca

Centro Espírita Irmão Agostinho – Brotas – SP

 

A questão sobre a alimentação tem sido bastante discutida no movimento espírita. Mensagens como a de Emmanuel (questão 129 da Ref. (1)) e de André Luiz (Cap. 4 da Ref. (2)) desaconselham o uso da alimentação carnívora. Entretanto, isso parece se contrapor com a orientação básica dos Espíritos superiores presentes nas questões 722, 723, 724 e 734 do Livro dos Espíritos (3). Reproduziremos aqui a questão 723: 

 

723. A alimentação animal é, com relação ao homem, contrária à lei da Natureza?

Dada a vossa constituição física, a carne alimenta a carne, do contrário o homem perece. A lei de conservação lhe prescreve, como um dever, que mantenha suas forças e sua saúde, para cumprir a lei do trabalho. Ele, pois, tem que se alimentar conforme o reclame a sua organização”.

 

Pretendemos demonstrar aqui que a recomendação de Emmanuel e André Luiz de se evitar a alimentação carnívora possui bases doutrinárias não estando, portanto, em desacordo com o Espiritismo. Para isso, recorremos à Revista Espírita de dezembro de 1863 onde Kardec reproduziu uma mensagem do Espírito Lamennais (4) que esclarece de modo claro todos os ângulos dessa questão: 

 

"Sobre a alimentação do Homem

(Sociedade de Paris, 4 de Julho de 1863. Médium: Sr. A. Didier)


O sacrifício da carne foi severamente condenado pelos grandes filósofos da antiguidade. O Espírito elevado revolta-se à idéia de sangue e, sobretudo, à idéia de que o sangue é agradável à Divindade. E notai bem, que aqui não se trata de sacrifícios humanos, mas unicamente de animais oferecidos em holocausto. Quando o Cristo veio anunciar a Boa-Nova, não ordenou sacrifícios de sangue: ocupou-se unicamente do Espírito. Os grandes sábios da antiguidade igualmente tinham horror a estas espécies de sacrifícios e eles próprios só se alimentavam de frutos e raízes. Na terra os incarnados têm uma missão a cumprir: têm o Espírito que deve ser nutrido pelo Espírito, o corpo com a matéria; mas a natureza da matéria influi - compreende-se facilmente - sobre a espessura do corpo e, em consequência, sobre as manifestações do Espírito. Os temperamentos naturalmente muito fortes para viver como os anacoretas
(5) fazem bem, porque o esquecimento da carne leva mais facilmente à meditação e à prece. Mas para viver assim, geralmente seria necessária de uma natureza mais espiritualizada que a vossa, o que é impossível com as condições terrestres. E como, antes de tudo, a natureza jamais age contra o bom senso, é impossível ao homem submeter-se impunemente a essas privações. Pode ser-se bom cristão e bom espírita e comer a seu gosto, desde que seja razoável. É uma questão algo leviana para os nossos estudos, mas não menos útil e proveitosa". (os grifos são nossos).

 

Essa mensagem explica que a dieta sem o uso da carne é melhor, pois isso “leva mais facilmente à meditação e à prece”.Isso aconteceria, pois, segundo Lamennais, a natureza da matéria influi nas manifestações do Espírito. Podemos comparar a situação com os vícios. Aquele faz uso de uma droga, por exemplo, impregna seu perispírito de vibrações que limitarão suas manifestações no mundo espiritual. Da mesma forma, o uso de uma dieta menos carnívora torna o perispírito menos “espesso” (usando aqui uma palavra que Lamennais usou no texto) o que permite que ele tenha mais facilidade em elevar seu pensamento em prece.

 

Porém, Lamennais, de modo responsável, deixou claro que a dieta vegetariana dependeria do aprimoramento espiritual da nossa Humanidade terrestre, o que ainda não ocorre. Daí adverte que “a natureza jamais age contra o bom senso, é impossível ao homem submeter-se impunemente a essas privações”. Por isso a questão 723 acima não condena o uso da carne. Sobre privações, a questão 724 do Livro dos Espíritos (3) recomenda: 

 

724. Será meritório abster-se o homem da alimentação animal, ou de outra qualquer, por expiação?
Sim, se praticar essa privação em benefício dos outros. Aos olhos de Deus, porém, só há mortificação, havendo privação séria e útil. Por isso é que qualificamos de hipócritas os que apenas aparentemente se privam de alguma coisa”.

 

Dessa forma, a privação da carne só teria mérito se ocorrer em benefício do próximo. As atividades espíritas de passes e as reuniões mediúnicas constituem exemplos em que a abstenção do uso da carne, pelo menos no dia dessas atividades, pode levar a benefícios aos assistidos encarnados ou desencarnados. Mas se o tarefeiro tiver dificuldade com isso, Raul Teixeira (6) assevera que, “É mais compreensível, e me parece mais lógico, que a pessoa coma no almoço o seu bife, se for o caso, ou tome seu cafezinho pela manhã, do que passar todo o dia atormentada pela vontade desses alimentos, sem conseguir retirar da cabeça o seu uso, deixando-se de concentrar-se na tarefa, em razão da ansiedade para chegar em casa, após a reunião, e comer ou beber aquilo de que tem vontade”.

 

Lamennais ainda disse que "Pode ser-se bom cristão e bom espírita e comer a seu gosto" sem esquecer que isso deve ser feito “desde que seja razoável”, isto é, sem exageros.

 

Portanto, a recomendação de Emmanuel e André Luiz é válida e está de acordo com o Espiritismo, mas não deve ser considerada uma exigência para a realização de um bom trabalho espírita ou uma boa reunião mediúnica. Lembremos, afinal, que Jesus em Mateus, Cap. 15 e vers. 11 disse que: "Não é o que entra pela boca que contamina o homem; mas o que sai da boca, isso é o que o contamina”. E, para aprimorar o que sai de “nossa boca” e de nossos atos, devemos nos esforçar pela reforma íntima e no estudo doutrinário.

 

Referências

[1] Emmanuel, psicografia de F. C. Xavier, O Consolador, FEB, 20ª Edição (1999).

[2] André Luiz, psicografia de F. C Xavier, Missionários da Luz, FEB, 26ª Edição (1995).

[3] A. Kardec, O Livro dos Espíritos, Editora FEB, 76a Edição, (1995).

[4] Lamennais, Revista Espírita, Dezembro, pp. 387—388 (1863).

[5] Anacoreta é uma pessoa que se retira a um local isolado para dedicar-se a meditação e oração. 

[6] D. P. Franco e J. R. Teixeira, Diretrizes de Segurança, Editora FRATER, 8ª Edição (2000).

 

Artigo publicado no jornal O Idealista, da USE – Regional Jaú, Setembro p.9 (2006).

 

Este artigo também pode ser encontrado nestes endereços eletrônicos:

http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/

http://aeradoespirito.sites.uol.com.br/A_ERA_DO_ESPIRITO_-_Portal/ARTIGOS/ArtigosGRs3/CARNE_ALIM_A_LUZ_DA_DE_AF.html

artigo2345.html

 

Avalie a si mesmo

21:09 @ 25/07/2008

 
Escreve: Elio Mollo
 

UMA OBSERVAÇÃO IMPORTANTE
 
O que é reformar? (literal)
É restituir ou restabelecer à organização primitiva.
 
O que é transformação? (literal)
É o ato ou efeito de transformar ou de ser transformado. É uma alteração, modificação ou uma mudança de uma forma em outra. Pode ser uma evolução ou mutação mais ou menos lenta de qualquer coisa.
 
O que é modificação? (literal)
É o ato ou efeito de transformar. É mudança no modo de ser de qualquer coisa. É transformação de uma coisa sem prejuízo da essência.
 
O que é alteração? (literal)
É o ato ou efeito de modificar o estado normal de alguma coisa. Pode ser, também, o ato de decompor, ou degenerar alguma coisa.
 
Assim, adotamos a palavra transformação por achá-la mais adequada ao que se refere às mudanças comportamentais.
 

TRANSFORMAÇÃO ÍNTIMA
 
O QUE É TRANSFORMAÇÃO ÍNTIMA?
É um processo contínuo de auto-análise, de conhecimento de nossa intimidade espiritual, libertando-nos de nossas imperfeições e permitindo-nos atingir o domínio de nós mesmos.
 
O QUE PODEMOS FAZER PARA NOS TRANSFORMARMOS INTIMAMENTE?
Podem-se e devem-se substituir nossos defeitos como por exemplo, o Egoísmo ou Personalismo, o Orgulho, a Inveja, o Ciúme, a Agressividade, a Maledicência e a Intolerância por virtudes, tais como Humildade, Caridade, Resignação, Sensatez, Generosidade, Afabilidade, Tolerância, Perdão, etc.
 
QUANTO TEMPO PODERÁ LEVAR PARA QUE TAIS MUDANÇAS OCORRAM?
O tempo não importa, o que importa é o esforço contínuo que se faz para atingir a Transformação Íntima. (“Reconhece-se o verdadeiro Espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que emprega para domar as suas más inclinações”. Allan Kardec in O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XVII, Sede Perfeitos).  Não se trata de esforço físico, mas de firme contenção de espírito, de um empenho que não sofra excessiva solução de continuidade. "Excessiva", porque, na verdade, também não podemos estar "continuamente" empenhados na transformação de nós mesmos. Deve haver, isto sim, uma persistência de propósito, e a esta persistência chamamos esforço. Em outras palavras, não é bom sintoma abandonar uma atividade ou desviar a energia para um curso mais fácil de ação, ao primeiro sinal de dificuldade. A referência do esforço é nesse sentido: continuidade, persistência em face das dificuldades. Mesmo que no dia a dia dê  a impressão de que não houve nenhuma mudança, não se deve desanimar nem abandonar o propósito da transformação. Por isso devemos dizer que este esforço é para a vida toda. Estudar o Evangelho de Jesus, ouvir sugestões de pessoas experientes, assistir conferências,  ler artigos e livros referentes a este assunto nos levará a conhecer ainda mais, e assim nos auxiliar na identificação dos defeitos que nos afetam em cada situação da vida e aprender aos poucos a prática das virtudes que irão substituí-los.
 
COMO FAZER?
O Conhecer a si mesmo é o primeiro passo para a nossa Transformação Íntima, e Santo Agostinho em resposta à q. 919ª de O Livro dos Espíritos nos oferece uma excelente receita para isto:
 
“Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações, inquiri como a qualificaríeis, se praticada por outra pessoa. Se a censurais noutrem, não a podereis ter por legítima quando fordes o seu autor, pois que Deus não usa de duas medidas na aplicação de Sua justiça. Procurai também saber o que dela pensam os vossos semelhantes e não desprezeis a opinião dos vossos inimigos, porquanto estes nenhum interesse têm em mascarar a verdade, e Deus muitas vezes os coloca ao vosso lado como um espelho, a fim de que sejais advertidos com mais franqueza do que o faria um amigo. Perscrute, conseguintemente, a sua consciência, aquele que se sinta possuído do desejo sério de melhorar-se, a fim de extirpar de si os maus pendores, como do seu jardim arranca as ervas daninhas; dê balanço no seu dia moral para, a exemplo do comerciante, avaliar suas perdas e seus lucros e eu vos asseguro que a conta destes será mais avultada que a daquelas. Se puder dizer que foi bom o seu dia, poderá dormir em paz e aguardar sem receio o despertar na outra vida.
 
Formulai, pois, de vós para convosco, questões nítidas e precisas e não temais multiplicá-las. Justo é que se gastem alguns minutos para conquistar uma felicidade eterna. Não trabalhais todos os dias com o fito de juntar haveres que vos garantam repouso na velhice? Não constitui esse repouso o objeto de todos os vossos desejos, o fim que vos faz suportar fadigas e privações temporárias? Pois bem! Que é esse descanso de alguns dias, turbado sempre pelas enfermidades do corpo, em comparação com o que espera o homem de bem? Não valerá este outro a pena de alguns esforços? Sei haver muitos que dizem ser positivo o presente e incerto o futuro. Ora, esta exatamente a idéia que estamos encarregados de eliminar do vosso íntimo, visto desejarmos fazer que compreendais esse futuro, de modo a não restar nenhuma dúvida em vossa alma.”  
 
Temos a tendência natural de sempre justificar nossos defeitos com racionalismos. São artimanhas e tramas inconscientes. Portanto, procuremos conhecer a fundo esses defeitos em todas as suas particularidades, e em como eles nos afetam, localizando as ocasiões em que estamos mais vulneráveis à sua manifestação. Procuremos então nos afastar desses procedimentos e buscar ferramentas adequadas para substituí-los em nosso comportamento.
 
Veja estas sugestões de Benjamin Franklin em sua Autobiografia, tais como escreveu e na ordem que lhes deu:
 
Temperança – Não coma até o embotamento; não beba até a exaltação.
 
Silêncio – Não fale sem proveito para os outros ou para si mesmo; evite a conversação fútil.
 
Ordem  – Tenha um lugar para cada coisa; que cada parte do trabalho tenha seu tempo certo.
 
Resolução – Resolva executar aquilo que deve; execute sem falta o que resolve.
 
Frugalidade – Não faça despesa sem proveito para os outros ou para si mesmo; ou seja, nada desperdice.
 
Diligência – Não perca tempo; esteja sempre ocupado em algo útil; dispense toda atividade desnecessária.
 
Sinceridade – Não use de artifícios enganosos; pense de maneira reta e justa, e, quando falar, fale de acordo.
 
Justiça – A ninguém prejudique por mau juízo, ou pela omissão de benefícios que são dever.
 
Moderação – Evite extremos; não nutra ressentimentos por injúrias recebidas tanto quanto julga que o merecem os injuriantes.
 
Asseio – Não tolere falta de asseio no corpo, no vestuário, ou na habitação.
 
Tranqüilidade – Não se perturbe por coisas triviais, acidentes comuns ou inevitáveis.
 
Castidade – Evite a prática sexual sem ser para a saúde ou procriação; nunca chegue ao abuso que o enfraqueça, nem prejudique a sua própria saúde, ou a paz de espírito ou reputação de outrem.
 
Humildade – Imite Jesus e Sócrates.
 

A IMPORTÂNCIA DAS QUEDAS
 
Um ponto importante é que precisamos contar com as quedas, até que cresçamos espiritualmente, afinal somos como crianças aprendendo a andar, e são as quedas que fortalecem nossa vontade, e nos ensinam a ter persistência.
 
Somos aquilo que conseguimos realizar e não aquilo que prometemos. Através das quedas aprendemos mais sobre nós mesmos e podemos aperfeiçoar o modo de evitá-las. Mas se cairmos porque nos falta vontade de acertar estaremos no caminho descendente e, de queda em queda, nos enfraqueceremos.
 
A criança aprende a andar porque está determinada a fazê-lo. Então, não desanimemos nunca, levantemo-nos logo e sigamos em frente com tranqüilidade, sem nos martirizarmos, com conhecimento de causa, na firme determinação de não mais errarmos.
 

CONCLUSÃO 
 
A cada minuto de nossa vida, antes de iniciar qualquer ação, façamos este exercício de nos perguntarmos sempre:
 
Isto que estou fazendo agora seria bem aceito por Deus ou pela minha consciência?
 
Se for, o procedimento é correto; se não for devemos descontinuar imediatamente o que iriamos fazer e não pensar mais nisso.
 
“Aquele que, todas as noites, evocasse todas as ações que praticara durante o dia e inquirisse de si mesmo o bem ou o mal que houvera feito, rogando a Deus e ao seu anjo de guarda que o esclarecessem, grande força adquiriria para se aperfeiçoar, porque, crede-me, Deus o assistiria. Dirigi, pois, a vós, mesmos perguntas, interrogai-vos sobre o que tendes feito e com que objetivo procedestes em tal ou tal circunstância, sobre se fizestes alguma coisa que, feita por outrem, censuraríeis, sobre se obrastes alguma ação que não ousaríeis confessar. Perguntai ainda mais: Se aprouvesse a Deus chamar-me neste momento, teria que temer o olhar de alguém, ao entrar de novo no mundo dos Espíritos, onde nada pode ser ocultado?
 
Examinai o que pudestes ter obrado contra Deus, depois contra o vosso próximo e, finalmente, contra vós mesmos. As respostas vos darão, ou o descanso para a vossa consciência, ou a indicação de um mal que precise ser curado.”  - (SANTO AGOSTINHO in O Livro dos Espíritos, q 919a)
 
A auto-análise permite que alinhemos as nossas ações e pensamentos na direção das correções que necessitamos realizar, para que ajustemos os nossos atos de acordo com os ensinamentos do Mestre, tanto com relação a Deus como em relação ao nosso próximo.
 
Através do esforço próprio e de exercícios repetidos em direção às boas causas, sedimentaremos em nós o próprio Bem.
 
Este processo é árduo, assim necessitaremos de muita coragem, perseverança e determinação para o realizarmos. Deus assiste e auxilia sempre, mas precisamos fazer a nossa parte se desejamos verdadeiramente melhorar.
 
Invistamos em nosso interior e procuremos melhorar nosso espírito eterno, transformando o que esta sociedade transitória estabeleceu como "normal" para nós. Lutemos o bom combate e não a luta mesquinha dos materialistas. A humanidade continuará ainda por muito séculos como é agora, mas nós, que já estamos disposto às mudanças de atitude, que já sentimos o amor ensinado pela Doutrina Espírita, que já estamos conscientes da realização de nossa evolução espiritual, que já começamos a compreender as palavras de nosso grande Mestre (Jesus), podemos fazer a nossa pequena parte vivendo a solidariedade no mais alto grau que é a caridade e realizar a transformação no íntimo de cada um, fazendo a Alquimia moderna de transformar chumbo em ouro.
 

Referências:
O Livro dos Espíritos – Allan Kardec
O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec
Reforma íntima (artigo) - Paulo Antonio Ferreira -
http://home.ism.com.br/~pauloaf/
Manual Prático do Espírita de Ney Prieto Peres, da Editora Pensamento.
Fundamentos da Reforma Íntima - Abel Glaser pelo Espírito Caibar Schutel, da Editora O Clarim.
Reforma Íntima (artigo) - João Batista Armani -
 
 
Colaborou no desenvolvimento ortográfico deste texto Maria Luiza Palhas

 

 
Estes textos foram organizados

através de trechos extraídos dos seguintes livros:


O Livro dos Espíritos – 1857

O que é o Espiritismo
Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas


Allan Kardec
 

e mais a

 

Revista Espírita
(Jornal de Estudos Psicológicos publicado sobre a direção de Allan Kardec),
Ano VII, maio de 1864, pág. 138 e 139 - EDICEL.


Pesquisa e Diagramação: Elio Mollo 

 

ALMA

Allan Kardec na Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita (O LIVRO DOS ESPÍRITOS)
 

ALMA (do lat. anima; gr. anemos, sopro, emanação, ar).


(...)


Segundo uns, a alma é o princípio da vida material orgânica. Não tem existência própria e se aniquila com a vida: é o materialismo puro. Neste sentido e por comparação, diz-se de um instrumento rachado, que nenhum som mais emite: não tem alma. De conformidade com essa opinião, a alma seria efeito e não causa.


Pensam outros que a alma é o princípio da inteligência, agente universal do qual cada ser absorve uma certa porção. Segundo esses, não haveria em todo o Universo senão uma só alma a distribuir centelhas pelos diversos seres inteligentes durante a vida destes, voltando cada centelha, mortos ou seres, à fonte comum, a se confundir com o todo, como os regatos e os rios voltam ao mar, donde saíram.


Essa opinião difere da precedente em que, nesta hipótese, não há em nós somente matéria, subsistindo alguma coisa após a morte. Mas é quase como se nada subsistisse, porquanto, destituídos de individualidade, não mais teríamos consciência de nós mesmos. Dentro desta opinião, a alma universal seria Deus, e cada ser um fragmento da divindade. Simples variante do panteísmo.


Segundo outros, finalmente, a alma é um ser moral, distinto, independente da matéria e que conserva sua individualidade após a morte. Esta acepção é, sem contradita, a mais geral, porque, debaixo de um nome ou de outro, a idéia desse ser que sobrevive ao corpo se encontra, no estado de crença instintiva, não derivada de ensino, entre todos os povos, qualquer que seja o grau de civilização de cada um. Essa doutrina, segundo a qual a alma é causa e não efeito, é a dos espiritualistas.


Sem discutir o mérito de tais opiniões e considerando apenas o lado lingüístico da questão, diremos que estas três aplicações do termo alma correspondem a três idéias distintas, que demandariam, para serem expressas, três vocábulos diferentes. Aquela palavra tem, pois, tríplice acepção e cada um, do seu ponto de vista, pode com razão defini-la como o faz. O mal está em a língua dispor somente de uma palavra para exprimir três idéias. A fim de evitar todo equívoco, seria necessário restringir-se a acepção do termo alma a uma daquelas idéias. A escolha é indiferente; o que se faz mister é o entendimento entre todos reduzindo-se o problema a uma simples questão de convenção. Julgamos mais lógico tomá-lo na sua acepção vulgar e por isso chamamos


ALMA ao ser imaterial e individual que em nós reside e sobrevive ao corpo.


(...)


Concebe-se que, com uma acepção múltipla, o termo alma não exclui o materialismo, nem o panteísmo. O próprio espiritualismo pode entender a alma de acordo com uma ou outra das duas primeiras definições, sem prejuízo do Ser imaterial distinto, a que então dará um nome qualquer. Assim, aquela palavra não representa uma opinião: é um Proteu, que cada um ajeita a seu bel-prazer. Daí tantas disputas intermináveis.


Evitar-se-ia igualmente a confusão, embora usando-se do termo alma nos três casos, desde que se lhe acrescentasse um qualificativo especificando o ponto de vista em que se está colocado, ou a aplicação que se faz da palavra. Esta teria, então, um caráter genérico, designando, ao mesmo tempo, o princípio da vida material, o da inteligência e o do senso moral, que se distinguiriam mediante um atributo, como os gases, por exemplo, que se distinguem aditando-se ao termo genérico as palavras hidrogênio, oxigênio ou azoto. Poder-se- ia, assim dizer, e talvez fosse o melhor,
 
·   a alma vital - indicando o princípio da vida material;
·   a alma intelectual - o princípio da inteligência, e
·   a alma espírita - o da nossa individualidade após a morte.
 
Como se vê, tudo isto não passa de uma questão de palavras, mas questão muito importante quando se trata de nos fazermos entendidos. De conformidade com essa maneira de falar,
 
·   a alma vital seria comum a todos os seres orgânicos: plantas, animais e homens;
·   a alma intelectual pertenceria aos animais e aos homens; e
·   a alma espírita somente ao homem. 

 

 * * *

O LIVRO DOS ESPÍRITOS

PARTE 2a - CAPÍTULO II, obra codificada por Allan Kardec

 

134. Que é a alma?
“Um Espírito encarnado.”


Observação do autor desta apostila: Note-se que a alma no mundo dos Espíritos utiliza-se do perispírito para a manifestação da sua individualidade, assim, no mundo espiritual a alma + perispírito = Espírito, e, quando na Terra é um Espírito encarnado, ou melhor, alma + perispírito + corpo físico = homem. (Ver O que é o Espiritismo - Cap. II, item 9, 10 e 14 - (obra de autoria de Allan Kardec).
 
134a) - Que era a alma antes de se unir ao corpo?
“Espírito.”


134b) - As almas e os Espíritos são, portanto, idênticos, a mesma coisa?
“Sim, as almas não são senão os Espíritos. Antes de se unir ao corpo, a alma é um dos seres inteligentes que povoam o mundo invisível, os quais temporariamente revestem um invólucro carnal para se purificarem e esclarecerem.”


135. Há no homem alguma outra coisa além da alma e do corpo?
“Há o laço que liga a alma ao corpo.”


135a) - De que natureza é esse laço?
“Semimaterial, isto é, de natureza intermédia entre o Espírito e o corpo. É preciso que seja assim para que os dois se possam comunicar um com o outro. Por meio desse laço é que o Espírito atua sobre a matéria e reciprocamente.”


NOTA DE ALLAN KARDEC - O homem é, portanto, formado de três partes essenciais:


1º - o corpo ou ser material, análogo ao dos animais e animado pelo mesmo princípio vital;
2º - a alma, Espírito encarnado que tem no corpo a sua habitação;
3º - o princípio intermediário, ou perispírito, substância semimaterial que serve de primeiro envoltório ao Espírito e liga a alma ao corpo. Tais, num fruto, o gérmen, o perisperma e a casca.
 
136. A alma independe do princípio vital?
O corpo não é mais do que envoltório, repetimo-lo constantemente.”


136a) - Pode o corpo existir sem a alma?
“Pode; entretanto, desde que cessa a vida do corpo, a alma o abandona. Antes do nascimento, ainda não há união definitiva entre a alma e o corpo; enquanto que, depois dessa união se haver estabelecido, a morte do corpo rompe os laços que o prendem à alma e esta o abandona. A vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma não pode habitar um corpo privado de vida orgânica.”


136b) - Que seria o nosso corpo, se não tivesse alma?
“Simples massa de carne sem inteligência, tudo o que quiserdes, exceto um homem.”
 
149. Em que se torna alma no instante da morte?
“Torna-se Espírito; isto é, entra no mundo dos Espíritos que havia deixado momentaneamente”.


Observação do autor desta apostila: De alma + perispírito + corpo físico = homem a alma volta a ser Espírito, ou seja, alma + perispírito = Espírito. (Ver O que é o Espiritismo - Cap. II, item 9, 10 e 14 (obra de autoria de Allan Kardec). 

 

 * * *

O que é o Espiritismo

Cap. II, item 9, 10 e 14 - (obra codificada por Allan Kardec).

 

9. Quando a alma está ligada ao corpo, durante a vida, tem duplo envoltório: um pesado e grosseiro e perecível, que é o corpo; o outro fluídico, leve e indestrutível, chamado perispírito.

 

10. Existem, portanto, no homem, três elementos essenciais:

1º . A alma ou Espírito, princípio inteligente onde residem o pensamento, a vontade e o senso moral;
2º . O corpo, envoltório material que põe o Espírito em relação com o mundo exterior;
3º. O perispírito, invólucro fluídico, leve, imponderável, servindo de liame e de intermediário entre o Espírito e o Corpo.”

14. A união da alma, do perispírito, e do corpo material constitui o homem. A alma e o perispírito separados do corpo constituem a ser a que chamamos Espírito.
 
NOTA DE ALLAN KARDEC referindo-se aos itens acima citados:

  • A alma é assim um ser simples;

  • O Espírito um ser duplo, e 

  • O homem um ser triplo.

Seria portanto mais exato reservar a palavra alma para designar o princípio inteligente, e a palavra Espírito para o ser semimaterial formado desse princípio e do corpo fluídico. Mas como não se pode conceber o princípio inteligente sem ligação material, as palavras alma e Espírito são, no uso comum, indiferentemente empregadas uma pela outra; é a figura que consiste em tomar a parte pelo todo, da mesma forma que se diz que uma cidade é habitada por tantas almas, uma vila composta de tantas casas; porém, filosoficamente é essencial fazer-se a diferença.

 

 * * *

Revista Espírita

(Jornal de Estudos Psicológicos publicado sobre a direção de Allan Kardec),
Ano VII, maio de 1864, pág. 138 e 139 - EDICEL.

 

As palavras alma e Espírito, posto que sinônimos e empregados indiferentemente, não exprimem exatamente a mesma idéia. A alma é, a bem dizer, o princípio inteligente, imperceptível e indefinido como o pensamento. No estado dos nossos conhecimentos, não podemos concebê-lo isolado da matéria de maneira absoluta. Posto que formado de matéria sutil, o perispírito, dele faz um ser limitado, definido e circunscrito a sua individualidade espiritual. De onde se pode formular esta proposição:

  • A união da alma, do perispírito e do corpo material constitui o HOMEM;

  • A alma e o perispírito separados do corpo constituem o ser chamado ESPÍRITO.

Nas manifestações espíritas não é, pois, a alma que se apresenta só; esta sempre revestida de seu envoltório fluídico; esse envoltório é o necessário intermediário, através do qual ela age sobre a matéria compacta. Nas aparições não é a alma que se vê, mas o perispírito; do mesmo modo que quando se vê um homem vê-se seu corpo, mas não o pensamento, a força, o princípio que o faz agir.


Em resumo,

  • A alma é um ser simples, primitivo;

  • o Espírito o ser duplo e

  • o homem o ser triplo. 

Se se confundir o homem com roupas, teremos um ser quádruplo. Na circunstância de que se trata, o vocábulo Espírito é o que melhor corresponde à coisa expressa. Pelo pensamento representa-se um Espírito, mas não se representa uma alma.

 

 

 * * *

 

O LIVRO DOS ESPÍRITOS

LIVRO 2o - CAPÍTULO I, obra codificada por Allan Kardec

 

76. Que definição se pode dar dos Espíritos?
“Pode dizer-se que os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Povoam o Universo, fora do mundo material.”([1])

 

 * * *

 

(Allan Kardec, no livro

Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas

(Vocabulário Espírita)

 

ESPÍRITO (Do lat. spiritus, de spirare, soprar). No sentido especial da doutrina espírita, os espíritos são seres inteligentes da criação e povoam o Universo fora do mundo corpóreo.


A natureza íntima dos Espíritos nos é desconhecida; eles mesmos não a podem definir, seja por ignorância, seja pela insuficiência da nossa linguagem. Somos a este respeito como cegos de nascença em face da luz. Segundo o que eles nos dizem, o Espírito não é material no sentido vulgar da palavra; não é tampouco imaterial em sentido absoluto, porque o Espírito é alguma coisa e a imaterialidade absoluta seria o nada. O Espírito é, pois, formado de uma substância, mas da qual a matéria grosseira que impressiona nossos sentidos não pode dar-nos uma idéia. Pode-se compará-lo a uma chama ou centelha cujo brilho varia segundo o grau de purificação. Pode tomar todas as espécies de formas por meio do perispírito de que está envolvido.

 

ESPIRÍTO ELEMENTAR  (Alma))([2]) - Espírito considerado em si mesmo e feita abstração de seu perispírito ou invólucro material. 

 

 * * *

O LIVRO DOS ESPÍRITOS

LIVRO 1o - CAPÍTULO II, obra codificada por Allan Kardec

 

23. Que é o Espírito?(ALMA)
“O princípio inteligente do Universo.” (Ver O que é o Espiritismo - Cap. II, item 9, 10 e 14 - (obra codificada por Allan Kardec)).

 

 * * * 

Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas

Allan Kardec - Vocabulário Espírita

 

PERISPÍRITO De per, em redor, e spiritus, espírito. Invólucro semimaterial do Espírito depois da sua separação do corpo. O Espírito o tira do mundo em que se acha e o troca ao passar de um a outro; ele é mais ou menos sutil ou grosseiro, segundo a natureza de cada globo. O perispírito pode tomar todas as formas à vontade do Espírito; ordinariamente ele assume a imagem que este tinha em sua última existência corporal.


Embora de natureza etérea, a substância do perispírito é suscetível de certas modificações que a tornam perceptível à nossa vista. É o que se dá nas aparições. Ela pode até, por sua união com o fluido de certas pessoas, torna-se temporariamente tangível, isto é, oferecer ao toque a resistência de um corpo sólido, como se vê nas aparições estereológicas ou palpáveis.


A natureza íntima do perispírito não é ainda conhecida; mas poder-se-ia supor que a matéria do corpo é composta de uma parte sólida e grosseira e de uma parte sutil e etérea; ao passo que a segunda persiste e segue o espírito. O espírito teria, assim, um duplo invólucro; a morte apenas o despojaria do mais grosseiro; o segundo, que constitui o perispírito, conservaria o tipo a forma da primeira, da qual ele é como a sombra; mas sua natureza essencialmente vaporosa permite ao Espírito modificar esta forma à sua vontade, torná-la visível, palpável ou impalpável.


O perispírito é, para o Espírito, o que o perisperma e para o germe do fruto. A amêndoa, despojada do seu invólucro lenhoso, encerra o germe sob o invólucro delicado do perisperma.

 

 * * *

FLUIDO UNIVERSAL
Questão 27 de «O LIVRO DOS ESPÍRITOS»

 

Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, é a trindade Universal.


Deus é a inteligência suprema causa primária de todas as coisas.(q. 1 – LE)


O Espírito (Alma) é o princípio inteligente.


Para que o Espírito possa exercer ação sobre a matéria tem que se juntar o fluido universal, pois, é ele que desempenha o papel intermediário entre o Espírito e a matéria grosseira.


É lícito até certo ponto, classificar o fluido universal com o elemento material, porém, ele se distingue, deste por propriedades especiais. Este fluido deve ser considerado como sendo um elemento semimaterial, pois, está situado entre o Espírito e a matéria.


Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza; é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá.

 

 * * *

FLUIDO VITAL
Allan Kardec na Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita (O LIVRO DOS ESPÍRITOS)
e em nota referindo-se as questões de 68 a 70 LE.

 

O fluido vital é o mesmo que o fluido elétrico animalizado, designado, também, sob os nomes de fluido magnético, fluido nervoso, etc.


A quantidade de fluido vital não é fator absoluto para todos os seres orgânicos; varia segundo as espécies e, não é fator constante, seja no mesmo indivíduo, seja nos indivíduos da mesma espécie. Existem alguns que são, por assim dizer, saturados, enquanto outros dispõem apenas de uma quantidade suficiente; daí, para alguns, a vida é mais ativa, mais vibrante e, de certo modo superabundante.


A quantidade de fluido vital se esgota; pode a vir a ser insuficiente para manter a vida, se não renovado pela absorção e a assimilação das substância que o contém.


O fluido vital se transmite de um indivíduo para o outro. Aquele que tem o bastante, pode dá-lo aquele que tem pouco e, em certos casos restabelecer a vida prestes a se apagar. 

 

 * * *

PRINCÍPIO VITAL
O LIVRO DOS ESPÍRITOS – questões de 60 à 67

 

O princípio vital é a força motriz dos corpos orgânicos, comum a todos os seres vivos, desde as plantas até os homens.


Esse princípio reside no fluído universal. Ele é um elemento distinto e independente. É dele que o Espírito extrai o envoltório semimaterial que constitui o seu perispírito e, é por meio desse fluido que atua sobre a matéria.


Sua união com a matéria causa a animalização, ou seja, é o que dá vida a matéria e tem por fonte o fluido vital também chamado de fluido magnético ou fluido elétrico.


O princípio vital é modificado segundo as espécies. É ele que dá movimento e atividade a matéria orgânica, distinguindo-a da matéria inerte, porquanto o movimento da matéria não é a vida. Esse movimento ela o recebe não o dá.


Quando os seres orgânicos morrem sua matéria se decompõem indo formar outros organismos. O princípio vital retorna a massa de onde saiu.

 

 * * *

 

([1]) NOTA DE ALLAN KARDEC: A palavra Espírito é empregada aqui para designar as individualidades dos seres extracorpóreos e não mais o elemento inteligente do Universo.
 
([2]) Observação do autor desta apostila: A palavra Alma foi colocada entre parêntesis para uma melhor compreensão. (Ver O que é o Espiritismo – Nota de A. Kardec para Cap. II, item 9, 10 e 14 - (obra codificada por Allan Kardec)).

 

Este texto pode ser encontrado, também, neste endereço eletrônico:

http://aeradoespirito.sites.uol.com.br/A_ERA_DO_ESPIRITO_-_Portal/Apostilas/ALMA_ESP_PERISP_FLUIDOS.html

 
no livro primeiro, capítulo II
de O LIVRO DOS ESPÍRITOS
obra codificada por Allan Kardec

Estudo: Elio Mollo

 

Conhecimento do princípio das coisas


O homem não pode conhecer o princípio das coisas, Deus não permite que tudo seja revelado ao homem  neste mundo.

 

O homem penetrará um dia no mistério das coisas que lhe estão ocultas. Isto acontecerá naturalmente, o véu se levantará a seus olhos, à medida que ele se depura; mas, para compreender certas coisas, são-lhe precisas faculdades que ainda não possui.

 

O homem,  poderá pelas investigações científicas, penetrar nos segredos da Natureza, pois a Ciência lhe foi dada para seu adiantamento em todos os sentidos, mas ele, porém, não pode ultrapassar os limites que Deus estabeleceu.


Quanto mais consegue o homem penetrar nesses mistérios, tanto maior admiração lhe devem causar o poder e a sabedoria do Criador. Entretanto, seja por orgulho, seja por fraqueza, sua própria inteligência o faz joguete da ilusão. Ele amontoa sistemas sobre sistemas e cada dia que passa lhe mostra quantos erros tomou por verdades e quantas verdades rejeitou como erros. São outras tantas decepções para o seu orgulho.

 

O homem pode receber, sem ser por meio das investigações da Ciência, comunicações de ordem mais elevada acerca do que lhe escapa ao testemunho dos sentidos, mas somente se Deus o julgar útil revelar aquilo que à ciência não é dado apreender. Inclusive através dessas comunicações, o homem só recebe este conhecimento dentro de certos limites, seja do seu passado ou do seu futuro.

 

 

Espírito e matéria


Dentro de seus parcos conhecimentos, o homem pode dizer que só Deus sabe como foi o início da matéria desde toda a eternidade ou como ela foi criada por Ele em dado momento. Há, entretanto, uma coisa, que a razão indica: é que Deus, modelo de amor e caridade nunca esteve inativo. Qualquer que seja a distancia que se possa imaginar o início de Sua ação, jamais se pode concebê-Lo ocioso, um momento que seja.

 

Geralmente define-se  a matéria como sendo - o que tem extensão, o que é capaz de impressionar os sentidos, o que é impenetrável. Essa definição é exata do ponto de vista do homem, porque só pode falar segundo aquilo que conhece. Mas a matéria existe em estados que ele ignora. Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil que nenhuma impressão cause aos seus sentidos. Contudo, é sempre matéria, embora, não o seja para ele.

 

A matéria é o laço que prende o Espírito; é o instrumento de que este se serve e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce sua ação. Pode-se dizer-se que a matéria é o agente, o intermediário com o auxílio do qual e sobre o qual atua o Espírito.

 

O Espírito (Alma) é o princípio inteligente do Universo. (1)

 

Não é fácil analisar a natureza íntima do espírito com a linguagem do homem, pois para ele nada é, por não ser palpável, entretanto, para os espíritos é alguma coisa. Mas uma coisa o homem deve ter em mente: coisa nenhuma é o nada e o nada não existe.

 

A inteligência é um atributo essencial do espírito. Uma e outro, porém, se confundem num princípio comum, de sorte que, para o homem, são a mesma coisa.

 

O Espírito é distinto da matéria, mas, a união do espírito e da matéria é necessária para intelectualizá-la.

 

Essa união é necessária para a manifestação do Espírito (2), porque não tem organização apta a perceber o Espírito sem a matéria; pois os seus sentidos não são apropriados para isto.

 

Pode-se conceber o Espírito sem a matéria e a matéria sem o Espírito pelo pensamento.

 

Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, é a trindade Universal. Deus é a inteligência suprema causa primária de todas as coisas. (3) O Espírito (Alma) é o princípio inteligente. (4) Para que o Espírito possa exercer ação sobre a matéria tem que se juntar o fluido universal, pois, é ele que desempenha o papel intermediário entre o Espírito e a matéria grosseira.

 

É lícito até certo ponto, classificar o fluido universal com o elemento material, porém, ele se distingue, deste por propriedades especiais. Este fluido deve ser considerado como sendo um elemento semimaterial, pois, está situado entre o Espírito e a matéria. Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza; é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá. (5)

 

Esse fluido é suscetível de inúmeras combinações. Os denominados de fluido elétrico, fluido magnético, são modificações do fluido universal, que não é, propriamente falando, senão matéria mais perfeita, mais sutil e que se pode considerar independente.

 

Uma vez que o Espírito é, em si, alguma coisa, poderia ser mais exato e menos sujeito a confusão dar aos dois elementos gerais as designações de - matéria inerte e matéria inteligente, contudo compete ao homem  formular a sua linguagem de maneira a se fazer entender. As controvérsias provêm, quase sempre, acerca dos termos que emprega, e por ser incompleta a sua linguagem causa muitas confusões.

 

Um fato patente domina todas as hipóteses: vemos matéria destituída de inteligência e vemos um princípio inteligente que independe da matéria. A origem e a conexão destas duas coisas são desconhecidas. Se promanam ou não de uma só fonte; se há pontos de contacto entre ambas; se a inteligência tem existência própria, ou se é uma propriedade, um efeito; se é mesmo, conforme à opinião de alguns, uma emanação da Divindade, ignoramos. Elas se mostram como sendo distintas; daí o fato de considerá-las formando os dois princípios constitutivos do Universo. Ve-se acima de tudo isso uma inteligência que domina todas as outras, que as governa, que se distingue delas por atributos essenciais. A essa inteligência suprema é que chamamos Deus.

 

Propriedades da matéria


A ponderabilidade é um atributo essencial da matéria, como o homem a entende, mas, não, porém, da matéria considerada como fluido universal. A matéria etérea e sutil que constitui esse fluido é imponderável. Nem por isso, entretanto, deixa de ser o princípio da matéria pesada.
 
A gravidade é uma propriedade relativa. Fora das esferas de atração dos mundos, não há peso, do mesmo modo que não há alto nem baixo.

 

A matéria é formada de um só elemento primitivo. Os corpos que considerados simples não são verdadeiros elementos, são transformações da matéria primitiva.


As diversas propriedades da matéria são modificações que as moléculas elementares sofrem, por efeito da sua união, em certas circunstâncias.


Os sabores, os odores, as cores, o som, as qualidades venenosas ou salutares dos corpos não passam de modificações de uma única substância primitiva e que só existem devido à disposição dos órgãos destinados a percebê-las.

 

A demonstração deste princípio se encontra no fato de que nem todos percebemos as qualidades dos corpos do mesmo modo: enquanto que uma coisa agrada ao gosto de um, para o de outro é detestável; o que uns vêem azul, outros vêem vermelho; o que para uns é veneno, para outros é inofensivo ou salutar.

 

A mesma matéria elementar é suscetível de experimentar todas as modificações e de adquirir todas as propriedades é isso o que se deve entender, quando se diz que tudo está em tudo. (6)

 

O oxigênio, o hidrogênio, o azoto, o carbono e todos os corpos considerados simples são meras modificações de uma substância primitiva. Na impossibilidade em que ainda o homem se acha de remontar, a não ser pelo pensamento, a esta matéria primária, esses corpos são para os Espíritos verdadeiros elementos e podem, sem maiores conseqüências, tê-los como tais, até nova ordem.

 

A matéria tem duas propriedades essenciais: a força e o movimento, as demais propriedades não passam de efeitos secundários, que variam conforme à intensidade da força e à direção do movimento, contudo deve-se  acrescentar que também, conforme à disposição das moléculas, como o mostra, por exemplo, um corpo opaco, que pode tornar-se transparente e vice-versa.
 
As moléculas têm forma determinada, porém, o homem ainda não é capaz de apreciá-la. Essa forma é constante para as moléculas elementares primitivas; variável para as moléculas secundárias, que mais não são do que aglomerações das primeiras, porque, a molécula está longe ainda da molécula elementar.

 

 

Espaço universal


O Espaço universal é Infinito. Supõe-se limitado o que haverá para lá de seus limites, e isto confunde a razão, no entanto, a razão diz que não pode ser de outro modo. O mesmo se dá com o infinito em todas as coisas. Não é na pequenina esfera em que o homem se acha o que deseja ele compreender.

 

Supondo-se um limite ao Espaço, por mais distante que a imaginação o coloque, a razão diz que além desse limite há alguma coisa mais e assim, gradativamente, até ao infinito, porquanto, embora essa alguma coisa fosse o vazio absoluto, ainda seria Espaço.

 

O vácuo absoluto não existe em nenhuma parte do Espaço universal. O que parece vazio está ocupado por matéria que escapa aos sentidos do homem e aos seus instrumentos.

 

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NOTAS:

 

(1) No livro O QUE É O ESPIRTISMO, Cap. II, item 9, 10 e 14 - (obra codificada por Allan Kardec).  

 

9. Quando a alma está ligada ao corpo, durante a vida, tem duplo envoltório: um pesado e grosseiro e perecível, que é o corpo; o outro fluídico, leve e indestrutível, chamado perispírito.

 

10. Existem, portanto, no homem, três elementos essenciais: 

 

1º . A alma ou Espírito, princípio inteligente onde residem o pensamento, a vontade e o senso moral;

 

2º . O corpo, envoltório material que põe o Espírito em relação com o mundo exterior;

 

3º. O perispírito, invólucro fluídico, leve, imponderável, servindo de liame e de intermediário entre o Espírito e o Corpo.”

 

14. A união da alma, do perispírito, e do corpo material constitui o homem. A alma e o perispírito separados do corpo constituem a ser a que chamamos Espírito.


NOTA DE ALLAN KARDEC referindo-se aos itens acima citados: 

 

·        A alma é assim um ser simples;

·        O Espírito um ser duplo, e 

·        O homem um ser triplo.

 

Seria portanto mais exato reservar a palavra alma para designar o princípio inteligente, e a palavra Espírito para o ser semimaterial formado desse princípio e do corpo fluídico. Mas como não se pode conceber o princípio inteligente sem ligação material, as palavras alma e Espírito são, no uso comum, indiferentemente empregadas uma pela outra; é a figura que consiste em tomar a parte pelo todo, da mesma forma que se diz que uma cidade é habitada por tantas almas, uma vila composta de tantas casas; porém, filosoficamente é essencial fazer-se a diferença.

 

(2) Aqui devemos entender por espírito, o princípio da inteligencia, abstração feita das individualidades designadas por esse nome.

 

(3) Ver O LIVRO DOS ESPÍRITOS, questão 1, Allan Kardec)

 

(4) REVISTA ESPÍRITA (Jornal de Estudos Psicológicos publicado sobre a direção de Allan Kardec), Ano VII, maio de 1864, pág. 138 e 139 - EDICEL. 

 

As palavras alma e Espírito, posto que sinônimos e empregados indiferentemente, não exprimem exatamente a mesma idéia. A alma é, a bem dizer, o princípio inteligente, imperceptível e indefinido como o pensamento. No estado dos nossos conhecimentos, não podemos concebê-lo isolado da matéria de maneira absoluta. Posto que formado de matéria sutil, o perispírito, dele faz um ser limitado, definido e circunscrito a sua individualidade espiritual. De onde se pode formular esta proposição: 

 

·        A união da alma, do perispírito e do corpo material constitui o HOMEM;

·        A alma e o perispírito separados do corpo constituem o ser chamado ESPÍRITO.

 

Nas manifestações espíritas não é, pois, a alma que se apresenta só; esta sempre revestida de seu envoltório fluídico; esse envoltório é o necessário intermediário, através do qual ela age sobre a matéria compacta. Nas aparições não é a alma que se vê, mas o perispírito; do mesmo modo que quando se vê um homem vê-se seu corpo, mas não o pensamento, a força, o princípio que o faz agir.


Em resumo,

 

·        A alma é um ser simples, primitivo;

·        o Espírito o ser duplo e

·        o homem o ser triplo. 

 

Se se confundir o homem com roupas, teremos um ser quádruplo. Na circunstância de que se trata, o vocábulo Espírito é o que melhor corresponde à coisa expressa. Pelo pensamento representa-se um Espírito, mas não se representa uma alma.

 

(5) FLUIDO CÓSMICO UNIVERSAL

 

 

 

“Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”.

Resposta dada pelos Espíritos Superiores à Allan Kardec na q. 1 de «O LIVRO DOS ESPÍRITOS».

Há dois elementos gerais do Universo: a matéria e o Espírito e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas.

 

 

Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal.

 

Mas ao elemento material se tem que juntar o FLUIDO UNIVERSAL, que desempenha o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o Espírito possa exercer ação sobre ela.

 

 

Embora, de certo ponto de vista, seja lícito classificá-lo com o elemento material, ele se distingue deste por propriedades especiais.

 

Se o FLUIDO UNIVERSAL fosse simplesmente matéria, não haveria razão para que o Espírito não o fosse também.

 

O FLUIDO UNIVERSAL está colocado entre o Espírito e a matéria;

 

Espírito           Fluido Universal            Matéria

[----------------------I-----------------------]

 

 

É fluido, como a matéria, e suscetível, pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob a ação do Espírito, de produzir a infinita variedade das coisas de que apenas conheceis uma parte mínima.

 

Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá.”

q. 27(LE).

 

Esse fluido é suscetível de inúmeras combinações. O que chamamos de fluido elétrico, fluido magnético, são modificações do fluido universal, que não é, propriamente falando, senão matéria mais perfeita, mais sutil e que se pode considerar independente.

q. 27. a (LE).

 

 

Elementos fluídicos

A Gênese, cap. XIV. Itens de 2 à 6

Obra codificada por Allan Kardec

 

 

O FLUIDO CÓSMICO UNIVERSAL é a matéria elementar primitiva, cujas modificações e transformações constituem a inumerável variedade dos corpos da Natureza.

 

Como princípio elementar do Universo, ele assume dois estados distintos: 

  • eterização ou imponderabilidade - primitivo estado normal

  • materialização ou de ponderabilidade - consecutivo ao estado normal primitivo

 

O ponto intermédio é o da transformação do fluido em matéria tangível.

 

 

Mas, ainda aí, não há transição brusca, porquanto podem considerar-se os nossos fluidos imponderáveis como termo médio entre os dois estados.

 

Cada um desses dois estados dá lugar, naturalmente, a fenômenos especiais: ao segundo pertencem os do mundo visível e ao primeiro os do mundo invisível. Uns, os chamados fenômenos materiais, são da alçada da Ciência propriamente dita, os outros, qualificados de fenômenos espirituais ou psíquicos, porque se ligam de modo especial à existência dos Espíritos, cabem nas atribuições do Espiritismo.

 

 

Como, porém, a vida espiritual e a vida corporal se acham incessantemente em contacto, os fenômenos das duas categorias muitas vezes se produzem simultaneamente. No estado de encarnação, o homem somente pode perceber os fenômenos psíquicos que se prendem à vida corpórea; os do domínio espiritual escapam aos sentidos materiais e só podem ser percebidos no estado de Espírito. (1)

 

(1) A denominação de fenômeno psíquico exprime com mais exatidão o pensamento, do que a de fenômeno espiritual, dado que esses fenômenos repousam sobre as propriedades e os atributos da alma, ou, melhor, dos fluidos perispiríticos, inseparáveis da alma. Esta qualificação os liga mais intimamente à ordem dos fatos naturais regidos por leis; pode-se, pois, admiti-los como efeitos psíquicos, sem os admitir a título de milagres.

 

No estado de eterização, o fluido cósmico não é uniforme;

 

 

Sem deixar de ser etéreo, sofre modificações tão variadas em gênero e mais numerosas talvez do que no estado de matéria tangível. Essas modificações constituem fluidos distintos que, embora procedentes do mesmo princípio, são dotados de propriedades especiais e dão lugar aos fenômenos peculiares ao mundo invisível.

 

Dentro da relatividade de tudo, esses fluidos têm para os Espíritos, que também são fluídicos, uma aparência tão material, quanto a dos objetos tangíveis para os encarnados e são, para eles, o que são para nós as substâncias do mundo terrestre. Eles os elaboram e combinam para produzirem determinados efeitos, como fazem os homens com os seus materiais, ainda que por processos diferentes.

 

Lá, porém, como neste mundo, somente aos Espíritos mais esclarecidos é dado compreender o papel que desempenham os elementos constitutivos do mundo onde eles se acham. Os ignorantes do mundo invisível são tão incapazes de explicar a si mesmos os fenômenos a que assistem e para os quais muitas vezes concorrem maquinalmente, como os ignorantes da Terra o são para explicar os efeitos da luz ou da eletricidade, para dizer de que modo é que vêem e escutam.

 

Os elementos fluídicos do mundo espiritual escapam aos nossos instrumentos de análise e à percepção dos nossos sentidos, feitos para perceberem a matéria tangível e não a matéria etérea. Alguns há, pertencentes a um meio diverso a tal ponto do nosso, que deles só podemos fazer idéia mediante comparações tão imperfeitas como aquelas mediante as quais um cego de nascença procura fazer idéia da teoria das cores.

 

Mas, entre tais fluidos, há os tão intimamente ligados à vida corporal, que, de certa forma, pertencem ao meio terreno. Em falta de observação direta, seus efeitos podem observar-se, como se observam os do fluido do imã, fluido que jamais se viu, podendo-se adquirir sobre a natureza deles conhecimentos de alguma precisão. É essencial esse estudo, porque está nele a chave de uma imensidade de fenômenos que não se conseguem explicar unicamente com as leis da matéria.

 

A pureza absoluta, da qual nada nos pode dar idéia, é o ponto de partida do fluido universal;

 

 

O ponto oposto é o em que ele se transforma em matéria tangível.

 

Entre esses dois extremos, dão-se inúmeras transformações, mais ou menos aproximadas de um e de outro. Os fluidos mais próximos da materialidade, os menos puros, conseguintemente, compõem o que se pode chamar a atmosfera espiritual da Terra. É desse meio, onde igualmente vários são os graus de pureza, que os Espíritos encarnados e desencarnados, deste planeta, haurem os elementos necessários à economia de suas existências. Por muito sutis e impalpáveis que nos sejam esses fluidos, não deixam por isso de ser de natureza grosseira, em comparação com os fluidos etéreos das regiões superiores.

 

O mesmo se dá na superfície de todos os mundos, salvo as diferenças de constituição e as condições de vitalidade próprias de cada um. Quanto menos material é a vida neles, tanto menos afinidades têm os fluidos espirituais com a matéria propriamente dita.

 

 

Não é rigorosamente exata a qualificação de fluidos espirituais, pois que, em definitiva, eles são sempre matéria mais ou menos quintessenciada. De realmente espiritual, só a alma ou princípio inteligente. Dá-se-lhes essa denominação por comparação apenas e, sobretudo, pela afinidade que eles guardam com os Espíritos. Pode dizer-se que são a matéria do mundo espiritual, razão por que são chamados fluidos espirituais.

 

Quem conhece, aliás, a constituição íntima da matéria tangível? Ela talvez somente seja compacta em relação aos nossos sentidos; prová-lo-ia a facilidade com que a atravessam os fluidos espirituais e os Espíritos, aos quais não oferece maior obstáculo, do que o que os corpos transparentes oferecem à luz.

 

Tendo por elemento primitivo o fluído cósmico etéreo, à matéria tangível há de ser possível, desagregando-se, voltar ao estado de eterização, do mesmo modo que o diamante, o mais duro dos corpos, pode volatilizar-se em gás impalpável. Na realidade, a solidificação da matéria não é mais do que um estado transitório do fluido universal, que pode volver ao seu estado primitivo, quando deixam de existir as condições de coesão.

 

Quem sabe mesmo se, no estado de tangibilidade, a matéria não é suscetível de adquirir uma espécie de eterização que lhe daria propriedades particulares? Certos fenômenos, que parecem autênticos, tenderiam a fazer supô-lo. Ainda não conhecemos senão as fronteiras do mundo invisível; o porvir, sem dúvida, nos reserva o conhecimento de novas leis, que nos permitirão compreender o que se nos conserva em mistério.

 

(6) Este princípio explica o fenômeno conhecido de todos os magnetizadores e que consiste em dar-se, pela ação da vontade, a uma substância qualquer, à água, por exemplo, propriedades muito diversas: um gosto determinado e até as qualidades ativas de outras substâncias. Desde que não há mais de um elemento primitivo e que as propriedades dos diferentes corpos são apenas modificações desse elemento. o que se segue é que a mais inofensiva substância tem o mesmo princípio que a mais deletéria. Assim, a água, que se compõe de uma parte de oxigênio e de duas de hidrogênio, se torna corrosiva, duplicando-se a proporção do oxigênio. Transformação análoga, se pode produzir por meio de ação magnética dirigida pela vontade.